* 1.1 apóstolo. Alguém comissionado diretamente por Cristo como seu mensageiro autoritativo (2Co 1.1, nota). Paulo salienta a significação desse ofício apostólico em outros lugares (cap. 9; 15.1-11; 2Co 10—12 e Gl 1). Alguns dos problemas da igreja em Corinto envolviam desafios contra a autoridade de Paulo.
Sóstenes. Talvez a mesma pessoa mencionada em At 18.17, dirigente da sinagoga de Corinto, no tempo da primeira visita de Paulo à cidade.
* 1.2 aos santificados... chamados para ser santos. A palavra "santos" chama atenção para a posição distintiva do povo de Deus. Paulo com freqüência a usa para identificar os crentes para quem ele escrevia (p.ex., Rm 1.7). A descrição, "santificados" (ver referência lateral) sublinha esse aspecto da vida cristã. Os crentes de Corinto estavam sendo falhos quanto a problemas éticos, e esta epístola toca reiteradamente no assunto da santificação. Desde o início da epístola Paulo chama atenção para o fato. Significativamente, entretanto, ele os encoraja, de maneira tipicamente pastoral, relembrando-lhes o fato de que eles eram santificados (6.11). O alvo da santidade é realístico, porquanto Deus já havia transformado seus corações (Rm 6.1-14; Gl 5.24,25).
* 1.5 em tudo, fostes enriquecidos nele. Os crentes coríntios estavam sendo tentados a se orgulharem de seus dons de "conhecimento" e do falar em "línguas" (8.1; 14.23). Paulo precisa repreendê-los por sua fraqueza moral e abuso desses dons, mas ele não nega e nem minimiza as bênçãos que eles tinham recebido (v. 7).
* 1.8 confirmará. Paulo encoraja seus leitores assegurando-lhes que Deus, que tinha começado neles uma obra da graça, podia ser alvo da confiança deles, pois completaria essa obra. De fato, eles seriam apresentados "irrepreensíveis" por ocasião da volta de Cristo. Note as similaridades entre os vs. 8 e 9 e Fp 1.6,10 (cf. Ef 5.26,27; 1Ts 5.23,24).
* 1.10 Rogo-vos, irmãos. Essa exortação começa o corpo da epístola e anuncia a preocupação primária de Paulo. Ele tinha ouvido (vs. 11,12) que a unidade da igreja em Corinto tinha sido quebrada. Muitos dos problemas tratados nesta epístola refletem o espírito de dissensão que havia na comunidade.
* 1.11 pelos da casa de Cloe. Cloe deve ter sido uma cristã influente, talvez membro da igreja em Corinto, embora ela não seja mencionada em outros lugares.
* 1.12 Apolo. Um eficiente pregador cristão de Alexandria, que tinha ministrado em Éfeso e em Corinto (At 18.24—19.1).
Cefas. O nome aramaico de Simão Pedro. Ele era obviamente popular entre alguns grupos de crentes em Corinto (talvez os crentes judeus), mas não fica claro se Pedro tinha, realmente, visitado a igreja dali.
* 1.13 Acaso Cristo está dividido? Com essa pergunta, Paulo antecipou um de seus ensinos fundamentais sobre a Igreja. Assim como o corpo físico é um só, embora formado de muitos membros, assim também se dá com a Igreja, que é o corpo de Cristo, a qual não pode ser dividida (10.16,17; 11.29; 12.12, nota).
* 1.14 Crispo. O dirigente da sinagoga, cuja conversão ficou registrada em At 18.8.
Gaio. Um nome comum. Talvez esse seja o mesmo Gaio descrito em At 19.29.
* 1.16 a casa de Estéfanas. Os primeiros convertidos de Paulo em Corinto, respeitados por sua dedicação. O próprio Estéfanas foi um dos representantes da igreja, que trouxe uma comunicação escrita dos crentes de Corinto para Paulo (16.15-17). Ver "Batismo Infantil" em Gn 17.12.
* 1.17 sabedoria de palavra. A igreja de Corinto tinha um interesse doentio pela exibição retórica. Paulo enfocará a sua atenção sobre o que é a verdadeira sabedoria (1.18—2.16; 3.18-23). Neste versículo ele relembra aos crentes de Corinto que o poder de sua própria prédica não dependia desse tipo de habilidade (2.1-5).
cruz de Cristo. Na opinião daqueles que são sábios de acordo com o mundo, a proclamação do Senhor crucificado é uma insensatez. Paulo, por conseguinte, trata "a sabedoria" e "a cruz" como valores opostos (v. 23, nota).
* 1.18 se perdem... somos salvos. De acordo com a Bíblia, haverá dois tipos de reação ao evangelho, que se originam no propósito eletivo de Deus (Is 6.9,10; Lc 2.34; Rm 9.10-12; 2Co 2.15,16). Essa verdade não torna Deus responsável pelos incrédulos que perecem; esses perecem por causa de seus próprios pecados e por causa de sua impenitência obstinada. Aqueles que crêem e são salvos, por outra parte, são aqueles que "foram chamados" (v. 24; Rm 9.16).
* 1.20 sábio... escriba... inquiridor. Não fica claro se Paulo tenciona estabelecer uma aguda distinção entre essas três categorias. Talvez a primeira seja geral em seu caráter, ao passo que as outras duas sejam especificamente, os escribas judeus e os mestres gregos.
deste século... do mundo? Grande parte da teologia de Paulo estava edificada sobre a oposição básica entre "este mundo perverso" (Gl 1.4), ou mundo, que se caracteriza pela "carne", e a era vindoura, que já raiou para aqueles que receberam o Espírito (10.11; Gl 5.16,17; Ef 1.13,14; 2.6; Fp 3.20).
* 1.21 pela loucura da pregação. Esta passagem está eivada de intensa ironia. Aqueles que são sábios de acordo com os padrões do mundo pensam que o evangelho é uma loucura. Mas até mesmo a coisa mais "louca" acerca de Deus é mais sábia do que a sabedoria humana (vs. 25,27). Deus pode usar a simplicidade do evangelho para demonstrar que a real insensatez pertence àqueles que se opõem a ele (v. 27). A arrogância da sabedoria humana cega os incrédulos para com a verdade. Jesus agradeceu ao Pai por sua boa vontade em haver ocultado essas coisas aos sábios e entendidos e tê-las revelado às criancinhas (Mt 11.25,26).
* 1.23 pregamos a Cristo crucificado. Paulo identificou aqui, precisamente, o que o mundo acha de ofensivo no evangelho (cf. o v. 17; 2.2) Talvez essas palavras também sejam um reflexo da razão da oposição de Paulo ao evangelho, antes de sua conversão. O pensamento que o Messias (o ungido de Deus) esteve pendurado em um madeiro, e que isso o fizera cair debaixo de uma maldição divina (Gl 3.13; Dt 21.23), era intolerável para muitos judeus.
* 1.24 Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus. A sabedoria e o poder de Deus não são forças abstratas, mas são qualidades pessoais que se manifestam plenamente na vida, nos ensinos, na morte e na ressurreição de Jesus Cristo (v. 30; Rm 1.4,16; Cl 2.3).
* 1.26 reparai, pois, na vossa vocação. A salvação, por sua própria natureza, não depende dos valores humanos. Até mesmo os membros da igreja de Corinto que poderiam ser justamente admirados não poderiam reivindicar que tinham sido escolhidos por causa de suas boas qualidades. Antes, Deus tem misericórdia de todos quantos reconhecem sua pecaminosidade (Mc 2.17; Jo 9.39-41). Ver "Vocação Eficaz e Conversão", em 2Ts 2.14.
* 1.29 a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus. Esse princípio, que Paulo sublinhou no v. 31, ao citar Jr 9.24, provê o alicerce da doutrina bíblica da salvação; trata-se de um dom gracioso da parte de Deus, que neutraliza toda a jactância humana (Ef 2.8,9).
* 1.30 o qual se nos tornou da parte de Deus sabedoria. Ver nota no v. 24.
* 2.1 quando fui ter convosco. Paulo devia estar se referindo à sua primeira visita a Corinto, registrada em At 18.1-17 (Introdução: Data e Ocasião).
ostentação de linguagem ou de sabedoria. Influenciados pela cultura grega, alguns dos crentes de Corinto podem ter criticado a Paulo por não usar ele as técnicas retóricas de seus contemporâneos (2Co 11.5,6). Ver notas em 4.1,8-13; 9.3,19; 10.30 e 16.3.
* 2.2 Jesus Cristo, e este crucificado. Ver nota em 1.23.
* 2.3-5 Considerados por si mesmos, estes versículos poderiam sugerir que Paulo era um homem tímido, de parca educação e incapaz de falar com força e eloquência. Tanto o livro de Atos (p.ex., 19.8) como as epístolas de Paulo (cap. 13) provam o contrário. A "autoconfiança", se repousa sobre a arrogância acerca da própria força, reflete o desejo de ser independente de Deus. Paulo já tinha aprendido que Deus pode usar a fraqueza humana para exibir a sua própria glória (2Co 12.7-10). Visto que ele sabia que os homens e as mulheres só se deixarão persuadir na "demonstração do Espírito e do poder", Paulo usou os seus talentos e o seu treinamento com plena confiança.
* 2.6 expomos sabedoria. O evangelho, a proclamação de Cristo crucificado.
entre os experimentados. Este verbo, traduzido literalmente, diria "perfeitos”. O apóstolo não tinha em mente alguma categoria especial, de elite, de crentes, uma idéia que pode ter estado presente entre os crentes coríntios. Essa expressão sem dúvida é equivalente a "espiritual" (vs. 13,15; 3.1), referindo-se à influência do Espírito Santo. A pessoa madura ou espiritual é a pessoa que tem o Espírito Santo (cf. o v. 14). Visto que todo verdadeiro crente recebeu o Espírito, todo crente é espiritual e pode compreender a sabedoria de Deus, o evangelho de Jesus Cristo.
* 2.7 a sabedoria de Deus em mistério. Esta passagem não deveria ser interpretada como uma referência a mistérios acessíveis somente a crentes superiores. As riquezas do evangelho, embora "ocultas" durante o período do Antigo Testamento, agora tinham sido reveladas pelo Espírito (v. 10). Ef 3.2-6 deixa claro que a palavra "mistério", usada por Paulo para enfatizar o caráter distinto de sua mensagem aos gentios, tem um forte significado temporal. Um "mistério" é alguma verdade que "em outras gerações não foi dado a conhecer aos filhos dos homens" (Ef 3.5); antes, era algum mistério "guardado em silêncio nos tempos eternos" (Rm 16.25). Mas agora a verdade é claramente revelada àqueles que têm o Espírito, que vivem nos "fins dos séculos" (10.11).
preordenou. Ver referência lateral. Essa palavra, "preordenar", também é usada em Rm 8.29,30 e Ef 1.5, para expressar a certeza da boa-vontade de Deus para com o seu povo.
* 2.8 nenhum dos poderosos deste século conheceu. Os incrédulos fazem ainda parte da era antiga, pelo que não receberam a sabedoria de Deus (v. 14). Paulo enfatiza esse ponto enfocando sua atenção sobre os membros mais influentes da sociedade (1.20).
* 2.9 Em contraste com os sábios deste mundo (que nem ao menos podem conceber a grandeza da salvação divina), aqueles que amam a Deus conhecem e participam de suas bênçãos. A citação está baseada em Is 64.4, mas inclui outras idéias que se encontram no Antigo Testamento.
* 2.10 Mas Deus no-lo revelou. Ver nota teológica "Iluminação e Convicção", índice.
a todas as coisas perscruta. A idéia da sondagem divina (cf. Sl 139.1; Rm 8.27) enfatiza a onisciência de Deus, particularmente seu poder de ver o que é invisível para os seres humanos (Jo 2.25). Essa afirmativa não quer dizer que o Espírito Santo precise de buscar conhecimento com o Pai, que de outra maneira ele não teria. O Espírito de Deus sonda as profundidades do conhecimento divino para nosso benefício.
* 2.11 seu... espírito... nele? Este versículo tenciona fazer uma observação alicerçada sobre o bom senso, e não oferecer uma análise sobre a personalidade humana. "Espírito" refere-se geralmente à parte imaterial do ser humano, especialmente às suas faculdades mentais (v. 16, nota).
* 2.12 para que conheçamos. Ver "A Autenticação das Escrituras", em 2Co 4.6.
* 2.13 conferindo coisas espirituais com espirituais. O significado preciso desta cláusula tem sido questionado. É provável que Paulo tenha sido criticado por não usar a eloquência e nem a sabedoria humana (v. 1, nota). Como réplica, ele diz que as verdades reveladas pelo Espírito devem ser explicadas de uma maneira harmônica com o Espírito. Ver "A Autoridade das Escrituras", em 2Tm 3.16.
* 2.14 natural. A pessoa "natural" (no grego, psyxikós), que ainda pertence à era antiga, é contrastada com a pessoa "espiritual" (no grego, pneumatikós; ver 15.44,45, notas).
* 2.15 julga. O apóstolo podia estar respondendo a indivíduos que se opunham a ele e passavam julgamentos negativos sobre ele (v. 1, nota).
* 2.16 a mente do Senhor. Ver "Entendendo a Palavra de Deus", em Sl 119.34. Através do Espírito do Senhor, Paulo tinha a mente de Cristo, e, portanto, a mente do Senhor. Aqueles oponentes que não percebiam que o Espírito de Cristo e o Espírito do Senhor são uma mesma pessoa, não tinham base para instruí-lo ou examiná-lo. Por implicação, aqueles que aceitavam o ensino de Paulo tinham a bênção do Espírito e entendiam as realidades divinas.
* 3.1 espirituais. Isto é, pertencentes ao Espírito Santo (2.6, nota).
carnais. Ou seja, caracterizados pela carne, a principal palavra usada por Paulo para descrever esta presente era má. Visto que os crentes de Corinto tinham recebido o Espírito Santo, eles eram espirituais no sentido mais fundamental da palavra, mas seu comportamento era tão incoerente com essa verdade que Paulo precisou tratá-los como pessoas que tinham pequeno entendimento espiritual.
* 3.3 ciúmes e contendas. Ver nota em 1.10.
* 3.6 Eu plantei. O alvo de Paulo era pregar o evangelho em lugares onde a mensagem de Cristo ainda não tinha sido ouvida (Rm 15.20).
Apolo. Ver nota sobre 1.12.
* 3.9 de Deus somos cooperadores. Paulo pode ter intencionado dizer que os obreiros cristãos são colaboradores com Deus, ou que os crentes que colaboram uns com os outros pertencem a Deus. O ponto frisado por Paulo torna-se claro pelo contexto: somente Deus é responsável pelo sucesso do ministério cristão.
* 3.10 prudente. Temos aqui uma clara alusão à discussão anterior sobre a verdadeira sabedoria (1.17; 2.9,10, notas).
o fundamento. Como alguém que fora chamado para proclamar o evangelho onde o mesmo não era conhecido (v. 6, nota), Paulo tinha resolvido nada pregar senão Cristo, e este crucificado (2.2).
* 3.12-15 Estes versículos falam sobre a avaliação do ministério cristão. Alguns que estavam buscando edificar o edifício de Deus em Corinto, mas que dependiam da sabedoria humana, estavam usando materiais perecíveis ("madeira, feno, palha"), os quais não sobrevivem ao julgamento do fogo de Deus, enquanto que esses construtores dificilmente escaparão à destruição. Paulo advertiu à igreja em Corinto que eles, tal como o templo de Salomão (1Cr 22.14-16) deveriam construir com material duradouro. Ver "O Juízo Final", em Mt 25.41.
* 3.16 santuário de Deus. Deus manifestava a sua presença no templo, enchendo-o com a nuvem de sua glória (1Rs 8.10,11). Agora ele vive em seu povo enchendo-os com o Espírito Santo. O enfoque de Paulo, aqui, é sobre o povo de Deus como uma coletividade inteira; em 6.19, porém, ele muda a sua ênfase para o corpo formado por crentes individuais.
* 3.17 Deus o destruirá. Paulo deixa em aberta a possibilidade de que alguns dos construtores da igreja de Corinto não somente estavam usando material perecível, mas também estavam destruindo ativamente a obra de Deus. Esses não serão poupados por ocasião do juízo divino.
* 3.18-20 Aqui o apóstolo retorna mais diretamente ao contraste entre a sabedoria humana e a sabedoria divina (v. 10, nota).
* 3.21 ninguém se glorie nos homens. Ver nota em 1.29.
porque tudo é vosso. Esse princípio demonstra o absurdo e a trivialidade das discussões (que estavam havendo) entre os crentes de Corinto. Se pertencemos a Cristo, então, por causa dele, todas as coisas nos pertencem (Rm 8.17,38,39; Hb 1.2), e a inveja e o ciúme não podem ter lugar em nossas vidas. Quão pouco os crentes de Corinto apreciavam os seus privilégios cristãos é salientado de novo em 6.2.
* 4.1 nos considerem como ministros de Cristo. Estes versículos mostram que Paulo estava sendo julgado e atacado pelo menos por alguns dos membros da igreja em Corinto (2.1, nota).
mistérios. Ver nota em 2.7.
* 4.3 nem eu tampouco julgo a mim mesmo. Embora a consciência de Paulo estivesse limpa (v. 5), em última análise era Deus quem podia determinar se ele era fiel ou não.
* 4.5 nada julgueis. Não temos aqui um mandamento absoluto (5.2; 6.2), mas sim, uma referência às críticas sem fundamento levantadas contra Paulo.
trará à plena luz as coisas ocultas. Por ocasião do julgamento, coisa alguma escapará à luz perscrutadora de Deus (Mt 10.26 e paralelos).
* 4.8-13 Nesta poderosa passagem, o apóstolo faz uso de uma mordaz ironia para mostrar aos crentes de Corinto quão triviais eram as questões que eles defendiam, e quão injustas eram as suas críticas. Os sofrimentos de Paulo eram comparáveis à dor e à humilhação pública de cativos condenados à morte (2Co 11.23-30). Em contraste, alguns dos coríntios julgavam-se notavelmente bem sucedidos, mas somente porque não entendiam o que significa ser alguém um "louco" por causa de Cristo (v. 10).
* 4.14 Não... para vos envergonhar. O coração pastoral de Paulo se revela nestas palavras. A linguagem severa da passagem anterior não tinha por intuito fazer aqueles crentes se sentirem inferiores, mas servia para despertar a sensibilidade deles para com a verdade.
* 4.15 milhares de preceptores. Os coríntios se jactavam de sua lealdade a Apolo, a Pedro e a outros, dando a entender que eles não tinham necessidade de Paulo. O apóstolo, porém, relembra-lhes de que seu relacionamento paternal com eles era ímpar, e que eles não tinham razões para atacá-lo.
* 4.17 vos mandei Timóteo. Timóteo tinha partido, antes que fosse escrita esta epístola (16.10, nota).
* 4.18 como se eu não tivesse de ir ter convosco. Um grupo de crentes de Corinto tinha argumentado que Paulo só era ousado quando estava ausente, e que ele temia enfrentá-los face a face (2Co 10.1,2). Ele tinha-lhes enviado Timóteo (v. 17), aparentemente para evitar um confronto amargo. Mas ele não hesitará a ir em pessoa. Deles depende o que acontecerá quando aquela visita tivesse lugar (v. 21; 2Co 13.1-10).
* 5.1 possuir a mulher de seu próprio pai. O pai de tal homem pode ter morrido, ou então a mulher pode ter sido madrasta desse homem. Seja como for, a relação sexual em vista era uma união incestuosa, explicitamente condenada em Lv 18.8. Embora a cultura greco-romana dos dias de Paulo tolerasse um grande leque de atividades imorais, até os gentios censuravam esse tipo de incesto.
* 5.2 andais vós ensoberbecidos. Este versículo é a chave para entendermos a real preocupação de Paulo. O problema fundamental aqui não era o pecado daquele indivíduo, mas a falha da igreja em Corinto para abordar o pecado — de fato, o senso de orgulho deles ao tolerarem-no (v. 6). É possível que os coríntios tivessem desenvolvido uma teologia que podia acomodar tal imoralidade. Bem pelo contrário, eles tinham a responsabilidade de exercer disciplina excluindo o ofensor ("para que fosse tirado do vosso meio").
* 5.3-5 Temos aqui uma passagem notadamente difícil. Embora Paulo estivesse ausente da comunidade cristã, ele afirma ter passado um julgamento profético no meio deles. O apóstolo está ordenando que a igreja exclua o ofensor da comunhão deles ("seja... entregue a Satanás"). O propósito desse julgamento era a salvação do homem, mas isso só poderia ser conseguido se suas tendências pecaminosas fossem vencidas ("para a destruição da carne"). De conformidade com certa interpretação de 2Co 2.5-11, aquele homem arrependeu-se de seu pecado. Ver "Disciplina Eclesiástica e Excomunhão", em Mt 18.15.
* 5.6 jactância. Ver notas no v. 2; 1.29.
fermento. O fermento era usado como uma metáfora comum para alguma influência corruptora. Durante a festa anual da páscoa, os israelitas removiam todo o fermento de suas casas (Êx 12.15).
* 5.7 sois, de fato. Paulo faz essa importante qualificação para encorajar os coríntios; em um sentido fundamental, eles já tinham sido purificados (1.2, nota).
Cristo, nosso Cordeiro pascal. O apóstolo desenvolve o simbolismo ao sugerir que o sacrifício da páscoa, como sombra de melhores coisas por vir (Hb 10.1), apontava para a morte de Cristo.
* 5.8 celebremos a festa. O passo final e especialmente belo do argumento de Paulo foi traçar um paralelismo entre a festa dos pães asmos e a vida de pureza que os crentes deveriam levar.
* 5.9-11 Antes de haver sido escrita a epístola de 1 Coríntios, Paulo havia enviado uma outra epístola (que não mais existe), instruindo os coríntios a se separarem de crentes que praticassem a imoralidade. Ou os coríntios compreenderam mal o apóstolo, como se ele tivesse ordenado que eles se separassem totalmente do mundo, ou então tentaram arredar a questão, ao argumentarem que o pedido dele era destituído de razão. O apóstolo explica que ele tinha em mente qualquer pessoa, tida como crente, cuja vida contradissesse abertamente a fé. A injunção de excluir os ofensores ("com esse tal nem ainda comais") diz respeito, primariamente, à vida comunitária dentro da igreja, e provavelmente não ensina que todo contato pessoal devesse ser evitado (2Ts 3.15, "mas adverti-o como irmão").
* 5.12,13 Ao citar o freqüente mandamento de Deuteronômio (p.ex., Dt 17.7), para que os ímpios de Israel fossem expurgados ou excluídos, Paulo traça um importante paralelo entre a comunidade da aliança do Antigo Testamento e a Igreja cristã (10.1-11). A Igreja tem autoridade para exercer disciplina dentro de sua própria comunidade, e não para regulamentar o comportamento de pessoas não-cristãs.
* 6.1 Aventura-se algum de vós... a submetê-la a juízo perante os injustos. Neste versículo, Paulo parece mudar de tópico deixando os males da imoralidade para falar sobre o problema das ações legais entre crentes. Todavia, é importante notar a conexão, em primeiro lugar, que o tópico sobre a imoralidade não fora ainda deixado para trás, pois reaparecerá no v. 9. Em segundo lugar, as falhas dos coríntios, no tocante às ações legais, são um aspecto do problema já discutido no cap.5, a saber, uma doutrina fraca da igreja. Da mesma forma como os crentes não são responsáveis por regulamentar as vidas de não-crentes, assim também os não-crentes não têm o poder de disciplinar a Igreja. Se os coríntios entendessem a relação entre a comunidade dos israelitas e a comunidade cristã (5.12,13, nota), eles entenderiam ser um absurdo que os crentes saíssem da igreja para solucionarem suas disputas. Quem poderia imaginar um gentio pagão a resolver disputas entre os israelitas no deserto? Este texto não comenta sobre o papel legítimo das autoridades civis em julgarem questões que Deus pôs sob os auspícios deles. Ver "Os Cristãos e o Governo Civil", em Rm 13.1.
* 6.2-5 O absurdo da situação em Corinto torna-se mais claro quando a pessoa reconhece que, na consumação da história (mas não antes; 5.12,13), os crentes participarão, juntamente com Cristo, no julgamento não somente dos incrédulos, mas também dos anjos. Até o menos qualificado entre os crentes de Corinto estava em melhor posição do que um incrédulo para arbitrar disputas na igreja local.
* 6.7 Por que não sofreis, antes, a injustiça? Esta notável pergunta deixa óbvio quão crítico era o princípio de comunidade para o apóstolo. Certamente o ponto aqui não é que os crentes estavam sendo encorajados a aceitar abusos da parte de outros. Afinal, o ludíbrio e a injustiça nem ao menos deveriam existir na comunidade cristã. Que tais injustiças existem, e que são de fato, realizadas pelos crentes uns contra os outros, demonstram o quanto aqueles crentes haviam caído. No entanto, se os coríntios entendessem as sérias implicações de todas as coisas impróprias que ocorriam em sua igreja, e se apreciassem as qualidades que devem caracterizar os crentes (cf. 13.4-7), eles se disporiam a sofrer as injustiças muito mais do que impor desgraça à comunidade cristã expondo publicamente os seus delitos nos tribunais civis.
* 6.9 os injustos não herdarão o reino de Deus. Ver "Antinomismo", em 1Jo 3.7. Que as coisas deste mundo são incompatíveis com o reino de Deus é um princípio de vez em quando repetido nas Escrituras (15.50; Gl 5.21). Levanta-se a questão se alguém poderia ser salvo, visto que todos os homens são ímpios. A resposta de Paulo é dupla: Por um lado, Deus deleita-se em justificar o ímpio (Rm 4.5); e, por outro lado, aqueles a quem Deus justifica (declarando-os justos por causa da morte de Cristo), ele também santifica (conduz os mesmos a uma maneira santa de viver; Rm 6.1-4). Paulo está confiante que os coríntios eram crentes verdadeiros, justificados e santificados (v. 11, nota), e que seu atual mau comportamento era uma anomalia que podia ser corrigida. Somente a persistência na iniquidade seria uma indicação de que a fé deles era falsa, e que eles não tinham lugar no reino de Deus.
* 6.11 mas vós vos lavastes. Ver notas em 1.2; 5.7; nota teológica "Santificação: O Espírito e a Carne", índice.
* 6.12,13 Paulo pode estar citando declarações, provavelmente comuns em Corinto, que eram empregadas para justificar (desculpar) comportamento imoral. A resposta de Paulo sugere que ainda que houvesse um elemento de verdade naqueles slogans, os crentes de Corinto tinham pervertido aquelas declarações. De fato, as qualificações do apóstolo têm o efeito de negar o próprio ponto das declarações, e ele termina enfatizando o nobre propósito para o qual Deus nos deu um corpo.
* 6.14 também nos ressuscitará a nós. Essa referência à ressurreição é inesperada aqui, e provavelmente reflete a conexão entre uma doutrina inadequada e uma vida deficiente. Sofrendo a influência do pensamento grego, muitos dos crentes de Corinto parecem ter tido desprezo pelo corpo, chegando ao ponto de negar a futura ressurreição do corpo (cap. 15; 15.35, nota). Dotados de uma doutrina tão fraca, alguns deles podem ter considerado as relações sexuais como inerentemente pecaminosas, por terem lugar através do corpo (7.1-5). Um grupo diferente de coríntios, influenciado pela mesma doutrina falsa, ao que tudo indica, tomou uma posição diferente; visto que não importa aquilo que o homem faz com o corpo, até o próprio comportamento sexual promíscuo não é errado.
* 6.15 vossos corpos são membros de Cristo. A doutrina da união do crente com Cristo é um dos ensinos mais fundamentais do apóstolo Paulo. O que é mais significativo neste versículo é que ensina que essa união envolve a pessoa por inteiro, e não somente o corpo (Rm 12.1). Os crentes de Corinto laboravam no erro de pensar que a união sexual com uma prostituta, somente por ser um ato físico, não afetava o relacionamento deles com Cristo.
* 6.16,17 um só corpo com ela... é um espírito com ele. O contraste não é que a união com Cristo é algo espiritual, ao passo que a união sexual com uma prostituta é algo físico; Paulo já havia destacado, no v. 15, que a união com Cristo envolve o corpo, um ponto desenvolvido nos vs. 18-20. "um espírito" provavelmente refere-se ao Espírito Santo (ver 15.45, nota). Através do Espírito Santo nós (espírito e corpo) nos tornamos unidos com Cristo, e essa sublime união proíbe entregarmos os nossos corpos a uma prostituta. Se aquilo que Paulo condena aqui tinha algo a ver com as prostitutas que serviam no templo da deusa Afrodite, então as implicações religiosas da imoralidade manifestada entre os crentes de Corinto ficariam ainda mais óbvias (10.20).
* 6.18 fora do corpo. O sentido desta passagem tem sido questionado. Parece que há muitos pecados que podem ser cometidos contra o corpo. Não obstante, no ensino paulino, a união física envolvida na imoralidade sexual reveste-se de conseqüências especiais, porquanto interfere com a nossa identidade cristã como pessoas que foram unidas a Cristo por intermédio do Espírito Santo. Talvez seja significativo que a proibição paulina, neste versículo ("Fugi da impureza!"), seja expressa da mesma maneira que o seu mandamento contra a idolatria (10.14).
* 6.19 santuário do Espírito Santo. Neste ponto, Paulo aplica ao indivíduo o conceito da Igreja como o novo templo onde Deus habita (3.16, nota). Apesar de devermos estar conscientes desse caráter pessoal da residência do Espírito Santo em nós, a ênfase das Escrituras recai sobre a identidade coletiva do povo de Deus como um templo santo e como uma casa espiritual (Ef 2.19-22; 1Pe 2.4,5).
* 7.1 Quanto ao que me escrevestes. Ver Introdução: Data e Ocasião.
é bom que o homem não toque em mulher. É bem possível que essa declaração fosse usada por um grupo de ascetas entre os crentes de Corinto, os quais condenavam a promiscuidade sexual e argumentavam que o crente deveria evitar o casamento e abster-se de relações sexuais, mesmo dentro do casamento. O apóstolo precisou exercer cuidado a fim de que o seu ensino não fosse distorcido nem em uma e nem em outra direção. Paulo não eliminou simplesmente o lema; ele também se opunha à imoralidade sexual, e reconhece um certo valor em permanecer solteiro (vs. 7 e 8). Ele pode dar razões específicas e válidas pelas quais um crente poderia decidir-se a ficar solteiro (vs. 29-35). Mas ele precisa corrigir aqueles que demandavam o celibato. Em contextos diferentes, Paulo falará do casamento somente em termos positivos (p.ex., Ef 5.22-33; 1Tm 3.2), e condenou aqueles que proíbem o casamento (1Tm 4.3).
* 7.3-5 Estes são versículos notáveis porquanto revelam pontos de vista que parecem estar muito adiantados para o seu tempo: uma saudável percepção da sexualidade da mulher, e a compreensão da completa igualdade existente entre um homem e uma mulher, na área mais íntima de seu relacionamento. As Escrituras não dão qualquer apoio à noção de que as relações sexuais visam unicamente o aprazimento do marido. O apóstolo permitia uma abstenção temporária do sexo (de maneira similar ao jejum; v. 5), mas ele não permitia uma abstinência demorada. Deus requer que haja união sexual como parte do matrimônio.
* 7.6-9 A "concessão" provavelmente se refere a breves períodos de abstinência no v. 5: os cônjuges podem — mas não precisam — privar um ao outro do contato sexual, a não ser por breves períodos e por razões específicas. Há certas vantagens, para o trabalho no reino de Deus, quando um crente permanece solteiro, e assim também Paulo pôde desejar pessoalmente que todo crente dedicasse sua vida exclusivamente para o avanço do evangelho. Mas o apóstolo percebe que tal situação não é possível para todos, e que isso só conduziria muitos crentes a tentações de ordem sexual. Outrossim, existem outras razões pelas quais uma pessoa deveria casar-se, mas que não são relevantes à presente discussão (v. 1, nota).
* 7.10 não eu, mas o Senhor. No v. 12, Paulo disse: "Digo eu, não o Senhor". Mas o apóstolo não estava sugerindo que há uma oposição entre o que ele diz e o que o Senhor diz. No tocante ao problema abordado nos vs. 10 e 11, há uma bem-conhecida instrução dada por Jesus, durante o seu ministério terreno (Mc 10.1-12). Nos vs. 12-16, entretanto, Paulo discute sobre uma situação difícil que não fora abordada pelo Senhor. Os seus mandamentos apostólicos, entretanto, vinham-lhe por inspiração e revestiam-se de autoridade divina, conforme o trecho de 14.37 deixa claro.
* 7.11 se, porém, ela vier a separar-se. Apesar do mandamento do Senhor, parece que algumas esposas, da igreja de Corinto, influenciadas por um ponto de vista ascético (v. 1), tinham, de fato, se separado de seus maridos. Mas visto que os cônjuges estão vinculados um ao outro até à morte de um deles (v. 39), mesmo que se separem, não poderão casar-se de novo.
* 7.12 digo eu, não o Senhor. Ver nota no v. 10.
se algum irmão tem mulher incrédula. Essa é uma daquelas circunstâncias especiais sobre as quais Jesus não deixara instruções diretas. Se um dos cônjuges vier a converter-se, mas não o outro, deveria o casamento ser dissolvido, especialmente se o cônjuge incrédulo viesse a separar-se?
* 7.14 santificado... santos. Uma notável afirmação sobre o caráter especial do lar onde apenas um dos cônjuges é crente (1.2, nota). Na linguagem do Antigo Testamento, a família inteira era considerada como estando em aliança com Deus. Até o cônjuge que se recusa a crer fica sob a influência da obra de Deus — e muito mais os filhos, quando ainda não têm idade suficiente para professarem a sua fé. De acordo com isso, a teologia reformada tem visto este versículo como provedor de uma parte do argumento em prol do batismo infantil.
* 7.15 não fica sujeito à servidão. Alguns interpretam essa declaração como tendo o sentido de que se o cônjuge incrédulo abandonar o casamento, o cônjuge crente pode casar-se de novo. O impacto desta passagem, entretanto, é simplesmente que o crente não está na obrigação de insistir que o casamento permaneça intacto. Tal insistência impediria o casal de viver "em paz".
* 7.16 se salvarás a teu marido? Paulo pode estar retornando aqui ao pensamento do v. 14, e dando uma razão pela qual os cônjuges crentes não devem deixar seu cônjuge incrédulo; visto que, em certo sentido, eles estão "santificados", há uma boa possibilidade de que eles serão salvos. Alternativamente, este v. 16 pode explicar o v. 15: que o cônjuge incrédulo se separe, porquanto não há qualquer certeza de que ele ou ela serão salvos por serem forçados a permanecerem casados.
* 7.17 Ande cada um segundo... Deus o tem chamado. Os versículos seguintes deixam claro que a frase "conforme Deus o tem chamado" não é uma referência a posições sociais, mas à própria conversão. Note-se que os vs. 17-24 estabelecem um princípio que dá coerência ao capítulo inteiro: tornar-se alguém um crente não requer uma mudança de posição, marital, étnica ou social (vs. 8, 20, 26). Este versículo tem sido ocasionalmente usado como uma evidência de que os crentes não deveriam tentar melhorar sua posição social ou econômica. Pelo contrário, Paulo encoraja os escravos a obterem a sua liberdade, se surgir tal oportunidade (v. 21).
* 7.19 A primeira parte deste versículo tem como paralelos os trechos de Gl 5.6 e 6.15. E parece que a segunda parte do versículo ("o que vale é guardar as ordenanças de Deus") é outra maneira de dizer: "a fé que atua pelo amor" (Gl 5.6), e que essa fé operante é o que caracteriza a "nova criação" (Gl 6.15).
* 7.21 Não te preocupes com isso. O desejo de galgar um degrau na escala social não está errado, conforme o resto do versículo deixa claro. Entretanto, Paulo não quer ver os crentes angustiando-se quanto a uma situação qualquer que não possa ser modificada. A insatisfação e as queixas podem ser espiritualmente fatais (10.10): essas coisas refletem a falta de confiança em Deus.
* 7.23 Por preço fostes comprados. Essa declaração dá apoio ao v. 22 (cf. 6.20). Se realmente compreendêssemos de quem somos, então perceberíamos que nem mesmo a escravidão pode danificar nossa privilegiada posição em Cristo. Inversamente, até o maioral dos seres humanos é apenas um humilde servo diante de Cristo. Por conseguinte, os crentes não precisam e nem devem tornar-se "escravos dos homens".
* 7.25 Com respeito às virgens. Encontramos aqui um novo tópico, mas relacionado ao anterior, que os crentes de Corinto haviam levantado em sua carta a Paulo (Introdução: Data e Ocasião).
não tenho mandamento do Senhor. Ver nota no v. 10.
dou minha opinião. Essa linguagem sugere que os comentários que Paulo estava para fazer não são mandamentos absolutos acerca de escolhas morais certas ou erradas, mas antes, são recomendações para alguma situação em particular. Essa interpretação é confirmada pela declaração existente no v. 28, e pelas palavras de conclusão do v. 38.
* 7.26 angustiosa situação presente. Literalmente, temos aqui "a presente necessidade". Alguns estudiosos pensam que Paulo se referia a algum problema específico e incomum de Corinto. Contudo, a linguagem do v. 28 ("tais pessoas sofrerão angústia na carne") sugere uma idéia mais geral: a desagradável situação com que se defrontam todos os crentes, ao procurarem servir a Cristo na presente era maligna (Gl 1.4). Precisamos considerar esse fator quando tomamos a decisão de nos casar, embora outras considerações também devam ser conservadas em mente (vs. 6-9, nota).
* 7.29-31 o tempo se abrevia... a aparência deste mundo passa. A vida cristã deve ser vivida na percepção de que não há tempo para desperdiçar (Rm 13.11,12).
* 7.36-38 Há duas maneiras diferentes de entendermos esta passagem. Simplesmente não sabemos se Paulo se referia a homens que tinham adiado o casamento com suas noivas ("virgens"), ou a pais que não tinham permitido que suas filhas se casassem ("filha virgem"; ver referência lateral). Entretanto, a idéia principal é clara; tanto a posição dos casados como a posição dos solteiros são boas opções, embora Paulo visse um benefício particular no crente permanecer solteiro.
* 7.39 está ligada. O casamento é um compromisso pela vida inteira da pessoa.
fica livre para casar com quem quiser. Uma viúva, não menos do que as outras mulheres tratadas neste capítulo, tem a escolha de permanecer nesse estado ou de casar-se de novo. A única consideração é que se ela casar-se novamente, seu novo esposo deve ser um crente.
* 8.1 No que se refere às coisas sacrificadas a ídolos. Os crentes coríntios tinham levantado a questão da idolatria, que Paulo tratou nos caps. 8-10 de sua epístola, mas a natureza precisa das indagações deles é difícil de determinar. De acordo com alguns intérpretes, as questões discutidas no cap. 8 e em 10.25-30, são uma mesma questão. Mas outros estudiosos, com base em 8.10, argumentam que o problema sério era que alguns crentes estavam frequentando festas pagãs e comendo o alimento ali servido, ao passo que 10.25-30 diz respeito ao problema menor de carnes compradas no mercado.
todos somos senhores do saber. Paulo aborda primeiramente o pecado da arrogância, como introdução ao assunto da idolatria (vs. 1-3). Esses comentários revelam que por detrás do comportamento dos coríntios (ou, pelo menos, de um grupo importante entre eles), havia um sério problema de atitude. A conduta deles não era ditada pelo amor (cf. cap. 13), e, sim, pelo orgulho pessoal.
* 8.3 esse é conhecido por ele. Os crentes de Corinto deviam preocupar-se menos sobre o que sabiam, do que em serem conhecidos (cf. 13.12).
* 8.4 o ídolo, de si mesmo, nada é. Ao que tudo indica, os crentes de Corinto usavam a doutrina do monoteísmo como argumento que dava apoio à prática deles: se existe um só Deus, que nos ensina a zombar dos ídolos (Is 46.6,7), por que nos deveríamos preocupar em comer alimentos oferecidos a eles? Paulo tanto reconhece como afirma essa verdade (vs. 4-6), mas foi mais adiante, para apontar um erro no uso que os crentes coríntios faziam dessa doutrina.
* 8.7 não há esse conhecimento em todos. Os crentes que têm uma consciência fraca são incapazes de dissociar vários elementos dos rituais pagãos da própria idolatria. Quando esses comem alimentos oferecidos aos ídolos, sua consciência fica "contaminada". Essa linguagem forte (cf. "perece", no v. 11) sugere que esses crentes fracos estavam pecando não meramente por pensarem que estavam fazendo algo de errado, mas porque tinham caído em seus antigos caminhos idólatras.
* 8.10 em templo de ídolo. Ver nota no v. 1 (cf. 10.18-22).
* 8.11 por causa do teu saber. Aquilo que, para alguns crentes de Corinto, era uma fonte de orgulho, tornava-se um instrumento que prejudicava a outros (v. 1, nota).
perece. Ver nota no v. 7.
* 8.12 golpeando-lhes a consciência fraca. Embora a consciência não seja infalível, é uma questão muito séria violá-la ou tentar outros a violá-la.
* 8.13 nunca mais comerei carne. Esse comentário concludente tem por intuito salientar o princípio fundamental do amor: buscar o bem de outras pessoas mais do que o nosso próprio bem (10.24,33; 13.5; Fp 2.4).
* 9.1 Não sou eu... livre? A disposição de Paulo em esquecer-se de alguns de seus direitos é o princípio declarado em 8.9. A pergunta do v. 1 indica que alguns dos crentes coríntios defendiam sua conduta questionando a autoridade de Paulo e criticando o comportamento dele.
* 9.3 perante os que me interpelam. Essa afirmativa deixa claro que Paulo, realmente, tinha sido criticado, embora os estudiosos debatam a natureza específica da queixa (2.1, nota). Os seguintes dez versículos contêm mais de uma dúzia de perguntas retóricas que refletem a profunda emoção de Paulo e provêem indícios sobre a situação histórica. Paulo defendia o seu direito de ser sustentado pelas igrejas, somente para enfatizar sua preferência de não receber sustento (vs. 15-18). Talvez alguns dos crentes de Corinto se sentissem queixosos porque Paulo se recusava a aceitar o patrocínio deles, e daí concluíam que ele não era um apóstolo legítimo (2Co 11.7-12). Nesse caso, por que haveriam de continuar dando ouvidos às instruções dele?
* 9.5 uma mulher irmã. Os próprios coríntios podem ter levantado a questão, como se a falta de uma esposa desacreditasse a Paulo e a Barnabé; ou então temos aqui a escolha da ilustração a ser usada por Paulo, para indicar a distinção entre ter um direito e exercer esse direito. Tanto Paulo quanto Barnabé eram solteiros no tempo de seu trabalho missionário. Paulo deixa entendido que se ele tivesse de casar-se, o faria com uma irmã, ou seja, com uma crente.
* 9.10 seguramente, por nós. Poderia até parecer que Paulo negasse o sentido original de Dt 25.4, que ordenava aos israelitas que permitissem que seus bois comessem enquanto trabalhavam. Devemos lembrar-nos que o completo conjunto de leis, em Israel, relembrava constantemente a comunidade sobre princípios religiosos. Alguns estudiosos têm sugerido que o mandamento que dizia para não se atar a boca do boi tinha por intuito reforçar as instruções acerca dos relacionamentos humanos, dentro do contexto imediato (Dt 24.5—25.4).
* 9.12 não usamos desse direito. A despeito da tensão causada por seu trabalho secular, adicionado às pesadas exigências de seu ministério apostólico, Paulo estava resolvido a não tornar-se uma carga para as igrejas locais (1Ts 2.6-9). Mas parece, a julgar por 2Co 11.7-12, que os crentes de Corinto interpretaram erroneamente os motivos de Paulo. Por razões que não ficam claras, o apóstolo fez uma exceção no caso da igreja de Filipos, na Macedônia (Fp 4.15,16).
* 9.14 que vivam do evangelho. Esse princípio é refletido não somente no sacerdócio levítico do Antigo Testamento (v. 13), mas também em várias passagens do Novo Testamento (p.ex., Lc 10.7; Gl 6.6; 1Tm 5.17,18).
* 9.15,16 me anule esta glória. Conforme o resto desta passagem deixa claro, Paulo considerava que dificilmente poderia vangloriar-se de sua pregação, visto que era pela vontade de Deus que ele era compelido a pregar. Portanto, sua base para jactar-se ("seu galardão") era que ele pregava gratuitamente (v. 18), e ele não permitiria que alguém arrebatasse dele esse privilégio e glória.
* 9.19 sendo livre de todos. Paulo retorna agora à primeira pergunta do v. 1. Parece que Paulo teve que defender-se da acusação de incoerência: ele exercia liberdade em sua própria conduta, e, portanto, não devia privar outras pessoas de fazerem a mesma coisa. E o apóstolo retornará a este tema de novo, em 10.23-33.
* 9.20 como se eu mesmo assim vivesse. Quando ministrava aos judeus, Paulo se conformava às regras cerimoniais do Antigo Testamento, embora ele soubesse que essas questões não eram essenciais. Ver "Os Três Propósitos da Lei", em Dt 13.10.
* 9.21 Aos sem lei. Quando ministrava aos gentios, Paulo dispunha-se a viver como eles, embora reconhecendo que nunca tinha a liberdade de desobedecer a Deus.
* 9.22 fraco. Uma nova declaração do ponto estabelecido em 8.13.
* 9.24 Correi de tal maneira que o alcanceis. Em outros lugares Paulo usou a ilustração de uma corrida e de seu prêmio, para enfatizar a necessidade de singeleza de coração, de determinação e perseverança (Fp 3.12-14; 2Tm 4.7,8).
* 9.27 esmurro o meu corpo. Paulo continuava aqui a sua metáfora atlética, relembrando aos seus leitores que os lutadores devem disciplinar o próprio corpo, se esperam sair-se vitoriosos nas lutas. Por igual modo, os crentes devem estar dispostos a pôr de lado os seus interesses egoístas na busca de seu alvo primário.
não venha eu mesmo a ser desqualificado. Essa declaração tem sido usada, por muitas vezes, como evidência de que os crentes podem perder a sua salvação. O testemunho do Novo Testamento, bem como o de Paulo, em particular, é que aqueles a quem Deus conduziu a si mesmo lhe pertencem para sempre (Rm 8.28-30), porquanto a vida que lhes foi dada é eterna em seu caráter (Jo 5.24; Hb 7.16). Aquilo que Deus começou a fazer, ele o levará a bom termo (Fp 1.6). Entretanto, seria um erro eliminar ou minimizar a preocupação de Paulo (cf. 15.2; Fp 3.11; Cl 1.23), sugerindo-se que ele falava em sentido meramente hipotético, ou em relação a recompensas, e não em relação à salvação. Paulo confiava que absolutamente nada seria capaz de separá-lo do amor de Deus (Rm 8.38,39), mas ele nunca presumiu que ele seria salvo a despeito do que fazia. Nenhum crente pode dar-se ao luxo de considerar superficialmente as advertências das Escrituras (10.12).
* 10.2 todos batizados... com respeito a Moisés. O batismo cristão salienta a união do crente com Cristo. Paulo usou a linguagem própria do batismo ao comparar os israelitas com os crentes coríntios (5.12,13, nota). Todos os israelitas passaram pela prova e pelo livramento do êxodo em virtude de sua identificação com seu líder, Moisés. Note a repetição da palavra "todos", nos vs. 1-3 (também em 12.13). "Todos" os membros da igreja em Corinto tinham sido batizados em Cristo, e desta forma tinham provado o livramento de Deus, mas isso não garantia que Deus se agradava de cada um deles, sem exceção. Essa passagem ilustra e explica a advertência em 9.24-27.
* 10.3,4 de um só manjar espiritual... da mesma fonte espiritual. Seguindo a analogia com o batismo, Paulo adverte os crentes de Corinto a não encontrarem um falso conforto em sua participação na Ceia do Senhor (vs. 14-22). Os israelitas também experimentaram o alimento e a bebida que lhes foram dados por Deus. Neste caso, "espiritual" não significa "imaterial", e nem sugere apenas que o maná e a água tinham algum significado mais profundo. É provável que Paulo tivesse em mente a atividade do Espírito Santo (2.6,14; 3.1; 15.44-46, e notas). Os israelitas tinham recebido uma provisão sobrenatural, associada à obra do Espírito.
pedra era Cristo. No Antigo Testamento, Deus é com freqüência comparado a uma rocha, e Israel (chamado "Jesurum") é descrito como nação que tinha abandonado a Deus, a "Rocha de sua salvação" (Dt 32.15; cf. Êx 17.6). A analogia entre os israelitas e os crentes de Corinto não foi uma ilustração arbitrária; pois há nessa analogia uma conexão teológica. Sem minimizar os privilégios desfrutados pelos crentes (v. 11, nota), Paulo relembra-nos que o Libertador dos israelitas não foi outro senão nosso Salvador crucificado e ressurreto.
* 10.6 exemplos. O vocábulo grego correspondente está relacionado ao termo português "tipo" (ver também no v. 11). Talvez o uso dessa palavra indique também que os eventos do deserto tenham uma correspondência divinamente tencionada com as experiências da igreja cristã.
* 10.11 os fins dos séculos têm chegado. Essa declaração reflete a convicção de Paulo de que a vinda de Cristo inaugurara os "últimos dias" (Hb 1.2), o tempo em que as grandes promessas do Antigo Testamento chegam ao seu cumprimento (cf. 1.20, nota). Ao frisar esse tema, Paulo ajudou os crentes de Corinto a perceberem que os eventos do Antigo Testamento olhavam para a frente e se aplicavam a eles. Outrossim, esses fatos sugerem que, considerando a posição privilegiada deles, os coríntios deveriam reconhecer sua maior responsabilidade (cf. Hb 11.39,40).
* 10.12 veja que não caia. Ver nota em 9.27.
* 10.13 Este versículo, que é sobejamente conhecido, provê grande encorajamento aos crentes que estão enfrentando tentações. Ao mesmo tempo, as palavras de Paulo contêm uma reprimenda implícita. Se Deus nos guarda de tentações maiores do que aquelas a que podemos resistir, então não podemos valer-nos de nossas tentações como uma desculpa para pecarmos. O pecado jamais é uma necessidade para um crente.
* 10.14 fugi da idolatria. Essa recomendação paulina está relacionada às suas observações anteriores sobre comer comidas oferecidas a ídolos (8.1, nota). Paulo se entristecia diante do fato de que alguns crentes coríntios participavam de refeições pagãs que tinham um inseparável elemento de idolatria.
* 10.16 o cálice da bênção... O pão que partimos. Essas declarações sobre a Ceia do Senhor demonstram a significação de tomar parte em uma refeição distintivamente religiosa. Assim como seria impossível tomar a Ceia do Senhor e afirmar que a mesma não tem qualquer significação religiosa, assim também é ingênuo que os crentes de Corinto pensassem que podiam participar em festas em templos de ídolos sem se envolverem na idolatria. Um outro ponto é que a unidade do "corpo de Cristo", simbolizado pelo pão e pelo vinho, exclui a união com os ídolos. Ver "Os Sacramentos", em Mt 28.19.
* 10.20 associados aos demônios. Embora os ídolos nada representem (v. 19), por detrás dos ritos pagãos há a realidade da obra de Satanás, e os crentes nada deveriam ter com isso.
* 10.23 Todas as cousas são lícitas. Ver nota em 6.12,13.
* 10.25 Comei de tudo o que se vende no mercado. Apesar de suas fortes palavras contra os crentes tomarem parte das festas idólatras, Paulo não quer que os crentes de Corinto fossem exageradamente escrupulosos. O fato de um alimento ter sido oferecido a um ídolo, não altera aquele alimento; o mesmo continua a fazer parte da criação de Deus. Portanto, os crentes coríntios não tinham que perguntar se um determinado alimento do mercado foi trazido de um templo pagão, e nem tinham eles necessidade de fazer tal pergunta, quando convidados a uma refeição (v. 27). Os crentes podiam comer livremente daquilo que vinha da provisão de Deus.
* 10.28 não comais. Um problema diferente já se origina quando alguém anuncia que a carne vinha de um sacrifício pagão. É de presumir-se que tal comentário indique que a pessoa que o fez tem problemas de consciência a respeito. Nesse caso, é justo o crente abster-se, "por causa daquele que disse" tal coisa.
* 10.30 por que hei de ser vituperado. Essa indagação deixa claro que Paulo fora acusado de comer carnes oferecidas a ídolos, com a sugestão de que ele não tinha qualquer direito de proibir os crentes coríntios de agir dessa forma (9.19, nota).
* 10.31 fazei tudo para a glória de Deus. Ver "A Glória de Deus", em Ez 1.28.
* 10.33 não buscando o meu próprio interesse, mas o de muitos. Em combinação com o desejo de fazer tudo para a glória de Deus (v. 31), esse princípio provia a Paulo um critério para a sua conduta. De fato, é o princípio do amor cristão que "não procura os seus interesses" (13.5).
* 11.1 O apóstolo não se exibia como um exemplo absoluto; ele só deveria ser imitado conforme ele estivesse imitando a Cristo.
* 11.3 o cabeça. A significação dessa metáfora desde longo tempo tem sido discutida pelos estudiosos — ela pode indicar liderança e autoridade, ou então fonte e origem. A evidência extraída da literatura grega é ambígua, e o presente contexto não resolve o problema. Essas duas idéias provavelmente não devem ser consideradas como excludentes uma da outra. Em dois outros contextos, onde Paulo fala de Cristo como sendo o cabeça (Ef 4.15; Cl 2.19), a noção da "origem" pode estar presente (cf. v. 8). Em outros lugares, Paulo usa a metáfora com uma referência explicita à autoridade ou à submissão (Ef 1.22; 5.23,24; Cl 1.18; 2.10). Neste ponto, Paulo provavelmente salientava mais a autoridade do que origem (cf. v. 10).
* 11.4 a cabeça coberta. Diante da parca evidência que existe, parece-nos que, com poucas exceções, os homens do século I da era cristã ficavam de cabeças descobertas enquanto adoravam. O costume judaico dos homens cobrirem a cabeça, quando oram, provavelmente não remonta ao período do Novo Testamento.
desonra a sua própria cabeça. Provavelmente uma referência a Cristo como o cabeça (v. 7). Nem a Bíblia e nem outros documentos explicam por que tal prática desonra a Cristo (cf. v. 10, nota).
* 11.5 com a cabeça sem véu. Dado o contraste com o versículo anterior, este comentário sugere que as mulheres do século I d.C. adoravam com a cabeça coberta. Alguns estudiosos acham que Paulo se referia a um certo estilo de penteado (em Nm 5.18, soltar os cabelos de uma mulher fazia parte do teste para uma esposa infiel). Ver nota no v. 15.
porque é como se a tivesse rapada. No sexto versículo, rapar a cabeça de uma mulher é comparado com ter seus cabelos cortados curtos, provavelmente como se fossem os cabelos de um homem. Parece que Paulo estava se opondo a uma tendência de obliterar a distinção entre os sexos. Possivelmente, a controvérsia reflete a idéia de alguns coríntios de que eles já haviam atingido a perfeição, e não estavam mais sujeitos às regras normais (Introdução: Data e Ocasião).
* 11.7 mulher é glória do homem. Ver "A Imagem de Deus", em Gn 1.27.
* 11.9 a mulher, por causa do homem. Ver "Corpo e Alma, Macho e Fêmea", em Gn 2.7.
* 11.10 por causa dos anjos. Têm sido sugeridas muitas interpretações dessa frase, mas todas elas são meras especulações. O argumento de Paulo está ligado intimamente a uma situação histórica específica, e devemos ter cautela ao aplicar universalmente todos os seus detalhes (vs. 4, 16, notas).
* 11.11,12 Estes dois versículos parecem ser uma qualificação dos comentários anteriores. Com uma referência específica de nosso relacionamento "no Senhor", homens e mulheres são mutuamente dependentes, visto que somos um nele (Gl 3.28).
* 11.14 natureza. Os intérpretes diferem quanto ao significado desses termos. Alguns acreditam que haja aqui uma referência à ordem criada. Outros argumentam que o apóstolo estava apelando para as práticas comuns em seus dias.
* 11.15 em lugar de mantilha. Paulo pode ter pretendido dizer que visto que os longos cabelos de uma mulher lhe foram dados como cobertura, é igualmente apropriado que ela use um véu. Alguns argumentam que os cabelos lhe foram dados "em lugar de mantilha". Isso apoiaria o ponto de vista que diz que Paulo não se refere a véus, mas a um estilo particular de penteado (v. 5, nota).
* 11.16 nós não temos tal costume. Paulo não usa exatamente esse tipo de argumento em qualquer de suas epístolas. Tal conclusão a uma passagem difícil pode dar apoio à contenção de que o apóstolo não estava prescrevendo formas permanentes de adoração, mas antes, tratava com questões de propriedade cultural. Certamente, porém, tais questões se revestem de implicações teológicas (v. 5, nota).
* 11.17 não vos louvo. O contraste entre essas palavras e o v. 2 indica a seriedade do problema a que Paulo agora se reportava.
* 11.19 até mesmo importa que haja partidos entre vós. Paulo reconheceu aqui que nada ocorre fora da vontade divina, e que Deus pode usar o pecado humano para promover os seus próprios propósitos. Ou então, Paulo estava usando de ironia, tentando fazer os crentes de Corinto perceberem que suas lutas internas tinham como motivo indigno ver quem era capaz de argumentar melhor.
* 11.20 não é a ceia do Senhor. O uso deturpado dessa observância transformou a Ceia em algo absolutamente diferente do que deveria ser.
* 11.21 quem tenha fome... quem se embriague. A preocupação de Paulo, quanto a este ponto, não era com a embriaguez em si, mas com a humilhação sofrida pelos pobres. A Ceia do Senhor simboliza, entre outras coisas, a unidade do povo de Deus (10.17). Aqueles crentes de Corinto que eram mais abastados, segundo tudo indica, não compartilhavam com os menos afortunados dentre eles, quando a Ceia do Senhor era celebrada. Esse comportamento egoísta contradizia abertamente o sentido da cerimônia.
* 11.23-25 O relato de Paulo sobre a instituição da Ceia do Senhor em tudo acompanha os mesmos pontos essenciais do que dizem os evangelhos (Mt 26.26-29; Mc 14.22-25; Lc 22.17-20).
* 11.23 o Senhor Jesus... tomou o pão. Ver nota teológica "A Ceia do Senhor", índice.
* 11.26 anunciais a morte do Senhor, até que ele venha. Note a conexão existente entre a pregação do evangelho e a celebração da Ceia do Senhor. A Ceia estabelece a Palavra de Deus através de meios visíveis, e não através de meios verbais. Note também que a celebração da Ceia exprime nossa firme esperança no retorno do Senhor.
* 11.27-34 É importante tomar esta seção inteira como uma unidade, e os vs. 33 e 34 deixam claro que Paulo ainda tem em mente os abusos mencionados nos vs. 21 e 22. Frases como "indignamente" (v. 27) e "examine-se, pois, o homem a si mesmo" (v. 28) podem ser ampliadas e aplicadas a muitas circunstâncias, mas devemos ter o cuidado de não separá-las de seu contexto. Seria compreender erroneamente o v. 30 pensar que Deus rotineiramente castiga os crentes com a enfermidade e com a morte, se eles, a despeito de suas falhas espirituais, participarem da Ceia. O problema em Corinto era muito mais específico e sério. Alguns coríntios estavam derrubando por terra a unidade do corpo cristão, representado pelo único pão (10.17). A advertência do v. 29, acerca do "discernir o corpo" quase certamente se refere a essa falha em manter a unidade da igreja como o corpo de Cristo (ver referência lateral; 12.12, nota). Visto que alguns dos crentes de Corinto estavam celebrando a Ceia de uma maneira que destruía a unidade que ela representa, Deus tinha imposto julgamentos contra a comunidade. O propósito de Deus ao julgar aqueles crentes, porém, era impedi-los de serem "condenados com o mundo" (v. 32).
* 12.1 A respeito dos dons espirituais. Ver "Dons e Ministérios", em Ef 4.7.
* 12.2,3 Como introdução aos dons espirituais praticados em Corinto, Paulo lembra seus leitores acerca do contraste em sua experiência pagã e sua experiência cristã. Não é claro que alguém estava realmente proferindo maldições contra Jesus (essa declaração pode ter sido apenas uma ilustração), mas o enfoque do terceiro versículo recai sobre o conteúdo da fala religiosa. Em vista de 14.6-19, podemos inferir que o apóstolo estava antecipando seu argumento em prol de uma linguagem compreensível. Os pagãos, por igual modo, podem ter experimentado fala miraculosa, mas o que realmente importa é o que é dito nessas ocasiões.
* 12.4 os dons são diversos, mas o Espírito é o mesmo. Ao que parece, os crentes coríntios exageravam a importância do dom de línguas, pelo que Paulo lhes lembrou que um e o mesmo Espírito distribui uma variedade de dons entre o seu povo. As referências adicionadas ao "Senhor", que é o mesmo (v.5), e ao "mesmo Deus" (v. 6), refletem a importância da doutrina da Trindade para Paulo; e essa doutrina também presta apoio à unidade dentro da diversidade.
* 12.7 visando a um fim proveitoso. Teremos entendido completamente mal o propósito dos dons do Espírito (aqui chamados de "manifestação") se usarmos esses dons por razões egoístas. Visto que há diferentes necessidades na comunidade cristã, diferentes dons são requeridos em cada comunidade.
* 12.8-10 Esta lista de dons espirituais não pretende ser um catálogo completo (outros dons são incluídos no v. 28); talvez reflita dons que eram especialmente evidentes na igreja de Corinto. Não precisamos supor que todos os dons eram manifestados em cada igreja. A lista que vemos em Rm 12.6-8, por exemplo, inclui somente dois dos dons aqui mencionados (profecia e fé), e omite aqueles dons que poderiam ser considerados miraculosos, como as curas e as línguas. Ao tentarmos determinar o caráter de alguns dos dons aqui mencionados, somos impedidos pela ausência de descrições sobre os mesmos no Novo Testamento. "A palavra de sabedoria" pode ser a capacidade de resolver problemas espirituais difíceis, e "a palavra de conhecimento" pode ser uma revelação especial de alguma espécie, embora não possamos ter certeza disso. Também não é claro por que Paulo alistou, em separado, os dons da "fé", das "curas" e das "operações de milagres". A referência ao "discernimento de espíritos" talvez deva ser entendida à luz de 14.29. Nossa incapacidade de determinar a função exata de alguns desses dons não é obstáculo para entendermos o impacto desta passagem, cujo alvo não é fornecer instruções detalhadas sobre eles, mas antes, é enfatizar a variedade das graças de Deus à sua Igreja (v. 11).
* 12.10 a um, variedade de línguas. A descrição apropriada deste dom tem gerado intensos debates. De acordo com certo ponto de vista, refere-se a alguma espécie de fala extática, possivelmente relacionadas às "línguas dos anjos", mencionadas em 13.1. Por outro lado, o Novo Testamento dá evidência explícita e inequívoca de que o Espírito Santo deu aos crentes primitivos a capacidade de falar em línguas humanas estrangeiras (At 2.4-11). Embora objeções também possam ser levantadas contra essa opinião (14.2, nota), pelo menos ela pode ser apoiada por um precedente bíblico.
* 12.11 como lhe apraz. Essa breve cláusula estabelece em sua própria perspectiva a lista anterior de dons espirituais. Se um indivíduo ou uma igreja possui um dom em particular, não cabe a nós decidirmos. É o Espírito quem provê soberanamente os dons para o povo de Deus. Esse fator talvez explique por que nenhuma passagem do Novo Testamento oferece um catálogo completo de dons espirituais, e nem uma definição precisa dos mesmos, visto que podem variar de modo significativo, de acordo com os planos de Deus, em situações mutáveis. Uma igreja local pode, mui apropriadamente, orar para que Deus conceda dons para satisfazer às suas necessidades, mas essas orações devem ser oferecidas em submissão à sua soberana vontade e em sua perfeita sabedoria.
* 12.12 o corpo é um. Ver "A Igreja", em Ef 2.19. A descrição da Igreja de Cristo como um corpo é um dos ensinos mais distintivos e significativos de Paulo (1.13, nota). De fato, o apóstolo dos gentios diz-nos que lhe foi dada uma revelação especial sobre esse "mistério", que esteve oculto por muitos séculos, a saber, que o povo de Deus, formado tanto por judeus como por gentios convertidos, constitui agora um único corpo, em virtude da exaltação de Cristo (Ef 1.22,23; 3.2-6). Tanto a existência quanto o crescimento da Igreja derivam-se dessa unidade estabelecida por Cristo, por meio do Espírito (Ef 4.3-6,11-16; Cl 2.19; 3.14,15).
* 12.13 em um só Espírito, todos nós fomos batizados. A ênfase que recai sobre a palavra "todos" e a alusão aos sacramentos, relembra a descrição similar sobre os israelitas, em 10.2-4 (notas). Uma das verdades significada e selada pelo batismo com água é o batismo do Espírito Santo que incorpora os crentes no corpo de Cristo. O batismo substitui a circuncisão como o sinal de admissão na aliança de Deus (Cl 2.11-14). De maneira semelhante, tomar parte da mesa do Senhor significa nossa contínua comunhão com Cristo e sua Igreja (10.17; 11.29, nota).
* 12.14-20 Tendo afirmado a unidade da Igreja de Cristo, Paulo passa a falar sobre a sua diversidade. Alguns estudiosos têm comentado que o problema mais fundamental dos crentes de Corinto não era sua rejeição da unidade da Igreja, mas antes, seu fracasso em reconhecer a sua diversidade. Paulo corrige esse erro através de uma comparação com o corpo humano. Ele apela para a vontade soberana de Deus, que "dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve" (v. 18; v. 11). Se os crentes coríntios negassem a validade de certos dons, na realidade eles estariam questionando a autoridade de Deus na distribuição dos dons espirituais. Paulo tinha salientado a unidade da Igreja, mas não uma uniformidade que fizesse calar formas válidas de diversidade.
* 12.22,23 mais fracos... menos dignos. Essa comparação manifesta o problema que vinha ocupando a mente de Paulo pela maior parte desta epístola, a saber, um senso de superioridade espiritual entre alguns dos crentes de Corinto, e seu consequente desdém por alguns que pareciam mais "fracos" e menos "dignos". A desvalorização, por parte deles, de certos dons espirituais (talvez em favor do dom de línguas), é a preocupação de Paulo aqui.
* 12.27 individualmente, membros. Ver "A Igreja Local", em Ap 2.1.
* 12.28 Ver "Dons e Ministérios", em Ef 4.7. Os itens existentes neste versículo são diferentes daqueles nos vs. 8-10 — confirmação do fato de que Paulo não estava interessado em fornecer uma lista completa. Aqui Paulo começa com os "apóstolos" e os "profetas", aos quais ele considera o alicerce (Ef 2.20), e adiciona uma terceira categoria, a dos "mestres", pelo que essa lista tornou-se similar à de Ef 4.11. Embora as palavras gregas para "auxílios" e "administrações" não ocorram em qualquer outro lugar do Novo Testamento, provavelmente Paulo tinha em mente os dons daquele que "mostra misericórdia" ou que "preside" (Rm 12.8).
* 12.29,30 Essas perguntas retóricas levam a um clímax o argumento paulino de que não deveríamos esperar que todos tivessem os mesmos dons, visto que Deus os distribui conforme a sua boa vontade (vs. 11 e 18). Ver também "Os Apóstolos", em At 1.26.
* 12.31 procurai, com zelo, os melhores dons. O sentido desta sentença tem sido indagado. Alguns acreditam que estão em pauta dons mais importantes no v. 28 (especialmente a profecia, 14.1); outros argumentam que ela introduz a discussão sobre o amor, no cap. 13. Mais provavelmente ainda, Paulo está antecipando aquilo que diria mais adiante sobre os dons "para a edificação da igreja" (14.12), isto é, "falar palavras com o meu entendimento, para instruir outros" (14.19).
um caminho sobremodo excelente. Antes de explicar quais são esses "melhores dons", conforme ele faria no cap. 14, Paulo precisa indicar qual a condição essencial para o exercício apropriado de qualquer dom — o amor.
* 13.1-3 Usando de um exagero intencional, Paulo enfatizou a inutilidade dos dons quando exercidos sem o concurso do amor. A expressão "línguas dos homens" provavelmente refere-se ao dom de falar em línguas estrangeiras (At 2.4-11), enquanto que a adição "e dos anjos" pode ser um exagero deliberado (similar a "compreender todos os mistérios" ou "remover montanhas"). Se os crentes de Corinto reivindicavam usar a linguagem dos anjos é impossível de determinar (12.10, nota). A expressão "ainda que entregue o meu próprio corpo para ser queimado" também pode ser uma declaração dramaticamente exagerada.
* 13.4-7 Paulo personaliza o amor como uma pessoa que atua de modo a que os crentes deveriam imitar. O quadro total sugere uma descrição do próprio Cristo. Considerando os tipos de problemas que esta epístola aborda, estes versículos são uma reprimenda aos crentes de Corinto, que estavam fracassando na conduta de si mesmos com amor.
* 13.5 não se ressente do mal. Paulo talvez quisesse indicar que os crentes que amam não planejam o mal contra seus semelhantes. Mais provavelmente, porém, ele indica que aqueles que amam não concentram a sua atenção sobre os erros que outras pessoas cometem contra eles (ver referência lateral).
* 13.7 tudo. Paulo se utiliza dessa palavra por quatro vezes, para efeito retórico, ao levar sua descrição sobre o amor a um ponto culminante.
* 13.8 O amor jamais acaba. Poderíamos ver essa declaração como um sumário do versículo anterior, especialmente à luz do comentário de que o amor "tudo suporta". Ao mesmo tempo, a declaração permite que Paulo construa um contraste entre o amor, que sempre "permanece" (v. 13), e os dons espirituais, que cessarão.
profecias... línguas... ciência. É provável que Paulo tenha mencionado esses três itens como representantes de todos os dons espirituais, que terão uma função temporária e terrena até o fim de nossa era. Outros têm sugerido que esses três dons, em particular, foram mencionados por Paulo por terem uma função reveladora que chegou ao fim ao se completar o cânon do Novo Testamento (v. 10, nota).
* 13.10 perfeito. O contexto (especialmente o v. 12) sugere fortemente que Paulo está se referindo aqui à Segunda Vinda de Cristo como o evento final do plano divino da redenção e da revelação. Em comparação com aquilo que receberemos então, as bênçãos presentes são apenas parciais, e, portanto, imperfeitas. Portanto, era um sinal de imaturidade quando os crentes coríntios tratavam os dons temporários e incompletos do Espírito como revestidos de significação final. De acordo com outra posição, Paulo podia estar se referindo à revelação "completa" (ver referência lateral) contida nas Escrituras do Novo Testamento, o que tornou obsoletos a profecia e outros dons reveladores. Ainda outras interpretações têm sido sugeridas, tal como a maturidade no amor, que os crentes coríntios deveriam ter como alvo, o amadurecimento da Igreja primitiva, ou a morte do crente individual.
* 13.12 então, conhecerei como também sou conhecido. Talvez porque os coríntios gostavam de jactar-se de seu conhecimento (8.1, nota), Paulo conclui a passagem salientando o caráter parcial de todo o conhecimento presente. A mudança da voz ativa ("conheço") para a voz passiva ("sou conhecido") encontra-se algures nas epístolas do apóstolo e serve para enfatizar a dependência da graça de Deus (8.3; Gl 4.9). Aqui o enfoque recai sobre o caráter íntimo e imediato do conhecimento sobre Deus, que compartilharemos algum dia.
* 13.13 o maior destes é o amor. Ver nota teológica "Amor", índice.
* 14.1 mas principalmente que profetizeis. Tendo colocado a discussão dentro da moldura apropriada do amor, Paulo agora encoraja os crentes de Corinto a reconhecerem o valor dos dons espirituais. E visto que eles tinham exagerado a importância do dom de línguas, entretanto, a ênfase do cap. 14 recai sobre os dons inteligíveis (v. 19) — primariamente a profecia, mas também a interpretação de línguas (vs. 27 e 28).
* 14.2 não fala a homens, senão a Deus... fala mistérios. Este versículo (cf. o v. 14) descreve o dom de línguas de uma maneira que parece incoerente com o dom de falar em línguas estrangeiras, mencionado em At 2.4-11 (embora alguns creiam que o milagre, no dia de Pentecoste, tenha sido um milagre de audição). Muitos argumentam que aqui Paulo está lidando com algo diferente — uma espécie de fala extática, usada nas orações íntimas (Rm 8.6). Contudo, a palavra aqui traduzida como "língua" é o termo grego normal que significa "linguagem". Em segundo lugar, o uso que Paulo faz do termo "mistério" indica uma verdade divina que ainda não foi desvendada; e não tem o mesmo sentido do vocábulo português "mistério" (2.7, nota). Em terceiro lugar, os vs. 10 e 11, bem como o v. 21, dão sustento à idéia que mesmo aqui Paulo está falando sobre a linguagem humana (12.8-10, nota).
em espírito. Ou seja, em oposição a falar com a sua mente (vs. 13-15), até aquele que fala não entende o que está dizendo. Mas essa frase provavelmente deveria ser traduzida por "no Espírito", a fim de salientar a inspiração divina envolvida no ato de proferir um mistério.
* 14.4 a si mesmo se edifica. Aqueles que falam em uma língua que não é interpretada, são encorajados e confortados, a despeito de não terem entendido a mensagem.
* 14.6 em que vos aproveitarei. Esse princípio de beneficiar a outros, edificando-os, torna-se o ponto-chave da passagem. Paulo está aplicando o ensino de 12.7, de que Deus concede uma certa variedade de dons "visando a um fim proveitoso".
* 14.7,8 Estes versículos ilustram o princípio mencionado no v. 6. Os instrumentos musicais nada transmitem a seus ouvintes a menos que sejam tocados com um propósito inteligente.
* 14.13 deve orar para que a possa interpretar. Sem minimizar a importância do dom de línguas, Paulo encorajou os crentes coríntios a usar esse dom de uma maneira que o torne valioso para a congregação.
* 14.14 o meu espírito ora de fato, mas a minha mente fica infrutífera. Qualquer que seja o benefício espiritual que ele possa receber dessa experiência, sua compreensão não é edificada. No versículo seguinte, Paulo destaca que ele preferia receber ambos esses benefícios.
* 14.16 como dirá o indouto o amém depois da tua ação de graças. Os membros da congregação, se tiverem de participar da adoração pública, devem ser capazes de concordar com a mensagem dos hinos que forem entoados e das orações que forem oferecidas. O costume de exprimir aprovação com um "Amém" audível ("assim seja") não pode ser seguido se a pessoa não entender o que foi dito.
* 14.18,19 É possível que os crentes de Corinto justificassem a ênfase que davam ao dom de línguas argumentando que Paulo também exercia esse dom. Sem negar esse fato, o apóstolo põe o dom em sua perspectiva apropriada ao salientar que será muito mais valioso fazer alguma coisa que "instrua a outros".
* 14.20-25 Até este ponto, Paulo vinha discutindo o uso das línguas entre os crentes. Mas que dizer sobre os incrédulos que ouvissem as línguas? Os crentes coríntios tinham ignorado os incrédulos, e Paulo admoestou a igreja por essa exibição de imaturidade espiritual. Ele apela para "a lei" (o Antigo Testamento) para mostrar que Deus usa línguas estranhas como sinal de julgamento. O trecho de Isaías 28.11 explica como Deus julgou os israelitas mediante os assírios, que falavam um idioma estrangeiro. Se os incrédulos chegassem à adoração e ouvissem uma língua ininteligível, eles seriam repelidos (v. 23) e rejeitariam o evangelho. Nessa situação, as línguas não-interpretadas servem de sinal de julgamento "para os incrédulos" (v. 22). Mas os crentes de Corinto deveriam ter como alvo levar os incrédulos ao arrependimento e a reconhecerem que Deus está presente (v. 25). Visto que Deus usa as palavras compreensíveis da profecia para realizar esse propósito, a profecia é um "sinal para aqueles que crêem"; e serve de evidência da bondade de Deus para com eles (v. 22).
* 14.26 para edificação. Ver nota no v. 6, "O Modelo de Deus para o Culto", em 1Cr 16.29.
* 14.27 haja quem interprete. Essa preocupação com o entendimento molda a discussão inteira (v. 1, nota). As instruções de Paulo neste versículo e no seguinte demonstram que aqueles que falam em línguas devem controlar sua elocução, ainda que não as tenham compreendido.
* 14.29-33 Tendo apresentado instruções para o exercício apropriado do dom de línguas, Paulo começa a explorar outras questões que também afetam a ordem da adoração pública. Visto que ele tinha enfatizado a importância da profecia, ele salienta agora que até esse dom deve ser exercido de maneira ordeira — "falem apenas dois ou três" (durante o curso da profecia, ou, talvez, em vários pontos, durante o culto), enquanto que "outros", que também têm o dom da profecia, deveriam avaliar a mensagem para averiguar se a mesma não é falsa. Ao que parece, os coríntios falavam em línguas e profetizavam sem se importarem com outros crentes ou com o conteúdo das mensagens (12.2,3, nota). A desordem por eles provocada era uma ameaça à unidade do corpo, e era incompatível com o Deus "da paz" (v. 33).
* 14.34,35 Estes versículos têm suscitado debates entre os crentes, pelo menos parcialmente, pois não se sabe qual problema, exatamente, Paulo estava procurando corrigir. Tem até mesmo sido proposto que estes versículos não faziam parte da epístola original de Paulo. Tendo por base 11.5 e outras passagens do Novo Testamento, fica claro que Paulo não está proibindo de maneira absoluta, que as mulheres falassem em cada situação na igreja. Paulo podia estar tratando de algum problema particular em Corinto, como o de mulheres que criavam desordem durante o culto de adoração. Ele podia ter em mente uma função específica, tal como a avaliação das profecias (vs. 29 e 32), da qual as mulheres não deveriam participar. Tem sido até sugerido que estes vs. 34 e 35 são uma citação dos próprios crentes coríntios, que Paulo rejeitou no v. 36.
* 14.36 Essas perguntas sarcásticas mostram que Paulo não está dando instruções gerais quanto à adoração. Antes, ele procurava solucionar problemas sérios que se originavam da arrogância jactanciosa dos crentes de Corinto.
* 14.38 o ignorar, será ignorado. Ver nota em 13.12 quanto ao contraste entre conhecer e ser conhecido. Este versículo pode ser uma advertência de que os crentes teimosos seriam disciplinados por Paulo ou pela igreja (2Ts 3.14), mas a linguagem sugere que eles ficariam sujeitos ao julgamento divino direto.
* 14.39,40 Estes dois versículos são um sumário conciso do cap. 14.
* 15.1 Neste versículo, Paulo muda o assunto para outro tópico de grande importância para ele — a integridade da mensagem do evangelho naquilo que enfoca sobre a doutrina da ressurreição.
* 15.2 se retiverdes a palavra. Ver nota em 9.27.
a menos que tenhais crido em vão. Negar a ressurreição de Cristo torna a nossa fé inútil (v. 14).
* 15.3-5 Estes três versículos dão a essência não somente da pregação de Paulo, mas do ensino da Igreja primitiva como um todo ("o que também recebi"): a morte vicária e a ressurreição de Cristo como o cumprimento da mensagem do Antigo Testamento.
* 15.5-8 A quádrupla repetição de "foi visto" indica a ênfase de Paulo nesta passagem — a prova dada por testemunhas oculares de que Cristo ressuscitou dentre os mortos. A maioria dos crentes que tinham testificado as aparições do Cristo ressurreto continuavam vivos quando Paulo escreveu esta epístola; e isso significava que qualquer crente podia averiguar por si mesmo os fatos. Particularmente significativa é a referência a "por mais de quinhentos irmãos de uma só vez", pois ela mostra que as aparições de Jesus, já ressurreto, não podem ser explicadas como meras alucinações pessoais.
* 15.7 Tiago. Não temos aqui uma menção a Tiago, irmão de João, o apóstolo executado por Herodes Agripa (At 12.2), mas ao meio-irmão de Jesus (Jo 7.5; At 12.17; 15.13; Gl 1.19).
* 15.8 como por um nascido fora de tempo. Essa observação autodepreciadora pode ser uma crítica irônica dos crentes coríntios que tinham Paulo em baixa estima (2.1, nota). O que o apóstolo queria dizer foi indicado pela frase "e, afinal". As aparições do Senhor tinham cessado e Paulo era um perseguidor da Igreja quando recebeu sua chamada para o apostolado (Gl 1.13,23; Fp 3.6; 1Tm 1.13-16). Embora Paulo não tivesse estado com Jesus durante o seu ministério terreno, foi-lhe concedido o privilégio de ver a Jesus ressurreto dentre os mortos, e foi comissionado para ser um apóstolo, com especial ministério entre os povos gentílicos (At 9.3-5,15; Gl 1.15,16). Aquilo que Paulo diz tão agudamente é que o ofício apostólico era um dom ministerial ímpar e fundamental dado à Igreja (Ef 2.20).
* 15.10 graça de Deus. Tendo admitido livremente o caráter anormal e sem merecimentos de sua experiência, Paulo passa a salientar que o passo de sua vida não era razão para os crentes de Corinto rejeitarem a sua mensagem. Onde o pecado é abundante, a graça eficaz de Deus superabunda (Rm 5.20); quando estamos fracos, a graça de Deus mostra-se forte (2Co 12.9,10). A graça divina não fez de Paulo um preguiçoso, mas levou-o a trabalhar "mais" do que qualquer outra pessoa.
* 15.12 não há ressurreição de mortos? Finalmente, Paulo trata do problema que requeria correção. Alguns dos coríntios, talvez sem negarem que Jesus tinha ressuscitado, questionavam a doutrina da ressurreição, por causa de sua compreensão antibíblica do corpo humano (v. 35, nota). Paulo precisava mostrar-lhes que a ressurreição de Cristo não podia ser separada da ressurreição daqueles que eram dele (vs. 20-23). Se a ressurreição deles não exprime uma verdade, então a ressurreição de Cristo não teria sido uma realidade. Mas negar, mesmo por implicação, que o corpo de Jesus realmente tenha sido levantado do túmulo, destrói a mensagem do evangelho.
* 15.14 é vã a nossa pregação, e vã, a vossa fé. Cf. o v. 17. A verdade da mensagem cristã está ligada à realidade histórica da morte e da exaltação de Cristo. O apóstolo não pode conceber que a sua mensagem teria algum valor espiritual sem o seu alicerce histórico.
* 15.19 somos os mais infelizes de todos os homens. Embora Paulo não negasse que, em um sentido espiritual, os crentes desfrutam de uma melhor vida presente do que os incrédulos, este versículo salienta a grandeza daquilo que Deus prometeu para a nossa vida vindoura. Nossa esperança de salvação é tão gloriosa que se ainda estivéssemos em nossos pecados e perdidos (vs. 17 e 18), haveríamos de experimentar o maior e mais cruel de todos os enganos (vs. 31 e 32).
* 15.20 as primícias. Por ocasião da colheita dos israelitas era requerido que eles trouxessem uma oferta da primeira parte da safra (Lv 23.10). Essa oferta era um sinal de toda a colheita, que pertencia inteiramente a Deus. Jesus é chamado de "primícias" porque a sua ressurreição e a ressurreição dos crentes são eventos intimamente relacionados entre si. Jesus foi "o primeiro da ressurreição dos mortos" (At 26.23), tendo ressuscitado como nosso representante. Sua ressurreição levou à nossa ressurreição espiritual (Rm 6.4; Ef 2.6), e, ao mesmo tempo, garante que nossos corpos serão ressuscitados. Um outro uso dessa metáfora acha-se em Rm 8.23 (cf. também 2Co 1.22; 5.5; Ef 1.14).
* 15.21 Esta passagem afirma, de maneira sucinta, um dos mais profundos ensinos paulinos — a nossa dupla solidariedade com o primeiro homem, Adão, e com o último homem, Cristo. Em virtude da nossa humanidade, estamos unidos com Adão em nossa presente existência natural, no pecado e na morte; em virtude da nossa fé, estamos unidos com Cristo na existência espiritual, na justiça e na vida por vir (vs. 45-49; Rm 5.17-19). Ver nota teológica, "Ressurreição e Glorificação", índice.
* 15.22 em Adão, todos morrem. Ver "A Queda", em Gn 3.6.
* 15.24-28 Ver "O Reino Celestial de Jesus", em At 7.55. Embora o argumento de Paulo, nesta seção, seja difícil quanto a seus detalhes, o seu impacto é claro e poderoso. Os crentes de Corinto tinham que entender que a ressurreição não é um evento isolado, com repercussões limitadas. Antes, é um acontecimento integrado e culminante no governo soberano de Deus sobre a história. A redenção não estará completa até que Cristo "haja posto todos os inimigos debaixo dos seus pés" (v. 25, uma referência clara a Sl 110.1). E visto que a morte é o "último inimigo" (v. 26), a obra de Cristo não terá terminado senão quando a morte for destruída. A declaração paulina de que o Filho "também se sujeitará" ao Pai (v. 28) não significa que o Filho seja inferior quanto à dignidade e ao ser. Antes, em seu trabalho messiânico, o Filho se sujeitará à vontade do Pai, "quando ele entregar o reino ao Deus e Pai" (v. 24). O clímax da obra submissa e messiânica de Cristo será a conquista total de seus inimigos, "para que Deus seja tudo em todos", quando então o seu governo absoluto será universalmente reconhecido.
* 15.29 se batizam por causa dos mortos? Aparentemente, alguns crentes de Corinto estavam sendo batizados em favor de outros que já tinham morrido. Essa prática não é mencionada em qualquer outra passagem da Bíblia ou em outros escritos antigos. Numerosas explicações dessa prática têm sido propostas, todas elas com um forte tom especulativo, e nenhuma delas persuasiva. Paulo mencionou esse rito apenas para mostrar a incoerência lógica da posição de seus oponentes.
* 15.32 feras. É provável que tenhamos aqui uma referência aos inimigos de Paulo em Éfeso (onde esta epístola foi escrita), os quais pretendiam condená-lo (cf. "a boca do leão" (2Tm 4.17, nota). A esperança da ressurreição fortalecia Paulo a suportar severos testes e grandes perseguições (v. 19, nota).
* 15.33 as más conversações corrompem os bons costumes. Derivado de uma comédia escrita pelo popular autor grego Menandro (342—292 a.C.), este provérbio era comum no mundo antigo (note a declaração judaica comparável, em 5.6). Aqueles crentes de Corinto, com um ponto de vista defeituoso acerca da ressurreição, não somente tinham sido influenciados pelas más companhias com que se misturavam, mas, por sua vez, estavam corrompendo outros crentes da congregação.
* 15.34 alguns ainda não têm conhecimento de Deus. Provavelmente uma referência a membros da igreja em Corinto que se jactavam de seu conhecimento (8.1, nota), mas cuja negação da doutrina da ressurreição demonstrava profunda ignorância a respeito das realidades divinas.
* 15.35 em que corpo vêm? Neste versículo Paulo considera aquilo que, aparentemente, era a objeção primária, levantada por alguns crentes de Corinto contra a ressurreição do corpo. Mui provavelmente eles eram influenciados pelo dualismo, uma filosofia pagã que contrastava a parte imaterial com a parte física do homem, e dizia que a parte imaterial era boa, mas que a parte material era má. Seguindo tais linhas de raciocínio, alguns crentes dali tinham desenvolvido o desdém pelo corpo humano, provavelmente distorcendo as suas idéias sobre as relações sexuais (6.14, nota). Parece que eles pensavam que visto o corpo ser mau, a doutrina da ressurreição significa que corpos sem honra seriam ressuscitados. Paulo considerava a posição deles como uma tolice (v. 36), e apresentou uma extensa discussão sobre essa questão (vs. 36-49).
* 15.36 se primeiro não morrer. Visto que Deus é o criador do mundo, os processos da natureza refletem as várias maneiras como ele opera. A natureza provê úteis metáforas e analogias sobre a obra divina da salvação (Is 55.10,11). Jesus usou uma semente ("se morrer, produz muito fruto") como uma ilustração da verdade espiritual (Jo 12.24). Aqui Paulo usa o mesmo quadro para ilustrar a notável diferença entre aquilo que é plantado e aquilo que, eventualmente, se desenvolverá a partir da semente (v. 37). A mesma sorte de analogia pode ser encontrada no diálogo de Platão intitulado Symposium.
* 15.38 a cada uma das sementes o seu corpo apropriado. Neste ponto, Paulo muda a ilustração a fim de destacar as variações existentes entre as diferentes plantas. Ele prossegue a fim de aplicar a idéia a criaturas vivas (v. 39) e a corpos celestes (vs. 40 e 41).
* 15.42,43 Finalmente, a ilustração é aplicada ao corpo humano, que morre e é sepultado, e será transformado por ocasião da ressurreição. Paulo não sugeriu que o corpo ressurreto será um corpo inteiramente diferente do nosso. Assim como uma planta surge diretamente de sua semente, assim o corpo ressurreto é, em sua essência, o mesmo que o corpo que foi "semeado". Mas a ênfase do apóstolo recai sobre a transformação espantosa que terá lugar: da "corrupção", da "desonra" e da "fraqueza", para a "incorrupção", para a "glória" e para o "poder".
* 15.44 corpo natural... corpo espiritual. Este último contraste é difícil de ser compreendido, mas reveste-se de grande importância. Paulo não tinha em mente um contraste entre o que é físico e o que é metafísico, e entre o que é material e o que é imaterial. O corpo ressurreto será um corpo físico, e não um fantasma intangível. O apóstolo já havia usado as palavras "natural" e "espiritual" para distinguir o indivíduo destituído do Espírito Santo do indivíduo que tem o Espírito (2.6,14, notas). A pessoa natural pertence à era presente (1.20), ao passo que a pessoa espiritual é um cidadão do céu (Fp 3.20). Os crentes receberam o Espírito Santo, e, por essa razão, são "espirituais". Mas ainda não receberam o "corpo" espiritual, o corpo que será plenamente conformado à vida dada pelo Espírito. Ver Rm 8.22-25 e nota.
* 15.45 alma vivente... espírito vivificante. Paulo esclarece mais ainda o que ele queria dizer continuando o contraste entre o primeiro Adão e o último Adão (vs. 21,22, nota). A palavra grega traduzida aqui por "alma" (no grego, psyxe) é relacionada à palavra traduzida por "natural", no v. 44 (no grego, psyxikós), ao passo que a palavra "espírito" (no grego, pneuma) corresponde a "espiritual" (no grego, pneumatikós). As palavras "espírito vivificante" mui provavelmente são uma referência ao Espírito Santo. Jesus e o Espírito Santo não são uma mesma Pessoa, mas Jesus e o Espírito são identificados em termos da presença e da atividade deles na Igreja. Essa identidade, que conhecemos porque Jesus também é "vivificante", é o cumprimento do papel de Jesus como o Messias, e teve início com a sua ressurreição e ascensão ao céu. Estar em Cristo é estar igualmente no Espírito (6.11,15,19; 12.19). A associação entre Cristo, o Espírito Santo e a vida torna-se evidente em Rm 8.9-11 e 2Co 3.6,17,18.
* 15.48 terreno... celestial. Eis aqui um contraste final, sugerindo que os vs. 42-44 referem-se à distinção entre o corpo humano que é terreno, e o corpo humano que é celestial. Neste contexto, porém, a distinção não envolve a substância, e, sim, o fator tempo; a presente era má é contrastada com a vindoura era perfeita. Os crentes já desfrutam de algumas das bênçãos da era vindoura (10.11, nota), mas continuam aguardando a consumação. A obra da redenção divina só estará completa com o corpo ressurreto. Assim como trouxemos a imagem do primeiro Adão, visto que pertencemos a Cristo, estamos destinados a trazer a imagem do último Adão (v. 49).
* 15.50 carne e o sangue. Esta frase alude à fraqueza da existência humana terrena, e equivale à "corrupção". Paulo estava advertindo que sem os novos corpos "incorruptíveis", não podemos "herdar o reino de Deus". Como, pois, alguns dos crentes coríntios podiam negar a doutrina da ressurreição?
* 15.51 mistério. Ver nota em 2.7.
nem todos dormiremos. Paulo reconhece aqui que muitos crentes não morrerão, mas estarão vivos por ocasião da volta de Cristo. Embora esses crentes não sejam ressuscitados dentre os mortos, eles também serão transformados e receberão corpos imperecíveis e imortais (1Ts 4.13-18 e notas).
* 15.54-57 Esta é uma das passagens mais eloquentes e poderosas das Escrituras. Usando de paráfrases de Isaías e de Oséias (com base na Septuaginta, a tradução do Antigo Testamento para o grego), Paulo alude ao seu argumento anterior nos vs. 24-28, assegurando-nos vigorosamente da finalidade da destruição da morte no dia da ressurreição. Esse dia também assinalará a destruição do "pecado" e da "lei". Na sua epístola aos Romanos, Paulo explica detalhadamente como o pecado é o veneno que consegue matar a todos os homens (Rm 5.12), e como a lei, embora ela mesma seja santa, torna-se o instrumento através do qual o pecado nos pode enganar (Rm 7.7-12).
* 15.58 sede firmes. Em face do ensino falso e de várias tentações, a esperança da ressurreição deveria encorajar os crentes de Corinto a perseverarem em sua fé. Contudo, a exortação para se tornarem "firmes" não implica em inatividade. Pelo contrário, os crentes de Corinto deviam ser plenamente ativos "na obra do Senhor". Podemos facilmente nos desencorajar pensando que nosso labor pode reduzir-se a nada (Gl 2.2; Fp 2.16; 1Ts 3.5), mas podemos relembrar a promessa de que quando Deus criar os novos céus e a nova terra, seu povo usufruirá do fruto de seus labores, quando então verão que os seus esforços nunca foram "em vão" (Is 65.17-25).
* 16.1 Quanto à coleta. Com base em 2Co 8.1-4 e Rm 15.25-27, parece que um dos propósitos da terceira viagem missionária de Paulo era o de juntar fundos das igrejas gentílicas para os crentes judeus na Judéia, que estavam padecendo necessidade, talvez em resultado da perseguição. Ao que tudo indica, Paulo já havia falado aos crentes coríntios sobre esse projeto, em uma epístola anterior (5.9). Eles tinham pedido maiores informações, e talvez tivessem expressado reservas a respeito (Introdução: Data e Ocasião).
para os santos. Ver 1.2, nota.
* 16.2 No primeiro dia da semana. A referência é ao domingo, o dia no qual o Senhor ressurrecto veio encontrar-se com seus discípulos (Jo 20.19,26; cf. também "o dia do Senhor", em Ap 1.10). At 20.7 indica que os cristãos primitivos se reuniam aos domingos para "partir o pão" (que fazia parte da adoração), e teria sido apropriado designar aquele dia para reunir as oferendas.
* 16.3 aqueles que aprovardes. Esse comentário talvez reflita dúvidas da parte de alguns crentes, se Paulo deveria receber a responsabilidade única pelo dinheiro (2.1, nota).
* 16.5-9 Estes versículos deixam claro que Paulo escreveu esta epístola em Éfeso e pretendia visitar Corinto por via terrestre pelo norte, em redor do mar Egeu. Tanto At 20.1,2 quanto 2Co 2.12,13 indicam que ele cumpriu esse plano. O que Paulo não previra nessa ocasião foi a necessidade anterior de fazer uma breve e desagradável visita a Corinto, pouco depois de ter escrito 1 Coríntios (2Co 1.23; 2.1; 13.2; Introdução a 2 Coríntios: Data e Ocasião).
* 16.10 se Timóteo for. Antes (4.17), Paulo tinha mencionado que Timóteo seguiria como seu representante (At 19.22). Paulo quer que eles tratassem com respeito o seu cooperador mais jovem.
* 16.12 Acerca do irmão Apolo. Ao que tudo indica, os crentes de Corinto, em sua carta, tinham pedido que Apolo retornasse a eles (Introdução: Data e Ocasião; At 18.27—19.1). A despeito da atitude imprópria dos coríntios (4.6; 4.15, nota), Paulo honrou a petição deles. Apolo não estava disposto a ir nessa ocasião, deixando para fazê-lo só mais tarde.
* 16.15-18 Esta passagem recomenda "Estéfanas, Fortunato e Acaico", sendo que este último provavelmente tinha sido o portador da carta enviada pela igreja de Corinto. A ênfase de Paulo (sobretudo nas palavras "eu vos peço o seguinte... que vos sujeiteis a esses tais") sugere que esses homens, e Estéfanas em particular, eram líderes nomeados, mas que não desfrutavam de um respeito apropriado da parte da congregação. A frase, "o que da vossa parte faltava" não indica, necessariamente, uma crítica (o original grego, no fim de Fp 2.30, é quase idêntico), mas aqui pode sugerir que a igreja como um todo deixara de revigorar o espírito do apóstolo.
* 16.19 Ásia. Éfeso, onde 1 Coríntios foi escrita era a cidade mais importante da província romana da Ásia, na parte sudoeste da península da Anatólia, que atualmente faz parte da moderna Turquia (At 19.10).
Áquila e Priscila. Esse casal desempenhou um importante papel durante a visita inicial de Paulo a Corinto (At 18.1-3), pelo que a congregação conhecia bem os dois.
* 16.20 com ósculo santo. Uma saudação normal na Igreja primitiva. Embora essa prática não fosse incomum tanto no judaísmo como na cultura romana, a palavra "santo" indica uma significação adicional a essa saudação, entre os santos, visto que representava o relacionamento especial de irmãos e irmãs em Cristo.
* 16.21 de próprio punho. Até este ponto, a epístola deve ter sido escrita por um escriba treinado (Rm 16.22), mas o costume de Paulo era adicionar pessoalmente algumas palavras de próprio punho, como se fora uma assinatura pessoal.
* 16.22 seja anátema. Essas palavras fortes, escritas pelo próprio punho de Paulo, afirmam a autoridade apostólica por detrás da carta inteira. Esta não é uma maldição contra os incrédulos em geral, mas somente contra aqueles que rejeitam a autoridade da epístola (Gl 1.8,9; 2Ts 3.14,15).
Maranata. Uma transliteração das palavras aramaicas Marana tha (ou Maran atha, "Nosso Senhor veio"), que refletem a adoração da Igreja primitiva na Palestina.
* 16.24 O meu amor seja com todos vós. Após uma longa epístola que consiste primariamente de severas repreensões, essas palavras afetuosas chegam até nós como uma surpresa. Paulo não havia esquecido as necessidades pastorais de sua congregação (1.2, nota).