* 1.1–7.17 Deus governa e liberta o seu povo
antes dos tempos da monarquia. Assim o
faz suscitando Samuel (caps. 1–3), intervindo diretamente contra os filisteus
(4.1–7.1), e dando a Samuel a vitória contra os filisteus (7.2-17).
* 1.1 um homem.
Essa expressão com a genealogia que a acompanha sugere que
Elcana era um homem de posição. A
referência a uma esposa estéril (v. 2) assemelha-se à introdução ao nascimento
de Sansão (Jz 13.2).
Ramataim. Possivelmente significa
"montanhas gêmeas." O nome
ocorre somente aqui no Antigo Testamento.
Talvez seja o mesmo que Arimatéia (ao noroeste de Betel) no Novo
Testamento. A cidade natal de Samuel é
usualmente chamada Ramá, uns oito km ao norte de Jerusalém (1.19; 2.11; 7.17;
8.4; 15.34; 19.18; 25.1).
de Zufe. "Zufe" é tanto um nome pessoal (1Cr
6.35) quanto um território (9.5).
Efraimita. Efraim era seu lugar de origem, e
não necessariamente a tribo dos seus antepassados (1Cr 6.16-30, 33-37).
* 1.2 duas mulheres. A poligamia é mencionada primeiramente
em Gn 4.19. É reconhecida e
regulamentada, porém não endossada, em Dt 21.15-17.
não os tinha. Ana não tinha filhos e era
provocada pela sua rival prolífica (vs. 6, 7).
Uma esposa estéril, porém favorecida, que recebe como bênção de Javé um
filho especial, não é incomum no Antigo Testamento. Ver Gn 18.1-15 (Sara-Isaque); 25.21-26 (Rebeca-Esaú e Jacó); 30.22-24 (Raquel-José); Jz 13.2-5 (esposa de Manoá-Sansão). No Novo Testamento, ver Lc 1.5-25
(Isabel-João).
* 1.3 Este homem subia. Talvez estivesse observando a "solenidade
do SENHOR em Silo" (Jz 21.19), ou talvez fosse a uma cerimônia familiar
(20.6). No Pentateuco (os cinco livros
de Moisés, ou Torá) há referência a três grandes festas anuais de peregrinação
(Êx 23.14-17; 34.18-23; Dt 16.1-17).
SENHOR dos Exércitos. É aqui que esse título ocorre pela
primeira vez no Antigo Testamento.
"SENHOR" representa "Javé" em hebraico, o nome
pessoal do Deus de Israel, em distinção à designação geral: "Deus." “Exércitos” é a tradução
usual de outra palavra conforme o contexto, pode incluir as hostes de Israel
(17.45), as hostes cósmicas ou os corpos celestiais (Dt 4.19), e as hostes
angelicais (Js 5.14). De modo global, o
título expressa a soberania do Senhor sobre todos os poderes terrestres e
celestiais.
Silo. A meio-caminho entre Siquém e
Betel, Silo (atualmente Seilun) era um centro religioso israelita importante
durante o período antes da monarquia (Js 18.1;
Jz 21.19). O santuário ali (Jr
7.12) pode ter sido destruído pelos filisteus depois da batalha de Afeque
(4.1-11).
Eli. Assim como no caso de outras
pessoas bem-conhecidas no Antigo Testamento (Josué, Êx 17.9; e Jônatas, 1Sm 13.2), Eli é apresentado pela
primeira vez simplesmente com seu nome.
* 1.5 porção dupla. A expressão em hebraico é difícil, mas
usualmente tem sido interpretada no sentido de uma porção especialmente
honrosa. As tentativas de Elcana para
diminuir a tristeza de Ana expressando seu amor por ela (v. 8) não surtiram efeito.
o SENHOR a houvesse deixado estéril.
A esterilidade de Ana não proveio
do acaso, nem como forma de castigo (2Sm 6.23), mas estava debaixo do controle
soberano do Senhor.
* 1.6 A sua rival. Ver nota em 1.2.
* 1.7 não comia. Ana se recusou a comer até que o Senhor
respondesse à sua oração; compare as
ações de Davi em 2Sm 12.16-20, e contraste com as de Saul em 1Sm 28.23-25. No Novo Testamento, o jejum freqüentemente
acompanha assuntos sérios com o Senhor (At 13.2-3; 14.23).
* 1.9 templo.
A menção de "pilares" aqui e "portas" em
3.15, bem como lugares de dormir em 3.2, 3, talvez sugira uma estrutura mais
permanente do que a tenda dos tempos de Moisés.
Outras designações para a estrutura em Samuel são "a casa do
SENHOR" (v. 7; 3.15) e "a tenda da congregação" (2.22). Em 2Sm 7.6 fica claro que antes dos tempos de
Davi o tabernáculo ou templo era uma tenda e não uma estrutura permanente.
* 1.11 voto. Sobre votos feitos por mulheres casadas, e a
responsabilidade do marido de confirmá-los ou anulá-los, ver Nm 30.6-15.
e de mim te lembrares. Ana pede, não simplesmente que o
Senhor a mantenha em mente, mas que ele faça algo especial para ajudá-la.
não passará navalha. O voto de Ana reflete elementos do voto do
narizeado (Nm 6.1-21). Especificamente,
trata-se de abster-se de uvas ou de qualquer coisa feita com uvas, deixar de
cortar os cabelos, e evitar todo e qualquer contato com algum cadáver. Embora semelhantes votos geralmente fossem
feitos por um período limitado de tempo, o de Ana era por "todos os
dias" da vida do seu filho (ver Jz 13.5, nota).
* 1.13 embriagada. O fato de Eli ter concluído que Ana
estava embriagada constitui-se em elemento estranho na narrativa porque sugere
que o fervor na oração não era algo familiar a ele.
* 1.16 filha de Belial. Ou:
“ímpia”. Ver referência lateral e 2.12.
* 1.18 o seu semblante já não era triste. As atitudes de Ana como modo de
corresponder à bênção pronunciada no v.
17 evidenciam a sua fé.
* 1.20 Samuel.
Vários significados do nome "Samuel" têm sido
sugeridos, inclusive "ouvido por Deus" (referência lateral),
"aquele que provém de Deus," "nome de Deus," e até mesmo
"filho de Deus" (como aquele "dado" ou
"prometido" por Deus).
"Saul" provém do verbo hebraico "pedir," que ocorre
freqüentemente nessa seção.
* 1.21 voto. Ver Lv 7.16 e nota.
* 1.22 desmamado.
No antigo Oriente Médio, um filho era desmamado mais tarde do
que freqüentemente é o costume hoje (2 Macabeus 7.27: "por nove meses te trouxe em meu seio e
por três anos te amamentei"). O
desmame pode também ter sido celebrado com uma festa (Gn 21.8).
* 1.23 a sua palavra. Ou: “a palavra dele”. "A tua
palavra" (de Ana) (referência lateral)
talvez deva ser preferida aqui.
Elcana, como marido de Ana (1.11, nota), invoca a ajuda do Senhor no
cumprimento do voto de sua esposa.
* 1.24 um novilho de três anos... odre de vinho. Segundo Nm
15.8-10, o cumprimento de um voto deveria ser acompanhado pela oferta de um
novilho, farinha e vinho. Ana traz tudo,
porém, em medida maior que a exigida.
* 2.1-10 Tendo recebido a resposta à sua
oração, Ana entoa um cântico jubiloso de ação de graças. Focalizando a soberania do Senhor e a sua
graça aos humildes, Ana antecipa os temas principais dos livros de Samuel. Os mesmos temas de soberania, graça, e da
libertação são reiterados no cântico de Davi de ação de graças perto do fim de
2 Samuel (cap. 22). Os dois cânticos
fornecem um arcabouço poético para 1 e 2 Samuel. O cântico de louvor (mais breve) de Maria (o Magnificat,
Lc 1.46-55) parece ter seguido o modelo
de Ana. Os dois cânticos iniciam-se com
regozijo por causa do livramento pelo Senhor (v. 1; Lc 1.46-48), exaltam a incomparabilidade e
santidade do Senhor (v. 2; Lc 1.49, 50), condenam a jactância orgulhosa (v. 3;
Lc 1.51), indicam mudança da sorte humana como resultado de intervenções pelo
Senhor soberano (vs. 4-8; Lc 1.52, 53), e expressam o cuidado fiel que o Senhor
dedica aos seus (v. 9; Lc 1.54,
55). O cântico de Ana termina com a
asseveração de que o próprio Senhor dará forças ao seu rei, ao seu ungido (vs.
9-10).
* 2.1 força.
Lit. "chifre," palavra esta que [em hebraico] é
usada figuradamente no Antigo Testamento para significar orgulho e força. É Deus quem exalta a força dos justos e abate
as forças dos ímpios (Sl 75.10). Davi
exalta o Senhor como "o meu escudo, a força da minha salvação" (v.
10, nota; 2Sm 22.3).
* 2.2 Rocha.
Como metáfora para Deus, esse termo está concentrado nos
trechos poéticos tais como o cântico de Moisés em Dt 32; o cântico de Davi em 2Sm 22; Salmos;
e Isaías. A metáfora sugere a
força e a soberania de Deus, e a segurança daqueles que confiam nele. Aqui recai o enfoque na incomparabilidade do
único Deus verdadeiro, em oposição às falsas fontes de segurança (compare o
contraste com os falsos deuses, também chamados "rocha," em Dt 32.31,
37; Is 44.8).
* 2.5 tem sete filhos. O número sete expressa o que é
idealmente completo (Rt 4.15).
* 2.9 porque o homem não prevalece pela
força. As
narrativas subseqüentes confirmam que não é a proeza física, mas a presença de
Deus, que traz a vitória. Na narrativa
da arca nos caps. 4–6, o Senhor faz os filisteus sentirem a sua mão sem a ajuda
de agentes humanos (5.6). Outros
exemplos desse tipo são a vitória do Senhor através de Samuel no cap. 7; os resultados contrastantes de Saul e Jônatas
nos caps. 13 e 14; a escolha de Davi, o
mais jovem dos filhos de Jessé, no cap. 16;
e a vitória de Davi sobre Golias no cap. 17.
* 2.10 seu rei.
A referência aqui ao rei do Senhor antevê o evento central
dos livros de Samuel, a saber: a
instituição de uma monarquia, e subentende que a idéia de uma monarquia,
corretamente cogitada, não é errada. Que
Israel teria um rei é previsto em vários trechos do Pentateuco (Gn 49.10; Nm 24.7, 17-19; Dt 17.14-20).
seu ungido. Numerosos objetos e pessoas estavam
sujeitos à unção religiosa no Israel antigo (Êx 30.22-33), mas era o rei que,
em última análise, tinha o título de "ungido do SENHOR" ou
simplesmente de "ungido." As pessoas escolhidas para servir a Deus
eram ungidas para simbolizar que essa era a sua vocação, que eram autorizadas
para realizá-la, e que Deus lhes daria a ajuda da qual necessitassem. As referências ao rei como o ungido do Senhor
predominam nos livros de Samuel (v. 35;
12.3. 5; 16.6; 24.6) e nos Salmos (Sl 2.2; 18.50). O presente trecho é a primeira referência a
um rei de Israel como o "ungido" de Deus, embora a idéia de ungir um
rei já se encontre na fábula de Jotão (Jz 9.8, 15). A palavra "messias" em português
representa a palavra "ungido" em hebraico. No Novo Testamento, "Cristo" representa
a palavra grega Christos, que também significa "ungido."
* 2.12 os filhos de Belial. Assim se traduz uma expressão em
hebraico que conota pessoas vis, sem valor [que é a tradução literal de
belial]. É usada a respeito daqueles que
incitam à idolatria (Dt 13.13) ou à
insurreição (10.27; 2 Sm 16.7; 20.1);
que são sexualmente imorais (Jz 19.22);
ou que são mentirosos (1Rs 21.10, 13).
Infelizmente, a expressão podia ser aplicada aos filhos de Eli.
não se importavam. Lit. "não conheciam," o
que forma um contraste irônico entre os filhos de Eli e Samuel (3.7,
nota).
* 2.13 o costume daqueles sacerdotes. A prática descrita nos vs. 13, 14 é
diferente dos preceitos de Lv 7.28-36 e Dt 18.3. A cobiça dos filhos de Eli levou os
israelitas a desprezarem a oferta do SENHOR (v. 17).
* 2.15
antes de se queimar a gordura. Deste os tempos em que Abel
ofereceu a gordura dos primogênitos do seu rebanho (Gn 4.4), as partes
gordurosas eram consideradas as melhores, e por isso mesmo, reservadas para o
Senhor. Os sacerdotes tinham o dever de
queimar a gordura no altar, como oferenda ao Senhor (Lv 3.16; 7.31). Assim como o sangue, a gordura era
rigorosamente proibida para o consumo humano, e quem a comesse seria expulso do
meio do povo de Deus (Lv 3.17; 7.23-25).
* 2.18 Samuel.
O comportamento de Samuel, que ministra fielmente diante do
Senhor, e também o de Eli, que regularmente abençoa Elcana com sua esposa (v.
20), está em nítido contraste com os
abusos dos filhos de Eli.
estola sacerdotal de linho. Algum tipo de roupa interna
curta, associada ao serviço sacerdotal
(22.18), que também foi usada pelo rei Davi quando trouxe a arca para Jerusalém
(2Sm 6.14). Ver também 2.28, nota.
* 2.19 túnica.
Uma roupa externa, que deveria ser usada por cima da estola
sacerdotal de linho.
* 2.20 filho que devolveu. As palavras de Eli relembram as de
Ana em 1.27, 28. As palavras
"dádiva" e "pedir" em hebraico são derivadas da mesma
palavra que o nome "Saul" (1.20, nota).
* 2.21 diante do SENHOR. Ou:
"com o SENHOR"; a mesma
expressão em hebraico é usada no v. 26.
* 2.22 Eli.
Novamente, assim como no v. 12, o enfoque muda do menino
Samuel para a casa de Eli.
ouvia. Eli tinha que ser informado a respeito daquilo
que ele já deveria ter observado e controlado por sua própria iniciativa. Mas seus delitos são muito mais profundos do
que a simples falta de atenção (v. 29).
se deitavam com as mulheres. Quanto à "tenda," ver
nota em 1.9; quanto às "mulheres
que serviam," ver Êx 38.8. A prostituição
cultual, embora fosse explicitamente condenada pela Lei (Dt 23.17, 18), era
praticada pelos cananeus e se constituía em perigo constante para os israelitas
(1Rs 15.12; 2Rs 23.7; Os 4.14).
* 2.25 Deus lhe será o árbitro. O
argumento de Eli é que, embora possa haver alguma mediação nas disputas entre
as pessoas, ninguém que poderá intervir quando o delito for contra o próprio
Deus. Os filhos de Eli pecaram, antes de
mais nada, contra o Senhor (v. 17), e selaram o seu destino ao se recusar a
prestar atenção à advertência de Eli.
o SENHOR os queria matar. Essa declaração clara da soberania
de Deus sobre o destino dos ímpios não diminui a responsabilidade das pessoas
pelas suas próprias ações. Um exemplo do
relacionamento entre a soberania divina e a responsabilidade humana acha-se no
endurecimento do coração de Faraó nos primeiros capítulos do Êxodo. Em cerca de metade das ocasiões, é declarado
que Faraó endureceu seu próprio coração
(Êx 8.15); nas demais ocasiões, é
declarado que Deus o endureceu (Êx 4.21; Rm 9.17, 18). Deus pode castigar o pecado persistente e
deliberado removendo a capacidade de a pessoa se arrepender (Js 11.20; Rm 1.24,
26, 28).
2.26 no favor do SENHOR. A gravidade
da recusa dos filhos de Eli de prestarem atenção aos homens ou a Deus é
enfatizada pelo contraste marcante com Samuel, que cresce no favor de Deus e
dos homens. A ênfase dada ao crescimento
de Samuel como sendo mais do que meramente físico prenuncia um tema que é
posteriormente desenvolvido nas figuras contrastantes de Saul e de Davi. A expressão no v. 6 é usada por Lucas para
descrever a infância de Jesus (Lc 2.52; ver Pv 3.4).
* 2.27-36 As palavras do homem de Deus a Eli
exibem características típicas dos discursos proféticos de juízo. Há uma acusação (expressa aqui através das
perguntas acusadoras que enfatizam o contraste entre a graça do Senhor e a
desobediência de Eli) e uma proclamação de juízo, confirmada por um sinal.
Outros exemplos de discursos proféticos desse tipo acham-se nos caps. 13; 15; em
2Sm 12.7-12.
* 2.27 homem de Deus. No Antigo Testamento, esse título é
freqüentemente empregado de modo intercambiável com "profeta"
(9.8-11; 1Rs 13.15-18; 2Rs 5.8; 6.10-12).
casa de teu pai... no Egito. Embora a genealogia de Eli não
esteja registrada em nenhuma parte do Antigo Testamento, o v. 28 subentende que
ele era um descendente de Arão. A
asseveração de que o Senhor se revelou e selecionou a casa de Eli já nos tempos
da servidão de Israel no Egito ressalta a ingratidão grosseira da casa de Eli.
* 2.28 trazer a estola sacerdotal. A estola sacerdotal mencionada aqui
não é a roupa mencionada no v. 18, mas a estola do sumo sacerdote, que continha
o "peitoral do juízo" e o "Urim e o Tumim," através dos
quais se podia descobrir a vontade do Senhor (Êx 28.4-30).
e dei... as ofertas. Tanto no Antigo Testamento (Nm 18.8; Dt 18.1) quanto no Novo (1Co 9.13, 14; 1Tm 5.17, 18)
Deus providencia o sustento daqueles que estão no seu serviço.
* 2.29 honras.
Embora os delitos dos filhos de Eli fossem mais atrevidos,
ele próprio não fica sem culpa. Como pai
e sumo sacerdote, não deveria ter se limitado a confrontar seus filhos somente
com palavras (vs. 23-25). Ter deixado de
agir firmemente equivaleu a honrar seus filhos acima do Senhor (v. 30). A palavra hebraica traduzida por
"honrar" é uma palavra-chave nos relatos subseqüentes da queda da
família de Eli e da captura e devolução da arca (caps. 4–7); ver notas em 4.21; 6.5, 6.
* 2.30 perpetuamente. Contínua ou indefinidamente.
* 2.31 não haja mais velho nenhum em tua
casa. A dizimação da casa de Eli
começa com a morte dos seus filhos (4.11) e a sua própria (4.18). Ela continua com o massacre dos sacerdotes de
Nobe por Saul (22.17-19) e culmina quando Salomão remove Abiatar do sacerdócio
(1Rs 2.26, 27).
* 2.32 o aperto da morada de Deus. Ou: “um inimigo em minha morada”. O
termo em hebraico é difícil, e partes dos vs. 31, 32 faltam na Septuaginta e
nos Rolos do Mar Morto. Se for correta a
tradução "o inimigo na morada de Deus", o versículo aludiria à
captura da arca (4.1-11), à destruição da morada do Senhor em Siló (Jr
7.12-14), e à sua recolocação em Nobe (21.1).
* 2.34 sinal.
Pronunciamentos proféticos eram freqüentemente confirmados
por sinais (2.27-36, nota; cf. 10.7, 9;
1Rs 13.3, 5; 2Rs 19.29; 20.8, 9).
* 2.35 sacerdote fiel. Embora a declaração em 3.20 de que
Samuel foi "confirmado" como um profeta do Senhor sugira que Samuel
possa ter sido o cumprimento dessa predição, o cumprimento mais claro vem na
pessoa de Zadoque, que serviu como sumo sacerdote lado a lado com Abiatar no
reinado de Davi (2Sm 8.17, nota) e que chegou à preeminência no reinado de
Salomão (1Rs 2.35). Os descendentes de
Zadoque mantiveram-se no sumo sacerdócio desde o reinado de Salomão até aos
tempos de Antíoco Epifânio e dos macabeus (para os detalhes, ver Introdução ao
Período Interbíblico).
meu ungido. Essa é a segunda alusão neste
capítulo ao rei vindouro (v. 10 nota).
* 2.36 um pedaço de pão. Os juízos proféticos eram
caracterizados pela correspondência entre o crime e o castigo. A fome ameaçada nesse versículo corresponde
com a satisfação da gula descrita nos vs. 12-27 e 29.
* 3.1 a palavra do SENHOR era mui rara. Quando o Senhor retém a sua
palavra, é sinal do seu desagrado (14.37; Sl 74.9; Lm 2.9; Am 8.11,12).
De maneira inversa sua comunicação com Samuel é sinal do seu favor.
visões. Tais
visões ou revelações eram necessárias para o bem-estar do povo de Deus (Pv
29.18).
* 3.3 antes que a lâmpada de Deus se
apagasse. Pode se
tratar simplesmente de uma referência ao horário (Êx 27.20-21; Lv 24.1-4). O emprego de "lâmpada" como uma
metáfora de esperança e de promessa é muito comum (2Sm 21.17; 22.29; 1Rs 11.36;
15.4; Jó 18.5; Sl 132.17; Pv
13.9), e é possível também aqui. Com
Samuel no cenário, ainda há uma fagulha de esperança.
templo. Ver nota em 1.9.
arca. Também chamada, em outros textos,
"a arca do Testemunho" e "a arca da aliança," essa caixa de
madeira de acácia revestida de ouro é descrita em Êx 25.10-22. A arca assume importância nos caps. 4–6 e de
novo em 2Sm 6.
* 3.7 Samuel ainda não conhecia o SENHOR. A repetição da terminologia do
v. 2.12 a respeito de
"conhecer" a Deus serve para enfatizar o contraste no sentido. Os filhos de Eli "não se importavam com
o SENHOR" porque o desconsideravam impiamente. Samuel era uma criança, e nenhuma revelação
ainda viera até ele.
* 3.8 Então, entendeu Eli. A lentidão de Eli em reconhecer que
Deus estava chamando Samuel relembra ocasiões anteriores de falta de percepção
(1.12-16) e de consciência (2.22, nota), o que contribui à impressão do leitor
de Eli como um sacerdote idoso cujos olhos se escureceram (v. 2) de mais de uma
maneira.
* 3.12 tudo quanto tenho falado. Ver 2.27-36. A repetição a Samuel do oráculo contra Eli
confirma o próprio oráculo e estabelece Samuel como um profeta do Senhor (v.
20).
* 3.13 se fizeram execráveis. A Septuaginta (o Antigo Testamento em Grego)
coloca "Deus" no lugar de "se". Isto representa a mudança de uma única
consoante no texto hebraico original. Se
os filhos de Eli estavam blasfemando contra Deus, tratava-se de um delito que
levava à pena da morte (Lv 24.15, 16).
e ele os não repreendeu. Eli, tendo em conta a sua posição
de sumo sacerdote, deveria ter tomado medidas para refrear os seus filhos logo
que a repreensão verbal tivesse comprovado sua ineficácia (2.29, nota; 2Sm 13.21, nota).
* 3.14 nunca lhe será expiada a iniqüidade,
nem com sacrifício, nem com oferta de manjares. Embora houvesse provisões para a expiação dos
pecados não intencionais dos sacerdotes (Lv 4.1-12), os pecados da casa de Eli
desafiavam diretamente a Deus (Nm 15.30-31). Eles tinham desprezado os meios
normais de expiação: os sacrifícios e as
oferendas (2.17, 29).
* 3.18 É o SENHOR; faça o que bem lhe aprouver. Eli aceita humildemente a sua rejeição, e
confessa o direito de Deus em governar os assuntos dos homens. Suas palavras estabelecem um padrão segundo o
qual os personagens posteriores na narrativa deveriam ser julgados: Saul
(20.30,31) e Davi (2Sm 15.25,26).
* 3.19 o SENHOR era com ele. Da perspectiva dos livros de
Samuel, é a presença de Deus com alguém que faz a diferença entre a vitória e o
fracasso (16.18; 18.12, 14, 28).
e nenhuma de todas as suas palavras
deixou cair em terra. Ver 9.6.
Samuel, portanto, foi aprovado no como verdadeiro profeta (Dt 18.21,
22).
* 3.20 desde Dã até Berseba... profeta do
SENHOR. Embora as
responsabilidades de Samuel como juiz o levariam a servir numa determinada área
nas regiões montanhosas centrais (7.15-17), sua reputação como profeta
espalhava-se por "todo o Israel" (2Sm 3.10; 17.11; 24.25;
1Rs 4.25).
* 3.21 Silo. Ver nota em 1.3.
* 4.1 Veio a palavra de Samuel a todo o Israel.
O episódio que começou com a
notícia a respeito da raridade da palavra do Senhor (3.1) termina com a notícia da mudança introduzida
pela escolha de Samuel para ser "profeta do SENHOR" (3.20 e
nota).
filisteus. Os filisteus são um dos "Povos do
Mar" mencionados nos textos egípcios desde os tempos de Ramsés III. Até o tempo dos juízes (Jz 3.31; 13-16), os filisteus tinham se estabelecido
ao longo das praias da Canaã do sul, numa associação de cinco cidades: Asdode, Asquelom, Ecrom, Gate, e Gaza
(6.17; Jz 3.3). Os filisteus tentavam freqüentemente expandir
os seus territórios, e nos tempos de Samuel e da monarquia inicial, estavam em
conflito direto com os isaelitas ao norte e ao leste.
Ebenézer. Este pode ser um local arqueológico cerca de 3
km a leste de Afeque (cf. v. 6).
Ebenézer (que significa "Pedra de Socorrro") é mencionada de novo em 5.1. A Ebenézer em 7.12 relembra essas primeiras
referências (7.12, nota), mas é um lugar
diferente, perto de Mizpa.
Afeque. Afeque estava na extremidade sul da
planície de Sarom, cerca de 8 km da praia do Mediterrâneo, perto da nascente do
rio Yarquom (29.1). Estava entre as
cidades conquistadas por Josué (Js 12.18).
* 4.3 Por que nos feriu o SENHOR? A pergunta dos anciãos é apropriada
por refletir a crença de que "do SENHOR é a guerra" (17.47). Não esperam uma resposta, mas imediatamente
põem em prática seu próprio plano.
Tragamos... a arca. A convicção aparente dos anciãos de
que a arca seria uma garantia mágica da presença do Senhor é semelhante àquela
dos filisteus (vs. 7-9). A salvação
depende da livre iniciativa de Deus e da Sua graça soberana, e não das técnicas
ou planos humanos (2Sm 15.25 e nota).
* 4.4 SENHOR dos Exércitos. Ver nota em 1.3.
Hofni e Finéias. Com seus dois filhos ímpios (2.12-17, 27-36)
encarregados da arca, não é de admirar que o coração de Eli estava
"tremendo pela arca de Deus" (v. 13).
* 4.6 hebreus.
Essa palavra ocorre pela primeira vez em Gn 14.13 como uma
descrição de Abrão. Documentos
extrabíblicos do segundo milênio a.C. mencionam um povo diverso e disseminado
chamado "habiru." Isso tem levado a debates consideráveis a respeito
da identidade desse povo com os hebreus bíblicos. Os habiru pareciam ser uma classe de
estrangeiros ou refugiados sem terra, que sobreviviam ou por se empregarem como
soldados ou agricultores, ou por meio de pilhagem.
* 4.8 grandiosos deuses... que feriram aos
egípcios. O clamor
dos filisteus revela sua perspectiva politeísta, mas deixa pouca dúvida quanto
ao impacto que aquele evento teve sobre as nações em derredor (6.6; Js 2.9-11).
* 4.10 trinta mil.
Ao invés de trazer alívio, os israelitas, na sua tentativa de
manipular o Senhor visando seus próprios interesses, sofreram uma derrota ainda
maior (v. 2).
* 4.1 Foi tomada a arca de Deus. Um evento tão surpreendente quanto
desastroso, a perda da arca certamente deve ter feito tinir ambos os ouvidos
(3.11).
mortos... Hofni e Finéias. Em cumprimento de 2.34 e 3.12.
* 4.13 seu coração estava tremendo pela arca de
Deus. Eli, anteriormente
repreendido por honrar mais aos seus filhos do que ao Senhor (2.29), agora
demonstra mais preocupação pela arca de Deus do que pelos próprios filhos (vs.
17-18).
* 4.18 menção da arca de Deus. Não foram as más notícias das
perdas pesadas sofridas pelos israelitas, nem a notícia da morte dos seus
próprios filhos (v. 17), mas a informação de que a arca de Deus tinha sido
tomada foi o motivo que desencadeou a reação que resultou na morte do próprio
Eli.
havia ele julgado a Israel. Não há nenhuma contradição
necessária quando Eli é descrito tanto como sacerdote quanto como juiz (Dt 17.8-12;
19.17; 1Cr 23.2-4; 2Cr 19.8; Ez
44.24). "Julgado" associa-o
com os líderes que Deus suscitou entre a morte de Josué e a instituição da
monarquia.
quarenta anos. A liderança de Eli, de duração de quarenta
anos, deve ter coincidido parcialmente com as façanhas de Sansão (Jz 13–16) e
possivelmente também com a atividade dos juízes mencionados em Jz 12.8-15.
* 14.21 Icabode... Foi-se a glória. A esposa de Finéias, ao morrer, dá
ao seu recém-nascido o nome de Icabode, que significa tanto: "Nenhuma glória" quanto "Onde
está a glória?" (2.29, nota).
Conforme deixa claro o v. 22, a "glória" à qual ela se refere
não é primariamente a casa de Eli, mas a arca de Deus, que agora se encontrava
perdida. Ver também nota em 14.3.
* 5.1 Ebenézer.
Ver 4.1, nota.
Asdode. Uma das cinco cidades filistéias
principais (4.1), Asdode fica cerca de 80 km ao sul de Ebenézer e 4 km afastada
da costa do Mediterrâneo. A ocupação de
Asdode pelos filisteus é atestada arqueologicamente já nos séculos XII e XI
a.C. No período do Novo Testamento, o
local era chamado Azoto (At 8.40).
* 5.2
Dagom. Uma deidade de destaque entre os
filisteus, bem como na Mesopotâmia, na Síria, e na Fenícia desde os meados do
terceiro milênio a.C., Dagom era considerado em tempos passados uma
deidade-peixe por causa da semelhança entre o nome Dagom e a palavra hebraica dag,
que significa "peixe." Agora parece mais provável que esse nome deva
estar associado com a palavra hebraica dagan, que significa
"grão," de modo que Dagom seria um deus da agricultura ou da
fertilidade. Dagom parece ter sido chefe
do panteão filisteu (Jz 16.23; 1 Cr
10.10), que incluía a deusa Astarte (plural Astarote) (31.8-10) e o deus Baal-Zebul ("O Príncipe
Baal"). Baal-Zebul era adorado em
Ecrom, e seu nome era distorcido internacionalmente pelos israelitas para
formar Baal-Zebub ("senhor das moscas"; 2Rs 1.1-6, 16). A adoração de Dagom é atestada ainda no
período macabeu (século II a.C.; 1Mc 10.83, 84).
na casa de Dagom. No Oriente Médio antigo, o exército
vitorioso levava os deuses dos derrotados
e os depositiva no templo dos seus próprios deuses como sinal da
inferioridade e subordinação dos deuses conquistados. Embora a arca de Deus não fosse um ídolo, foi
tratada assim pelos filisteus.
* 5.3 Dagom com o rosto em terra. A deidade supostamente vitoriosa
está em posição de prestar homenagem à deidade ostensivelmente vencida (v. 2,
nota).
* 5.4 cabeça... mãos estavam cortadas. O dano específico ao ídolo deve ser
entendido à luz da prática comum na antigüidade de cortar a cabeça e as mãos
dos inimigos mortos (Jz 7.25; 8.6; 1Sm 17.54; 31.9; 2Sm 4.12).
* 5.5 pisam no limiar. Os limiares estão freqüentemente
investidos com significado especial, e a prática de não pisar no limiar de um
lugar sagrado era conhecida, senão mesmo aprovada, em Israel (Sf 1.9). Ligar o costume dos sacerdotes de Dagom com
esse incidente humilhante talvez visasse ridicularizá-los mais do que
transmitir informações a respeito da sua prática ritual.
até ao dia de hoje. Essa frase sugere um intervalo significante de
tempo entre o evento e o seu relato (cf. 6.18).
* 5.6 a mão do SENHOR castigou duramente. Ver v. 11 e as notas em vs. 1, 4;
2.9. O Senhor não é domado por amigos
nem inimigos. Recusando-se a ser
manipulado por Israel, Deus revelou a sua presença no território dos inimigos
de Israel (4.21). Ali, ele demonstrou a
sua soberania, e levou os filisteus a sentir o peso da sua mão em julgamento.
tumores. A explicação mais plausível para os
tumores é a de que eram sintomas da peste bubônica, transmitida por roedores.
* 5.8 os príncipes dos filisteus. Parece haver referência aos governantes de uma
aliança filistéia (4.1, nota), que podiam cooperar entre si em tempos de
emergência.
Gate. É debatida a localização de Gate,
mas a melhor candidata é Tell es-Safi, cerca de 20 km ao leste de Asdode. É
possível que o plano dos filisteus fosse o de remover a arca para outra cidade
na esperança de que a peste não irrompesse ali, e assim poder comprovar que era
por mera coincidência que a peste tinha sucedido em Asdode. Essa esperança foi dramaticamente esmagada
(v. 9).
* 5.10 os ecronintas exclamaram. Após a experiência fracassada em Gate, o povo
de Ecrom, pelo menos, já não tem dúvidas a respeito dos perigos de ficar com a
arca (v. 8, nota). Ecrom ficava 8 km
imediatamente ao norte de Gate, e das cidades principais do filisteus, era
aquela que ficava mais perto do território israelita.
* 5.11 Devolvei a arca. Os ecronitas, não podendo suportar
estar debaixo da forte "mão do SENHOR" (v. 6, nota), agora imploram
para que a arca seja devolvida "para o seu lugar."
* 6.1 Sete meses. Os eventos registrados no capítulo
anterior aconteceram, não em questão de dias, mas de meses. O número sete freqüentemente significa
integralidade.
* 6.2 adivinhadores. Juntamente com a feitiçaria e a magia (Nm
23.23), a adivinhação era explicitamente condenada em Israel (Dt 18.10, 14; Jr
27.9; Ez 13.23). Era praticada por
alguns dos vizinhos de Israel (Nm 22.7;
Ez 21.21).
Que faremos. Eles tinham o mesmo problema que
havia confrontado o povo de Asdode (5.8). Tentar mudar a arca de lugar em lugar
do território filisteu fracassou, e tornou-se claro que a única solução era
devolver a arca a Israel.
* 6.3 oferta pela culpa. A oferta visa reconhecer a culpa, e compensar
pelo delito de roubar a arca (v. 4).
* 6.5 Fazei umas imitações dos vossos
tumores. O procedimento
adotado pelos filisteus tinha vários propósitos. O ouro usado para os modelos era um tipo de
indenização por terem roubado a arca (v. 4), ao passo que as imitações dos
tumores e dos ratos eram provavelmente uma forma de magia. O propósito declarado pelos filisteus, porém,
era "dar glória" ao Deus de Israel.
Com essa proclamação, a narrativa da arca quase completa o seu
circuito. Foi porque Israel deixara de honrar
o Senhor e de lidar corretamente com a arca que Deus a removera do seu povo.
do vosso deus. O tratamento opressivo que o Senhor
aplicou aos deuses dos filisteus é como seu tratamento aos "deuses do
Egito" (Êx 12.12). Conforme indica o versículo seguinte, os próprios
filisteus pereceberam essa comparação.
* 6.6 Por que, pois, endureceríeis o
coração. Formas da
palavra hebraica traduzida por "endurecer" nesta frase acham-se
freqüentemente na história da rejeição do sacerdócio de Eli e da perda da
arca. Noutros contextos, a palavra é
traduzida por "glória" (v. 5;
4.21), e "honra" (ver 2.29 e nota).
depois de os haverem tratado tão
mal. Ou
"abusado deles", ou "feito grandes coisas entre eles." A
mesma expressão é usada em 31.4; Êx
10.2; Jr 38.19.
* 6.7-9 Um texto antigo de ritual heteu revela
alguns paralelos com o procedimento descrito nestes versículos. No ritual heteu, o alívio de uma peste que,
segundo se pensava, tinha sido causada por algum deus inimigo é buscado através
da coroação cerimonial de um carneiro a fim de pacificar o deus inimigo, para
então tanger o carneiro ao longo de uma estrada que leva ao território
inimigo. Na versão filistéia, o motivo
de escolher vacas que nunca tinham sido submetidas ao jugo, e de separá-las dos
seus bezerros, parece ser para garantir que se as vacas realmente seguissem na
direção de Israel, não seria por causas naturais, nem por coincidência, mas
pela influência do Deus de Israel.
* 6.9 Bete-Semes. Lit.
"Casa do Sol." Um entre vários lugares em Israel com este
nome, esta Bete-Semes tem sido identificada com Tell er-Rumeileh, uns 12 km ao
leste de Ecrom (5.10, nota). Bete-Semes
era uma cidade fronteiriça (v. 12; Js
15.10), freqüentemente sendo disputada pelos filisteus e israelitas (2Cr
28.18).
* 6.12 andando e berrando. Obviamente não contentes em
deixarem seus bezerros para trás, as vacas nem por isso se desviaram do seu
caminho ordenado por Deus.
* 6.13 a sega do trigo. Ver 12.17, nota.
* 6.14 Josué, o bete-semita. Embora esse Josué não seja
mencionado noutra parte da Bíblia, seu campo e a grande pedra nele localizada
eram aparentemente bem conhecidos na ocasião em que foi escrita a presente
narrativa (v. 18).
holocausto. Ver nota em 10.8.
* 6.15 levitas. Bete-Semes era atribuída aos levitas;
especificamente aos descendentes de Arão (Js 21.16).
e os puseram sobre a grande
pedra. Essa rocha
foi usada como um pedestal para a arca e os objetos de ouro, e não como um
altar improvisado.
* 6.18 até ao dia de hoje. Ver nota
no v. 14.
* 6.19 olharam para dentro da arca. Ver Nm 4.5, 20. O manuseio presunçoso da arca levara à sua
perda, e um delito semelhante deve agora ser castigado na ocasião da sua
devolução. O problema de manusear a arca
de modo impróprio surgirá de novo em 2Sm 6.
* 6.20 Quem poderia estar. Cf. Êx 9.11.
* 6.21 Quiriate-Jearim. Localizada uns 15 km ao nordeste de
Bete-Semes, Quiriate-Jearim também é chamada Quiriate-Baal (Js 15.60;
18.14), Baalá (Js 15.9), e Baalim de
Judá (2Sm 6.2).
* 7.2 vinte anos... lamentações ao SENHOR. À luz da referência de Samuel a
"deuses estranhos" entre os israelitas (v. 3), parece que foi somente
no fim desses vinte anos que Israel começou a buscar o Senhor.
* 7.3 preparai o vosso coração ao SENHOR... e
ele vos livrará. O ciclo da
apostasia, da opressão, do arrependimento e do livramento que era tão típico no
Livro dos Juízes (Jz 3.7-9) é repetido
nos eventos deste capítulo.
* 7.4 os Baalins e os Astarotes. Ver notas em 5.2; 31.10.
* 7.5 Mispa.
Uma cidade em Benjamim, quase 12 km ao norte de Jerusalém e
13 km ao nordeste de Quiriate-Jearim, Mispa desempenhou um papel de destaque em
Israel antes da monarquia (10.17; Jz 20.1; 21.1, 5, 8). Era uma das paradas regulares no circuito de
Samuel (v. 16). O nome, que significa
algo como "lugar de vigia," subentende um ponto alto estratégico para
ver a circunvizinhança, e foi dado a vários locais (p.ex., 22.3).
* 7.6 tiraram água e a derramaram perante o
SENHOR. Embora essa
ação não tenha paralelo em outros trechos das Escrituras, parece significar
arrependimento e, juntamente com o jejum, o desejo de buscar a Deus com
sinceridade (cf. 1.15; Sl 62.8; Lm 2.19).
A ação de Davi em 2Sm 23.16 ocorre num contexto diferente e tem um
significado diferente.
Pecamos contra o SENHOR. As palavras e as ações (v. 4) dos israelitas
dão evidência do verdadeiro arrependimento.
O tempo já está próximo para o Senhor libertar seu povo dos seus
opressores filisteus. A reação dos
filisteus diante dessa convocação em Mispa (v. 7) oferece uma oportunidade para
esse livramento.
* 7.8 clamar ao SENHOR. No livro dos Juízes,
"clamar" ao Senhor era atendido mediante um libertador que o Senhor
suscitaria (Jz 3.9, 15). Aqui, as
funções de Samuel são as de intercessor e intermediário, enquanto a vitória
seja claramente obra do Senhor (v. 10).
* 7.9 holocausto. Ver nota em 10.8.
* 7.10
trovejou o SENHOR... sobre os
filisteus. Essa
declaração relembra dramaticamente as palavras que Ana proferira
anteriormente: "Os que contendem
com o SENHOR são quebrantados; dos céus
troveja contra eles" (2.10; cf. 2Sm 22.14). Essas palavras de Ana foram imediatamente
antecedidas por esta declaração dela:
"o homem não prevalece pela força" (2.9). A força humana pesa pouco na balança quando o
Senhor resolve agir.
* 7.11 Bete-Car.
Sua localização é desconhecida.
* 7.12 Ebenézer.
Um local diferente daquele mencionado em 4.1 (nota) e em 5.1;
mesmo assim, este Ebenézer não deixa de relembrar o episódio anterior quando,
então, os israelitas tentaram manipular seu Deus ao levar a arca à batalha, só
para serem totalmente derrotados. Agora,
Deus lhes deu uma grande vitória sobre os mesmos inimigos. Samuel levanta uma pedra memorial com o nome
de Ebenézer ("Pedra de Socorro"), não somente para comemorar a
vitória, mas também como lembrete dos resultados diferentes trazidos pela
presunção, por um lado, e pelo arrependimento, por outro.
Até aqui nos ajudou o SENHOR. A expressão significa que o Senhor
tinha estado com eles por toda a caminhada "até este lugar," ou
"até esta hora."
* 7.13 nunca mais vieram ao território de
Israel. A
referência aqui é quanto à situação tática e não à posterior história de
Israel. Os filisteus foram derrotados de
modo convincente e não tentaram nenhum contra-ataque (compare 2Sm 2.28 com 3.1; também 2Rs 6.23 com 6.24), mas isso não
exclui agressões filistéias subseqüentes (9.16; 10.5; 13.3; 14.52).
a mão do SENHOR foi contra eles [os
filisteus]. O que Deus
fizera enquanto a arca esteve no território dos filisteus (5.4, 6; 6.5 e
notas), ele agora continua mediante a liderança de Samuel. No decurso da vida
de Samuel, Deus continuou a dar a Israel a vitória, embora as batalhas às vezes
fossem renhidas (14.52). A derrota
narrada no cap. 31 veio somente depois da morte de Samuel (25.1).
* 7.16 Betel.
16 km ao norte de Jerusalém.
Gilgal. Gilgal
ficava provavelmente no vale do Jordão, perto de Jericó (Js 5.10).
Mispa. Ver nota em 7.5.
7.17 Ramá. Ver nota em
1.1.
* 8.5 constitui-nos, pois, agora, um rei. Os motivos
apresentados pelos anciãos para desejarem
um rei, embora fossem aceitáveis em si mesmos (segundo confirma o narrador nos
vs. 1-3), são realmente um pretexto; o
que realmente queriam era ser "como todas as nações" (cf. v. 20).
* 8.7 não te rejeitou a ti. Posto que os anciãos colocam seu pedido
em termos de "um rei... para que nos governe" (v. 5, nota), Samuel
inicialmente interpreta essa petição em termos de um ataque contra sua própria
liderança (v. 6). Mas o Senhor lhe
indica que a afronta é muito mais grave do que isso.
rejeitou... a mim. O ultraje no pedido dos anciãos acha-se, não
no conceito da monarquia humana por si só, pois havia muito tempo desde que a
monarquia em Israel tinha sido prevista (2.10, nota) mas, sim, no rompimento do
relacionamento pactual com Deus. O
pecado deles foi o de rejeitar a Deus como seu Rei, e de querer, pelo
contrário, um monarca humano (10.19; 12.12-20;
contrastar a recusa de Gideão em Jz 8.23).
* 8.10 que lhe pedia um rei. Pela segunda vez em 1 Samuel, um indivíduo é
"pedido." O indivíduo concedido
como resposta ao primeiro pedido foi Samuel (1.20, nota), e é Saul (cujo nome é
baseado na raiz hebraica que significa "pedir") que será dado como
resposta ao segundo pedido.
* 8.11 Este será o direito do rei. Os vizinhos cananeus de Israel, bem
como muitos dos reis israelitas foram culpados de práticas opressivas como
aquelas que são descritas nos vs. 11-17.
carros. Ver 2Sm 8.4; 15.1; 1Rs 4.26; 10.26-29.
corram adiante deles. Compare as ações de Absalão em 2Sm
15.1 com Adonias em 1Rs 1.5.
* 8.14 lavouras... vinhas. Ver nota em 22.7.
* 8.15-17 dizimará.
As exigências do rei ou tirarão daquilo que pertence ao
Senhor (Lv 27.30-32; Dt 14.22, 28), ou criarão um novo fardo de impostos para os
seus súditos.
* 8.18 vosso rei. Ver 12.13 e contrastar com 16.1.
mas o SENHOR não vos ouvirá. A julgar pelas conseqüências, rejeitar o
Senhor em favor de um rei humano é o equivalente moral e religioso de abandonar
o Senhor a fim de servir a outros deuses (Jz 10.10-14).
* 8.20 como todas as nações. Ver nota no v. 5.
fazer as nossas guerras. A serem constrastadas com "as
guerras do SENHOR" (18.17; 25.28).
* 8.22 Atende à sua voz, e estabelece-lhe um
rei. A acolhida pelo Senhor do
pedido pecaminoso do povo a essas alturas da narrativa, deixa o leitor
perplexo. Se é pecaminoso esse desejo do
povo que pede um rei, e se equivale a uma rejeição de Deus como rei (vs. 7, 18
e notas), como Deus pode concedê-lo? Uma
resposta acha-se nos padrões de monarquia aceitável que o Senhor estabelecerá. Deus está graciosamente disposto a dar ao povo
um rei, e até mesmo a abençoá-lo, mas não o tipo de rei que o povo tem em mente
(10.1, 7, 8 e notas). Ao mesmo tempo,
por terem adotado a monarquia em incredulidade, vieram a padecer debaixo de
reis como aqueles das nações pagãs.
Volte cada um para sua cidade. Samuel, ao mandar para casa os homens de
Israel, subentende que estabelecer um rei requererá certa preparação. O decurso dessa preparação será narrado nos
capítulos que se seguem.
* 9.1 homem de bens. O versículo inicial do relato das
aventuras de Saul tem semelhança de forma com o início da narrativa do
nascimento de Samuel (1.1). Nos dois
casos, o pai da personagem principal é apresentado com referências genealógicas
suficientes para sugerir um homem de posição.
Também na apresentação de Samuel somos informados a respeito da
observância religiosa fiel do pai (1.3-5), ao passo que no presente relato
passamos a conhecer imediatamente Saul (v. 2), e o enfoque permanece
exclusivamente em qualidades externas.
* 9.2 filho... moço... belo. A ênfase dessa descrição é a
estatura física de Saul e sua aparência impressionante. Compare com a descrição de Absalão em 2Sm
14.25, 26.
* 9.6 Nesta cidade há um homem de Deus. Que Saul não tem consciência da presença
e da reputação do homem de Deus, ou que não pensou em consultá-lo, reflete
negativamente sobre seu julgamento.
tudo quanto ele diz, sucede. O homem de Deus é Samuel, de quem
foi dito em 3.19 que o Senhor deixou nenhuma de todas as suas palavras cair em
terra.
* 9.7 presente não temos que levar ao homem de
Deus. Josefo (Antigüidades
6.4.1) interpreta as palavras de Saul como sinal de que ignorava que um profeta
verdadeiro não aceitaria pagamento. Os
escritos dos profetas de Israel revelam desdém por aqueles que profetizam por
dinheiro (Mq 3.5, 11), embora haja várias referências a bens sendo oferecidos
em troca de favores proféticos (p.ex., 1Rs 14.3; 2Rs 4.42; 8.8). Em dois casos o pagamento é explicitamente
recusado (1Rs 13.7-9; 2Rs 5.15, 16), e
em certa ocasião em que bens são aceitos, o pagamento não beneficia
pessoalmente o profeta, mas é distribuído entre o povo (2Rs 4.42).
* 9.9 ao profeta... antigamente, se chamava
vidente. Os termos
são sinônimos.
* 9.12 Elas responderam. No hebraico, os vs. 12, 13 transmitem emoção
e animação quando as moças conclamam Saul a subir depressa à cidade, onde
chegará na hora certa de se encontrar com Samuel.
no alto. Embora fosse reconhecido que
semelhantes lugares altos (freqüentemente locais da adoração cananéia) postulavam uma nítida ameaça contra a pureza
da adoração israelita (p.ex., Lv 26.30;
Nm 33.52; Dt 12.2, 3; Jr 2.20),
fica aparente em trechos semelhantes a este que a adoração a Javé, às
vezes, era dirigida ali, especialmente durante o primeiro período da monarquia
(10.5; 1Rs 3.2-4). Semelhantes cultos podem ter se tornado
necessários pela perda do santuário em Silo (1.3, nota). Depois da divisão do reino, a adoração no
"altos" era um problema grave tanto no norte (1Rs 12.31, 32;
13.32-34) quanto no sul (1Rs 14.22-24).
A remoção dos "altos" foi um dos alvos principais dos
movimentos de reforma dirigidos pelos reis do sul, tais como Ezequias (2Rs
18.4) e Josias (2Rs 23.5).
* 9.16 o qual ungirás. Ver nota em 2.10.
príncipe. A palavra
parece ser um título para "alguém designado para reinar" (cf. seu uso
com referência a Salomão como príncipe herdeiro em 1Rs 1.35). A tarefa de Saul no contexto imediato é
libertar Israel dos filisteus e, no contexto do cap. 8, a pressuposição lógica
é a de que ele passará a ser rei.
filisteus. Ver nota em 4.1.
* 9.18 Saul se chegou a Samuel. O fato de que Saul não reconheceu Samuel é um
indício perturbador da insensibilidade e descuido espirituais que
caracterizarão Saul cada vez mais à medida em que a narrativa progride.
* 9.20 tudo o que é precioso em Israel. Essa expressão [também pode ser
compreendida como: "todo o desejo de Israel"] talvez sugira que Saul
é exatamente o tipo de rei que o povo deseja no cap. 8.
* 9.24 Tomou... a coxa... e a pôs diante de Saul.
O tratamento dado a Saul ilustra,
não somente a mudança de sua condição social que acabara de ser elevada, mas
também a previsão que Samuel, com a ajuda divina, fizera da sua chegada (vs.
15, 16).
* 10.1 te ungiu... por príncipe. Ver nota em 9.16.
sua herança. Ver 9.16 ("meu povo de
Israel"); 2Sm 20.19 e nota; Dt 32.9.
A disposição de Deus de conceder ao povo um rei humano não significa que
ele abriu mão do seu domínio sobre seu próprio povo, Israel. O rei constituído sempre era subordinado a
Deus.
* 10.2-6 As palavras de Samuel serão
confirmadas para Saul à medida que a seqüência de eventos se cumpre na ordem
prevista. Finalmente, Saul ficará
debaixo do poder do Espírito (vs. 5, 6).
* 10.5 a guarnição dos filisteus. A alusão a uma "guarnição dos
filisteus" prenuncia a tarefa que aguarda aquele que foi designado para
livrar o povo de Deus dos filisteus (9.16).
Quanto à colocação de guarnições nos territórios sujeitados, ver a
prática de Davi em 2Sm 8.6.
grupo de profetas. Samuel está associado com um grupo de
profetas em 19.20, onde ele é tido como seu líder. Note a associação semelhante entre Eliseu e
os "filhos dos profetas" e 2 Rs 2; 6.1; 9.1; etc. Esses grupos proféticos parecem ter sido
compostos de defensores da religião verdadeira em tempos de apostasia e
indiferença espiritual generalizadas.
profetizando. A profecia no Antigo Testamento é
freqüentemente, mas não exclusivamente, associada com a entrega de uma mensagem
(ver o papel de Arão como "profeta" ou porta-voz de Moisés em Êx
7.1; e compare Ez 21.19; Am 3.8).
Os profetas de Deus eram os seus mensageiros (2 Sm 7.1-5; 12.1;
24.11-12). Em alguns lugares, a profecia
está associada com a música (Êx 15.20, 21;
1Cr 25.1). A profecia em vista
aqui parece ser a de louvar a Deus e exortar o povo, com acompanhamento
musical.
* 10.6 O Espírito do SENHOR se apossará de
ti. Ver v. 10; 11.6, nota.
A atividade do Espírito com Sansão é expressa em termos idênticos (Jz
14.6, 19; 15.14). Embora o Espírito tivesse sido posteriormente
retirado de Saul (cf. 16.14; 18.10), Davi foi revestido do Espírito de modo
permanente (16.13). Freqüentemente no
Antigo Testamento a outorga do Espírito é um revestimento de uma pessoa pelo
poder de Deus para uma tarefa específica.
De maneira inversa, Deus pode enviar um espírito de mentira (1Rs 22.23)
ou um espírito maligno! (16.14-16, 23; 18.10; 19.9; Jz 9.23).
* 10.7 faze o que a ocasião te pedir. À luz da comissão geral de Saul, de
livrar Israel dos filisteus (9.16) e da menção específica por Samuel de um
símbolo visível do domínio filisteu no local do terceiro e último sinal (v. 5),
as palavras de Samuel podiam ser interpretadas no sentido de Saul corresponder
à sua unção atacando o posto avançado dos filisteus. No caso, essa possibilidade não foi
concretizada. As palavras de Samuel
também podem ser interpretadas como sendo um encorajamento para Saul se
submeter à influência profética mencionada no v. 6.
* 10.8 descerás adiante de mim a Gilgal. Depois de Saul ter feito "o
que a ocasião pedir," deve se reunir com Samuel em Gilgal, para este
oferecer sacrifícios e dar mais instruções a Saul.
holocaustos. Uma descrição completa do ritual do
holocausto pode ser vista em Lv 1.3-17.
Os holocaustos também são mencionados em 6.14, 15; 7.9, 10; 13.9, 12;
15.22; 2 Sm 6.17, 18; 24.22-25.
ofertas pacíficas. A oferta de comunhão é descrita em
Lv 3, e é mencionada pela primeira vez em Êx 20.24. Outras referências em Samuel às ofertas de
comunhão são: 11.15; 13.9; 2Sm 6.17, 18; 24.25.
* 10.9 Deus lhe mudou o coração. A linguagem é semelhante a Ez
11.19; 36.26, e talvez até mesmo a João 3.3 (ver também Jr 31.31). Entretanto é difícil definir com exatidão
qual foi a experiência de Saul.
* 10.11 também Saul entre os profetas? O provérbio (v. 12) expressa
surpresa diante de algo muito improvável.
Os circunstantes que conheciam Saul ficam surpreendidos ao vê-lo
associando-se com entusiastas religiosos.
* 10.12 quem é o pai deles? Visto que os líderes dos grupos
proféticos eram às vezes chamados "Pai" (2Rs 2.12; 6.21), essa
pergunta pode significar a tentativa de se procurar o líder desse grupo
específico. Se, por outro lado, os
circunstantes desprezavam a profecia, sua surpresa poderia ser porque um homem
tal como Saul, de boa família e reputação social, se associaria com tais
"loucos" (cf. 2Rs 9.11), cujos pais eram inferiores ao dele. Ainda outra possibilidade é que a pergunta
signifique que o "Pai" ou origem dos grupos proféticos não segue
regras normais, e que Saul, por mais improvável que seja, tenha achado um lugar
entre eles. Ver "Profetas" em
índice.
* 10.14-16 O significado desse diálogo tem
deixado os comentaristas perplexos por muito tempo. Alguns entendem que a relutância de Saul em
mencionar o reino (v. 16) era um sinal de sua humildade.
* 10.17 Convocou Samuel o povo. A escolha que o Senhor fizera de Saul agora é
tornada pública em Mispa, aparentemente lançando sortes ou usando o Urim e
Tumim (v. 20 e nota).
* 10.20 foi indicada por sorte a de Benjamim. Lançar sortes foi provavelmente o
método da seleção (cf. Lv 16.8-10; Nm 26.55) e pode ter envolvido o Urim e o
Tumim (2.28; Êx 28.30, nota; Nm 27.21; Dt 33.8).
* 10.22 escondido entre a bagagem. O Senhor seleciona Saul embora este não esteja
imediatamente presente. Algo semelhante
ocorre com Davi (16.11).
* 10.25 o direito do reino. Uma expressão semelhante em 8.9-11 refere-se
às conseqüências negativas de se ter um rei.
Aqui, significa os regulamentos que um rei deve seguir (Dt 17.14-20; 2Rs
11.12, nota).
e o pôs perante o SENHOR. Ver Dt 31.26; Js 24.26.
* 10.27 Como poderá este homem salvar-nos? Os que levantam essa dúvida são
rebeldes porque lançam dúvidas contra o processo de seleção dirigido pelo
Senhor.
* 11.1 Naás, amonita. Os amonitas, descendentes de Ló, eram um povo
semítico (Gn 19.38; Dt 2.19) cujo reino estava estabelecido ao lado leste do
Jordão, ao sul do rio Jaboque. Embora os
amonitas às vezes ficassem em paz com Israel (2Sm 10.2), freqüentemente
exerciam pressões na fronteira oriental de Israel (Jz 3.13; 11.4-32), assim como faziam os filisteus ao
oeste. Segundo os Rolos do Mar Morto e
Josefo (Antigüidades 6.5.1), o cerco de Jabes-Gileade fazia parte de uma
campanha maior por Naás.
Jabes-Gileade. Uma cidade principal no território
que provavelmente pertencia a Gade, Jabes-Gileade ficava ao leste do rio
Jordão, quase 36 km ao sul do mar de Quinerete (Galiléia).
* 11.2 vos serem vazados os olhos direitos. Embora a razão declarada para
semelhante tratamento fosse "trazer... vergonha sobre todo o Israel,"
Josefo (Antigüidades 6.5.1) observa que a perda do olho direito
impossibilitaria o serviço militar, posto que a visão do olho esquerdo ficava
escondida pelo escudo.
* 11.3 nos entregaremos a ti. Embora os anciãos de Jabes
claramente pretendam que Naás entenda suas palavras como uma rendição, o verbo
hebraico aqui empregado é freqüentemente usado no sentido de soldados
"saindo" à batalha (8.20;
18.30; 2 Sm 18.2-4, 6). Quando, no v. 10, os homens de Jabes
prometem, novamente, que "sairão" aos amonitas, vemos certa ironia,
porque os amonitas ainda estão pensando em termos de rendição, quando a
verdadeira intenção é a de atacar.
* 11.6 o Espírito de Deus se apossou de
Saul. Essa frase relembra a
atividade do Espírito com Sansão (10.6, nota), só que aqui (como também em
10.10) "Deus" consta no lugar
do nome pessoal "SENHOR."
* 11.7 cortou-os em pedaços. A ação de Saul toscamente forma um
paralelo com a do levita em Jz 19. O
pecado do levita era bem conhecido, e a comparação não serviria de elogio para
Saul.
e a Samuel. Ver notas em 10.1, 7, 8.
* 11.8
Bezeque. Localizada
uns 14 km ao oeste do rio Jordão, do outro lado de onde estava
Jabes-Gileade.
filhos de Israel... homens de Judá. Até mesmo antes da divisão do reino (1Rs 12),
era freqüentemente feita uma distinção entre as tribos do norte e do sul
(17.52; 18.16; 2Sm 2.10; 3.10; 5.5;
11.11; 12.8; 19.11, 40-43; 20.2; 21.2; 24.1, 9).
* 11.10 nos entregaremos a vós outros. Ver nota no v. 3.
* 11.11 três companhias. Ver 13.17; Jz 7.16; 9.43;
2Sm 18.2.
pela vigília da manhã. Entre 2:00 e 6:00 da madrugada,
tirando proveito da escuridão como escudo.
* 11.12 Trazei-os.
A referência inclui, mas talvez não esteja limitada aos
"filhos de Belial" em 10.27.
* 11.13 o SENHOR salvou a Israel. Saul
interrompe uma pergunta dirigida a Samuel com uma confissão que denota o ponto
alto da sua própria vida. Sua anistia ou perdão daqueles rebeldes (10.27) que o
rejeitaram pode possivelmente ser comparado com sua relutância em matar Agague
e os rebanhos de Amaleque (15.9), se for considerado como uma recusa de cumprir
os aspectos mais severos de uma comissão divina.
* 11.14 vamos a Gilgal e renovemos ali o reino. Em certo nível, trata-se do
processo da ascesão de Saul ao trono que agora pode ser retomado (v. 15, nota),
mas num nível mais profundo é o reino contínuo do Senhor que deve ser renovado
(cap. 12).
Gilgal. Ver nota em 13.4.
* 11.15 proclamaram Saul seu rei. A análise da ascensão de uma pessoa no Israel
antigo a uma posição de liderança divide-se num processo de três passos: (a) a
designação como tendo sido a escolha do Senhor;
(b) uma demonstração de bravura e
de ter recebido poder da parte do Senhor, ao realizar uma façanha heróica; e (c) a confirmação pelo povo. Saul fora designado por Samuel, e tivera uma
experiência profética (cap. 10). Embora
pudesse ter atacado imediatamente a guarnição filistéia em Gibeá (10.5, 8)
ganha pouco depois uma vitória importante ao libertar Jabes-Gileade (v. 13). Passa, então, a ser coroado em Gilgal.
ofertas de paz. Ver nota
em 10.8.
* 12.1 constituí sobre vós um rei. O processo da ascesão ao trono foi
completado, e o discurso de Samuel no cap. 12 marca o fim do período dos
juízes.
* 12.3-15 Samuel apresenta três argumentos para
compelir o povo a reconhecer a sua própria culpa em pedir um rei. Primeiro, convida o povo a concordar que ele
tinha sido um líder inculpável (vs. 4, 5).
Segundo, ressalta que no passado sempre tinha sido o Senhor que nomeava
líderes (v. 6), e que estes sempre tinham revelado ser plenamente adequados
(vs. 7, 8). Terceiro, enfatiza que mesmo
quando os israelitas "se esqueceram do SENHOR, seu Deus", o Senhor
fora gracioso para com eles. Embora ele
os sujeitasse à opressão dos inimigos (v. 9), atendia suas confissões de pecado
e seus rogos por livramento (v. 10), e suscitava juízes, entre os quais havia o
próprio Samuel (v. 11). Dentro desse
contexto da suficiência da provisão do Senhor, a exigência do povo em ter um
rei humano, embora o próprio Senhor fosse seu rei (v. 12), pode ser considerada
rebelião (8.7). Mesmo assim, a monarquia
pode ter sucesso, se tanto o rei quanto o povo temer ao SENHOR, e o servir, e
lhe atender à voz (v. 14).
* 12.3 seu
ungido. Ver nota em 2.10. A unção de Saul é ordenada em 9.16 e
realizada em 10.1.
de quem tomei o boi... o
jumento? O boi e o
jumento, possessões valiosas nos tempos bíblicos, são mencionados no décimo
mandamento como objetos típicos da cobiça (Êx 20.17; Dt 5.21).
* 12.7 pleitearei convosco. Samuel pessoalmente se apresentara
como réu, e fora inocentado (vs. 3-5);
agora desempenha o papel de promotor, e o povo se torna o réu. Seu crime é o de ter desejado ter um rei, em
total desrespeito para com todos os “atos de justiça” do Senhor durante todo o
período do Êxodo e dos Juízes (vs. 7-11).
* 12.12 Vendo vós que Naás, rei dos filhos de Amom,
vinha contra vós outros. Embora o fato
não seja explicitamente mencionado no cap. 8, é possível que a ameaça dos
amonitas já tenha sido motivo de preocupação naquela ocasião (11.1, nota). Alternativamente, Samuel pode ter meramente
citado o episódio com os amonitas como sendo o exemplo mais recente da
tendência infiel do povo de buscar a ajuda dos homens, e não de Deus. Saul pessoalmente deu ao Senhor todo o
crédito pela vitória (11.13).
* 12.13 o rei que elegestes. Ver 8.18 e contrastar com 16.1.
e que pedistes. Ver 8.10, nota.
* 12.14 Se temerdes ao SENHOR. Uma condição prévia fundamental
para a bênção segundo a aliança, nos dias de Moisés (Dt 6.2, 24; 10.12; 31.12,
13), nos dias de Josué (Js 4.24; 24.14), e agora na nova era da monarquia, o
"temor ao SENHOR" significa reverência diante dele e dar-lhe a honra
e obediência a que lhe pertencem como Deus e como Pai gracioso.
* 12.16-19 Tendo pleiteado a sua causa contra
o povo nos vs. 3-15, Samuel passa a invocar um sinal dramático para reforçar
sua declaração da culpa do povo. O sinal
produz o resultado desejado, e o povo se arrepende porque "a todos os
nossos pecados acrescentamos o mal de pedir para nós um rei" (v. 19). Quanto aos sinais que acompanham as
declarações proféticas, ver 2.34, nota.
* 12.17 sega do trigo. O trigo era provavelmente segado em maio e
junho, no começo da estação seca de Israel.
* 12.20-25 Tendo visto o arrependimento do
povo, Samuel os conforta: "Não
temais," e os desafia a renovar a sua dedicação a Deus (v. 20).
* 12.23 orar por vós... vos ensinarei. As responsabilidades de Samuel no
reino incluirão a intercessão e instrução (12.1, nota; para outros deveres de
Samuel ver 10.8).
* 12.24 temei ao SENHOR. Ver nota no v. 14.
de todo o vosso coração. Ver v. 20; 16.7.
* 13.1—14.52 Começa oficialmente o reinado de Saul. Compare a informação cronológica de 13.1 com
fórmulas semelhantes em 2Sm 2.10; 5.4; 1Rs 14.21; 22.42). A narrativa se volta para os embates iniciais
entre Saul e os filisteus, que eram uma ameaça contínua contra Israel.
* 13.1 É provável que Saul tenha reinado cerca de
vinte anos, e a cifra "quarenta" em Atos 13.21 seria um número
redondo com o significado de "um tempo prolongado." Ver a cronologia
na Introdução: Data e Ocasião.
* 13.2 Micmás. Uns 7 km ao sudeste de Betel no lado norte de
Uádi Suwenet, um vale formado por uma torrente que flui na estação das chuvas,
e que era usado para viagens entre o vale do Jordão e as terras altas centrais.
Gibeá de Benjamim. Pode se tratar da Gibeá a uns 5 km
ao norte de Jerusalém, ou possivelmente tenha sido uma aldeia voltada para o
vale de Micmás do lado sul do Uádi Suwenet.
* 13.3 Jônatas derrotou a guarnição... em Gibeá. Talvez seja a mesma guarnição em cujas
redondezas Saul profetizara.
fez tocar a trombeta. As trombetas eram usadas na guerra
como modo de sinalização (2Sm 2.28; 18.16; 20.1).
hebreus. Ver nota em 4.6.
13.4 Gilgal. Saul reage
à crise precipitada por Jônatas (v. 3), reunindo o povo em Gilgal de
conformidade com as instruções de Samuel (10.8). A posição de Gilgal no vale do Jordão perto
de Jericó colocou-a fora do controle imediato dos filisteus, e assim era um
local estratégico para uma mobilização geral.
Gilgal desempenhara um papel de destaque na história anterior de Israel
(Js 4.19, 20; 5.10; 9.6; 10.6-15, 43; 1Sm 7.16; 11.14).
* 13.7 o povo. Trata-se das pessoas mobilizadas no v. 4, e
não das tropas que já estavam em ação no v. 2.
* 13.8 o prazo determinado por Samuel. Samuel tinha especificado
previamente sete dias (10.8).
* 13.9 o holocausto e ofertas pacíficas. Ver 10.8, nota.
* 13.11 Que fizeste?
Ver nota em 2.27-36.
Vendo. Da perspectiva puramente humana, as desculpas
de Saul pareceriam ter algum valor.
Entretanto elas não levam em conta a liberdade de Deus para agir em prol
do seu povo, segundo a confirmação dada pelo testemunho de Jônatas em 14.6.
* 13.13 Procedeste nesciamente. Essa expressão hebraica subentende
o fracasso tanto intelectual quanto moral.
Para uma confrontação semelhante entre um profeta e um rei, ver 2Cr
16.7-9.
em não guardar o mandamento. Nesse contexto, Saul transgredira ao oferecer
sacrifícios pela sua própria autoridade.
* 13.14 não subsistirá o teu reino. As esperanças que Saul tinha de
estabelecer uma dinastia foram desfeitas, mas o próprio Saul ainda não será
deposto (15.23).
um homem que lhe agrada. A frase pode ser interpretada
"um homem da sua própria escolha," ressaltando a eleição soberana da
parte de Deus. Mesmo assim, à luz de
textos bíblicos tais como 2.35 e 16.7, o texto também diz que Davi, o escolhido
do Senhor, "era segundo o coração de Deus" no sentido de estar
dedicado à sua vontade e aos seus propósitos.
* 13.15 Então, se levantou Samuel. Por causa das ações estultas de Saul, parece
que Samuel partiu sem dar mais instruções a ele (10.8). O texto mais longo na Septuaginta (a antiga
tradução grega do Antigo Testamento; ver a referência lateral) é provavelmente
correto, e sugere que depois de Samuel partir, Saul voltou a ficar com Jônatas
em Geba (v. 2, nota; v. 16, nota).
* 13.16 Geba. Ver
referência lateral. Outra leitura possível é "Gibeá" (v.2, nota).
* 13.17 saqueadores saíram... em três tropas. Grupos de assalto aterrorizavam e saqueavam,
além de manter a pressão militar mediante o reconhecimento e o controle de vias
de acesso importantes.
* 13.19-21 Aos israelitas faltavam armas, e até
mesmo dependiam dos filisteus para afiar seus instrumentos agrícolas. As evidências arqueológicas sugerem que os
filisteus aprenderam a forjar ferro antes dos seus vizinhos.
* 13.22 com Saul e com Jônatas, seu filho. Esse fato lança as esperanças de Israel em
duas pessoas em particular, e o capítulo seguinte faz uma comparação entre
elas, deixando Saul em desvantagem.
* 14.1 Porém não o fez saber a seu pai. Jônatas, ao resolver não contar ao
seu pai a respeito do seu plano ousado, talvez dê a entender sua falta de
confiança neste (cf. a reação semelhante de Abigail diante da atitude do marido
Nabal em 25.19).
14.3 filho de Aitube, irmão de Icabode. A presença de um membro da casa
sacerdotal de Eli, rejeitada por Deus (2.30) no arraial de Saul traz à memória
a rejeição recente da própria casa real de Saul.
trazia a estola sacerdotal. A presença no arraial de Saul da
estola sacerdotal, que era usada para indagar a vontade de Deus (2.28 nota), encoraja a expectativa de que a
usará para pedir a orientação divina, conforme fez Davi em data posterior
(23.9-12; 30.7-8). Nesse caso, no
entanto, Saul deixa por conta de Jônatas a tarefa de descobrir a vontade do
Senhor (v. 10, nota). No v. 19 (nota)
Saul demonstra uma falta de respeito para com a estola sacerdotal; e, mais
tarde, ataca de modo selvagem aqueles cujo dever é cuidar da estola sacerdotal
e zelar pelo seu devido uso (22.18; cf. 21.19).
No fim, os esforços de Saul para descobrir a vontade do Senhor recebem
só o silêncio como resposta (28.6, nota).
* 14.4 Bozez... Sené. Esses nomes significam,
possivelmente, "escorregadio" e "espinhoso" e assim
dramatizam o desafio que Jônatas tinha diante dele.
* 14.6 incircuncisos. Os incircuncisos eram pessoas que, assim como
os filisteus, estavam fora da aliança com Deus (Gn 17.14; Êx 12.48; Jz 14.3;
15.18).
para o SENHOR nenhum impedimento há
de livrar. Compare a
confiança de Davi em 17.47. Embora o narrador
não ofereça nenhuma crítica à desculpa de Saul em 13.11 (que "o povo ia se
espalhando," etc.), a confissão corajosa de Jônatas serve de comentário
indireto sobre a mediocridade daquela desculpa.
* 14.10 Isto nos servirá de sinal. Jônatas
não quer adiantar-se sem a aprovação do Senhor.
Nisto, é mais fiel do que o seu pai, que parece demonstrar cada vez
menos compromisso com a busca da orientação divina (13.8-15; 14.18, 19, 36 e
notas).
* 14.11 hebreus.
Ver nota em 4.6.
* 14.18 arca de Deus.
Ver referência lateral. A Septuaginta (antiga tradução grega
do Antigo Testamento) contém o termo "estola sacerdotal" o que é
provavelmente correto, pois essa estola sacerdotal estava claramente presente
em Gibeá (v. 3, nota) e era usada para inquirir do Senhor (2.28, nota). O texto existente em hebraico,
"arca," é duvidoso, porque a arca estava em Quiriate-Jearim nessa
ocasião (7.1,2); nunca é dito que a arca
foi usada como meio de obter uma mensagem divina; e tocar na arca (cf. v. 19) resultava em
morte (6.19; 2Sm 6.6, 7).
* 14.19 Desiste.
Ao mandar o sacerdote deixar de fazer uso do instrumento
mediante o qual a vontade do Senhor, poderia ter sido determinada, Saul assume
sobre si mesmo a responsabilidade pelos acontecimentos (cf. 13.9).
* 14.21 hebreus.
Ver nota em 4.6.
* 14.24 angustiados naquele dia. Esse é um relato de algo que
aconteceu anteriormente naquele mesmo dia, ou seja: depois de Jônatas sair para atacar os
filisteus (vs. 13, 14) mas antes de Saul entrar na batalha (v. 20).
porquanto Saul. Isto também pode significar
"assim Saul", significando que Saul colocou o povo sob um juramento
por causa da tristeza deles, e não que a tristeza houvesse sido causada por
aquilo que Saul disse ao povo.
* 14.27 Jônatas, porém, não tinha ouvido. Isso provavelmente porque saíra do
arraial antes do juramento ter sido imposto (v. 24, nota).
* 14.29 Meu pai turbou a terra. A falta de confiança de Jônatas em
seu pai implícita na exclusão dele de seus planos (v. 1) agora passa a ser uma
condenação aberta da ação estulta do seu pai ao submeter o povo a um
juramento. Assim como no caso de Acã (Js
7.16-18, 25), a sorte será lançada para desmascarar o culpado, o
"perturbador" da terra. A
sorte revela Jônatas como aquele que violou o juramento (v. 42), mas o
verdadeiro perturbador de Israel era Saul.
* 14.31 Aijalom. Cerca de 24 km ao oeste de Micmás no vale de
Aijalom, que parece ser o caminho que os filisteus seguiram de volta ao seu
país.
* 14.33 comendo com sangue. No Antigo Testamento são registradas
proibições freqüentes contra comer sangue (Gn 9.4; Lv 3.17; 7.26, 27; 17.10,
12; 19.26; Dt 15.23; Ez 33.25).
* 14.35 o primeiro altar. É também o único altar a ser
mencionado.
* 14.37 Disse, porém, o sacerdote. É incomum que o sacerdote, provavelmente Aías
(v. 3), tenha tomado a iniciativa. Mas o
fato condiz com o padrão cada vez menor do compromisso de Saul na busca pela
orientação do Senhor (v. 10, nota).
* 14.39 Porém nenhum... lhe respondeu. O povo protegia Jônatas.
* 14.45 Tal não suceda. Ao ser forçado pela severidade de Saul (vs.
39, 44) a escolher entre Saul e Jônatas, o povo optou por Jônatas, claramente
reconhecendo-o como aquele que o Senhor usara na batalha naquele dia. O comportamento estulto de Saul o alienara de
todos ao seu redor, inclusive dos seus próprios seguidores. Seu isolamento não é permanente, no entanto,
pois Jônatas volta posteriormente a ser da sua confiança (20.2), e o povo
demonstra sinais de lealdade renovada (23.19; 24.1). Até mesmo Samuel passa a
ter mais contatos com ele (cap. 15).
* 14.47-51 Aqui temos um resumo das façanhas
militares de Saul (vs. 47, 48) e pormenores acerca de sua família e de Abner
(vs. 49-51). Uma comparação entre essa
seção e o resumo mais longo das vitórias de Davi e dos seus oficiais em 2Sm 8
revela várias semelhanças, mas também uma diferença reveladora: em nenhuma
parte do resumo a respeito de Saul existe algo semelhante à declaração repetida
a respeito de Davi: "o SENHOR dava
vitórias a Davi, por onde quer que ia" (2Sm 8.6, 14).
* 14.52 forte guerra. Ver notas em 7.13.
* 15.1
Enviou-me o SENHOR a ungir-te. Samuel menciona seu papel na unção de Saul a
fim de estabelecer o contexto da continuação de seu serviço como mediador das
ordens de Deus a Saul (10.1, nota).
atenta, pois, agora, às palavras do
SENHOR. As palavras
hebraicas traduzidas por "atentar" e “palavras”, lit. "voz"
são repetidas várias vezes nesse capítulo, ressaltando o tema central da
obediência ("atentar," "dar ouvidos," "obedecer,"
e "voz," e "balido... mugido" nos vs. 1, 14, 19, 20, 22,
24).
* 15.2 Amaleque. Descendentes de Esaú (segundo Gn 36.12, 16),
os amalequitas eram um povo nômade do deserto que habitava no sul de Judá e
além, na direção do Egito. Lutavam freqüentemente
contra os israelitas. Ver referências
lateral, e Jz 3.13; 6.3-5, 33; 7.12; 10.12.
* 15.3 destrói totalmente. Lit. "colocá-los sob a
maldição." Isso significa devotar pessoas ou objetos completamente ao
Senhor. Na guerra, isso usualmente exigia
a destruição total das propriedades e a execução das pessoas. A inclusão de animais nesse versículo é algo
especialmente notável. Essa maldição era
um elemento da "guerra santa" e não podia ser decretada por ninguém a
não ser Deus.
homem e mulher, meninos e crianças
de peito. Ver 22.19 e
nota.
* 15.4 Telaim.
Trata-se provavelmente de Telém, alistada em Js 15.24 como
uma das cidades de Judá. A Septuaginta
(tradução grega primitiva do Antigo Testamento) contém "Gilgal" que, segundo
alguns têm sugerido, foi o local onde Samuel deu suas instruções a Saul (vs.
1-3).
* 15.6 porque usastes de misericórdia. Talvez uma alusão à bondade do
sogro queneu de Moisés (Jz 1.16) registrada em Êx 18.
* 15.7 desde Havilá até... Sur. Ver Gn 25.18.
Sur é mencionada em 27.8 como sendo um local nas fronteiras do
território amalequita, perto da fronteira oriental do Egito. A localização de Havilá permanece incerta,
mas o sentido geral da referência é que a vitória de Saul foi bastante ampla.
* 15.8 Agague. Este é um nome pessoal, ou um título, assim como
"Faraó"; ver Nm 24.7; "agagita" em Et 3.1.
todo o povo. Não se trata de "todos" sem exceção,
mas de todos quantos caíram nas mãos de Saul (há referências posteriores aos
amalequitas em 27.8; 30.1, 18). Para este sentido limitado de
"todos", cf. 13.7; 31.6.
* 15.9 Saul e o povo pouparam. Agiram de modo contrário às ordens
do Senhor (v. 3). O desejo de tirar
proveito da vitória pode ter sido o motivo da relutância em destruir coisas de
valor. Acã apropriou-se de bens que
tinham sido condenados à destruição, aparentemente porque era cobiçoso (Js
7.1). Ao leitor não é contado o motivo de Saul ter poupado Agague, quer seja a
política, assim como a misericórdia que Acabe teve com Ben-Hadade (1Rs
20.30-34), quer seja o orgulho, o desejo de demonstrar publicamente seus
cativos como troféus de guerra. Saul
realmente levantou um monumento da vitória, "para si" (v. 12).
* 15.11 "Arrependo-me." Ver nota em v. 29.
deixou de me seguir. Essa é uma grave acusação formal,
tendo em vista 12.14, onde a obediência e o seguir ao Senhor são citados como
sendo os requisitos essenciais para um reinado bem-sucedido.
Samuel se contristou. Lit. "Samuel irou-se." A mesma
expressão hebraica é empregada em 18.8 e 2Sm 6.8.
toda a noite clamou ao SENHOR. Fica claro que Samuel não sente
nenhum prazer na rejeição de Saul (v. 35; 16.1).
* 15.12 Carmelo. Cerca de 12 km ao sul de Hebrom (25.2; Js
15.55). Não se trata do monte Carmelo ao
norte.
levantou para si um monumento. O paralelo mais próximo acha-se em
2Sm 18.18, onde Absalão "levantara para si uma coluna" a fim de
celebrar o seu nome.
* 15.14-23. Esses versículos demonstram as
características padronizadas de um discurso de julgamento profético contra um
indivíduo (2.27-36, nota), mas nesse caso o acusado, Saul, vigorosamente
contesta as acusações.
* 15.15 os trouxeram ... para os sacrificar. Como resposta à acusação de Samuel, Saul
oferece duas desculpas: Primeiro, o povo
é o culpado, e não ele; segundo, os
animais seriam oferecidos como sacrifício. Samuel responderá a essas
desculpas.
* 15.17 pequeno aos teus olhos. Sejam quais tenham sido as idéias de Saul a
respeito da sua condição como rei, Samuel rejeita sua tentativa de evitar sua
responsabilidade pessoal por aquilo que acontecera.
* 15.19 te lançaste ao despojo. Samuel rejeita a alegação de que os
animais foram poupados por serem necessários para o sacrifício. Quanto ao verbo traduzido
"lançar-se," ver 25.14, nota.
* 15.20,21 Desconsiderando o repúdio de Samuel
às suas desculpas, Saul as repete com teimosia.
* 15.22,
23 A forma poética desses dois
versículos ressalta sua importância culminante nesse episódio.
* 15.22 holocaustos.
Ver nota em 10.8.
o obedecer é melhor do que o
sacrificar. Embora
Samuel obviamente não acredite na desculpa de Saul (v. 19, nota), mostra que
mesmo na hipótese de haver verdade nisso, a lição é que a prática de rituais
não tem valor quando não é acompanhada por um espírito sincero e submisso. Ver
denúncias semelhantes de rituais sem conteúdo, feitas posteriormente por outros
profetas de Israel: Is 1.10-17; Jr 6.19,
20; 7.21-26; Os 6.6; Am 5.21-24; Mq
6.6-8; também Sl 51.16, 17; Pv 15.8; 21.3, 27.
* 15.23 rebelião... feitiçaria... idolatria. A feitiçaria e a idolatria eram
pecados especialmente graves.
Visto que rejeitaste... ele também
te rejeitou a ti. Quando
Samuel chega ao ponto de pronunciar a sentença contra Saul, expressa-a de uma
maneira que deixa clara a justiça do veredito divino. O delito e o castigo correspondem entre si
(2.27-36, nota). Embora a falha de Saul
no cap. 13 resultasse no fim de suas esperanças para sua dinastia (13.14), sua
desobediência no contexto presente implica no fim do seu direito pessoal de ser
rei. O capítulo seguinte narra como Davi foi ungido e como o Espírito do Senhor
afastou-se de Saul (16.13, 14).
* 15.24,
25 Finalmente, Saul começa a
aceitar a responsabilidade ("Pequei"), embora continue culpando o
povo por ter dado início aos eventos lastimáveis. ("Temi o povo e dei ouvidos à sua
voz"). Superficialmente, a
confissão de Saul parece adequada, mas levando-se em conta as advertências de
Samuel em 12.14, 15, suas confissões parecem não conduzi-los à possibilidade de
uma reconciliação, mas à certeza de que "perecerá" (12.25). Saul passará a oferecer uma segunda
confissão, mais honesta, no v. 30.
* 15.26 Não tornarei contigo. Samuel, ao recusar-se a voltar com
Saul, dá a impressão de não estar satisfeito com a sinceridade da confissão
como um todo (v. 30, nota).
* 15.28 rasgou... o reino. Samuel aproveita o incidente do
manto como símbolo apropriado de o Senhor ter "rasgado o reino" de Saul
(cf. 24.4, 5; 1Rs 11.29-33).
* 15.29 não mente, nem se arrepende. A rejeição de Saul é decisiva, e nenhuma
tentativa de mitigar as suas conseqüências surtirá efeito. Não há contradição entre essa declaração e as
declarações nos vs. 11 e 35 de que o SENHOR "se arrependeu" de ter
constituído Saul rei, embora "arrepender-se" represente a mesma
palavra hebraica que "lastimar-se" nesse versículo. Assim como em Nm 23.19, a lição é que quando
o Senhor faz um pronunciamento que visa ser definitivo, ele não pode ser
persuadido a mudar de idéia.
* 15.30 honra-me.
A verdadeira preocupação de Saul torna-se clara na sua
segunda confissão (vs. 24, 25 e nota).
Conforme Samuel parece já suspeitar (v. 26, nota), Saul se interessa
menos por se reconciliar com o Senhor do que ser honrado diante dos anciãos do
"meu povo." Em troca dessa
honra, Saul se oferece a tratar com reverência o SENHOR "teu" Deus.
* 15.31 Samuel seguiu a Saul. Vários motivos pela mudança da decisão
anterior de Samuel (v. 26) podem ser sugeridos:
(a) Saul finalmente fez uma
confissão sincera; (b) não existe o perigo, depois dos vs. 28, 29,
de que Saul interprete a atitude de Samuel como retratação do julgamento que
pronunciou; (c) Samuel ainda vai lidar
com Agague.
* 15.35 Samuel... tinha pena de Saul. Ver nota no v. 11.
* 16.1—31.13 Esses capítulos narram a ascensão
de Davi ao poder, e a perda do poder de Saul, bem como a sua morte. A ascensão de Davi é marcada pela sua unção
por Samuel e seu período no serviço de Saul (caps. 16—18), sua fuga de Saul
(caps. 19–23), seu cuidado em não cometer o crime de sangue (caps. 24—26), e
sua fuga aos filisteus (caps. 27—31).
* 16.1 belemita.
Belém, mencionada pela primeira vez em Gn 35.19, é a cidade
natal de Davi (17.12, 15). Quanto à
relevância dessa localidade para o Messias ( "o ungido"), ver Mq 5.2;
Mt 2.5, 6; Jo 7.42.
me provi. A seleção
de um rei para "mim" (o Senhor) contrasta com a escolha de um rei
para "eles" (o povo) em 8.22 (8.18; 12.13).
* 16.2 Vim para sacrificar. Embora essa declaração seja
verdadeira em si, não revela o motivo principal para a viagem de Samuel a Belém
(v. 1). É bem provável que haja um tom
irônico na ordem que o Senhor deu a Samuel, justamente por ter sido dada não
muito depois de Saul ter alegado que
poupou o melhor dos animais somente "para os sacrificar" (15.15,
21). Casos de "informação
incompleta" como este precisam ser aquilatados dentro das suas
circunstâncias específicas (20.6; 21.2;
27.10; 2Sm 16.17-19; Js 2.4 e notas).
* 16.3 ungir.
Ver nota em 2.10.
* 16.4 os anciãos da cidade, tremendo. Ver a reação semelhante de
Aimeleque quanto Davi chegou sozinho em Nobe (21.1). Não é mencionado nenhum motivo para o grande
temor dos anciãos. Provavelmente tinha a
ver com a função profética de Samuel como instrumento do juízo divino.
* 16.7 nem para a sua altura, porque o
rejeitei. A
referência à "estatura" como uma medida errônea para classificar a
qualificação de um indivíduo para ser rei, juntamente com o aviso de que esse
filho de Jessé é "recusado," faz relembrar Saul, cuja altura era notável
(9.2; 10.23) mas que foi rejeitado (15.23, 26).
o SENHOR, o coração. É axiomático que os padrões divinos são
interiores, e não exteriores (13.14, nota;
Rm 2.28, 29). Ver "Deus Vê e
Conhece: Onisciência Divina",
índice.
* 16.13 no meio de seus irmãos. É provável que os anciãos também
tenham presenciado a unção de Davi (vs. 4, 5).
A ênfase na presença dos irmãos nesse evento talvez lance luz sobre o
comportamento de Eliabe em 17.28.
o Espírito do SENHOR se apossou de
Davi. Ver notas em 10.6; 11.6. O revestimento de Davi pelo Espírito
"daquele dia em diante" destaca-o de Saul (e também de Sansão) sobre
quem o Espírito vinha apenas esporadicamente.
* 16.14 Tendo-se retirado de Saul o Espírito do
SENHOR. A presença
do Espírito de Deus, que confere poder e validade, deve ter sido removida de
Saul na ocasião da sua rejeição definitiva como rei no cap. 15 (cf. também v.
1).
um espírito maligno. Cf. 1Rs 22.21-23. A palavra hebraica pode descrever algo que
perturba, aflige, ou que é danoso.
* 16.18 homem de guerra. Esse relatório talvez pareça estar
em conflito com a declaração de Saul em 17.33 de que Davi, sendo só um jovem na
ocasião, não estava em pé de igualdade com Golias. Pode-se dizer, como resposta, que a
recomendação feita de Davi era, decerto, um exagero, assim como uma carta de
referência nos dias de hoje. Por outro
lado, Saul estava comparando Davi com Golias, e relutava em tomar o risco de
mandar alguém contra o gigante filisteu.
o SENHOR é com ele. Esse fato, mais do que qualquer
qualidade humana, explicará a ascensão persistente (embora custosa) de Davi ao
poder, ao passo que o crescente reconhecimento de Saul de que Davi havia sido
preferido a ele desempenhará um papel considerável na sua própria desintegração
psicológica (3.19; 17.37; 18.12, 28, 29; 20.13; 2Sm 7.9 e notas).
* 16.19 Envia-me Davi, teu filho, o que está com as
ovelhas. Saul, sem o
saber, convida seu futuro substituto a fazer parte da sua corte. A ascensão de Davi ao poder é dirigida
providencialmente, e não é resultado do esforço humano ou da cobiça pelo
poder.
* 16.21 este o amou muito. Não fica
claro no texto se essas palavras descrevem a atitude de Saul para com Davi ou
de Davi em relação a Saul. Note, também, o modo de Jônatas corresponder a Davi
(18.1, 3; 20.17), bem como o de Mical (18.20, 28), do povo (18.16), e
possivelmente até mesmo os demais servos de Saul (18.22). O sendido provável é
o de que "Saul amou a Davi" (ver o v. 22).
* 17.1 entre Socó e Azeca, em Efes-Damim. Socó ficava 24 km ao oeste de Belém, perto da
fronteira da Filistéia, e Azeca ficava quase 4 km ao noroeste de Socó.
* 17.2 vale de Elá. O vale desce do leste para o oeste, e passa
imediatamente ao norte de Socó e Azeca.
* 17.4 guerreiro.
É raro no Antigo Testamento, o resultado de uma luta mortal
entre dois campeões ser considerado como a vontade dos deuses (compare 2Sm
2.14-16). É bem atestado, porém, entre
alguns dos vizinhos de Israel.
seis côvados e um palmo. São quase 3 metros. A Septuaginta (tradução grega primitiva do
Antigo Testamento), os Rolos do Mar Morto, e Josefo (Antigüidades 6.9.1)
registram quatro côvados ao invés de seis.
Assim, Golias teria cerca de dois metros, o que não deixava de ser uma
altura notável segundo os padrões da antigüidade.
* 17.5-7 É
surpreendente a descrição pormenorizada da armadura e das armas de Golias. Davi, porém, não precisa confiar em
equipamentos (vs. 39, 50).
* 17.11 Saul. O desafio dos filisteus aos "servos de
Saul" tinha sido o de "escolher um homem" (v. 8). A escolha lógica teria sido Saul (9.2; 10.23,
24), mas este se encontrava tão aterrorizado quanto os demais.
* 17.12 efrateu.
Ver Gn 35.19; 48.7; Rt 1.2; 4.11; 1Cr 4.4; Mq 5.2.
* 17.15 Davi... ia a Saul e voltava. O tempo de Davi era dividido entre
os deveres ao seu rei (16.21-23) e ao seu pai.
A família inteira de Davi é apresentada juntamente com ele (vs. 12-14).
* 17.25 lhe dará... a filha. Ver notas em
18.17-19,20-27.
* 17.26 incircunciso filisteu. Ver nota em 14.6.
* 17.28 Ouvindo-lhe Eliabe... acendeu-se-lhe a
ira. A ira repentina de Eliabe é
a reação de um homem que não tinha a capacidade de enfrentar um desafio e que
ressentiu-se ao ser sobrepujado por seu irmão menor. O fato de Davi ter sido ungido só serviria para
aumentar o ciúme de Eliabe. Em Gênesis
37, os irmãos mais velhos de José reagem da mesma maneira ao saberem que um dia
ele viria a ser superior a eles (Gn 37.2-19).
a quem deixaste aquelas poucas
ovelhas. Por mais inquieto que
Davi tivesse ficado no tocante à batalha, agiu com responsabilidade para com
seus deveres mais corriqueiros (vs. 20, 22).
tua presunção. Ou “teu
orgulho”, “tua insolência”.
a tua maldade. Lit.: "a insolência do teu coração."
Contrastar o modo de Eliabe julgar Davi com o de Deus, conforme indicam
declarações tais como: "um homem
que lhe agrada" (13.14) lit.: "um homem segundo seu coração", e
"o SENHOR vê o coração" (16.7).
* 17.33-37 A conversa entre Saul e Davi
ilustra vividamente a diferença radical entre suas perspectivas. Saul continua pensando naquilo que é
humanamente possível ("não poderás," v. 33), ao passo que Davi confia
que "O SENHOR... me livrará" (v. 37).
* 17.36 incircunciso filisteu. Ver 14.6, nota.
* 17.37 o SENHOR seja contigo. A ascensão de Davi ao poder
continua sendo promovida por Saul, sem ter este a mínima consciência
disso. Tendo introduzido Davi na corte
real (16.19, nota), Saul passa a enviá-lo para lutar em seu lugar. Mais irônico de tudo, Saul invoca sobre Davi
a bênção que faz a distinção mais nítida entre os dois e que explica o sucesso
que Davi teve em sua vida – "o SENHOR seja contigo" (16.18 e nota).
* 17.38,
39 A rejeição por Davi da
armadura de Saul apóia a lição da narrativa, de que "o SENHOR salva, não
com espada, nem com lança; porque do
SENHOR é a guerra" (v. 47).
* 17.45 em nome do SENHOR dos Exércitos. Ver nota em 1.3. Davi vem "em nome" de Deus, ou
seja: pela autoridade e poder de
Deus. Quanto ao significado do nome de
Deus como expressão do seu caráter, ver, por
exemplo, Êx 34.5-7.
* 17.46 os cadáveres... dos filisteus. Davi sobrepuja as ameaças de Golias
(v. 44), pois a sua contra-ameaça abrange a totalidade do exército filisteu.
* 17.47 do SENHOR é a guerra. Ver notas em vs. 38, 39; 14.6.
* 17.50 matou.
Ou seja: deu-lhe a ferida mortal
(v.51, nota).
não havia espada. Esse versículo assinala o auge da luta entre
Golias, que tinha todas as vantagens (do ponto de vista físico), e Davi, que
tinha Deus do seu lado, e que conseguiu triunfar até mesmo sem uma espada (cf.
vs. 45-47).
* 17.51 matou.
Aqui é usada uma forma diferente do verbo hebraico usado no
v. 50; o sentido seria
"liquidou," assim como também em 14.13.
* 17.52 Gate e... Ecrom. Ver notas em 4.1; 5.8, 10.
* 17.54 e a trouxe a Jerusalém. Posto que Jerusalém ainda estava
nas mãos dos jebuseus (2Sm 5.6-9 e notas), essa observação deve ser entendida
como uma referência a uma ocasião posterior.
* 17.55 De quem é filho este jovem? A pergunta de Saul e a resposta de
Abner parecem estar em conflito com os eventos descritos em 16.18-22. Ao mesmo tempo, parece haver um
relacionamento cronológico entre os caps. 16 e 17 (v. 15 e 18.2). A pergunta de Saul pode ter sido inspirada
pela preocupação em saber mais a respeito da posição social de quem receberia a
promoção prometida em 17.25, inclusive o casamento com sua filha. A intensidade do interesse de Saul talvez
reflita, também, seu conhecimento de que seu reino acabaria sendo dado "ao
teu próximo, que é melhor do que tu" (15.28). Ver 18.18 e nota.
* 18.2 não lhe permitiu que tornasse para casa de
seu pai. Ver nota em 17.15.
* 18.3 aliança. A natureza da aliança não é declarada
explicitamente. Ver o v. 4, nota. Mais
referências à aliança entre Jônatas e Davi incluem 20.8, 13-17, 42; 22.8; 23.18.
* 18.4 Despojou-se Jônatas da capa. Como príncipe herdeiro (20.31), era
de se esperar que sucederia seu pai como rei.
Em 13.22, Jônatas e Saul tinham sido distinguidos do restante do povo
por possuírem espadas e lanças. Nesse
caso, Jônatas, ao doar a Davi sua capa e suas armas não somente quis demonstrar
a sua lealdade, mas também o seu reconhecimento de Davi como sendo a escolha de
Deus para ser o próximo rei. Ver a
confissão explícita de Jônatas em 23.17; ver também 2Sm 1.10, nota.
* 18.5 Saul o pôs sobre tropas. O sucesso militar continua a
distinguir Davi, e Saul concede a Davi um comando militar à altura das suas
realizações.
* 18.7 Davi, os seus dez milhares. Ver 21.11;
29.5. Um aspecto comum da poesia
hebraica é aumentar ou intensificar um ou mais termos na primeira metade de um
verso na segunda metade. Quanto ao
paralelismo entre mil e dez mil, ver Dt 32.30; Sl 91.7; 144.13; Mq 6.7.
Quer o cântico das mulheres louve Saul e Davi de maneira igual, quer
subentenda que Davi é melhor do que Saul, este certamente fica ofendido (v.
8).
* 18.8 que lhe falta, senão o reino? Saul (com razão) percebe que Davi
pode ser o "próximo" que o substituirá (15.28; 17.55, nota).
* 18.10 espírito maligno. Ver nota em 16.14.
teve uma crise da raiva. Ou: “profetizou”. Experiências
estáticas poderiam ser causadas pelo Espírito de Deus (10.6, 15), ou também por
espíritos malignos ou falsos profetas (1Rs 18.29).
* 18.12 o SENHOR era com este. Ver 16.18 e nota.
se tinha retirado de Saul. Ver 16.14 e nota.
* 18.13-16 Saul, ao remover Davi da corte e
também do alto comando militar, talvez tenha pretendido diminuir a visibilidade
e popularidade deste, além de aumentar seu risco de morrer numa batalha. No entanto, o efeito das tramas de Saul, acabou
resultando no inverso. Davi é levado a
um contato mais estreito com o povo, de modo que "todo o Israel e Judá
amavam Davi" (v. 16).
* 18.17-19 Tendo em vista a grande popularidade de
Davi, Saul não pôde continuar adiando o cumprimento da sua promessa
(17.25). Mesmo assim, acrescenta uma
condição adicional: "guerreia as
guerras do SENHOR," na esperança de que os filisteus (e não Saul) matassem
Davi (vs. 17, 21, 25). Davi diz que não
tem posição social para casar-se com a filha do rei, protesto convencional em
tais circunstâncias (cf. 9.21). No
último momento, Saul viola a sua promessa e dá Merabe a outro homem.
* 18.20-27
Quando a segunda filha de Saul,
Mical, apaixona-se por Davi, Saul oferece a este uma segunda oportunidade de
tornar-se seu genro (vs. 20, 21). Mais
uma vez, ele aumenta as condições prévias que Davi precisava cumprir (v.
25). Davi não demora (v. 26) em cumprir
em dobro a exigência de Saul, e assim se torna genro do rei (v. 27).
* 18.28,29 o SENHOR era com Davi. O medo cada vez maior que Saul
tinha de Davi tem fundamento, visto que o Senhor é com Davi (vs. 12, 14). O sucesso de Davi não teria deixado Saul tão
aflito se este, da mesma maneira que Jônatas, tivesse conseguido aceitar com
equanimidade a sua própria rejeição.
* 19.1 sobre matar Davi. Os atentados indiretos de Saul
contra a vida de Davi não surtiram efeito (cap. 18), por isso ele resolve agir
de modo mais direto.
* 19.4 Jônatas falou bem de Davi. A magnanimidade de Jônatas para com
Davi forma um contraste marcante com a malevolência de Saul, continuando,
assim, a comparação desfavorável entre o pai e o filho, já mencionada (13.22;
14.1, 6, 10, 29 e notas). Parece
provável que a lealdade de Jônatas a Davi tenha tido a sua origem, não da
ignorância acerca do destino de Davi, mas de uma aceitação voluntária da mesma
(18.4, nota; 23.17, nota).
* 19.9 espírito maligno. Ver nota em 16.14.
* 19.10 Procurou Saul encravar a Davi na parede. Talvez por sentir ciúmes dos sucessos
militares de Davi (v. 8; 18.8), Saul apela a um dos seus velhos truques (18.10,
11).
* 19.11 disto soube Davi por Mical, sua mulher. À medida que os atentados de Saul
contra a vida de Davi se tornam cada vez mais intensos e visíveis, Davi é
alertado primeiramente pelo filho de Saul (v. 2) e depois, pela filha do mesmo.
* 19.12 fugiu e escapou. A partir desse incidente, Davi
sempre estará fugindo de Saul.
* 19.13 um ídolo do lar. A mesma expressão que surge em Gn
31.19, 34, 35; Jz 18.14. As referências em Gênesis subentendem objetos
pequenos, ao passo que a referência aqui sugere algo maior.
* 19.17 ele me disse. Mical, escondendo os fatos do seu pai, visa preservar
sua própria vida. Levando-se em conta o
comportamento posterior de Saul (20.32, 33), Mical tinha justo motivo para ter
medo dele (cf. 16.2).
* 19.18 Ramá. Ver nota em 1.1.
casa dos profetas. Essa expressão, que traduz uma
palavra que ocorre só nesse capítulo, pode ser transcrita por
"Naiote," como se fosse um nome de um lugar, e está associada com o
nome da cidade de Ramá. É bem possível
que se refira aos "acampamentos" onde os profetas em Ramá habitavam
(cf. "o lugar em que habitamos" em 2Rs 6.1,2).
* 19.20 grupo de profetas profetizando. Ver nota em 10.5.
* 19.22 poço grande... em Seco. Não é conhecida a localidade de
Seco, mas talvez fique a quase 3 km ao norte de Ramá. Alguns têm sugerido uma reconstrução da
difícil expressão hebraica com base na Septuaginta (tradução grega primitiva do
Antigo Testamento) dando à expressão o
sentido de: "poço da eira na colina descalvada." Esse pode ter sido
um marco bem conhecido, do tipo que é mencionado mais de uma vez em Samuel
(20.19; 2Sm 20.8).
* 19.23 o mesmo Espírito de Deus veio sobre ele. Desde o início de suas tentativas
de liquidar com Davi, Saul foi frustrado por Jônatas, por Mical, por Samuel e,
agora, finalmente, pelo próprio Deus.
* 19.24 Também ele despiu a sua túnica. Túnicas, nos livros de Samuel, parecem ter
usualmente um significado simbólico, que freqüentemente diz respeito à
monarquia (15.28; 18.4; 24.4-6 e notas).
Enquanto Jônatas deu voluntariamente a sua capa a Davi em 18.4, a ação
de Saul aqui foi feita sob a compulsão do Espírito de Deus.
* 20.1 casa dos profetas. Ver nota em 19.18.
* 20.2 Tal não suceda. Parece que Jônatas desconhece os atentados
mais recentes contra a vida de Davi (19.9-24) e toma por certo que o juramento
feito em 19.6 ainda está sendo cumprido.
* 20.5 a Festa da Lua Nova. Essa festa era uma ocasião de regozijo no
início de cada mês. Era marcada pelo
ressoar das trombetas (Nm 10.10; Sl 81.3) e por sacrifícios específicos (Nm
28.11-15). A festa é freqüentemente
mencionada em conjunto com o Sábado (2Rs 4.23; 1Cr 23.31; Ne 10.33; Is 66.23;
Ez 46.3) e talvez tenha sido sujeitada a regulamentos semelhantes (Am
8.5). A celebração da Festa da Lua Nova
é mencionada uma vez no Novo Testamento (Cl 2.16).
* 20.6 dirás. Jônatas
faz uso da desculpa de Davi, nos vs. 28, 29. Ao avaliarmos a ética de semelhantes ações,
podemos fazer uma comparação com as instruções que o Senhor deu a Samuel em
16.2 (nota), embora naquele contexto a desculpa era uma meia-verdade, e não uma
inverdade total, conforme parece ter sido o caso aqui.
Belém. Ver nota em 16.1.
sacrifício anual. Ver nota em 1.3; cf. 1.21.
* 20.7 teu servo.
Trata-se de uma expressão de humildade e deferência (1.11,
16; 3.10; 17.32; 22.15; 23.10; 25.24).
* 20.8 aliança. Ver 18.3, 4 e notas. Promessas mútuas de amizade e de lealdade são
reiteradas nos vs. 13-17, 42.
* 20.13 seja o SENHOR
contigo, como tem sido com meu
pai. Essa única
referência ao Senhor estando "com Saul" deve ser entendida como
referindo-se à monarquia. Reconhecendo
que Davi agora é o rei escolhido por Deus (18.4, nota; 23.17 e nota), Jônatas lhe oferece uma
lealdade maior e acima da lealdade que deve ao seu próprio pai (v. 16).
* 20.15 Nem tão pouco
cortarás... a tua bondade. Para o cumprimento deste pedido, ver 2Sm 9.1-8;
21.7.
* 20.16 os inimigos de Davi. Ver nota no v. 13. Posto que é o próprio Davi que assume o
compromisso de manter a aliança com Jônatas, "inimigos" é
provavelmente uma referência eufemística a Saul, pai de Jônatas (cf.
25.22; 2Sm 12.14).
* 20.17 jurar. Ver
nota no v. 8.
* 20.18 Festa da Lua Nova. Ver nota no v. 5.
* 20.19 pedra de Ezel. Fora desse texto, o local é
desconhecido. O significado em hebraico
pode ser algo como "Pedra da Saída."
A pedra era possivelmente um marco conhecido na saída da cidade; quanto a outros marcos desse tipo mencionados
em Samuel, ver 19.22; 2Sm 20.8 e notas.
* 20.23 o SENHOR está entre mim e ti. Ver Gn 31.50, 53.
* 20.24 Festa da Lua Nova. Ver nota no v. 5.
* 20.25 Abner.
Era parente de Saul e comandante militar (14.50).
* 20.26 não está limpo. Ver especialmente Lv 7.19-21. As leis da pureza são tratadas mais
detalhadamente em Lv 11—15, embora referências a "puro" e
"impuro" sejam freqüentes por todo o Pentateuco (Gn 7.2; Lv 5.2; Nm
5.2; Dt 14.3-21; etc.). A questão em pauta
é a impureza ritual ou religiosa, e não especificamente a física.
* 20.28,
29 Ver nota no v.
6.
* 20.30 Filho de mulher perversa e rebelde. Assim como nas interjeções
semelhantes de nossos dias, a ofensa é dirigida contra Jônatas, e não
necessariamente contra a mãe deste.
* 20.31 nem tu estarás seguro, nem seguro o teu
reino. A despeito
das palavras de Samuel em 13.14, Saul ainda se apega à esperança em favor da
sua dinastia (cf. 18.8, nota). Contraste
com a maneira bem disposta de Jônatas aceitar a vontade do Senhor (v. 13; 18.4;
23.17 e notas). As palavras de Saul
deixam inferir que Jônatas era seu primogênito e, portanto, o próximo herdeiro
do trono.
* 20.33 Saul atirou-lhe com a lança. As reações opostas de Saul e
Jônatas diante de Davi tinham começado a criar uma barreira separação entre pai
e filho. O atentado de Saul contra a
vida de Jônatas está de conformidade com suas tentivas anteriores de matar Davi
(18.11; 19.10).
* 20.42 juramos. Ver nota no v. 8.
* 21.1 Nobe. Provavelmente localizada a menos de 4 km ao
nordeste de Jerusalém (Is 10.32), Nobe tornou-se "cidade destes
sacerdotes" (22.19) algum tempo depois da desgraça que caiu sobre Silo
(1.3, nota; 2.32, nota) por intermédio dos filisteus (4.1-11).
Aimeleque. Quer se trate do irmão de Aías, ou
simplesmente de outro nome de Aías (14.3), Aimeleque ocupa o cargo de sumo
sacerdote que antigamente tinha sido ocupado pelo seu bisavô Eli (1.9). Ver
também Marcos 2.26 e nota.
* 21.2 o rei deu-me uma ordem. Tendo tirado proveito de um
pretexto apresentado numa ocasião recente (20.6, nota), Davi volta a usar o
mesmo método, mas com resultados desastrosos para Aimeleque e os sacerdotes em
Nobe (22.6-19).
* 21.4 pão sagrado. Ou seja: "os pães da proposição" (v. 6; Êx
25.30; 35.13; Lv 24. 5-9; 1Cr 9.32). Ver
a referência de Jesus a esse episódio em Mt 12.3, 4; Mc 2.25, 26;
Lc 6.3, 4.
se abstiveram das mulheres. A pureza ritual fazia parte da
consagração antes de batalha ou de outras ocasiões importantes (Êx 19.15; Lv
15.18; Dt 23.9-14; Js 3.5; 2Sm 11.11-12).
* 21.6 pães da proposição. Ver v. 4 e nota.
* 21.7 Doegue, edomita. A presença de Doegue desperta a apreensão do
leitor, assim como fez com Davi (22.22).
Essa preocupação revela ser bem fundamentada à medida em que a narrativa
progride (22.9, 10, 18, 19). Doegue é
mencionado, também, no título do Sl 52.
* 21.9 espada de Golias. Ver 17.51, 54.
estola sacerdotal. Ver 2.28, nota.
* 21.10 Aquis.
Ver 27.2-12;
29.1-11; título do Sl 34, onde
"Abimeleque" pode ser um título para reis filisteus.
Gate. Ver notas em 4.1; 5.8.
* 21.11 Davi, o rei. Tanto dentro quanto fora de Israel, o destino
de Davi ao trono parece ser esperado, mesmo se a declaração dos filisteus possa
ser melhor compreendida como um exagero popular.
Davi, os seus dez milhares? Ver nota em 18.7.
* 22.1 caverna de Adulão. Adulão, que talvez signifique
"refúgio," tem sido identificado com um local a uns 25 km ao sudoeste
de Jerusalém, a meio-caminho entre Gate e Hebrom. Ver também 2Sm 23.13; Js 12.15; títulos dos Sl 57 e 142.
toda a casa de seu pai, desceram
ali para ter com ele. A veemência
com que Saul atacou sua própria família (20.33) deixou os familiares de Davi
com poucos motivos de se sentirem seguros.
* 22.3 Mispa de Moabe. A localização específica dessa cidade é
desconhecida. Quanto ao nome Mispa
("torre de vigia"), ver 7.5, nota.
rei. Moabe já tinha um rei em Jz 3.12.
Deixa estar... convosco. A resolução de Davi, ao buscar
refúgio em Moabe, talvez tenha se baseado, não somente na suposição de que uma
nação inimiga de Saul (14.47) bem poderia apoiar um rival deste, mas também nos
vínculos entre os familiares de Davi e os moabitas (Rt 4.13-17).
o que Deus há de fazer de mim. Davi, ao tomar todas as medidas
práticas ao seu alcance, não deixa de reconhecer o soberano controle de Deus
sobre a sua situação (2Sm 15.25, 26).
* 22.4 lugar seguro.
Ver nota em 23.14.
* 22.5 profeta Gade. A presença desse profeta, que posteriormente
serviria a Davi como vidente (2Sm 24.11; 2Cr 29.25; cf. 1Cr 29.29), fica sendo,
nessas alturas, uma lembrança de que o destino de Davi havia sido determinado
por Deus, que lhe dá a sua proteção. Mais tarde, Davi também se ajuntaria a um
sacerdote (vs. 20-23).
* 22.6 tendo na mão a sua lança. A alusão aqui à lança de Saul
talvez seja um lembrete do seu gênio violento (18.10, 11; 19.10; 20.33), que chega à sua plena expressão nesse
episódio.
* 22.7 filhos de Benjamim. Saul, tendo escolhido só membros da
sua própria tribo para ficarem ao seu redor (9.1, 2; 10.21), agora procura aumentar a lealdade
deles a ele apelando aos seus interesses:
será que Davi, da tribo de Judá, tenderá a tratar com justiça os
benjamitas?
terras e vinhas. As perguntas dirigidas por Saul aos seus
oficiais sugerem que ele se ocupava em pelo menos algumas das práticas abusivas
da realeza contra as quais Samuel advertira (8.10-18).
* 22.8 meu filho fez aliança. Ver notas em 18.3, 4.
* 22.9 Doegue, o edomita. Ver 21.7 e nota.
Aimeleque, filho de Aitube. Ver 21.1 e notas.
* 22.13 conspirastes contra mim. A suposição de Saul, de que
Aimeleque tinha conspirado com Davi contra o rei, não tem fundamento; Aimeleque foi simplesmente enganado por Davi
(21.2, nota).
se levantasse contra mim e me
armasse ciladas. A suposição
de Saul de motivos hostis da parte de Davi é tão sem fundamento quanto a sua
pressuposição a respeito de Aimeleque.
* 22.14 chefe da tua guarda pessoal. Aimeleque deve estar ainda pensando
que Davi estivesse prestando algum tipo de serviço secreto para Saul (21.2)
quando veio lhe pedindo auxílio.
* 22.17 não quiseram estender as mãos contra os
sacerdotes. A ordem de Saul, no
sentido de exterminar os sacerdotes do Senhor, é tão maligna e irracional que
seus próprios soldados se recusam a cumpri-la.
Pelo menos uma vez antes, os homens de Saul tinham achado necessário
contrariar as suas ordens (14.45 e nota).
* 22.18 matou... oitenta e cinco homens. Ver nota em 2.31.
estola sacerdotal de linho. Ver nota em 2.18.
* 22.19 homens, e mulheres, e meninos, e crianças de
peito. É uma
ironia que a chacina total dos habitantes de Nobe, "a cidade dos
sacerdotes," forme um paralelo quase literal com a ordem que tinha sido
dada para o extermínio dos amalequitas (15.3) que Saul deixara de cumprir, e
desta forma prejudicando ainda mais a sua reputação.
* 22.20 Abiatar... fugiu para Davi. O apoio a Davi continua a aumentar,
mormente como resultado dos próprios esforços impensados de Saul visando sua
autopreservação. Agora, Davi tem o apoio
tanto de profetas (v. 5) quanto de sacerdotes.
Abiatar traz a Davi a estola sacerdotal (23.6), que era um meio de
discernir a vontade do Senhor (2.28, nota;
14.3, nota).
* 22.22 Fui a causa.
Seria fácil para Davi desculpar-se pelo massacre em Nobe,
simplesmente condenando Saul. Ao invés
disso, não hesita em reconhecer sua própria parte na culpa pela tragédia (21.2,
nota). Nessa confissão, o leitor recebe
um vislumbre de uma diferença notável entre Davi e seu antecessor: a qualidade do seu arrependimento (15.24-26,
30 e notas; 2Sm 12.13, nota).
* 23.1 Queila.
Localizada acerca de 5 km ao sul de Adulão (22.1), perto do
território filisteu, Queila também é mencionada em Js 15.44.
saqueiam as eiras. Cf. Jz 6.3-6.
* 23.6 estola sacerdotal. Não a "estola sacerdotal de
linho" tradicionalmente usada por todos os sacerdotes (cf. 22.18), mas
aquela que se associa com as consultas a Deus (2.28, nota).
* 23.7 Deus o entregou nas minhas mãos. A interpretação dos eventos
apresentada por Saul não tem fundamento, conforme deixa claro a asseveração
totalmente oposta do narrador:
"Deus não o entregou nas suas mãos" (v. 14).
* 23.12 Entregar-me-ão os homens de Queila. Tendo em vista o modo implacável de Saul
tratar a cidade de Nobe, o comportamento dos homens de Queila provavelmente
reflete medo mais do que ingratidão a Davi.
* 23.13 homens, uns seiscentos. O aumento do número dos homens de Davi, de
quatrocentos (22.2) para seiscentos é uma indicação de sua força crescente
(22.20, nota).
* 23.14 no deserto, nos lugares seguros. Essa expressão sugere uma área geográfica, e
não uma localização específica (22.4; 2Sm 5.17; 23.14).
deserto de Zife. A aldeia de Zife fica a mais de 20 km ao
sudeste de Queila e a 8 km ao sudeste de Hebrom. Esse deserto seria o ermo ao sul de
Hebrom. Zife é mencionada em Js 15.55,
juntamente com Maom (v.24) e Carmelo (1Sm 15.12; 25.2).
Deus não o entregou nas suas mãos. Deus exerce controle soberano sobre o destino
de Davi (v. 7; 22.20 e notas).
* 23.16 Jônatas, filho de Saul... lhe fortaleceu a
confiança em Deus. Já não
ignorando a maldade do seu pai para com Davi (contrastar 20.2), Jônatas age como amigo leal ao ajudar Davi a
achar força na única fonte onde a verdadeira força pode ser encontrada. Ver 30.6, onde Davi mais uma vez "se
reanimou no SENHOR, seu Deus."
* 23.17 eu serei contigo. Embora Jônatas não sobreviverá para servir a
Davi (31.2), sua boa disposição em abrir mão de suas ambições pessoais por amor
ao rei escolhido por Deus (18.4; 20.13) estabelece um contraste nítido com os
esforços desesperados que Saul fazia para manter-se agarrado a um reino que já
não lhe pertencia (15.23).
Saul... bem sabe. Ver 20.30, 31. Saul, quando não quis aceitar a sua rejeição
(compare a reação de Eli em 3.18) não pode ser desculpado sob a alegação de não
saber para quem o reino passaria.
* 23.18 aliança. Ver notas em 18.3, 4.
* 23.19 zifeus.
Ver nota no v. 14; 26.1.
Gibeá. Essa era a cidade natal de Saul (10.26).
* 23.24 deserto de Maom. Mais de 12 km ao sul de Hebrom,
Maom é mencionada em 25.2 como a cidade natal de Nabal.
* 23.27 os filisteus invadiram a terra. A cronologia providencial dessa
incursão pelos filisteus é óbvia.
* 23.28 Saul desistiu de perseguir a Davi. Saul se distingüe por sacrificar seus
interesses pessoais por amor à segurança nacional.
* 23.29 lugares seguros de En Gedi. En Gedi era uma fonte grande na
costa íngreme ocidental do mar Morto.
Nas proximidades dela, Davi tinha acesso a provisões e proteção durante
sua fuga de Saul.
* 24.1 deserto de En-Gedi. Ver nota em 23.29.
* 24.4 Hoje é o dia do qual o SENHOR te disse. Embora fosse providencial que Saul tivesse
entrado justamente na caverna onde Davi e seus homens se ocultavam, não houve a
mínima indicação que Deus pretendesse que Davi levantasse a sua mão contra Saul
(cf. v. 6). A sugestão feita pelos
homens de Davi nesse sentido teria sido uma conclusão errônea tirada por eles.
cortou a orla do manto de
Saul. Davi se limita a um ato
simbólico (v. 5, nota).
* 24.5 sentiu Davi bater-lhe o coração. Embora Davi posteriormente chegasse
a exibir essa orla do manto de Saul como prova da sua lealdade para com Saul
(v. 11), suas dores de consciência (cf. 2Sm 24.10) sugerem que o desejo de
obter semelhante prova pode não ter sido a única razão para ele se aproximar de
Saul. Tendo em vista a relevância régia
desses mantos (15.28; 18.4; 19.24 e notas),
Davi pode ter se sentido culpado de cobiçar de maneira errada a realeza
e de um ato de agressão contra o ungido do Senhor (v. 6). Ver a nota teológica "A consciência e a
Lei", índice.
* 24.6 o ungido do SENHOR. Davi reconhece a santidade do ungido do Senhor
e a salvaguarda (26.9; cf. 2.10, nota), deixando ao Senhor o julgamento e a
vingança (v. 12).
* 24.13 provérbio. Davi parece estar ressaltando uma verdade tal como
o ensino de Jesus: "Pelos seus
frutos os conhecereis" (Mt 7.16, 20).
Davi é conhecido por seu domínio próprio, mas Saul é conhecido pelos
seus esforços em tentar destruir Davi.
* 24.14 um cão morto. Davi se humilha diante de Saul, assim como Mefibosete
posteriormente fará diante de Davi (2Sm 9.8).
A expressão "cão morto" ocorre só mais uma vez no Antigo
Testamento, em 2Sm 16.9. "Cão"
é normalmente usado como insulto (17.43; 2Sm 3.8; 2Rs 8.13).
* 24.17 Mais justo és do que eu. Tendo acabado de escapar com a sua
vida, Saul experimenta um raro momento de remorso. O testemunho que dá quanto à retidão de Davi
reconhece o direito deste de ser rei;
até o próprio Saul reconhece que Davi não teve sua ascensão ao poder por
meios ilícitos.
* 24.20 tenho
certeza de que serás rei. Contraste a
repreensão que Samuel dirigiu a Saul em 13.14:
"Já agora não subsistirá o teu reino." Mas Saul, diferentemente de Jônatas em 18.4
(nota), não dá o mínimo sinal de estar disposto a ceder o trono a Davi (ver 26.25
nota).
* 25.1 os filhos de Israel... o prantearam. A extensão desse luto é sinal do
destaque que Samuel tinha como líder.
Compare o luto que acompanhou a morte de Jacó (Gn 50.10), de Arão (Nm
20.29), e de Moisés (Dt 34.8).
Ramá. A cidade natal de Samuel (1.1,
nota).
* 25.2 Carmelo.
O mesmo Carmelo onde Saul erigiu um monumento em homenagem à
sua própria pessoa (15.12, notas). O
local desse incidente perto do Carmelo é a primeira de muitas lembranças de
Saul nesse capítulo.
* 25.3 Nabal.
No v. 25, Abigail explica que o nome significa
"loucura." Se parece improvável que os pais tenham pretendido dar um
nome assim ao filho, talvez se trate simplesmente de um jogo zombeteiro de
palavras com um nome que tinha semelhança com "louco".
casa de Calebe. Quanto às posses tribais de Calebe, ver Js
14.13; 15.13. A semelhança entre o nome "Calebe"
e a palavra "cão" em hebraico (cf. 24.14, nota) talvez explique a
inclusão desse detalhe específico na apresentação da pessoa de Nabal.
* 25.8 Davi, teu filho. Compare a atitude de respeito e de
deferência adotada por Davi ao chamar Saul de "meu pai" em 24.11.
* 25.14 este disparatou com eles. O modo de Nabal atacar os
mensageiros de Davi é maligno. A palavra
hebraica traduzida por "disparatou" significa "gritar fortemente
contra" ou "voar em cima de" alguma coisa, e está estreitamente
relacionada com o substantivo hebraico para "aves de rapina." O mesmo
verbo é aplicado a Saul para descrever sua maneira desenfreada de
"lançar-se" ao despojo tirado dos amalequitas (cf. 14.32).
* 25.16 De muro em redor nos serviram. Não somente os homens de Davi se
refrearam de causar danos (v. 7), como também a sua presença oferecia proteção
aos pastores de Nabal (v. 21).
* 25.17 ele é filho de Belial, e não há quem lhe
possa falar. A
lastimável situação em que Nabal se acha provém da sua própria maldade. Sua
falta de sabedoria é uma recusa a conhecer.
* 25.19 Porém nada disse ela ao seu marido Nabal. O cuidado
de não levar sua ação ao conhecimento do seu marido demonstra a falta de
confiança de Abigail nele. Tendo em vista o seu reconhecimento da escolha de
Davi por parte do Senhor (v.28 e nota), sua decisão de ir contra os interesses
de seu marido parece estar apoiada no pensamento de que é melhor obedecer a
Deus do que aos homens (At 5.29).
* 25.22 se eu deixar, ao amanhecer, um só do sexo
masculino. Sem se
refrear por causa dalguma condição social especial de Nabal (contrastar
24.9-12), a intenção de Davi é tomar vingança pessoal.
* 25.25 Nabal é o seu nome, e a loucura está com ele.
Ver nota no v.3.
* 25.28 casa firme. A percepção que Abigail tem de Davi está tão
certa quanto a do seu marido está errada (vs. 10, 11; 2Sm 7.11-16).
pelejas as batalhas do SENHOR. As palavras de Abigail fazem uma
alusão indireta à diferença entre o papel correto que Davi desempenhava como
militar, e a vingança pessoal que agora está querendo. Participar honrosamente em conflitos envolve
tomar posição firme em favor de Deus e deixar que o Senhor lide pessoalmente
com quem nos lesou (24.12).
não se ache mal em ti. Se Davi tivesse se vingado por conta própria
contra o seu inimigo, teria se assemelhado a Saul, e Davi posteriormente louva
ao Senhor por ter enviado Abigail para dissuadi-lo de semelhante transgressão
(v. 32).
* 25.29 atada... feixe... cavidade... funda. Note a repetição poética no discurso de
Abigail.
* 25.36 como banquete de rei. Essa expressão traz a idéia de que
Nabal, de alguma maneira, era semelhante a outro rei, Saul.
* 25.39 Bendito seja o SENHOR. Davi teria errado se tivesse
liquidado o caso com suas próprias mãos, mas não porque Nabal era
inocente. Tendo ouvido a notícia da
morte de Nabal, Davi dá graças ao Senhor por tê-lo impedido de cometer
pessoalmente um crime sem, porém, deixar de apoiar a sua causa.
* 25.40-44 Abigail... Ainoã... Mical.
Davi agora tem três esposas:
Mical, filha de Saul, que tinha
sido dada a outro homem; Ainoã; e Abigail.
Ver também 2Sm 2.2; 3.2, 3.
* 26.1 Vieram os zifeus a Saul. Ver nota em 23.19.
* 26.6 Abisai, filho de Zeruia. Ver nota em 2Sm 2.18.
* 26.8 Deus te entregou... o teu inimigo. Ver nota em 24.4.
* 26.9 contra o ungido do SENHOR. Ver 24.6 e nota.
* 26.10 o SENHOR... o ferirá. As palavras de Davi expressam uma certeza
baseada (ou pelo menos confirmada) pelo modo recente de o Senhor lidar com
Nabal (25.38, 39).
* 26.12 da parte do SENHOR... profundo sono. A sobrevivência de Davi e o seu
êxito definitivo dependiam do governo e da orientação de Deus (ver também 30.2,
19 e notas).
* 26.19 na herança do SENHOR. Ver nota em 2Sm 20.19.
Vai, serve a outros deuses. Davi quer dizer que tinha sido
expulso para viver entre estranhos, longe do povo de Deus.
* 26.20 uma perdiz.
A perdiz, cujo nome em hebraico significa "aquele que
chama," é um termo sabiamente escolhido para Davi, que fica em pé na
crista da montanha e "clama" (vv. 13, 14).
* 26.21 Pequei; volta. O modo de Davi corresponder à
confissão e convite de Saul (v. 22) indica que duvida da sinceridade de
Saul; compare a resposta de Samuel
diante de um convite semelhante da parte de Saul em 15.24-26.
* 26.25 Bendito sejas tu, meu filho Davi. O comportamento de Saul é errático,
e Davi não confia nas suas confissões, nem nas suas bênçãos (27.1; ver nota em
24.20).
* 27.1 algum dia... nas mãos de Saul. A despeito das lições de fé que
tinha aprendido recentemente (26.10), Davi cansa de ser um fugitivo passando
constante perigo de vida, e cede diante do temor humano de que Saul acabará
conseguindo destruí-lo. A ansiedade de
Davi talvez tenha sido aumentada pelo fato de ele e seus homens terem consigo
os seus familiares (v. 3). Pela segunda
vez (21.10), Davi busca refúgio entre os arquiinimigos de Israel, os
filisteus.
* 27.2 Aquis.
Sendo, agora, óbvio e indiscutível o rompimento entre Davi e
Saul, Aquis prontamente aceita a presença de Davi, esperando, indubitavelmente,
obter benefícios do apoio de Davi nas suas próprias lutas contra Saul
(29.6).
* 27.3 com ambas as suas esposas. Ver nota em 25.40-44.
* 27.5 contigo na cidade real. Embora o pedido de Davi, no sentido de receber
moradia "numa das cidades da terra", baseie-se grandemente, no desejo
de não ser um peso financeiro para a cidade real, ele também espera ter maior
liberdade de ação por estar longe dos olhos de Aquis (vs. 8-11).
* 27.6 Ziclague. Alistada entre as cidades de Judá (Js 15.31;
19.5), a cidade antiga de Ziclague pode ter sido em Tell Esh-Shariá, 24 km ao
noroeste de Berseba. Tendo sido uma possessão
israelita, Ziglague agora estava debaixo do controle dos filisteus nesses
tempos.
reis de Judá. Essa expressão é segundo o ponto de
vista de um período posterior à divisão de Israel entre os reinos do norte e do
sul (1Rs 12).
* 27.8 gesuritas.
Vizinhos dos filisteus (Js 13.2), esses povos não eram os
mesmos que os gesuritas ao leste do Jordão (Js 13.11; 2Sm 15.8; 1Cr 2.23). A esposa de Davi, mãe de Absalão (2Sm 3.3),
provinha dos gesuritas ao leste do Jordão.
gersitas. Não identificáveis; Gezer (ver referência lateral) fica bem
distante.
amalequitas. Ver nota em 15.2.
Sur. Ver nota em 15.7.
* 27.9 não deixava com vida nem homem nem
mulher. Esse método
de Davi ocultaria de Aquis a sua vida dupla (v. 11). É duvidoso se esta prática foi correta –
tendo em vista a falta de quaisquer indicações de que o Senhor lhe ordenara
esse tipo de atuação.
* 27.10 Davi respondia. Não é esta a primeira ocasião em que Davi
acha necessário usar de engano (20.6; 21.2 e notas; cf. 16.2, nota).
o Sul de Judá. Ver 2Sm 24.7; 2Cr 28.18. A grande região sul de Israel, o Neguebe,
estendia-se desde Berseba para o sul, até ao Golfo de Aquabá.
Jerameelitas. 1Cr 2.9-15 menciona Jerameel como um
descendente de Judá através de Hezrom e como um irmão de Rão, ancestral de
Davi.
queneus. Os queneus e os jerameelitas são mencionados
juntos em 30.29.
* 27.12 Aquis confiava em Davi. Aquis foi enganado pelo logro de
Davi, que alegava ter atacado aldeias em Judá e na sua vizinhança.
* 28.1 Fica sabendo. Aquis indica que sua benevolência para com
Davi acarreta certas obrigações. A mesma
frase em hebraico é usada na advertência que Salomão deu a Simei em 1Rs 2.37,
42.
* 28.2 quanto pode o teu servo. A ironia da resposta ambígua de
Davi (este lutará em favor de Aquis, ou contra ele?) tem seu paralelo na ironia (talvez
inconsciente) da resposta de Aquis.
minha guarda pessoal para sempre. Supõe-se que a oferta de Aquis depende do
desempenho de Davi na batalha. A
expressão hebraica aqui empregada por Aquis significa "guardador da minha
cabeça," que é uma escolha infeliz de palavras, tendo em vista o que Davi
fez com Golias (17.49-54).
* 28.3 Samuel era morto. A morte de Samuel sinaliza o fim de
uma era.
os médiuns e os adivinhos. Embora a expulsão por Saul dos
médiuns e espíritas esteja em total conformidade com a lei de Moisés (Lv 19.31;
20.6, 27; Dt 18.11), isso é só uma
demonstração parcial de zelo pela religião de Israel. Saul, ao consultar uma médium, indica
claramente sua própria infidelidade e desobediência (1Cr 10.13), ao passo que
Lv 20.6 diz que semelhante pessoa deve ser "eliminada do seu povo."
* 28.4 Suném. Localizada um pouco ao sudoeste da colina de
Moré e 25 km ao sudoeste do mar de Quinerete (Galiléia), Suném era o local do
arraial dos filisteus na véspera da batalha em que Saul morreu (cap. 31).
Gilboa. Essa é provavelmente a cordilheira montanhosa
que começa a 8 km ao sul de Suném e que se estende para o sul, ao longo da
margem oriental da planície de Jezreel. Pode, também, ser uma aldeia localizada
no âmago da cordilheira de Gilboa, 17 km ao sul de Suném. Ver 29.1 e nota.
* 28.5 muito se estremeceu o seu coração. Ver 17.11
e nota.
* 28.6 o SENHOR não lhe respondeu. A consulta por Saul foi instigada pela
ansiedade (v. 5), e não pela piedade, e a recusa do Senhor em responder
relembra a ameaça em 8.18.
nem por sonhos, nem por Urim, nem
por profetas. Saul rejeitara o
Senhor e, como conseqüência, foi rejeitado pelo Senhor (15.23 e nota). Assim, foi excluído dos meios normais de
buscar conselhos de Deus. Enquanto Davi
tinha o profeta Gade no seu séquito (22.5), é improvável que houvesse um
profeta verdadeiro acompanhando Saul.
Além disso, a estola sacerdotal legítima contendo o Urim e o Tumim (2.28,
nota) passou a fazer parte das possessões de Davi através de Abiatar
(23.6).
* 28.7 Apontai-me uma mulher que seja médium. Apesar dos elementos desse tipo terem sido
expurgados da terra (v. 3, nota), Saul parece não ter dúvida nenhuma de que
seria possível achar uma médium, e seus atendentes conseguem imediatamente
indicar uma.
En Dor. Js 17.11, 12 testifica acerca de
uma influência cananéia persistente em En Dor, que ficava uns 8 km ao norte de
Suném (v. 4, nota). Saul, para chegar a
En Dor, teve que ir além das linhas dos filisteus.
* 28.12
Vendo a mulher a Samuel. Esta expressão relata o que a mulher disse ter
visto, porém, nem mesmo Saul viu coisa alguma. Em uma primeira leitura, a
surpresa da mulher pode dar a entender que de fato Samuel apareceu diante dela
e que o fenômeno era algo fora do seu controle. A surpresa, no entanto, pode
ter sido causada porque, de alguma forma, ela reconheceu o rei. Dizer que a
aparição foi da Samuel realmente, contraria vários argumentos na área
teológica. O diálogo nos versos seguintes entre o suposto Samuel e Saul também
foi feito através da mulher, sem ter nenhuma evidência de que o verdadeiro
Samuel tenha dito qualquer das coisas mencionadas. Isso sem contar a descrição
vaga e imprecisa que a médium dá nos próximos versos da suposta figura de
Samuel. Ainda mais, seria incoerente que, uma vez que Saul não foi respondido
pelo Senhor por várias formas (nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas,
v.6), venha agora receber uma resposta através do finado profeta Samuel (se
fosse mesmo Samuel falando através da necromante, o Senhor agora estaria
respondendo, pois Samuel não falaria de si mesmo). O autor do Livro das
Crônicas ao relatar as causas da morte de Saul (1Cr 10.13-14) diz que este
morrera porque “interrogara e consultara uma necromante e não ao Senhor”.
* 28.14 Entendendo Saul que era Samuel. Segundo parece, Saul reconheceu
Samuel quando a médium descreveu a sua capa.
O destino da monarquia de Saul tem sido simbolizado de várias maneiras
por capas, e a alusão à capa de Samuel relembra o pronunciamento devastador em
15.28 (ver também 18.4; 24.4-6).
* 28.19 tu e teus filhos estareis comigo. Ou seja: entre os mortos (31.2-4).
* 28.23 Não comerei. Ver nota em 1.7.
* 29.1 Ajuntaram os filisteus. Essa declaração volta à narrativa iniciada em
28.1, 2, porém interrompida a fim de descrever a visita de Saul à médium
(28.3-25).
Afeque. Provavelmente a mesma Afeque
mencionada em 4.1 (nota), 45 km ao norte de Gate. Os filisteus reuniram as suas forças em
Afeque antes de continuarem a sua marcha para o norte (v. 2).
Jezreel. Ao norte
do monte Gilboa, poucos quilômetros ao sul de Suném, e 64 km ao nordeste de
Afeque.
* 29.3 hebreus.
Ver nota em 4.6.
coisa nenhuma achei contra
ele. Esse juízo revela a medida
da ingenuidade de Aquis, e não da sinceridade de Davi (27.8-12).
* 29.4 para que não se faça nosso adversário no combate. Os demais comandantes filisteus são menos
ingênuos do que Aquis, e talvez ainda guardem lembranças dolorosas de traição
em meio a uma batalha anterior contra Israel (14.21).
* 29.5 Não é este aquele Davi, de quem uns aos
outros respondiam nas danças.
Ver nota em 18.7; 21.11.
* 29.8 Porém que fiz eu? Essa pergunta, um protesto de
inocência genuína ao ser dirigida a Saul (26.18), agora não passa de disfarce
enganoso. Davi tinha, na realidade,
feito bastante coisa errada (27.8-12), se Aquis tão-somente pudesse vê-la.
para que não vá pelejar contra os
inimigos do rei, meu senhor. Assim como
em 28.2, Davi volta a empregar ambigüidades que são aparentes ao leitor, mas
não a Aquis. A ambigüidade aqui é a identidade de o "rei, meu
senhor." Podia ser Aquis, Saul, ou
possivelmente o próprio Deus.
* 29.9 aos meus olhos és bom como um anjo de
Deus. A confiança de Aquis, que é
um erro grosseiro nesse caso, deixa-o praticamente com papel de tolo. Quanto à expressão "anjo de Deus,"
ver 2Sm 14.17, 20; 19.27.
* 30.1 Ziclague. Ver nota em 27.6.
amalequitas tinham dado com ímpeto.
Ver notas em 15.2, 8. Tendo sido as vítimas das incursões
vitoriosas de Davi (27.8), os amalequitas aproveitaram a ausência de Davi de
Ziclague para retaliarem.
o Sul. Ver nota em 27.10.
* 30.2 a ninguém mataram. É evidência notável da proteção
providencial que o Senhor dera a Davi (v. 19; 26.12), cuja própria prática
tinha sido bem diferente (27.9).
* 30.3 suas mulheres, seus filhos e suas filhas
eram levados cativos. Essa virada
dos eventos deve ter causado consternação excepcional, porque era a solicitude
pela segurança das famílias que desde o início deve ter motivado a retirada de
Davi e seus homens ao território dos filisteus (27.1, nota).
* 30.6 Davi se reanimou no SENHOR, seu Deus. Ver nota em 23.16.
* 30.7 Abiatar a trouxe. Ver nota em 22.20.
* 30.9 ribeiro de Besor. Ribeiros da estação chuvosa da vizinhança de
Berseba e do sul convergem para o ribeiro de Besor, que corre para o noroeste
até desembocar no mar Mediterrâneo. Davi
e seus homens devem ter chegado à ravina uns 20 km ao sul de Ziclague.
* 30.10 cansados.
Sua exaustão não é de se estranhar depois de uma marcha de
mais de 96 km a partir de Afeque (29.1-11) até ao ribeiro de Besor.
* 30.14 a banda do sul dos queretitas. Os queretitas provinham
provavelmente de Creta. São
freqüentemente mencionados com os filisteus (Ez 25.16; Sf 2.5). Os "quereteus e peleteus" serviam
sob o comando de Benaia, filho de Joiada, como tropas profissionais leais a
Davi (2Sm 8.18; 15.18; 20.7, 23) e, pelo menos durante algum tempo, também a
Salomão (1Rs 1.44). Que formavam o
"guarda real" deduz-se de 2 Samuel 23.20, 23.
a banda do sul de Calebe. Calebe, filho de Jefoné, é
mencionado pela primeira vez em Nm 13.6 como um dos espias escolhidos para
fazer um reconhecimento da terra de Canaã.
É elogiado em Nm 14.24 como quem "perseverou" em seguir ao
Senhor e que, portanto, receberia uma herança na Terra Prometida. Sua herança
incluía Hebrom (Js 14.13, 14; Jz 1.20).
* 30.19 Não lhes faltou coisa alguma. Essa é mais uma prova marcante de
como o Senhor vigiava com solicitude a situação de Davi (v. 2, nota).
* 30.21 ribeiro Besor. Ver nota no v. 9.
* 30.22 filhos de Belial. Ver nota
em 2.12, onde é usada a mesma expressão hebraica.
* 30.23 o que nos deu o SENHOR. Davi reconhece que o salvamento bem-sucedido
não foi obra dele mesmo, mas do Senhor (vs. 2, 19 e notas). Foi por isso que rejeitou a idéia de que as
tropas na linha da frente têm o direito a mais despojos do que aqueles que
permaneceram na retaguarda.
* 30.26 despojo aos anciãos de Judá. Provavelmente estivesse agradecendo
a eles pela ajuda que lhes deram na sua fuga de Saul (v. 31). Entretanto também foi nessa região que Davi
foi primeiramente reconhecido oficialmente como rei (2Sm 2.1-4).
* 30.27-31 Conforme diz o v. 31, essas cidades
estavam dentro do alcance das peregrinações de Davi como fugitivo. Todas elas ficam no sul de Judá. Essa Betel (v.27), por exemplo, não deve ser
confundida com a cidade mais ao norte, de mesmo nome (7.16, nota).
* 31.1 Monte Gilboa. Ver nota em 28.4.
* 31.2 Jônatas, Abinadabe e Malquisua, filhos de
Saul. Ver 14.49. Quanto a uma lista de todos os quatro filhos
de Saul, ver 1Cr 8.33. Crônicas registra
o nome de Esbaal, que provavelmente foi alterado mais tarde para Is-Bosete ("homem
de vergonha") para evitar qualquer
associação com o deus dos cananeus, Baal.
Is-Bosete foi o único filho de Saul que sobrou com vida depois da
derrota no monte Gilboa.
* 31.4 estes incircuncisos. Ver nota em 14.6.
Saul tomou da espada e se lançou
sobre ela. Embora alguns louvem
a ação de Saul como digna de um herói trágico, o teor dos livros de Samuel
indica o contrário. Recomendáveis são
aqueles que, assim como Davi nos tempos de aflição, acham em Deus a sua força
(23.16; 30.6), e que, assim como Jônatas, rendem-se totalmente à sua vontade
(18.4, 28, 29; 19.4; 20.31; 23.17 e notas).
* 31.6 todos os seus homens. Quanto ao significado de
"todos," ver a nota em 15.8.
* 31.10 Astarote.
Trata-se da deusa da fertilidade dos cananeus.
Bete-Seã. Localizada no vale do Jordão, uns 24 km ao sul
do mar de Quinerete (Galiléia), essa cidade fronteiriça do território de
Manassés está alistada em Js 17.11, 16;
Jz 1.27 entre aquelas cidades que resistiram a ocupação pelos israelitas
e que permaneceram como fortalezas dos cananeus e filisteus.
* 31.11 Jabes-Gileade. Ver nota em 11.1.
* 31.12 tiraram o corpo de Saul... do muro. Esse ato corajoso dos "homens
valentes" de Jabes Gileade é uma expressão de gratidão pelo seu próprio
resgate efetuado por Saul, narrado no cap. 11.
Além disso, era considerado extremamente vergonhoso aos mortos ficarem
sem sepultamento.
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