*          1.1–7.17  Deus governa e liberta o seu povo antes dos tempos da monarquia.  Assim o faz suscitando Samuel (caps. 1–3), intervindo diretamente contra os filisteus (4.1–7.1), e dando a Samuel a vitória contra os filisteus (7.2-17). 

 

*          1.1       um homem.  Essa expressão com a genealogia que a acompanha sugere que Elcana era um homem de posição.  A referência a uma esposa estéril (v. 2) assemelha-se à introdução ao nascimento de Sansão (Jz 13.2).

 

Ramataim.  Possivelmente significa "montanhas gêmeas."  O nome ocorre somente aqui no Antigo Testamento.  Talvez seja o mesmo que Arimatéia (ao noroeste de Betel) no Novo Testamento.  A cidade natal de Samuel é usualmente chamada Ramá, uns oito km ao norte de Jerusalém (1.19; 2.11; 7.17; 8.4; 15.34; 19.18; 25.1). 

 

de Zufe.  "Zufe" é tanto um nome pessoal (1Cr 6.35) quanto um território (9.5).

 

Efraimita.  Efraim era seu lugar de origem, e não necessariamente a tribo dos seus antepassados (1Cr 6.16-30, 33-37).

 

*          1.2       duas mulheres.  A poligamia é mencionada primeiramente em Gn 4.19.  É reconhecida e regulamentada, porém não endossada, em Dt 21.15-17. 

 

não os tinha.  Ana não tinha filhos e era provocada pela sua rival prolífica (vs. 6, 7).  Uma esposa estéril, porém favorecida, que recebe como bênção de Javé um filho especial, não é incomum no Antigo Testamento.  Ver Gn 18.1-15 (Sara-Isaque);  25.21-26 (Rebeca-Esaú e Jacó);  30.22-24 (Raquel-José);  Jz 13.2-5 (esposa de Manoá-Sansão).  No Novo Testamento, ver Lc 1.5-25 (Isabel-João). 

 

*          1.3       Este homem subia.  Talvez estivesse observando a "solenidade do SENHOR em Silo" (Jz 21.19), ou talvez fosse a uma cerimônia familiar (20.6).  No Pentateuco (os cinco livros de Moisés, ou Torá) há referência a três grandes festas anuais de peregrinação (Êx 23.14-17; 34.18-23; Dt 16.1-17). 

 

SENHOR dos Exércitos.  É aqui que esse título ocorre pela primeira vez no Antigo Testamento.  "SENHOR" representa "Javé" em hebraico, o nome pessoal do Deus de Israel, em distinção à designação geral:  "Deus." “Exércitos” é a tradução usual de outra palavra conforme o contexto, pode incluir as hostes de Israel (17.45), as hostes cósmicas ou os corpos celestiais (Dt 4.19), e as hostes angelicais (Js 5.14).  De modo global, o título expressa a soberania do Senhor sobre todos os poderes terrestres e celestiais.

 

Silo.  A meio-caminho entre Siquém e Betel, Silo (atualmente Seilun) era um centro religioso israelita importante durante o período antes da monarquia (Js 18.1;  Jz 21.19).  O santuário ali (Jr 7.12) pode ter sido destruído pelos filisteus depois da batalha de Afeque (4.1-11).

 

Eli.  Assim como no caso de outras pessoas bem-conhecidas no Antigo Testamento (Josué, Êx 17.9;  e Jônatas, 1Sm 13.2), Eli é apresentado pela primeira vez simplesmente com seu  nome.

 

*          1.5       porção dupla.  A expressão em hebraico é difícil, mas usualmente tem sido interpretada no sentido de uma porção especialmente honrosa.  As tentativas de Elcana para diminuir a tristeza de Ana expressando seu amor por ela (v. 8)  não surtiram efeito. 

 

o SENHOR a houvesse deixado estéril.  A esterilidade de Ana não proveio do acaso, nem como forma de castigo (2Sm 6.23), mas estava debaixo do controle soberano do Senhor.

 

*          1.6       A sua rival.  Ver nota em 1.2. 

 

*          1.7       não comia.  Ana se recusou a comer até que o Senhor respondesse à sua oração;  compare as ações de Davi em 2Sm 12.16-20, e contraste com as de Saul em 1Sm 28.23-25.  No Novo Testamento, o jejum freqüentemente acompanha assuntos sérios com o Senhor (At 13.2-3; 14.23). 

 

*          1.9       templo.  A menção de "pilares" aqui e "portas" em 3.15, bem como lugares de dormir em 3.2, 3, talvez sugira uma estrutura mais permanente do que a tenda dos tempos de Moisés.  Outras designações para a estrutura em Samuel são "a casa do SENHOR" (v. 7; 3.15) e "a tenda da congregação" (2.22).  Em 2Sm 7.6 fica claro que antes dos tempos de Davi o tabernáculo ou templo era uma tenda e não uma estrutura permanente.

 

*          1.11     voto.  Sobre votos feitos por mulheres casadas, e a responsabilidade do marido de confirmá-los ou anulá-los, ver Nm 30.6-15.

 

e de mim te lembrares.  Ana pede, não simplesmente que o Senhor a mantenha em mente, mas que ele faça algo especial para ajudá-la.

 

não passará navalha.  O voto de Ana reflete elementos do voto do narizeado (Nm 6.1-21).  Especificamente, trata-se de abster-se de uvas ou de qualquer coisa feita com uvas, deixar de cortar os cabelos, e evitar todo e qualquer contato com algum cadáver.  Embora semelhantes votos geralmente fossem feitos por um período limitado de tempo, o de Ana era por "todos os dias" da vida do seu filho (ver Jz 13.5, nota).

 

*          1.13     embriagada.  O fato de Eli ter concluído que Ana estava embriagada constitui-se em elemento estranho na narrativa porque sugere que o fervor na oração não era algo familiar a ele. 

 

*          1.16     filha de Belial. Ou: “ímpia”. Ver referência lateral e 2.12.

 

*          1.18     o seu semblante já não era triste.  As atitudes de Ana como modo de corresponder  à bênção pronunciada no v. 17 evidenciam a sua fé.

 

*          1.20     Samuel.  Vários significados do nome "Samuel" têm sido sugeridos, inclusive "ouvido por Deus" (referência lateral), "aquele que provém de Deus," "nome de Deus," e até mesmo "filho de Deus" (como aquele "dado" ou "prometido" por Deus).  "Saul" provém do verbo hebraico "pedir," que ocorre freqüentemente nessa seção.

 

*          1.21     voto.  Ver Lv 7.16 e nota.

 

*          1.22     desmamado.  No antigo Oriente Médio, um filho era desmamado mais tarde do que freqüentemente é o costume hoje (2 Macabeus 7.27:  "por nove meses te trouxe em meu seio e por três anos te amamentei").  O desmame pode também ter sido celebrado com uma festa (Gn 21.8).

 

*          1.23  a sua palavra.  Ou: “a palavra dele”. "A tua palavra" (de Ana) (referência lateral)  talvez deva ser preferida aqui.  Elcana, como marido de Ana (1.11, nota), invoca a ajuda do Senhor no cumprimento do voto de sua esposa.

 

*          1.24     um novilho de três anos... odre de vinho. Segundo Nm 15.8-10, o cumprimento de um voto deveria ser acompanhado pela oferta de um novilho, farinha e vinho.  Ana traz tudo, porém, em medida maior que a exigida. 

 

*          2.1-10  Tendo recebido a resposta à sua oração, Ana entoa um cântico jubiloso de ação de graças.  Focalizando a soberania do Senhor e a sua graça aos humildes, Ana antecipa os temas principais dos livros de Samuel.  Os mesmos temas de soberania, graça, e da libertação são reiterados no cântico de Davi de ação de graças perto do fim de 2 Samuel (cap. 22).  Os dois cânticos fornecem um arcabouço poético para 1 e 2 Samuel.  O cântico de louvor (mais breve) de Maria (o Magnificat, Lc 1.46-55)  parece ter seguido o modelo de Ana.  Os dois cânticos iniciam-se com regozijo por causa do livramento pelo Senhor (v. 1;  Lc 1.46-48), exaltam a incomparabilidade e santidade do Senhor (v. 2; Lc 1.49, 50), condenam a jactância orgulhosa (v. 3; Lc 1.51), indicam mudança da sorte humana como resultado de intervenções pelo Senhor soberano (vs. 4-8; Lc 1.52, 53), e expressam o cuidado fiel que o Senhor dedica aos seus (v. 9;  Lc 1.54, 55).  O cântico de Ana termina com a asseveração de que o próprio Senhor dará forças ao seu rei, ao seu ungido (vs. 9-10). 

 

*          2.1       força.  Lit. "chifre," palavra esta que [em hebraico] é usada figuradamente no Antigo Testamento para significar orgulho e força.  É Deus quem exalta a força dos justos e abate as forças dos ímpios (Sl 75.10).  Davi exalta o Senhor como "o meu escudo, a força da minha salvação" (v. 10, nota;  2Sm 22.3).

 

*          2.2       Rocha.  Como metáfora para Deus, esse termo está concentrado nos trechos poéticos tais como o cântico de Moisés em Dt 32;  o cântico de Davi em 2Sm 22;  Salmos;  e Isaías.  A metáfora sugere a força e a soberania de Deus, e a segurança daqueles que confiam nele.  Aqui recai o enfoque na incomparabilidade do único Deus verdadeiro, em oposição às falsas fontes de segurança (compare o contraste com os falsos deuses, também chamados "rocha," em Dt 32.31, 37;  Is 44.8).

 

*          2.5       tem sete filhos.  O número sete expressa o que é idealmente completo (Rt 4.15). 

 

*          2.9       porque o homem não prevalece pela força.  As narrativas subseqüentes confirmam que não é a proeza física, mas a presença de Deus, que traz a vitória.  Na narrativa da arca nos caps. 4–6, o Senhor faz os filisteus sentirem a sua mão sem a ajuda de agentes humanos (5.6).  Outros exemplos desse tipo são a vitória do Senhor através de Samuel no cap. 7;  os resultados contrastantes de Saul e Jônatas nos caps. 13 e 14;  a escolha de Davi, o mais jovem dos filhos de Jessé, no cap. 16;  e a vitória de Davi sobre Golias no cap. 17.

 

*          2.10     seu rei.  A referência aqui ao rei do Senhor antevê o evento central dos livros de Samuel, a saber:  a instituição de uma monarquia, e subentende que a idéia de uma monarquia, corretamente cogitada, não é errada.  Que Israel teria um rei é previsto em vários trechos do Pentateuco (Gn 49.10;  Nm 24.7, 17-19; Dt 17.14-20).

 

seu ungido.  Numerosos objetos e pessoas estavam sujeitos à unção religiosa no Israel antigo (Êx 30.22-33), mas era o rei que, em última análise, tinha o título de "ungido do SENHOR" ou simplesmente de "ungido." As pessoas escolhidas para servir a Deus eram ungidas para simbolizar que essa era a sua vocação, que eram autorizadas para realizá-la, e que Deus lhes daria a ajuda da qual necessitassem.  As referências ao rei como o ungido do Senhor predominam nos livros de Samuel (v. 35;  12.3. 5;  16.6;  24.6) e nos Salmos (Sl 2.2; 18.50).  O presente trecho é a primeira referência a um rei de Israel como o "ungido" de Deus, embora a idéia de ungir um rei já se encontre na fábula de Jotão (Jz 9.8, 15).  A palavra "messias" em português representa a palavra "ungido" em hebraico.  No Novo Testamento, "Cristo" representa a palavra grega Christos, que também significa "ungido."

 

*          2.12     os filhos de Belial.  Assim se traduz uma expressão em hebraico que conota pessoas vis, sem valor [que é a tradução literal de belial].  É usada a respeito daqueles que incitam à idolatria (Dt  13.13) ou à insurreição (10.27; 2 Sm 16.7; 20.1);  que são sexualmente imorais (Jz 19.22);  ou que são mentirosos (1Rs 21.10, 13).  Infelizmente, a expressão podia ser aplicada aos filhos de Eli.

 

não se importavam.  Lit. "não conheciam," o que forma um contraste irônico entre os filhos de Eli e Samuel (3.7, nota). 

 

*          2.13     o costume daqueles sacerdotes.  A prática descrita nos vs. 13, 14 é diferente dos preceitos de Lv 7.28-36 e Dt 18.3.  A cobiça dos filhos de Eli levou os israelitas a desprezarem a oferta do SENHOR (v. 17).

 

*          2.15       antes de se queimar a gordura. Deste os tempos em que Abel ofereceu a gordura dos primogênitos do seu rebanho (Gn 4.4), as partes gordurosas eram consideradas as melhores, e por isso mesmo, reservadas para o Senhor.  Os sacerdotes tinham o dever de queimar a gordura no altar, como oferenda ao Senhor (Lv 3.16; 7.31).  Assim como o sangue, a gordura era rigorosamente proibida para o consumo humano, e quem a comesse seria expulso do meio do povo de Deus (Lv 3.17;  7.23-25). 

 

*          2.18     Samuel.  O comportamento de Samuel, que ministra fielmente diante do Senhor, e também o de Eli, que regularmente abençoa Elcana com sua esposa (v. 20),  está em nítido contraste com os abusos dos filhos de Eli. 

 

estola sacerdotal de linho.  Algum tipo de roupa interna curta,  associada ao serviço sacerdotal (22.18), que também foi usada pelo rei Davi quando trouxe a arca para Jerusalém (2Sm 6.14).  Ver também 2.28, nota. 

 

*          2.19     túnica.  Uma roupa externa, que deveria ser usada por cima da estola sacerdotal de linho.

 

*          2.20  filho que devolveu.  As palavras de Eli relembram as de Ana em 1.27, 28.  As palavras "dádiva" e "pedir" em hebraico são derivadas da mesma palavra que o nome "Saul" (1.20, nota). 

 

*          2.21     diante do SENHOR.  Ou:  "com o SENHOR";  a mesma expressão em hebraico é usada no v. 26. 

 

*          2.22     Eli.  Novamente, assim como no v. 12, o enfoque muda do menino Samuel para a casa de Eli.

 

ouvia.  Eli tinha que ser informado a respeito daquilo que ele já deveria ter observado e controlado por sua própria iniciativa.  Mas seus delitos são muito mais profundos do que a simples falta de atenção (v. 29).

 

se deitavam com as mulheres.    Quanto à "tenda," ver nota em 1.9;  quanto às "mulheres que serviam," ver Êx 38.8.  A prostituição cultual, embora fosse explicitamente condenada pela Lei (Dt 23.17, 18), era praticada pelos cananeus e se constituía em perigo constante para os israelitas (1Rs 15.12; 2Rs 23.7; Os 4.14).

 

*          2.25  Deus lhe será o árbitro. O argumento de Eli é que, embora possa haver alguma mediação nas disputas entre as pessoas, ninguém que poderá intervir quando o delito for contra o próprio Deus.  Os filhos de Eli pecaram, antes de mais nada, contra o Senhor (v. 17), e selaram o seu destino ao se recusar a prestar atenção à advertência de Eli. 

 

o SENHOR os queria matar.  Essa declaração clara da soberania de Deus sobre o destino dos ímpios não diminui a responsabilidade das pessoas pelas suas próprias ações.  Um exemplo do relacionamento entre a soberania divina e a responsabilidade humana acha-se no endurecimento do coração de Faraó nos primeiros capítulos do Êxodo.  Em cerca de metade das ocasiões, é declarado que  Faraó endureceu seu próprio coração (Êx 8.15);  nas demais ocasiões, é declarado que Deus o endureceu (Êx 4.21; Rm 9.17, 18).  Deus pode castigar o pecado persistente e deliberado removendo a capacidade de a pessoa se arrepender (Js 11.20; Rm 1.24, 26, 28).

 

2.26     no favor do SENHOR.  A gravidade da recusa dos filhos de Eli de prestarem atenção aos homens ou a Deus é enfatizada pelo contraste marcante com Samuel, que cresce no favor de Deus e dos homens.  A ênfase dada ao crescimento de Samuel como sendo mais do que meramente físico prenuncia um tema que é posteriormente desenvolvido nas figuras contrastantes de Saul e de Davi.  A expressão no v. 6 é usada por Lucas para descrever a infância de Jesus (Lc 2.52; ver Pv 3.4). 

 

*          2.27-36  As palavras do homem de Deus a Eli exibem características típicas dos discursos proféticos de juízo.  Há uma acusação (expressa aqui através das perguntas acusadoras que enfatizam o contraste entre a graça do Senhor e a desobediência de Eli) e uma proclamação de juízo, confirmada por um sinal. Outros exemplos de discursos proféticos desse tipo acham-se nos caps. 13; 15; em 2Sm 12.7-12.

 

*          2.27     homem de Deus.  No Antigo Testamento, esse título é freqüentemente empregado de modo intercambiável com "profeta" (9.8-11; 1Rs 13.15-18; 2Rs 5.8; 6.10-12).

 

casa de teu pai... no Egito.  Embora a genealogia de Eli não esteja registrada em nenhuma parte do Antigo Testamento, o v. 28 subentende que ele era um descendente de Arão.  A asseveração de que o Senhor se revelou e selecionou a casa de Eli já nos tempos da servidão de Israel no Egito ressalta a ingratidão grosseira da casa de Eli.

 

*          2.28  trazer a estola sacerdotal.  A estola sacerdotal mencionada aqui não é a roupa mencionada no v. 18, mas a estola do sumo sacerdote, que continha o "peitoral do juízo" e o "Urim e o Tumim," através dos quais se podia descobrir a vontade do Senhor (Êx 28.4-30).

 

e dei... as ofertas.  Tanto no Antigo Testamento (Nm 18.8;  Dt 18.1) quanto no Novo (1Co 9.13, 14;  1Tm 5.17, 18)  Deus providencia o sustento daqueles que estão no seu serviço. 

 

*          2.29     honras.  Embora os delitos dos filhos de Eli fossem mais atrevidos, ele próprio não fica sem culpa.  Como pai e sumo sacerdote, não deveria ter se limitado a confrontar seus filhos somente com palavras (vs. 23-25).  Ter deixado de agir firmemente equivaleu a honrar seus filhos acima do Senhor (v. 30).  A palavra hebraica traduzida por "honrar" é uma palavra-chave nos relatos subseqüentes da queda da família de Eli e da captura e devolução da arca (caps. 4–7);  ver notas em 4.21; 6.5, 6.

 

*          2.30     perpetuamente.  Contínua ou indefinidamente.

 

*          2.31     não haja mais velho nenhum em tua casa.  A dizimação da casa de Eli começa com a morte dos seus filhos (4.11) e a sua própria (4.18).  Ela continua com o massacre dos sacerdotes de Nobe por Saul (22.17-19) e culmina quando Salomão remove Abiatar do sacerdócio (1Rs 2.26, 27). 

 

*          2.32     o aperto da morada de Deus.  Ou: “um inimigo em minha morada”. O termo em hebraico é difícil, e partes dos vs. 31, 32 faltam na Septuaginta e nos Rolos do Mar Morto.  Se for correta a tradução "o inimigo na morada de Deus", o versículo aludiria à captura da arca (4.1-11), à destruição da morada do Senhor em Siló (Jr 7.12-14), e à sua recolocação em Nobe (21.1).

 

*          2.34  sinal.  Pronunciamentos proféticos eram freqüentemente confirmados por sinais (2.27-36, nota;  cf. 10.7, 9; 1Rs 13.3, 5; 2Rs 19.29; 20.8, 9). 

 

*          2.35     sacerdote fiel.  Embora a declaração em 3.20 de que Samuel foi "confirmado" como um profeta do Senhor sugira que Samuel possa ter sido o cumprimento dessa predição, o cumprimento mais claro vem na pessoa de Zadoque, que serviu como sumo sacerdote lado a lado com Abiatar no reinado de Davi (2Sm 8.17, nota) e que chegou à preeminência no reinado de Salomão (1Rs 2.35).  Os descendentes de Zadoque mantiveram-se no sumo sacerdócio desde o reinado de Salomão até aos tempos de Antíoco Epifânio e dos macabeus (para os detalhes, ver Introdução ao Período Interbíblico).

 

meu ungido.  Essa é a segunda alusão neste capítulo ao rei vindouro (v. 10 nota). 

 

*          2.36  um pedaço de pão.  Os juízos proféticos eram caracterizados pela correspondência entre o crime e o castigo.  A fome ameaçada nesse versículo corresponde com a satisfação da gula descrita nos vs. 12-27 e 29.

 

*          3.1       a palavra do SENHOR era mui rara.  Quando o Senhor retém a sua palavra, é sinal do seu desagrado (14.37; Sl 74.9; Lm 2.9;  Am 8.11,12).  De maneira inversa sua comunicação com Samuel é sinal do seu favor.

 

visões. Tais visões ou revelações eram necessárias para o bem-estar do povo de Deus (Pv 29.18).

 

*          3.3       antes que a lâmpada de Deus se apagasse.  Pode se tratar simplesmente de uma referência ao horário (Êx 27.20-21; Lv 24.1-4).  O emprego de "lâmpada" como uma metáfora de esperança e de promessa é muito comum (2Sm 21.17; 22.29;  1Rs 11.36;  15.4;  Jó 18.5; Sl 132.17; Pv 13.9), e é possível também aqui.  Com Samuel no cenário, ainda há uma fagulha de esperança.

 

templo.  Ver nota em 1.9.

 

arca.  Também chamada, em outros textos, "a arca do Testemunho" e "a arca da aliança," essa caixa de madeira de acácia revestida de ouro é descrita em Êx 25.10-22.  A arca assume importância nos caps. 4–6 e de novo em 2Sm 6.

 

*          3.7       Samuel ainda não conhecia o SENHOR.  A repetição da terminologia do v.  2.12 a respeito de "conhecer" a Deus serve para enfatizar o contraste no sentido.  Os filhos de Eli "não se importavam com o SENHOR" porque o desconsideravam impiamente.  Samuel era uma criança, e nenhuma revelação ainda viera até ele.

 

*          3.8       Então, entendeu Eli.  A lentidão de Eli em reconhecer que Deus estava chamando Samuel relembra ocasiões anteriores de falta de percepção (1.12-16) e de consciência (2.22, nota), o que contribui à impressão do leitor de Eli como um sacerdote idoso cujos olhos se escureceram (v. 2) de mais de uma maneira.

 

*          3.12     tudo quanto tenho falado.  Ver 2.27-36.  A repetição a Samuel do oráculo contra Eli confirma o próprio oráculo e estabelece Samuel como um profeta do Senhor (v. 20).

 

*          3.13     se fizeram execráveis.  A Septuaginta (o Antigo Testamento em Grego) coloca "Deus" no lugar de "se".  Isto representa a mudança de uma única consoante no texto hebraico original.  Se os filhos de Eli estavam blasfemando contra Deus, tratava-se de um delito que levava à pena da morte (Lv 24.15, 16).

 

e ele os não repreendeu.  Eli, tendo em conta a sua posição de sumo sacerdote, deveria ter tomado medidas para refrear os seus filhos logo que a repreensão verbal tivesse comprovado sua ineficácia (2.29, nota;  2Sm 13.21, nota). 

 

*          3.14     nunca lhe será expiada a iniqüidade, nem com sacrifício, nem com oferta de manjares.  Embora houvesse provisões para a expiação dos pecados não intencionais dos sacerdotes (Lv 4.1-12), os pecados da casa de Eli desafiavam diretamente a Deus (Nm 15.30-31). Eles tinham desprezado os meios normais de expiação:  os sacrifícios e as oferendas (2.17, 29).

 

*          3.18     É o SENHOR;  faça o que bem lhe aprouver.  Eli aceita humildemente a sua rejeição, e confessa o direito de Deus em governar os assuntos dos homens.  Suas palavras estabelecem um padrão segundo o qual os personagens posteriores na narrativa deveriam ser julgados: Saul (20.30,31) e Davi (2Sm 15.25,26).

 

*          3.19     o SENHOR era com ele.  Da perspectiva dos livros de Samuel, é a presença de Deus com alguém que faz a diferença entre a vitória e o fracasso (16.18;  18.12, 14, 28).

 

e nenhuma de todas as suas palavras deixou cair em terra. Ver 9.6.  Samuel, portanto, foi aprovado no como verdadeiro profeta (Dt 18.21, 22). 

 

*          3.20     desde Dã até Berseba... profeta do SENHOR.  Embora as responsabilidades de Samuel como juiz o levariam a servir numa determinada área nas regiões montanhosas centrais (7.15-17), sua reputação como profeta espalhava-se por "todo o Israel" (2Sm 3.10;  17.11; 24.25;  1Rs 4.25). 

 

*          3.21     Silo.  Ver nota em 1.3.

 

*          4.1       Veio a palavra de Samuel a todo o Israel.  O episódio que começou com a notícia a respeito da raridade da palavra do Senhor (3.1)  termina com a notícia da mudança introduzida pela escolha de Samuel para ser "profeta do SENHOR" (3.20 e nota). 

 

filisteus.  Os filisteus são um dos "Povos do Mar" mencionados nos textos egípcios desde os tempos de Ramsés III.  Até o tempo dos juízes (Jz 3.31;  13-16), os filisteus tinham se estabelecido ao longo das praias da Canaã do sul, numa associação de cinco cidades:  Asdode, Asquelom, Ecrom, Gate, e Gaza (6.17;  Jz 3.3).  Os filisteus tentavam freqüentemente expandir os seus territórios, e nos tempos de Samuel e da monarquia inicial, estavam em conflito direto com os isaelitas ao norte e ao leste. 

 

Ebenézer.  Este pode ser um local arqueológico cerca de 3 km a leste de Afeque (cf. v. 6).  Ebenézer (que significa "Pedra de Socorrro")  é mencionada de novo em 5.1.  A Ebenézer em 7.12 relembra essas primeiras referências (7.12, nota),  mas é um lugar diferente, perto de Mizpa.

 

Afeque.  Afeque estava na extremidade sul da planície de Sarom, cerca de 8 km da praia do Mediterrâneo, perto da nascente do rio Yarquom (29.1).  Estava entre as cidades conquistadas por Josué (Js 12.18).

 

*          4.3       Por que nos feriu o SENHOR?  A pergunta dos anciãos é apropriada por refletir a crença de que "do SENHOR é a guerra" (17.47).  Não esperam uma resposta, mas imediatamente põem em prática seu próprio plano.

 

Tragamos... a arca.  A convicção aparente dos anciãos de que a arca seria uma garantia mágica da presença do Senhor é semelhante àquela dos filisteus (vs. 7-9).  A salvação depende da livre iniciativa de Deus e da Sua graça soberana, e não das técnicas ou planos humanos (2Sm 15.25 e nota). 

 

*          4.4       SENHOR dos Exércitos.  Ver nota em 1.3.

 

Hofni e Finéias.  Com seus dois filhos ímpios (2.12-17, 27-36) encarregados da arca, não é de admirar que o coração de Eli estava "tremendo pela arca de Deus" (v. 13).

 

*          4.6       hebreus.  Essa palavra ocorre pela primeira vez em Gn 14.13 como uma descrição de Abrão.  Documentos extrabíblicos do segundo milênio a.C. mencionam um povo diverso e disseminado chamado "habiru." Isso tem levado a debates consideráveis a respeito da identidade desse povo com os hebreus bíblicos.  Os habiru pareciam ser uma classe de estrangeiros ou refugiados sem terra, que sobreviviam ou por se empregarem como soldados ou agricultores, ou por meio de pilhagem.

 

*          4.8       grandiosos deuses... que feriram aos egípcios.  O clamor dos filisteus revela sua perspectiva politeísta, mas deixa pouca dúvida quanto ao impacto que aquele evento teve sobre as nações em derredor (6.6; Js 2.9-11).

 

*          4.10  trinta mil.  Ao invés de trazer alívio, os israelitas, na sua tentativa de manipular o Senhor visando seus próprios interesses, sofreram uma derrota ainda maior (v. 2).

 

*          4.1       Foi tomada a arca de Deus.  Um evento tão surpreendente quanto desastroso, a perda da arca certamente deve ter feito tinir ambos os ouvidos (3.11). 

 

mortos... Hofni e Finéias.  Em cumprimento de 2.34 e 3.12.

 

*          4.13     seu coração estava tremendo pela arca de Deus.  Eli, anteriormente repreendido por honrar mais aos seus filhos do que ao Senhor (2.29), agora demonstra mais preocupação pela arca de Deus do que pelos próprios filhos (vs. 17-18).

 

*          4.18     menção da arca de Deus.  Não foram as más notícias das perdas pesadas sofridas pelos israelitas, nem a notícia da morte dos seus próprios filhos (v. 17), mas a informação de que a arca de Deus tinha sido tomada foi o motivo que desencadeou a reação que resultou na morte do próprio Eli. 

 

havia ele julgado a Israel.  Não há nenhuma contradição necessária quando Eli é descrito tanto como sacerdote quanto como juiz (Dt 17.8-12; 19.17; 1Cr 23.2-4;  2Cr 19.8; Ez 44.24).  "Julgado" associa-o com os líderes que Deus suscitou entre a morte de Josué e a instituição da monarquia. 

 

quarenta anos.  A liderança de Eli, de duração de quarenta anos, deve ter coincidido parcialmente com as façanhas de Sansão (Jz 13–16) e possivelmente também com a atividade dos juízes mencionados em Jz 12.8-15.

 

*          14.21  Icabode... Foi-se a glória.  A esposa de Finéias, ao morrer, dá ao seu recém-nascido o nome de Icabode, que significa tanto:  "Nenhuma glória" quanto "Onde está a glória?" (2.29, nota).  Conforme deixa claro o v. 22, a "glória" à qual ela se refere não é primariamente a casa de Eli, mas a arca de Deus, que agora se encontrava perdida.  Ver também nota em 14.3.

 

*          5.1       Ebenézer.  Ver 4.1, nota.

 

Asdode.  Uma das cinco cidades filistéias principais (4.1), Asdode fica cerca de 80 km ao sul de Ebenézer e 4 km afastada da costa do Mediterrâneo.  A ocupação de Asdode pelos filisteus é atestada arqueologicamente já nos séculos XII e XI a.C.  No período do Novo Testamento, o local era chamado Azoto (At 8.40).

 

*          5.2      Dagom.  Uma deidade de destaque entre os filisteus, bem como na Mesopotâmia, na Síria, e na Fenícia desde os meados do terceiro milênio a.C., Dagom era considerado em tempos passados uma deidade-peixe por causa da semelhança entre o nome Dagom e a palavra hebraica dag, que significa "peixe." Agora parece mais provável que esse nome deva estar associado com a palavra hebraica dagan, que significa "grão," de modo que Dagom seria um deus da agricultura ou da fertilidade.  Dagom parece ter sido chefe do panteão filisteu (Jz 16.23;  1 Cr 10.10), que incluía a deusa Astarte (plural Astarote) (31.8-10)  e o deus Baal-Zebul ("O Príncipe Baal").  Baal-Zebul era adorado em Ecrom, e seu nome era distorcido internacionalmente pelos israelitas para formar Baal-Zebub ("senhor das moscas";  2Rs 1.1-6, 16).  A adoração de Dagom é atestada ainda no período macabeu (século II a.C.; 1Mc 10.83, 84). 

 

na casa de Dagom.  No Oriente Médio antigo, o exército vitorioso levava os deuses dos derrotados  e os depositiva no templo dos seus próprios deuses como sinal da inferioridade e subordinação dos deuses conquistados.  Embora a arca de Deus não fosse um ídolo, foi tratada assim pelos filisteus. 

 

*          5.3       Dagom com o rosto em terra.  A deidade supostamente vitoriosa está em posição de prestar homenagem à deidade ostensivelmente vencida (v. 2, nota).

 

*          5.4       cabeça... mãos estavam cortadas.  O dano específico ao ídolo deve ser entendido à luz da prática comum na antigüidade de cortar a cabeça e as mãos dos inimigos mortos (Jz 7.25; 8.6; 1Sm 17.54; 31.9; 2Sm 4.12).

 

*          5.5       pisam no limiar.  Os limiares estão freqüentemente investidos com significado especial, e a prática de não pisar no limiar de um lugar sagrado era conhecida, senão mesmo aprovada, em Israel (Sf 1.9).  Ligar o costume dos sacerdotes de Dagom com esse incidente humilhante talvez visasse ridicularizá-los mais do que transmitir informações a respeito da sua prática ritual.

 

até ao dia de hoje.  Essa frase sugere um intervalo significante de tempo entre o evento e o seu relato (cf. 6.18).

 

*          5.6       a mão do SENHOR castigou duramente.  Ver v. 11 e as notas em vs. 1, 4; 2.9.  O Senhor não é domado por amigos nem inimigos.  Recusando-se a ser manipulado por Israel, Deus revelou a sua presença no território dos inimigos de Israel (4.21).  Ali, ele demonstrou a sua soberania, e levou os filisteus a sentir o peso da sua mão em julgamento.

 

tumores.  A explicação mais plausível para os tumores é a de que eram sintomas da peste bubônica, transmitida por roedores.

 

*          5.8       os príncipes dos filisteus.  Parece haver referência aos governantes de uma aliança filistéia (4.1, nota), que podiam cooperar entre si em tempos de emergência.

 

Gate.  É debatida a localização de Gate, mas a melhor candidata é Tell es-Safi, cerca de 20 km ao leste de Asdode. É possível que o plano dos filisteus fosse o de remover a arca para outra cidade na esperança de que a peste não irrompesse ali, e assim poder comprovar que era por mera coincidência que a peste tinha sucedido em Asdode.  Essa esperança foi dramaticamente esmagada (v. 9). 

 

*          5.10     os ecronintas exclamaram.  Após a experiência fracassada em Gate, o povo de Ecrom, pelo menos, já não tem dúvidas a respeito dos perigos de ficar com a arca (v. 8, nota).  Ecrom ficava 8 km imediatamente ao norte de Gate, e das cidades principais do filisteus, era aquela que ficava mais perto do território israelita.

 

*          5.11     Devolvei a arca.  Os ecronitas, não podendo suportar estar debaixo da forte "mão do SENHOR" (v. 6, nota), agora imploram para que a arca seja devolvida "para o seu lugar."

 

*          6.1       Sete meses.  Os eventos registrados no capítulo anterior aconteceram, não em questão de dias, mas de meses.  O número sete freqüentemente significa integralidade. 

 

*          6.2       adivinhadores.  Juntamente com a feitiçaria e a magia (Nm 23.23), a adivinhação era explicitamente condenada em Israel (Dt 18.10, 14; Jr 27.9; Ez 13.23).  Era praticada por alguns dos vizinhos de Israel (Nm 22.7;  Ez 21.21).

 

Que faremos.  Eles tinham o mesmo problema que havia confrontado o povo de Asdode (5.8). Tentar mudar a arca de lugar em lugar do território filisteu fracassou, e tornou-se claro que a única solução era devolver a arca a Israel.

 

*          6.3       oferta pela culpa.  A oferta visa reconhecer a culpa, e compensar pelo delito de roubar a arca (v. 4). 

 

*          6.5       Fazei umas imitações dos vossos tumores.  O procedimento adotado pelos filisteus tinha vários propósitos.  O ouro usado para os modelos era um tipo de indenização por terem roubado a arca (v. 4), ao passo que as imitações dos tumores e dos ratos eram provavelmente uma forma de magia.  O propósito declarado pelos filisteus, porém, era "dar glória" ao Deus de Israel.  Com essa proclamação, a narrativa da arca quase completa o seu circuito.  Foi porque Israel deixara de honrar o Senhor e de lidar corretamente com a arca que Deus a removera do seu povo.

 

do vosso deus.  O tratamento opressivo que o Senhor aplicou aos deuses dos filisteus é como seu tratamento aos "deuses do Egito" (Êx 12.12). Conforme indica o versículo seguinte, os próprios filisteus pereceberam essa comparação.

 

*          6.6       Por que, pois, endureceríeis o coração.  Formas da palavra hebraica traduzida por "endurecer" nesta frase acham-se freqüentemente na história da rejeição do sacerdócio de Eli e da perda da arca.  Noutros contextos, a palavra é traduzida por "glória" (v. 5;  4.21), e "honra" (ver 2.29 e nota). 

 

depois de os haverem tratado tão mal.    Ou "abusado deles", ou "feito grandes coisas entre eles." A mesma expressão é usada em 31.4;  Êx 10.2; Jr 38.19.

 

*          6.7-9    Um texto antigo de ritual heteu revela alguns paralelos com o procedimento descrito nestes versículos.  No ritual heteu, o alívio de uma peste que, segundo se pensava, tinha sido causada por algum deus inimigo é buscado através da coroação cerimonial de um carneiro a fim de pacificar o deus inimigo, para então tanger o carneiro ao longo de uma estrada que leva ao território inimigo.  Na versão filistéia, o motivo de escolher vacas que nunca tinham sido submetidas ao jugo, e de separá-las dos seus bezerros, parece ser para garantir que se as vacas realmente seguissem na direção de Israel, não seria por causas naturais, nem por coincidência, mas pela influência do Deus de Israel. 

 

*          6.9       Bete-Semes.  Lit.  "Casa do Sol." Um entre vários lugares em Israel com este nome, esta Bete-Semes tem sido identificada com Tell er-Rumeileh, uns 12 km ao leste de Ecrom (5.10, nota).  Bete-Semes era uma cidade fronteiriça (v. 12;  Js 15.10), freqüentemente sendo disputada pelos filisteus e israelitas (2Cr 28.18).

 

*          6.12  andando e berrando.  Obviamente não contentes em deixarem seus bezerros para trás, as vacas nem por isso se desviaram do seu caminho ordenado por Deus. 

 

*          6.13     a sega do trigo.  Ver 12.17, nota. 

 

*          6.14     Josué, o bete-semita.  Embora esse Josué não seja mencionado noutra parte da Bíblia, seu campo e a grande pedra nele localizada eram aparentemente bem conhecidos na ocasião em que foi escrita a presente narrativa (v. 18).

 

holocausto.  Ver nota em 10.8.

 

*          6.15     levitas.  Bete-Semes era atribuída aos levitas; especificamente aos descendentes de Arão (Js 21.16). 

 

e os puseram sobre a grande pedra.  Essa rocha foi usada como um pedestal para a arca e os objetos de ouro, e não como um altar improvisado.

 

*          6.18     até ao dia de hoje. Ver nota no v. 14.

 

*          6.19     olharam para dentro da arca.  Ver Nm 4.5, 20.  O manuseio presunçoso da arca levara à sua perda, e um delito semelhante deve agora ser castigado na ocasião da sua devolução.  O problema de manusear a arca de modo impróprio surgirá de novo em 2Sm 6.

 

*          6.20     Quem poderia estar.  Cf. Êx 9.11.

 

*          6.21  Quiriate-Jearim.  Localizada uns 15 km ao nordeste de Bete-Semes, Quiriate-Jearim também é chamada Quiriate-Baal (Js 15.60; 18.14),  Baalá (Js 15.9), e Baalim de Judá (2Sm 6.2). 

 

*          7.2       vinte anos... lamentações ao SENHOR.   À luz da referência de Samuel a "deuses estranhos" entre os israelitas (v. 3), parece que foi somente no fim desses vinte anos que Israel começou a buscar o Senhor.

 

*          7.3       preparai o vosso coração ao SENHOR... e ele vos livrará.  O ciclo da apostasia, da opressão, do arrependimento e do livramento que era tão típico no Livro dos Juízes (Jz 3.7-9)  é repetido nos eventos deste capítulo. 

 

*          7.4  os Baalins e os Astarotes.  Ver notas em 5.2; 31.10.

 

*          7.5       Mispa.  Uma cidade em Benjamim, quase 12 km ao norte de Jerusalém e 13 km ao nordeste de Quiriate-Jearim, Mispa desempenhou um papel de destaque em Israel antes da monarquia (10.17; Jz 20.1; 21.1, 5, 8).  Era uma das paradas regulares no circuito de Samuel (v. 16).  O nome, que significa algo como "lugar de vigia," subentende um ponto alto estratégico para ver a circunvizinhança, e foi dado a vários locais (p.ex., 22.3).

 

*          7.6       tiraram água e a derramaram perante o SENHOR.  Embora essa ação não tenha paralelo em outros trechos das Escrituras, parece significar arrependimento e, juntamente com o jejum, o desejo de buscar a Deus com sinceridade (cf. 1.15; Sl 62.8; Lm 2.19).  A ação de Davi em 2Sm 23.16 ocorre num contexto diferente e tem um significado diferente.

 

Pecamos contra o SENHOR.  As palavras e as ações (v. 4) dos israelitas dão evidência do verdadeiro arrependimento.  O tempo já está próximo para o Senhor libertar seu povo dos seus opressores filisteus.  A reação dos filisteus diante dessa convocação em Mispa (v. 7) oferece uma oportunidade para esse livramento. 

 

*          7.8       clamar ao SENHOR.  No livro dos Juízes, "clamar" ao Senhor era atendido mediante um libertador que o Senhor suscitaria (Jz 3.9, 15).  Aqui, as funções de Samuel são as de intercessor e intermediário, enquanto a vitória seja claramente obra do Senhor (v. 10). 

 

*          7.9       holocausto.  Ver nota em 10.8.

 

*          7.10    trovejou o SENHOR... sobre os filisteus.  Essa declaração relembra dramaticamente as palavras que Ana proferira anteriormente:  "Os que contendem com o SENHOR são quebrantados;  dos céus troveja contra eles" (2.10; cf. 2Sm 22.14).  Essas palavras de Ana foram imediatamente antecedidas por esta declaração dela:  "o homem não prevalece pela força" (2.9).  A força humana pesa pouco na balança quando o Senhor resolve agir.

 

*          7.11     Bete-Car.  Sua localização é desconhecida.

 

*          7.12     Ebenézer.  Um local diferente daquele mencionado em 4.1 (nota) e em 5.1; mesmo assim, este Ebenézer não deixa de relembrar o episódio anterior quando, então, os israelitas tentaram manipular seu Deus ao levar a arca à batalha, só para serem totalmente derrotados.  Agora, Deus lhes deu uma grande vitória sobre os mesmos inimigos.  Samuel levanta uma pedra memorial com o nome de Ebenézer ("Pedra de Socorro"), não somente para comemorar a vitória, mas também como lembrete dos resultados diferentes trazidos pela presunção, por um lado, e pelo arrependimento, por outro.

 

Até aqui nos ajudou o SENHOR.  A expressão significa que o Senhor tinha estado com eles por toda a caminhada "até este lugar," ou "até esta hora."

 

*          7.13     nunca mais vieram ao território de Israel.  A referência aqui é quanto à situação tática e não à posterior história de Israel.  Os filisteus foram derrotados de modo convincente e não tentaram nenhum contra-ataque (compare 2Sm 2.28 com 3.1;  também 2Rs 6.23 com 6.24), mas isso não exclui agressões filistéias subseqüentes (9.16; 10.5; 13.3; 14.52).

 

a mão do SENHOR foi contra eles [os filisteus].  O que Deus fizera enquanto a arca esteve no território dos filisteus (5.4, 6; 6.5 e notas), ele agora continua mediante a liderança de Samuel. No decurso da vida de Samuel, Deus continuou a dar a Israel a vitória, embora as batalhas às vezes fossem renhidas (14.52).  A derrota narrada no cap. 31 veio somente depois da morte de Samuel (25.1).

 

*          7.16  Betel.  16 km ao norte de Jerusalém.

 

Gilgal. Gilgal ficava provavelmente no vale do Jordão, perto de Jericó (Js 5.10). 

 

Mispa.  Ver nota em 7.5.

 

7.17     Ramá.  Ver nota em 1.1.

 

*          8.5       constitui-nos, pois, agora, um  rei.  Os motivos apresentados pelos anciãos  para desejarem um rei, embora fossem aceitáveis em si mesmos (segundo confirma o narrador nos vs. 1-3), são realmente um pretexto;  o que realmente queriam era ser "como todas as nações" (cf. v. 20).

 

*          8.7       não te rejeitou a ti.  Posto que os anciãos colocam seu pedido em termos de "um rei... para que nos governe" (v. 5, nota), Samuel inicialmente interpreta essa petição em termos de um ataque contra sua própria liderança (v. 6).  Mas o Senhor lhe indica que a afronta é muito mais grave do que isso.

 

rejeitou... a mim.  O ultraje no pedido dos anciãos acha-se, não no conceito da monarquia humana por si só, pois havia muito tempo desde que a monarquia em Israel tinha sido prevista (2.10, nota) mas, sim, no rompimento do relacionamento pactual com Deus.  O pecado deles foi o de rejeitar a Deus como seu Rei, e de querer, pelo contrário, um monarca humano (10.19; 12.12-20;  contrastar a recusa de Gideão em Jz 8.23). 

 

*          8.10     que lhe pedia um rei.  Pela segunda vez em 1 Samuel, um indivíduo é "pedido."   O indivíduo concedido como resposta ao primeiro pedido foi Samuel (1.20, nota), e é Saul (cujo nome é baseado na raiz hebraica que significa "pedir") que será dado como resposta ao segundo pedido.

 

*          8.11     Este será o direito do rei.  Os vizinhos cananeus de Israel, bem como muitos dos reis israelitas foram culpados de práticas opressivas como aquelas que são descritas nos vs. 11-17.

 

carros.            Ver 2Sm 8.4; 15.1;  1Rs 4.26; 10.26-29.

 

corram adiante deles.  Compare as ações de Absalão em 2Sm 15.1 com Adonias em 1Rs 1.5.

 

*          8.14     lavouras... vinhas.  Ver nota em 22.7.

 

*          8.15-17  dizimará.  As exigências do rei ou tirarão daquilo que pertence ao Senhor (Lv 27.30-32;  Dt 14.22, 28),  ou criarão um novo fardo de impostos para os seus súditos. 

 

*          8.18     vosso rei.  Ver 12.13 e contrastar com 16.1.

 

mas o SENHOR não vos ouvirá.  A julgar pelas conseqüências, rejeitar o Senhor em favor de um rei humano é o equivalente moral e religioso de abandonar o Senhor a fim de servir a outros deuses (Jz 10.10-14). 

 

*          8.20     como todas as nações.  Ver nota no v. 5. 

 

fazer as nossas guerras.  A serem constrastadas com "as guerras do SENHOR" (18.17;  25.28).

 

*          8.22     Atende à sua voz, e estabelece-lhe um rei.  A acolhida pelo Senhor do pedido pecaminoso do povo a essas alturas da narrativa, deixa o leitor perplexo.  Se é pecaminoso esse desejo do povo que pede um rei, e se equivale a uma rejeição de Deus como rei (vs. 7, 18 e notas), como Deus pode concedê-lo?  Uma resposta acha-se nos padrões de monarquia aceitável que o Senhor estabelecerá.  Deus está graciosamente disposto a dar ao povo um rei, e até mesmo a abençoá-lo, mas não o tipo de rei que o povo tem em mente (10.1, 7, 8 e notas).  Ao mesmo tempo, por terem adotado a monarquia em incredulidade, vieram a padecer debaixo de reis como aqueles das nações pagãs. 

 

Volte cada um para sua cidade.  Samuel, ao mandar para casa os homens de Israel, subentende que estabelecer um rei requererá certa preparação.  O decurso dessa preparação será narrado nos capítulos que se seguem.

 

*          9.1  homem de bens.  O versículo inicial do relato das aventuras de Saul tem semelhança de forma com o início da narrativa do nascimento de Samuel (1.1).  Nos dois casos, o pai da personagem principal é apresentado com referências genealógicas suficientes para sugerir um homem de posição.  Também na apresentação de Samuel somos informados a respeito da observância religiosa fiel do pai (1.3-5), ao passo que no presente relato passamos a conhecer imediatamente Saul (v. 2), e o enfoque permanece exclusivamente em qualidades externas.

 

*          9.2       filho... moço... belo.  A ênfase dessa descrição é a estatura física de Saul e sua aparência impressionante.  Compare com a descrição de Absalão em 2Sm 14.25, 26.

 

*          9.6       Nesta cidade há um homem de Deus.  Que Saul não tem consciência da presença e da reputação do homem de Deus, ou que não pensou em consultá-lo, reflete negativamente sobre seu julgamento.

 

tudo quanto ele diz, sucede.  O homem de Deus é Samuel, de quem foi dito em 3.19 que o Senhor deixou nenhuma de todas as suas palavras cair em terra.

 

*          9.7       presente não temos que levar ao homem de Deus.  Josefo (Antigüidades 6.4.1) interpreta as palavras de Saul como sinal de que ignorava que um profeta verdadeiro não aceitaria pagamento.  Os escritos dos profetas de Israel revelam desdém por aqueles que profetizam por dinheiro (Mq 3.5, 11), embora haja várias referências a bens sendo oferecidos em troca de favores proféticos (p.ex., 1Rs 14.3; 2Rs 4.42; 8.8).  Em dois casos o pagamento é explicitamente recusado (1Rs 13.7-9; 2Rs 5.15, 16),  e em certa ocasião em que bens são aceitos, o pagamento não beneficia pessoalmente o profeta, mas é distribuído entre o povo (2Rs 4.42). 

 

*          9.9       ao profeta... antigamente, se chamava vidente.  Os termos são sinônimos. 

 

*          9.12     Elas responderam.  No hebraico, os vs. 12, 13 transmitem emoção e animação quando as moças conclamam Saul a subir depressa à cidade, onde chegará na hora certa de se encontrar com Samuel. 

 

no alto.   Embora fosse reconhecido que semelhantes lugares altos (freqüentemente locais da adoração cananéia)  postulavam uma nítida ameaça contra a pureza da adoração israelita (p.ex., Lv 26.30;  Nm 33.52;  Dt 12.2, 3;  Jr 2.20),  fica aparente em trechos semelhantes a este que a adoração a Javé, às vezes, era dirigida ali, especialmente durante o primeiro período da monarquia (10.5;  1Rs 3.2-4).  Semelhantes cultos podem ter se tornado necessários pela perda do santuário em Silo (1.3, nota).  Depois da divisão do reino, a adoração no "altos" era um problema grave tanto no norte (1Rs 12.31, 32; 13.32-34) quanto no sul (1Rs 14.22-24).  A remoção dos "altos" foi um dos alvos principais dos movimentos de reforma dirigidos pelos reis do sul, tais como Ezequias (2Rs 18.4) e Josias (2Rs 23.5).

 

*          9.16     o qual ungirás.  Ver nota em 2.10.

 

príncipe. A palavra parece ser um título para "alguém designado para reinar" (cf. seu uso com referência a Salomão como príncipe herdeiro em 1Rs 1.35).  A tarefa de Saul no contexto imediato é libertar Israel dos filisteus e, no contexto do cap. 8, a pressuposição lógica é a de que ele passará a ser rei.

 

filisteus.  Ver nota em 4.1.

 

*          9.18     Saul se chegou a Samuel.  O fato de que Saul não reconheceu Samuel é um indício perturbador da insensibilidade e descuido espirituais que caracterizarão Saul cada vez mais à medida em que a narrativa progride.

 

*          9.20     tudo o que é precioso em Israel.   Essa expressão [também pode ser compreendida como: "todo o desejo de Israel"] talvez sugira que Saul é exatamente o tipo de rei que o povo deseja no cap. 8. 

 

*          9.24     Tomou... a coxa... e a pôs diante de Saul.  O tratamento dado a Saul ilustra, não somente a mudança de sua condição social que acabara de ser elevada, mas também a previsão que Samuel, com a ajuda divina, fizera da sua chegada (vs. 15, 16).

 

*          10.1     te ungiu... por príncipe.  Ver nota em 9.16.

 

sua herança.  Ver 9.16 ("meu povo de Israel");  2Sm 20.19 e nota;  Dt 32.9.  A disposição de Deus de conceder ao povo um rei humano não significa que ele abriu mão do seu domínio sobre seu próprio povo, Israel.  O rei constituído sempre era subordinado a Deus.

 

*          10.2-6  As palavras de Samuel serão confirmadas para Saul à medida que a seqüência de eventos se cumpre na ordem prevista.  Finalmente, Saul ficará debaixo do poder do Espírito (vs. 5, 6).

 

*          10.5     a guarnição dos filisteus.  A alusão a uma "guarnição dos filisteus" prenuncia a tarefa que aguarda aquele que foi designado para livrar o povo de Deus dos filisteus (9.16).  Quanto à colocação de guarnições nos territórios sujeitados, ver a prática de Davi em 2Sm 8.6.

 

grupo de profetas.  Samuel está associado com um grupo de profetas em 19.20, onde ele é tido como seu líder.  Note a associação semelhante entre Eliseu e os "filhos dos profetas" e 2 Rs 2; 6.1; 9.1; etc.  Esses grupos proféticos parecem ter sido compostos de defensores da religião verdadeira em tempos de apostasia e indiferença espiritual generalizadas. 

 

profetizando.  A profecia no Antigo Testamento é freqüentemente, mas não exclusivamente, associada com a entrega de uma mensagem (ver o papel de Arão como "profeta" ou porta-voz de Moisés em Êx 7.1;  e compare Ez 21.19;  Am 3.8).  Os profetas de Deus eram os seus mensageiros (2 Sm 7.1-5; 12.1; 24.11-12).  Em alguns lugares, a profecia está associada com a música (Êx 15.20, 21;  1Cr 25.1).  A profecia em vista aqui parece ser a de louvar a Deus e exortar o povo, com acompanhamento musical.

 

*          10.6     O Espírito do SENHOR se apossará de ti.  Ver v. 10;  11.6, nota.  A atividade do Espírito com Sansão é expressa em termos idênticos (Jz 14.6, 19;  15.14).  Embora o Espírito tivesse sido posteriormente retirado de Saul (cf. 16.14; 18.10), Davi foi revestido do Espírito de modo permanente (16.13).  Freqüentemente no Antigo Testamento a outorga do Espírito é um revestimento de uma pessoa pelo poder de Deus para uma tarefa específica.  De maneira inversa, Deus pode enviar um espírito de mentira (1Rs 22.23) ou um espírito  maligno!  (16.14-16, 23;  18.10; 19.9; Jz 9.23).

 

*          10.7     faze o que a ocasião te pedir.  À luz da comissão geral de Saul, de livrar Israel dos filisteus (9.16) e da menção específica por Samuel de um símbolo visível do domínio filisteu no local do terceiro e último sinal (v. 5), as palavras de Samuel podiam ser interpretadas no sentido de Saul corresponder à sua unção atacando o posto avançado dos filisteus.  No caso, essa possibilidade não foi concretizada.  As palavras de Samuel também podem ser interpretadas como sendo um encorajamento para Saul se submeter à influência profética mencionada no v. 6.

 

*          10.8     descerás adiante de mim a Gilgal.  Depois de Saul ter feito "o que a ocasião pedir," deve se reunir com Samuel em Gilgal, para este oferecer sacrifícios e dar mais instruções a Saul.

 

holocaustos.  Uma descrição completa do ritual do holocausto pode ser vista em Lv 1.3-17.  Os holocaustos também são mencionados em 6.14, 15; 7.9, 10; 13.9, 12; 15.22; 2 Sm 6.17, 18;  24.22-25.

 

ofertas pacíficas.  A oferta de comunhão é descrita em Lv 3, e é mencionada pela primeira vez em Êx 20.24.  Outras referências em Samuel às ofertas de comunhão são: 11.15; 13.9; 2Sm 6.17, 18; 24.25. 

 

*          10.9     Deus lhe mudou o coração.  A linguagem é semelhante a Ez 11.19; 36.26, e talvez até mesmo a João 3.3 (ver também Jr 31.31).  Entretanto é difícil definir com exatidão qual foi a experiência de Saul. 

 

*          10.11   também Saul entre os profetas?  O provérbio (v. 12) expressa surpresa diante de algo muito improvável.  Os circunstantes que conheciam Saul ficam surpreendidos ao vê-lo associando-se com entusiastas religiosos. 

 

*          10.12   quem é o pai deles?  Visto que os líderes dos grupos proféticos eram às vezes chamados "Pai" (2Rs 2.12; 6.21), essa pergunta pode significar a tentativa de se procurar o líder desse grupo específico.  Se, por outro lado, os circunstantes desprezavam a profecia, sua surpresa poderia ser porque um homem tal como Saul, de boa família e reputação social, se associaria com tais "loucos" (cf. 2Rs 9.11), cujos pais eram inferiores ao dele.  Ainda outra possibilidade é que a pergunta signifique que o "Pai" ou origem dos grupos proféticos não segue regras normais, e que Saul, por mais improvável que seja, tenha achado um lugar entre eles.  Ver "Profetas" em índice.

 

*          10.14-16  O significado desse diálogo tem deixado os comentaristas perplexos por muito tempo.  Alguns entendem que a relutância de Saul em mencionar o reino (v. 16) era um sinal de sua humildade.

 

*          10.17   Convocou Samuel o povo.  A escolha que o Senhor fizera de Saul agora é tornada pública em Mispa, aparentemente lançando sortes ou usando o Urim e Tumim (v. 20 e nota). 

 

*          10.20   foi indicada por sorte a de Benjamim.  Lançar sortes foi provavelmente o método da seleção (cf. Lv 16.8-10; Nm 26.55) e pode ter envolvido o Urim e o Tumim (2.28; Êx 28.30, nota; Nm 27.21; Dt 33.8).

 

*          10.22   escondido entre a bagagem.  O Senhor seleciona Saul embora este não esteja imediatamente presente.  Algo semelhante ocorre com Davi (16.11).

 

*          10.25  o direito do reino.  Uma expressão semelhante em 8.9-11 refere-se às conseqüências negativas de se ter um rei.  Aqui, significa os regulamentos que um rei deve seguir (Dt 17.14-20; 2Rs 11.12, nota). 

 

e o pôs perante o SENHOR.  Ver Dt 31.26; Js 24.26.

 

*          10.27   Como poderá este homem salvar-nos?  Os que levantam essa dúvida são rebeldes porque lançam dúvidas contra o processo de seleção dirigido pelo Senhor.

 

*          11.1     Naás, amonita.  Os amonitas, descendentes de Ló, eram um povo semítico (Gn 19.38; Dt 2.19) cujo reino estava estabelecido ao lado leste do Jordão, ao sul do rio Jaboque.  Embora os amonitas às vezes ficassem em paz com Israel (2Sm 10.2), freqüentemente exerciam pressões na fronteira oriental de Israel (Jz 3.13;  11.4-32), assim como faziam os filisteus ao oeste.  Segundo os Rolos do Mar Morto e Josefo (Antigüidades 6.5.1), o cerco de Jabes-Gileade fazia parte de uma campanha maior por Naás. 

 

Jabes-Gileade.  Uma cidade principal no território que provavelmente pertencia a Gade, Jabes-Gileade ficava ao leste do rio Jordão, quase 36 km ao sul do mar de Quinerete (Galiléia).

 

*          11.2     vos serem vazados os olhos direitos.  Embora a razão declarada para semelhante tratamento fosse "trazer... vergonha sobre todo o Israel," Josefo (Antigüidades 6.5.1) observa que a perda do olho direito impossibilitaria o serviço militar, posto que a visão do olho esquerdo ficava escondida pelo escudo. 

 

*          11.3     nos entregaremos a ti.  Embora os anciãos de Jabes claramente pretendam que Naás entenda suas palavras como uma rendição, o verbo hebraico aqui empregado é freqüentemente usado no sentido de soldados "saindo" à batalha (8.20;  18.30;  2 Sm 18.2-4, 6).  Quando, no v. 10, os homens de Jabes prometem, novamente, que "sairão" aos amonitas, vemos certa ironia, porque os amonitas ainda estão pensando em termos de rendição, quando a verdadeira intenção é a de atacar. 

 

*          11.6     o Espírito de Deus se apossou de Saul.  Essa frase relembra a atividade do Espírito com Sansão (10.6, nota), só que aqui (como também em 10.10)  "Deus" consta no lugar do nome pessoal "SENHOR."

 

*          11.7     cortou-os em pedaços.  A ação de Saul toscamente forma um paralelo com a do levita em Jz 19.  O pecado do levita era bem conhecido, e a comparação não serviria de elogio para Saul. 

 

e a Samuel.  Ver notas em 10.1, 7, 8.

 

*          11.8       Bezeque.  Localizada uns 14 km ao oeste do rio Jordão, do outro lado de onde estava Jabes-Gileade. 

 

filhos de Israel... homens de Judá.  Até mesmo antes da divisão do reino (1Rs 12), era freqüentemente feita uma distinção entre as tribos do norte e do sul (17.52; 18.16;  2Sm 2.10; 3.10; 5.5; 11.11; 12.8; 19.11, 40-43; 20.2; 21.2; 24.1, 9).

 

*          11.10  nos entregaremos a vós outros.  Ver nota no v. 3.

 

*          11.11  três companhias.  Ver 13.17; Jz 7.16;  9.43;  2Sm 18.2.

 

pela vigília da manhã.   Entre 2:00 e 6:00 da madrugada, tirando proveito da escuridão como escudo.

 

*          11.12   Trazei-os.  A referência inclui, mas talvez não esteja limitada aos "filhos de Belial" em 10.27.

 

*          11.13   o SENHOR salvou a Israel. Saul interrompe uma pergunta dirigida a Samuel com uma confissão que denota o ponto alto da sua própria vida. Sua anistia ou perdão daqueles rebeldes (10.27) que o rejeitaram pode possivelmente ser comparado com sua relutância em matar Agague e os rebanhos de Amaleque (15.9), se for considerado como uma recusa de cumprir os aspectos mais severos de uma comissão divina. 

 

*          11.14   vamos a Gilgal e renovemos ali o reino.  Em certo nível, trata-se do processo da ascesão de Saul ao trono que agora pode ser retomado (v. 15, nota), mas num nível mais profundo é o reino contínuo do Senhor que deve ser renovado (cap. 12). 

 

Gilgal.  Ver nota em 13.4.

 

*          11.15   proclamaram Saul seu rei.  A análise da ascensão de uma pessoa no Israel antigo a uma posição de liderança divide-se num processo de três passos:  (a)  a designação como tendo sido a escolha do Senhor;  (b)  uma demonstração de bravura e de ter recebido poder da parte do Senhor, ao realizar uma façanha heróica;  e (c) a confirmação pelo povo.  Saul fora designado por Samuel, e tivera uma experiência profética (cap. 10).  Embora pudesse ter atacado imediatamente a guarnição filistéia em Gibeá (10.5, 8) ganha pouco depois uma vitória importante ao libertar Jabes-Gileade (v. 13).  Passa, então, a ser coroado em Gilgal.

 

ofertas de paz. Ver nota em 10.8.

 

*          12.1     constituí sobre vós um rei.  O processo da ascesão ao trono foi completado, e o discurso de Samuel no cap. 12 marca o fim do período dos juízes. 

 

*          12.3-15           Samuel apresenta três argumentos para compelir o povo a reconhecer a sua própria culpa em pedir um rei.  Primeiro, convida o povo a concordar que ele tinha sido um líder inculpável (vs. 4, 5).  Segundo, ressalta que no passado sempre tinha sido o Senhor que nomeava líderes (v. 6), e que estes sempre tinham revelado ser plenamente adequados (vs. 7, 8).  Terceiro, enfatiza que mesmo quando os israelitas "se esqueceram do SENHOR, seu Deus", o Senhor fora gracioso para com eles.  Embora ele os sujeitasse à opressão dos inimigos (v. 9), atendia suas confissões de pecado e seus rogos por livramento (v. 10), e suscitava juízes, entre os quais havia o próprio Samuel (v. 11).  Dentro desse contexto da suficiência da provisão do Senhor, a exigência do povo em ter um rei humano, embora o próprio Senhor fosse seu rei (v. 12), pode ser considerada rebelião (8.7).  Mesmo assim, a monarquia pode ter sucesso, se tanto o rei quanto o povo temer ao SENHOR, e o servir, e lhe atender à voz (v. 14). 

 

*          12.3       seu ungido.  Ver nota em 2.10.  A unção de Saul é ordenada em 9.16 e realizada em 10.1. 

 

de quem tomei o boi... o jumento?  O boi e o jumento, possessões valiosas nos tempos bíblicos, são mencionados no décimo mandamento como objetos típicos da cobiça (Êx 20.17; Dt 5.21). 

 

*          12.7     pleitearei convosco.  Samuel pessoalmente se apresentara como réu, e fora inocentado (vs. 3-5);  agora desempenha o papel de promotor, e o povo se torna o réu.  Seu crime é o de ter desejado ter um rei, em total desrespeito para com todos os “atos de justiça” do Senhor durante todo o período do Êxodo e dos Juízes (vs. 7-11). 

 

*          12.12   Vendo vós que Naás, rei dos filhos de Amom, vinha contra vós outros.  Embora o fato não seja explicitamente mencionado no cap. 8, é possível que a ameaça dos amonitas já tenha sido motivo de preocupação naquela ocasião (11.1, nota).  Alternativamente, Samuel pode ter meramente citado o episódio com os amonitas como sendo o exemplo mais recente da tendência infiel do povo de buscar a ajuda dos homens, e não de Deus.  Saul pessoalmente deu ao Senhor todo o crédito pela vitória (11.13).

 

*          12.13  o rei que elegestes.  Ver 8.18 e contrastar com 16.1.

 

e que pedistes.  Ver 8.10, nota.

 

*          12.14  Se temerdes ao SENHOR.  Uma condição prévia fundamental para a bênção segundo a aliança, nos dias de Moisés (Dt 6.2, 24; 10.12; 31.12, 13), nos dias de Josué (Js 4.24; 24.14), e agora na nova era da monarquia, o "temor ao SENHOR" significa reverência diante dele e dar-lhe a honra e obediência a que lhe pertencem como Deus e como Pai gracioso. 

 

*          12.16-19  Tendo pleiteado a sua causa contra o povo nos vs. 3-15, Samuel passa a invocar um sinal dramático para reforçar sua declaração da culpa do povo.  O sinal produz o resultado desejado, e o povo se arrepende porque "a todos os nossos pecados acrescentamos o mal de pedir para nós um rei" (v. 19).  Quanto aos sinais que acompanham as declarações proféticas, ver 2.34, nota. 

 

*          12.17   sega do trigo.  O trigo era provavelmente segado em maio e junho, no começo da estação seca de Israel. 

 

*          12.20-25  Tendo visto o arrependimento do povo, Samuel os conforta:  "Não temais," e os desafia a renovar a sua dedicação a Deus (v. 20).

 

*          12.23   orar por vós... vos ensinarei.  As responsabilidades de Samuel no reino incluirão a intercessão e instrução (12.1, nota; para outros deveres de Samuel ver 10.8). 

 

*          12.24   temei ao SENHOR.  Ver nota no v. 14.

 

de todo o vosso coração.  Ver v. 20; 16.7.

 

*          13.1—14.52    Começa oficialmente o reinado de Saul.  Compare a informação cronológica de 13.1 com fórmulas semelhantes em 2Sm 2.10; 5.4; 1Rs 14.21; 22.42).  A narrativa se volta para os embates iniciais entre Saul e os filisteus, que eram uma ameaça contínua contra Israel.

 

*          13.1     É provável que Saul tenha reinado cerca de vinte anos, e a cifra "quarenta" em Atos 13.21 seria um número redondo com o significado de "um tempo prolongado." Ver a cronologia na Introdução:  Data e Ocasião. 

 

*          13.2     Micmás.  Uns 7 km ao sudeste de Betel no lado norte de Uádi Suwenet, um vale formado por uma torrente que flui na estação das chuvas, e que era usado para viagens entre o vale do Jordão e as terras altas centrais.

 

Gibeá de Benjamim.  Pode se tratar da Gibeá a uns 5 km ao norte de Jerusalém, ou possivelmente tenha sido uma aldeia voltada para o vale de Micmás do lado sul do Uádi Suwenet.

 

*          13.3     Jônatas derrotou a guarnição... em Gibeá.  Talvez seja a mesma guarnição em cujas redondezas Saul profetizara. 

 

fez tocar a trombeta.  As trombetas eram usadas na guerra como modo de sinalização (2Sm 2.28; 18.16; 20.1).

 

hebreus.  Ver nota em 4.6.

 

13.4     Gilgal.  Saul reage à crise precipitada por Jônatas (v. 3), reunindo o povo em Gilgal de conformidade com as instruções de Samuel (10.8).  A posição de Gilgal no vale do Jordão perto de Jericó colocou-a fora do controle imediato dos filisteus, e assim era um local estratégico para uma mobilização geral.  Gilgal desempenhara um papel de destaque na história anterior de Israel (Js 4.19, 20; 5.10; 9.6; 10.6-15, 43; 1Sm 7.16; 11.14).

 

*          13.7     o povo.  Trata-se das pessoas mobilizadas no v. 4, e não das tropas que já estavam em ação no v. 2. 

 

*          13.8     o prazo determinado por Samuel.  Samuel tinha especificado previamente sete dias (10.8).

 

*          13.9     o holocausto e ofertas pacíficas.  Ver 10.8, nota.

 

*          13.11   Que fizeste?  Ver nota em 2.27-36.

 

Vendo.  Da perspectiva puramente humana, as desculpas de Saul pareceriam ter algum valor.  Entretanto elas não levam em conta a liberdade de Deus para agir em prol do seu povo, segundo a confirmação dada pelo testemunho de Jônatas em 14.6.

 

*          13.13   Procedeste nesciamente.  Essa expressão hebraica subentende o fracasso tanto intelectual quanto moral.  Para uma confrontação semelhante entre um profeta e um rei, ver 2Cr 16.7-9.

 

em não guardar o mandamento.  Nesse contexto, Saul transgredira ao oferecer sacrifícios pela sua própria autoridade.

 

*          13.14   não subsistirá o teu reino.  As esperanças que Saul tinha de estabelecer uma dinastia foram desfeitas, mas o próprio Saul ainda não será deposto (15.23).

 

um homem que lhe agrada.  A frase pode ser interpretada "um homem da sua própria escolha," ressaltando a eleição soberana da parte de Deus.   Mesmo assim, à luz de textos bíblicos tais como 2.35 e 16.7, o texto também diz que Davi, o escolhido do Senhor, "era segundo o coração de Deus" no sentido de estar dedicado à sua vontade e aos seus propósitos. 

 

*          13.15   Então, se levantou Samuel.  Por causa das ações estultas de Saul, parece que Samuel partiu sem dar mais instruções a ele (10.8).  O texto mais longo na Septuaginta (a antiga tradução grega do Antigo Testamento; ver a referência lateral) é provavelmente correto, e sugere que depois de Samuel partir, Saul voltou a ficar com Jônatas em Geba (v. 2, nota; v. 16, nota). 

 

*          13.16   Geba.  Ver referência lateral. Outra leitura possível é "Gibeá" (v.2, nota).

 

*          13.17   saqueadores saíram... em três tropas.  Grupos de assalto aterrorizavam e saqueavam, além de manter a pressão militar mediante o reconhecimento e o controle de vias de acesso importantes. 

 

*          13.19-21         Aos israelitas faltavam armas, e até mesmo dependiam dos filisteus para afiar seus instrumentos agrícolas.  As evidências arqueológicas sugerem que os filisteus aprenderam a forjar ferro antes dos seus vizinhos. 

 

*          13.22   com Saul e com Jônatas, seu filho.  Esse fato lança as esperanças de Israel em duas pessoas em particular, e o capítulo seguinte faz uma comparação entre elas, deixando Saul em desvantagem. 

 

*          14.1     Porém não o fez saber a seu pai.   Jônatas, ao resolver não contar ao seu pai a respeito do seu plano ousado, talvez dê a entender sua falta de confiança neste (cf. a reação semelhante de Abigail diante da atitude do marido Nabal em 25.19). 

 

14.3     filho de Aitube, irmão de Icabode.  A presença de um membro da casa sacerdotal de Eli, rejeitada por Deus (2.30) no arraial de Saul traz à memória a rejeição recente da própria casa real de Saul. 

 

trazia a estola sacerdotal.  A presença no arraial de Saul da estola sacerdotal, que era usada para indagar a vontade de Deus  (2.28 nota), encoraja a expectativa de que a usará para pedir a orientação divina, conforme fez Davi em data posterior (23.9-12; 30.7-8).  Nesse caso, no entanto, Saul deixa por conta de Jônatas a tarefa de descobrir a vontade do Senhor (v. 10, nota).  No v. 19 (nota) Saul demonstra uma falta de respeito para com a estola sacerdotal; e, mais tarde, ataca de modo selvagem aqueles cujo dever é cuidar da estola sacerdotal e zelar pelo seu devido uso (22.18; cf. 21.19).  No fim, os esforços de Saul para descobrir a vontade do Senhor recebem só o silêncio como resposta (28.6, nota). 

 

*          14.4     Bozez... Sené.  Esses nomes significam, possivelmente, "escorregadio" e "espinhoso" e assim dramatizam o desafio que Jônatas tinha diante dele.

 

*          14.6     incircuncisos.  Os incircuncisos eram pessoas que, assim como os filisteus, estavam fora da aliança com Deus (Gn 17.14; Êx 12.48; Jz 14.3; 15.18). 

 

para o SENHOR nenhum impedimento há de livrar.  Compare a confiança de Davi em 17.47.  Embora o narrador não ofereça nenhuma crítica à desculpa de Saul em 13.11 (que "o povo ia se espalhando," etc.), a confissão corajosa de Jônatas serve de comentário indireto sobre a mediocridade daquela desculpa.

 

*          14.10   Isto nos servirá de sinal. Jônatas não quer adiantar-se sem a aprovação do Senhor.  Nisto, é mais fiel do que o seu pai, que parece demonstrar cada vez menos compromisso com a busca da orientação divina (13.8-15; 14.18, 19, 36 e notas). 

 

*          14.11   hebreus.  Ver nota em 4.6.

 

*          14.18   arca de Deus.  Ver referência lateral. A Septuaginta (antiga tradução grega do Antigo Testamento) contém o termo "estola sacerdotal" o que é provavelmente correto, pois essa estola sacerdotal estava claramente presente em Gibeá (v. 3, nota) e era usada para inquirir do Senhor (2.28, nota).  O texto existente em hebraico, "arca," é duvidoso, porque a arca estava em Quiriate-Jearim nessa ocasião (7.1,2);  nunca é dito que a arca foi usada como meio de obter uma mensagem divina;  e tocar na arca (cf. v. 19) resultava em morte (6.19; 2Sm 6.6, 7). 

 

*          14.19   Desiste.  Ao mandar o sacerdote deixar de fazer uso do instrumento mediante o qual a vontade do Senhor, poderia ter sido determinada, Saul assume sobre si mesmo a responsabilidade pelos acontecimentos (cf. 13.9).

 

*          14.21   hebreus.  Ver nota em 4.6.

 

*          14.24   angustiados naquele dia.  Esse é um relato de algo que aconteceu anteriormente naquele mesmo dia, ou seja:  depois de Jônatas sair para atacar os filisteus (vs. 13, 14) mas antes de Saul entrar na batalha (v. 20).

 

porquanto Saul.  Isto também pode significar "assim Saul", significando que Saul colocou o povo sob um juramento por causa da tristeza deles, e não que a tristeza houvesse sido causada por aquilo que Saul disse ao povo.

 

*          14.27   Jônatas, porém, não tinha ouvido.  Isso provavelmente porque saíra do arraial antes do juramento ter sido imposto (v. 24, nota).

 

*          14.29   Meu pai turbou a terra.  A falta de confiança de Jônatas em seu pai implícita na exclusão dele de seus planos (v. 1) agora passa a ser uma condenação aberta da ação estulta do seu pai ao submeter o povo a um juramento.  Assim como no caso de Acã (Js 7.16-18, 25), a sorte será lançada para desmascarar o culpado, o "perturbador" da terra.  A sorte revela Jônatas como aquele que violou o juramento (v. 42), mas o verdadeiro perturbador de Israel era Saul.

 

*          14.31   Aijalom.  Cerca de 24 km ao oeste de Micmás no vale de Aijalom, que parece ser o caminho que os filisteus seguiram de volta ao seu país.

 

*          14.33   comendo com sangue.  No Antigo Testamento são registradas proibições freqüentes contra comer sangue (Gn 9.4; Lv 3.17; 7.26, 27; 17.10, 12; 19.26; Dt 15.23; Ez 33.25).

 

*          14.35   o primeiro altar.  É também o único altar a ser mencionado.

 

*          14.37   Disse, porém, o sacerdote.  É incomum que o sacerdote, provavelmente Aías (v. 3), tenha tomado a iniciativa.  Mas o fato condiz com o padrão cada vez menor do compromisso de Saul na busca pela orientação do Senhor (v. 10, nota). 

 

*          14.39   Porém nenhum... lhe respondeu.  O povo protegia Jônatas. 

 

*          14.45   Tal não suceda.  Ao ser forçado pela severidade de Saul (vs. 39, 44) a escolher entre Saul e Jônatas, o povo optou por Jônatas, claramente reconhecendo-o como aquele que o Senhor usara na batalha naquele dia.  O comportamento estulto de Saul o alienara de todos ao seu redor, inclusive dos seus próprios seguidores.  Seu isolamento não é permanente, no entanto, pois Jônatas volta posteriormente a ser da sua confiança (20.2), e o povo demonstra sinais de lealdade renovada (23.19; 24.1). Até mesmo Samuel passa a ter mais contatos com ele (cap. 15).

 

*          14.47-51         Aqui temos um resumo das façanhas militares de Saul (vs. 47, 48) e pormenores acerca de sua família e de Abner (vs. 49-51).  Uma comparação entre essa seção e o resumo mais longo das vitórias de Davi e dos seus oficiais em 2Sm 8 revela várias semelhanças, mas também uma diferença reveladora: em nenhuma parte do resumo a respeito de Saul existe algo semelhante à declaração repetida a respeito de Davi:  "o SENHOR dava vitórias a Davi, por onde quer que ia" (2Sm 8.6, 14).

 

*          14.52  forte guerra.  Ver notas em 7.13.

 

*          15.1        Enviou-me o SENHOR a ungir-te.  Samuel menciona seu papel na unção de Saul a fim de estabelecer o contexto da continuação de seu serviço como mediador das ordens de Deus a Saul (10.1, nota).

 

atenta, pois, agora, às palavras do SENHOR.  As palavras hebraicas traduzidas por "atentar" e “palavras”, lit. "voz" são repetidas várias vezes nesse capítulo, ressaltando o tema central da obediência ("atentar," "dar ouvidos," "obedecer," e "voz," e "balido... mugido" nos vs. 1, 14, 19, 20, 22, 24). 

 

*          15.2     Amaleque.  Descendentes de Esaú (segundo Gn 36.12, 16), os amalequitas eram um povo nômade do deserto que habitava no sul de Judá e além, na direção do Egito.  Lutavam freqüentemente contra os israelitas.  Ver referências lateral, e Jz 3.13; 6.3-5, 33; 7.12; 10.12.

 

*          15.3     destrói totalmente.  Lit. "colocá-los sob a maldição." Isso significa devotar pessoas ou objetos completamente ao Senhor.  Na guerra, isso usualmente exigia a destruição total das propriedades e a execução das pessoas.  A inclusão de animais nesse versículo é algo especialmente notável.  Essa maldição era um elemento da "guerra santa" e não podia ser decretada por ninguém a não ser Deus. 

 

homem e mulher, meninos e crianças de peito.  Ver 22.19 e nota.

 

*          15.4     Telaim.  Trata-se provavelmente de Telém, alistada em Js 15.24 como uma das cidades de Judá.  A Septuaginta (tradução grega primitiva do Antigo Testamento) contém "Gilgal" que, segundo alguns têm sugerido, foi o local onde Samuel deu suas instruções a Saul (vs. 1-3).

 

*          15.6     porque usastes de misericórdia.  Talvez uma alusão à bondade do sogro queneu de Moisés (Jz 1.16) registrada em Êx 18.

 

*          15.7     desde Havilá até... Sur.  Ver Gn 25.18.  Sur é mencionada em 27.8 como sendo um local nas fronteiras do território amalequita, perto da fronteira oriental do Egito.  A localização de Havilá permanece incerta, mas o sentido geral da referência é que a vitória de Saul foi bastante ampla. 

 

*          15.8  Agague.           Este é um nome pessoal, ou um título, assim como "Faraó";  ver Nm 24.7;  "agagita" em Et 3.1.

 

todo o povo.  Não se trata de "todos" sem exceção, mas de todos quantos caíram nas mãos de Saul (há referências posteriores aos amalequitas em 27.8; 30.1, 18). Para este sentido limitado de "todos", cf. 13.7; 31.6.

 

*          15.9     Saul e o povo pouparam.  Agiram de modo contrário às ordens do Senhor (v. 3).  O desejo de tirar proveito da vitória pode ter sido o motivo da relutância em destruir coisas de valor.  Acã apropriou-se de bens que tinham sido condenados à destruição, aparentemente porque era cobiçoso (Js 7.1). Ao leitor não é contado o motivo de Saul ter poupado Agague, quer seja a política, assim como a misericórdia que Acabe teve com Ben-Hadade (1Rs 20.30-34), quer seja o orgulho, o desejo de demonstrar publicamente seus cativos como troféus de guerra.  Saul realmente levantou um monumento da vitória, "para si" (v. 12).

 

*          15.11   "Arrependo-me."  Ver nota em v. 29.

 

deixou de me seguir.  Essa é uma grave acusação formal, tendo em vista 12.14, onde a obediência e o seguir ao Senhor são citados como sendo os requisitos essenciais para um reinado bem-sucedido. 

 

Samuel se contristou.  Lit. "Samuel irou-se." A mesma expressão hebraica é empregada em 18.8 e 2Sm 6.8.

 

toda a noite clamou ao SENHOR.  Fica claro que Samuel não sente nenhum prazer na rejeição de Saul (v. 35; 16.1). 

 

*          15.12  Carmelo.  Cerca de 12 km ao sul de Hebrom (25.2; Js 15.55).  Não se trata do monte Carmelo ao norte. 

 

levantou para si um monumento.  O paralelo mais próximo acha-se em 2Sm 18.18, onde Absalão "levantara para si uma coluna" a fim de celebrar o seu nome. 

 

*          15.14-23.  Esses versículos demonstram as características padronizadas de um discurso de julgamento profético contra um indivíduo (2.27-36, nota), mas nesse caso o acusado, Saul, vigorosamente contesta as acusações.

 

*          15.15  os trouxeram ... para os sacrificar.  Como resposta à acusação de Samuel, Saul oferece duas desculpas:  Primeiro, o povo é o culpado, e não ele;  segundo, os animais seriam oferecidos como sacrifício. Samuel responderá a essas desculpas. 

 

*          15.17  pequeno aos teus olhos.  Sejam quais tenham sido as idéias de Saul a respeito da sua condição como rei, Samuel rejeita sua tentativa de evitar sua responsabilidade pessoal por aquilo que acontecera. 

 

*          15.19   te lançaste ao despojo.  Samuel rejeita a alegação de que os animais foram poupados por serem necessários para o sacrifício.  Quanto ao verbo traduzido "lançar-se," ver 25.14, nota.

 

*          15.20,21  Desconsiderando o repúdio de Samuel às suas desculpas, Saul as repete com teimosia.

 

*          15.22, 23  A forma poética desses dois versículos ressalta sua importância culminante nesse episódio.

 

*          15.22  holocaustos.  Ver nota em 10.8.

 

o obedecer é melhor do que o sacrificar.  Embora Samuel obviamente não acredite na desculpa de Saul (v. 19, nota), mostra que mesmo na hipótese de haver verdade nisso, a lição é que a prática de rituais não tem valor quando não é acompanhada por um espírito sincero e submisso. Ver denúncias semelhantes de rituais sem conteúdo, feitas posteriormente por outros profetas de Israel:  Is 1.10-17; Jr 6.19, 20; 7.21-26;  Os 6.6; Am 5.21-24; Mq 6.6-8;  também Sl 51.16, 17;  Pv 15.8; 21.3, 27. 

 

*          15.23  rebelião... feitiçaria... idolatria.  A feitiçaria e a idolatria eram pecados especialmente graves.

 

Visto que rejeitaste... ele também te rejeitou a ti.  Quando Samuel chega ao ponto de pronunciar a sentença contra Saul, expressa-a de uma maneira que deixa clara a justiça do veredito divino.  O delito e o castigo correspondem entre si (2.27-36, nota).  Embora a falha de Saul no cap. 13 resultasse no fim de suas esperanças para sua dinastia (13.14), sua desobediência no contexto presente implica no fim do seu direito pessoal de ser rei. O capítulo seguinte narra como Davi foi ungido e como o Espírito do Senhor afastou-se de Saul (16.13, 14). 

 

*          15.24, 25  Finalmente, Saul começa a aceitar a responsabilidade ("Pequei"), embora continue culpando o povo por ter dado início aos eventos lastimáveis.  ("Temi o povo e dei ouvidos à sua voz").  Superficialmente, a confissão de Saul parece adequada, mas levando-se em conta as advertências de Samuel em 12.14, 15, suas confissões parecem não conduzi-los à possibilidade de uma reconciliação, mas à certeza de que "perecerá" (12.25).  Saul passará a oferecer uma segunda confissão, mais honesta, no v. 30. 

 

*          15.26  Não tornarei contigo.  Samuel, ao recusar-se a voltar com Saul, dá a impressão de não estar satisfeito com a sinceridade da confissão como um todo (v. 30, nota).

 

*          15.28  rasgou... o reino.  Samuel aproveita o incidente do manto como símbolo apropriado de o Senhor ter "rasgado o reino" de Saul (cf. 24.4, 5;  1Rs 11.29-33).

 

*          15.29  não mente, nem se arrepende.  A rejeição de Saul é decisiva, e nenhuma tentativa de mitigar as suas conseqüências surtirá efeito.  Não há contradição entre essa declaração e as declarações nos vs. 11 e 35 de que o SENHOR "se arrependeu" de ter constituído Saul rei, embora "arrepender-se" represente a mesma palavra hebraica que "lastimar-se" nesse versículo.  Assim como em Nm 23.19, a lição é que quando o Senhor faz um pronunciamento que visa ser definitivo, ele não pode ser persuadido a mudar de idéia. 

 

*          15.30  honra-me.  A verdadeira preocupação de Saul torna-se clara na sua segunda confissão (vs. 24, 25 e nota).  Conforme Samuel parece já suspeitar (v. 26, nota), Saul se interessa menos por se reconciliar com o Senhor do que ser honrado diante dos anciãos do "meu povo."  Em troca dessa honra, Saul se oferece a tratar com reverência o SENHOR "teu" Deus.

 

*          15.31  Samuel seguiu a Saul.  Vários motivos pela mudança da decisão anterior de Samuel (v. 26) podem ser sugeridos:  (a)  Saul finalmente fez uma confissão sincera;  (b)  não existe o perigo, depois dos vs. 28, 29, de que Saul interprete a atitude de Samuel como retratação do julgamento que pronunciou;  (c) Samuel ainda vai lidar com Agague. 

 

*          15.35  Samuel... tinha pena de Saul.  Ver nota no v. 11.

 

*          16.1—31.13  Esses capítulos narram a ascensão de Davi ao poder, e a perda do poder de Saul, bem como a sua morte.  A ascensão de Davi é marcada pela sua unção por Samuel e seu período no serviço de Saul (caps. 16—18), sua fuga de Saul (caps. 19–23), seu cuidado em não cometer o crime de sangue (caps. 24—26), e sua fuga aos filisteus (caps. 27—31). 

 

*          16.1  belemita.  Belém, mencionada pela primeira vez em Gn 35.19, é a cidade natal de Davi (17.12, 15).  Quanto à relevância dessa localidade para o Messias ( "o ungido"), ver Mq 5.2; Mt 2.5, 6;  Jo 7.42.

 

me provi. A seleção de um rei para "mim" (o Senhor) contrasta com a escolha de um rei para "eles" (o povo) em 8.22 (8.18; 12.13).

 

*          16.2     Vim para sacrificar.  Embora essa declaração seja verdadeira em si, não revela o motivo principal para a viagem de Samuel a Belém (v. 1).  É bem provável que haja um tom irônico na ordem que o Senhor deu a Samuel, justamente por ter sido dada não muito  depois de Saul ter alegado que poupou o melhor dos animais somente "para os sacrificar" (15.15, 21).  Casos de "informação incompleta" como este precisam ser aquilatados dentro das suas circunstâncias específicas (20.6;  21.2; 27.10; 2Sm 16.17-19; Js 2.4 e notas).

 

*          16.3  ungir.  Ver nota em 2.10.

 

*          16.4     os anciãos da cidade, tremendo.  Ver a reação semelhante de Aimeleque quanto Davi chegou sozinho em Nobe (21.1).  Não é mencionado nenhum motivo para o grande temor dos anciãos.  Provavelmente tinha a ver com a função profética de Samuel como instrumento do juízo divino.

 

*          16.7  nem para a sua altura, porque o rejeitei.  A referência à "estatura" como uma medida errônea para classificar a qualificação de um indivíduo para ser rei, juntamente com o aviso de que esse filho de Jessé é "recusado," faz relembrar Saul, cuja altura era notável (9.2; 10.23) mas que foi rejeitado (15.23, 26).

 

o SENHOR, o coração.  É axiomático que os padrões divinos são interiores, e não exteriores (13.14, nota;  Rm 2.28, 29).  Ver "Deus Vê e Conhece:  Onisciência Divina", índice.

 

*          16.13  no meio de seus irmãos.  É provável que os anciãos também tenham presenciado a unção de Davi (vs. 4, 5).  A ênfase na presença dos irmãos nesse evento talvez lance luz sobre o comportamento de Eliabe em 17.28.

 

o Espírito do SENHOR se apossou de Davi.  Ver notas em 10.6; 11.6.  O revestimento de Davi pelo Espírito "daquele dia em diante" destaca-o de Saul (e também de Sansão) sobre quem o Espírito vinha apenas esporadicamente.

 

*          16.14  Tendo-se retirado de Saul o Espírito do SENHOR.  A presença do Espírito de Deus, que confere poder e validade, deve ter sido removida de Saul na ocasião da sua rejeição definitiva como rei no cap. 15 (cf. também v. 1).

 

um espírito maligno.  Cf. 1Rs 22.21-23.  A palavra hebraica pode descrever algo que perturba, aflige, ou que é danoso. 

 

*          16.18  homem de guerra.  Esse relatório talvez pareça estar em conflito com a declaração de Saul em 17.33 de que Davi, sendo só um jovem na ocasião, não estava em pé de igualdade com Golias.  Pode-se dizer, como resposta, que a recomendação feita de Davi era, decerto, um exagero, assim como uma carta de referência nos dias de hoje.  Por outro lado, Saul estava comparando Davi com Golias, e relutava em tomar o risco de mandar alguém contra o gigante filisteu.

 

o SENHOR é com ele.  Esse fato, mais do que qualquer qualidade humana, explicará a ascensão persistente (embora custosa) de Davi ao poder, ao passo que o crescente reconhecimento de Saul de que Davi havia sido preferido a ele desempenhará um papel considerável na sua própria desintegração psicológica (3.19; 17.37; 18.12, 28, 29; 20.13; 2Sm 7.9 e notas).

 

*          16.19  Envia-me Davi, teu filho, o que está com as ovelhas.  Saul, sem o saber, convida seu futuro substituto a fazer parte da sua corte.  A ascensão de Davi ao poder é dirigida providencialmente, e não é resultado do esforço humano ou da cobiça pelo poder. 

 

*          16.21  este o amou muito. Não fica claro no texto se essas palavras descrevem a atitude de Saul para com Davi ou de Davi em relação a Saul. Note, também, o modo de Jônatas corresponder a Davi (18.1, 3; 20.17), bem como o de Mical (18.20, 28), do povo (18.16), e possivelmente até mesmo os demais servos de Saul (18.22). O sendido provável é o de que "Saul amou a Davi" (ver o v. 22).

 

*          17.1  entre Socó e Azeca, em Efes-Damim.  Socó ficava 24 km ao oeste de Belém, perto da fronteira da Filistéia, e Azeca ficava quase 4 km ao noroeste de Socó. 

 

*          17.2     vale de Elá.  O vale desce do leste para o oeste, e passa imediatamente ao norte de Socó e Azeca.

 

*          17.4  guerreiro.  É raro no Antigo Testamento, o resultado de uma luta mortal entre dois campeões ser considerado como a vontade dos deuses (compare 2Sm 2.14-16).  É bem atestado, porém, entre alguns dos vizinhos de Israel. 

 

seis côvados e um palmo.  São quase 3 metros.  A Septuaginta (tradução grega primitiva do Antigo Testamento), os Rolos do Mar Morto, e Josefo (Antigüidades 6.9.1) registram quatro côvados ao invés de seis.  Assim, Golias teria cerca de dois metros, o que não deixava de ser uma altura notável segundo os padrões da antigüidade. 

 

*          17.5-7              É surpreendente a descrição pormenorizada da armadura e das armas de Golias.  Davi, porém, não precisa confiar em equipamentos (vs. 39, 50). 

 

*          17.11             Saul.   O desafio dos filisteus aos "servos de Saul" tinha sido o de "escolher um homem" (v. 8).  A escolha lógica teria sido Saul (9.2; 10.23, 24), mas este se encontrava tão aterrorizado quanto os demais. 

 

*          17.12  efrateu.  Ver Gn 35.19; 48.7; Rt 1.2; 4.11;  1Cr 4.4; Mq 5.2.

 

*          17.15  Davi... ia a Saul e voltava.  O tempo de Davi era dividido entre os deveres ao seu rei (16.21-23) e ao seu pai.  A família inteira de Davi é apresentada juntamente com ele (vs. 12-14).

 

*          17.25   lhe dará... a filha. Ver notas em 18.17-19,20-27.

 

*          17.26  incircunciso filisteu.  Ver nota em 14.6.

 

*          17.28  Ouvindo-lhe Eliabe... acendeu-se-lhe a ira.  A ira repentina de Eliabe é a reação de um homem que não tinha a capacidade de enfrentar um desafio e que ressentiu-se ao ser sobrepujado por seu irmão menor.  O fato de Davi ter sido ungido só serviria para aumentar o ciúme de Eliabe.  Em Gênesis 37, os irmãos mais velhos de José reagem da mesma maneira ao saberem que um dia ele viria a ser superior a eles (Gn 37.2-19).

 

a quem deixaste aquelas poucas ovelhas.  Por mais inquieto que Davi tivesse ficado no tocante à batalha, agiu com responsabilidade para com seus deveres mais corriqueiros (vs. 20, 22). 

 

tua presunção. Ou “teu orgulho”, “tua insolência”.

 

a tua maldade.  Lit.:  "a insolência do teu coração." Contrastar o modo de Eliabe julgar Davi com o de Deus, conforme indicam declarações tais como:  "um homem que lhe agrada" (13.14) lit.: "um homem segundo seu coração", e "o SENHOR vê o coração" (16.7).

 

*          17.33-37  A conversa entre Saul e Davi ilustra vividamente a diferença radical entre suas perspectivas.  Saul continua pensando naquilo que é humanamente possível ("não poderás," v. 33), ao passo que Davi confia que "O SENHOR... me livrará" (v. 37).

 

*          17.36  incircunciso filisteu.  Ver 14.6, nota.

 

*          17.37  o SENHOR seja contigo.  A ascensão de Davi ao poder continua sendo promovida por Saul, sem ter este a mínima consciência disso.  Tendo introduzido Davi na corte real (16.19, nota), Saul passa a enviá-lo para lutar em seu lugar.  Mais irônico de tudo, Saul invoca sobre Davi a bênção que faz a distinção mais nítida entre os dois e que explica o sucesso que Davi teve em sua vida – "o SENHOR seja contigo" (16.18 e nota).

 

*          17.38, 39  A rejeição por Davi da armadura de Saul apóia a lição da narrativa, de que "o SENHOR salva, não com espada, nem com lança;  porque do SENHOR é a guerra" (v. 47).

 

*          17.45   em nome do SENHOR dos Exércitos.  Ver nota em 1.3.  Davi vem "em nome" de Deus, ou seja:  pela autoridade e poder de Deus.  Quanto ao significado do nome de Deus como expressão do seu caráter, ver, por  exemplo, Êx 34.5-7.

 

*          17.46   os cadáveres... dos filisteus.  Davi sobrepuja as ameaças de Golias (v. 44), pois a sua contra-ameaça abrange a totalidade do exército filisteu.

 

*          17.47   do SENHOR é a guerra.  Ver notas em vs. 38, 39; 14.6.

 

*          17.50   matou.  Ou seja:  deu-lhe a ferida mortal (v.51, nota).

 

não havia espada.  Esse versículo assinala o auge da luta entre Golias, que tinha todas as vantagens (do ponto de vista físico), e Davi, que tinha Deus do seu lado, e que conseguiu triunfar até mesmo sem uma espada (cf. vs. 45-47). 

 

*          17.51   matou.  Aqui é usada uma forma diferente do verbo hebraico usado no v. 50;  o sentido seria "liquidou," assim como também em 14.13.

 

*          17.52   Gate e... Ecrom.  Ver notas em 4.1; 5.8, 10.

 

*          17.54   e a trouxe a Jerusalém.  Posto que Jerusalém ainda estava nas mãos dos jebuseus (2Sm 5.6-9 e notas), essa observação deve ser entendida como uma referência a uma ocasião posterior.

 

*          17.55   De quem é filho este jovem?  A pergunta de Saul e a resposta de Abner parecem estar em conflito com os eventos descritos em 16.18-22.  Ao mesmo tempo, parece haver um relacionamento cronológico entre os caps. 16 e 17 (v. 15 e 18.2).  A pergunta de Saul pode ter sido inspirada pela preocupação em saber mais a respeito da posição social de quem receberia a promoção prometida em 17.25, inclusive o casamento com sua filha.  A intensidade do interesse de Saul talvez reflita, também, seu conhecimento de que seu reino acabaria sendo dado "ao teu próximo, que é melhor do que tu" (15.28).  Ver 18.18 e nota.

 

*          18.2     não lhe permitiu que tornasse para casa de seu pai.  Ver nota em 17.15.

 

*          18.3     aliança.  A natureza da aliança não é declarada explicitamente. Ver o v. 4,  nota. Mais referências à aliança entre Jônatas e Davi incluem 20.8, 13-17, 42; 22.8; 23.18.

 

*          18.4     Despojou-se Jônatas da capa.  Como príncipe herdeiro (20.31), era de se esperar que sucederia seu pai como rei.  Em 13.22, Jônatas e Saul tinham sido distinguidos do restante do povo por possuírem espadas e lanças.  Nesse caso, Jônatas, ao doar a Davi sua capa e suas armas não somente quis demonstrar a sua lealdade, mas também o seu reconhecimento de Davi como sendo a escolha de Deus para ser o próximo rei.  Ver a confissão explícita de Jônatas em 23.17; ver também 2Sm 1.10, nota.

 

*          18.5     Saul o pôs sobre tropas.  O sucesso militar continua a distinguir Davi, e Saul concede a Davi um comando militar à altura das suas realizações. 

 

*          18.7     Davi, os seus dez milhares.  Ver 21.11;  29.5.  Um aspecto comum da poesia hebraica é aumentar ou intensificar um ou mais termos na primeira metade de um verso na segunda metade.  Quanto ao paralelismo entre mil e dez mil, ver Dt 32.30; Sl 91.7; 144.13;  Mq 6.7.  Quer o cântico das mulheres louve Saul e Davi de maneira igual, quer subentenda que Davi é melhor do que Saul, este certamente fica ofendido (v. 8). 

 

*          18.8     que lhe falta, senão o reino?  Saul (com razão) percebe que Davi pode ser o "próximo" que o substituirá (15.28; 17.55, nota).

 

*          18.10  espírito maligno.  Ver nota em 16.14. 

 

teve uma crise da raiva.  Ou: “profetizou”. Experiências estáticas poderiam ser causadas pelo Espírito de Deus (10.6, 15), ou também por espíritos malignos ou falsos profetas (1Rs 18.29).

 

*          18.12   o SENHOR era com este.  Ver 16.18 e nota.

 

se tinha retirado de Saul.  Ver 16.14 e nota.

 

*          18.13-16  Saul, ao remover Davi da corte e também do alto comando militar, talvez tenha pretendido diminuir a visibilidade e popularidade deste, além de aumentar seu risco de morrer numa batalha.  No entanto, o efeito das tramas de Saul, acabou resultando no inverso.  Davi é levado a um contato mais estreito com o povo, de modo que "todo o Israel e Judá amavam Davi" (v. 16).

 

*          18.17-19         Tendo em vista a grande popularidade de Davi, Saul não pôde continuar adiando o cumprimento da sua promessa (17.25).  Mesmo assim, acrescenta uma condição adicional:  "guerreia as guerras do SENHOR," na esperança de que os filisteus (e não Saul) matassem Davi (vs. 17, 21, 25).  Davi diz que não tem posição social para casar-se com a filha do rei, protesto convencional em tais circunstâncias (cf. 9.21).  No último momento, Saul viola a sua promessa e dá Merabe a outro homem. 

 

*          18.20-27  Quando a segunda filha de Saul, Mical, apaixona-se por Davi, Saul oferece a este uma segunda oportunidade de tornar-se seu genro (vs. 20, 21).  Mais uma vez, ele aumenta as condições prévias que Davi precisava cumprir (v. 25).  Davi não demora (v. 26) em cumprir em dobro a exigência de Saul, e assim se torna genro do rei (v. 27). 

 

*          18.28,29          o SENHOR era com Davi.  O medo cada vez maior que Saul tinha de Davi tem fundamento, visto que o Senhor é com Davi (vs. 12, 14).  O sucesso de Davi não teria deixado Saul tão aflito se este, da mesma maneira que Jônatas, tivesse conseguido aceitar com equanimidade a sua própria rejeição.

 

*          19.1     sobre matar Davi.  Os atentados indiretos de Saul contra a vida de Davi não surtiram efeito (cap. 18), por isso ele resolve agir de modo mais direto.

 

*          19.4     Jônatas falou bem de Davi.  A magnanimidade de Jônatas para com Davi forma um contraste marcante com a malevolência de Saul, continuando, assim, a comparação desfavorável entre o pai e o filho, já mencionada (13.22; 14.1, 6, 10, 29 e notas).  Parece provável que a lealdade de Jônatas a Davi tenha tido a sua origem, não da ignorância acerca do destino de Davi, mas de uma aceitação voluntária da mesma (18.4, nota;  23.17, nota).

 

*          19.9     espírito maligno.  Ver nota em 16.14.

 

*          19.10   Procurou Saul encravar a Davi na parede.  Talvez por sentir ciúmes dos sucessos militares de Davi (v. 8; 18.8), Saul apela a um dos seus velhos truques (18.10, 11).

 

*          19.11   disto soube Davi por Mical, sua mulher.  À medida que os atentados de Saul contra a vida de Davi se tornam cada vez mais intensos e visíveis, Davi é alertado primeiramente pelo filho de Saul (v. 2) e depois, pela filha do mesmo.

 

*          19.12   fugiu e escapou.  A partir desse incidente, Davi sempre estará fugindo de Saul.

 

*          19.13   um ídolo do lar.  A mesma expressão que surge em Gn 31.19, 34, 35;  Jz 18.14.  As referências em Gênesis subentendem objetos pequenos, ao passo que a referência aqui sugere algo maior. 

 

*          19.17   ele me disse.  Mical, escondendo os fatos do seu pai, visa preservar sua própria vida.  Levando-se em conta o comportamento posterior de Saul (20.32, 33), Mical tinha justo motivo para ter medo dele (cf. 16.2). 

 

*          19.18   Ramá.  Ver nota em 1.1.

 

casa dos profetas.  Essa expressão, que traduz uma palavra que ocorre só nesse capítulo, pode ser transcrita por "Naiote," como se fosse um nome de um lugar, e está associada com o nome da cidade de Ramá.  É bem possível que se refira aos "acampamentos" onde os profetas em Ramá habitavam (cf. "o lugar em que habitamos" em 2Rs 6.1,2).

 

*          19.20   grupo de profetas profetizando.   Ver nota em 10.5.

 

*          19.22   poço grande... em Seco.  Não é conhecida a localidade de Seco, mas talvez fique a quase 3 km ao norte de Ramá.  Alguns têm sugerido uma reconstrução da difícil expressão hebraica com base na Septuaginta (tradução grega primitiva do Antigo Testamento)  dando à expressão o sentido de: "poço da eira na colina descalvada." Esse pode ter sido um marco bem conhecido, do tipo que é mencionado mais de uma vez em Samuel (20.19; 2Sm 20.8). 

 

*          19.23   o mesmo Espírito de Deus veio sobre ele.  Desde o início de suas tentativas de liquidar com Davi, Saul foi frustrado por Jônatas, por Mical, por Samuel e, agora, finalmente, pelo próprio Deus. 

 

*          19.24   Também ele despiu a sua túnica.  Túnicas, nos livros de Samuel, parecem ter usualmente um significado simbólico, que freqüentemente diz respeito à monarquia (15.28; 18.4; 24.4-6 e notas).  Enquanto Jônatas deu voluntariamente a sua capa a Davi em 18.4, a ação de Saul aqui foi feita sob a compulsão do Espírito de Deus. 

 

*          20.1     casa dos profetas.  Ver nota em 19.18.

 

*          20.2     Tal não suceda.  Parece que Jônatas desconhece os atentados mais recentes contra a vida de Davi (19.9-24) e toma por certo que o juramento feito em 19.6 ainda está sendo cumprido.

 

*          20.5     a Festa da Lua Nova.  Essa festa era uma ocasião de regozijo no início de cada mês.  Era marcada pelo ressoar das trombetas (Nm 10.10; Sl 81.3) e por sacrifícios específicos (Nm 28.11-15).  A festa é freqüentemente mencionada em conjunto com o Sábado (2Rs 4.23; 1Cr 23.31; Ne 10.33; Is 66.23; Ez 46.3) e talvez tenha sido sujeitada a regulamentos semelhantes (Am 8.5).  A celebração da Festa da Lua Nova é mencionada uma vez no Novo Testamento (Cl 2.16).

 

*          20.6     dirás.  Jônatas  faz uso da desculpa de Davi, nos vs. 28, 29.  Ao avaliarmos a ética de semelhantes ações, podemos fazer uma comparação com as instruções que o Senhor deu a Samuel em 16.2 (nota), embora naquele contexto a desculpa era uma meia-verdade, e não uma inverdade total, conforme parece ter sido o caso aqui. 

 

Belém.  Ver nota em 16.1.

 

sacrifício anual.  Ver nota em 1.3;  cf. 1.21.

 

*          20.7     teu servo.  Trata-se de uma expressão de humildade e deferência (1.11, 16; 3.10; 17.32;  22.15;  23.10; 25.24).

 

*          20.8     aliança.  Ver 18.3, 4 e notas.  Promessas mútuas de amizade e de lealdade são reiteradas nos vs. 13-17, 42.

 

*          20.13  seja o SENHOR  contigo, como  tem sido com meu pai.  Essa única referência ao Senhor estando "com Saul" deve ser entendida como referindo-se à monarquia.  Reconhecendo que Davi agora é o rei escolhido por Deus (18.4, nota;  23.17 e nota), Jônatas lhe oferece uma lealdade maior e acima da lealdade que deve ao seu próprio pai (v. 16).

 

*          20.15   Nem tão pouco cortarás... a tua bondade. Para o cumprimento deste pedido, ver 2Sm 9.1-8; 21.7. 

 

*          20.16   os inimigos de Davi.  Ver nota no v. 13.  Posto que é o próprio Davi que assume o compromisso de manter a aliança com Jônatas, "inimigos" é provavelmente uma referência eufemística a Saul, pai de Jônatas (cf. 25.22;  2Sm 12.14).

 

*          20.17   jurar.   Ver nota no v. 8.

 

*          20.18   Festa da Lua Nova.  Ver nota no v. 5. 

 

*          20.19   pedra de Ezel.  Fora desse texto, o local é desconhecido.  O significado em hebraico pode ser algo como "Pedra da Saída."  A pedra era possivelmente um marco conhecido na saída da cidade;  quanto a outros marcos desse tipo mencionados em Samuel, ver 19.22;  2Sm 20.8 e notas.

 

*          20.23   o SENHOR está entre mim e ti.  Ver Gn 31.50, 53.

 

*          20.24   Festa da Lua Nova.  Ver nota no v. 5.

 

*          20.25   Abner.  Era parente de Saul e comandante militar (14.50). 

 

*          20.26   não está limpo.  Ver especialmente Lv 7.19-21.  As leis da pureza são tratadas mais detalhadamente em Lv 11—15, embora referências a "puro" e "impuro" sejam freqüentes por todo o Pentateuco (Gn 7.2; Lv 5.2; Nm 5.2; Dt 14.3-21; etc.).  A questão em pauta é a impureza ritual ou religiosa, e não especificamente a física.

 

*          20.28, 29         Ver nota no v. 6.

 

*          20.30   Filho de mulher perversa e rebelde.  Assim como nas interjeções semelhantes de nossos dias, a ofensa é dirigida contra Jônatas, e não necessariamente contra a mãe deste.

 

*          20.31  nem tu estarás seguro, nem seguro o teu reino.  A despeito das palavras de Samuel em 13.14, Saul ainda se apega à esperança em favor da sua dinastia (cf. 18.8, nota).  Contraste com a maneira bem disposta de Jônatas aceitar a vontade do Senhor (v. 13; 18.4; 23.17 e notas).  As palavras de Saul deixam inferir que Jônatas era seu primogênito e, portanto, o próximo herdeiro do trono. 

 

*          20.33   Saul atirou-lhe com a lança.  As reações opostas de Saul e Jônatas diante de Davi tinham começado a criar uma barreira separação entre pai e filho.  O atentado de Saul contra a vida de Jônatas está de conformidade com suas tentivas anteriores de matar Davi (18.11; 19.10). 

 

*          20.42   juramos. Ver nota no v. 8. 

 

*          21.1     Nobe.  Provavelmente localizada a menos de 4 km ao nordeste de Jerusalém (Is 10.32), Nobe tornou-se "cidade destes sacerdotes" (22.19) algum tempo depois da desgraça que caiu sobre Silo (1.3, nota; 2.32, nota) por intermédio dos filisteus (4.1-11).

 

Aimeleque.  Quer se trate do irmão de Aías, ou simplesmente de outro nome de Aías (14.3), Aimeleque ocupa o cargo de sumo sacerdote que antigamente tinha sido ocupado pelo seu bisavô Eli (1.9). Ver também Marcos 2.26 e nota.

 

*          21.2     o rei deu-me uma ordem.  Tendo tirado proveito de um pretexto apresentado numa ocasião recente (20.6, nota), Davi volta a usar o mesmo método, mas com resultados desastrosos para Aimeleque e os sacerdotes em Nobe (22.6-19).

 

*          21.4     pão sagrado.  Ou seja:   "os pães da proposição" (v. 6; Êx 25.30; 35.13; Lv 24. 5-9; 1Cr 9.32).  Ver a referência de Jesus a esse episódio em Mt 12.3, 4;  Mc 2.25, 26;  Lc 6.3, 4.

 

se abstiveram das mulheres.  A pureza ritual fazia parte da consagração antes de batalha ou de outras ocasiões importantes (Êx 19.15; Lv 15.18; Dt 23.9-14; Js 3.5; 2Sm 11.11-12).

 

*          21.6     pães da proposição.  Ver v. 4 e nota.

 

*          21.7     Doegue, edomita.  A presença de Doegue desperta a apreensão do leitor, assim como fez com Davi (22.22).  Essa preocupação revela ser bem fundamentada à medida em que a narrativa progride (22.9, 10, 18, 19).  Doegue é mencionado, também, no título do Sl 52.

 

*          21.9     espada de Golias.  Ver 17.51, 54.

 

estola sacerdotal.  Ver 2.28, nota.

 

*          21.10  Aquis.  Ver 27.2-12;  29.1-11;  título do Sl 34, onde "Abimeleque" pode ser um título para reis filisteus.

 

Gate.   Ver notas em 4.1; 5.8.

 

*          21.11   Davi, o rei.  Tanto dentro quanto fora de Israel, o destino de Davi ao trono parece ser esperado, mesmo se a declaração dos filisteus possa ser melhor compreendida como um exagero popular.

 

Davi, os seus dez milhares?  Ver nota em 18.7.

 

*          22.1     caverna de Adulão.  Adulão, que talvez signifique "refúgio," tem sido identificado com um local a uns 25 km ao sudoeste de Jerusalém, a meio-caminho entre Gate e Hebrom.  Ver também 2Sm 23.13; Js 12.15;  títulos dos Sl 57 e 142. 

 

toda a casa de seu pai, desceram ali para ter com ele.  A veemência com que Saul atacou sua própria família (20.33) deixou os familiares de Davi com poucos motivos de se sentirem seguros. 

 

*          22.3     Mispa de Moabe.  A localização específica dessa cidade é desconhecida.  Quanto ao nome Mispa ("torre de vigia"), ver 7.5, nota.

 

rei.  Moabe já tinha um rei em Jz 3.12.

 

Deixa estar... convosco.  A resolução de Davi, ao buscar refúgio em Moabe, talvez tenha se baseado, não somente na suposição de que uma nação inimiga de Saul (14.47) bem poderia apoiar um rival deste, mas também nos vínculos entre os familiares de Davi e os moabitas (Rt 4.13-17).

 

o que Deus há de fazer de mim.  Davi, ao tomar todas as medidas práticas ao seu alcance, não deixa de reconhecer o soberano controle de Deus sobre a sua situação (2Sm 15.25, 26).

 

*          22.4  lugar seguro.  Ver nota em 23.14.

 

*          22.5     profeta Gade.  A presença desse profeta, que posteriormente serviria a Davi como vidente (2Sm 24.11; 2Cr 29.25; cf. 1Cr 29.29), fica sendo, nessas alturas, uma lembrança de que o destino de Davi havia sido determinado por Deus, que lhe dá a sua proteção. Mais tarde, Davi também se ajuntaria a um sacerdote (vs. 20-23).

 

*          22.6     tendo na mão a sua lança.  A alusão aqui à lança de Saul talvez seja um lembrete do seu gênio violento (18.10, 11;  19.10; 20.33),  que chega à sua plena expressão nesse episódio.

 

*          22.7     filhos de Benjamim.  Saul, tendo escolhido só membros da sua própria tribo para ficarem ao seu redor (9.1, 2;  10.21), agora procura aumentar a lealdade deles a ele apelando aos seus interesses:  será que Davi, da tribo de Judá, tenderá a tratar com justiça os benjamitas?

 

terras e vinhas.  As perguntas dirigidas por Saul aos seus oficiais sugerem que ele se ocupava em pelo menos algumas das práticas abusivas da realeza contra as quais Samuel advertira (8.10-18).

 

*          22.8     meu filho fez aliança.  Ver notas em 18.3, 4.

 

*          22.9     Doegue, o edomita.  Ver 21.7 e nota.

 

Aimeleque, filho de Aitube.  Ver 21.1 e notas.

 

*          22.13   conspirastes contra mim.  A suposição de Saul, de que Aimeleque tinha conspirado com Davi contra o rei, não tem fundamento;  Aimeleque foi simplesmente enganado por Davi (21.2, nota). 

 

se levantasse contra mim e me armasse ciladas.  A suposição de Saul de motivos hostis da parte de Davi é tão sem fundamento quanto a sua pressuposição a respeito de Aimeleque. 

 

 

*          22.14   chefe da tua guarda pessoal.  Aimeleque deve estar ainda pensando que Davi estivesse prestando algum tipo de serviço secreto para Saul (21.2) quando veio lhe pedindo auxílio. 

 

*          22.17   não quiseram estender as mãos contra os sacerdotes.  A ordem de Saul, no sentido de exterminar os sacerdotes do Senhor, é tão maligna e irracional que seus próprios soldados se recusam a cumpri-la.  Pelo menos uma vez antes, os homens de Saul tinham achado necessário contrariar as suas ordens (14.45 e nota). 

 

*          22.18   matou... oitenta e cinco homens.  Ver nota em 2.31.

 

estola sacerdotal de linho.  Ver nota em 2.18.

 

*          22.19   homens, e mulheres, e meninos, e crianças de peito.  É uma ironia que a chacina total dos habitantes de Nobe, "a cidade dos sacerdotes," forme um paralelo quase literal com a ordem que tinha sido dada para o extermínio dos amalequitas (15.3) que Saul deixara de cumprir, e desta forma prejudicando ainda mais a sua reputação. 

 

*          22.20   Abiatar... fugiu para Davi.  O apoio a Davi continua a aumentar, mormente como resultado dos próprios esforços impensados de Saul visando sua autopreservação.  Agora, Davi tem o apoio tanto de profetas (v. 5) quanto de sacerdotes.  Abiatar traz a Davi a estola sacerdotal (23.6), que era um meio de discernir a vontade do Senhor (2.28, nota;  14.3, nota).

 

*          22.22   Fui a causa.  Seria fácil para Davi desculpar-se pelo massacre em Nobe, simplesmente condenando Saul.  Ao invés disso, não hesita em reconhecer sua própria parte na culpa pela tragédia (21.2, nota).  Nessa confissão, o leitor recebe um vislumbre de uma diferença notável entre Davi e seu antecessor:  a qualidade do seu arrependimento (15.24-26, 30 e notas;  2Sm 12.13, nota).  

 

*          23.1     Queila.  Localizada acerca de 5 km ao sul de Adulão (22.1), perto do território filisteu, Queila também é mencionada em Js 15.44.

 

saqueiam as eiras.  Cf. Jz 6.3-6.

 

*          23.6     estola sacerdotal.  Não a "estola sacerdotal de linho" tradicionalmente usada por todos os sacerdotes (cf. 22.18), mas aquela que se associa com as consultas a Deus (2.28, nota). 

 

*          23.7     Deus o entregou nas minhas mãos.  A interpretação dos eventos apresentada por Saul não tem fundamento, conforme deixa claro a asseveração totalmente oposta do narrador:  "Deus não o entregou nas suas mãos" (v. 14).  

 

*          23.12  Entregar-me-ão os homens de Queila.  Tendo em vista o modo implacável de Saul tratar a cidade de Nobe, o comportamento dos homens de Queila provavelmente reflete medo mais do que ingratidão a Davi. 

 

*          23.13  homens, uns seiscentos.  O aumento do número dos homens de Davi, de quatrocentos (22.2) para seiscentos é uma indicação de sua força crescente (22.20, nota). 

 

*          23.14  no deserto, nos lugares seguros.  Essa expressão sugere uma área geográfica, e não uma localização específica (22.4; 2Sm 5.17; 23.14).

 

deserto de Zife.  A aldeia de Zife fica a mais de 20 km ao sudeste de Queila e a 8 km ao sudeste de Hebrom.  Esse deserto seria o ermo ao sul de Hebrom.  Zife é mencionada em Js 15.55, juntamente com Maom (v.24) e Carmelo (1Sm 15.12; 25.2).

 

Deus não o entregou nas suas mãos.  Deus exerce controle soberano sobre o destino de Davi (v. 7; 22.20 e notas). 

 

*          23.16   Jônatas, filho de Saul... lhe fortaleceu a confiança em Deus.  Já não ignorando a maldade do seu pai para com Davi (contrastar 20.2),  Jônatas age como amigo leal ao ajudar Davi a achar força na única fonte onde a verdadeira força pode ser encontrada.  Ver 30.6, onde Davi mais uma vez "se reanimou no SENHOR, seu Deus."

 

*          23.17   eu serei contigo.  Embora Jônatas não sobreviverá para servir a Davi (31.2), sua boa disposição em abrir mão de suas ambições pessoais por amor ao rei escolhido por Deus (18.4; 20.13) estabelece um contraste nítido com os esforços desesperados que Saul fazia para manter-se agarrado a um reino que já não lhe pertencia (15.23). 

 

Saul... bem sabe.  Ver 20.30, 31.  Saul, quando não quis aceitar a sua rejeição (compare a reação de Eli em 3.18) não pode ser desculpado sob a alegação de não saber para quem o reino passaria. 

 

*          23.18   aliança.  Ver notas em 18.3, 4.

 

*          23.19   zifeus.  Ver nota no v. 14; 26.1.

 

Gibeá.  Essa era a cidade natal de Saul (10.26).

 

*          23.24   deserto de Maom.  Mais de 12 km ao sul de Hebrom, Maom é mencionada em 25.2 como a cidade natal de Nabal. 

 

*          23.27   os filisteus invadiram a terra.  A cronologia providencial dessa incursão pelos filisteus é óbvia.

 

*          23.28   Saul desistiu de perseguir a Davi.  Saul se distingüe por sacrificar seus interesses pessoais por amor à segurança nacional. 

 

*          23.29   lugares seguros de En Gedi.  En Gedi era uma fonte grande na costa íngreme ocidental do mar Morto.  Nas proximidades dela, Davi tinha acesso a provisões e proteção durante sua fuga de Saul.

 

*          24.1     deserto de En-Gedi.  Ver nota em 23.29.

 

*          24.4     Hoje é o dia do qual o SENHOR te disse.  Embora fosse providencial que Saul tivesse entrado justamente na caverna onde Davi e seus homens se ocultavam, não houve a mínima indicação que Deus pretendesse que Davi levantasse a sua mão contra Saul (cf. v. 6).  A sugestão feita pelos homens de Davi nesse sentido teria sido uma conclusão errônea tirada por eles.

 

cortou a orla do manto de Saul.  Davi se limita a um ato simbólico (v. 5, nota).

 

*          24.5     sentiu Davi bater-lhe o coração.  Embora Davi posteriormente chegasse a exibir essa orla do manto de Saul como prova da sua lealdade para com Saul (v. 11), suas dores de consciência (cf. 2Sm 24.10) sugerem que o desejo de obter semelhante prova pode não ter sido a única razão para ele se aproximar de Saul.  Tendo em vista a relevância régia desses mantos (15.28; 18.4; 19.24 e notas),  Davi pode ter se sentido culpado de cobiçar de maneira errada a realeza e de um ato de agressão contra o ungido do Senhor (v. 6).  Ver a nota teológica "A consciência e a Lei", índice.

 

*          24.6  o ungido do SENHOR.  Davi reconhece a santidade do ungido do Senhor e a salvaguarda (26.9; cf. 2.10, nota), deixando ao Senhor o julgamento e a vingança (v. 12). 

 

*          24.13  provérbio.  Davi parece estar ressaltando uma verdade tal como o ensino de Jesus:  "Pelos seus frutos os conhecereis" (Mt 7.16, 20).  Davi é conhecido por seu domínio próprio, mas Saul é conhecido pelos seus esforços em tentar destruir Davi. 

 

*          24.14   um cão morto.  Davi se humilha diante de Saul, assim como Mefibosete posteriormente fará diante de Davi (2Sm 9.8).  A expressão "cão morto" ocorre só mais uma vez no Antigo Testamento, em 2Sm 16.9.  "Cão" é normalmente usado como insulto (17.43; 2Sm 3.8; 2Rs 8.13). 

 

*          24.17   Mais justo és do que eu.  Tendo acabado de escapar com a sua vida, Saul experimenta um raro momento de remorso.  O testemunho que dá quanto à retidão de Davi reconhece o direito deste de ser rei;  até o próprio Saul reconhece que Davi não teve sua ascensão ao poder por meios ilícitos. 

 

            *          24.20   tenho certeza de que serás rei.  Contraste a repreensão que Samuel dirigiu a Saul em 13.14:  "Já agora não subsistirá o teu reino."  Mas Saul, diferentemente de Jônatas em 18.4 (nota), não dá o mínimo sinal de estar disposto a ceder o trono a Davi (ver 26.25 nota). 

 

*          25.1     os filhos de Israel... o prantearam.  A extensão desse luto é sinal do destaque que Samuel tinha como líder.  Compare o luto que acompanhou a morte de Jacó (Gn 50.10), de Arão (Nm 20.29), e de Moisés (Dt 34.8).

 

Ramá.  A cidade natal de Samuel (1.1, nota). 

 

*          25.2     Carmelo.  O mesmo Carmelo onde Saul erigiu um monumento em homenagem à sua própria pessoa (15.12, notas).  O local desse incidente perto do Carmelo é a primeira de muitas lembranças de Saul nesse capítulo. 

 

*          25.3     Nabal.  No v. 25, Abigail explica que o nome significa "loucura." Se parece improvável que os pais tenham pretendido dar um nome assim ao filho, talvez se trate simplesmente de um jogo zombeteiro de palavras com um nome que tinha semelhança com "louco". 

 

casa de Calebe.  Quanto às posses tribais de Calebe, ver Js 14.13;  15.13.  A semelhança entre o nome "Calebe" e a palavra "cão" em hebraico (cf. 24.14, nota) talvez explique a inclusão desse detalhe específico na apresentação da pessoa de Nabal. 

 

*          25.8     Davi, teu filho.  Compare a atitude de respeito e de deferência adotada por Davi ao chamar Saul de "meu pai" em 24.11.

 

*          25.14   este disparatou com eles.  O modo de Nabal atacar os mensageiros de Davi é maligno.  A palavra hebraica traduzida por "disparatou" significa "gritar fortemente contra" ou "voar em cima de" alguma coisa, e está estreitamente relacionada com o substantivo hebraico para "aves de rapina." O mesmo verbo é aplicado a Saul para descrever sua maneira desenfreada de "lançar-se" ao despojo tirado dos amalequitas (cf. 14.32). 

 

*          25.16  De muro em redor nos serviram.  Não somente os homens de Davi se refrearam de causar danos (v. 7), como também a sua presença oferecia proteção aos pastores de Nabal (v. 21). 

 

*          25.17   ele é filho de Belial, e não há quem lhe possa falar.  A lastimável situação em que Nabal se acha provém da sua própria maldade. Sua falta de sabedoria é uma recusa a conhecer.

 

*          25.19   Porém nada disse ela ao seu marido Nabal. O cuidado de não levar sua ação ao conhecimento do seu marido demonstra a falta de confiança de Abigail nele. Tendo em vista o seu reconhecimento da escolha de Davi por parte do Senhor (v.28 e nota), sua decisão de ir contra os interesses de seu marido parece estar apoiada no pensamento de que é melhor obedecer a Deus do que aos homens (At 5.29).

 

*          25.22   se eu deixar, ao amanhecer, um só do sexo masculino.  Sem se refrear por causa dalguma condição social especial de Nabal (contrastar 24.9-12), a intenção de Davi é tomar vingança pessoal. 

 

*          25.25   Nabal é o seu nome, e a loucura está com ele.  Ver nota no v.3.

 

*          25.28   casa firme.  A percepção que Abigail tem de Davi está tão certa quanto a do seu marido está errada (vs. 10, 11;  2Sm 7.11-16).

 

pelejas as batalhas do SENHOR.  As palavras de Abigail fazem uma alusão indireta à diferença entre o papel correto que Davi desempenhava como militar, e a vingança pessoal que agora está querendo.  Participar honrosamente em conflitos envolve tomar posição firme em favor de Deus e deixar que o Senhor lide pessoalmente com quem nos lesou (24.12). 

 

não se ache mal em ti.  Se Davi tivesse se vingado por conta própria contra o seu inimigo, teria se assemelhado a Saul, e Davi posteriormente louva ao Senhor por ter enviado Abigail para dissuadi-lo de semelhante transgressão (v. 32). 

 

*          25.29   atada... feixe... cavidade... funda.  Note a repetição poética no discurso de Abigail.

 

*          25.36   como banquete de rei.  Essa expressão traz a idéia de que Nabal, de alguma maneira, era semelhante a outro rei, Saul.

 

*          25.39   Bendito seja o SENHOR.  Davi teria errado se tivesse liquidado o caso com suas próprias mãos, mas não porque Nabal era inocente.  Tendo ouvido a notícia da morte de Nabal, Davi dá graças ao Senhor por tê-lo impedido de cometer pessoalmente um crime sem, porém, deixar de apoiar a sua causa.

 

*          25.40-44         Abigail... Ainoã...  Mical.  Davi agora tem três esposas:  Mical,  filha de Saul, que tinha sido dada a outro homem;  Ainoã;  e Abigail.  Ver também 2Sm 2.2; 3.2, 3.

 

*          26.1     Vieram os zifeus a Saul.  Ver nota em 23.19. 

 

*          26.6     Abisai, filho de Zeruia.  Ver nota em 2Sm 2.18.

 

*          26.8     Deus te entregou... o teu inimigo.  Ver nota em 24.4.

 

*          26.9     contra o ungido do SENHOR.  Ver 24.6 e nota.

 

*          26.10  o SENHOR... o ferirá.  As palavras de Davi expressam uma certeza baseada (ou pelo menos confirmada) pelo modo recente de o Senhor lidar com Nabal (25.38, 39).

 

*          26.12   da parte do SENHOR... profundo sono.  A sobrevivência de Davi e o seu êxito definitivo dependiam do governo e da orientação de Deus (ver também 30.2, 19 e notas).

 

*          26.19   na herança do SENHOR.  Ver nota em 2Sm 20.19.

 

Vai, serve a outros deuses.  Davi quer dizer que tinha sido expulso para viver entre estranhos, longe do povo de Deus.

 

*          26.20   uma perdiz.  A perdiz, cujo nome em hebraico significa "aquele que chama," é um termo sabiamente escolhido para Davi, que fica em pé na crista da montanha e "clama" (vv. 13, 14).

 

*          26.21   Pequei; volta.  O modo de Davi corresponder à confissão e convite de Saul (v. 22) indica que duvida da sinceridade de Saul;  compare a resposta de Samuel diante de um convite semelhante da parte de Saul em 15.24-26.

 

*          26.25   Bendito sejas tu, meu filho Davi.  O comportamento de Saul é errático, e Davi não confia nas suas confissões, nem nas suas bênçãos (27.1; ver nota em 24.20).

 

*          27.1     algum dia... nas mãos de Saul.  A despeito das lições de fé que tinha aprendido recentemente (26.10), Davi cansa de ser um fugitivo passando constante perigo de vida, e cede diante do temor humano de que Saul acabará conseguindo destruí-lo.  A ansiedade de Davi talvez tenha sido aumentada pelo fato de ele e seus homens terem consigo os seus familiares (v. 3).  Pela segunda vez (21.10), Davi busca refúgio entre os arquiinimigos de Israel, os filisteus. 

 

*          27.2     Aquis.  Sendo, agora, óbvio e indiscutível o rompimento entre Davi e Saul, Aquis prontamente aceita a presença de Davi, esperando, indubitavelmente, obter benefícios do apoio de Davi nas suas próprias lutas contra Saul (29.6). 

 

*          27.3     com ambas as suas esposas.  Ver nota em 25.40-44.

 

*          27.5     contigo na cidade real.  Embora o pedido de Davi, no sentido de receber moradia "numa das cidades da terra", baseie-se grandemente, no desejo de não ser um peso financeiro para a cidade real, ele também espera ter maior liberdade de ação por estar longe dos olhos de Aquis (vs. 8-11).

 

*          27.6     Ziclague.  Alistada entre as cidades de Judá (Js 15.31; 19.5), a cidade antiga de Ziclague pode ter sido em Tell Esh-Shariá, 24 km ao noroeste de Berseba.  Tendo sido uma possessão israelita, Ziglague agora estava debaixo do controle dos filisteus nesses tempos.

 

reis de Judá.  Essa expressão é segundo o ponto de vista de um período posterior à divisão de Israel entre os reinos do norte e do sul (1Rs 12). 

 

*          27.8     gesuritas.  Vizinhos dos filisteus (Js 13.2), esses povos não eram os mesmos que os gesuritas ao leste do Jordão (Js 13.11;  2Sm 15.8; 1Cr 2.23).  A esposa de Davi, mãe de Absalão (2Sm 3.3), provinha dos gesuritas ao leste do Jordão.

 

gersitas.  Não identificáveis;  Gezer (ver referência lateral) fica bem distante.

 

amalequitas.  Ver nota em 15.2.

 

Sur.  Ver nota em 15.7.

 

*          27.9     não deixava com vida nem homem nem mulher.  Esse método de Davi ocultaria de Aquis a sua vida dupla (v. 11).  É duvidoso se esta prática foi correta – tendo em vista a falta de quaisquer indicações de que o Senhor lhe ordenara esse tipo de atuação.

 

*          27.10   Davi respondia.  Não é esta a primeira ocasião em que Davi acha necessário usar de engano (20.6; 21.2 e notas;  cf. 16.2, nota).

 

o Sul de Judá.  Ver 2Sm 24.7; 2Cr 28.18.  A grande região sul de Israel, o Neguebe, estendia-se desde Berseba para o sul, até ao Golfo de Aquabá.

 

Jerameelitas.  1Cr 2.9-15 menciona Jerameel como um descendente de Judá através de Hezrom e como um irmão de Rão, ancestral de Davi. 

 

queneus.  Os queneus e os jerameelitas são mencionados juntos em 30.29. 

 

*          27.12   Aquis confiava em Davi.  Aquis foi enganado pelo logro de Davi, que alegava ter atacado aldeias em Judá e na sua vizinhança. 

 

*          28.1  Fica sabendo.  Aquis indica que sua benevolência para com Davi acarreta certas obrigações.  A mesma frase em hebraico é usada na advertência que Salomão deu a Simei em 1Rs 2.37, 42. 

 

*          28.2     quanto pode o teu servo.  A ironia da resposta ambígua de Davi (este lutará em favor de Aquis, ou contra ele?)  tem seu paralelo na ironia (talvez inconsciente) da resposta de Aquis.

 

minha guarda pessoal para sempre.  Supõe-se que a oferta de Aquis depende do desempenho de Davi na batalha.  A expressão hebraica aqui empregada por Aquis significa "guardador da minha cabeça," que é uma escolha infeliz de palavras, tendo em vista o que Davi fez com Golias (17.49-54).

 

*          28.3     Samuel era morto.  A morte de Samuel sinaliza o fim de uma era. 

 

os médiuns e os adivinhos.  Embora a expulsão por Saul dos médiuns e espíritas esteja em total conformidade com a lei de Moisés (Lv 19.31; 20.6, 27;  Dt 18.11), isso é só uma demonstração parcial de zelo pela religião de Israel.  Saul, ao consultar uma médium, indica claramente sua própria infidelidade e desobediência (1Cr 10.13), ao passo que Lv 20.6 diz que semelhante pessoa deve ser "eliminada do seu povo."

 

*          28.4     Suném.  Localizada um pouco ao sudoeste da colina de Moré e 25 km ao sudoeste do mar de Quinerete (Galiléia), Suném era o local do arraial dos filisteus na véspera da batalha em que Saul morreu (cap. 31). 

 

Gilboa.  Essa é provavelmente a cordilheira montanhosa que começa a 8 km ao sul de Suném e que se estende para o sul, ao longo da margem oriental da planície de Jezreel. Pode, também, ser uma aldeia localizada no âmago da cordilheira de Gilboa, 17 km ao sul de Suném.  Ver 29.1 e nota. 

 

*          28.5     muito se estremeceu o seu coração. Ver 17.11 e nota.

 

*          28.6     o SENHOR não lhe respondeu.  A consulta por Saul foi instigada pela ansiedade (v. 5), e não pela piedade, e a recusa do Senhor em responder relembra a ameaça em 8.18. 

 

nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas.  Saul rejeitara o Senhor e, como conseqüência, foi rejeitado pelo Senhor (15.23 e nota).  Assim, foi excluído dos meios normais de buscar conselhos de Deus.  Enquanto Davi tinha o profeta Gade no seu séquito (22.5), é improvável que houvesse um profeta verdadeiro acompanhando Saul.   Além disso, a estola sacerdotal legítima contendo o Urim e o Tumim (2.28, nota) passou a fazer parte das possessões de Davi através de Abiatar (23.6). 

 

*          28.7     Apontai-me uma mulher que seja médium.  Apesar dos elementos desse tipo terem sido expurgados da terra (v. 3, nota), Saul parece não ter dúvida nenhuma de que seria possível achar uma médium, e seus atendentes conseguem imediatamente indicar uma. 

 

En Dor.  Js 17.11, 12 testifica acerca de uma influência cananéia persistente em En Dor, que ficava uns 8 km ao norte de Suném (v. 4, nota).  Saul, para chegar a En Dor, teve que ir além das linhas dos filisteus.

 

*          28.12 Vendo a mulher a Samuel. Esta expressão relata o que a mulher disse ter visto, porém, nem mesmo Saul viu coisa alguma. Em uma primeira leitura, a surpresa da mulher pode dar a entender que de fato Samuel apareceu diante dela e que o fenômeno era algo fora do seu controle. A surpresa, no entanto, pode ter sido causada porque, de alguma forma, ela reconheceu o rei. Dizer que a aparição foi da Samuel realmente, contraria vários argumentos na área teológica. O diálogo nos versos seguintes entre o suposto Samuel e Saul também foi feito através da mulher, sem ter nenhuma evidência de que o verdadeiro Samuel tenha dito qualquer das coisas mencionadas. Isso sem contar a descrição vaga e imprecisa que a médium dá nos próximos versos da suposta figura de Samuel. Ainda mais, seria incoerente que, uma vez que Saul não foi respondido pelo Senhor por várias formas (nem por sonhos, nem por Urim, nem por profetas, v.6), venha agora receber uma resposta através do finado profeta Samuel (se fosse mesmo Samuel falando através da necromante, o Senhor agora estaria respondendo, pois Samuel não falaria de si mesmo). O autor do Livro das Crônicas ao relatar as causas da morte de Saul (1Cr 10.13-14) diz que este morrera porque “interrogara e consultara uma necromante e não ao Senhor”.

 

*          28.14   Entendendo Saul que era Samuel.  Segundo parece, Saul reconheceu Samuel quando a médium descreveu a sua capa.  O destino da monarquia de Saul tem sido simbolizado de várias maneiras por capas, e a alusão à capa de Samuel relembra o pronunciamento devastador em 15.28 (ver também 18.4; 24.4-6). 

 

*          28.19   tu e teus filhos estareis comigo.  Ou seja:  entre os mortos (31.2-4).

 

*          28.23   Não comerei.  Ver nota em 1.7. 

 

*          29.1     Ajuntaram os filisteus.  Essa declaração volta à narrativa iniciada em 28.1, 2, porém interrompida a fim de descrever a visita de Saul à médium (28.3-25). 

 

Afeque.  Provavelmente a mesma Afeque mencionada em 4.1 (nota), 45 km ao norte de Gate.  Os filisteus reuniram as suas forças em Afeque antes de continuarem a sua marcha para o norte (v. 2).

 

Jezreel. Ao norte do monte Gilboa, poucos quilômetros ao sul de Suném, e 64 km ao nordeste de Afeque. 

 

*          29.3     hebreus.   Ver nota em 4.6.

 

coisa nenhuma achei contra ele.  Esse juízo revela a medida da ingenuidade de Aquis, e não da sinceridade de Davi (27.8-12).

 

*          29.4     para que não se  faça nosso adversário no combate.  Os demais comandantes filisteus são menos ingênuos do que Aquis, e talvez ainda guardem lembranças dolorosas de traição em meio a uma batalha anterior contra Israel (14.21). 

 

*          29.5  Não é este aquele Davi, de quem uns aos outros respondiam nas danças.  Ver nota em 18.7;  21.11.

 

*          29.8   Porém que fiz eu?  Essa pergunta, um protesto de inocência genuína ao ser dirigida a Saul (26.18), agora não passa de disfarce enganoso.  Davi tinha, na realidade, feito bastante coisa errada (27.8-12), se Aquis tão-somente pudesse vê-la.

 

para que não vá pelejar contra os inimigos do rei, meu senhor.  Assim como em 28.2, Davi volta a empregar ambigüidades que são aparentes ao leitor, mas não a Aquis. A ambigüidade aqui é a identidade de o "rei, meu senhor."  Podia ser Aquis, Saul, ou possivelmente o próprio Deus.

 

*          29.9     aos meus olhos és bom como um anjo de Deus.  A confiança de Aquis, que é um erro grosseiro nesse caso, deixa-o praticamente com papel de tolo.  Quanto à expressão "anjo de Deus," ver 2Sm 14.17, 20;  19.27.

 

*          30.1     Ziclague.  Ver nota em 27.6.

 

amalequitas tinham dado com ímpeto.  Ver notas em 15.2, 8.  Tendo sido as vítimas das incursões vitoriosas de Davi (27.8), os amalequitas aproveitaram a ausência de Davi de Ziclague para retaliarem.

 

o Sul.  Ver nota em 27.10.

 

*          30.2     a ninguém mataram.  É evidência notável da proteção providencial que o Senhor dera a Davi (v. 19; 26.12), cuja própria prática tinha sido bem diferente (27.9). 

 

*          30.3     suas mulheres, seus filhos e suas filhas eram levados cativos.  Essa virada dos eventos deve ter causado consternação excepcional, porque era a solicitude pela segurança das famílias que desde o início deve ter motivado a retirada de Davi e seus homens ao território dos filisteus (27.1, nota). 

 

*          30.6     Davi se reanimou no SENHOR, seu Deus.  Ver nota em 23.16.

 

*          30.7     Abiatar a trouxe.  Ver nota em 22.20.

 

*          30.9     ribeiro de Besor.  Ribeiros da estação chuvosa da vizinhança de Berseba e do sul convergem para o ribeiro de Besor, que corre para o noroeste até desembocar no mar Mediterrâneo.  Davi e seus homens devem ter chegado à ravina uns 20 km ao sul de Ziclague.

 

*          30.10   cansados.   Sua exaustão não é de se estranhar depois de uma marcha de mais de 96 km a partir de Afeque (29.1-11) até ao ribeiro de Besor.

 

*          30.14   a banda do sul dos queretitas.  Os queretitas provinham provavelmente de Creta.  São freqüentemente mencionados com os filisteus (Ez 25.16; Sf 2.5).  Os "quereteus e peleteus" serviam sob o comando de Benaia, filho de Joiada, como tropas profissionais leais a Davi (2Sm 8.18; 15.18; 20.7, 23) e, pelo menos durante algum tempo, também a Salomão (1Rs 1.44).  Que formavam o "guarda real" deduz-se de 2 Samuel 23.20, 23.

 

a banda do sul de Calebe.  Calebe, filho de Jefoné, é mencionado pela primeira vez em Nm 13.6 como um dos espias escolhidos para fazer um reconhecimento da terra de Canaã.  É elogiado em Nm 14.24 como quem "perseverou" em seguir ao Senhor e que, portanto, receberia uma herança na Terra Prometida. Sua herança incluía Hebrom (Js 14.13, 14;  Jz 1.20).

 

*          30.19   Não lhes faltou coisa alguma.  Essa é mais uma prova marcante de como o Senhor vigiava com solicitude a situação de Davi (v. 2, nota).

 

*          30.21   ribeiro Besor.  Ver nota no v. 9.

 

*          30.22   filhos de Belial. Ver nota em 2.12, onde é usada a mesma expressão hebraica. 

 

*          30.23   o que nos deu o SENHOR.  Davi reconhece que o salvamento bem-sucedido não foi obra dele mesmo, mas do Senhor (vs. 2, 19 e notas).  Foi por isso que rejeitou a idéia de que as tropas na linha da frente têm o direito a mais despojos do que aqueles que permaneceram na retaguarda. 

 

*          30.26   despojo aos anciãos de Judá.  Provavelmente estivesse agradecendo a eles pela ajuda que lhes deram na sua fuga de Saul (v. 31).  Entretanto também foi nessa região que Davi foi primeiramente reconhecido oficialmente como rei (2Sm 2.1-4).

 

*          30.27-31         Conforme diz o v. 31, essas cidades estavam dentro do alcance das peregrinações de Davi como fugitivo.  Todas elas ficam no sul de Judá.  Essa Betel (v.27), por exemplo, não deve ser confundida com a cidade mais ao norte, de mesmo nome (7.16, nota).

 

*          31.1     Monte Gilboa.  Ver nota em 28.4. 

 

*          31.2     Jônatas, Abinadabe e Malquisua, filhos de Saul.  Ver 14.49.  Quanto a uma lista de todos os quatro filhos de Saul, ver 1Cr 8.33.  Crônicas registra o nome de Esbaal, que provavelmente foi alterado mais tarde para Is-Bosete ("homem de vergonha")  para evitar qualquer associação com o deus dos cananeus, Baal.  Is-Bosete foi o único filho de Saul que sobrou com vida depois da derrota no monte Gilboa.

 

*          31.4     estes incircuncisos.  Ver nota em 14.6.

 

Saul tomou da espada e se lançou sobre ela.  Embora alguns louvem a ação de Saul como digna de um herói trágico, o teor dos livros de Samuel indica o contrário.  Recomendáveis são aqueles que, assim como Davi nos tempos de aflição, acham em Deus a sua força (23.16; 30.6), e que, assim como Jônatas, rendem-se totalmente à sua vontade (18.4, 28, 29; 19.4; 20.31; 23.17 e notas).

 

*          31.6     todos os seus homens.  Quanto ao significado de "todos," ver a nota em 15.8. 

 

*          31.10   Astarote.  Trata-se da deusa da fertilidade dos cananeus.

 

Bete-Seã.  Localizada no vale do Jordão, uns 24 km ao sul do mar de Quinerete (Galiléia), essa cidade fronteiriça do território de Manassés está alistada em Js 17.11, 16;  Jz 1.27 entre aquelas cidades que resistiram a ocupação pelos israelitas e que permaneceram como fortalezas dos cananeus e filisteus.

 

*          31.11   Jabes-Gileade.  Ver nota em 11.1.

 

*          31.12   tiraram o corpo de Saul... do muro.  Esse ato corajoso dos "homens valentes" de Jabes Gileade é uma expressão de gratidão pelo seu próprio resgate efetuado por Saul, narrado no cap. 11.  Além disso, era considerado extremamente vergonhoso aos mortos ficarem sem sepultamento.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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