*          15.1        Enviou-me o SENHOR a ungir-te.  Samuel menciona seu papel na unção de Saul a fim de estabelecer o contexto da continuação de seu serviço como mediador das ordens de Deus a Saul (10.1, nota).

 

atenta, pois, agora, às palavras do SENHOR.  As palavras hebraicas traduzidas por "atentar" e “palavras”, lit. "voz" são repetidas várias vezes nesse capítulo, ressaltando o tema central da obediência ("atentar," "dar ouvidos," "obedecer," e "voz," e "balido... mugido" nos vs. 1, 14, 19, 20, 22, 24). 

 

*          15.2     Amaleque.  Descendentes de Esaú (segundo Gn 36.12, 16), os amalequitas eram um povo nômade do deserto que habitava no sul de Judá e além, na direção do Egito.  Lutavam freqüentemente contra os israelitas.  Ver referências lateral, e Jz 3.13; 6.3-5, 33; 7.12; 10.12.

 

*          15.3     destrói totalmente.  Lit. "colocá-los sob a maldição." Isso significa devotar pessoas ou objetos completamente ao Senhor.  Na guerra, isso usualmente exigia a destruição total das propriedades e a execução das pessoas.  A inclusão de animais nesse versículo é algo especialmente notável.  Essa maldição era um elemento da "guerra santa" e não podia ser decretada por ninguém a não ser Deus. 

 

homem e mulher, meninos e crianças de peito.  Ver 22.19 e nota.

 

*          15.4     Telaim.  Trata-se provavelmente de Telém, alistada em Js 15.24 como uma das cidades de Judá.  A Septuaginta (tradução grega primitiva do Antigo Testamento) contém "Gilgal" que, segundo alguns têm sugerido, foi o local onde Samuel deu suas instruções a Saul (vs. 1-3).

 

*          15.6     porque usastes de misericórdia.  Talvez uma alusão à bondade do sogro queneu de Moisés (Jz 1.16) registrada em Êx 18.

 

*          15.7     desde Havilá até... Sur.  Ver Gn 25.18.  Sur é mencionada em 27.8 como sendo um local nas fronteiras do território amalequita, perto da fronteira oriental do Egito.  A localização de Havilá permanece incerta, mas o sentido geral da referência é que a vitória de Saul foi bastante ampla. 

 

*          15.8  Agague. Este é um nome pessoal, ou um título, assim como "Faraó";  ver Nm 24.7;  "agagita" em Et 3.1.

 

todo o povo.  Não se trata de "todos" sem exceção, mas de todos quantos caíram nas mãos de Saul (há referências posteriores aos amalequitas em 27.8; 30.1, 18). Para este sentido limitado de "todos", cf. 13.7; 31.6.

 

*          15.9     Saul e o povo pouparam.  Agiram de modo contrário às ordens do Senhor (v. 3).  O desejo de tirar proveito da vitória pode ter sido o motivo da relutância em destruir coisas de valor.  Acã apropriou-se de bens que tinham sido condenados à destruição, aparentemente porque era cobiçoso (Js 7.1). Ao leitor não é contado o motivo de Saul ter poupado Agague, quer seja a política, assim como a misericórdia que Acabe teve com Ben-Hadade (1Rs 20.30-34), quer seja o orgulho, o desejo de demonstrar publicamente seus cativos como troféus de guerra.  Saul realmente levantou um monumento da vitória, "para si" (v. 12).

 

*          15.11   "Arrependo-me."  Ver nota em v. 29.

 

deixou de me seguir.  Essa é uma grave acusação formal, tendo em vista 12.14, onde a obediência e o seguir ao Senhor são citados como sendo os requisitos essenciais para um reinado bem-sucedido. 

 

Samuel se contristou.  Lit. "Samuel irou-se." A mesma expressão hebraica é empregada em 18.8 e 2Sm 6.8.

 

toda a noite clamou ao SENHOR.  Fica claro que Samuel não sente nenhum prazer na rejeição de Saul (v. 35; 16.1). 

 

*          15.12  Carmelo.  Cerca de 12 km ao sul de Hebrom (25.2; Js 15.55).  Não se trata do monte Carmelo ao norte. 

 

levantou para si um monumento.  O paralelo mais próximo acha-se em 2Sm 18.18, onde Absalão "levantara para si uma coluna" a fim de celebrar o seu nome. 

 

*          15.14-23.  Esses versículos demonstram as características padronizadas de um discurso de julgamento profético contra um indivíduo (2.27-36, nota), mas nesse caso o acusado, Saul, vigorosamente contesta as acusações.

 

*          15.15  os trouxeram ... para os sacrificar.  Como resposta à acusação de Samuel, Saul oferece duas desculpas:  Primeiro, o povo é o culpado, e não ele;  segundo, os animais seriam oferecidos como sacrifício. Samuel responderá a essas desculpas. 

 

*          15.17  pequeno aos teus olhos.  Sejam quais tenham sido as idéias de Saul a respeito da sua condição como rei, Samuel rejeita sua tentativa de evitar sua responsabilidade pessoal por aquilo que acontecera. 

 

*          15.19   te lançaste ao despojo.  Samuel rejeita a alegação de que os animais foram poupados por serem necessários para o sacrifício.  Quanto ao verbo traduzido "lançar-se," ver 25.14, nota.

 

*          15.20,21  Desconsiderando o repúdio de Samuel às suas desculpas, Saul as repete com teimosia.

 

*          15.22, 23  A forma poética desses dois versículos ressalta sua importância culminante nesse episódio.

 

*          15.22  holocaustos.  Ver nota em 10.8.

 

o obedecer é melhor do que o sacrificar.  Embora Samuel obviamente não acredite na desculpa de Saul (v. 19, nota), mostra que mesmo na hipótese de haver verdade nisso, a lição é que a prática de rituais não tem valor quando não é acompanhada por um espírito sincero e submisso. Ver denúncias semelhantes de rituais sem conteúdo, feitas posteriormente por outros profetas de Israel:  Is 1.10-17; Jr 6.19, 20; 7.21-26;  Os 6.6; Am 5.21-24; Mq 6.6-8;  também Sl 51.16, 17;  Pv 15.8; 21.3, 27. 

 

*          15.23  rebelião... feitiçaria... idolatria.  A feitiçaria e a idolatria eram pecados especialmente graves.

 

Visto que rejeitaste... ele também te rejeitou a ti.  Quando Samuel chega ao ponto de pronunciar a sentença contra Saul, expressa-a de uma maneira que deixa clara a justiça do veredito divino.  O delito e o castigo correspondem entre si (2.27-36, nota).  Embora a falha de Saul no cap. 13 resultasse no fim de suas esperanças para sua dinastia (13.14), sua desobediência no contexto presente implica no fim do seu direito pessoal de ser rei. O capítulo seguinte narra como Davi foi ungido e como o Espírito do Senhor afastou-se de Saul (16.13, 14). 

 

*          15.24, 25  Finalmente, Saul começa a aceitar a responsabilidade ("Pequei"), embora continue culpando o povo por ter dado início aos eventos lastimáveis.  ("Temi o povo e dei ouvidos à sua voz").  Superficialmente, a confissão de Saul parece adequada, mas levando-se em conta as advertências de Samuel em 12.14, 15, suas confissões parecem não conduzi-los à possibilidade de uma reconciliação, mas à certeza de que "perecerá" (12.25).  Saul passará a oferecer uma segunda confissão, mais honesta, no v. 30. 

 

*          15.26  Não tornarei contigo.  Samuel, ao recusar-se a voltar com Saul, dá a impressão de não estar satisfeito com a sinceridade da confissão como um todo (v. 30, nota).

 

*          15.28  rasgou... o reino.  Samuel aproveita o incidente do manto como símbolo apropriado de o Senhor ter "rasgado o reino" de Saul (cf. 24.4, 5;  1Rs 11.29-33).

 

*          15.29  não mente, nem se arrepende.  A rejeição de Saul é decisiva, e nenhuma tentativa de mitigar as suas conseqüências surtirá efeito.  Não há contradição entre essa declaração e as declarações nos vs. 11 e 35 de que o SENHOR "se arrependeu" de ter constituído Saul rei, embora "arrepender-se" represente a mesma palavra hebraica que "lastimar-se" nesse versículo.  Assim como em Nm 23.19, a lição é que quando o Senhor faz um pronunciamento que visa ser definitivo, ele não pode ser persuadido a mudar de idéia. 

 

*          15.30  honra-me.  A verdadeira preocupação de Saul torna-se clara na sua segunda confissão (vs. 24, 25 e nota).  Conforme Samuel parece já suspeitar (v. 26, nota), Saul se interessa menos por se reconciliar com o Senhor do que ser honrado diante dos anciãos do "meu povo."  Em troca dessa honra, Saul se oferece a tratar com reverência o SENHOR "teu" Deus.

 

*          15.31  Samuel seguiu a Saul.  Vários motivos pela mudança da decisão anterior de Samuel (v. 26) podem ser sugeridos:  (a)  Saul finalmente fez uma confissão sincera;  (b)  não existe o perigo, depois dos vs. 28, 29, de que Saul interprete a atitude de Samuel como retratação do julgamento que pronunciou;  (c) Samuel ainda vai lidar com Agague. 

 

*          15.35  Samuel... tinha pena de Saul.  Ver nota no v. 11.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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