* 16.1—31.13 Esses capítulos narram a ascensão
de Davi ao poder, e a perda do poder de Saul, bem como a sua morte. A ascensão de Davi é marcada pela sua unção
por Samuel e seu período no serviço de Saul (caps. 16—18), sua fuga de Saul
(caps. 19–23), seu cuidado em não cometer o crime de sangue (caps. 24—26), e
sua fuga aos filisteus (caps. 27—31).
* 16.1 belemita.
Belém, mencionada pela primeira vez em Gn 35.19, é a cidade
natal de Davi (17.12, 15). Quanto à
relevância dessa localidade para o Messias ( "o ungido"), ver Mq 5.2;
Mt 2.5, 6; Jo 7.42.
me provi. A seleção de um rei para "mim" (o Senhor)
contrasta com a escolha de um rei para "eles" (o povo) em 8.22 (8.18;
12.13).
* 16.2 Vim para sacrificar. Embora essa declaração seja
verdadeira em si, não revela o motivo principal para a viagem de Samuel a Belém
(v. 1). É bem provável que haja um tom
irônico na ordem que o Senhor deu a Samuel, justamente por ter sido dada não
muito depois de Saul ter alegado que
poupou o melhor dos animais somente "para os sacrificar" (15.15,
21). Casos de "informação
incompleta" como este precisam ser aquilatados dentro das suas
circunstâncias específicas (20.6; 21.2;
27.10; 2Sm 16.17-19; Js 2.4 e notas).
* 16.3 ungir.
Ver nota em 2.10.
* 16.4 os anciãos da cidade, tremendo. Ver a reação semelhante de
Aimeleque quanto Davi chegou sozinho em Nobe (21.1). Não é mencionado nenhum motivo para o grande
temor dos anciãos. Provavelmente tinha a
ver com a função profética de Samuel como instrumento do juízo divino.
* 16.7 nem para a sua altura, porque o
rejeitei. A
referência à "estatura" como uma medida errônea para classificar a
qualificação de um indivíduo para ser rei, juntamente com o aviso de que esse
filho de Jessé é "recusado," faz relembrar Saul, cuja altura era notável
(9.2; 10.23) mas que foi rejeitado (15.23, 26).
o SENHOR, o coração. É axiomático que os padrões divinos são
interiores, e não exteriores (13.14, nota;
Rm 2.28, 29). Ver "Deus Vê e
Conhece: Onisciência Divina",
índice.
* 16.13 no meio de seus irmãos. É provável que os anciãos também
tenham presenciado a unção de Davi (vs. 4, 5).
A ênfase na presença dos irmãos nesse evento talvez lance luz sobre o
comportamento de Eliabe em 17.28.
o Espírito do SENHOR se apossou de Davi. Ver notas em 10.6; 11.6. O revestimento de Davi pelo Espírito
"daquele dia em diante" destaca-o de Saul (e também de Sansão) sobre
quem o Espírito vinha apenas esporadicamente.
* 16.14 Tendo-se retirado de Saul o Espírito do
SENHOR. A presença
do Espírito de Deus, que confere poder e validade, deve ter sido removida de
Saul na ocasião da sua rejeição definitiva como rei no cap. 15 (cf. também v.
1).
um espírito maligno. Cf. 1Rs 22.21-23. A palavra hebraica pode descrever algo que
perturba, aflige, ou que é danoso.
* 16.18 homem de guerra. Esse relatório talvez pareça estar
em conflito com a declaração de Saul em 17.33 de que Davi, sendo só um jovem na
ocasião, não estava em pé de igualdade com Golias. Pode-se dizer, como resposta, que a
recomendação feita de Davi era, decerto, um exagero, assim como uma carta de
referência nos dias de hoje. Por outro
lado, Saul estava comparando Davi com Golias, e relutava em tomar o risco de
mandar alguém contra o gigante filisteu.
o SENHOR é com ele. Esse fato,
mais do que qualquer qualidade humana, explicará a ascensão persistente (embora
custosa) de Davi ao poder, ao passo que o crescente reconhecimento de Saul de
que Davi havia sido preferido a ele desempenhará um papel considerável na sua
própria desintegração psicológica (3.19; 17.37; 18.12, 28, 29; 20.13; 2Sm 7.9 e
notas).
* 16.19 Envia-me Davi, teu filho, o que está com as
ovelhas. Saul, sem o
saber, convida seu futuro substituto a fazer parte da sua corte. A ascensão de Davi ao poder é dirigida
providencialmente, e não é resultado do esforço humano ou da cobiça pelo poder.
* 16.21 este o amou muito. Não fica
claro no texto se essas palavras descrevem a atitude de Saul para com Davi ou
de Davi em relação a Saul. Note, também, o modo de Jônatas corresponder a Davi
(18.1, 3; 20.17), bem como o de Mical (18.20, 28), do povo (18.16), e
possivelmente até mesmo os demais servos de Saul (18.22). O sendido provável é
o de que "Saul amou a Davi" (ver o v. 22).
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sergiovalentin