* 9.1 homem de bens. O versículo inicial do relato das
aventuras de Saul tem semelhança de forma com o início da narrativa do
nascimento de Samuel (1.1). Nos dois
casos, o pai da personagem principal é apresentado com referências genealógicas
suficientes para sugerir um homem de posição.
Também na apresentação de Samuel somos informados a respeito da
observância religiosa fiel do pai (1.3-5), ao passo que no presente relato
passamos a conhecer imediatamente Saul (v. 2), e o enfoque permanece exclusivamente
em qualidades externas.
* 9.2 filho... moço... belo. A ênfase dessa descrição é a
estatura física de Saul e sua aparência impressionante. Compare com a descrição de Absalão em 2Sm
14.25, 26.
* 9.6 Nesta cidade há um homem de Deus. Que Saul não tem consciência da
presença e da reputação do homem de Deus, ou que não pensou em consultá-lo,
reflete negativamente sobre seu julgamento.
tudo quanto ele diz, sucede.
O homem de Deus é Samuel, de quem foi dito em 3.19 que o
Senhor deixou nenhuma de todas as suas palavras cair em terra.
* 9.7 presente não temos que levar ao homem de
Deus. Josefo (Antigüidades
6.4.1) interpreta as palavras de Saul como sinal de que ignorava que um profeta
verdadeiro não aceitaria pagamento. Os
escritos dos profetas de Israel revelam desdém por aqueles que profetizam por
dinheiro (Mq 3.5, 11), embora haja várias referências a bens sendo oferecidos
em troca de favores proféticos (p.ex., 1Rs 14.3; 2Rs 4.42; 8.8). Em dois casos o pagamento é explicitamente
recusado (1Rs 13.7-9; 2Rs 5.15, 16), e
em certa ocasião em que bens são aceitos, o pagamento não beneficia
pessoalmente o profeta, mas é distribuído entre o povo (2Rs 4.42).
* 9.9 ao profeta... antigamente, se chamava
vidente. Os termos
são sinônimos.
* 9.12 Elas responderam. No hebraico, os vs. 12, 13 transmitem emoção
e animação quando as moças conclamam Saul a subir depressa à cidade, onde
chegará na hora certa de se encontrar com Samuel.
no alto. Embora
fosse reconhecido que semelhantes lugares altos (freqüentemente locais da
adoração cananéia) postulavam uma nítida
ameaça contra a pureza da adoração israelita (p.ex., Lv 26.30; Nm 33.52;
Dt 12.2, 3; Jr 2.20), fica aparente em trechos semelhantes a este
que a adoração a Javé, às vezes, era dirigida ali, especialmente durante o
primeiro período da monarquia (10.5; 1Rs
3.2-4). Semelhantes cultos podem ter se
tornado necessários pela perda do santuário em Silo (1.3, nota). Depois da divisão do reino, a adoração no
"altos" era um problema grave tanto no norte (1Rs 12.31, 32;
13.32-34) quanto no sul (1Rs 14.22-24).
A remoção dos "altos" foi um dos alvos principais dos
movimentos de reforma dirigidos pelos reis do sul, tais como Ezequias (2Rs
18.4) e Josias (2Rs 23.5).
* 9.16 o qual ungirás. Ver nota em 2.10.
príncipe. A palavra parece ser um título para "alguém
designado para reinar" (cf. seu uso com referência a Salomão como príncipe
herdeiro em 1Rs 1.35). A tarefa de Saul
no contexto imediato é libertar Israel dos filisteus e, no contexto do cap. 8,
a pressuposição lógica é a de que ele passará a ser rei.
filisteus. Ver nota em
4.1.
* 9.18 Saul se chegou a Samuel. O fato de que Saul não reconheceu Samuel é um
indício perturbador da insensibilidade e descuido espirituais que
caracterizarão Saul cada vez mais à medida em que a narrativa progride.
* 9.20 tudo o que é precioso em Israel. Essa expressão [também pode ser
compreendida como: "todo o desejo de Israel"] talvez sugira que Saul
é exatamente o tipo de rei que o povo deseja no cap. 8.
* 9.24 Tomou... a coxa... e a pôs diante de Saul.
O tratamento dado a Saul ilustra,
não somente a mudança de sua condição social que acabara de ser elevada, mas
também a previsão que Samuel, com a ajuda divina, fizera da sua chegada (vs.
15, 16).
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sergiovalentin