*
1.1 Silvano. Nome latino de Silas, um profeta da
igreja de Jerusalém incumbido de acompanhar Paulo e Barnabé a Antioquia para
comunicar a decisão do concílio de Jerusalém (At 15.22,27,32 e 40). Silas foi escolhido por Paulo para realizarem
juntos esta segunda viagem missionária.
Timóteo. Seu pai era grego e sua mãe, uma
judia piedosa. Quando essa carta foi
escrita, Timóteo era um dos mais recentes integrantes da equipe
missionária. Paulo e Silas haviam
convocado esse jovem porém muito respeitado discípulo para unir-se com eles no
ministério há cerca de um ano antes em Listra (At 16.1).
em Deus Pai e no Senhor Jesus
Cristo. Uma indicação da intimidade ímpar entre o Pai
e o Filho, pois é dito que a igreja está "em" ambos (Introdução:
Características e Temas).
*
1.3 operosidade da vossa fé. A fé dos tessalonicenses,
obviamente uma das maiores preocupações de Paulo, é mencionada novamente no
v. 8 e também em 3.2,5-7,10; 5.8.
abnegação do vosso amor. Haviam demonstrado seu amor
especialmente acolhendo os viajantes (v. 9).
Paulo enaltece novamente o amor dos tessalonicenses em 4.9,10, onde diz
que estão "por Deus instruídos" no amor que têm uns pelos outros.
firmeza da vossa esperança. A esperança escatológica deles
consiste na sua certeza de que o Senhor Jesus retornará para livrá-los de suas
tribulações presentes e da ira vindoura de Deus. Sobre a tríade "fé",
"esperança" e "amor", ver 5.8; Rm 5.2-5; 1Co 13.13; Gl
5.5,6; Cl 1.4,5; Hb 6.10-12; 10.22-24; 1Pe 1.3-8,21,22.
*
1.4 vossa eleição. A eleição divina é um tema comum às
duas epístolas aos tessalonicenses (5.9; 2Ts 2.13). Paulo não tem receio de afirmar a essa
congregação jovem e de predominância gentílica que eles eram eleitos de Deus. Paulo vê neles o fruto da graça eletiva de Deus,
manifestada na resposta deles à pregação do evangelho e em seu progresso
inicial na santificação (2Ts 2.13, nota).
*
1.6 imitadores. O Espírito Santo tem um papel importantíssimo
na sustentação do crente que sofre perseguição por causa de Cristo (Mt
10.19,20; 1Pe 4.12-14).
*
1.7,8 Paulo escreve da
Acaia, depois de ter percorrido a Macedônia e passado por Atenas e chegado a
Corinto. Ao longo da jornada, observou
que os cristãos já estavam a par de seu trabalho em Tessalônica e já tinham
ouvido falar da fé dos tessalonicenses.
Os cristãos tessalonicenses, embora principiantes em Cristo, são
exemplos de fé, amor e esperança para outros.
*
1.9,10 Esses versículos
assemelham-se à pregação de Paulo em Atenas (At 17.22-31). Pregando aos judeus, Paulo podia pressupor
conhecimento da existência do verdadeiro Deus e da autoridade das Escrituras do
Antigo Testamento e passar logo à pregação do advento do Messias prometido por
Deus. Àqueles sem instrução na fé da nação de Israel, Paulo enfatiza duas
coisas: primeira, reconhecimento do Deus vivo e verdadeiro e abandono dos
ídolos mortos e, segunda, preparação para o vindouro e divino julgamento
universal que será executado por Jesus
Cristo, o Deus-Homem, que morreu e ressuscitou dentre os mortos (4.6; At
17.29-31).
*
1.10 dos céus. Ver 4.16; 2Ts 1.7; cf. At 1.11; Fp 3.20.
Jesus, que nos livra da ira
vindoura. A morte de
Jesus afastou a ira de Deus há muito tempo, mas o sentido pleno dessa obra
salvífica não se manifestará antes do dia do Juízo. Então, através da intervenção de Cristo, os
crentes serão poupados da condenação e do castigo que seus pecados, de outra
maneira, mereceriam.
*
2.1-12 Paulo, ao que parece,
responde certas dúvidas ou críticas a respeito do seu ministério. Ele defende, de forma implícita, seu
ministério do evangelho, ao mesmo tempo que, ao recordar o trabalho dele e de
seus companheiros, apresenta aos tessalonicenses um modelo de serviço realizado
em amor, o que deve ser seguido também por estes.
*
2.2 tivemos ousada confiança em
nosso Deus. Embora
chamados por Deus para percorrer a Macedônia (At 16.9,10), Paulo e Silas tinham
sido severamente espancados e acorrentados em uma prisão macedônica (em
Filipos). Os missionários tiveram de ser
corajosos e abnegadamente devotados ao propósito de Deus.
o evangelho de Deus. Paulo enfatiza aqui a origem pura,
verdadeiramente divina, da sua mensagem e do seu ministério. Note a repetição dessa frase nos vs. 8 e 9.
Anunciar o evangelho sempre é um encargo dado pelo próprio Deus.
*
2.4 Ver nota teológica
"Agradando a Deus", índice.
*
2.8 Fica evidente em toda
essa seção (vs. 17-20; 3.6-12) o
profundo afeto de Paulo por seus filhos espirituais, os quais, meses antes,
eram-lhe completamente estranhos, separados por raça, cultura e religião.
*
2.12 Esse versículo resume
a exortação e a instrução que haviam recebido de Paulo durante sua primeira
estada em Tessalônica. Diferentemente
dos ídolos que os tessalonicenses haviam deixado (1.9), o Deus vivo e
verdadeiro tem um "reino e glória" e, em sua insondável misericórdia,
escolheu compartilhar esse reino com aqueles que o adoram por meio de Jesus
Cristo. Chamados a entrar nesse reino,
os crentes conhecem o poder dele e desfrutam da vida deste reino aqui e agora
(Rm 14.17; 1Co 4.20; Cl 1.13,14), enquanto anelam pelo dia em que entrarão em
sua plenitude.
*
2.13 está operando
eficazmente. A palavra
de Deus, embora transmitida pela agência humana, é uma mensagem divina que
opera nos crentes por meio do Espírito Santo (Is 55.11; At 20.32; 2Tm 2.15-17 e
Hb 4.12).
*
2.14 padecestes, da parte dos
vossos patrícios. O poder da
palavra de Deus foi neles demonstrado quando enfrentaram violenta perseguição
de seus parentes e, a exemplo das igrejas na Judéia, suportaram-na com fé e
alegria (At 17.5-9).
*
2.15 Assim como Jesus
considerou aqueles que o perseguiam como sucessores dos que haviam perseguido
os profetas (Mt 23.29-32), Paulo (além de
Estêvão, At 7.52) vê a mesma relação de continuidade ampliando-se para
os judeus (com os quais outrora havia colaborado) que agora perseguem a Cristo
por oposição ao evangelho (At 9.4). A mais detalhada exposição da abordagem de
Paulo a esse problema da oposição dos judeus ao evangelho está em Rm 9-11.
*
2.16 A ira, porém, sobreveio contra
eles, definitivamente. Essa última
palavra também pode ser traduzida como "até o fim" (Mt 10.22; 1Co 1.8
e 15.24). Pode tratar-se de uma profecia da catástrofe que sobreveio a
Jerusalém no ano 70 d.C., não mais do que vinte anos depois de Paulo ter escrito
essas palavras, ou pode referir-se à serie de calamidades então já em curso e
que culminaria naquela terrível tragédia. Ou pode referir-se ao endurecimento
de uma grande parte de Israel em sua culpável rejeição de Cristo; Jesus viu
esse endurecimento como o cumprimento da terrível profecia de Isaías (Is
6.9,10; Mt 13.14,15). Compare com Rm 1.18-32, que descreve a mesma ação da ira
de Deus sobre os gentios. Conforme Paulo escreveria mais tarde (Rm 11.25),
"endurecimento em parte" sobreveio a Israel e se manterá até que o
número completo de gentios tiver entrado (isto é, até o fim). O restante de
Israel, não sujeito ao endurecimento, é o remanescente (Is 6.13), que, na era
do evangelho, continua sendo objeto da misericórdia de Deus, encontrando salvação
em Jesus, o Messias.
*
2.17 orfanados. O termo grego é usado tanto para
pais quanto para filhos que haviam sido separados. Paulo retoma a metáfora dos vs. 7 e 11,
descrevendo sua relação com a congregação de Tessalônica em termos de vínculos familiares.
*
2.19 em sua vinda. A palavra grega parousia
("vinda") aparece seis vezes nas duas cartas aos Tessalonicenses para
a segunda vinda de Cristo (ver também 3.13; 4.15; 5.23; 2Ts 2.1-8). Paulo usa o termo com esse sentido somente
uma outra vez, em 1Co 15.23. A vinda de Cristo é apresentada como o momento em
que será revelado o fruto de nossas obras de fé. A alegria e a coroa de Paulo
naquele dia serão seus amados filhos espirituais, convertidos por meio de seu
ministério (2Co 1.14; Fp 2.16).
*
3.3,4 Paulo não prometeu
aos seguidores de Jesus uma vida de sossego ou aprovação pública; Jesus também
não o fez (Mc 8.34; Jo 15.18-21).
*
3.11 Paulo dirige-se, ao
mesmo tempo, a Deus Pai e ao Senhor Jesus em sua oração (Introdução:
Características e Temas). A resposta a
essa oração por reencontro veio vários anos depois (At 20.1).
*
3.13 na vinda de nosso Senhor
Jesus. A obra da
santificação já iniciada nos crentes é conduzida à sua plenitude gloriosa na
segunda vinda do Senhor (5.23; cf. 1Co
1.8; Fp 1.6; 2Ts 3.3; Jd 24).
os seus santos. Lit., "os santos". Anjos,
os quais acompanharão a Cristo em seu retorno (2Ts 1.7; cf. Mt 13.39,48,49; 16.27) ou santos humanos (2Ts
1.10; Ap 19.14) ou, ainda, ambos.
*
4.1 Paulo louva os
tessalonicenses pelo progresso alcançado no aprendizado de como agradar a Deus,
mas conclama-os a progredirem ainda mais.
Paulo reconhecia a necessidade de continuar crescendo e
"avançando" (Fp 3.13). A
complacência espiritual contradiz a confissão de fé do crente.
*
4.2 Outra vez, Paulo
afirma que a autoridade de seus ensinamentos não vinha dele mesmo nem tinha
origem humana, mas vinha do Senhor ressurreto (2.13).
*
4.3 a vontade de Deus: a vossa
santificação. A Escritura entende a
vontade de Deus de duas maneiras diferentes.
Algumas vezes, como em Ef 1.11, refere-se ao eterno propósito de Deus
que determina a história. Não podemos
conhecê-la senão pela observação do desenrolar da história ou através de alguma
revelação especial (profecia). Essa é geralmente chamada pelos teólogos como
vontade "decretiva", "oculta" ou "secreta" de
Deus. Em outros lugares, como aqui e em 1Ts 5.18, refere-se ao dever que Deus anuncia na revelação, a vontade
"perceptiva" ou "revelada" de Deus (Dt 29.29).
*
4.5 como os gentios. A sociedade pagã dos dias de Paulo
proporcionava pouco incentivo à pureza
sexual. A norma era a infidelidade
conjugal, ao menos quanto aos homens, e algumas das religiões pagãs das quais
os crentes de Tessalônica tinham sido libertados permitiam indecências sexuais
em seus rituais. O evangelho cristão
traz um despertamento moral e a pura revelação dos padrões divinos de retidão.
*
4.6 nem defraude a seu
irmão. Os
relacionamentos sexuais ilícitos não afetam somente as pessoas direta e
voluntariamente envolvidas. Cônjuges são
enganados; as famílias, os amigos e os irmãos na fé são envergonhados. Finalmente, esses pecados, como, aliás, todos
os pecados, são pecados contra Deus.
*
4.8 Paulo reivindica
autoridade divina não só para sua proclamação oral mas também para suas
instruções escritas (ver também 5.27).
também vos dá o seu Espírito
Santo. Paulo
recorda-lhes que suas aptidões para a
santidade são restauradas em virtude da contínua concessão do Espírito Santo, que
neles habita (1Co 6.19; Gl 3.5). A
construção no grego enfatiza o termo "Santo", muito apropriado nesse
contexto.
*
4.11 diligenciardes. A palavra grega por trás dessa tradução em
geral denota a tentativa dos ricos de granjearem honras civis e reconhecimento
através de demonstrações de generosidade. Pela forma como a emprega, Paulo
inverte esse sentido do termo: os
tessalonicenses deviam ser zelosos pela honra que não se adquire por
auto-afirmação ou por ostentação de grandeza pessoal mas através de um
comportamento humilde, diligente e irrepreensível. Essa exortação, pertinente a todos os
cristãos, era especialmente urgente em Tessalônica, onde os cristãos já haviam
sido falsamente acusados de sedição (At
17.6-9). Vivendo respeitosamente e modestamente, os cristãos haveriam de
desfazer quaisquer dúvidas ainda existentes a seu respeito.
*
4.13 aos que dormem. Uma metáfora comum entre os pagãos, mas
também entre judeus e cristãos, para a
morte. O termo não contém nenhuma
referência especial ao estado da alma ou à consciência dos falecidos, uma vez
que é empregado sem exceção por grupos das mais diferentes convicções acerca
desse tema. Sobre o ensino do Novo
Testamento sobre uma existência consciente e bem-aventurada entre a morte e a
ressurreição, ver Lc 16.19-31; 23.42,43; Jo 14.1-3; 2Co 5.6-8; Fp 1.23; Ap
6.9-11; 7.9-17; 20.4-6. Ver "Morte
e Estado Intermediário" em Fp 1.23.
para não vos entristecerdes. A ressurreição de Cristo é para os
cristãos o fundamento firme da esperança e certeza de comunhão eterna com
ele. Em vista disso, o pesar que sentem
pelos irmãos que já partiram é aliviado, sendo sustentados na esperança.
*
4.14 trará, em sua companhia. O sentido é, provavelmente o de
"trazer" à presença de Deus (3.13) e ao seu reino através da
ressurreição (1Co 6.14; 2Co 4.14), embora alguns acreditem que signica a vinda
dos santos para a terra quando Cristo retornar.
*
4.15 de modo algum
precederemos. De acordo
com 2 Esdras, uma obra judaica do segundo século d.C., aqueles que estiverem
vivos por ocasião da volta do glorioso Messias são mais abençoados do que
aqueles que tiverem morrido antes (2 Esdras 13.14-24). Alguns tessalonicenses
podem ter absorvido essa concepção errônea. Paulo, ao contrário, assegura aos
tessalonicenses de que ambos os grupos terão igual posição (1Co 15.52) e que
ambos entrarão na plenitude do reino juntos.
*
4.16 os mortos em Cristo
ressuscitarão primeiro. De acordo com
Paulo, os que estão "em Cristo" constituem-se
em uma subcategoria dos que estão "em Adão" (toda a raça humana) e
compreendem todos os que participam da salvação em Cristo (1Co 15.22,23), quer
tenham vivido antes ou depois de Cristo.
Por conseguinte, esse levantar dos "mortos em Cristo" é uma
ressurreição de todos os justos já falecidos, e não apenas dos crentes do Novo
Testamento, por ocasião da volta de Cristo (como em 1Co 15.23; cf. Jo 5.28,29).
A ressurreição dos ímpios é explicitamente mencionada por Paulo somente
em At 24.15, embora ele também a pressuponha em suas advertências quanto a um
julgamento universal e pessoal quando Cristo voltar (At 17.31; Rm 2.5-16). Ver nota teológica "A Segunda Vinda de
Jesus", índice.
*
4.17 arrebatados. Essa descrição do "arrebatamento"
da Igreja não tem por finalidade satisfazer nosso anseio por conhecimento
detalhado da cronologia do fim dos tempos.
Por exemplo, não é dito se a companhia então reunida descerá à terra ou
retornará aos céus. A apresentação é
pastoral, tem por objetivo consolar aqueles que estavam tristes ou confusos diante
da morte de crentes amados. A certeza de
que todos os justos, indistintamente, estarão com o Senhor para sempre e unidos
no dia da volta de Cristo é o tema central dessa passagem (v. 18). A
"palavra de ordem", a "voz" e a "trombeta" do
v. 16 dão-nos a nítida impressão de que
o arrebatamento será um acontecimento público e não secreto (Lc 17.24; 21.35;
Ap 1.7). Ver nota em 5.1-11.
*
5.1-11 Os tessalonicenses
são orientados a prepararem-se para o mesmo evento que, aos ímpios, sobrevirá
inesperadamente — o dia do Senhor (vs.
2,4). Paulo pressupõe que
cristãos e não-cristãos estarão vivos e presentes quando o Dia chegar; os
cristãos, vigilantes e prontos, os
incrédulos, surpreendidos como por um ladrão que vem de noite. Em outras palavras, o arrebatamento de
cristãos mencionado em 4.17 não se dará antes da chegada do Dia, o qual também
trará súbita e inescapável destruição dos ímpios (2Ts 2.1,2, notas). Ver "A Segunda Vinda de Jesus" em
4.16.
*
5.2 Dia do Senhor. Uma importante designação do dia da volta de
Cristo. É bem conhecida no Antigo
Testamento (p.ex., em Jl 2.1,31; Am 5.18; Sf
1.7,14; Ml 4.5), onde essa expressão descreve a proximidade do
julgamento de Deus. A estreita
associação do Dia do Senhor com julgamento continua no Novo Testamento, onde se
refere o juízo final e às recompensas e castigos derradeiros (At 17.31; Rm
2.5,16; 2Co 1.14). De acordo com 2Pe
3.10-13, os céus, a terra e os elementos serão destruídos para dar lugar a
novos céus e nova terra.
vem como ladrão de noite. Ver Mt 24.43,44; 2Pe 3.10; Ap 3.3;
16.15. Paulo parecia estar
familiarizado, pelo menos em parte, com o "Sermão Profético" que
Jesus pronunciou no monte das Oliveiras (Mt 24.3—25.46; Mc 13.3-37; Lc
21.5-36).
*
5.9 Deus não nos destinou para a
ira. Deus destinou o seu povo
para obter a salvação e a glória em Jesus Cristo (1.10; 2Ts 2.14). No entanto, os tessalonicenses e muitos
outros crentes foram designados por Deus para passarem por tribulações de toda
espécie e resistir a elas (3.2-4; 2Ts 1.4; Tg 1.2-4; 1Pe 4.12-14; Ap 1.9). A "ira", nesse contexto,
evidentemente é a condenação e a punição que sobrevirão no "dia da
ira" (Rm 2.5) aos impenitentes (Ef 5.6; Cl 3.6; Ap 6.16,17; 11.18).
*
5.12 Mesmo nessa primeira
etapa na vida da congregação havia líderes encarregados do cuidado e supervisão
espiritual. Paulo recomenda o devido
apreço pelos obreiros e líderes da igreja, pedindo amor e respeito para com os
mesmos. Alguns tessalonicenses, nos
quais é possível que Paulo estivesse pensando aqui, são mencionados em outros
escritos do Novo Testamento: Jasom (At 17.6-9), Aristarco (At 20.4; 27.2; Cl
4.10; Fm 24), Secundo (At 20.4) e, possivelmente, Gaio (At 19.29).
*
5.14 irmãos. Essa saudação (também o v. 12)
indica que as exortações seguintes atribuem a responsabilidade do ministério a
toda a congregação e não apenas aos dirigentes reconhecidos.
insubmissos. O contexto, aqui e em 2Ts 3.6,7,11,
mostra que a insubmissão a que Paulo se refere é a recusa irresponsável do
trabalho como meio de vida. Muitos
pensam que essa conduta baseava-se em uma espera prematura da segunda vinda de
Cristo (Introdução a 2 Tessalonicenses).
*
5.15 Um cristão tem por
dever promover a justiça em favor de outros (Is 56.1; 58.6-8). Destaca-se na moralidade cristã o princípio
de que o cristão, seguindo o exemplo de Cristo (1Pe 2.21-23), não busca
vingança pessoal (Mt 5.38-42; Rm
12.17-21; 1Co 6.7; 1Pe 3.9).
*
5.19-21 Paulo admoesta os
tessalonicenses contra o desprezo da profecia legítima; Silas e Paulo também
eram "profetas" (At 13.1; 15.32).
No entanto, alegações de profecia divina precisam ser colocadas à prova
e jamais serem aceitas sem critério (2Ts 2.2; cf. 1Co 14.29).
*
5.23 santifique. A correção plena de todas as imperfeições
humanas não só é possível como certa.
Deus é fiel e a completerá (v. 24).
Deve-se considerar o elemento tempo.
A perfeição final incluirá um corpo glorificado e será alcançada na
segunda vinda de Jesus Cristo (Fp 1.6).
Ver "Santificação: o Espírito e a Carne", em 1Co 6.11.
vosso espírito, alma e corpo. O emprego das três palavras enfatiza o
caráter total da perfeição .
"Espírito" e "alma" são empegados praticamente como
sinônimos na Bíblia para o elemento espiritual de uma pessoa. Quando os termos aparecem juntos (como aqui e
em Hb 4.12), é difícil encontrar qualquer diferença de significado. Compare com a quádrupla representação
"coração", "alma", "entendimento" e "força" em Mc 12.30.
*
5.27 Conjuro-vos. O verbo grego é muito forte e, na
prática, coloca os leitores sob juramento.
Paulo lhes impõe um compromisso solene de que toda a congregação deve
aprender o conteúdo dessa epístola — muito importante ele considerava seu
ensino apostólico para o bem estar espiritual deles (2.13; 4.2, notas).
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sergiovalentin