*  1.1,2  Saudação inicial, incluindo remetente,  destinatário e bênção.

 

*  1.1  apóstolo de Cristo Jesus.  Alguém enviado como representante oficial de Cristo.  Essa frase é freqüentemente usada por Paulo na introdução de suas cartas, referindo-se a sua própria pessoa. 

 

Deus,  nosso Salvador.  Na qualidade de autor da aliança da graça, Deus é  Salvador (2.3; 4.10; Tt 1.3; 2.10; 3.4).

 

Cristo Jesus, nossa esperança.  Jesus é a base da esperança cristã porque ele é o mediador da aliança da graça (2.5; 4.10; 5.5; 6.17). Ver "Esperança" em Hb 6.18.

 

*  1.2  verdadeiro filho na fé.  Cf. Tt 1.4. Paulo considerava Timóteo como seu filho espiritual (v. 18; 1Co 4.17; Fp 2.22; 2Tm 1.2; 2.1; Introdução: Data e Ocasião).

 

graça, misericórdia e paz.   Paulo substitui freqüentemente “graça" pela saudação mais convencional “saudações” (cf. Tg 1.1).  É próprio de Paulo acrescentar  também a saudação judaica "paz", que significa "saúde, vida plena". Aqui e em 2Tm 1.2, ele ainda acrescenta "misericórdia".

 

*  1.3-7  Paulo se dirige ao corpo da carta. Seu propósito é instruir Timóteo como agir em Éfeso na qualidade de representante de Paulo  (Introdução: Data e Ocasião). O apóstolo começa pelo problema do ensino falso em Éfeso (Introdução a 2 Timóteo: Dificuldades de Interpretação).

 

*  1.3  não ensinem outra doutrina.  O conflito em Éfeso está centrado no ensino adequado (v. 10; 4.1,2; 6.3; 2Tm 2.18).

 

*  1.4  fábulas. Ver 4.7; 2Tm 4.4.  Em Tt 1.14, Paulo fala de "fábulas judaicas",  referindo-se possivelmente a espécies de lendas sobre personagens do Antigo Testamento que são encontradas em muitos dos escritos apócrifos judaicos.

 

genealogias sem fim.  Talvez  uma referência a uma primitiva forma de especulações detalhadas (freqüentemente associadas a mitos judaicos) que se desenvolveram no gnosticismo.  Estas especulações diziam respeito às origens do mundo e aos inúmeros seres espirituais, supostamente envolvidos na criação (cf. Tt 3.9).

 

*  1.5  amor.  A ordem de Paulo realça a íntima relação entre a fé cristã e a prática (cf. Gl 5.6).

 

*  1.7  lei.  A lei de Moisés.

 

*  1.8-11  Os comentários de Paulo sobre os falsos mestres o induzem a fazer uma rápida abordagem do propósito da lei.

 

*  1.8  a lei é boa.  Ver Rm 7.7-12; Gl 3.19-25.

 

*  1.10  sã doutrina.  Ou "sãs palavras", um tema que perpassa as cartas pastorais (3.9; 4.6; 6.3; 2Tm 1.13,14; 2.2; 4.3; Tt 1.9,13; 2.1,2).

 

*  1.11  segundo o evangelho da glória.  As boas-novas do que Deus fez em Cristo são a norma pela qual são julgadas sadias tanto a doutrina bem como a compreensão da lei.

 

*  1.12-17 Paulo deixa os comentários sobre a lei e passa a tratar do seu chamado recebido de Cristo.  Além disso, fornece uma exposição do evangelho como sendo a graça derramada por Deus, sobre os pecadores em Jesus Cristo.

 

*  1.13  blasfemo, e perseguidor, e insolente.  Antes de sua conversão,  Paulo perseguiu a igreja (At 8.3; 9.1-5; 22.4,5; 26.9,11; Gl 1.13; Fp 3.6).

 

pois o fiz na ignorância, na incredulidade.  Deus não concedeu a Paulo o que ele merecia mas o que necessitava (cf. At 3.17-20).

 

*  1.15  Fiel é a palavra e digna de toda aceitação.  Esta expressão chama a  atenção para um ponto importante. A mesma somente aparece no Novo Testamento nas cartas pastorais (3.1; 4.9; 2Tm 2.11; Tt 3.8).

 

eu sou o principal.  Lit., “eu sou o primeiro". Paulo não se caracterizou assim antes de sua conversão.  Pelo contrário, na medida em que crescia em Cristo,  Paulo  tornou-se mais e mais consciente de sua própria pecaminosidade.

 

*  1.16  a vida eterna.  Deus concede a todos quantos crêem em Cristo não apenas “vida eterna", mas também vida em toda a sua plenitude (cf. 4.8; 6.12,19; 2Tm 1.1,10; Tt 1.2; 3.7).

 

*  1.18-20  Paulo retorna  ao tema dos vs. 3-7, dando menos importância ao potencial de Timóteo para obter sucesso como representante de Paulo e enfatizando mais a contínua fidelidade de Timóteo a Cristo. Contrasta-o especialmente com dois membros (talvez líderes) da igreja em Éfeso, os quais "vieram a naufragar na fé" (v. 19).

 

*  1.18  as profecias de que antecipadamente foste objeto.  Essa afirmação  refere-se a um acontecimento, também mencionado em 4.14 e em 2Tm 1.6 (cf. 2Tm 2.2), quando um grupo de presbíteros,  inclusive Paulo, impôs as mãos sobre Timóteo (talvez quando Timóteo foi separado para o ministério). Naquela ocasião, Timóteo recebeu um dom espiritual e uma palavra de profecia, designando-o serviço  (cf. At 13.1-3).

 

*  1.19  boa consciência.  Ver  "A Consciência e a Lei"  em 1Sm 24.5.

 

*  1.20  Himeneu e Alexandre.  O destaque dessas duas pessoas levanta a questão se  eram líderes na igreja.  Himeneu é mencionado novamente em 2Tm 2.17,18, como alguém que se desviou "da verdade".  Fica obscuro, porém,  se o "Alexandre" citado aqui e em At 19.33,34 e 2Tm 4.14,15, é a  mesma pessoa.

 

entreguei a Satanás.  Provavelmente essa é uma referência à exclusão dessas duas pessoas da comunhão da igreja. Portanto, foram devolvidos ao mundo — o domínio de Satanás (Jo 12.31; 14.30; 16.11; 2Co 4.4; Ef 2.2). Paulo usa  uma expressão semelhante em 1Co 5.5 (cf. Mt 18.17).

 

não mais blasfemarem.  O propósito dessa exclusão é de caráter disciplinar — que os dois reconhecessem seus erros e se arrependessem (2Tm 2.25,26; Tt 3.10).

 

*  2.1-15  Paulo passa a abordar uma série de instruções sobre a oração e o culto,  provavelmente em resposta aos abusos causados pelos falsos mestres (ver Introdução a 2 Timóteo: Dificuldades de Interpretação).

 

*  2.1  todos os homens.  Conforme é possível observar através da expressão seguinte ("em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade"),  não significa  "todo ser humano", antes, “todos os tipos de pessoas", seja qual for a sua posição na vida.

 

* 2.4  o qual deseja que todos os homens sejam salvos.  Isso não significa que Deus deseja soberanamente que todo ser  humano seja salvo (isto é, que Deus salva a cada um).  Mas pode referir-se à benevolência geral de Deus de não ter prazer na morte do ímpio.  Ou pode referir-se ao desejo de Deus que todos os tipos de pessoas (v. 1, nota) sejam salvos (isto é, Deus não escolhe seus eleitos de um único grupo apenas).

 

*  2.5  há um só Deus.  Essa é a afirmação fundamental da religião judaica (Dt 6.4; cf. Rm 3.30; 1Co 8.6; Gl 3.20; Ef 4.6).

 

um só mediador entre Deus e os homens.  Há Um que arbitra entre Deus e a humanidade, e os reconcilia.  Ver nota teológica sobre "Cristo — O Mediador", índice.

 

Cristo Jesus, homem.  O enfoque de Paulo é sobre a humanidade de Cristo, talvez porque os falsos mestres haviam negado que Cristo era de fato humano. A plena humanidade de Cristo é essencial ao seu serviço de mediador da alicança da graça.

 

*  2.6  o qual a si mesmo se deu em resgate.  Mediante a sua morte na cruz, Cristo pagou o preço necessário para livrar as pessoas dos seus pecados (Mt 20.28; Mc 10.45; Tt 2.14; 1Pe 1.18,19). Portanto, ele é o  "um só Mediador" (v. 5).

 

todos.  Em coerência com os vs. 1 e 4, provavelmente essa é uma referência a todos os tipos de pessoas. Por outro lado, expressa a convicção de Paulo que a morte de Cristo foi suficiente para resgatar toda a humanidade,  embora que, por desígnio e efeito soberano, nem todos são redimidos.  Ver "Redenção Definida" em Jo 10.15.

 

*  2.7  afirmo a verdade, não minto.  Uma estranha declaração feita a um amigo íntimo. Mas Paulo talvez quisesse que  a carta fosse lida para toda a igreja  (6.21, nota). Possivelmente os falsos mestres colocaram em dúvida o chamado e a missão de Paulo.

 

*  2.8-15  Paulo passa ao tratamento do problema do espírito de provocar divisão encabeçado pelos falsos mestres, e apresenta admoestações específicas para homens e mulheres (nota nos vs. 1-15).

 

*  2.8  varões.  Paulo supõe em 1Co 11.5, que mulheres também orarão quando a igreja se reúne  em culto.  Aqui ele se dirige a um problema específico de Éfeso.

 

todo lugar.  Provavelmente isso se refere ao culto coletivo.

 

levantando mãos santas. Sobre essa postura na oração, ver Sl 63.4; 141.2.

 

sem ira e sem animosidade.  Paulo não se preocupa em ordenar certa postura, mas deseja encorajar uma atitude apropriada (1.5).

 

*  2.9  se ataviem com modéstia... ou vestuário dispendioso.  Paulo não se preocupa com vestimenta ou jóias como tais, mas com a atitude da pessoa que as usa (1Pe 3.3,4). A sociedade greco-romana se caracterizava pela vestimenta extravagante.

 

*  2.11  em silêncio.  Conforme 1Co 11.5 indica, Paulo não proibe toda a participação oral das mulheres nos cultos. Antes, Paulo recomenda certo tipo de silêncio — um silêncio que respeita o ensino com autoridade e o papel de governo atribuído aos líderes da igreja (v. 12).

 

toda a submissão.  Submissão não significa, necessariamente, uma posição inferior. Noutro lugar, Paulo aplica o conceito à esposas (Ef 5.22; Cl 3.18; Tt 2.5; cf. 1Co 14.34), a maridos e esposas (Ef 5.21), a filhos (3.4), a escravos (Tt 2.9), a profetas (1Co 14.32), a cristãos (Rm 13.1,5; 1Co 16.16; Tt 3.1), à igreja (Ef 5.24) e até ao próprio Cristo (1Co 15.28).

 

*  2.12 E não permito.  Aqui Paulo exerce sua autoridade apostólica,  restringindo  mulheres ao exercício de certo tipo de autoridade e ensino.

 

exerça autoridade.   Esta palavra grega aparece somente aqui no Novo Testamento e, provavelmente, é usada por Paulo para referir-se a certo nível de autoridade judicial ou governamental. Sob a influência dos falsos mestres, certas mulheres possivelmente assumiram posições de autoridade governamental  dentro da igreja, o que Paulo proibiu (1Co 14.34).

 

em silêncio.  Ver nota no v. 11.

 

*  2.13  Paulo apela para a criação (Gn 2.7,21,22). Ele usa um argumento semelhante, embora com alguma qualificação, em 1Co 11.8-12.

 

*  2.14  Mais uma vez Paulo alude Gênesis, dessa vez ao relato da queda  (Gn 3.1-6). O argumento pode parecer injusto, visto que tanto Adão quanto Eva pecaram. Mas o argumento de Paulo está correto: Eva foi a  "enganada" pela serpente. O argumento de Paulo aqui, com sua ênfase sobre quem foi enganado, provavelmente é um reflexo do relativo sucesso  que os falsos mestres tiveram em Éfeso, desencaminhando mulheres  (5.11-15; 2Tm 3.6,7). Em outros lugares, Paulo não demonstra apreensão em lançar a culpa da queda sobre Adão (Rm 5.12-19; 1Co 15.21,22).

 

*  2.15  será preservada.  Provavelmente não "preservada em segurança", conforme alguns sustentaram.  Paulo usa o significado normal da  palavra  "redenção do pecado",  contrastando assim  ser enganada para o pecado (v. 14) e ser salva do mesmo.  Por outro lado,  o termo "preservada"  pode indicar  o recebimento de Deus de algum benefício importante,  embora o mesmo não seja especificado.

 

missão de mãe.  A interpretação  "através do nascimento do Menino" (Jesus), é duvidosa, por mais atraente que possa ser  teologicamente.  Paulo faz claramente outra alusão a Gênesis, dessa vez à afirmação de Deus feita a Eva após a queda acerca de seu papel de dar à luz (Gn 3.16).

 

ela.  Provavelmente Paulo se refere a qualquer mulher que foi enganada.

 

se elas permanecerem em fé, e amor, e santificação, com bom senso.  Essa qualificação demonstra que Paulo não está sugerindo que o dar à luz  é um ato  meritório de salvação, o que contradiria sua doutrina da justificação pela fé. Pelo contrário, seu argumento  parece ser que, aquelas mulheres de Éfeso que tinham sido enganadas pelos falsos mestres, precisam estar atentas à sua verdadeira função e, especialmente, às suas atitudes (vs. 8-10; 1.5,19). Considerando o uso de Gn 2 e 3 no seu argumento bem como o desprezo ao matrimônio pelos falsos mestres (4.3), Paulo entende o dar à luz  como um símbolo apropriado para a "missão de mãe" (5.14).

 

*  3.1-13  Paulo volta agora ao assunto da liderança na igreja.  Primeiro, ele discute sobre os bispos (vs. 1-7; referência lateral no v. 1); depois, os diáconos (vs. 8-10,12,13, fazendo uma rápida referência às mulheres  no v. 11).  Paulo concentra-se nas qualidades pessoais daqueles que serviriam nessas posições de liderança, e não nos seus deveres. Esse procedimento aponta claramente para a preocupação do apóstolo de  instalar as pessoas certas, talvez porque alguns dos falsos mestres provinham de posições de liderança ou almejavam as mesmas.

 

*  3.1  Fiel é a palavra.  Ver nota em 1.15. O uso dessa expressão aqui reflete a importância dada por Paulo à tarefa do bispo.

 

episcopado (ou bispo). Ver referência lateral.  Pessoa dentre um grupo de indivíduos encarregada do cuidado geral da igreja  (v. 5; Fp 1.1). A palavra é usada allternadamente com “bispo” (At 20.17,28; Tt 1.5-7). Ver "Pastores e Cuidado Pastoral" em 1Pe 5.2.

 

*  3.2  irrepreensível. Virtude que encabeça as qualificações do presbítero ou bispo.  Essa expressão não significa "sem pecado", o que desqualificaria  cada um, mas  "acima de reprimenda escandalosa".  A grande preocupação de Paulo é que os bispos (presbíteros) tenham  boa fama entre não-cristãos (v. 7). Sobre as qualificações dos bispos (presbíteros) ver Tt 1.6-9.

 

esposo de uma só mulher. Essa difícil expressão  (v. 12; Tt 1.6; cf. 5.9) tem sido compreendida como uma proibição à poligamia, novo casamento após um divórcio ou infidelidade marital. Considerando-se a imoralidade generalizada no mundo greco-romano, parece que a última das interpretações é a que melhor se enquadra no enfoque de Paulo.

 

apto para ensinar.  É importante mencionar o aspecto do ensino da tarefa dos bispos(presbíteros) tendo em vista o problema de Éfeso (5.17).

 

*  3.5  cuidará da igreja de Deus? Uma afirmação geral sobre a responsabilidade do bispo (presbítero).

 

*  3.6  não seja neófito, para não...  se ensoberbeça.  Para um cristão assumir rapidamente demais essa posição poderia ser uma ocasião para orgulho.

 

incorra na condenação do diabo.  Paulo não encara com superficialidade a queda daqueles que detêm este ofício, talvez porque alguns presbíteros se deixaram envolver nos falsos ensinos (v. 1).

 

*  3.8  diáconos.  Diáconos são oficiantes na igreja juntamente com os bispos ou presbíteros (cf. Fp 1.1). As tarefas específicas do diácono não são detalhadas nesta passagem. A igreja geralmente entendeu o ministério nos termos da função dos sete escolhidos para ajudar os apóstolos, conforme  At 6.1-6, embora a palavra "diácono" não seja usada  naquela passagem em relação aos sete.

 

*  3.9  o mistério.   Um termo usado por Paulo em outros lugares para referir-se à verdade revelada do evangelho (v. 16; Rm 16.25,26; 1Co 2.7; 4.1; Ef 1.9; 3.3-9; 6.19; Cl 1.26,27; 2.2; 4.3). Talvez alguns dos diáconos de Éfeso tenham sido enredados pelo falso ensino.

 

*  3.10  primeiramente experimentados.  Provavelmente esta não é uma alusão a um período específico de teste, pelo contrário,  um exame cuidadoso de sua conduta e comprometimento ao são ensino.

 

se mostrarem irrepreensíveis.  Paulo usa a mesma palavra grega em relação aos bispos em Tt 1.6,7;   sua exigência  que os presbíteros sejam "irrepreensíveis" no v. 2 (nota) usa um sinônimo grego.

 

*  3.11  quanto a mulheres.  Este versículo interrompe abruptamente a seção sobre diáconos. Seu sentido é contestado. As "mulheres" provavelmente são as esposas dos diáconos ou de fato diaconisas. O caráter abrupto da inserção deste assunto provavelmente reflete a preocupação de Paulo que as mulheres, em particular, não se tinham distanciado totalmente das mãos dos falsos mestres (2.14; 5.15).

 

*  3.12  marido de uma só mulher.  Ver nota no v. 2.

 

*  3.14-16  Dadas instruções específicas a Timóteo sobre oração, culto e ofícios eclesiásticos, Paulo agora declara seu motivo porque escreveu a carta (Introdução: Date e Ocasião). Ele discute a natureza da Igreja e apresenta uma reflexão poética sobre a obra de Cristo.

 

*  3.15  coluna e baluarte.   Ambos os vocábulos têm a conotação de prover suporte. O intuito de Paulo é enfatizar, em oposição aos falsos mestres, que a verdade do evangelho é encontrada na Igreja de Deus e sustentada pela mesma (2Tm 2.19).

 

*  3.16  mistério da piedade.  Ver  nota no v. 9.  O texto seguinte  pode ser um fragmento de um  antigo hino cristão.

 

Aquele que foi manifestado na carne.  Referência à encarnação, incluindo uma alusão à pre-existência de Cristo.

 

justificado em espírito.  Referência à ressurreição de Cristo (Rm 1.4).

 

contemplado por anjos. Referência à ascensão (At 1.10,11).

 

pregado entre os gentios. Ver "A Autenticação das Escrituras"  em 2Co 4.6.

 

recebido na glória. Referência à exaltação Cristo à mão direita de Deus (At 7.56).

 

*  4.1-5  Retornando novamente ao seu tema principal (1.3-20), Paulo continua seu ataque aos falsos mestres e seus ensinamentos.

 

*  4.1  o Espírito afirma expressamente.  Presumivelmente uma revelação específica  que o Espírito Santo concedeu a alguém, talvez ao próprio Paulo (At 20.22-31; cf. 21.11).

 

nos últimos tempos.  Esse não é um período imediatamente antes da segunda vinda de Cristo.  Pelo contrário, de acordo com a perspectiva geral do Novo Testamento, trata-se da era inaugurada pela primeira vinda de Cristo e concluida na sua segunda vinda (At 2.17; Hb 1.2; 1Pe 1.20; 1Jo 2.18; cf. 2Tm 3.1).

 

alguns apostatarão. . .  demônios.  Uma referência aos falsos mestres que  surgiram dentro da igreja.

 

 *  4.3  que proíbem o casamento, exigem abstinência de alimentos.    Os falsos mestres promovem um rigoroso estilo de vida (cf. Cl 2.20-23). Alguns  gnósticos argumentavam que,  visto o mundo material ser mau, o ser espiritual deveria evitá-lo.

 

que.   O argumento seguinte foca a atenção sobre  alimentos. Paulo já reiterou o casamento em 3.2,12.

 

*  4.4  tudo que Deus criou é bom.  Ao contrário dos falsos mestres,  o cristão afirma a bondade essencial da criação de Deus (Gn 1).

 

*  4.6 - 5.2  Tendo desmascarado os falsos mestres, mostrando o que realmente são, Paulo contina com uma série de admoestações pessoais a Timóteo sobre o seu ministério.

 

*  4.6  alimentado.  O "bom ministro" deve ser nutrido continuamente por doutrina verdadeira.

 

*  4.7  fábulas profanas e de velhas caducas.  Ver nota em 1.4.

 

Exercita-te... na piedade.  Por toda esta seção, Paulo entrelaça disciplina espiritual com deveres do ofício.

 

*  4.9  Ver nota em 1.15.

 

*  4.10  Salvador de todos os homens.   O chamado geral ao arrependimento e à salvação é estendido a todas as pessoas (Mt 11.28). Ver "Redenção Definida" em Jo 10.15.

 

especialmente dos fiéis.  A salvação é dom de Deus, especialmente para aqueles que confiam na provisão divina em Cristo (Mt 22.14; Rm 8.30).

 

*  4.12  Ninguém despreze a tua mocidade.  As ordenanças negativas aqui e no v. 14,  talvez indiquem que Timóteo tinha tendência ao acanhamento ou timidez. Além disso, alguns na igreja de Éfeso podem não ter aceitado a sua autoridade (Introdução: Data e Ocasião). Timóteo provavelmente estava com uns trinta anos de idade e era, portanto, mais jovem do que muitos dos cristãos (e presbíteros) de Éfeso.

 

torna-te padrão... na pureza.  Cabia a Timóteo  estabelecer a sua autoridade, não através de ostentação, mas dando bom exemplo de vida piedosa (Tt 2.7).

 

*  4.13  Até à minha chegada.  Ver 3.14,15 e Introdução: Data e Ocasião.

 

Aplica-te... ao ensino.  Esses são métodos positivos de desmascarar o falso ensino e neutralizar seu impacto (cf. 1.3,4).

 

*  4.14  o dom.  Ver  nota em 1.18.

 

*  4.15  o teu progresso. Uma referência ao aperfeiçoamento da vida espiritual de Timóteo, do seu ministério ou, quem sabe, de ambos. Importante observar que se trata de  "progresso", e não de chegada.

 

*  4.16 de ti mesmo e da doutrina.  O fato de Paulo resumir dessa maneira suas instruções a Timóteo é uma indicação de onde os falsos mestres se haviam desviado e, portanto, de onde cristãos geralmente podem se desviar.

 

salvarás.  Somente Deus outorga  salvação (v. 10; 1.1; 2.3), mas ele tem prazer em usar seu povo como instrumento para trazer salvação a outros. A salvação não é completada quando uma pessoa chega à fé.  A bem da verdade, a fé traz  justificação e certeza da salvação. Mas a fé também inicia o processo permanente de santificação, que continua até à glorificação final do cristão no céu.

 

a ti mesmo. A santificação é uma obra de Deus que requer ação cooperativa do cristão (Fp 2.12).

 

*  5.1  Não repreendas ao homem idoso. Mandamento que dá equilíbrio ao que está em 4.12. Timóteo não deve abusar da autoridade que ele possui.

 

exorta-o.  Ou  "encoraja".  O bom ministro apela a outros crentes com o respeito que merecem os membros da própria família.

 

*  5.3—6.2   Paulo volta agora sua atenção para três grupos na igreja de Éfeso nos quais provavelmente haviam surgido problemas: viúvas, presbíteros e servos.

 

*  5.3-16   A preocupação de Paulo em identificar viúvas necessitadas e prover o devido cuidado delas forma o pano de fundo para uma discussão dos problemas das viúvas mais jovens. Algumas delas, ao que parece, tinham sido  influenciadas pelo falso ensino de Éfeso (Introdução: Data e Ocasião).

 

*  5.3  Honra.  Isto é, cuida de.

 

verdadeiramente viúvas.  O cuidado pelas viúvas, que freqüentemente tinham  grandes necessidades materiais, é um tema importante no Antigo Testamento (Dt 24.19-21; Is 1.17; Jr 22.3; Zc 7.9,10; Ml 3.5) e também foi uma preocupação especial da igreja primitiva (v. 16; At 6.1; Tg 1.27).

 

*  5.4  Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos. A verdadeira necessidade da viúva que não tinha família da qual pudesse receber apoio (vs. 8,16).

 

*  5.5  espera em Deus.  Pobreza genuína muitas vezes conduzia viúvas à vidas exemplares de oração e fiel dependência de Deus. Para tais viúvas, a igreja deve ser a mão visível de Deus na providência das necessidades.

 

*  5.6 morta.  Espiritualmente morta.

 

*  5.7  Prescreve... para que sejam irrepreensíveis.  Talvez não uma referência  à igreja toda, mas precisamente às viúvas.

 

*  5.9  viúva que conte.  Alguns têm considerado esta afirmação como sendo uma ordem oficial para viúvas no sentido de cumprirem deveres (vs. 5 e 10); outros têm considerado isso um acordo segundo o qual algumas viúvas realizam certos serviços para a igreja em troca de apoio material. É mais provável que se trata simplesmente duma lista de viúvas que devem receber apoio da igreja (v. 16). Essa lista constitui uma parte do grupo maior de viúvas, tratada nos vs. 3 a 5.

 

ao menos sessenta anos de idade.  Um número redondo que reflete, naquela cultura, a expectativa da idade sob a qual um novo casamento ainda seria possível (cf. os vs. 11-14).

 

esposa de um só marido.  Ver nota em 3.2.

 

*  5.10  tenha criado filhos.  Os verbos deste versículo estão no tempo passado.  A preocupação de Paulo não é com o que a viúva ainda podia fazer pela igreja, mas com o que ela realizou durante a sua vida.

 

lavado os pés aos santos.  Uma expressão comum de hospitalidade numa cultura onde pessoas calçavam sandálias e caminhavam por estradas poeirentas (cf. Jo 13.4,5).  Jesus ordenou a que seus discípulos lavassem os pés uns dos outros (Jo 13.14,15).

 

*  5.11  se tornam levianas contra Cristo.   Lit., "quando vivem sensualmente".

 

*  5.12  anularem o seu primeiro compromisso.  Isso provavelmente não se refere ao voto de celibato ou de dedicação à igreja, mas ao seu comprometimento básico com Cristo (vs. 11,15).

 

*  5.13  tagarelas.   Lit., "aqueles que falam sem senso".  Essa provavelmente é uma referência a falsos ensinos (v. 15; 1.3; 4.7).

 

*          5.14     Criem filhos.  Ver nota em 2.15.

 

*  5.15  Paulo dá muita atenção a viúvas porque algumas das mais jovens estavam sob a influência dos falsos mestres (2Tm 3.6,7).

 

*  5.17-25  Tal como fizera com as viúvas, Paulo aborda conjugadamente dois assuntos: a honra devida a presbíteros e como tratar com aqueles que pecam.

 

*  5.17  presbíteros.  Ver nota em 3.1;   "Pastores e Cuidado Pastoral" em 1Pe 5.2.

 

merecedores de dobrados honorários.  A honra da posição bem como da remuneração financeira (v. 18).

 

com especialidade...  ensino.  Essa é uma referência à duas espécies de presbíteros:  àqueles que governam a igreja e àqueles que, além isso, efetuam o ministério mais especializado de pregação e ensino.

 

*  5.18  Pois a Escritura declara.  O fato de Paulo citar Dt 25.4 e uma declaração de Jesus, registrada em Lc 10.7, como sendo "Escritura", é uma indicação de quão cedo   escritos cristãos foram postos no mesmo nível de autoridade do Antigo Testamento (2Pe 3.15,16).

 

*  5.20  Quanto aos que vivem no pecado.  Presbíteros que pecam (aparentemente alguns foram envolvidos nos falsos ensinamentos).

 

*  5.21  os anjos eleitos.  Aqueles que possivelmente servirão como testemunhas por ocasião do juízo (cf. Mt 25.31; Ap 14.10).

 

*  5.22  A ninguém imponhas precipitadamente as mãos.  Participar na ordenação dum presbítero reconhecidamente desqualificado é aprovar os seus pecados e arriscar-se a dividir a culpa dos mesmos.

 

Conserva-te a ti mesmo puro.  Ver  4.12,16.

 

*  5.23  Não continues...  somente água.  A prática da abstenção de vinho como uma questão de princípio talvez reflita a influência do conceito de pureza dos falsos mestres (4.3).

 

usa um pouco de vinho...  enfermidades.  Paulo reconhece o valor medicinal do vinho.

 

*  5.24  Os pecados de alguns homens...  juízo.  Outra referência à importância do cuidado na escolha de candidatos para ordenação.

 

*  6.1,2  Finalmente, Paulo aborda o problema de escravos que não haviam demonstrando devido respeito a seus senhores cristãos.

 

*  6.1  debaixo de jugo.  Paulo fornece instruções a escravos em Ef 6.5-8; Cl 3.22-25 e Tt 2.9,10.

 

a doutrina.  Presumivelmente isso está posto em contraste com o falso ensino  que pode ter encorajado a insubordinação entre alguns dos escravos cristãos.

 

*  6.3-10  Paulo retorna pela última vez  ao problema dos falsos mestres,  destacando especialmente sua tendência de causar divisões e sua ganância. Isso  leva-o a refletir sobre a perspectiva correta que se deve ter sobre a posse de bens materiais.

 

*  6.4  questões e contendas de palavras.  A mania de contender era uma das principais características dos falsos mestres (1.4; 2Tm 2.14,23; Tt 3.9).

 

*  6.5  fonte de lucro.  Talvez alguns dos falsos mestres, por motivo de cobiça, estavam buscando a posição de presbítero (v. 10; Tt 1.11).

 

*  6.6  contentamento.   Cristãos podem viver contentes porque suas necessidades são satisfeitas por Cristo (2Co 12.9,10; Fp 4.11,13).

 

*  6.10  alguns...  se desviaram da fé.  Ver nota em v. 5.

 

*  6.11-16  Conforme fez anteriormente,  Paulo prossegue seus comentários sobre os falsos mestres com exortações pessoais a Timóteo concluindo com uma maravilhosa doxologia.

 

*  6.12  Combate o bom combate da fé.  Uma metáfora para a vida cristã, vista em termos de fidelidade a Cristo (2Tm 4.7).

 

Toma posse da vida eterna.  Isto é, não tornar-se complacente.  Enquanto a fé em Cristo dá início à nova vida (4.8), o alvo da vida cristã sempre é futuro (v. 19; 1.16, nota; Fp 3.12; 2Tm 4.8).

 

para a qual também foste chamado. Vida eterna não é algo que escolhemos naturalmente,  mas algo para o qual Deus nos chama sobrenaturalmente (Rm 8.30).

 

boa confissão perante muitas testemunhas. Isso provavelmente se refere ao batismo de Timóteo.  A "boa confissão"  que alguém chegou a fé em Cristo conduz  naturalmente ao "bom combate" de procurar viver fielmente a ele.

 

*  6.13  diante de Pôncio Pilatos, fez a boa confissão. Isso pode referir-se ao julgamento de Jesus perante Pilatos (Mt 27.11; Mc 15.2; Lc 23.3; Jo 18.33-37; 19.8-11). Porém, mais provavelmente é uma alusão à sua morte.

 

*  6.14  o mandato. Possivelmente uma referência a tudo quanto Paulo  determinou a respeito da disciplina pessoal de Timóteo e seus deveres de ofício. 

 

manifestação. A segunda vinda de Cristo (2Tm 4.1,8; Tt 2.13).

 

*  6.15  o Rei dos reis e Senhor dos senhores. Essa expressão é aplicada a Cristo em Ap 19.16; cf. 17.14.

 

*  6.17-19  Havendo condenado o amor ao dinheiro e afirmado a futura orientação da esperança cristã, Paulo apresenta uma exortação para aqueles que se consideram ricos neste mundo (presumivelmente não de ganância).

 

*  6.17  para nosso aprazimento. Ver nota em 4.4

 

*  6.19  acumulem...  sólido fundamento.  Ver Mt 6.20.

 

se apoderarem da verdadeira vida. Ver nota no v. 12.

 

*  6.20,21 Paulo encerra a carta com uma incumbência final a Timóteo, mais uma vez no contexto do trato com os falsos mestres.

 

*  6.20  guarda o que te foi confiado.  Isto é, a sã doutrina do evangelho (1.10,11; cf. 2Tm 1.14).

 

saber, como falsamente lhe chamam. Os falsos mestres enfatizam o “saber” (grego  gnosis, donde provém a palavra gnosticismo; Ver Introdução a 2 Timóteo: Dificuldades de Interpretação).

 

*  6.21  A graça seja convosco.  Essa conclusão abrupta,  sem a costumeira  saudação pessoal de Paulo, sugere que ele considerava bastante séria a situação tratada por ele. O uso do plural, como consta em alguns dos mais antigos manuscritos gregos: "vós" ("convosco" como em 2Tm 4.22; Tt 3.15) na bênção, sugere que Paulo desejava que a carta, embora endereçada à uma única pessoa, fosse lida para toda a igreja.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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