*  2.1-15  Paulo passa a abordar uma série de instruções sobre a oração e o culto,  provavelmente em resposta aos abusos causados pelos falsos mestres (ver Introdução a 2 Timóteo: Dificuldades de Interpretação).

 

*  2.1  todos os homens.  Conforme é possível observar através da expressão seguinte ("em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de autoridade"),  não significa  "todo ser humano", antes, “todos os tipos de pessoas", seja qual for a sua posição na vida.

 

* 2.4  o qual deseja que todos os homens sejam salvos.  Isso não significa que Deus deseja soberanamente que todo ser  humano seja salvo (isto é, que Deus salva a cada um).  Mas pode referir-se à benevolência geral de Deus de não ter prazer na morte do ímpio.  Ou pode referir-se ao desejo de Deus que todos os tipos de pessoas (v. 1, nota) sejam salvos (isto é, Deus não escolhe seus eleitos de um único grupo apenas).

 

*  2.5  há um só Deus.  Essa é a afirmação fundamental da religião judaica (Dt 6.4; cf. Rm 3.30; 1Co 8.6; Gl 3.20; Ef 4.6).

 

um só mediador entre Deus e os homens.  Há Um que arbitra entre Deus e a humanidade, e os reconcilia.  Ver nota teológica sobre "Cristo — O Mediador", índice.

 

Cristo Jesus, homem.  O enfoque de Paulo é sobre a humanidade de Cristo, talvez porque os falsos mestres haviam negado que Cristo era de fato humano. A plena humanidade de Cristo é essencial ao seu serviço de mediador da alicança da graça.

 

*  2.6  o qual a si mesmo se deu em resgate.  Mediante a sua morte na cruz, Cristo pagou o preço necessário para livrar as pessoas dos seus pecados (Mt 20.28; Mc 10.45; Tt 2.14; 1Pe 1.18,19). Portanto, ele é o  "um só Mediador" (v. 5).

 

todos.  Em coerência com os vs. 1 e 4, provavelmente essa é uma referência a todos os tipos de pessoas. Por outro lado, expressa a convicção de Paulo que a morte de Cristo foi suficiente para resgatar toda a humanidade,  embora que, por desígnio e efeito soberano, nem todos são redimidos.  Ver "Redenção Definida" em Jo 10.15.

 

*  2.7  afirmo a verdade, não minto.  Uma estranha declaração feita a um amigo íntimo. Mas Paulo talvez quisesse que  a carta fosse lida para toda a igreja  (6.21, nota). Possivelmente os falsos mestres colocaram em dúvida o chamado e a missão de Paulo.

 

*  2.8-15  Paulo passa ao tratamento do problema do espírito de provocar divisão encabeçado pelos falsos mestres, e apresenta admoestações específicas para homens e mulheres (nota nos vs. 1-15).

 

*  2.8  varões.  Paulo supõe em 1Co 11.5, que mulheres também orarão quando a igreja se reúne  em culto.  Aqui ele se dirige a um problema específico de Éfeso.

 

todo lugar.  Provavelmente isso se refere ao culto coletivo.

 

levantando mãos santas. Sobre essa postura na oração, ver Sl 63.4; 141.2.

 

sem ira e sem animosidade.  Paulo não se preocupa em ordenar certa postura, mas deseja encorajar uma atitude apropriada (1.5).

 

*  2.9  se ataviem com modéstia... ou vestuário dispendioso.  Paulo não se preocupa com vestimenta ou jóias como tais, mas com a atitude da pessoa que as usa (1Pe 3.3,4). A sociedade greco-romana se caracterizava pela vestimenta extravagante.

 

*  2.11  em silêncio.  Conforme 1Co 11.5 indica, Paulo não proibe toda a participação oral das mulheres nos cultos. Antes, Paulo recomenda certo tipo de silêncio — um silêncio que respeita o ensino com autoridade e o papel de governo atribuído aos líderes da igreja (v. 12).

 

toda a submissão.  Submissão não significa, necessariamente, uma posição inferior. Noutro lugar, Paulo aplica o conceito à esposas (Ef 5.22; Cl 3.18; Tt 2.5; cf. 1Co 14.34), a maridos e esposas (Ef 5.21), a filhos (3.4), a escravos (Tt 2.9), a profetas (1Co 14.32), a cristãos (Rm 13.1,5; 1Co 16.16; Tt 3.1), à igreja (Ef 5.24) e até ao próprio Cristo (1Co 15.28).

 

*  2.12 E não permito.  Aqui Paulo exerce sua autoridade apostólica,  restringindo  mulheres ao exercício de certo tipo de autoridade e ensino.

 

exerça autoridade.   Esta palavra grega aparece somente aqui no Novo Testamento e, provavelmente, é usada por Paulo para referir-se a certo nível de autoridade judicial ou governamental. Sob a influência dos falsos mestres, certas mulheres possivelmente assumiram posições de autoridade governamental  dentro da igreja, o que Paulo proibiu (1Co 14.34).

 

em silêncio.  Ver nota no v. 11.

 

*  2.13  Paulo apela para a criação (Gn 2.7,21,22). Ele usa um argumento semelhante, embora com alguma qualificação, em 1Co 11.8-12.

 

*  2.14  Mais uma vez Paulo alude Gênesis, dessa vez ao relato da queda  (Gn 3.1-6). O argumento pode parecer injusto, visto que tanto Adão quanto Eva pecaram. Mas o argumento de Paulo está correto: Eva foi a  "enganada" pela serpente. O argumento de Paulo aqui, com sua ênfase sobre quem foi enganado, provavelmente é um reflexo do relativo sucesso  que os falsos mestres tiveram em Éfeso, desencaminhando mulheres  (5.11-15; 2Tm 3.6,7). Em outros lugares, Paulo não demonstra apreensão em lançar a culpa da queda sobre Adão (Rm 5.12-19; 1Co 15.21,22).

 

*  2.15  será preservada.  Provavelmente não "preservada em segurança", conforme alguns sustentaram.  Paulo usa o significado normal da  palavra  "redenção do pecado",  contrastando assim  ser enganada para o pecado (v. 14) e ser salva do mesmo.  Por outro lado,  o termo "preservada"  pode indicar  o recebimento de Deus de algum benefício importante,  embora o mesmo não seja especificado.

 

missão de mãe.  A interpretação  "através do nascimento do Menino" (Jesus), é duvidosa, por mais atraente que possa ser  teologicamente.  Paulo faz claramente outra alusão a Gênesis, dessa vez à afirmação de Deus feita a Eva após a queda acerca de seu papel de dar à luz (Gn 3.16).

 

ela.  Provavelmente Paulo se refere a qualquer mulher que foi enganada.

 

se elas permanecerem em fé, e amor, e santificação, com bom senso.  Essa qualificação demonstra que Paulo não está sugerindo que o dar à luz  é um ato  meritório de salvação, o que contradiria sua doutrina da justificação pela fé. Pelo contrário, seu argumento  parece ser que, aquelas mulheres de Éfeso que tinham sido enganadas pelos falsos mestres, precisam estar atentas à sua verdadeira função e, especialmente, às suas atitudes (vs. 8-10; 1.5,19). Considerando o uso de Gn 2 e 3 no seu argumento bem como o desprezo ao matrimônio pelos falsos mestres (4.3), Paulo entende o dar à luz  como um símbolo apropriado para a "missão de mãe" (5.14).

 

*  3.1-13  Paulo volta agora ao assunto da liderança na igreja.  Primeiro, ele discute sobre os bispos (vs. 1-7; referência lateral no v. 1); depois, os diáconos (vs. 8-10,12,13, fazendo uma rápida referência às mulheres  no v. 11).  Paulo concentra-se nas qualidades pessoais daqueles que serviriam nessas posições de liderança, e não nos seus deveres. Esse procedimento aponta claramente para a preocupação do apóstolo de  instalar as pessoas certas, talvez porque alguns dos falsos mestres provinham de posições de liderança ou almejavam as mesmas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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