A segunda Epístola do Apóstolo Paulo aos Coríntios

 

Autor

            Há uma aceitação universal de que Paulo foi o autor desta carta (1.1). É uma carta intensamente pessoal em que Paulo revela vários detalhes dos seus relacionamentos e interações.

 

Data e Ocasião

            A data mais provável para a epístola é 55 d.C. Paulo a escreveu depois de ter deixado Éfeso (At 20.1) mas antes de chegar novamente em Corinto (At 20.2).

            Depois de fundar a igreja de Corinto em 51-52 d.C. (At 18.1-8), Paulo retornou a Antioquia, finalizando a sua segunda viagem missionária (At 18.22). Na sua terceira viagem missionária Paulo viajou para Éfeso e permaneceu lá durante três anos (At 19.1-41; 20.31). Durante sua estadia em Éfeso, mensageiros haviam vindo de Corinto com perguntas que Paulo havia respondido em 1 Coríntios (1Co 16.17,18). Depois de algum tempo, Paulo aparentemente ouviu falar das dificuldades em Corinto e fez uma rápida viagem marítima, de Éfeso para Corinto, e retornando depois a Éfeso. Esta visita não foi bem sucedida, e Paulo se refere a ela, mais tarde, como sendo uma visita feita "em tristeza" (2.1). Mesmo não estando registrada em Atos, esta visita está indiretamente atestada em 2 Coríntios, quando Paulo escreve que ele está vindo a eles "pela terceira vez" (12.14; 13.1). Não sabemos muitos detalhes sobre o que tornou esta visita triste, mas aparentemente alguém em Corinto apresentou oposição ou ofendeu seriamente a Paulo (2.5, 10).

            A maioria dos comentaristas acha que depois da visita triste, Paulo escreveu uma carta forte aos coríntios, chamada normalmente de "carta severa", repreendendo-os e exortando-os para que se arrependessem (2.3, 4; 7.8). Parece, provavelmente, que a carta que é mencionada nestes versículos não foi preservada. Mas alguns sustentam que a carta a que se refere é a de 1 Coríntios. Outros acham que a carta originalmente separada foi preservada como 2 Coríntios 10-13. Paulo mandou Tito adiante, pelo mar, até Corinto, levando a carta severa, enquanto Paulo fez a jornada maior por terra ao redor de Trôade e Macedônia (2.12, 13; 7.5-9, 13-15; At 20.1, 2).

            Paulo não sabia como os coríntios iriam receber a Tito e a carta severa. Quando ele saiu de Éfeso e viajou a Trôade ele esteve extremamente ansioso por causa da sua preocupação pela igreja de Corinto (2.13; 7.5). Mesmo existindo oportunidade para um ministério efetivo quando chegou a Trôade (2.12), o espírito de Paulo ainda estava profundamente conturbado.  Ele deixou Trôade e seguiu para Filipo na Macedônia, esperando lá encontrar a Tito. Quando Tito finalmente chegou (provavelmente em Filipo mas talvez em Tessalônica) Paulo ficou cheio de alegria quando ouviu sobre o arrependimento genuíno dos irmãos de Corinto e da sua profunda afeição e lealdade a Paulo (7.6-15).

            Paulo escreveu então 2 Coríntios da Macedônia, para expressar sua gratidão pelo arrependimento e obediência renovada da igreja de Corinto (7.5-16). Ele também escreveu para encorajá-los a completar a sua coleta em favor dos cristãos pobres de Jerusalém (capítulos 8; 9). Além disso, Paulo também mostra preocupação ao longo da epístola em defender o seu ministério contra as acusações de "falsos apóstolos" (11.13) em Corinto, o que estava desafiando a autoridade de Paulo e a integridade do seu ministério (capítulos 10-13; ver também 3.1-6; 7.2).

            Finalmente, Paulo chegou em Corinto e ficou lá por três meses (At 20.2, 3) antes de viajar rumo a Jerusalém com a coleta que havia sido mandada por várias igrejas para os cristãos dali  (At 20.3-21.17).

 

 

Características e Temas

            A segunda carta aos coríntios é uma carta pessoal, repleta de expressões de emoção profunda. Como tal, ela nos proporciona uma visão extraordinária do ministério do evangelho apresentado por Paulo. Dois temas principais revelam a natureza do ministério apostólico de Paulo. Nos capítulos 1-7 ela é um serviço de conforto e encorajamento divino em meio a sofrimentos e tribulações (1.3-7; 7.4, 7, 13), e nos capítulos 10-13 é uma experiência da força de Deus manifestada na fraqueza humana (12.9, 10).

            Entre os temas de apoio, temos: a natureza imaculada da conduta de Paulo (1.12, 17, 18; 6.3-10; 7.2, 3), seu sofrimento freqüente pela igreja e pela glória de Deus (1.5-11; 4.8-12; 6.4-10; 11.23-12.9), seu grande amor por todas as suas igrejas, especialmente pela de Corinto (2.4; 11.2, 7-11; 12.14, 15), sua autoridade apostólica de exortá-los e eliminar qualquer oposição (2.9; 10.8; 13.8-10), e a ênfase freqüente de que o julgamento de Paulo não é de acordo com os padrões do mundo mas de acordo com o reino espiritual invisível conhecido aos olhos da fé (1.12). Outras ênfases distintivas são a glória do ministério da nova aliança (capítulo 3) e os princípios de mordomia cristã (capítulos 8, 9).

 

Dificuldades de Interpretação

    Ainda que não haja dúvidas sobre a autoria de 2 Coríntios, muitos questionam a unidade da carta, freqüentemente propondo que os capítulos 10-13 deveriam ser considerados uma carta separada, escrita numa ocasião diferente, e somente depois anexada aos capítulos 1-9. A base de apoio para este argumento é que o tom e atitude de Paulo para com a igreja de Corinto parece ser bastante positivo e encorajador nos capítulos 1-9, mas muito severo e ameaçador nos capítulos 10-13. Poderiam as duas seções terem sido escritas na mesma ocasião à mesma igreja?

            Certamente existe uma mudança de tom em 10.1. Mas isto pode ser explicado pela mudança do assunto. Na primeira parte da carta, Paulo estava primariamente preocupado em expressar a sua alegria e gratidão com o arrependimento dos coríntios. Ele também queria dar uma descrição positiva e extensiva do seu próprio ministério. Tendo feito isto, ele apelou então a eles para que completassem a coleta para os cristãos de Jerusalém (capítulos 8, 9). Finalmente, deixando a tarefa mais desagradável por último, ele abordou o problema dos falsos apóstolos e das suas acusações contra ele (capítulos 10-13). À luz das circunstâncias, uma mudança de tom é compreensível. Desde os tempos mais antigos da história da igreja nunca houve indicação de divisão nesta carta, tanto na tradição dos manuscritos quanto nos primeiros escritos históricos da igreja. Ela sempre foi lida e entendida como sendo uma única carta. Essa ainda parece ser a melhor solução.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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