* 1.1 Apóstolo
de Cristo. Paulo descreve a si mesmo como um
"apóstolo", mas não aos seus companheiros (ver também 1Co 1.1; Cl
1.1). Um apóstolo era uma testemunha ocular da ressurreição de Cristo (At 1.22;
1Co 15.8), que fora pessoalmente nomeado por Cristo (Mt 10.1-7; At 1.24-26; Gl
1.1) para governar a Igreja primitiva (1Ts 4.8; 2Ts 3.6,14), e para ensinar ou
escrever com autoridade (1Co 14.37; 1Ts 2.13; 4.15; 2Pe 3.15,16). Esse termo
foi usado para os doze discípulos primitivos e para Paulo. E também foi usado
em um sentido mais amplo (ver Rm 16.7), ao passo que em um uso geral ou
não-técnico significa "mensageiro" ou "representante"
(8.23; Fp 2.25).
Pela
vontade de Deus. É a escolha soberana de Deus que, em
última análise, coloca pessoas nos ofícios e nos ministérios da Igreja. O
ofício apostólico era extraordinário e temporário, e não continuou quando não
houve mais testemunhas oculares sobreviventes da ressurreição, e quando o cânon
das Escrituras se completou. Os ofícios ordinários, porém, continuam sendo
necessários, e são preenchidos pelos presbíteros (ver At 20.17,28) e outros
cujos dons espirituais os equipam para os diversos ministérios (1Co
12.7,11,28). Chamamentos aos ofícios ordinários são confirmados pelo povo de
Deus, à medida em que as igrejas locais discernem quem recebeu os dons e as
qualificações para o trabalho (Ef 4.11).
os
santos. Um termo comumente usado por Paulo para
referir-se a todos os crentes (Rm 15.25; Fp 1.1).
em
toda a Acaia. Embora esta epístola tivesse sido
endereçada primariamente à Igreja de Corinto, é evidente que Paulo percebeu que
ela seria lida pelas igrejas circunvizinhas na região da Acaia, a parte sul da
Grécia moderna. Quanto à cidade de Corinto, ver At 18.1, nota.
* 1.2 graça.
A graça é o favor imerecido de Deus — não apenas quanto ao perdão inicial dos
pecados, mas também aos eventos ordinários da vida diária.
paz.
A bênção externa da ordem social e a bênção interna de uma boa relação pessoal
com Deus (Rm 5.1; 1Tm 2.2).
de
Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Serve de evidência
da deidade de Jesus Cristo o fato de que ele e o Pai tenham sido mencionados
igualmente como a origem da graça e da paz da igreja em Corinto.
* 1.3 Pai
de nosso Senhor Jesus Cristo. As três Pessoas da Trindade
são igualmente divinas e, no entanto, são um único Deus, e não três. Conforme é
sugerido pelos nomes de Pai, Filho e Espírito Santo, certos papéis e atividades
correspondem mais de perto a uma Pessoa do que a outra. Exemplificando, o papel
de Deus Pai é tomar a iniciativa e dirigir.
o
Pai de misericórdias e Deus de toda consolação.
Um tema-chave dos caps. 1 a 9. Toda consolação e encorajamento no mundo tem sua
origem no próprio Deus.
* 1.4 para
podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia.
Deus tem um propósito soberano tanto em nossas tribulações quanto no conforto
que ele nos dá nessas tribulações. Se tivermos experimentado o consolo divino
nos sofrimentos, poderemos ser capazes de sustentar aqueles que estiverem sofrendo
como nós já sofremos.
* 1.5 assim
como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor.
Não que possamos acrescentar qualquer coisa aos sofrimentos de Cristo por nós
(Is 53.11; Jo 19.30; Hb 9.26-28), mas é que Deus nos chamou para sofrer por
Cristo, e assim seguirmos nos passos de Cristo (Rm 8.17; Cl 1.24; Hb 12.2,3;
1Pe 2.21). Visto que os crentes estão unidos a Cristo e fazem parte espiritual
de seu corpo, tanto nossos sofrimentos pelo evangelho como o conforto que Deus nos
provê em Cristo resultam de nossa participação nele (Fp 3.10,11). Neste passo
Paulo dá a entender uma característica persistente de seu ensino. As
experiências-chaves de Cristo, especialmente seus sofrimentos, sua morte e sua
ressurreição, servem de padrão mediante o qual os crentes podem entender seus
próprios sofrimentos e seu triunfo final.
* 1.6 Paulo vê a mão soberana e o
propósito remidor em tudo quanto lhe ocorre, quer se trate de angústia ou de
conforto.
* 1.7 como
sois participantes dos sofrimentos. Por detrás deste
versículo jaz o ensino paulino de que todos os crentes, como membros do corpo
único de Cristo, estão vinculados uns aos outros, de tal maneira que cada
dimensão da vida de Cristo é compartilhada por eles (ver 1Co 12.26). Quanto mais
plenamente essa realidade influenciar as atitudes e os atos dos crentes, de uns
para com os outros, mais plenamente eles experimentarão uma comunhão
satisfatória, por meio de Cristo, de uns com os outros.
* 1.8 nos.
Nesta epístola, Paulo normalmente usa o plural "nós" ou
"nosso", para referir-se somente a ele mesmo.
tribulação
que nos sobreveio na Ásia. Ao que tudo indica, Paulo
refere-se a alguma dificuldade, perseguição, enfermidade ou dano que ele
sofrera, desde que vira seus leitores pela última vez. Essas dificuldades devem
ter ocorrido em Éfeso ou entre Éfeso e a Macedônia, embora não sejam
mencionadas na declaração sumária de At 20.1.
* 1.9 em
nós mesmos tivemos a sentença de morte. Paulo estava convencido
de que Deus tinha decidido que chegara o seu tempo de morrer.
para
que não confiemos em nós. O propósito de Deus, em
nossas aflições, por muitas vezes é conduzir-nos a essa conclusão.
no
Deus que ressuscita os mortos. A ressurreição dos mortos é
uma revelação do insuperável poder de Deus (Ef 1.20).
* 1.11 ajudando-nos
também vós, com as vossas orações. A oração produz
resultados reais. Deus ordenou que a sua relação com o mundo fosse de tal ordem
que ele responderia às nossas orações; e até mesmo Paulo precisava das orações
de outros crentes.
sejam
dadas graças. Esses agradecimentos sobem até Deus,
porquanto ele livrara Paulo da morte (v. 10). Um dos propósitos de Deus, ao
responder à oração, é que nós o louvemos por isso.
* 1.12 a
nossa glória. Paulo se gloria não em sua própria
habilidade mas em ter uma consciência limpa e uma conduta moralmente reta. Sua
simplicidade e sinceridade piedosa não resultam de ele estar seguindo a
sabedoria convencional do mundo mas resultam dele depender da graça de Deus.
Quando se gloria, Paulo não toma crédito para si mesmo. É o triunfo da graça de
Deus nele.
não
com sabedoria humana. Neste versículo, Paulo
introduz a sua negação da acusação de que ele tivera motivos mundanos para
mudar seus planos de visitar Corinto. Distinguir a sabedoria divina (expressa
através da cruz de Cristo) da sabedoria "carnal", era um problema
para alguns crentes de Corinto. A sabedoria mundana levou a divisões na igreja
(1Co 1.10-4.7), e, de acordo com os padrões dessa sabedoria, Paulo não era
aceito como um apóstolo (10.2-6).
* 1.13 Paulo relembra a seus leitores coríntios
que seus escritos, tal como o seu ministério, não são desonestos e nem cheios
de truques, eivados de significados ocultos e alvos escondidos, como talvez
alguns de seus opositores de Corinto tivessem afirmado. Os escritos de Paulo
eram suficientemente claros. Por semelhante modo, todas as Escrituras foram
escritas não principalmente para os eruditos, mas para todos os crentes. Elas
são compreensíveis para aqueles que as lêem, buscando a ajuda divina para
compreendê-las, e estando dispostos a obedecer a elas (Dt 6.6,7; Sl 19.7;
119.130; Mt 12.3,5; 19.14; 21.42; Cl 4.16).
* 1.14 somos
a vossa glória. Eles deveriam ufanar-se naquilo que
Deus tinha feito por eles na pessoa de Paulo.
no
Dia de Jesus, nosso Senhor. O dia da volta de Cristo.
* 1.15 um
segundo benefício. Uma outra tradução é: "uma graça
dupla". Paulo sabe que suas visitas transmitem a graça de Deus às igrejas.
* 1.17 segundo
a carne. Tais planos seriam indignos de confiança,
vacilantes e imprevisíveis. Os opositores estavam lançando o apóstolo no
descrédito, ao acusarem que sua mudança de planos mostrava fraqueza de caráter
e falta de integridade. Eles não possuíam todos os fatos mas estavam usando
essas circunstâncias para atacar a alguém a quem já haviam condenado.
* 1.18 como
Deus é fiel. Paulo invoca a fidelidade de Deus como o
padrão e a garantia da sua própria fidelidade.
a
nossa palavra. Ver referência lateral. Paulo relembra
aos crentes de Corinto que sua mensagem do evangelho era absolutamente digna de
confiança, e que tinha ensejado a salvação deles.
* 1.19 A veracidade absoluta e as palavras de
Deus, dignas de confiança como elas são em Cristo, eram o padrão que Paulo
sempre seguia em seus discursos. Isso é coerente com o padrão geral, seguido
por Paulo, de derivar os absolutos morais do caráter moral de Deus.
* 1.20 Tantas
têm nele o sim. Cristo cumpre todas as promessas que
Deus nos fez, e toda a nossa confiança nas promessas de Deus deve proceder de
nossa confiança em Jesus Cristo como uma pessoa a quem conhecemos e em quem
podemos confiar.
* 1.21,22 Cristo... Deus... Espírito.
Esta passagem trinitária aponta para os papéis de todas as três Pessoas divinas
na salvação.
* 1.21 aquele
que nos confirma. A capacidade de perseverar, ou seja,
continuar na vida cristã, não vem de nós mesmos; mas é uma dádiva divina. Deus
continua a conferir essa habilidade a todos quantos nasceram de novo (Fp 1.6;
1Pe 1.5). Aqueles que são guardados por Deus dessa maneira continuam a confiar
em Cristo por toda a vida (13.5; Cl 1.23; Hb 3.14), porquanto Deus os protege
por meio da fé que lhes deu (v. 24).
e
nos ungiu. "Ungir" é, derramar óleo sobre a
cabeça, com freqüência como um sinal da chamada e capacitação divinas (ver 1Sm
2.10; 16.13, e notas). Paulo relembra-nos que assim como Deus ungiu a Jesus
para o seu serviço e ministério específicos, também nos tem ungido para nossos
ministérios, não com óleo, mas com o poder do Espírito Santo (1Jo 2.20,27).
* 1.22 nos
selou. Um selo oficial indicava autoridade ou
propriedade, e garantia a proteção (Et 8.8; Dn 6.17; Mt 27.66; Ap 7.3). Deus
nos selou, não com um selo material de cera, mas com o Espírito Santo em nossos
corações (Ef 1.13; 4.30). Essa operação interior ocorre uma vez em cada pessoa,
quando ela se torna cristã.
o
penhor. O vocábulo grego correspondente significa um
depósito ou primeira prestação que faz parte do pagamento total e que garante
que o preço será pago por inteiro. O Espírito Santo é a garantia da salvação
completa que ainda terá realização (5.5; Rm 8.23; Ef 1.14). Já possuímos em nós
mesmos a vida celeste, antes mesmo de chegarmos ao céu (1Co 3.16; Cl 1.27).
* 1.23 tomo
a Deus por testemunha. Paulo presta aqui um
juramento solene para persuadir os crentes de Corinto quanto à sua veracidade.
É como se o apóstolo estivesse dizendo: "Se não estou dizendo a verdade,
peço a Deus que me tire a vida".
para
vos poupar. Paulo, em sua próxima visita, chegaria com a
autoridade e o poder do Senhor (10.3,4; 13.2-4,10), e ele queria dar-lhes a
oportunidade de se arrependerem. Esse foi o motivo pelo qual ele tinha alterado
os seus planos e não voltou a Corinto antes de partir para a Macedônia. Essa alteração
não ocorrera por vacilação mundana ou por covardia, conforme alguns coríntios
estavam afirmando.
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sergiovalentin