*           10.1—13.10    Nesses quatro capítulos, Paulo aborda o problema dos falsos apóstolos (11.13), que tinham chegado a Corinto e que se opunham à sua autoridade. Tito tinha trazido boas novas sobre os problemas anteriores de Corinto, mas agora um novo problema requeria a atenção de Paulo. O apóstolo confiava na igreja de Corinto (7.16), mas nem todos os crentes de Corinto confiavam igualmente em Paulo. Entre 9.12-15 e 10.1, o tom do apóstolo muda abruptamente, de algo positivo para a exasperação, quando Paulo defende o caráter genuíno de seu chamado como apóstolo de Cristo. Quanto a uma discussão sobre essa mudança de tom, ver Introdução: Dificuldades de Interpretação.

 

*           10.3     Um tema repetido nesta carta é viver não de acordo com os padrões deste mundo ou de acordo com os pontos-de-vista desta vida, mas de acordo com o poder espiritual e com a realidade espiritual.

 

*           10.4     as armas. A oração, a proclamação da poderosa Palavra de Deus e a autoridade de expulsar a oposição demoníaca (ver At 16.18; Ef 6.10-18). Ademais, também havia uma espécie de poderosa autoridade apostólica que não era discutida com frequência, mas que se mostrou evidente na sorte de Ananias e Safira (At 15.1-11) e na de Elimas (At 13.8-12).

 

para destruir fortalezas. Paulo está falando sobre fortalezas espirituais, ou seja, centros de oposição demoníaca ao evangelho (1Pe 5.8,9; 1Jo 5.19). Paulo sabia que seus oponentes, em Corinto, eram servos de Satanás (11.14,15), mas isso não o assustou, pois o poder do Espírito Santo, que nele estava, era muito maior que o poder de Satanás.

 

*           10.5     toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus. Uma falsa sabedoria e argumentos sofisticados eram algumas das armas usadas pelos servos de Satanás em seus ataques contra Paulo. Paulo já havia salientado a diferença entre a sabedoria do mundo e a sabedoria espiritual manifestada na cruz de Cristo, e tinha advertido aos crentes de Corinto para não se deixarem iludir pela sabedoria do mundo (ver 1Co 1.18—2.16). Agora Paulo vê que seus oponentes tinham penetrado tão fundo, com sua falsa sabedoria, que ele tinha de opor-se de novo a ela, com os termos mais vigorosos e, ao mesmo tempo, recuperar a lealdade e a obediência dos crentes coríntios.

 

levando cativo todo pensamento. Se todo pensamento, então a pessoa inteira — nossas próprias idéias, motivos, desejos e decisões — pertence a Cristo.

 

*           10.6     Se os crentes coríntios se aliam aos falsos apóstolos, Paulo está pronto para puni-los, devido ao prejuízo espiritual que eles causam.

 

*           10.8     Paulo sabe que ele deveria invocar a autoridade que Cristo lhe dera, e advertir aos crentes de Corinto que ele estava pronto para usar essa autoridade (v. 4, nota).

 

*           10.10   E a palavra, desprezível. Paulo não dependia do tipo de oratória treinada, que o mundo tanto admira, e cujo desígnio é obter glória para o orador. Aqueles que estavam sendo influenciados pelos oponentes do apóstolo atacavam o ministério de Paulo ao dizerem que lhe faltava essa habilidade.

 

*           10.11   Ver nota no v. 4.

 

*           10.12   não ousamos classificar-nos ou comparar-nos com alguns. Agora veio à tona a questão que fez Paulo defender seu apostolado tão vigorosamente. Encorajados pelos "apóstolos" rivais, alguns crentes coríntios influentes tinham começado a comparar esses recém-chegados com Paulo — em uma comparação na qual Paulo se saía como o perdedor. Ele foi julgado deficiente como orador (v. 10; 11.5), fraco em seu relacionamento com a igreja (vacilando entre a ousadia quando ausente e a timidez quando presente, v. 10,11), sem amor para com eles, (ao recusar uma doação monetária que, do ponto de vista deles, tratava-os como inferiores, 11.7-11; 12.14-18), e deficiente quanto a certas experiências religiosas de "poder" (12.1-5, e notas). Paulo, porém, recusava-se a comparar-se com seus oponentes em seus pobres termos de jactância pessoal e de autopromoção. E quando ele cedeu e se gloriou diante deles (11.16-18), ele o fez com ironia, usando a forma de comparação, mas sempre rejeitando os valores falsos deles.

 

*           10.13   não nos gloriaremos sem medida. Paulo tomará o crédito somente pelas coisas que Deus lhe havia permitido fazer, mas isso incluía ter chegado a Corinto como apóstolo deles. Ele deixa entendido que seus oponentes, em Corinto, com suas vanglórias, estavam se intrometendo em sua área de responsabilidade.

 

*           10.16   para além das vossas fronteiras. Paulo tinha a esperança de que os crentes de Corinto prosperariam espiritualmente e se tornariam uma base da qual ele poderia partir para evangelizar outros povos fora das fronteiras deles, presumivelmente em Roma e depois na Espanha (At 19.21; Rm 15.22-29).

 

*           10.17   Uma citação extraída de Jr 9.24. "Gloriar-se" em alguma coisa significa declarar quão grandiosa é alguma coisa, ufanar-se de alguma coisa. Toda a ufania de Paulo, nesta epístola, termina por dar glória a Deus.

 

*           10.18   aquele a quem o Senhor louva. O julgamento do Senhor é final, e afastará para um lado todo juízo humano. Paulo tem sido cuidadoso em não fazer qualquer reivindicação, exceto o que estivesse alicerçado sobre os propósitos de Deus e sobre aquilo que Deus tivesse realizado. Ele conclui esta seção com o princípio muito básico de que uma pessoa deveria buscar a aprovação de Deus, e não do homem (Mt 6.1-4; Jo 5.44; Rm 2.29; Gl 1.10).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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