*           11.2     zelo por vós. Paulo anela que os crentes de Corinto permaneçam leais a Cristo. Ele usa a metáfora do noivado e do casamento. Se os coríntios seguissem os falsos apóstolos, eles se desviariam de Cristo e lhe seriam infiéis. Então não mais poderiam aproximar-se dele como uma "virgem pura". Fica suposto que o ideal divino para o casamento não envolve relações sexuais anteriores — que uma noiva deveria chegar a seu marido como uma "virgem pura", e seu marido chegar-se-ia a ela também como tal.

 

*           11.3     Paulo sabe que os falsos apóstolos eram uma perigosa ameaça espiritual, comparável à serpente (vs. 14,15; Gl 3.1).

 

*           11.4     outro Jesus... espírito diferente... evangelho diferente. Estão em pauta as fortalezas, os argumentos e as pretensões (10.4,5) dos oponentes de Paulo para distorcer a verdade de que o "Jesus", o "espírito" e o "evangelho" deles diferiam radicalmente daquilo que Paulo pregava (1Co 1.18—2.16; cf. Gl 1.6-9). O "evangelho diferente" dos oponentes conforma-se tanto com as maneiras mundanas de pensar que Paulo e seu ministério apostólico — um ministério que manifestava a morte de Jesus através da adversidade e dos sofrimentos (4.7-18; 6.4-10; cf. 1Co 4.8-13) — eram desprezados e rejeitados em favor de ministérios que satisfaziam o gosto corrente pela eloquência, pela sabedoria filosófica e por exibições espetaculares de poder espiritual (cf. 1Co 1.22-25).

 

*           11.5     a esses tais apóstolos. No original grego há um indício de zombaria no uso que Paulo faz do título destacado (literalmente, "superapóstolos), para seus oponentes em Corinto. Talvez esse fosse até um título que eles aplicassem a si mesmos. E outros pensam que eles usavam esse título para referirem-se aos apóstolos em Jerusalém.

 

*           11.6     embora seja falto no falar. Ver nota em 10.10.

 

*           11.7     gratuitamente. Quando esteve em Corinto, Paulo providenciou seu próprio sustento (At 18.3), e também aceitou ajuda de outras igrejas (v. 8). Alguns dos coríntios parecem ter ficado ofendidos porque Paulo se recusou a aceitar suas dádivas, provavelmente oferecidas ao apóstolo devido à sua prédica do evangelho a eles. Dar e receber presentes eram, muitas vezes, meios para se estabelecer e manter amizades entre pessoas de idêntica classe social. Dentro desse sistema, a recusa de Paulo de receber ofertas pode ter sido tomada como um insulto, uma orgulhosa recusa de deixar-se envolver com pessoas de classe inferior. Mas o apóstolo vê seu relacionamento com os coríntios não do ponto-de-vista das convenções sociais (5.16), mas do ângulo da nova criação (5.17), na qual ele fora chamado para ser um apóstolo e pai espiritual. Como pai, ele pode ter dado corretamente algo aos seus filhos, sem nada receber em devolução (12.14,15).

 

*           11.9     quando vieram da Macedônia. Provavelmente de Filipos (Fp 4.15,16).

 

*           11.10   esta glória. Paulo havia ministrado aos coríntios com grande sacrifício pessoal e gastos — diferentemente dos apóstolos falsos, que aparentemente demandavam apoio financeiro por parte da igreja (cf. os vs. 7 e 20).

 

nas regiões da Acaia. A região em redor de Corinto.

 

*           11.13   Os oponentes de Paulo em Corinto não eram irmãos na fé que diferiam em certas questões não-essenciais; eles eram, realmente, servos de Satanás dentro da igreja, competindo para obter posições de liderança.

 

*           11.14   Uma das artimanhas de Satanás consiste em reivindicar estar fazendo o bem e, especificamente, enviar a uma igreja servos seus que se dizem crentes mas que produzem apenas divisão, calúnia, imoralidade e toda espécie de destruição. Disse Jesus a seus discípulos: "Por seus frutos os conhecereis" (Mt 7.20; cf. At 20.29,30; 2Pe 2.).

 

*           11.15   O fim deles. Acabarão sendo julgados e condenados por Deus.

 

*           11.20   Uma descrição de algumas das ações ousadas dos falsos apóstolos.

 

*           11.22—12.10  Esta seção da epístola é conhecida como "Discurso do Tolo". Nela, Paulo descreve o seu ministério em termos que não poderiam ser igualados pelos falsos apóstolos. Contudo, ele não se vangloriou de seu próprio conhecimento, de sua capacidade de falar ou de outras habilidades, mas apenas de quanto tinha sofrido por amor a Cristo. Aqui a jactância de Paulo é irônica — ele se "vangloriou" de coisas normalmente consideradas vergonhosas, sinais de fraqueza e derrotas. Portanto, essa jactância do apóstolo imitava ou parodiava a jactância de seus oponentes, que louvavam a si mesmos diante dos coríntios em discursos extravagantes. Os tópicos desta seção progridem até um clímax onde Paulo aborda aquilo que era o principal fator nas mentes de seus críticos — experiências religiosas incomuns (12.1-9).

 

*           11.22   São hebreus? Os oponentes de Paulo eram judeus, talvez vindos de Jerusalém e reivindicando serem endossados pelos apóstolos que residiam em Jerusalém.

 

*           11.23-27          Paulo, ao enumerar os sinais de um autêntico servo de Cristo, salientou o sofrimento e a humilhação, enfatizando de novo (conforme fez em 1Co 1—4) a Cristo crucificado.

 

*           11.23   Paulo revelou uma extrema hesitação ao falar em favor próprio.

 

*           11.24   uma quarentena de açoites menos um. Quarenta chibatadas eram o máximo que podia ser aplicado a uma pessoa, de acordo com Dt 25.3. Era um costume judaico limitar um pouco abaixo esse máximo, como salvaguarda contra uma contagem errônea.

 

*           11.25   três vezes fustigado com varas. Uma dessas ocasiões ficou registrada em At 16.22.

 

uma vez, apedrejado. Em Listra, durante a primeira viagem missionária de Paulo (At 14.19), onde a multidão julgou havê-lo matado.

 

uma noite e um dia passei na voragem do mar. Há o relato de um naufrágio em At 27.39-44, mas 2 Coríntios foi escrita antes disso, no tempo mencionado em At 20.2 (quando Paulo estava na Macedônia). Os três naufrágios de que Paulo foi vítima devem ter acontecido durante suas primeiras viagens missionárias.

 

*           11.26   O alvo de Paulo não era seu próprio conforto ou segurança. Muitas das dificuldades que ele registrou nesta seção mais ampla não foram registradas no livro de Atos. É difícil imaginar uma existência mais cheia de percalços do que a de Paulo e, no entanto, ele era obediente a Deus e deixou a sua vida nas mãos do Senhor.

 

falsos irmãos. Pessoas fingindo ser crentes, que chegaram à igreja para causar problemas.

 

*           11.28   Paulo sentia profundamente as necessidades e os sofrimentos de suas igrejas. Sua confiança no cuidado soberano de Deus não o deixam frio e sem emoções.

 

*           11.32,33          Este incidente foi narrado de um ponto-de-vista diferente em At 9.24,25. Aparentemente, os oponentes judeus em Damasco persuadiram o governador a cooperar em seu complô contra Paulo. Embora estes dois versículos possam parecer um tanto surpreendentes no contexto, eles mencionam a primeira — e bastante humilhante — experiência de perseguição por amor ao evangelho. O apóstolo teve um escape precário de uma autoridade civil relativamente menor, como se fosse um fugitivo comum. Ele não estava se apresentando como um herói.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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