* 12.1-6 Nestes seis versículos, Paulo continua a sua "jactância"
com o tópico de uma visão celestial. Sua narrativa contém alguns elementos
inesperados. Paulo não teve permissão de repetir as coisas que ouviu na visão,
e mais tarde ele recebeu um "espinho" doloroso (v. 7, nota) enviado
por Deus para mantê-lo humilde.
* 12.2 Conheço um
homem em Cristo. Embora estivesse falando indiretamente,
Paulo aponta claramente para si mesmo.
ao terceiro céu.
De acordo com uma enumeração comum, o primeiro céu era a atmosfera das aves e
das nuvens; o segundo céu era o firmamento onde vemos as estrelas; e o terceiro
seria o céu propriamente dito, o lugar da habitação de Deus. Durante catorze
anos, Paulo não fizera dessa experiência um enfoque em seu ensino, conforme
alguns teriam feito. Seu enfoque era a mensagem de Cristo: "Não nos
pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor" (4.5).
* 12.4 paraíso.
Esse é o mesmo "terceiro céu", do v. 2. A palavra grega para
"paraíso" é usada com vários sentidos fora do Novo Testamento, mas no
Novo Testamento todas as três ocorrências referem-se ao céu, o lugar onde os
santos habitam com Deus (Lc 23.43; Ap 2.7; e aqui).
* 12.6 mas
abstenho-me. Paulo queria que as pessoas o avaliassem à
base do conhecimento de primeira mão que possuíam dele.
* 12.7 um espinho
na carne. Muitas possibilidades têm sido sugeridas
quanto a esse "espinho", como uma enfermidades física de alguma
espécie ("na carne"), um mensageiro demoníaco que o incomodava
("um mensageiro de Satanás"), ou os ataques constantes de
perseguidores judeus. Através da história da Igreja, nenhum acordo foi atingido
entre centenas de comentadores. Conforme as coisas se apresentam, o
"espinho" das experiências de Paulo é aplicado prontamente a uma
certa variedade de testes, que ele teve de enfrentar durante a vida. Poucos dos
servos de Deus têm vivido livres de pelo menos alguma espécie de empecilho,
fraqueza ou oposição.
* 12.8 ao Senhor.
Expressão usual de Paulo para referir-se a Cristo, e não a Deus Pai. Embora as
orações no Novo Testamento, mais frequentemente sejam dirigidas a Deus Pai,
este é um exemplo de oração dirigida a Cristo (outros exemplos estão em At
1.24; 7.59; 1Co 16.22 e Ap 22.20). É notável que, em sua "jactância",
Paulo testifique sobre um pedido que ele fez mas que Deus não atendeu.
* 12.9 o poder se
aperfeiçoa na fraqueza. Deus realizaria os seus
propósitos sem tirar de seu servo o espinho que parecia servir-lhe de entrave.
A despeito das debilidades humanas, a graça de Deus atinge seus propósitos em
um mundo decaído. Essa promessa da parte de Deus sem dúvida conferiu forças e
encorajamento em sofrimentos subsequentes. Resumidamente Paulo vincula o
princípio geral à sua ordem — a cruz de Cristo (13.4). A reação inteira de Paulo aos ataques à sua autoridade apostólica
era moldada conscientemente sobre Cristo, e este crucificado, e não no chamado
"Jesus" e no "evangelho" diferente que seus oponentes
impingiam sobre os equivocados crentes coríntios (11.4, nota).
* 12.10 A visão espiritual de Paulo era tão clara que ele podia ver seus
sofrimentos como razões para regozijar-se, porquanto sabia que em todos eles o
poder de Cristo estava atuando.
* 12.11 a isto me
constrangestes. Paulo teve que "jactar-se" de
suas fraquezas como apóstolo porque a isso os crentes de Corinto o haviam
compelido, quando, apesar de o conhecerem bem, não o tinham defendido contra os
falsos apóstolos, mas pelo contrário, haviam sido seduzidos (11.1-3) por
destacadas reivindicações e por falsas críticas contra Paulo.
* 12.12 as
credenciais do apostolado. De acordo com a compreensão
comum, os "sinais de um apóstolo" eram simplesmente milagres
"maravilhas e feitos poderosos". No entanto, nesta carta, Paulo
apontou para outros sinais que o distinguiam dos falsos apóstolos: as vidas
transformadas dos crentes de Corinto (3.2,3), o caráter impoluto de seu
ministério (6.3-10; 7.2; 8.20,21), seu amor genuíno pelas igrejas (6.11,12;
7.3; 11.7-11), e o fato que ele suportava sacrificialmente os sofrimentos
(6.3-10; 11.23-33). Em adição a esses sinais, Paulo está pronto para mencionar
sinais miraculosos, mas sem demorar-se sobre os mesmos. Ver 1Co 13.2; "Os
Apóstolos", em At 1.26.
* 12.14 pela terceira
vez. Ver Introdução: Data e Ocasião. A primeira
visita ocorrera durante a segunda viagem missionária de Paulo (At 18.1-18). A
segunda visita não ficou registrada, mas deu-se em algum tempo durante a
permanência de Paulo em Éfeso (At 19.1-41).
Não vou atrás dos vossos
bens, mas procuro a vós outros. Nisso Paulo se diferenciava
daqueles pregadores cuja meta era sua própria vantagem financeira.
* 12.16 sendo astuto,
vos prendi com dolo. Talvez os oponentes de Paulo
estivessem dizendo que seu aparente altruísmo era um ardil para enganá-los.
Paulo respondeu que ele nunca os explorara através de outros (v. 17).
* 12.18 Tito iria à frente de Paulo (8.6,16,17).
* 12.19 Paulo novamente enfatiza que ele não vinha falando em prol de sua
própria reputação ou glória, mas visando o bem da igreja e a glória de Deus. E
novamente ele revelou uma forte consciência de que tudo quanto escrevia e
fazia, era feito "perante
Deus".
* 12.21 Os laços paternais de Paulo com a igreja de Corinto eram fortes, e
ele sabe que se retornasse e encontrasse a alguns deles (seus
"filhos", v. 14) ainda desobedientes, isso seria humilhante para ele,
tal como os pais são humilhados pelo mau comportamento de seus filhos.
muitos que, outrora, pecaram
e não se arrependeram. Os falsos apóstolos não
eram o único problema em Corinto. Havia alguns crentes ainda envolvidos no pecado,
e Paulo os advertiu.
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sergiovalentin