* 5.1 deste
tabernáculo. Nossos corpos físicos. Se os sofrimentos de
Paulo deveriam conduzi-lo até à morte física, algo muito superior espera por
ele.
casa... nos céus.
Provavelmente temos aqui uma alusão aos nossos corpos ressurretos, embora para
alguns eruditos isso significa o lugar celestial que Deus tem preparado para
nós.
* 5.2 gememos.
Suspiramos frustrados diante das limitações desta vida, com seu pecado, fraqueza
e corrupção (Rm 8.22,23).
* 5.3 nus.
Sem o corpo.
* 5.4 Paulo anela por receber o corpo ressurreto, livre
das fraquezas e das imperfeições desta vida.
o mortal.
O estado de nossos presentes corpos físicos.
seja absorvido pela vida.
A nova vida celestial porvir substituirá a nossa existência presente. Ver
"Ressurreição e Glorificação", em 1Co 15.21.
* 5.5 o
penhor. Ver nota em 1.22. O Espírito Santo opera em
nós atualmente numa renovação diária e num fortalecimento espiritual (3.18;
4.16). E isso é uma amostra e garantia do término futuro dessa obra, que
culminará em corpos ressurretos e em uma santificação completa.
* 5.7 Uma vez mais, Paulo especifica um contraste entre o invisível
reino espiritual da presença e atividade de Deus e o atual mundo visível.
* 5.8 A doutrina do estado intermediário entre a nossa
morte e o retorno de Cristo ensina-nos que quando os crentes morrem, eles, isto
é, seus espíritos, vão imediatamente para a presença de Cristo e ficam
"presentes com o Senhor" enquanto que seus corpos permanecem aqui e
são recolhidos na sepultura (ver Lc 23.43; Fp 1.23). Quando Cristo retornar, os
corpos dos crentes serão ressuscitados dentre os mortos e serão reunidos aos
seus espíritos (1Co 15.22,23; 1Ts 4.14,16). Ver "Morte e Estado Intermediário",
em Fp 1.23.
* 5.9 Para
lhe sermos agradáveis. Ver "Agradando a
Deus", em 1Ts 2.4.
* 5.10 Este versículo ensina que haverá graus de galardões no céu.
Embora os crentes tenham seus pecados perdoados e nunca sofrerão os castigos
próprios do inferno (Rm 6.23; 8.1), todos comparecerão diante de Cristo no Dia
do Julgamento, para receberem vários graus de recompensa pelo que fizeram nesta
vida (Mt 6.20; Lc 19.11-27; 1Co 3.12-15). Esse julgamento incluirá o
desvendamento e a avaliação dos motivos de nossos corações (1Co 4.5).
* 5.11 conhecendo o
temor do Senhor. Não o terror da condenação eterna, mas
um saudável e reverente temor do desagrado de Cristo pelas escolhas que
fizemos, o "bem ou o mal que tiver feito por meio do corpo" (v. 10).
Tal temor seria um saudável corretivo para aqueles crentes de Corinto que
estavam causando perturbações para Paulo, e poderia ter corrigido as vidas de
muitos crentes descuidados através dos séculos.
nos reconheça. Novamente,
um ponto-de-vista espiritual, nem sempre evidente para aqueles que vivem neste
mundo.
* 5.12 aos que se
gloriam na aparência. Temos aqui um método mundano
de avaliação, contrário ao que se dava com um apóstolo autêntico, o qual
suportava as aflições por enfocar a sua atenção sobre o que era invisível e
eterno (4.18). Os falsos apóstolos de Corinto (11.13) também eram típicos
representantes do mundo, orgulhando-se em sua aparência externa, dependendo de
si mesmos, amando o dinheiro, o poder e o prestígio. Se os crentes de Corinto
compreendiam a autodefesa de Paulo em um sentido espiritual, então eles teriam
uma resposta para os falsos apóstolos e seus padrões superficiais de julgamento
(1Sm 16.7).
* 5.13 se
enlouquecemos. Provavelmente refere-se aos tempos de
adoração e oração, quando Paulo era apanhado na mais intensa consciência da
presença de Deus. A linguagem de Paulo não indica que ele perdia totalmente a
consciência de seu meio ambiente externo, pois a mesma palavra grega é usada
para indicar pessoas que ficavam "maravilhadas" diante dos milagres
operados por Cristo (Mc 5.42; 6.51). O ponto frisado pelo apóstolo é que quer
engajado em adoração particular, quer engajado em ministério público, Paulo
vivia para Deus e para o próximo, e não para si mesmo (v. 15). Seus oponentes,
por sua vez, não podiam reivindicar para si mesmos tal coisa.
* 5.14 o amor de
Cristo. Gramaticalmente, isso poderia indicar o amor
que temos por Cristo, ou o amor que Cristo tem por nós. Visto que Paulo estava
falando sobre o que Cristo fizera por ele, provavelmente temos aqui uma menção
ao amor de Cristo por nós.
um morreu por todos.
Aqueles por quem Cristo morreu são os mesmos que os "todos" que
"morreram" com ele, em resultado de sua morte, e que são mencionados
no fim do presente versículo.
* 5.16 Paulo enfatiza o julgamento espiritual e o discernimento
espiritual nas vidas e situações das pessoas. Nossa experiência com o amor de
Deus move-nos a parar de ver outras pessoas de acordo com os padrões mundanos e
a aprender como devemos vê-las do ponto de vista do grande ato salvífico de
Deus em Jesus Cristo.
a ninguém conhecemos segundo
a carne. Quando Cristo foi considerado de um
ponto-de-vista mundano, os homens o rejeitaram e o crucificaram como um
blasfemador e um perturbador da ordem. Do ponto-de-vista divino, porém, Cristo
é o Messias e o Filho de Deus, em quem recebemos a nova criação e a
reconciliação com Deus.
* 5.17 em Cristo. A
união com Cristo resume a nossa experiência de redenção. Os crentes foram
eleitos (Ef 1.4,11), justificados (Rm 8.1), santificados (1Co 1.2) e
glorificados (3.18), "em Cristo". Aqui Paulo enfoca a momentosa
significação da união do crente com o Salvador. Visto que Cristo é o
"último Adão", aquele em quem a humanidade é recriada (1Co 15.45; Gl
6.16; Ef 2.10), e que inaugurou a nova era de bênçãos messiânicas (Gl 1.4; cf.
Mt 11.2-6), a união espiritual dos crentes com Cristo não é menor do que a
participação na "nova criação". A tradução "há uma nova
criação", em lugar de "é nova criatura" faz essa conclusão
ressaltar com maior clareza; mas, em ambos os casos, a idéia se faz presente.
* 5.18 Ora, tudo
provém de Deus. O plano inteiro da salvação e a história
da redenção centralizam-se em Deus. Paulo percebe que tudo vem do Senhor, é por
meio dele e para a sua glória (Rm 11.36).
* 5.20 Paulo pode estar apelando diretamente para os crentes coríntios
para "reconciliarem-se com Deus". Mas ele também está sumariando o
apelo que dirige ao mundo inteiro. A reconciliação é o estabelecimento ou
restauração da comunhão amorosa depois da alienação. Para os crentes, a
reconciliação com Deus é renovada a cada dia, em certo sentido (Mt 6.12; 1Jo
1.9).
* 5.21 Temos aqui um importante resumo da mensagem do evangelho. O
versículo explica como Deus imputou nossos pecados a Cristo. Deus, como juiz,
atribuiu a Cristo a responsabilidade pelos nossos pecados, possibilitando que
Jesus fosse punido com justiça, pelos nossos pecados (Is 53.6; 1Pe 2.24). Este
versículo mostra que Cristo foi o nosso substituto, tendo aceito receber a pena
do pecado em nosso lugar. Ver "A Impecabilidade de Jesus", em Hb
4.15.
Para que, nele, fôssemos
feitos justiça de Deus. Não somente Deus imputou
nossos pecados a Cristo, mas ele também imputou a perfeita justiça de Cristo a
nós (ou seja, ele contou essa justiça perfeita como se fosse nossa). Essa
imputação serve de base para a realização progressiva da justiça de Deus em
nosso caráter moral. Nossos pensamentos e atos vão sendo santificados em medida
crescente, até recebermos, no céu, a perfeita retidão.
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sergiovalentin