* 1.1 Apóstolo de Cristo. Paulo
descreve a si mesmo como um "apóstolo", mas não aos seus companheiros
(ver também 1Co 1.1; Cl 1.1). Um apóstolo era uma testemunha ocular da
ressurreição de Cristo (At 1.22; 1Co 15.8), que fora pessoalmente nomeado por
Cristo (Mt 10.1-7; At 1.24-26; Gl 1.1) para governar a Igreja primitiva (1Ts
4.8; 2Ts 3.6,14), e para ensinar ou escrever com autoridade (1Co 14.37; 1Ts
2.13; 4.15; 2Pe 3.15,16). Esse termo foi usado para os doze discípulos
primitivos e para Paulo. E também foi usado em um sentido mais amplo (ver Rm
16.7), ao passo que em um uso geral ou não-técnico significa
"mensageiro" ou "representante" (8.23; Fp 2.25).
Pela vontade de Deus. É a
escolha soberana de Deus que, em última análise, coloca pessoas nos ofícios e
nos ministérios da Igreja. O ofício apostólico era extraordinário e temporário,
e não continuou quando não houve mais testemunhas oculares sobreviventes da
ressurreição, e quando o cânon das Escrituras se completou. Os ofícios
ordinários, porém, continuam sendo necessários, e são preenchidos pelos
presbíteros (ver At 20.17,28) e outros cujos dons espirituais os equipam para
os diversos ministérios (1Co 12.7,11,28). Chamamentos aos ofícios ordinários
são confirmados pelo povo de Deus, à medida em que as igrejas locais discernem
quem recebeu os dons e as qualificações para o trabalho (Ef 4.11).
os santos. Um termo
comumente usado por Paulo para referir-se a todos os crentes (Rm 15.25; Fp
1.1).
em toda a Acaia. Embora
esta epístola tivesse sido endereçada primariamente à Igreja de Corinto, é
evidente que Paulo percebeu que ela seria lida pelas igrejas circunvizinhas na
região da Acaia, a parte sul da Grécia moderna. Quanto à cidade de Corinto, ver
At 18.1, nota.
* 1.2 graça. A graça é
o favor imerecido de Deus — não apenas quanto ao perdão inicial dos pecados,
mas também aos eventos ordinários da vida diária.
paz. A bênção
externa da ordem social e a bênção interna de uma boa relação pessoal com Deus
(Rm 5.1; 1Tm 2.2).
de Deus, nosso Pai, e do Senhor
Jesus Cristo. Serve de evidência da deidade de Jesus Cristo o fato de que
ele e o Pai tenham sido mencionados igualmente como a origem da graça e da paz
da igreja em Corinto.
* 1.3 Pai de nosso Senhor Jesus
Cristo. As três Pessoas da Trindade são igualmente divinas e, no
entanto, são um único Deus, e não três. Conforme é sugerido pelos nomes de Pai,
Filho e Espírito Santo, certos papéis e atividades correspondem mais de perto a
uma Pessoa do que a outra. Exemplificando, o papel de Deus Pai é tomar a
iniciativa e dirigir.
o Pai de misericórdias e Deus de
toda consolação. Um tema-chave dos caps. 1 a 9. Toda consolação e
encorajamento no mundo tem sua origem no próprio Deus.
* 1.4 para podermos consolar os que
estiverem em qualquer angústia. Deus tem um propósito soberano
tanto em nossas tribulações quanto no conforto que ele nos dá nessas
tribulações. Se tivermos experimentado o consolo divino nos sofrimentos,
poderemos ser capazes de sustentar aqueles que estiverem sofrendo como nós já
sofremos.
* 1.5 assim como os sofrimentos de
Cristo se manifestam em grande medida a nosso favor. Não que
possamos acrescentar qualquer coisa aos sofrimentos de Cristo por nós (Is
53.11; Jo 19.30; Hb 9.26-28), mas é que Deus nos chamou para sofrer por Cristo,
e assim seguirmos nos passos de Cristo (Rm 8.17; Cl 1.24; Hb 12.2,3; 1Pe 2.21).
Visto que os crentes estão unidos a Cristo e fazem parte espiritual de seu
corpo, tanto nossos sofrimentos pelo evangelho como o conforto que Deus nos
provê em Cristo resultam de nossa participação nele (Fp 3.10,11). Neste passo
Paulo dá a entender uma característica persistente de seu ensino. As
experiências-chaves de Cristo, especialmente seus sofrimentos, sua morte e sua
ressurreição, servem de padrão mediante o qual os crentes podem entender seus
próprios sofrimentos e seu triunfo final.
* 1.6 Paulo vê a mão soberana e o
propósito remidor em tudo quanto lhe ocorre, quer se trate de angústia ou de
conforto.
* 1.7 como sois participantes dos
sofrimentos. Por detrás deste versículo jaz o ensino paulino de que todos
os crentes, como membros do corpo único de Cristo, estão vinculados uns aos
outros, de tal maneira que cada dimensão da vida de Cristo é compartilhada por
eles (ver 1Co 12.26). Quanto mais plenamente essa realidade influenciar as
atitudes e os atos dos crentes, de uns para com os outros, mais plenamente eles
experimentarão uma comunhão satisfatória, por meio de Cristo, de uns com os
outros.
* 1.8 nos. Nesta
epístola, Paulo normalmente usa o plural "nós" ou "nosso",
para referir-se somente a ele mesmo.
tribulação que nos sobreveio na
Ásia. Ao que tudo indica, Paulo refere-se a alguma dificuldade,
perseguição, enfermidade ou dano que ele sofrera, desde que vira seus leitores
pela última vez. Essas dificuldades devem ter ocorrido em Éfeso ou entre Éfeso
e a Macedônia, embora não sejam mencionadas na declaração sumária de At 20.1.
* 1.9 em nós mesmos tivemos a
sentença de morte. Paulo estava convencido de que Deus tinha decidido
que chegara o seu tempo de morrer.
para que não confiemos em nós. O
propósito de Deus, em nossas aflições, por muitas vezes é conduzir-nos a essa
conclusão.
no Deus que ressuscita os mortos. A
ressurreição dos mortos é uma revelação do insuperável poder de Deus (Ef 1.20).
* 1.11 ajudando-nos também vós, com as vossas
orações. A oração produz resultados reais. Deus ordenou que a sua
relação com o mundo fosse de tal ordem que ele responderia às nossas orações; e
até mesmo Paulo precisava das orações de outros crentes.
sejam dadas graças. Esses
agradecimentos sobem até Deus, porquanto ele livrara Paulo da morte (v. 10). Um
dos propósitos de Deus, ao responder à oração, é que nós o louvemos por isso.
* 1.12 a nossa glória. Paulo se
gloria não em sua própria habilidade mas em ter uma consciência limpa e uma
conduta moralmente reta. Sua simplicidade e sinceridade piedosa não resultam de
ele estar seguindo a sabedoria convencional do mundo mas resultam dele depender
da graça de Deus. Quando se gloria, Paulo não toma crédito para si mesmo. É o
triunfo da graça de Deus nele.
não com sabedoria humana. Neste
versículo, Paulo introduz a sua negação da acusação de que ele tivera motivos
mundanos para mudar seus planos de visitar Corinto. Distinguir a sabedoria
divina (expressa através da cruz de Cristo) da sabedoria "carnal",
era um problema para alguns crentes de Corinto. A sabedoria mundana levou a
divisões na igreja (1Co 1.10-4.7), e, de acordo com os padrões dessa sabedoria,
Paulo não era aceito como um apóstolo (10.2-6).
* 1.13 Paulo relembra a seus leitores coríntios
que seus escritos, tal como o seu ministério, não são desonestos e nem cheios
de truques, eivados de significados ocultos e alvos escondidos, como talvez
alguns de seus opositores de Corinto tivessem afirmado. Os escritos de Paulo
eram suficientemente claros. Por semelhante modo, todas as Escrituras foram
escritas não principalmente para os eruditos, mas para todos os crentes. Elas
são compreensíveis para aqueles que as lêem, buscando a ajuda divina para
compreendê-las, e estando dispostos a obedecer a elas (Dt 6.6,7; Sl 19.7;
119.130; Mt 12.3,5; 19.14; 21.42; Cl 4.16).
* 1.14 somos a vossa glória. Eles
deveriam ufanar-se naquilo que Deus tinha feito por eles na pessoa de Paulo.
no Dia de Jesus, nosso Senhor. O dia da
volta de Cristo.
* 1.15 um segundo benefício. Uma outra
tradução é: "uma graça dupla". Paulo sabe que suas visitas transmitem
a graça de Deus às igrejas.
* 1.17 segundo a carne. Tais
planos seriam indignos de confiança, vacilantes e imprevisíveis. Os opositores
estavam lançando o apóstolo no descrédito, ao acusarem que sua mudança de
planos mostrava fraqueza de caráter e falta de integridade. Eles não possuíam
todos os fatos mas estavam usando essas circunstâncias para atacar a alguém a
quem já haviam condenado.
* 1.18 como Deus é fiel. Paulo
invoca a fidelidade de Deus como o padrão e a garantia da sua própria
fidelidade.
a nossa palavra. Ver
referência lateral. Paulo relembra aos crentes de Corinto que sua mensagem do
evangelho era absolutamente digna de confiança, e que tinha ensejado a salvação
deles.
* 1.19 A veracidade absoluta e as palavras de
Deus, dignas de confiança como elas são em Cristo, eram o padrão que Paulo
sempre seguia em seus discursos. Isso é coerente com o padrão geral, seguido
por Paulo, de derivar os absolutos morais do caráter moral de Deus.
* 1.20 Tantas têm nele o sim. Cristo
cumpre todas as promessas que Deus nos fez, e toda a nossa confiança nas
promessas de Deus deve proceder de nossa confiança em Jesus Cristo como uma
pessoa a quem conhecemos e em quem podemos confiar.
* 1.21,22 Cristo... Deus... Espírito. Esta
passagem trinitária aponta para os papéis de todas as três Pessoas divinas na
salvação.
* 1.21 aquele que nos confirma. A capacidade
de perseverar, ou seja, continuar na vida cristã, não vem de nós mesmos; mas é
uma dádiva divina. Deus continua a conferir essa habilidade a todos quantos
nasceram de novo (Fp 1.6; 1Pe 1.5). Aqueles que são guardados por Deus dessa
maneira continuam a confiar em Cristo por toda a vida (13.5; Cl 1.23; Hb 3.14),
porquanto Deus os protege por meio da fé que lhes deu (v. 24).
e nos ungiu.
"Ungir" é, derramar óleo sobre a cabeça, com freqüência como um sinal
da chamada e capacitação divinas (ver 1Sm 2.10; 16.13, e notas). Paulo
relembra-nos que assim como Deus ungiu a Jesus para o seu serviço e ministério
específicos, também nos tem ungido para nossos ministérios, não com óleo, mas
com o poder do Espírito Santo (1Jo 2.20,27).
* 1.22 nos selou. Um selo
oficial indicava autoridade ou propriedade, e garantia a proteção (Et 8.8; Dn
6.17; Mt 27.66; Ap 7.3). Deus nos selou, não com um selo material de cera, mas
com o Espírito Santo em nossos corações (Ef 1.13; 4.30). Essa operação interior
ocorre uma vez em cada pessoa, quando ela se torna cristã.
o penhor. O vocábulo
grego correspondente significa um depósito ou primeira prestação que faz parte
do pagamento total e que garante que o preço será pago por inteiro. O Espírito
Santo é a garantia da salvação completa que ainda terá realização (5.5; Rm
8.23; Ef 1.14). Já possuímos em nós mesmos a vida celeste, antes mesmo de
chegarmos ao céu (1Co 3.16; Cl 1.27).
* 1.23 tomo a Deus por testemunha. Paulo
presta aqui um juramento solene para persuadir os crentes de Corinto quanto à
sua veracidade. É como se o apóstolo estivesse dizendo: "Se não estou
dizendo a verdade, peço a Deus que me tire a vida".
para vos poupar. Paulo, em
sua próxima visita, chegaria com a autoridade e o poder do Senhor (10.3,4;
13.2-4,10), e ele queria dar-lhes a oportunidade de se arrependerem. Esse foi o
motivo pelo qual ele tinha alterado os seus planos e não voltou a Corinto antes
de partir para a Macedônia. Essa alteração não ocorrera por vacilação mundana
ou por covardia, conforme alguns coríntios estavam afirmando.
* 2.1 em tristeza. Ver
Introdução: Data e Ocasião.
* 2.3 isto escrevi. Após a
visita entristecedora (v. 1), Paulo escreveu uma carta de repreensão à igreja
dos coríntios, enviando-a pela mão de Tito (2.13; 7.6,7,13,14).
* 2.4 não... entristecidos. O
propósito de Paulo, ao escrever a carta desagradável não foi simplesmente
entristecer os coríntios. Ele estava buscando o melhor para a igreja mesmo que
isso trouxesse dor, tanto para eles quanto para ele.
* 2.5 se alguém causou tristeza. A ofensa
parece ter sido dirigida contra o próprio Paulo (vs. 5, 10).
* 2.6 basta-lhe a punição pela
maioria. Ao que tudo indica, depois que Paulo deixara Corinto ou,
pelo menos, depois que Tito havia chegado ali com a carta desagradável, os crentes
de Corinto exerceram disciplina eclesiástica contra o ofensor (cf. Mt
18.15-20).
* 2.7 O propósito da disciplina
eclesiástica é restaurar, e não destruir ou tirar vingança (10.8).
* 2.10 Paulo aceitará o julgamento da congregação
coríntia sobre essa questão.
o fiz na presença de Cristo. Um tema
comum nesta carta. Todas as nossas ações são efetuadas não em segredo, mas na
presença de Cristo, o Senhor da Igreja. Se tanto Paulo quanto Cristo tinham
perdoado o ofensor, os crentes de Corinto deveriam fazer o mesmo (cf. Mt 16.19;
Jo 20.23).
* 2.11 Satanás não alcance vantagem sobre nós. Satanás
terá obtido uma vitória se negligenciarmos a disciplina eclesiástica
inteiramente, ou se a executarmos mas permanecermos duros e sem perdão depois
de ter havido mudança no coração.
* 2.12 Trôade. Uma cidade no extremo
noroeste da Ásia Menor (atual Turquia), no lado oposto do mar Egeu, defronte da
Grécia. Paulo velejou dali para Filipos. Foi em Trôade que Paulo teve uma visão
de um homem da Macedônia, implorando-lhe que viesse ajudá-los (At 16.8).
uma porta... Deus proveu
oportunidades para que Paulo pregasse o evangelho.
* 2.13 não tive... tranqüilidade no meu espírito. Paulo
tinha esperado que Tito visse ao encontro dele em Trôade e lhe desse a notícia
de que a carta de reprimenda fora bem recebida. Quando Tito não apareceu, Paulo
ficou profundamente perturbado.
despedindo-me deles. Uma
grande oportunidade de ter um ministério eficaz não fez Paulo desviar-se de seu
compromisso anterior de cuidar da igreja em Corinto e endireitar os seus
problemas. Paulo continuava a sentir uma profunda preocupação por todas as
igrejas fundadas por ele (11.28,29).
parti para a Macedônia. Paulo
dirigiu-se primeiramente a Filipos, depois talvez a Tessalônica ou Beréia,
antes da chegada de Tito. O trecho de At 16.8-18.1 descreve a anterior viagem
de Paulo ao longo dessa rota. Neste ponto é interrompida a narrativa de suas
relações com a igreja dos coríntios, até 7.5, e Paulo insere uma longa
digressão sobre a natureza do ministério da nova aliança, no qual ele estava
engajado.
* 2.14 sempre nos conduz em triunfo. A
narrativa de Paulo muda, subitamente, da realidade visível de sua ansiedade
pelos crentes de Corinto e de seu desapontamento por não ter encontrado Tito em
Trôade, para o terreno espiritual. Paulo se vê como parte do cortejo triunfal
de Deus na cidade celeste, muito parecido com uma parada de vitória que um
antigo general lideraria, ao voltar à sua cidade, com cativos vencidos seguindo
atrás dos carros de combate. Mas aqui Paulo — ex-inimigo de Deus — é um alegre
cativo e participante das bênçãos da vitória do Rei. Nós também participamos
desse modo no domínio espiritual, marchando na parada de vitória do nosso
grande Rei, enquanto as forças do inimigo são esmagadas pelo seu avanço. A
despeito de retrocessos como Paulo sofreu em Trôade, os olhos da fé podem ver o
progresso inevitável do reino de Deus.
* 2.15 nós somos para com Deus o bom perfume de
Cristo. O fato de que somos como um bom perfume para Deus significa
que ele se deleita em nós e em nossas vidas. Esse é o mais real e final
cumprimento dos sacrifícios do Antigo Testamento, que eram um perfume agradável
a Deus (ver Lv 1.17).
* 2.16 Falando figuradamente, há uma fragrância
agradável, espiritualmente percebida, em torno dos crentes verdadeiros. Por
outra parte, essa fragrância é um "aroma de morte" para os
incrédulos, porquanto adverte-os de que estão despreparados para o dia do juízo
(Fp 1.28).
Quem, porém, é suficiente para
estas coisas? Anunciar uma mensagem de vida ou de morte eternas é uma
tremenda responsabilidade. Ninguém é digno de ocupar-se dessa solene tarefa,
mas mesmo assim Deus nos qualifica para ela (3.6).
* 2.17 nós não estamos. É uma
tragédia que então, como agora, muitos tenham pregado o evangelho ou o ensino
cristão apenas como um meio de ganhar a vida. O alvo de Paulo não era
beneficiar-se pessoalmente ou receber recompensa financeira, mas era a glória
de Deus.
na presença de Deus. Todo o
ministério de Paulo foi efetuado na presença de Deus, provendo-lhe um poderoso
motivo para manter sua consciência limpa (1.12; At 23.1; 1Tm 1.5; 2Tm 1.3).
* 3.1 Ambas as perguntas deste
versículo esperam a resposta "não". Paulo não rejeita de modo geral
as cartas de recomendação (ver At 15.25,26; 18.27; 1Co 16.10,11), mas ao que
parece, os oponentes de Paulo tinham trazido algumas cartas de recomendação à
igreja em Corinto, cartas das quais os portadores não eram dignos. Paulo
mostrou que sua carta era muito melhor, porquanto consistia na vida dos crentes
de Corinto (v. 2).
* 3.2 escrita em nossos corações. Os crentes
de Corinto tinham um lugar cativo nos afetos do apóstolo. Alguns manuscritos
dizem aqui "em vossos corações". Nesse caso, Paulo está dizendo aos
coríntios que, como igreja, eles são uma eficaz carta de recomendação para ele
(2.17; 1Co 9.2).
* 3.3 carta de Cristo... nosso
ministério. A igreja em Corinto era uma operação da graça divina mas
nessa obra Paulo e seus cooperadores tinham sido instrumentos de Deus.
não em tábuas de pedra. Os Dez
Mandamentos.
mas em tábuas de carne... nos
corações. O ponto frisado aqui por Paulo é duplo. Em primeiro lugar, a
"carta" que eram os crentes coríntios era superior às cartas de papel
e tinta de seus oponentes, bem como aos tabletes de pedra da lei mosaica. Em
segundo lugar, Paulo apresenta os frutos de seu apostolado como o cumprimento
de profecias do Antigo Testamento. Conforme fora predito em Jr 31.33 e Ez
11.19; 36.26, no novo pacto, Deus escreveu suas leis nos corações de seu povo,
dando-lhes um novo desejo e a capacidade de lhe serem obedientes. A lei escrita
nos corações é a imutável e pura lei de Deus, ou seja, o seu padrão moral
absoluto.
* 3.4—6.13 Depois de haver explicado
sua mudança de planos sobre a visita aos crentes coríntios, Paulo descreve o
que é um verdadeiro ministério cristão. Significa ser alguém ministro de um
glorioso novo pacto (3.4—4.6), confiando em Deus em meio a tribulações
(4.7—5.10), e falando a mensagem da reconciliação (5.11—6.13). Paulo insiste,
pelo resto da carta, que a fidelidade a essas tarefas — e não a eloqüência,
profundos pensamentos filosóficos, ou padrões mundanos de excelência pessoal —
é a base de um ministério válido.
* 3.4 tal confiança. Paulo
confia diante de Deus, que o seu ministério é autêntico, e que os crentes
coríntios são "carta de recomendação", que testificam dessa
autenticidade. Paulo não confiava em si mesmo, mas "por intermédio de
Cristo".
* 3.5 a nossa suficiência. Paulo
responde aqui à pergunta de 2.16: ("Quem, porém, é suficiente para estas
coisas?"). Antes, Paulo já havia desistido de qualquer dependência de
meras habilidades humanas (1Co 2.1-5). Infelizmente, seus oponentes avaliavam
as habilidades mundanas como mais valiosas do que aquelas que vêm exclusivamente
de Deus.
a nossa suficiência vem de Deus. Temos aqui
um dos grandes temas desta segunda carta aos Coríntios. Toda habilidade e poder
procedem de Deus, e não de nós mesmos.
* 3.6 uma nova aliança. O novo
relacionamento legal que Deus estabeleceu com seu povo, através de Jesus
Cristo, em sua vida, morte, ressurreição e ascensão aos céus.
não da letra. A lei
escrita, por si mesma, que requer obediência perfeita mas não dá poder para
isso.
o espírito vivifica. Essa é a
nova vida em Cristo. Nessa nova vida o Espírito Santo escreve a lei de Deus em
nossos corações (Jr 31.31-34; Hb 8.8-12; 9.13,14), conferindo-nos amor pelos
padrões morais divinos e poder para obedecê-los (Rm 8.4; 1Co 7.19). Ao dizer
que essa vida não é "da letra", Paulo não quer dar a entender que no
antigo pacto não havia qualquer vida espiritual. O que ele quis dizer que a lei
escrita, que foi uma das características do antigo pacto, não produzia a vida
na comunidade crente. O Espírito Santo, cujo ministério poderoso e doador de
vida é uma das características da nova aliança, traz-nos a nova vida em medida
muito maior do que o fazia sob a antiga aliança.
* 3.7 o ministério da morte. As
palavras escritas da lei do Antigo Testamento, por si mesmas condenavam aqueles
que não obedeciam, não lhes dando vida.
não poderem fitar a face de Moisés. O antigo
pacto não deixava de ter glória, embora tivesse sido escrito em tábuas de pedra
(Êx 34.29-35).
* 3.8 como não será de maior glória. O novo
pacto é mais poderoso, mais belo e mais íntimo.
* 3.9 o ministério da justiça. A retidão
nos é conferida por ocasião de nossa justificação, aquela graciosa declaração
legal com que começa a vida cristã. Ela continua na santificação, o crescimento
progressivo do crente em pensamentos, palavras e ações justos. A santificação
tem lugar mediante a graça, através da fé, mas também requer estudo, oração e
esforço consciente.
* 3.11 se o que se desvanecia. Isto é, a
antiga aliança (Hb 8.13).
* 3.12 tal esperança. O
esplendor da nova aliança, que não se desvanecerá e nem diminuirá, fornece
esperança ao apóstolo e serve de combustível para a sua ousadia.
muita ousadia no falar. Paulo de
maneira alguma se envergonhava de pôr-se de pé diante do mundo, a fim de
proclamar o evangelho excelente. A referência à "ousadia" vincula a
discussão dos vs. 7-11 com a defesa de Paulo de seu apostolado (10.1,2). Ele
era ousado, e não vacilante, conforme seus oponentes o acusaram de ser
(1.17—2.4); e a sua ousadia, assumindo a forma de uma fala destemida, tão
evidente nesta carta, fazia grande contraste com o egoísmo enganador de seus
oponentes (2.17).
* 3.13 Alguns têm pensado que o véu que Moisés
usava sobre o rosto visava proteger os israelitas de serem prejudicados ou de
ficarem assustados com seu resplendor. Mais provavelmente, porém, esse véu era
para impedi-los de ver que a glória estava desaparecendo, por causa do caráter
temporário e inadequado da antiga Aliança (Êx 34.29-35). Em contraste, Paulo
não precisava de qualquer véu, pois a glória do ministério do novo pacto não se
desvanece.
* 3.14 o mesmo véu permanece. Até o dia
de hoje, declarou Paulo, muitos judeus não podem perceber que o pacto mosaico é
temporário, e que seu resplendor se desvanece.
* 3.15 o véu está posto sobre o coração deles. A metáfora
altera-se levemente, conforme ocorre freqüentes vezes nos escritos de Paulo.
Agora o véu não estava mais no rosto de Moisés, mas nos corações dos israelitas
incrédulos. Porém o efeito é o mesmo — eles não podiam perceber que o antigo
pacto tinha-se desvanecido.
* 3.16 o véu lhe é retirado. Ver
"Entendendo a Palavra de Deus", em Sl 119.34.
* 3.17 o Senhor é o Espírito. Neste
versículo, Paulo revela a intima relação que há entre Cristo e o Espírito
Santo. Em virtude de sua ressurreição e ascensão, Cristo e o Espírito doador de
vida estão intimamente identificados em função (1Co 15.45). Também é possível
traduzir por "Ora, o Espírito é o Senhor". O Espírito Santo é vero
Deus, como o Pai e o Filho. Ele é conhecido simplesmente como "o
Senhor", no Antigo Testamento. Tal tradução dá um sentido natural à
palavra "é".
aí há liberdade. A
escravidão era para morte, pecado e esforço inútil de obedecer a lei pela nossa
própria capacidade.
* 3.18 E todos nós. Nós, os
crentes. Temos aqui a descrição de uma experiência característica dos crentes
da nova aliança.
contemplando, como por espelho. Diferente
de Moisés (v. 13), que se apresentava diante do povo de Israel com um véu no
rosto, para ocultar a glória que se desvanecia em sua fisionomia, Paulo se põe
de pé diante do povo, com "o rosto desvendado", sabedor de que a
glória da nova aliança jamais se desvanecerá. Por semelhante modo, "todos
nós" nos pomos de pé diante do mundo, refletindo em nossas próprias vidas
a glória de Cristo. Longe de termos uma glória que se vai desvanecendo, nossa
glória vai aumentando cada vez mais, conforme somos mais e mais transformados
na semelhança de Cristo. Ver "A Transfiguração de Jesus", em Mc 9.2.
na sua própria imagem. Uma
referência ao crescimento contínuo, ao longo da vida, que nos torna cada vez
mais parecidos com Cristo. Esse crescimento consiste em uma transformação moral
e espiritual "de glória em glória". Estamos sendo progressivamente
restaurados a uma possessão cada vez maior da imagem de Deus, que foi
corrompida em nós por ocasião da queda de Adão.
* 4.1 Paulo não desiste de sua
esperança, visto que o ministério do novo pacto, no poder do Espírito Santo, é
tão excelente e poderoso.
* 4.2 nem adulterando a palavra de
Deus. Isto significa "adulterar, falsificar". Paulo diz
que jamais diluiria a Palavra de Deus ou a distorceria para agradar aos ouvintes.
Mas ele deixa entendido que seus oponentes punham em prática tal adultério e
distorção.
* 4.3 O simbolismo do véu continua
aqui, transportado de 3.14-16. Aqueles que no presente estão perecendo (por não
confiarem em Cristo), estão cegos para a verdade.
* 4.4 o deus deste século. Satanás
(cf. 1Jo 5.19) influencia fortemente este mundo caído e perverso, o que
continuará até ao tempo da volta de Cristo, trazendo a era vindoura em sua
plenitude (cf. Gl 1.4).
cegou. O
resultado da ação de Satanás é que os incrédulos não podem apreciar ou
compreender plenamente as reivindicações do evangelho, a menos que Deus, por
meio do evangelho, os ilumine (4.6; Jo 3.3).
* 4.5 não nos pregamos a nós
mesmos. A questão crucial não era se as pessoas aceitam ou rejeitam
a Paulo, mas como eles respondem a Cristo. Os oponentes de Paulo aparentemente
enfocavam a atenção sobre si mesmos, e velavam a glória de Cristo com seu
próprio orgulho.
* 4.6 Porque Deus. Uma das
razões pelas quais não pregamos a nós mesmos é que somente Deus é capaz de
conferir vida espiritual.
que disse: Das trevas resplandecerá
a luz. A soberana iniciativa divina é necessária para capacitar-nos
a abraçar a mensagem do evangelho. Tal como a palavra criativa original de Deus
fez a luz onde não havia luz, assim também agora a palavra criativa de Deus dá
vida e compreensão espiritual do evangelho, onde, anteriormente, não havia nada
disso. Ver a nota teológica, "A Autenticação das Escrituras", índice.
da glória de Deus. No Antigo
Testamento, a glória de Deus era a luz brilhante que rodeava a presença de
Deus. Essa luz tinha guiado o povo de Israel para fora do Egito como uma coluna
de nuvem durante o dia e como uma coluna de fogo durante a noite (Êx 13.21,22).
Mais tarde, tinha enchido o tabernáculo erguido por Moisés (Êx 33.8-13;
40.34-38), e mais tarde ainda, encheu o templo de Salomão (1Rs 8.10,11). Mas
afastou-se do templo nos dias de Ezequiel, por causa dos pecados do povo de
Israel (Ez 10.4,18,19; 11.23). Essa glória só voltou com Jesus, que se tornou
carne e habitou entre nós. Escreveu o apóstolo João: "E vimos a sua
glória, glória como do unigênito do Pai" (Jo 1.14). A glória de Deus agora
brilha com um resplendor ofuscante "no rosto de Jesus Cristo".
* 4.7 este tesouro. O
ministério do evangelho e a companhia do poder na nova aliança.
em vasos de barro. Nossa
fraca natureza humana, que inclui mas não está limitada a nossos corpos
físicos. Essa fraqueza estabelece um grande contraste com a glória do
evangelho, e Paulo relembra-nos que a maneira de Deus atuar é agir através
daqueles que são fracos e nada impressionantes aos olhos do mundo.
de Deus. Um tema
característico desta carta. A preocupação de Paulo era sempre dar glória a
Deus, e não a si mesmo.
* 4.8 O grande evangelista e
teólogo também enfrentava grandes desencorajamentos.
* 4.10 Os sofrimentos e aparentes derrotas de
Paulo servem de evidência, diante de todos, de que ele não tem forças eficazes
em si mesmo, e que, tal como Cristo tinha morrido, assim também Paulo sabe que
estava "morto", em termos de sua própria capacidade de realizar
qualquer coisa que se revestisse de significação eterna. Paulo usa as
experiências-chaves de Cristo (sua morte e ressurreição) como padrão para
compreender as suas próprias experiências como um apóstolo. Por conseguinte,
Paulo vê os seus próprios sofrimentos como uma imitação dos sofrimentos de
Cristo (1.5, e nota).
para que também a sua vida. Nas
fraquezas de Paulo, o poder de Jesus se tornava continuamente conhecido (cf. Gl
2.20).
* 4.12 Embora Paulo tivesse sofrido muitas
dificuldades (a exemplo de Jesus), o resultado de seu ministério era a vida
espiritual e o poder da ressurreição em outras pessoas. Esse é um paradoxo que
o mundo jamais entenderá. Os recebedores de um ministério podem parecer viver
muito melhor neste mundo do que a pessoa que lhes traz o ministério, porquanto
aquele que o traz pode estar sofrendo por amor ao evangelho (8.9).
* 4.13 A fé expressa-se em palavras que afirmam
confiança naquilo que Deus prometeu. Aqui Paulo cita a Septuaginta (o Antigo
Testamento traduzido para o grego), no trecho de Sl 116.10.
* 4.15 para glória de Deus. O alvo
final de Deus ao responder às nossas orações e ao oferecer-nos as bênçãos da
salvação, é que lhe sejam oferecidas ações de graça e lhe prestemos glória (Is
43.7; Ef 1.12; Ap 4.11).
* 4.16 não desanimamos. Essa frase
repete-se no v. 1. Deus trazia glória a si mesmo, mesmo através das fraquezas e
desencorajamentos do ministério de Paulo.
mesmo que o nosso homem exterior se
corrompa. O contraste entre o que é exterior e o que é interior não
abrange somente o corpo e a alma, mas também entre a antiga natureza decaída e
a humanidade renovada.
* 4.17 a nossa leve e momentânea aflição. Uma
declaração incompleta. Ver as descrições dessas aflições em 4.8-12; 6.4-10;
11.23-33. Essas tribulações estão preparando uma grande recompensa para os
crentes. A nossa fé e obediência nos sofrimentos agradam a Deus, e ele não se
esquecerá de nós (Rm 8.17,18; 1Pe 1.6,7).
eterno peso de glória. As
aflições desta vida são leves e insignificantes, em comparação com a glória importante
e significativa de que desfrutaremos por toda a eternidade.
* 4.18 as que se não vêem são eternas. Um tema
frequente nesta carta. O mundo invisível é o mais real e mais importante,
enquanto que o mundo visível está se desvanecendo.
* 5.1 deste tabernáculo. Nossos
corpos físicos. Se os sofrimentos de Paulo deveriam conduzi-lo até à morte
física, algo muito superior espera por ele.
casa... nos céus.
Provavelmente temos aqui uma alusão aos nossos corpos ressurretos, embora para
alguns eruditos isso significa o lugar celestial que Deus tem preparado para
nós.
* 5.2 gememos. Suspiramos
frustrados diante das limitações desta vida, com seu pecado, fraqueza e
corrupção (Rm 8.22,23).
* 5.3 nus. Sem o
corpo.
* 5.4 Paulo anela por receber o
corpo ressurreto, livre das fraquezas e das imperfeições desta vida.
o mortal. O estado
de nossos presentes corpos físicos.
seja absorvido pela vida. A nova
vida celestial porvir substituirá a nossa existência presente. Ver
"Ressurreição e Glorificação", em 1Co 15.21.
* 5.5 o penhor. Ver nota
em 1.22. O Espírito Santo opera em nós atualmente numa renovação diária e num
fortalecimento espiritual (3.18; 4.16). E isso é uma amostra e garantia do
término futuro dessa obra, que culminará em corpos ressurretos e em uma
santificação completa.
* 5.7 Uma vez mais, Paulo especifica um contraste
entre o invisível reino espiritual da presença e atividade de Deus e o atual mundo
visível.
* 5.8 A doutrina do estado
intermediário entre a nossa morte e o retorno de Cristo ensina-nos que quando
os crentes morrem, eles, isto é, seus espíritos, vão imediatamente para a
presença de Cristo e ficam "presentes com o Senhor" enquanto que seus
corpos permanecem aqui e são recolhidos na sepultura (ver Lc 23.43; Fp 1.23).
Quando Cristo retornar, os corpos dos crentes serão ressuscitados dentre os
mortos e serão reunidos aos seus espíritos (1Co 15.22,23; 1Ts 4.14,16). Ver
"Morte e Estado Intermediário", em Fp 1.23.
* 5.9 Para lhe sermos agradáveis. Ver
"Agradando a Deus", em 1Ts 2.4.
* 5.10 Este versículo ensina que haverá graus de
galardões no céu. Embora os crentes tenham seus pecados perdoados e nunca
sofrerão os castigos próprios do inferno (Rm 6.23; 8.1), todos comparecerão
diante de Cristo no Dia do Julgamento, para receberem vários graus de
recompensa pelo que fizeram nesta vida (Mt 6.20; Lc 19.11-27; 1Co 3.12-15).
Esse julgamento incluirá o desvendamento e a avaliação dos motivos de nossos
corações (1Co 4.5).
* 5.11 conhecendo o temor do Senhor. Não o
terror da condenação eterna, mas um saudável e reverente temor do desagrado de
Cristo pelas escolhas que fizemos, o "bem ou o mal que tiver feito por
meio do corpo" (v. 10). Tal temor seria um saudável corretivo para aqueles
crentes de Corinto que estavam causando perturbações para Paulo, e poderia ter
corrigido as vidas de muitos crentes descuidados através dos séculos.
nos reconheça. Novamente,
um ponto-de-vista espiritual, nem sempre evidente para aqueles que vivem neste
mundo.
* 5.12 aos que se gloriam na aparência. Temos aqui
um método mundano de avaliação, contrário ao que se dava com um apóstolo
autêntico, o qual suportava as aflições por enfocar a sua atenção sobre o que
era invisível e eterno (4.18). Os falsos apóstolos de Corinto (11.13) também
eram típicos representantes do mundo, orgulhando-se em sua aparência externa,
dependendo de si mesmos, amando o dinheiro, o poder e o prestígio. Se os
crentes de Corinto compreendiam a autodefesa de Paulo em um sentido espiritual,
então eles teriam uma resposta para os falsos apóstolos e seus padrões
superficiais de julgamento (1Sm 16.7).
* 5.13 se enlouquecemos.
Provavelmente refere-se aos tempos de adoração e oração, quando Paulo era
apanhado na mais intensa consciência da presença de Deus. A linguagem de Paulo
não indica que ele perdia totalmente a consciência de seu meio ambiente
externo, pois a mesma palavra grega é usada para indicar pessoas que ficavam
"maravilhadas" diante dos milagres operados por Cristo (Mc 5.42;
6.51). O ponto frisado pelo apóstolo é que quer engajado em adoração
particular, quer engajado em ministério público, Paulo vivia para Deus e para o
próximo, e não para si mesmo (v. 15). Seus oponentes, por sua vez, não podiam
reivindicar para si mesmos tal coisa.
* 5.14 o amor de Cristo.
Gramaticalmente, isso poderia indicar o amor que temos por Cristo, ou o amor
que Cristo tem por nós. Visto que Paulo estava falando sobre o que Cristo
fizera por ele, provavelmente temos aqui uma menção ao amor de Cristo por nós.
um morreu por todos. Aqueles
por quem Cristo morreu são os mesmos que os "todos" que
"morreram" com ele, em resultado de sua morte, e que são mencionados
no fim do presente versículo.
* 5.16 Paulo enfatiza o julgamento espiritual e o
discernimento espiritual nas vidas e situações das pessoas. Nossa experiência
com o amor de Deus move-nos a parar de ver outras pessoas de acordo com os padrões
mundanos e a aprender como devemos vê-las do ponto de vista do grande ato
salvífico de Deus em Jesus Cristo.
a ninguém conhecemos segundo a
carne. Quando Cristo foi considerado de um ponto-de-vista mundano,
os homens o rejeitaram e o crucificaram como um blasfemador e um perturbador da
ordem. Do ponto-de-vista divino, porém, Cristo é o Messias e o Filho de Deus,
em quem recebemos a nova criação e a reconciliação com Deus.
* 5.17 em Cristo. A união com
Cristo resume a nossa experiência de redenção. Os crentes foram eleitos (Ef
1.4,11), justificados (Rm 8.1), santificados (1Co 1.2) e glorificados (3.18),
"em Cristo". Aqui Paulo enfoca a momentosa significação da união do
crente com o Salvador. Visto que Cristo é o "último Adão", aquele em
quem a humanidade é recriada (1Co 15.45; Gl 6.16; Ef 2.10), e que inaugurou a
nova era de bênçãos messiânicas (Gl 1.4; cf. Mt 11.2-6), a união espiritual dos
crentes com Cristo não é menor do que a participação na "nova
criação". A tradução "há uma nova criação", em lugar de "é
nova criatura" faz essa conclusão ressaltar com maior clareza; mas, em
ambos os casos, a idéia se faz presente.
* 5.18 Ora, tudo provém de Deus. O plano
inteiro da salvação e a história da redenção centralizam-se em Deus. Paulo
percebe que tudo vem do Senhor, é por meio dele e para a sua glória (Rm 11.36).
* 5.20 Paulo pode estar apelando diretamente para
os crentes coríntios para "reconciliarem-se com Deus". Mas ele também
está sumariando o apelo que dirige ao mundo inteiro. A reconciliação é o
estabelecimento ou restauração da comunhão amorosa depois da alienação. Para os
crentes, a reconciliação com Deus é renovada a cada dia, em certo sentido (Mt
6.12; 1Jo 1.9).
* 5.21 Temos aqui um importante resumo da mensagem
do evangelho. O versículo explica como Deus imputou nossos pecados a Cristo.
Deus, como juiz, atribuiu a Cristo a responsabilidade pelos nossos pecados,
possibilitando que Jesus fosse punido com justiça, pelos nossos pecados (Is
53.6; 1Pe 2.24). Este versículo mostra que Cristo foi o nosso substituto, tendo
aceito receber a pena do pecado em nosso lugar. Ver "A Impecabilidade de
Jesus", em Hb 4.15.
Para que, nele, fôssemos feitos
justiça de Deus. Não somente Deus imputou nossos pecados a Cristo, mas
ele também imputou a perfeita justiça de Cristo a nós (ou seja, ele contou essa
justiça perfeita como se fosse nossa). Essa imputação serve de base para a
realização progressiva da justiça de Deus em nosso caráter moral. Nossos
pensamentos e atos vão sendo santificados em medida crescente, até recebermos,
no céu, a perfeita retidão.
* 6.1 a que não recebais em vão. Se os
coríntios permitissem que sua igreja fosse arrastada pelos "falsos
apóstolos" (11.13), ou se se recusassem a purificar-se de "impureza,
tanto da carne, como do espírito" (7.1), a vida deles iria glorificando a
Deus menos e menos, e o evangelho que ouviram produziria fruto de pouca
duração.
* 6.2 eis, agora, o dia da
salvação. Quando Deus nos oferece livramento, é sábio responder
imediatamente, antes que o oferecimento seja retirado. "Agora", em um
sentido mais amplo, refere-se à era do evangelho, enquanto que, em um sentido
específico, refere-se ao tempo quando um indivíduo ouviu o oferecimento da
salvação divina.
* 6.6 Um verdadeiro ministro do
evangelho é conhecido por sua linguagem pura, pela sua conduta pura, pelos seus
motivos puros e pelo profundo amor que ele tem pelas pessoas.
no Espírito Santo. O poder do
Espírito Santo evidenciava-se no ministério de Paulo, infundindo poder à sua
pregação, convencendo os incrédulos do pecado (cf. Jo 16.8-11), ou conferindo
aos crentes dons espirituais (1Co 12.7-11). Essa obra do Espírito Santo era
outra maneira mediante a qual o ministério de Paulo era recomendado.
* 6.7 na palavra da verdade. Paulo
jamais comprometerá a santidade da verdade, ou dirá uma mentira a fim de lograr
algum alvo desejável.
no poder de Deus.
Geralmente esse poder se manifestava para operar milagres, produzir alguma cura
ou silenciar os inimigos (cf. At 14.3,9,10; 19.11,12; 20.10; 28.8,9; Rm 15.19).
pelas armas da justiça. Ou seja,
todo o armamento que deve ser usado contra a oposição humana ou demoníaca
(10.5,6; At 13.11; 16.18; Ef 6.10-18).
* 6.8-10 Uma série de paradoxos novamente ilumina o
contraste entre o ponto-de-vista deste mundo e o ponto-de-vista da era
vindoura, um ponto-de-vista invisível para o olho natural, mas visto pelo olho
da fé.
* 6.11 alarga-se o nosso coração. Paulo
revela seus sentimentos internos mais nesta carta do que em qualquer outra. Seu
"coração aberto" revela o amor dele por eles.
* 6.14 Não vos ponhais em jugo desigual com os
incrédulos. Paulo percebe uma realidade espiritual mais profunda na
proibição contra o jugo desigual encontrado em Dt 22.10.
com os incrédulos. Os falsos
apóstolos em Corinto afirmavam-se crentes, mas na realidade eram servos de
Satanás (11.14,15). Aliar-se a eles seria distorcer toda a vida e o ministério
da Igreja. A proibição contra ser posto em jugo desigual com os incrédulos deve
ser considerada em situações em que um controle significativo sobre as próprias
ações seria entregue voluntariamente a um incrédulo, mediante uma associação ou
sociedade. Nem Paulo e nem o resto do Novo Testamento nos dizem para não termos
qualquer associação com os incrédulos (Mc 2.15-17; 1Co 5.9,10). Mas somos
instruídos a não nos pormos em "jugo desigual" com eles de tal modo
que eles possam influenciar significativamente a direção e o resultado de
nossas decisões morais e de nossas atividades espirituais.
* 6.15 o Maligno. Um dos
nomes de Satanás.
* 6.16 nós somos santuário do Deus vivente. No Antigo
Testamento, o lugar de habitação de Deus com seu povo era o tabernáculo e, mais
tarde, tornou-se o templo erigido por Salomão. Quando Cristo veio, ele era, em
si mesmo, o verdadeiro templo ou lugar de habitação de Deus (Mt 1.23; Jo 2.21;
Cl 2.9). Agora, Deus Espírito Santo veio residir em nós, e, por essa razão,
somos o novo santuário de Deus (1Co 6.19; 1Pe 2.5).
como ele próprio disse. A promessa
veterotestamentária de que Deus habitaria entre o seu povo (citação paulina de
Lv 26.11,12) transformou-se na promessa da nova aliança de que Deus viveria
naqueles que confiassem em Cristo.
* 6.17 Esta citação é, principalmente, de Is 52.11
e Ez 20.34, embora a ordem das palavras tenha sido alterada. Estas ordens por
serem distintas têm tudo a ver com os incrédulos (cf. o v. 14; note que Is
52.11 ordena a Israel que saia da Babilônia incrédula). Estes versículos não
encorajam a separação dos crentes que defendem pontos-de-vista diferentes quanto
a certas questões.
* 6.18 Ver 2Sm 7.14,27. Paulo combinou várias
promessas do Antigo Testamento atinentes à presença e ao favor divinos, mas ele
faz o cumprimento dessas promessas depender claramente dos crentes separarem-se
da impureza moral. Desistir da contaminação moral e obter a presença do Deus
vivo, em lugar da contaminação, é uma escolha sábia e desejável.
* 7.1 Tendo... tais promessas. As
promessas do Antigo Testamento, citadas em 6.16-18.
purifiquemo-nos. Devemos
desempenhar um papel ativo e vigoroso na santificação (Fp 2.12,13).
de toda impureza. Paulo está
pensando em toda espécie de pecados, sem importar como eles se expressavam na
vida. A higiene física não está em pauta (Mt 7.15; 1Pe 3.21).
* 7.2 a ninguém tratamos com
injustiça. Uma vez mais, defendendo-se daqueles que o acusavam, Paulo
apela para um testemunho irrepreensível no ministério.
* 7.3 Paulo revela aqui quão
profundamente ele ama a igreja em Corinto; e não temos aqui uma linguagem
enganadora, mas uma expressão de seu "amor não fingido" (6.6).
* 7.5 Este versículo reinicia a
narrativa que ele interrompeu em 2.13. Mostra a perturbação de alma de Paulo,
quando uma igreja local, à qual ele amava profundamente, desviava-se da
obediência ao Senhor.
à Macedônia. Ao norte da Grécia, a caminho para
Corinto (2.12,13, notas).
* 7.6 Tito, finalmente, chegara na
Macedônia, trazendo boas novas sobre os coríntios e a reação deles para com a
"carta severa" de Paulo.
* 7.8 A "carta severa" de
Paulo (que não mais existe) foi escrita para repreender aos crentes de Corinto
por causa da conduta deles durante a visita anterior do apóstolo (2.3,4, notas
e Introdução: Data e Ocasião). Provavelmente, o problema era o fato deles, como
igreja, não defenderem Paulo contra a pessoa que o atacara. Este versículo
mostra claramente que um pastor amoroso algumas vezes deve causar tristeza
àqueles de quem ele cuida, se porventura caírem em pecado.
* 7.10 produz arrependimento.
Abandonando o pecado, uma decisão sincera de abandonar um pecado (ou pecados)
específico e começar a obedecer a Deus. Neste caso, o termo não se refere
especificamente ao arrependimento inicial que deve acompanhar a fé
verdadeiramente salvífica (Mc 1.15; At 3.19; 17.30; 26.20), mas ao abandono do
pecado na vida cristã.
para a salvação.
"Salvação", neste caso, não indica a conversão inicial, mas o
crescimento e o progresso na vida cristã. O crescimento cristão ordinário
inclui tempos de profunda tristeza por causa de algum pecado remanescente.
a tristeza do mundo. Lamentação
e tristeza de diferentes tipos, mas que não busca o perdão que há em Cristo.
* 7.11 Os crentes coríntios tinham reagido a Paulo
conforme ele imaginara quando Tito levara a eles a carta de admoestação.
* 7.12 não foi por causa do que fez o mal. Provavelmente,
não o homem que se fizera culpado de incesto, segundo se vê em 1Co 5.1, embora
muitos tenham entendido Paulo dessa maneira (2.5, nota).
diante de Deus. A vida
cristã é vivida diante dos olhos de Deus.
* 7.13 cujo espírito foi recreado por todos vós. O contato
pessoal dos crentes de Corinto com Tito, tinha encorajado a este último
espiritualmente, obtendo uma mudança notável nele.
* 7.15 com temor e tremor. Ao que
tudo indica, antes mesmo da chegada de Tito com a carta de admoestação, o Espírito
Santo tinha operado o arrependimento na igreja de Corinto.
* 8.1—9.15
Esta seção diz respeito à coleta de dinheiro para os crentes pobres de
Jerusalém (cf. At 19.21,22; Rm 15.25-28; 1Co 16.1-4).
* 8.1 a graça.
Contribuir com dinheiro para ajudar outros crentes em necessidade, era
resultado da graça divina. Deus proveu tanto os recursos como a disposição de
serem usados esses recursos.
às igrejas da Macedônia. Isto é,
Filipos, Tessalônica e Beréia.
* 8.3 Paulo conta à
comparativamente rica igreja de Corinto a generosidade das igrejas empobrecidas
da Macedônia, mais ao norte.
* 8.5 E não somente. Eles
fizeram muito mais do que os líderes cristãos esperavam.
deram-se a si mesmos. Eles
rededicaram suas vidas ao serviço do Senhor, e então a Paulo como seu servo.
* 8.7 em tudo, manifestais
superabundância. A despeito de suas dificuldades, a igreja em Corinto
era uma igreja forte em muitos sentidos. Eles eram possuidores de muitos dons
espirituais (1Co 12—14), vários dos quais são alistados aqui.
* 8.8 Não vos falo na forma de
mandamento. Paulo queria que as contribuições fossem dadas
voluntariamente. De modo geral, embora Paulo tivesse grande autoridade, ele
preferia pedir do que ordenar (Fm 14 e nota), um bom padrão para aqueles que
estão revestidos de autoridade (Mt 20.25,26).
* 8.9 sendo rico. Na glória e
na honra que ele possuía eternamente, no céu.
se fez pobre. O Filho de
Deus abdicou de sua glória celestial e veio à terra viver como um homem, a fim
de sofrer e morrer. Os crentes coríntios, à semelhança de Cristo, deveriam
entregar-se pelo bem de outras pessoas. Ver "A Humilde Obediência de
Cristo", em Jo 5.19.
* 8.10 Aqueles crentes tinham começado a
contribuir, em harmonia com as instruções de Paulo, em 1Co 16.1-3.
* 8.11 Como em todos os aspectos da vida cristã,
assim se dá com as contribuições. Bons motivos não são suficientes, mas devem
levar às boas ações, em consonância com nossas habilidades.
* 8.12 Conforme nos ensina a oferta da viúva
pobre, em Mc 12.41-44, a disposição para doar com generosidade é agradável a
Deus, embora a dádiva possa ser pequena, por ser pobre o doador.
não segundo o que ele não tem. Essa é uma
advertência contra dar ou prometer dar uma quantia que você realmente não tem,
na esperança de que Deus recompense. Fazer isso força uma prova sobre Deus (Lc
4.12). As pessoas deveriam doar conforme Deus as faz prosperar (1Co 16.2).
Ainda assim, a ofensa mais comum consiste em deixar de doar, imediata e
generosamente, quando Deus aumenta os rendimentos pecuniários.
* 8.14 haja igualdade. Não que
Paulo quisesse que todos os crentes tivessem iguais possessões ou iguais
rendimentos, mas o que ele desejava é que houvesse uma justa distribuição de
encargos. A palavra aqui traduzida por "igualdade" também poderia ser
traduzida por "justiça" (Cl 4.1). Paulo requeria equidade, e não uma
estrita igualdade.
* 8.15 Quando os israelitas recolhiam maná no deserto,
aqueles que recolhiam mais compartilhavam com os que tinham menos, e aqui, no
tocante a dinheiro, os ricos deveriam compartilhar com os necessitados.
* 8.17 Paulo está enviando Tito de volta a
Corinto, antes dele mesmo ir.
* 8.18 o irmão. Nenhum nome pessoal é aqui
fornecido, mas Lucas tem sido a sugestão mais frequente.
* 8.19 foi também eleito pelas igrejas. Havia algum
papel congregacional na seleção de representantes que acompanhassem a Paulo.
para a glória do próprio Senhor. Doar
dinheiro e administrá-lo não é algo mundano ou sem espiritualidade, mas algo
que honra o Senhor.
* 8.20,21 Paulo jamais gastaria inutilmente
qualquer parte da dádiva enviada a Jerusalém. Mas insistiu que representantes
de confiança, de várias igrejas, o acompanhassem (ver At 20.4), para que se
evitasse até a suspeita de desonestidade. Quanto a esta passagem, Calvino
comentou que "coisa alguma, com maior certeza, convida ataques caluniosos
do que estar manuseando dinheiro público". Outrossim, os representantes
agiriam como uma espécie de guarda-costas para alguém que transportava tantos
valores.
* 8.22 nosso irmão. Não foi
identificado.
* 9.2 a Acaia. A parte
sul da Grécia, onde Corinto ficava localizada.
* 9.5 e preparassem de antemão a
vossa dádiva. Paulo quer preservar o motivo de doações voluntárias e
generosas, e a quantia real que ele levaria a Jerusalém era de importância
secundária.
* 9.6 semeia... ceifará. Uma
metáfora baseada na vida agrícola — o agricultor que planta muito semeia uma
grande ceifa, mas uma plantação pequena produz uma colheita pequena. Essa
promessa também diz uma verdade dentro do terreno espiritual. Aqueles que derem
generosamente colherão do reino com abundância. Aquilo que é doado nunca se
perde; é semeado. Apesar de que Deus, às vezes, provê uma colheita generosa no
terreno físico e material àqueles que contribuem, esse não é o padrão e nem é a
promessa do Novo Testamento (8.9; 11.27; Lc 6.20,21,24,25; Tg 2.5).
* 9.7 Deus ama a quem dá com
alegria. Nossas ofertas podem e devem ser feitas com alegria.
* 9.14 Por meio de tais doações, as necessidades
são satisfeitas, e Deus é alvo de nossos agradecimentos. As orações dos
recebedores pelos doadores constituem não pequena recompensa.
* 9.15 Nossas doações são apenas uma pequena
imitação da própria excelente generosidade de Deus para conosco, especialmente
no caso do "dom indescritível" de seu Filho (Jo 3.16).
* 10.1—13.10 Nesses quatro capítulos, Paulo aborda o
problema dos falsos apóstolos (11.13), que tinham chegado a Corinto e que se
opunham à sua autoridade. Tito tinha trazido boas novas sobre os problemas
anteriores de Corinto, mas agora um novo problema requeria a atenção de Paulo.
O apóstolo confiava na igreja de Corinto (7.16), mas nem todos os crentes de
Corinto confiavam igualmente em Paulo. Entre 9.12-15 e 10.1, o tom do apóstolo
muda abruptamente, de algo positivo para a exasperação, quando Paulo defende o
caráter genuíno de seu chamado como apóstolo de Cristo. Quanto a uma discussão
sobre essa mudança de tom, ver Introdução: Dificuldades de Interpretação.
* 10.3 Um tema repetido nesta carta é viver não de
acordo com os padrões deste mundo ou de acordo com os pontos-de-vista desta
vida, mas de acordo com o poder espiritual e com a realidade espiritual.
* 10.4 as armas. A oração, a proclamação da
poderosa Palavra de Deus e a autoridade de expulsar a oposição demoníaca (ver
At 16.18; Ef 6.10-18). Ademais, também havia uma espécie de poderosa autoridade
apostólica que não era discutida com frequência, mas que se mostrou evidente na
sorte de Ananias e Safira (At 15.1-11) e na de Elimas (At 13.8-12).
para destruir fortalezas. Paulo está
falando sobre fortalezas espirituais, ou seja, centros de oposição demoníaca ao
evangelho (1Pe 5.8,9; 1Jo 5.19). Paulo sabia que seus oponentes, em Corinto,
eram servos de Satanás (11.14,15), mas isso não o assustou, pois o poder do
Espírito Santo, que nele estava, era muito maior que o poder de Satanás.
* 10.5 toda altivez que se levante contra o
conhecimento de Deus. Uma falsa sabedoria e argumentos sofisticados eram
algumas das armas usadas pelos servos de Satanás em seus ataques contra Paulo.
Paulo já havia salientado a diferença entre a sabedoria do mundo e a sabedoria
espiritual manifestada na cruz de Cristo, e tinha advertido aos crentes de
Corinto para não se deixarem iludir pela sabedoria do mundo (ver 1Co
1.18—2.16). Agora Paulo vê que seus oponentes tinham penetrado tão fundo, com
sua falsa sabedoria, que ele tinha de opor-se de novo a ela, com os termos mais
vigorosos e, ao mesmo tempo, recuperar a lealdade e a obediência dos crentes
coríntios.
levando cativo todo pensamento. Se todo
pensamento, então a pessoa inteira — nossas próprias idéias, motivos, desejos e
decisões — pertence a Cristo.
* 10.6 Se os crentes coríntios se aliam aos falsos
apóstolos, Paulo está pronto para puni-los, devido ao prejuízo espiritual que
eles causam.
* 10.8 Paulo sabe que ele deveria invocar a
autoridade que Cristo lhe dera, e advertir aos crentes de Corinto que ele
estava pronto para usar essa autoridade (v. 4, nota).
* 10.10 E a palavra, desprezível. Paulo não
dependia do tipo de oratória treinada, que o mundo tanto admira, e cujo
desígnio é obter glória para o orador. Aqueles que estavam sendo influenciados
pelos oponentes do apóstolo atacavam o ministério de Paulo ao dizerem que lhe
faltava essa habilidade.
* 10.11 Ver nota no v. 4.
* 10.12 não ousamos classificar-nos ou comparar-nos
com alguns. Agora veio à tona a questão que fez Paulo defender seu
apostolado tão vigorosamente. Encorajados pelos "apóstolos" rivais,
alguns crentes coríntios influentes tinham começado a comparar esses
recém-chegados com Paulo — em uma comparação na qual Paulo se saía como o
perdedor. Ele foi julgado deficiente como orador (v. 10; 11.5), fraco em seu relacionamento
com a igreja (vacilando entre a ousadia quando ausente e a timidez quando
presente, v. 10,11), sem amor para com eles, (ao recusar uma doação monetária
que, do ponto de vista deles, tratava-os como inferiores, 11.7-11; 12.14-18), e
deficiente quanto a certas experiências religiosas de "poder"
(12.1-5, e notas). Paulo, porém, recusava-se a comparar-se com seus oponentes
em seus pobres termos de jactância pessoal e de autopromoção. E quando ele
cedeu e se gloriou diante deles (11.16-18), ele o fez com ironia, usando a
forma de comparação, mas sempre rejeitando os valores falsos deles.
* 10.13 não nos gloriaremos sem medida. Paulo
tomará o crédito somente pelas coisas que Deus lhe havia permitido fazer, mas
isso incluía ter chegado a Corinto como apóstolo deles. Ele deixa entendido que
seus oponentes, em Corinto, com suas vanglórias, estavam se intrometendo em sua
área de responsabilidade.
* 10.16 para além das vossas fronteiras. Paulo
tinha a esperança de que os crentes de Corinto prosperariam espiritualmente e
se tornariam uma base da qual ele poderia partir para evangelizar outros povos
fora das fronteiras deles, presumivelmente em Roma e depois na Espanha (At
19.21; Rm 15.22-29).
* 10.17 Uma citação extraída de Jr 9.24.
"Gloriar-se" em alguma coisa significa declarar quão grandiosa é
alguma coisa, ufanar-se de alguma coisa. Toda a ufania de Paulo, nesta
epístola, termina por dar glória a Deus.
* 10.18 aquele a quem o Senhor louva. O
julgamento do Senhor é final, e afastará para um lado todo juízo humano. Paulo
tem sido cuidadoso em não fazer qualquer reivindicação, exceto o que estivesse
alicerçado sobre os propósitos de Deus e sobre aquilo que Deus tivesse
realizado. Ele conclui esta seção com o princípio muito básico de que uma
pessoa deveria buscar a aprovação de Deus, e não do homem (Mt 6.1-4; Jo 5.44;
Rm 2.29; Gl 1.10).
* 11.2 zelo por vós. Paulo
anela que os crentes de Corinto permaneçam leais a Cristo. Ele usa a metáfora
do noivado e do casamento. Se os coríntios seguissem os falsos apóstolos, eles
se desviariam de Cristo e lhe seriam infiéis. Então não mais poderiam
aproximar-se dele como uma "virgem pura". Fica suposto que o ideal
divino para o casamento não envolve relações sexuais anteriores — que uma noiva
deveria chegar a seu marido como uma "virgem pura", e seu marido
chegar-se-ia a ela também como tal.
* 11.3 Paulo sabe que os falsos apóstolos eram uma
perigosa ameaça espiritual, comparável à serpente (vs. 14,15; Gl 3.1).
* 11.4 outro Jesus... espírito diferente...
evangelho diferente. Estão em pauta as fortalezas, os argumentos e as
pretensões (10.4,5) dos oponentes de Paulo para distorcer a verdade de que o
"Jesus", o "espírito" e o "evangelho" deles
diferiam radicalmente daquilo que Paulo pregava (1Co 1.18—2.16; cf. Gl 1.6-9).
O "evangelho diferente" dos oponentes conforma-se tanto com as
maneiras mundanas de pensar que Paulo e seu ministério apostólico — um
ministério que manifestava a morte de Jesus através da adversidade e dos
sofrimentos (4.7-18; 6.4-10; cf. 1Co 4.8-13) — eram desprezados e rejeitados em
favor de ministérios que satisfaziam o gosto corrente pela eloquência, pela
sabedoria filosófica e por exibições espetaculares de poder espiritual (cf. 1Co
1.22-25).
* 11.5 a esses tais apóstolos. No
original grego há um indício de zombaria no uso que Paulo faz do título
destacado (literalmente, "superapóstolos), para seus oponentes em Corinto.
Talvez esse fosse até um título que eles aplicassem a si mesmos. E outros
pensam que eles usavam esse título para referirem-se aos apóstolos em
Jerusalém.
* 11.6 embora seja falto no falar. Ver nota
em 10.10.
* 11.7 gratuitamente. Quando
esteve em Corinto, Paulo providenciou seu próprio sustento (At 18.3), e também
aceitou ajuda de outras igrejas (v. 8). Alguns dos coríntios parecem ter ficado
ofendidos porque Paulo se recusou a aceitar suas dádivas, provavelmente
oferecidas ao apóstolo devido à sua prédica do evangelho a eles. Dar e receber
presentes eram, muitas vezes, meios para se estabelecer e manter amizades entre
pessoas de idêntica classe social. Dentro desse sistema, a recusa de Paulo de
receber ofertas pode ter sido tomada como um insulto, uma orgulhosa recusa de
deixar-se envolver com pessoas de classe inferior. Mas o apóstolo vê seu
relacionamento com os coríntios não do ponto-de-vista das convenções sociais
(5.16), mas do ângulo da nova criação (5.17), na qual ele fora chamado para ser
um apóstolo e pai espiritual. Como pai, ele pode ter dado corretamente algo aos
seus filhos, sem nada receber em devolução (12.14,15).
* 11.9 quando vieram da Macedônia.
Provavelmente de Filipos (Fp 4.15,16).
* 11.10 esta glória. Paulo
havia ministrado aos coríntios com grande sacrifício pessoal e gastos —
diferentemente dos apóstolos falsos, que aparentemente demandavam apoio
financeiro por parte da igreja (cf. os vs. 7 e 20).
nas regiões da Acaia. A região
em redor de Corinto.
* 11.13 Os oponentes de Paulo em Corinto não eram
irmãos na fé que diferiam em certas questões não-essenciais; eles eram,
realmente, servos de Satanás dentro da igreja, competindo para obter posições
de liderança.
* 11.14 Uma das artimanhas de Satanás consiste em
reivindicar estar fazendo o bem e, especificamente, enviar a uma igreja servos
seus que se dizem crentes mas que produzem apenas divisão, calúnia, imoralidade
e toda espécie de destruição. Disse Jesus a seus discípulos: "Por seus
frutos os conhecereis" (Mt 7.20; cf. At 20.29,30; 2Pe 2.).
* 11.15 O fim deles. Acabarão
sendo julgados e condenados por Deus.
* 11.20 Uma descrição de algumas das ações ousadas
dos falsos apóstolos.
* 11.22—12.10 Esta seção da epístola é conhecida como
"Discurso do Tolo". Nela, Paulo descreve o seu ministério em termos
que não poderiam ser igualados pelos falsos apóstolos. Contudo, ele não se
vangloriou de seu próprio conhecimento, de sua capacidade de falar ou de outras
habilidades, mas apenas de quanto tinha sofrido por amor a Cristo. Aqui a
jactância de Paulo é irônica — ele se "vangloriou" de coisas
normalmente consideradas vergonhosas, sinais de fraqueza e derrotas. Portanto,
essa jactância do apóstolo imitava ou parodiava a jactância de seus oponentes,
que louvavam a si mesmos diante dos coríntios em discursos extravagantes. Os
tópicos desta seção progridem até um clímax onde Paulo aborda aquilo que era o
principal fator nas mentes de seus críticos — experiências religiosas incomuns
(12.1-9).
* 11.22 São hebreus? Os
oponentes de Paulo eram judeus, talvez vindos de Jerusalém e reivindicando
serem endossados pelos apóstolos que residiam em Jerusalém.
* 11.23-27 Paulo, ao enumerar os sinais de um
autêntico servo de Cristo, salientou o sofrimento e a humilhação, enfatizando
de novo (conforme fez em 1Co 1—4) a Cristo crucificado.
* 11.23 Paulo revelou uma extrema hesitação ao falar
em favor próprio.
* 11.24 uma quarentena de açoites menos um. Quarenta
chibatadas eram o máximo que podia ser aplicado a uma pessoa, de acordo com Dt
25.3. Era um costume judaico limitar um pouco abaixo esse máximo, como
salvaguarda contra uma contagem errônea.
* 11.25 três vezes fustigado com varas. Uma dessas
ocasiões ficou registrada em At 16.22.
uma vez, apedrejado. Em
Listra, durante a primeira viagem missionária de Paulo (At 14.19), onde a
multidão julgou havê-lo matado.
uma noite e um dia passei na voragem
do mar. Há o relato de um naufrágio em At 27.39-44, mas 2 Coríntios
foi escrita antes disso, no tempo mencionado em At 20.2 (quando Paulo estava na
Macedônia). Os três naufrágios de que Paulo foi vítima devem ter acontecido
durante suas primeiras viagens missionárias.
* 11.26 O alvo de Paulo não era seu próprio conforto
ou segurança. Muitas das dificuldades que ele registrou nesta seção mais ampla
não foram registradas no livro de Atos. É difícil imaginar uma existência mais
cheia de percalços do que a de Paulo e, no entanto, ele era obediente a Deus e
deixou a sua vida nas mãos do Senhor.
falsos irmãos. Pessoas
fingindo ser crentes, que chegaram à igreja para causar problemas.
* 11.28 Paulo sentia profundamente as necessidades e
os sofrimentos de suas igrejas. Sua confiança no cuidado soberano de Deus não o
deixam frio e sem emoções.
* 11.32,33 Este incidente foi narrado de um
ponto-de-vista diferente em At 9.24,25. Aparentemente, os oponentes judeus em
Damasco persuadiram o governador a cooperar em seu complô contra Paulo. Embora
estes dois versículos possam parecer um tanto surpreendentes no contexto, eles
mencionam a primeira — e bastante humilhante — experiência de perseguição por
amor ao evangelho. O apóstolo teve um escape precário de uma autoridade civil
relativamente menor, como se fosse um fugitivo comum. Ele não estava se
apresentando como um herói.
* 12.1-6 Nestes seis versículos, Paulo continua a sua
"jactância" com o tópico de uma visão celestial. Sua narrativa contém
alguns elementos inesperados. Paulo não teve permissão de repetir as coisas que
ouviu na visão, e mais tarde ele recebeu um "espinho" doloroso (v. 7,
nota) enviado por Deus para mantê-lo humilde.
* 12.2 Conheço um homem em Cristo. Embora
estivesse falando indiretamente, Paulo aponta claramente para si mesmo.
ao terceiro céu. De acordo
com uma enumeração comum, o primeiro céu era a atmosfera das aves e das nuvens;
o segundo céu era o firmamento onde vemos as estrelas; e o terceiro seria o céu
propriamente dito, o lugar da habitação de Deus. Durante catorze anos, Paulo
não fizera dessa experiência um enfoque em seu ensino, conforme alguns teriam
feito. Seu enfoque era a mensagem de Cristo: "Não nos pregamos a nós
mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor" (4.5).
* 12.4 paraíso. Esse é o mesmo
"terceiro céu", do v. 2. A palavra grega para "paraíso" é
usada com vários sentidos fora do Novo Testamento, mas no Novo Testamento todas
as três ocorrências referem-se ao céu, o lugar onde os santos habitam com Deus
(Lc 23.43; Ap 2.7; e aqui).
* 12.6 mas abstenho-me. Paulo
queria que as pessoas o avaliassem à base do conhecimento de primeira mão que
possuíam dele.
* 12.7 um espinho na carne. Muitas
possibilidades têm sido sugeridas quanto a esse "espinho", como uma
enfermidades física de alguma espécie ("na carne"), um mensageiro
demoníaco que o incomodava ("um mensageiro de Satanás"), ou os
ataques constantes de perseguidores judeus. Através da história da Igreja,
nenhum acordo foi atingido entre centenas de comentadores. Conforme as coisas
se apresentam, o "espinho" das experiências de Paulo é aplicado
prontamente a uma certa variedade de testes, que ele teve de enfrentar durante
a vida. Poucos dos servos de Deus têm vivido livres de pelo menos alguma
espécie de empecilho, fraqueza ou oposição.
* 12.8 ao Senhor. Expressão
usual de Paulo para referir-se a Cristo, e não a Deus Pai. Embora as orações no
Novo Testamento, mais frequentemente sejam dirigidas a Deus Pai, este é um
exemplo de oração dirigida a Cristo (outros exemplos estão em At 1.24; 7.59;
1Co 16.22 e Ap 22.20). É notável que, em sua "jactância", Paulo
testifique sobre um pedido que ele fez mas que Deus não atendeu.
* 12.9 o poder se aperfeiçoa na fraqueza. Deus
realizaria os seus propósitos sem tirar de seu servo o espinho que parecia
servir-lhe de entrave. A despeito das debilidades humanas, a graça de Deus
atinge seus propósitos em um mundo decaído. Essa promessa da parte de Deus sem
dúvida conferiu forças e encorajamento em sofrimentos subsequentes.
Resumidamente Paulo vincula o princípio geral à sua ordem — a cruz de Cristo
(13.4). A reação inteira de Paulo aos
ataques à sua autoridade apostólica era moldada conscientemente sobre Cristo, e
este crucificado, e não no chamado "Jesus" e no "evangelho"
diferente que seus oponentes impingiam sobre os equivocados crentes coríntios
(11.4, nota).
* 12.10 A visão espiritual de Paulo era tão clara que
ele podia ver seus sofrimentos como razões para regozijar-se, porquanto sabia
que em todos eles o poder de Cristo estava atuando.
* 12.11 a isto me constrangestes. Paulo teve
que "jactar-se" de suas fraquezas como apóstolo porque a isso os
crentes de Corinto o haviam compelido, quando, apesar de o conhecerem bem, não
o tinham defendido contra os falsos apóstolos, mas pelo contrário, haviam sido
seduzidos (11.1-3) por destacadas reivindicações e por falsas críticas contra
Paulo.
* 12.12 as credenciais do apostolado. De acordo
com a compreensão comum, os "sinais de um apóstolo" eram simplesmente
milagres "maravilhas e feitos poderosos". No entanto, nesta carta,
Paulo apontou para outros sinais que o distinguiam dos falsos apóstolos: as
vidas transformadas dos crentes de Corinto (3.2,3), o caráter impoluto de seu
ministério (6.3-10; 7.2; 8.20,21), seu amor genuíno pelas igrejas (6.11,12;
7.3; 11.7-11), e o fato que ele suportava sacrificialmente os sofrimentos
(6.3-10; 11.23-33). Em adição a esses sinais, Paulo está pronto para mencionar
sinais miraculosos, mas sem demorar-se sobre os mesmos. Ver 1Co 13.2; "Os
Apóstolos", em At 1.26.
* 12.14 pela terceira vez. Ver
Introdução: Data e Ocasião. A primeira visita ocorrera durante a segunda viagem
missionária de Paulo (At 18.1-18). A segunda visita não ficou registrada, mas
deu-se em algum tempo durante a permanência de Paulo em Éfeso (At 19.1-41).
Não vou atrás dos vossos bens, mas
procuro a vós outros. Nisso Paulo se diferenciava daqueles pregadores cuja
meta era sua própria vantagem financeira.
* 12.16 sendo astuto, vos prendi com dolo. Talvez os
oponentes de Paulo estivessem dizendo que seu aparente altruísmo era um ardil
para enganá-los. Paulo respondeu que ele nunca os explorara através de outros
(v. 17).
* 12.18 Tito iria à frente de Paulo (8.6,16,17).
* 12.19 Paulo novamente enfatiza que ele não vinha
falando em prol de sua própria reputação ou glória, mas visando o bem da igreja
e a glória de Deus. E novamente ele revelou uma forte consciência de que tudo
quanto escrevia e fazia, era feito
"perante Deus".
* 12.21 Os laços paternais de Paulo com a igreja de
Corinto eram fortes, e ele sabe que se retornasse e encontrasse a alguns deles
(seus "filhos", v. 14) ainda desobedientes, isso seria humilhante
para ele, tal como os pais são humilhados pelo mau comportamento de seus
filhos.
muitos que, outrora, pecaram e não
se arrependeram. Os falsos apóstolos não eram o único problema em
Corinto. Havia alguns crentes ainda envolvidos no pecado, e Paulo os advertiu.
* 13.1 terceira vez. Ver nota
em 12.14. Paulo cita Dt 17.6 e 19.15. As "duas ou três testemunhas"
mui provavelmente não significam que Paulo tinha feito duas ou três visitas a
Corinto (pois Paulo continuaria sendo para sempre uma única testemunha), mas
antes, é um lembrete de que quando ele chegasse, todas as acusações seriam
julgadas com justiça e tratadas de forma justa.
* 13.3 de que, em mim, Cristo fala. Uma forte
declaração da autoridade apostólica de Paulo. O próprio Cristo estava falando
por intermédio de Paulo, e as palavras de Cristo por meio dele haveriam de
silenciar poderosamente quaisquer ofensores.
* 13.4 A vida de Paulo (como a de todos os
crentes) estava unida a Cristo em sua morte e ressurreição, e ele continuou a
compartilhar no poder ressurreto de Cristo enquanto permaneceu vivo.
* 13.5 Examinai-vos a vós mesmos... provai-vos. Ver 1Co
11.28; Gl 6.4. As palavras de Paulo ajudam a esclarecer a doutrina da certeza
da fé. Paulo pede aos crentes de Corinto que examinem as próprias vidas pela
evidência da salvação. Tal evidência incluiria a confiança em Cristo (Hb 3.6),
a obediência a Deus (Mt 7.21), o crescimento na santidade (Hb 12.14; 1Jo 3.3),
o fruto do Espírito (Gl 5.22,23), o amor enter os cristãos (1Jo 3.14), a
influência positiva sobre outras pessoas (Mt 5.16), a aderência ao ensino dos
apóstolos (1Jo 4.2) e o testemunho do Espírito Santo dentro deles (Rm 8.15,16).
* 13.12 Todos os santos. Crentes da
igreja para a qual Paulo estava escrevendo (Introdução: Data e Ocasião).
* 13.14 Uma bênção trinitária. Ver "Um e Três: A
Trindade", em Is 44.6.
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sergiovalentin