* 24.1-25 Este capítulo é uma conclusão
apropriada para os livros de Samuel. Davi aparece conforme ele era, um pecador,
mas um pecador sempre pronto a arrepender-se e a lançar-se sobre os cuidados da
misericórdia divina (12.13 e nota). Uma outra nota apropriada é a associação
entre a eira de Araúna (vs. 18-25) com o monte Moriá, o futuro local do templo
(1Cr 22.1; 2Cr 3.1; Gn 22.2).
* 24.1 Tornou. Se a
intenção aqui é apontar para uma ocasião específica, provavelmente deva estar
se referindo à fome de 21.1.
incitou a Davi. O pronome
“ele” aqui deve ser entendido como sendo o Senhor (cf. 1Sm 26.19). De acordo
com 1Cr 21.1, entretanto, foi Satanás quem impulsionou a Davi. A questão aqui
enfocada é o mistério da presença e da prática do mal. As Escrituras dizem que
Deus não é o autor do mal (Tg 1.13-15), mas também nos ensina que os atos
ímpios dos homens e de Satanás não ficam fora da soberana determinação de Deus
(Êx 4.21; 1Sm 2.25 e nota: 1Rs 22.20-23; Jó 1.12; Ez 14.9; At 4.27,28). Satanás
é uma criatura, e, portanto, absolutamente subordinada à soberania de Deus. As
atividades e os desejos de Satanás não podem criar um espaço isento do controle
de Deus, que fuja dos propósitos divinos.
levanta o censo de Israel e de Judá. Fazer o
recenseamento não parece ter sido algo errado em si mesmo (Nm 1.1,2; 4.1,2;
26.1-4), mas ver Êx 30.11,12. O ato do recenseamento aqui pode ter tido origem
numa falta de confiança no coração de Davi, ou mesmo no desejo de obter
controle sobre a providência divina, ao fazer um inventário dos recursos
visíveis de Deus. Pelo fato de que o relato (v. 9) enfatiza a força militar,
pode sugerir que Davi queria ter mais territórios do que aqueles que o Senhor
lhe havia concedido.
* 24.2 de Dã até Berseba. Uma
expressão proverbial que indicava o território de Israel.
* 24.3 mas, por que. A razão da
relutância de Joabe não é declarada. Poderia haver, com igual naturalidade uma
razão política ou religiosa, pois o povo poderia interpretar o recenseamento
como um sinal de que Davi planejava aumentar os impostos ou convocar mais
soldados.
* 24.5-7 Estes versículos indicam que
o recenseamento foi iniciado pela região sul, a leste do rio Jordão, tendo
continuado em sentido anti-horário, por toda a região, até chegar, finalmente a
Berseba.
* 24.8 nove meses e vinte dias. A maior
parte desse tempo foi gasto fazendo-se o recenseamento; a própria viagem teria
sido realizada em questão de poucas semanas.
* 24.9 em Israel, oitocentos mil
homens... em Judá eram quinhentos mil. 1Cr 21.5 diz "um milhão e cem
mil" e "quatrocentos e setenta mil", respectivamente. Quanto a
essa diferença, ver as notas em 1Cr 21.5.
* 24.10 perdoes a iniqüidade. O apelo
de Davi, pedindo perdão, pode ter sido concedido por Deus antes da chegada de
Gade (vs. 11-13). Mesmo assim, tal como no caso do pecado de Davi contra Urias
e Bate-Seba, o perdão recebido não significava que o pecado não teria maiores
conseqüências (v. 13; 12.13,14).
* 24.12 Vai, e dize a Davi. O Senhor
enviou Gade para confrontar a Davi, da mesma maneira que antes tinha mandado o
profeta Natã (12.1 e nota).
* 24.13 fome... inimigos... peste...
Subentendida na ameaça da perseguição por parte de "inimigos" era a
perda de vida pela espada, conforme 1Cr 21.12 deixa explícito. Fome, espada e
praga formam a tríade de "ais", uma ameaça contra a quebra da aliança
por causa de um coração endurecido (Lv 26.23-26; Dt 28.21-26; 32.24,25; 1Rs
8.37; 2Cr 20.9; Is 51.19; Jr 14.12; Ez 6.11,12).
* 24.14 caiamos nas mãos do SENHOR.
Tecnicamente, isso permitiria a primeira ou a terceira opção, ou seja, a fome
ou a praga. Algumas vezes a escolha de Davi é inferida como tendo sido egoísta,
mas todas as três opões, incluindo a fuga de inimigos, custaria vidas (v. 13,
nota). A motivação que impelia Davi era inteiramente diferente, porquanto ele
já havia aprendido que as misericórdias do Senhor são grandiosos (v. 16; cf. Êx
34.6,7; Ne 9.17; Sl 30.5; 86.14-16; 103.8-10; Is 54.7,8; 60.10; Os 11.8,9; Jl
2.13).
* 24.15 de Dã até Berseba. Ver o v.
2.
* 24.16 Anjo do SENHOR. Ver nota
em Gn 16.7. Quanto aos anjos do Senhor como agentes de julgamento, ver Êx 33.2;
Sl 35.5,6; 78.49; Mt 13.41; At 12.23.
eira de Araúna. Ver nota
em 24.1-25.
* 24.17 Seja, pois, a tua mão contra mim. O coração
de Davi, tal como o coração de Deus (v. 16), se entristeceu ante o sofrimento
que ele viu entre seu povo, suas "ovelhas". Na qualidade de seu
rei-pastor, ele sentiu compaixão, e, sem saber que Deus, em sua misericórdia,
já havia afrouxado a sua mão (vs. 16, 21), pediu que Deus pesasse sua mão
somente sobre ele. Davi merecia ser punido por seu pecado, ao passo que o povo
era inocente. A oferta de Davi como pessoa culpada, para sofrer no lugar das
"ovelhas" inocentes, não é uma analogia muito próxima da morte de
Cristo por amor às suas ovelhas (Jo 10.11), embora a linguagem seja similar.
Cristo era inocente, e morreu pelos culpados.
* 24.22 holocausto. Ver nota em 1Sm 10.8.
* 24.24 não oferecerei ao SENHOR meu Deus,
holocaustos que não me custem nada. Embora a graça e o perdão de Deus
sejam gratuitos, Davi compreendia que a adoração apropriada a Deus nunca é
barata ou negligente (cf. Ml 1.6-14; 2Co 8.1-5). O testemunho coerente das
Escrituras é que Deus merece o melhor de nós, as "primícias" ou os
primeiros frutos (Nm 18.12; Dt 18.3-5; 26.10; Ne 12.44; Pv 3.9).
cinqüenta siclos de prata. 1Cr 21.25
registra uma soma muito maior de seiscentos siclos de ouro, provavelmente
referindo-se a uma transação muito maior, da qual os cinqüenta siclos de prata
representavam apenas uma parte.
* 24.25 holocaustos e ofertas pacíficas. Ver nota
em 1Sm 10.8.
O SENHOR se tornou favorável para
com a terra. Uma declaração quase idêntica é feita em 21.14.
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