* 3.1 a guerra entre a casa de Saul
e a casa de Davi. Pelo menos nas tribos do Norte, a transferência de
poder para Davi, após a morte de Saul, não foi feita sem resistência. Uma
figura chave no apoio a Saul foi Abner, comandante militar de Saul que tinha
instituído o filho sobrevivente de Saul, Is-Bosete, como rei em Maanaim
(2.8,9). Mas a maré estava a favor de Davi (2.30,31, nota).
* 3.2-11 A
lista de seis filhos de Davi (vs. 2-5) ampliou a declaração do v. 1, de que
"Davi se ia fortalecendo", ao passo que o desentendimento entre Abner
e Is-Bosete, por causa de uma concubina (vs. 6-11) realçam a declaração final
do v.1, "os da casa de Saul se iam enfraquecendo".
* 3.2 Em Hebrom, nasceram filhos a
Davi. Conforme revela a lista que se segue, Davi tomou mulheres
adicionais em Hebrom. Em 5.13-16, depois da chegada de Davi em Jerusalém, ainda
mais esposas e concubinas foram acrescentadas, e pelo menos mais onze filhos
teriam nascido a Davi (ver a lista acumulada em 1Cr 3.1-9). Apesar de o
narrador não apresentar qualquer avaliação explícita sobre o comportamento de
Davi (os antigos reis do Oriente Próximo comumente multiplicavam esposas e
filhos), isso viola os padrões determinados em Dt 17.17.
* 3.3 Maaca, filha de Talmai, rei
de Gesur. O casamento de Davi com uma esposa estrangeira do pequeno
reino arameu de Gesur pode ter tido motivos políticos, dando-lhe um aliado ao
norte do reino instável de Is-Bosete.
* 3.7 Por que coabitaste com a
concubina de meu pai? A apropriação por Abner de uma certa concubina de
Saul equivaleria à reivindicação ao trono de Israel (12.8, nota; 16.21, nota;
1Rs 2.22). O leitor não é informado se a suspeita de Is-Bosete era bem
fundamentada ou era simples paranóia. Seja como for, Abner usou essa acusação
como uma oportunidade para mudar sua lealdade para com Davi (vs. 8-10).
* 3.9 como jurou o SENHOR a Davi. Ver 5.2,
nota; 1Sm 13.14, nota; 15.28; 24.20, nota.
* 3.10 Dã até Berseba. Uma
expressão proverbial que indica o "país inteiro" (ver Jz 20.1).
* 3.11 o temia. A reação
de Is-Bosete indica que Abner tinha condições não somente de ameaçar, mas
também de cumprir a sua ameaça.
* 3.12 De quem é a terra? Abner quis
dizer que a terra era dele, como alguém que a controlava e podia dá-la a Davi,
ou então que a terra pertencia a Davi por direito, e que Davi deveria valer-se
da ajuda de Abner, para poder tomar posse dela.
* 3.13 trouxeres a Mical, filha de
Saul. Devolver a Davi a sua esposa, Mical (ver 1Sm 18.27), não
somente corrigiria o erro de Saul por tê-la dada como esposa a outro homem, na
ausência de Davi (1Sm 25.44), mas também fortaleceria a reivindicação de Davi
ao trono de Saul. As restrições de Dt 24.1-4 não se aplicam à esta situação,
visto que a separação que houve entre Davi e Mical foi involuntária.
* 3.14 enviou Davi mensageiros a
Is-Bosete. A insegurança da posição de Is-Bosete se evidencia não
somente em seu temor de Abner (v. 11), mas também em sua incapacidade de
resistir às ordens de Davi.
cem prepúcios de filisteus. Davi
referiu-se ao preço de uma noiva que Saul havia estabelecido em troca de Mical
(1Sm 18.25); o pagamento que ele fizera realmente fora o dobro do preço
combinado (1Sm 18.27).
* 3.16 Baurim.
Normalmente identificada como sendo um local a cerca de 2,4km a leste de
Jerusalém, no território de Benjamim. Baurim foi o lugar de origem de Simei,
filho de Gera (16.5; 1Rs 2.8).
chorando. Um rápido
vislumbre do sofrimento causado por feitos fora do controle desse homem.
* 3.17 procuráveis que Davi reinasse
sobre vós. Ver o v. 1, nota. Ao que parecia, Is-Bosete e Abner era
tudo quanto se interpunha no caminho das relações harmoniosas entre Davi e
Israel. Aqui Abner saiu de cena, e Is-Bosete não haveria de resistir por muito
tempo sem ele (cap. 4).
* 3.18 Davi, meu servo. Davi é
agora reconhecido como o detentor de uma comissão primeiramente outorgada a
Saul (ver 1Sm 9.16).
* 3.21 para fazerem aliança contigo. Ver 5.3.
em paz. A
repetição desta frase por duas vezes mais, nos vs. 22 e 23, sublinha o fato que
Davi não estivera envolvido na morte de Abner; ver também os vs. 26,28,29,37.
* 3.24 A agitação de Joabe diante da
idéia da partida pacífica de Abner torna-se evidente em suas palavras a Davi.
* 3.26 o poço de Sirá. Ficava a
poucos quilômetros ao norte de Hebrom.
sem que Davi o soubesse. Esta
observação é outra confirmação da inocência de Davi quanto à morte de Abner
(vs. 21-23,28,29,37).
* 3.27 em vingança do sangue de seu
irmão Asael. Ver também o v. 30. Em 2.18-23 a morte de Asael por Abner é
retratado, essencialmente, como uma questão de defesa própria, e o contexto da
batalha no ato de Abner deixa duvidoso se Joabe tinha o direito de agir como
"vingador do sangue" (14.11; Nm 35.16-25; Dt 19.11-13; Js 20.3).
Joabe também pode ter desejado eliminar um rival em potencial na corte de Davi
(ver seu assassinato de Amasa, em 20.10).
* 3.28 Inocentes somos eu e o meu
reino. Ver os vs. 21-23,26,37.
* 3.29 Caia este sangue sobre a cabeça
de Joabe. A decisão de Davi de proferir uma maldição sobre a casa de
Joabe, em lugar de tomar ação disciplinar direta pode ter sido um resultado das
circunstâncias ambíguas do crime de Joabe. Mais provavelmente, porém, tais
fatores como o poder considerável de Joabe e sua reputação incluindo seu
relacionamento familiar com Davi tenham influenciado a sua decisão. Em última
análise, porém, o crime de Joabe não deixou de ser punido (1Rs 2.5,6,28-35).
* 3.39 mais fortes. Ou seja,
mais "implacáveis". Ver o v. 29, nota; cf. 16.10; 19.22.
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