* 2.1 à vinda... e à nossa reunião com ele. Trata-se do arrebatamento dos santos
mencionado em 1Ts 4.17 (nota). Paulo
parece equiparar a ocasião da volta de Cristo e do arrebatamento com o
"dia do Senhor" (1Ts 5.2; cf. 1Co 1.7,8; Fp 2.16). Na cena aqui descrita, todos os crentes estão
reunidos perante o Senhor "em sua vinda" (1Ts 2.19) e "no Dia de
Jesus, nosso Senhor" (2Co 1.14). É
preciso vir a "apostasia" e manifestar-se o "homem da
iniqüidade" (v. 3) antes que chegue o dia do Senhor e, por conseguinte,
antes do arrebatamento dos santos. Se os
falsos mestres diziam ter chegado o dia
do Senhor (v. 2) e estavam antecipando o arrebatamento para qualquer momento,
era possível provar o seu erro pela ausência desses sinais precedentes.
* 2.2 epístola. Não se prova por essas palavras que já
houvesse uma carta forjada sob o nome de Paulo, senão que Paulo admitia tal
possibilidade. Pode ter chegado ao seu
conhecimento que o novo ensino estava circulando com a pretensão de ter sua autoridade. A proibição imposta por Paulo visa garantir
que nenhum meio de ensino — nem mesmo uma suposta carta sua — deveria receber
atenção caso afirme que já chegou o dia do Senhor (cf. Gl 1.8).
* 2.3 a apostasia. O termo pode referir-se à uma apostasia de
muitos de dentro da igreja (1Tm 4.1; 2Tm 3.1-9; Jd 17-19), à uma apostasia do
povo judeu ou à uma rebelião de alcance mundial contra Deus.
o homem da iniqüidade.
Trata-se da personificação da iniqüidade, cujas arrogantes blasfêmias
são listadas por Paulo (cf. 1Jo 2.22).
Ele atrairá pelo engano os que já estiverem inclinados contra o
verdadeiro Deus (v. 10) e cometerá finalmente o sacrilégio de impor-se à
humanidade como objeto de sua adoração (v. 4).
Ele vem pelo poder de Satanás e faz milagres fraudulentos assim como
Cristo veio pelo poder de Deus e fez milagres verdadeiros (v. 9; cf. At
2.22). Paulo retrata esse impostor como
uma paródia ou antítese do verdadeiro Cristo.
Paulo mesmo não usa o termo "anticristo" (1Jo 2.18,22; 4.3)
mas o termo é apropriado. Seu destino
está selado; ele será destruído por ocasião da vinda de Cristo. Ver "A Segunda Vinda de Jesus" em
1Ts 4.16.
* 2.4 se levanta contra tudo que se chama Deus. Essa descrição do homem da iniqüidade reproduz
a do pequeno "chifre" em Daniel (Dn 7.8,20,25; 8.9-12; cf. 11.31,36)
e antecipa a descrição que João faz da besta que emerge do mar (Ap 13.1-8).
a ponto de assentar-se no santuário de Deus. Alguns, a partir desse versículo, deduzem que
o templo de Jerusalém, ainda existente quando essa carta foi escrita mas
destruído no ano 70 d.C., há de ser reconstruído para uso do "homem da
iniqüidade". Outros tomam a palavra
"templo" em um dos outros sentidos que têm no Novo Testamento, como a
Igreja (Ef 2.19-22; 1Pe 2.5). A
referência pode ser uma maneira intencionalmente exagerada de falar sobre as
aspirações do impostor ao poder celestial.
Da mesma forma que o rei da babilônia, um outro protótipo do pecado,
queria estabelecer o seu trono no céu (Is 14.13,14; cf. o rei de Tiro, em Ez 28.2),
assim também o homem da iniqüidade se vangloriará de possuir o santuário
celeste de Deus (Ap 13.6).
* 2.6 A identidade do que "detém" o homem
da iniqüidade (vs. 6 e 7; cf. Ap 20.1-3) deixou de ser evidente para os
leitores modernos de 2 Tessalonicenses.
Os intérpretes têm proposto um grande número de alternativas. O poder que detém parece ser, ao mesmo tempo,
impessoal (v. 6, "o que o detém") e pessoal (v. 7, "aquele que
agora o detém"). É possível, assim,
que se trate de uma instituição que podia ser representada por uma única
pessoa, tal como o estado romano com seu imperador, o estado judaico com o seu
líder, ou o ministério universal do evangelho com Paulo sendo seu principal
ministro. Seja qual for a exata aplicação, está claro que por detrás do poder
que detém está a vontade de Deus.
* 2.7 já opera. Apesar do homem da iniqüidade ainda não ter
aparecido, Paulo não permitirá que os seus leitores baixem a guarda. O mesmo poder satânico que gerará no fim esse
enganador sacrílego, já estava em ação nos dias de Paulo (1Jo 2.18) e age
também em nossos dias. Porque agora está detido, a igreja é
fortemente encorajada a desencumbir-se de sua missão.
* 2.8 com o sopro de sua boca. Essa descrição é de Is 11.4. Também reaparece em Ap 19.15,21, onde a besta
e o falso profeta encontram o seu completo fim.
* 2.9 A vinda de Cristo será precedida pelo
"aparecimento do iniquo".
* 2.13,14 Há um tesouro de ensinamento nesses dois
versículos. Temas centrais da doutrina
bíblica da salvação — eleição, vocação, fé, santificação e glorificação — estão
presentes e respectivamente relacionados.
Há um agir harmonioso de todas as três pessoas da Trindade: Deus o Pai
escolhendo e chamando, Deus o Filho compartilhando ao seu povo sua glória e
Deus Espírito Santo comunicando sua graça santificadora (1Pe 1.2).
* 2.13 Entretanto. Com essa palavra, Paulo passa a certificar
seus leitores de que não os inclue entre os que acabou de mencionar nos vs. 11
e 12, os quais se recusam a amar a verdade e que cairão presas do engano.
Deus vos escolheu.
Ver nota em 1Ts 1.4. Desde o
princípio (Ef 1.4), Deus os escolheu "pela" santificação e fé na
verdade e não "por causa" dessas ações. De acordo com Paulo, os eleitos não podem
continuar a viver de forma ímpia depois que foram convertidos.
* 2.14 para o que. Isto é, para a salvação.
vos chamou.
Sobre a vocação divina, ver 1.11; 1Ts 2.12; 1Tm 6.12 e nota teológica
"Vocação Eficaz e Conversão", índice.
mediante o nosso evangelho. O evangelho, que ocupa-se do Filho de Deus
(Rm 1.3), é o meio empregado por Deus para chamar os pecadores à glória.
para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo. Um outro modo de falar sobre a salvação à
qual fomos chamados por Deus (Rm 8.30; 1Ts 2.12; 1Pe 5.10).
* 2.15 guardai as tradições. Paulo transmitiu, por palavra ou por carta,
tradições práticas e doutrinárias autoritativas (Rm 6.17; 1Co 11.2,23; 15.3;
2Tm 1.13).
epístola. Provavelmente 1 Tessalonicenses.
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sergiovalentin