* 1.1-3 A maior parte de Apocalipse
(1.4-22.21) apresenta a forma duma carta com saudações, desenvolvimento e
despedida. Este prólogo ajuda a orientar os leitores quanto ao conteúdo que
eles esperam encontrar no livro. É dada ênfase à autoridade divina da mensagem
(de Deus e Jesus Cristo), sua infalibilidade (observe a palavra “devem” no v.
1) e sua relevância crucial (v. 3). Deus
investe profundamente no processo de comunicação: a mensagem se origina em Deus
o Pai, é entregue a Jesus Cristo e revelada a João através de um anjo (v. 1).
João testemunha escrevendo a mensagem (v. 2), e todos são encorajados a ler e
ouvir (v. 3).
Apocalipse enfatiza que a mensagem é
inteligível, apesar de vir em forma simbólica. É “revelação”, desvendar e não
ocultar a verdade (v. 1). Destina-se aos “seus servos”, não a uma elite
especial (v.1). Deus espera que os cristãos “guardem as coisas nela escritas”
para proveito espiritual (v. 3). Uma bênção encoraja as pessoas a ler e ouvir
(v. 3).
* 1.1 em breve. Ver referência lateral e 22.6,7,10,12,20. A batalha espiritual tem lugar através de
toda era da igreja. Sete igrejas experimentarão em breve todas as dimensões do
conflito. Além disso, os “últimos dias”
de que fala a profecia do Antigo Testamento foram inaugurados pela ressurreição
de Cristo (At 2.16,17). O tempo de espera acabou e
Deus está executando a fase final de sua batalha vitoriosa contra o mal.
Reconhecido isso, hoje é “a última hora” (1Jo 2.18).
* 1.2 testemunho de Jesus
Cristo. Por causa da iminente perseguição que
ameaça sufocar o testemunho cristão (17.6), Apocalipse está repleto do tema
testemunho. Jesus Cristo é a testemunha
principal (v. 5; 3.14; 19.11).
Seguir o seu exemplo pode resultar em martírio (12.11). O próprio Apocalipse é um testemunho que tem
por finalidade fortalecer o testemunho dos seus leitores. Sua mensagem é repleta de autoridade e autenticidade divinas
(19.10; 22.6,16,20).
* 1.3 Bem-aventurados. Apocalipse não apenas pronuncia juízo sobre os incrédulos mas também bênção sobre os crentes (14.13; 16.15;
19.9; 20.6; 22.7,14).
profecia. Ver 22.7-10,18,19.
Semelhante à profecia do Antigo Testamento, Apocalipse combina visões do futuro
dados por Deus com exortação à fidelidade.
Esta profecia é uma forma distinta e inspirada do testemunho que todos
os cristãos devem dar (v. 2 nota).
guardam as coisas. Apocalipse não se destina a encantar
nossa fantasia mas fortalecer nossos corações
(Introdução: Características e
Temas: Conteúdo).
* 1.4 às sete
igrejas. Ver v. 11; 2.1-3.22. Apocalipse é organizado em
setes, o número bíblico que simboliza totalidade (Gn
2.2,3). A escolha de sete igrejas expressa este tema e aponta para a relevância
maior que a mensagem possui para todas as igrejas (vs. 1,3; 2.7,11,17,29; 3.6,13,22;
22.7,11-14,16,18-21).
Ásia. A província romana da Ásia situa-se no oeste da Turquia
atual.
daquele que é, que era e que há de vir. Semelhante ao nome divino de Êx
3.14,15. Ver nota no v. 8.
sete Espíritos. O Espírito Santo é descrito em
plenitude sétupla (4.5; Zc
4.2,6). Observe a procedência da graça e paz da Trindade: Deus o Pai (“daquele que é”), o Filho
(1.5) e o Espírito (cf. 2Co 13.14; 1Pe
1.1,2).
* 1.5-8 João louva a Deus de maneira semelhante como no início
da maioria das cartas paulinas. Os temas da soberania de Deus, redenção e
segunda vinda de Cristo aparecem ao longo de Apocalipse.
* 1.5 A função principal de Jesus Cristo em
todo o Apocalipse já é antecipada nesta descrição.
Fiel Testemunha. Ver nota no v. 2.
o Primogênito. Ver nota no v. 18.
Soberano. Ver nota nos cap. 4 e 5.
nos libertou. Ver nota no cap. 5.
* 1.6.
O tema da adoração e do louvor a Deus se estendem ao longo de Apocalipse. Observe os
louvores em 4.8,11; 5.9,13; 7.12;
11.15; 12.10-12; 15.3,4;
19.1-8. Expressões de louvor são uma parte
integral da batalha espiritual.
reino, sacerdotes. Santos desfrutam do governo de Deus
e, como sacerdotes, possuem íntimo acesso a ele (Hb
10.19-22; 1Pe
2.5-9). No futuro, eles reinarão com ele (2.26,27; 3.21;
5.10; 20.4,6). Agora todas as nações compartilham dos
privilégios sacerdotais conferidos a Israel em Êx
19.6. Os propósitos da redenção presentes no êxodo do Egito e os propósitos do
domínio dado à humanidade na criação, são ambos
cumpridos através de Cristo (5.9,10). O tema da adoração sacerdotal e do acesso
a Deus é complementar ao tema do templo em Apocalipse (caps. 4 e 5, nota).
* 1.8
o Alfa e o Ômega. A
primeira e a última letra do alfabeto grego.
Deus é Alfa (Criador) e Ômega (aquele que
introduz no novo céu e na nova terra). Ele é Senhor de todos — no passado,
presente e futuro — como sugerido por “que é... há de vir” (caps. 4 e 5, nota). Sua soberania na criação garante o cumprimento dos
seus propósitos na restauração da criação (Rm
8.18-25).
que há de vir. No futuro, Deus virá para cumprir todos os seus propósitos
(21.1-22.5).
* 1.9-11 Uma identificação de João e suas
circunstâncias (nas quais representa toda a igreja) prepara o caminho para a
primeira visão principal em 1.12-3.22.
* 1.9 perseverança. A exortação de persistir e permanecer fiel se estende ao
longo de Apocalipse (2.2,3,13,19; 3.10;
6.11; 13.10; 14.12;
16.15; 18.4; 20.4;
22.7,11,14). Aqui se encontra uma
exortação prática em meio à perseguição e tentação (Introdução: Data e Ocasião).
Patmos.
Uma pequena
ilha na costa oeste da Ásia Menor. Patmos possuia uma colônia penal romana destinada a pessoas
consideradas perigosas à boa ordem.
* 1.10 em espírito. Uma referência ao Espírito Santo,
provendo João com visões especiais e o transportando a lugares privilegiados
para vê-las (4.2; 17.3; 21.10). Ou então, uma referência ao teor das
visões recebidas pelo apóstolo, em um transe espiritual.
dia do Senhor. Domingo, o dia cristão de culto quando é celebrada a ressurreição
de Cristo. A celebração dominical antecipa a celebração da vitória final de
Deus (19.1-10).
grande voz.
A voz de
Cristo. Sons e vozes fortes indicam o poder e relevância universal das
mensagens e eventos (1.15;
4.1,5; 5.2,12; 6.1;
7.2,10; 8.5,13; 10.3;
11.12,15,19; 12.10; 14.7,9,15,18;
19.1,3,6,17).
* 1.11 sete
igrejas. Ver nota no v. 4.
* 1.12-20 Cristo aparece em extraordinária
glória (cf. 21.22-24). “Semelhante a filho de homem” reporta-se a Dn 7.13. As figuras
dos vs. 12-16 lembram Dn 7.9,10; 10.5,6 e Ez 1.25-28, mas incluem semelhanças mais remotas à muitas
aparições de Deus no Antigo Testamento. A visão mostra Cristo como juiz e
governante — primeiramente sobre todas as igrejas (1.20-3.22), como também
sobre todo o Universo (2.27;
3.21). Sua divindade, autoridade e conquista da morte garantem
vitória final (vs. 17,18;
17.14; 19.11-16). Essa
visão da soberania de Deus exercida através de Cristo é o ponto fundamental da
mensagem de Apocalipse (Introdução: Dificuldades de Interpretação). A aparição de Cristo como que em batalha (v.
16) antecipa sua função na batalha final (19.11-21) e aponta retrospectivamente
às batalhas de Deus no Antigo Testamento (Êx 15.3; Dt
32.41,42; Is 59.17,18; Zc 14.3). Cristo
apresenta o modelo no qual o destino de todo o Universo é resumido (Ef 1.10;
Cl 1.16,17). Pelo fato de
todas as coisas se manterem unidas em Cristo (Cl 1.17), a imagem trinitária dos
vs. 12-20 e caps. 4
e 5 formam o alicerce para todo Apocalipse. Por causa que
a Trindade está envolvida em profundo mistério, a simbologia de Apocalipse
contém profundidade inesgotável.
* 1.12 sete candeeiros de
ouro. Os candeeiros simbolizam as igrejas na sua função de
trazer luz ou testemunho (1.20; Mt 5.14-16). Cristo anda entre as igrejas como Senhor e
Pastor (v. 13) exatamente como a nuvem da glória de Deus descia para habitar no
tabernáculo e no templo, que tinham seus candeeiros (Êx 25.31-40; 1Rs 7.49). O caráter de Deus como luz (1Jo
1.5) é supremamente manifesto em Cristo (Jo 1.4,5; 8.12;
9.5; At
26.13), mas também se reflete de várias maneiras na sua criação: em anjos abrasadores (10.1; Ez 1.13), na luz
natural (21.23; Gn
1.3), em candeeiros do templo, em igrejas e em cada pessoa individualmente (Mt 5.14-16).
* 1.15 voz de muitas águas.
Ver nota no v. 10.
* 1.16 espada. Ver 19.15;
Is 11.4; Hb 4.12.
o sol.
Ver 21.22-25;
Is 60.1-3,19,20.
* 1.17 o primeiro e o
último. Essencialmente
o mesmo como o Alfa e o Ômega (v. 8, nota; 2.8;
22.13; Is 41.4; 44.6;
48.12).
* 1.18 aquele que
vive. A ressurreição e a nova vida de Cristo suprem as
necessidades da nova vida do seu povo (2.8; 5.9,10; 20.4,5) e a renovação do próprio mundo
(22.1).
chaves da morte. Esta frase antecipa 20.14.
* 1.19 Este versículo provavelmente sugere
uma tríplice divisão de Apocalipse em passado (vs. 12-16), presente (caps. 2 e
3) e futuro (4.1-22.5). Mas a divisão
não é perfeita pois cada parte contém algumas
referências a cada um dos três períodos.
* 1.20 os
anjos. A palavra grega significa “mensageiros”. Talvez
se refira a mensageiros humanos, especificamente a pastores das igrejas ou a
anjos. A relevância de anjos em
Apocalipse é capaz de sustentar aqui a última interpretação (22.6; Dn
10.10-21).
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face: sergiovalentin