*          2.1 dia de Pentecostes. Lit., o “Qüinquagésimo Dia” depois do sábado da semana da Páscoa (Lv 23.4-7, 15-16). O Pentecoste era celebrado no primeiro dia da semana e era uma das três grandes festas anuais de Israel, precedida pela Páscoa (Lv 23.4-8; Nm 28.16-25) e seguida quatro meses mais tarde pela Festa dos Tabernáculos (Lv 23.33-43; Nm 29.12-38; cf. Jo 7.1-44).O Pentecoste é também chamado de “Festa das Semanas” porque era celebrado sete semanas depois da Páscoa (Dt 16.10); de “Festa da Colheita” , porque os primeiros frutos da colheita eram então juntados (Êx 23.16); e de “o dia das primícias” (Nm 28.26).

 

estavam todos reunidos. Todos os apóstolos (1.16) estavam lá, e provavelmente muitos dos 120 antes mencionados (1.15).

 

no mesmo lugar.  Uma expressão idiomática que significa “juntos”.

 

 *         2.2 um som... de um vento impetuoso. Três sinais (vento, fogo e pregação inspirada) da presença  de Deus foram testemunhados  (Êx 3.2; 13.21; 24.17; 40.38; 1Rs 19.11-13). Vento é um símbolo da presença do Espírito Santo (Ez 37.9,13; Jo 3.8), enquanto o fogo é um símbolo de seu poder purificador e julgador (Mt 3.11,12). As línguas eram vários idiomas falados em todas as partes da região mediterrânea oriental, de Roma à Pérsia.

 

 *         2.4 Todos. Todos os 120 (1.15). Ver Joel 2.28, que fala do Espírito de Deus derramado “sobre toda a carne”.

 

cheios do Espírito Santo. Eles estavam sob a direção e influência especiais do Espírito, particularmente evidenciados pelo seu falar em línguas conhecidas (“outras línguas”) que não haviam previamente aprendido (ver 10.46; 19.6). Paulo discute o dom espiritual de línguas em 1Co 12-14. A vinda do Espírito é o cumprimento da promessa de Jesus relatada em 1.5,8 e Lc 24.49, mas isto não quer dizer que o Espírito Santo não estivesse  presente e atuando com o povo de Deus no Antigo Testamento (“Espírito Santo” aparece em Sl 51.11;  Is 63.10,11; “Espírito do Senhor“ em Jz 3.10; 1Sm 10.6; Is 11.2). Ver “O Espírito Santo” em  Jo 14.26.

 

o Espírito lhes concedia que falassem. Em toda a vida cristã, nada é realizado à parte de Deus (Ef 2.10; Fp 2.12,13).

 

 *         2.5 judeus, homens piedosos. Ver 8.2; 22.12; Lc 2.25. Provavelmente a maior parte destes estava visitando Jerusalém para o Pentecoste.

 

 *         2.6,7 A multidão estava maravilhada que galileus de origem rural, com seus sotaques peculiares, pudessem ter aprendido essas línguas estrangeiras.

 

 *         2.8-11 A lista das pessoas de quinze nações começa com o leste (“partos, medos e  elamitas, e os naturais da Mesopotâmia”, onde judeus haviam sido levados cativos para a Assíria e Babilônia). A lista prossegue em direção oeste para Judéia, e daí ao norte para a Ásia Menor (Capadócia, Ponto, Ásia, Frígia e Panfília), daí para o norte da África (Egito, regiões da Líbia nas imediações de Cirene), e então para Roma. Finalmente a lista inclui dois lugares bem separados, Creta e Arábia.

 

 *         2.15 a terceira hora. Considerando as seis da manhã como a primeira hora, faz com que esta seja nove da manhã. Era costume jejuar nos dias de festa pelo menos até a quarta hora. Assim, a embriaguez alegada era muito improvável.

 

 *         2.17-21 A citação é do texto do Antigo Testamento Grego de Joel 2.28-32 (3.1-5). O fato de Pedro usar as palavras “nos últimos dias” (cf. Is 2.2; Os 3.5; Mq 4.1; 1Tm 4.1; 2Tm 3.1; 1Pe 1.20; 1Jo 2.18) torna explícito que Joel está se referindo aos últimos tempos prometidos por Deus. Pedro interpreta as palavras de Joel como referentes à nova aliança, em contraste com os dias antigos da velha aliança (Hb 8.7; 9.1).

 

 *         2.22 Jesus o Nazareno. Este título é usado nos demais lugares por Lucas (6.14; 10.38; 22.8; 26.9; Lc 18.37; 24.19). No sermão, Pedro enfatiza estes importantes fatos sobre Jesus: Sua morte (v.23), sua ressurreição corpórea (vs. 24-32), sua exaltação (v. 33), sua coroação (vs. 34-36) e a vitória na sua segunda vinda (v. 35).

 

aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais. Embora ter vindo de Nazaré fosse uma pedra de tropeço (cf. Jo 1.46). Através da confirmação de milagres Deus demonstrou amplamente que Jesus era o Messias.

 

 *         2.23 pelo determinado desígnio e presciência de Deus. Embora homens ímpios, tanto judeus como gentios (4.27,28) tivessem, por sua própria vontade, levado Jesus à morte, suas ações estavam dentro da soberana determinação de Deus (cf. 17.26; 2Cr 25.16; Jr 21.10; Dn 11.36). Deus ordenou a morte de seu filho, mas os executores imediatos levam a culpa por crucificarem Jesus (3.17,18; 4.27,28; 13.27). Deus ordena tanto os meios quanto os fins dos acontecimentos humanos sem violar a liberdade e a responsabilidade humanas. Os judeus não puderam passar sua culpa aos romanos; eles tinham pedido aos romanos para crucificarem Jesus. Pedro ensina que os judeus eram responsáveis (3.15; 4.10; 5.30; 10.39).

 

crucificando-o. Lucas novamente enfatiza como Jesus morreu (Lc 24.39). Arqueólogos descobriram na Palestina os ossos do calcanhar perfurados, de uma vítima de crucificação, do primeiro século a.C.

 

 *         2.25 diz Davi.  No Sl 16, Davi está em primeiro lugar falando de sua própria experiência e sofrimento humano, mas nos versos citados aqui ele está, em última análise, falando sobre Jesus (v.25), o Santo de Deus, cujo corpo não viu corrupção (v.27).

 

 *         2.33 Exaltado... à destra de Deus. O plano de Deus foi além da ressurreição de seu Filho, que deve ser exaltado à posição que ele ocupava com o Pai desde a eternidade (Jo 17. 5).

 

tendo recebido do Pai... Espírito Santo, derramou. A doutrina da Trindade está implícita: Pedro mostrou como o Pai (vs. 32,33) operava na vida, morte, ressurreição e exaltação de Jesus, seu Filho, e o Espírito Santo produzia o milagre de fazer com que seus servos falassem em línguas.

 

 *         2.36 Nesta declaração culminante, Pedro não somente realça que Jesus é o Messias de Deus do Antigo Testamento (3.18,20; 4.26; 5.42; Is 11.1; Lc 4.18-21), mas também que ele é o Senhor exaltado (Rm 10.9; Fp 2.9-11) e o Rei vitorioso (1Co 15.24,25; Ap 19.16).

 

 *         2.38 Arrependei-vos, e... seja batizado. O arrependimento (voltar-se para Deus com tristeza pelo pecado) e o batismo eram partes importantes da mensagem de João Batista (Mt 3.1; Mc 1.4) e de Jesus (Mt 4.17; 11.20; Lc 13.3,5 ) e eram centrais na pregação e no ensino da igreja (Mt 28.18,19). Ver “Batismo” em Rm 6.3.

 

em nome de Jesus Cristo. Um resumo de Mt 28.18,19 (batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo), mencionando aqui somente o nome de Jesus, uma vez que o sermão de Pedro tinha a ver com Jesus e seu ministério.

 

para remissão dos... pecados. O batismo é um sinal e um selo da limpeza espiritual que o Espírito efetua através do perdão dos pecados (Tt 3.5).

 

o dom do Espírito Santo. O dom da habitação interior da pessoa do Espírito Santo, assim como o dom do perdão (Ef 1.7) e da capacitação para o ministério. É significativo que Pedro não fale aqui sobre o recebimento do dom de línguas. Os dons do perdão e da habitação interior do Espírito Santo são essenciais para produzir o fruto do Espírito na vida dos crentes (Gl 5.22,23), e para exercer os dons que o Espírito escolhe dar em diferentes tempos a diferentes crentes (1Co 12.4-11).

 

*          2.39 Pedro proclama que a salvação através do Messias de Deus é prometida aos judeus, a seus filhos e a todos que ainda estão longe (isto é, os gentios, Ef 2.11-13). Aqui novamente está a mensagem de Atos — o evangelho é para judeus e gentios. Ver “Batismo Infantil” em Gn 17.11.

 

quantos o Senhor, nosso Deus, chamar. A salvação é baseada na escolha e no chamado de Deus (Jo 6.37; Ef 1.4,5).

 

*          2.42 na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Este é o resumo dos elementos essenciais necessários no discipulado cristão. Eram elementos que os apóstolos haviam aprendido de sua experiência com Jesus: seu ensinamento a respeito de sua pessoa e obra (Mt 16.18,19; Lc 24.46) e sobre a responsabilidade deles como seus seguidores (Mt 5—7), a comunhão de Cristo com seus discípulos (Jo 13), a Ceia do Senhor — o partir do pão (Mt 26.17-30) e sua vida de oração pelos discípulos e com eles (Mt 6.5-13; Lc 11.1-13; Jo 17).

 

*          2.44 Todos os que creram estavam juntos. Isto demonstra a unidade do Espírito, que Paulo mais tarde advoga (Ef 4.3).

 

*          2.45 Vendiam as suas propriedades. Unificados no Espírito, os crentes estavam sintonizados com as necessidades físicas dos outros, e voluntariamente (4.34; 5.4) contribuíam para suprir aquelas necessidades (4.32, “tudo, porém, lhes era comum”).

 

*          2.46 partiam pão de casa em casa. Isto se refere às refeições diárias comuns, compartilhadas nos lares.

 

*          2.47 acrescentava-lhes o Senhor. A igreja pertence ao Senhor e ele é aquele que soberanamente constrói sua igreja (Mt 16.18; 1Co 3.9).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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