* 4.1 os
sacerdotes. Diversos sacerdotes, servindo a sua parte determinada dos
serviços semanais do templo (Lc 1.8,23) estavam perto
das colunas de Salomão e podiam ouvir as declarações
de Pedro sobre Jesus o Messias. Alarmados com o que era considerado perigoso
pregar contra a autoridade judaica, eles provavelmente alertaram o capitão da
guarda do templo. Este capitão era o comandante da força policial do templo e
um membro de uma das mais importantes famílias sacerdotais. Os sacerdotes
também alertaram os saduceus, que tinham posições
proeminentes no Sinédrio, o concílio judaico.
* 4.2
anunciarem, em Jesus, a ressurreição dentre os mortos. Os saduceus estavam aflitos porque os apóstolos estavam
ensinando o povo acerca da ressurreição (1Co
15.12-20). Os saduceus, diferentemente dos fariseus,
não criam na ressurreição do corpo (23.6-8).
* 4.3
recolhendo-os ao cárcere... pois já era tarde. Esta
atitude era necessária porque os sacrifícios do templo haviam sido concluídos e
as portas do templo estavam fechadas; atitudes oficiais teriam que ser tomadas
pelo Sinédrio no dia seguinte.
* 4.4 A despeito
da perseguição, a igreja cresceu de três mil no dia de Pentecoste para cinco
mil. A ênfase aqui é nos homens, porque naquele tempo os homens teriam se
juntado por si próprios para ouvir a mensagem, e as mulheres teriam estado no
átrio das mulheres (cf. Jo 6.10). Em Israel hoje
homens e mulheres ficam separados na sua adoração no Muro das Lamentações.
* 4.5
autoridades, os anciãos e os escribas. Estes grupos constituíam o
conselho religioso judaico, o Sinédrio. Lc 22.66 descreve o corpo de principais sacerdotes e
escribas como “a assembléia”. Este corpo incluiria o sumo sacerdote, membros de
sua família (v.6), saduceus e fariseus (Mt 27.62), tais como Nicodemos
(que é chamado de um dos principais dos judeus e “mestre em Israel”, Jo 3.1,10) e Gamaliel (5.34;
22.3).
* 4.6 Os homens
listados neste versículo constituíam o que poderia ser chamado de comitê
executivo do conselho. Anás, o sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote oficial (Jo 18.13) é aqui chamado de sumo sacerdote. Ele era o poder
atrás do cargo e provavelmente ainda considerado como sumo sacerdote por muitos
judeus, uma vez que o cargo era vitalício. Os romanos tinham deposto Anás em 15 d.C. João é possivelmente Jônatas, filho de Anás, que foi apontado como sumo sacerdote em 36 d.C., ou
Jônatas ben Zaccai, que se tornou presidente da grande sinagoga depois
da queda de Jerusalém. Nada é sabido de Alexandre.
* 4.7 em nome
de quem. A resposta é dada no v.10: “em nome de Jesus Cristo, o
Nazareno”. Há freqüente ênfase no nome de Jesus, ou no nome do Senhor
(destacando a pessoa e a obra do Senhor) em Atos (2.21,38; 3.16; 4.10,12; 8.16;
9.15,28; 15.26; 16.18).
* 4.8 cheio do
Espírito Santo. Ver 2.4; Ef 5.18.
* 4.11 pedra...
rejeitada... pedra angular. Em Atos,
a defesa do evangelho freqüentemente inclui referência ao cumprimento das
profecias do Antigo Testamento; aqui o Sl 118.22 é
citado (também em Mt 21.42;
1Pe 2.7; cf Rm 9.33).
* 4.12 nenhum
outro nome. Assim como o nome de Jesus tinha sido a única esperança para
a cura física do homem coxo de nascença, assim também o nome de Jesus é a única
esperança para a cura espiritual da humanidade. Esta exclusiva e total
confiança em Jesus para a salvação é o ensinamento claro tanto de Jesus como do
Novo Testamento em geral (Jo 14.6; 1Tm
2.5). Ver nota teológica “Salvação”,
índice.
* 4.13
incultos. A coragem e o pronto testemunho de Pedro e João são
cumprimento da promessa de Cristo aos discípulos em Mt 10.19,20. A coragem e o conhecimento dos iletrados
pescadores galileus deixaram atônito o Sinédrio. Notando que estes homens “tinham estado com
Jesus”, o conselho sem dúvida lembrou-se de como Jesus também, embora sem
treinamento formal, os tinha surpreendido com seus ensinamentos (Lc 2.46,47; Jo 7.15).
* 4.19
ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus. O dever da adoração e do
testemunho religiosos antecede os direitos do Estado, e o dever de uma
consciência cristã perante Deus em proclamar o evangelho é superior aos
direitos do Sinédrio. O Estado é um servo, ordenado
por Deus para manter a paz e a ordem (Rm 13.1-7). Ver
“Os Cristãos e o Governo Civil” em Rm 13.1.
* 4.24 levantaram
a voz a Deus. Esta atividade era um resultado natural do treinamento dos
apóstolos com Jesus e dos hábitos que eles haviam formado (2.42).
Tu, soberano Senhor. Um termo usado para expressar o
total poder criativo e controle do Senhor sobre sua criação física e sobre os
negócios da humanidade (cf. vs. 25.26; Jr 10.12).
* 4.25 por boca
de Davi... teu servo. Um resumo
sucinto de inspiração verbal. Os autores das Escrituras falaram e escreveram
sob a direção do Espírito (2Pe 1.21).
* 4.27 Herodes
e Pôncio Pilatos... gentios...
gente de Israel. Os crentes entenderam
corretamente que tanto judeus como gentios eram responsáveis pela crucificação
de Jesus. Estes eram Herodes Antipas, que era o filho
de Herodes o Grande e tetrarca (isto é, autoridade subordinada aos romanos) da Galiléia e Peréia (Lc 3.1; 23.6,7) e Pôncio Pilatos,
que foi procurador romano (governador) da Palestina de 26 a 36 d.C. (Lc 3.1; 23.1-24). Os principais sacerdotes e anciãos
persuadiram o povo a rejeitar Jesus e pedir por Barrabás
(Mt 27.20-26).
* 4.28 tua mão
e o teu propósito. Uma afirmação clara de que nada, nem mesmo a morte
injusta do Filho de Deus,
acontece à parte da vontade e do controle soberanos de Deus. A certeza do plano
de Deus para o mundo é estabelecida pelo seu soberano “propósito” e assegurado
pela sua “mão”
todo-poderosa. Os primeiros capítulos de Atos ensinam a compatibilidade entre a
soberania divina e a responsabilidade humana. Embora os assassinos de Jesus
tenham agido de acordo com o que Deus havia determinado, eles eram agentes
moralmente responsáveis e eram considerados aqueles que deveriam prestar contas
(3.15).
* 4.29 Esta
oração da comunidade crente ilustra a maneira pela qual a igreja devia ser
fortalecida e encorajada pela soberania de Deus. Em face da ameaça de violência
física, a igreja afirmava o controle de Deus sobre a situação (v.28) e,
encorajada por isto, pedia maior ousadia.
Senhor. A palavra grega para Senhor é kyrios,
usada na Septuaginta (O Antigo Testamento grego) para traduzir o nome divino Yahweh. É usada no Novo Testamento para referir-se tanto a
Deus como a Jesus especificamente (2.36; 7.31).
* 4.32-35. Por serem
os crentes de “um coração” (v.32), eles estavam conscientes dos necessitados na
igreja e conseqüentemente ajudavam vendendo terras e doando o valor para os
apóstolos, visando aquelas necessidades. Este ato
cristão de contribuir era proporcional à real
necessidade. Era voluntário, não obrigatório (5.4).
* 4.33 da
ressurreição do Senhor Jesus Cristo. A comprovação suprema da salvação
completada em Jesus Cristo foi sua ressurreição dentre os mortos. Os apóstolos,
como testemunhas principais, tiveram que testificar sobre esse acontecimento redentivo (1.22).
graça.
Graça em testemunhar e viver.
* 4.36 José, a quem... deram o sobrenome
de Barnabé... levita.
No Antigo Testamento, os levitas não tinham terra herdada, como as outras
tribos, embora lhes coubessem cidades por sorteio (Js
21). Contudo, já nos tempos do Novo Testamento, um levita como José Barnabé pode
bem ter podido possuir terras. Isto provavelmente seria o caso num país fora da
Palestina, tal como Chipre. Por outro lado, a terra possuída pode ter
pertencido a sua esposa. A introdução de Barnabé aqui coloca fundamentos para
referência posterior à significativa influência deste destacado crente na vida
das igrejas judias e gentias e na vida de Paulo.
* 4.37 como tivesse um
campo, vendendo-o. Como “filho da exortação” (v.36), Barnabé apresentou
um bom exemplo de um cristão que contribuía para as necessidades de outros (em
contraste com o exemplo egoísta de Ananias e Safira, 5.1-11). Barnabé também
intercedeu por Paulo (9.27), encorajou a igreja em Antioquia na Síria (11.22),
liderou um trabalho missionário no exterior (13.2-3) e continuou no trabalho missionário
a despeito de um desentendimento com Paulo (15.37-39).
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