O Livro de AGEU
Autor
O nome
“Ageu” significa “festal”, talvez indicando que o profeta nasceu durante uma
festividade, mas nosso conhecimento deste profeta se resume ao próprio livro de
Ageu e às menções que a ele são feitas no livro de Esdras. Os profetas Ageu e
Zacarias cooperaram para o encorajamento dos judeus que retornavam do exílio na
Babilônia no século VI a.C. para a reconstrução do templo em Jerusalém (Ed 5.1;
6.14).
Data e Ocasião
Ageu e
Zacarias partilham a mesma origem histórica, tendo ambos iniciado seu
ministério “no segundo ano do rei Dario” (520 a.C.). Os judeus retornaram do
exílio sob um decreto do rei Ciro, da Pérsia, em 538 a.C., e iniciaram a
reconstrução do templo. Oposições externas e desencorajamentos internos os
fizeram abandonar o projeto durante dezesseis a dezessete anos (Ed 4.1-4).
Quando Ageu e Zacarias iniciaram seu ministério em 520 a.C., hostilidades
adicionais se fizeram sentir de Tatenai, o governador daquém do Eufrates, que
incluía a Palestina (Ed 5). Mas Dario I (Histaspes), que governou a Pérsia de
522 a 486 a.C., reeditou o decreto de Ciro para que o templo fosse reconstruído
em quatro anos (Ed 6.13-15). O segundo templo foi consagrado em 12 de março de
516 a.C.
Quanto às mensagens de Ageu
propriamente ditas, o livro nos informa que foram proclamadas entre agosto e
dezembro de 520 a.C.
Características e Temas
Ageu
consiste em quatro mensagens iniciadas pela frase “veio a palavra do Senhor,
por intermédio do profeta Ageu” (1.1; 2.1; 2.10; 2.20). Essas quatro mensagens
se alternam entre chamados à conversão à luz das maldições de Deus sobre a
terra (1.1-11; 2.10-19), e promessas de maiores bênçãos no templo e da vinda do
Messias, da linhagem de Davi (2.1-9; 2.20-23).
Ageu, Zacarias e Malaquias juntos
utilizam o título “Senhor dos Exércitos” mais de noventa vezes (quatorze em
Ageu). Esse título possui conotações militares (Deus como o líder dos exércitos
de Israel, 1Sm 17.45), mas também evidencia a glória de Deus (Sl 24.10) e o seu
governo soberano sobre toda a criação (Am 4.13).
Embora Ageu se constitua no segundo
menor livro do Antigo Testamento, é rico em valiosos ensinamentos para a
igreja. Através do seu mensageiro Ageu (1.13), o Senhor conclama os restantes
infiéis do seu povo da aliança para se arrependerem e reconstruírem o templo. O
empenho de Deus se baseia em sua própria vontade soberana e em seu desejo de
ser louvado (1.8). A indiferença do povo em reconstruir o templo demonstrava a
mais profunda falta de desejo pela presença singular de Deus. Eles viviam sob
às maldições da aliança (1.6,9,11), mas não se apercebiam disso. Em resposta ao
ministério de Ageu, o Senhor despertou o espírito do povo (1.14), e eles
obedeceram (1.12)
Ageu reafirma que o Senhor está
junto de seu povo, como quando o tirou do Egito (1.13; 2.4,5). Seu ministério
se baseou na esperança de que Deus renovaria as promessas segundo sua aliança
com Israel quando o trouxe de volta do cativeiro na Babilônia para a terra
prometida. As palavras de Ageu se aproximam das dos profetas anteriores em
alguns pontos (2.7,8 e notas). A reconstrução do templo foi parte importante
dessa renovação, e Ageu expandiu essa esperança associando o templo com os
tempos vindouros do Messias (2.9,23 e notas). O Messias como representante
ungido de Deus na terra, traria sua glória, paz e prosperidade ao povo de Deus
(2.9). Zorobabel prefigura esse Messias nos dias de Ageu; no entanto, apenas
Jesus, o Messias, cumpriria a promessa feita a Zorobabel de tornar-se o
governante real de Deus (“anel de selar”) sobre a terra (2.23). Hoje nós somos
os receptáculos dessas promessas, e ansiamos pelo posicionamento final visível
de Cristo no trono como supremo governante, quando ainda uma vez mais o Senhor
fará abalar o céu e a terra (Hb 12.26).