*          1.1 sexto mês... primeiro dia. Cada um dos sermões de Ageu é cuidadosamente datado. Este foi pregado provavelmente em 29 de agosto de 520 a.C. A mensagem de Ageu é endereçada publicamente aos líderes a fim de que o povo também pudesse corresponder (1.12).

 

Zorobabel. Ele é provavelmente a mesma pessoa que Sesbazar (cf. Ed 1.8), visto que ambos são tidos como reconstrutores do templo. Sesbazar poderia ter sido um nome oficial persa. Zorobabel foi o neto do Rei Jeoaquim (1Cr 3.19) e um descendente de Davi (2.23, nota).

 

Josué, filho de Jozadaque. Ver 1Cr 6.15. Um descendente do sacerdote Zadoque. Sob o governo persa, Zorobabel era o responsável pelas questões civis diárias da região. Como um sumo sacerdote, Josué lidava com questões religiosas.

 

*          1.2 Este povo. Uma expressão de desagrado implícito (2.14). Os versículos 2-11 acusam a indiferença espiritual e as prioridades erradas do povo de Deus.

 

Não veio ainda o tempo. Sua objeção não era com relação à reconstrução em si, mas ao tempo dela. As objeções podem ter sido econômicas, porque a sua terra estava em tempos de aflição (cf. vs. 10, 11), ou religiosas, pois de acordo com Ez 37.24-27, o Messias construiria o templo, ou porque, de acordo com Jr 25.11-14, a nação deve primeiramente servir um rei estrangeiro por setenta anos. O templo original foi destruído em 586 a.C., e eles podem ter raciocinado erroneamente de que eles não deveriam começar a construção de um novo templo até 516 a.C. Tais desculpas demonstravam que eles não estavam dedicando-se ao reino de Deus e à sua justiça (cf. Mt 6.33).

 

a Casa do SENHOR. O templo era o lugar de habitação da presença especial de Deus com o seu povo (1Rs 8.27-30). Hoje Deus está graciosamente presente no seu templo, a Igreja (1Co 3.16, 17).

 

*          1.4 casas apaineladas. Ageu revela a hipocrisia de suas objeções empregando uma questão retórica. As casas provavelmente tinham paredes e teto de madeira trabalhada (1Rs 7.3; Jr 22.14). Eles estavam vivendo em luxo enquanto a casa de Deus estava em ruínas.

 

*          1.6 semeado muito e recolhido pouco. Sua miséria econômica e social era o efeito da maldição segundo a aliança de Deus por causa de sua desobediência (Dt 11.8-15; 28.29, 38-40; Lv 26.20). Deus frustrou seus esforços por causa da falta de interesse deles pela glória divina.

 

*          1.8 dela me agradarei, e serei glorificado. O propósito de Deus nesse empreendimento era a alegria especial que ele teria nesse edifício e a honra apropriada que ele, por meio disso, receberia do seu povo. A falta de interesse do povo em reconstruir indicava sua falta de saúde espiritual.

 

*          1.9 corre por causa de sua própria casa. O enfoque de suas vidas estava na construção de fortunas pessoais ao invés da construção do reino de Deus.

 

*          1.11 a seca. A seca sobre as colheitas de Judá era a maldição de Deus sobre a sua agricultura, em manutenção da sua aliança (1.6, nota; Dt 7.13). A palavra hebraica traduzida por “ruínas” no v. 9 soa como a palavra hebraica para “seca” aqui. O jogo de palavras de Ageu reenfatiza o fato de que a seca era a resposta de Deus à negligência para com a sua casa.

 

 *         1.12 resto do povo. Um termo comum usado pelos profetas para aqueles do povo de Deus que permaneciam fiéis a ele em meio à descrença (Is 10.22; cf. Zc 13.9). Mais tarde Paulo aponta para um remanescente fiéis em Israel — judeus que abraçaram a Cristo (Rm 11.5).

 

voz do SENHOR... palavras do profeta Ageu. Eles reconheceram a palavra de Deus através da voz do profeta. A palavra de Deus efetua seu propósito (Is 55.1; Hb 4.12).

 

 *         1.13 Eu sou convosco. Quando o povo se arrependeu de seus pecados eles receberam a maior garantia possível: a presença de Deus. A presença graciosa de Deus com seu povo é o coração do relacionamento segundo a aliança (Zc 8.8, nota).

 

 *         1.14 despertou o espírito. O próprio Deus motivou a acolhida do seu povo por meio de sua presença com ele. Ageu enfatiza a acolhida interna pela tripla repetição de “espírito.” O espírito de Deus operou eficazmente através de sua palavra, a fim de alcançar o seu propósito soberano (cf. Is 55.11).

 

*          1.15 vigésimo-quarto dia do sexto mês. Provavelmente 21 de setembro de 520 a.C.

 

*          2.1-9 O Senhor novamente fala ao povo, desta vez encorajando-o a continuar construindo. Relatos acerca da suntuosidade do templo destruído de Salomão aparentemente foram a origem de desencorajamento (v. 3). O Senhor primeiramente assegurou-lhes de sua contínua presença no meio deles — uma promessa para o presente (vs. 4, 5). Em segundo lugar, ele garantiu-lhes acerca do objetivo futuro de seu projeto (vs. 6-9). Embora parecesse humilde em comparação, a glória deste templo iria finalmente exceder a do templo de Salomão, pois seria agraciada com a presença do próprio Messias (v. 9, nota).

 

 *         2.1 sétimo mês... vigésimo-primeiro. 17 de outubro de 520 a.C. De acordo com Lv 23.33-43, este era o último dia da Festa dos Tabernáculos, durante a qual o povo de Deus devia se alegrar pela provisão divina para eles no deserto e as bênçãos da colheita. Não havia muito para se alegrar, todavia, visto que sua colheita havia sido insignificante (1.11).

 

*          2.2 ao resto do povo. O primeiro sermão de Ageu foi dirigido aos líderes porque eles tinham que iniciar o trabalho. O povo está incluído aqui porque esta mensagem pretendia encorajá-los na tarefa que tinham em mãos.

 

*          2.3 esta casa na sua primeira glória. Os versículos 1-3 sugerem que o povo estava desencorajado pela relativa falta de esplendor do novo templo (cf. 2Cr 3; 4) e pela dificuldade da tarefa diante deles.

 

*          2.4 sê forte. A repetição tripla acrescenta ênfase a essa ordem. Ordens semelhantes fizeram parte da construção do templo de Salomão. (1Cr 22.13; 28.20; cf. Gl 6.9).

 

eu sou convosco. A presença do Senhor e sua força sustentadora garantem o sucesso definitivo da empreitada deles.

 

*          2.5 da aliança que fiz convosco. As promessas da Aliança de Deus, feitas durante d Êxodo do Egito, agora asseguram o povo de sua presença (cf. Êx 33.12-17; Nm 11.16-17). Seu poderoso Espírito está presente, da mesma maneira que nos dias da grande libertação do Egito.

 

*          2.6 Ainda uma vez... farei abalar. Como é comum nos profetas, o futuro próximo e distante estão em foco. Aqui as referências à gloria do segundo templo estão justapostas com um quadro do julgamento universal final sobre o cosmos. Enquanto este abalo pode ser prefigurado pelos eventos políticos que ocorreram um pouco depois do tempo de Ageu (ex., a derrota dos persas pelos gregos), o abalo final da ordem criada ainda está por vir (Hb 12.26-28).

 

*          2.7 coisas preciosas de todas as nações. Ver referência lateral. Embora o termo hebraico traduzido por “coisas preciosas” (ou: “desejo”) possa referir-se a uma pessoa (i.e., o Messias), o contexto imediato aqui favorece uma referência a coisas desejadas por todas as nações (i.e., “coisas preciosas para eles”). O versículo 8 fala de tais coisas preciosas, e o decreto do rei Dario, durante cujo reinado Ageu ministrou, refere-se a coisas preciosas sendo contribuídas para o projeto de construção do templo (Ed 6.3-5, 8-9). Aqui Ageu provavelmente está ecoando a promessa de Isaías a respeito de um Israel enriquecido pela fartura das nações (Is 60.5). Em outras palavras, ele fala da era messiânica.

 

encherei de glória esta casa. A intenção de Deus é honrar a si mesmo pela manifestação de sua gloriosa presença perante “todas as nações.” Quando a presença de Deus enche o templo, as nações vêm para a luz (Is 2.3-5; 60.3).

 

*          2.8 a prata... o ouro. Sendo o possuidor soberano de todas as coisas (cf. Sl 24.1; 50.9-12), Deus realizará a sua própria glorificação bem como a herança do seu povo da riqueza das nações (Is 60.5). Ver nota no v. 7.

 

*          2.9 glória. Esta promessa de uma glória maior é cumprida em Cristo, a maior manifestação da presença e glória de Deus (Ml 3.1; Jo 1.14). Cristo concede a sua glória à sua igreja, o novo templo de Deus (Ef 2.21; 3.20, 21).

 

neste lugar, darei a paz. Esta paz (hebraico shalom) significa mais do que a simples ausência de conflito. Ela implica prosperidade e uma sensação de total bem-estar. Cristo concede a paz aos crentes hoje (Jo 14.27), mas o cumprimento definitivo e total aguarda pelo tempo quando o Senhor Deus Todo-poderoso e o Cordeiro forem o templo da Nova Jerusalém (Ap 21.22).

 

*          2.10 vigésimo-quarto dia do mês nono. A seqüência do tempo é importante para interpretar a terceira mensagem, que começa com uma nota de julgamento (vs. 10-14). O povo havia se arrependido e começado a trabalhar em 21 de setembro de 520 a.C. (1.15), e Ageu trouxe a mensagem de encorajamento em 17 de outubro do mesmo ano (2.1-9). Aqui, em 18 de dezembro, ele traz outra mensagem de condenação. O povo não tinha visto ainda a questão mais profunda — sua corrupção diante do santo Deus. Isto é coerente com o chamado de Zacarias de retorno ao Senhor, pronunciado depois de terem começado a trabalhar no templo (Zc 1.3-6).

 

*          2.11-14 Esta porção do terceiro sermão de Ageu, enfatizando a grave corrupção do povo e de seus esforços, desenvolve uma lição prática tomada da lei cerimonial mosaica. As questões dirigidas aos sacerdotes mostram que embora a santidade cerimonial não seja transferível (v. 12), a corrupção cerimonial o é (v. 13). Ageu então aplica aos seus ouvintes a lição das perguntas anteriores (v. 14). Eles corromperam o trabalho do templo e suas ofertas por que sua alienação de Deus era muito maior do que eles imaginavam. A mera presença de um templo reconstruído não iria torná-los santos como povo (cf. Jr 7.3-7); Deus exige mudança genuína de coração e vida, não apenas mera conformidade exterior.

 

*          2.15 Agora. Esta palavra assinala uma transição entre a acusação e a bênção. Apesar de seu passado corrompido, o santo Deus estava determinado a abençoá-los (v. 19).

 

*          2.17 Eu vos feri... saraiva. Este versículo baseia-se em Am 4.9. Desastres naturais como esse e a ausência de produtividade agrícola, o amargo fruto da desobediência à Aliança do Senhor (1.6, nota; Dt 28.22), eram o modo de Deus chamar a atenção do seu povo.

 

*          2.19 vos abençoarei. A graça de Deus supera o pecado e a corrupção do seu povo. Embora ele os discipline, no fim a misericórdia triunfa sobre o julgamento.

 

*          2.20-23 Este último dos sermões de Ageu, proferido no mesmo dia que o anterior (v. 10), retorna ao tema da glória do templo nos dias futuros (v. 6, nota). Novamente os eventos futuros estão em foco quando Ageu entrelaça alusões à vinda do Messias (v. 23) com referências ao abalo do cosmos e a vitória final de Deus sobre as nações (vs. 21, 22).

 

*          2.22 derribarei. Os poderes militares e políticos das nações finalmente se submeterão ao senhorio de Deus (Dn 2.44; 7.27).

 

*          2.23 Naquele dia. Ver nota em Zc 12.3.

 

servo meu.  Zorobabel era o representante escolhido de Deus para realizar o seu trabalho. Isaías falou de um Servo maior que viria, o qual Zorobabel prenuncia (Is 42.10). Jesus é tanto descendente de Zorobabel (Mt 1.12) quanto Servo de Deus (At 4.27, 30).

 

anel de selar. Este era um símbolo de autoridade e poder. Jeremias usa o termo para referir-se àquele que é precioso a Deus (Jr 22.24).