* 1.1 Amós apresenta aqui a si
mesmo e à sua profecia, especificando a época em que a palavra de Deus lhe foi
dada.
Palavras que, em visão, vieram a
Amós. As mensagens proféticas são introduzidas com essa fórmula
(cf. Jr 1.1). A frase tem um pano-de-fundo alicerçado na aliança (Dt 1.1:
"São estas as palavras que Moisés falou a todo o Israel").
Especificamente, Amós, o profeta é o mensageiro do processo jurídico movido por
Deus contra uma desobediente nação de Israel.
pastores. O termo
hebraico provavelmente refere-se a pastores de um tipo especial de ovelhas,
conhecidas por seu tipo de lã extremamente fina. O rei de Moabe é identificado
como quem possuía tais ovelhas (2Rs 3.4).
Tecoa. Essa vila
ficava a oito quilômetros ao sul de Belém. Por causa de suas boas terras de
pastagem, sustentava a muitos pastores com os seus rebanhos.
terremoto. Visto que
esse era um evento memorável em uma região sujeita a terremotos, seria
relembrado como um ato de juízo divino, conforme se vê em Zc 14.5.
* 1.2 O SENHOR. Ver notas
em Êx 3.15.
Rugirá. Na
qualidade de pastor, Amós conheceria bem o rugido aterrorizante de um leão
quando atacava (1Sm 17.34-37). O próprio Senhor ruge de Sião para anunciar o
seu julgamento (Jr 25.30; Jl 3.16). Essas palavras de abertura, ameaçando o
julgamento, estabelecem o tom para aquilo que vem em seguida.
prados... secar-se-á. O
julgamento do Senhor afetará a terra inteira, desde os campos de pastagem até o
topo do monte Carmelo, rico em pomares e vinhedos (Lv 26.19; Dt 28.23,24).
* 1.3—2.16 Essa série de profecias começa com seis
nações gentílicas: a Síria, a Filístia, a Fenícia, Edom, Amom e Moabe. E então,
dramaticamente, os oráculos voltam-se contra Judá (2.4,5) e Israel (2.6-16).
* 1.3 Por três transgressões... e
por quatro. Esse refrão, repetido a cada profecia, é um exemplo de
paralelismo que usa números ascendentes para efeito de ênfase (cf. Sl 62.11; Mq
5.5). Esse artifício padrão, na antiga poesia do Oriente Próximo não deve ser
entendido literalmente, mas significa "por muitas transgressões".
Damasco. Davi
derrotou e guarneceu de soldados essa cidade real da Síria (2Sm 8.6). Durante o
reinado de Salomão, porém, Damasco se desvencilhou do jugo israelita, tendo
Rezom como rei (1Rs 11.23-25).
trilhos de ferro. Os trilhos
era uma tábua de madeira munida com dentes de ferro ou de basalto, fixados na
parte de baixo. Um boi puxava o trilho sobre os grãos, enquanto que aquele que
o manuseava ficava de pé sobre o mesmo. Os sírios são acusados de ter tratado
Gileade com extrema crueldade (2Rs 13.7).
* 1.4 meterei fogo. Esse
refrão, que aparece em cada uma das mensagens, também se acha em Oséias (8.14)
e Jeremias (17.27; 21.14; 29.27 e 50.32). O fogo era largamente compreendido no
antigo Oriente Próximo como um instrumento de julgamento divino. Com freqüência
também era usado na guerra, e era considerado uma maneira pela qual um deus
expurgava um povo rebelde qualquer. Essa compreensão pagã também reflete uma
verdade revelada nas Escrituras: o verdadeiro Deus, de fato, julgará pelo fogo
(2Pe 3.7 nota).
Hazael. O rei da
Síria (c. de 841 - 801 a.C.), cujo reinado foi predito pelo profeta Eliseu (2Rs
8.13).
Castelos. Esses
"castelos" parecem ter sido fortalecidos à posição de
palácios-cidadelas da nobreza antiga.
Ben-Hadade. Esse é um
título de trono, como o "Faraó" do Egito. Provavelmente, o terceiro
rei com esse nome está em pauta. O primeiro ajudou o rei de Judá, Asa, contra o
rei Baasa (1Rs 15.18-20). O segundo, Ben-Hadade II, foi assassinado pelo
usurpador Hazael (2Rs 8.14,15). O filho de Hazael, Ben-Hadade III, foi
contemporâneo de Jeoacaz, de Israel (2Rs 13.25). Foi ele quem fez o exército de
Israel como "o pó, trilhando-os" (2Rs 13.7).
* 1.5 eliminarei. Esse verbo
é com freqüência usado para indicar o aniquilamento mediante a guerra (Js 23.4;
Is 10.7).
o morador. Lit.,
"aquele que se assenta", provavelmente o rei. A palavra hebraica é
usada para indicar Deus sentado ou entronizado como Rei, em Sl 2.4; 22.3
("entronizado"); 29.10.
Biqueate-Áven. Lit.,
"vale da Iniqüidade". Possivelmente, refere-se à antiga Heliópolis da
Síria, atualmente chamada Baalbeque, no vale do Becá do Líbano. Ao que tudo
indica era um centro da adoração ao sol.
Bete-Éden.
Provavelmente era um distrito a cerca de trezentos e vinte quilômetros a
nordeste de Damasco (não deve ser confundido com o jardim do Éden, Gn 2.8 nota)
e era governado por um rei vassalo sírio. O objetivo do paralelismo entre o
Biqueate-Áven e Bete-Éden é indicar que não somente Damasco, mas também seus
territórios, serão destruídos.
Síria... Quir. O
território original dos sírios (9.7), Quir, se tornará o lugar do exílio deles.
* 1.6 Gaza. A cidade
mais ao sul das cinco cidades reais dos filisteus, Asquelom, Asdode, Ecrom,
Gate e Gaza. Localizada entre o Egito e Canaã, Gaza era um centro comercial
natural.
em cativeiro todo o povo. Ou seja,
um grupo inteiro de exilados (ver também o v. 9). O comércio dos filisteus
incluía escravos. Os prisioneiros de guerra usualmente tornavam-se escravos,
mas aqui uma população inteira foi vendida à escravidão. A referência aparente
é à captura e venda de israelitas durante o reinado de Jeorão (2Cr 21.16,17; Jl
3.3,6).
Edom. Esse
antigo irmão de Israel (Gn 25.30) recebeu israelitas como escravos da parte dos
filisteus. Por causa de seu papel nesse pecado entre irmãos, Gaza, que
representa a Filístia como um todo, era agora sentenciada.
* 1.8 Asdode. Uma forte e
próspera cidade da Filístia, localizada a vinte e nove quilômetros a nordeste
de Gaza.
Ascalom. A terceira
cidade real da Filístia ficava a meio-caminho entre Gaza e Asdode, na costa do
Mediterrâneo.
Ecrom. A
localização exata dessa cidade real da Filístia é incerta; um número de locais
a nordeste de Asdode têm sido sugeridos. Gate, a quinta cidade real, não é
mencionada porque ela já havia sido derrotada por Hazael (2Rs 12.17), e,
novamente, por Sargão II (722-705 a.C.). A Assíria foi o instrumento primário
de julgamento divino contra todas essas cidades, e todas as quatro foram
subseqüentemente mencionadas nos anais da Assíria como vassalos de Esar-Hadom
(681—669) e Assurbanipal (668—627).
* 1.9 Tiro. Uma das
duas principais cidades fenícias (a outra é Sidom) mencionada nas cartas
cananéias de Tell-el-Amarna (século XIV a.C.). O nome Tiro significa
"pederneira". Tiro foi construída em uma grande rocha no mar, e era
considerada virtualmente inexpugnável até o século IV a.C., quando Alexandre o
Grande conquistou a cidade construindo um caminho elevado até ela.
entregaram todos os cativos. Ver notas
no v. 6.
não se lembraram da aliança. Essa frase
denota a observância das obrigações do pacto e é uma frase padrão nos antigos
pactos ou tratados internacionais (cf. Gn 9.15; Êx 2.24; Lv 26.42). Tiro não
manteve seus tratados com Israel.
de irmãos. No antigo
Oriente Próximo, os reis que se compactuavam por tratados chamavam-se
"irmãos". Foi por isso que Hirão, de Tiro, chamou Salomão de
"meu irmão" (1Rs 9.13; cf. 1Rs 5.12), dentro do contexto das relações
de tratado com Davi (2Sm 5.11). Mais tarde, Acabe continuou a relação de
amizade com a Fenícia casando-se com Jezabel, filha de Etbaal, o rei de Sidom
(1Rs 16.31).
* 1.11 perseguiu o seu irmão à espada.
Ver nota no v. 6. Esses eventos do reinado de Jeorão incluem a revolta de
Edom e a aliança com os filisteus e os árabes, que atacaram Judá e entraram em
Jerusalém, saqueando o palácio real e deportando a família real (2Cr 21.16,17;
Ob 10-14).
* 1.12 Temã. Temã foi um
neto de Esaú (Gn 36.11,15). O clã que dele descendia deu seu nome à região ao
sul de Edom, bem como é uma aldeia a cerca de vinte e quatro quilômetros de
Petra. Aqui, está em pauta a região de Temã. Seus habitantes eram famosos por
sua sabedoria (Jó 2.11; Jr 49.7).
Bozra. Essa era a
cidade mais ao norte de Edom, a cerca de cinqüenta e seis quilômetros de Petra.
Ao mencionar suas regiões nos extremos norte e sul, Amós designa Edom inteiro à
destruição.
* 1.13 filhos de Amom. Os
amonitas descendiam de Ben-Ami, que era filho do truque e incesto da filha mais
jovem de Ló (Gn 19.34-38). Eles viviam entre Harã e Moabe.
rasgaram o ventre às grávidas. Essa
atrocidade em particular também foi
praticada por outros, incluindo Hazael, da Síria (2Rs 8.12), Menaém, de Israel
(2Rs 15.16) e pela Assíria (Os 13.16). O propósito aparente foi aniquilar
descendentes que poderiam tentar reivindicar o território.
dilatarem os seus próprios limites. Os reis do
antigo Oriente Próximo e Médio orgulhavam-se, tipicamente, de que tinham
estendido as fronteiras de suas terras. Ao assim fazerem, imaginavam que
estavam efetuando o desejo de seus deuses.
* 1.14 Rabá. Uma forma
abreviada da referência inteira: "Rabá dos filhos de Amom" (Dt 3.11;
2Sm 12.26). Sua localização é a moderna cidade de Amã, na Jordânia.
turbilhão... tempestade. Nas
Escrituras, a figura de uma tempestade violenta e destruidora é, com
frequência, usada para indicar o tumulto da batalha, bem como para indicar a
ira de Deus, ou, de fato, para ambas as coisas ao mesmo tempo (Sl 83.15; Is
5.28; 17.13; 29.6; 66.15; Jr 4.13; 23.19 e 25.32).
ele e os seus príncipes juntamente. De conformidade
com a prática assíria regular, um rei vencido, sua casa e seus oficiais seriam
levados juntamente para o exílio. Sob Salmaneser III (858—824 a.C.), a Assíria
conquistou Amom, tornando esse país um vassalo assírio.
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sergiovalentin