*          3.1-15             Deus aciona um processo contra Israel através de seu servo, Amós.

 

*          3.1                   Ouvi a palavra. Esse mandamento solene ocorre de novo em 4.1 e 5.1, e reflete mandamentos para ouvir e obedecer o Senhor, existentes nos documentos do pacto original (Dt 4.1; 5.1; 6.3). Ele também ocorre regularmente nas ações judiciais da Aliança (Jr 2.4; Os 4.1).

 

*          3.2                   somente a vós outros vos escolhi. Em adição ao conhecimento (Gn 4.9), a palavra hebraica para "escolhi" tem uma vasta gama de significados, incluindo o sentido de relações sexuais (Gn 4.1). Aqui o termo denota a escolha soberana da parte de Deus, ou eleição de Israel como o objeto de seu cuidado amoroso (Gn 18.19; cf. Dt 7.7,8).

 

portanto. As graças do pacto do Senhor incluem a punição pelos pecados, precisamente por que ele ama o seu povo demais para permitir que o pecado passe sem disciplina (Pv 3.11,12).

 

*          3.3-6    Amós apresenta uma série de questões para as quais a resposta, em cada caso, é perfeitamente clara. O propósito dessas perguntas é enfatizar que a mensagem de Amós vem da parte de Deus.

 

*          3.3                   Andarão. "Andar junto" com alguém, neste caso, significa concordar com o destino e rota. Implicitamente, o profeta "anda" com o Senhor.

 

*          3.4                   Rugirá. Sendo um caçador silencioso, o leão ruge somente depois que a sorte de sua presa está selada. Assim como há uma razão para o rugido do leão, assim também deve haver uma causa por detrás das declarações do profeta.

 

*          3.5                   armadilha. Ver a referência lateral. Nenhuma ave seria apanhada em uma arapuca sem qualquer isca.

 

*          3.6                   trombeta. Ver nota em 2.2. No mundo antigo, o cerco de uma cidade era uma possibilidade terrível, pois freqüentemente resultava em inanição da população, seguidas de todos os horrores da conquista: estupros, pilhagem, assassinato e incêndios.

 

mal. O Antigo Testamento ensina que o Senhor é o Criador da paz e da calamidade (Is 45.7). Isso não quer dizer que Deus seja o autor do mal, mas antes, que, soberanamente, ele envia desastres ou adversidades sobre os indivíduos e nações, como uma justa punição. As maldições proferidas em Gn 3.14-19 mostram que o Senhor é quem envia tais punições.

 

*          3.7                   O SENHOR... não fará coisa alguma, sem primeiro revelar. O Senhor que age dessa maneira também revela-se e interpreta seus atos aos profetas e através deles. Deus revelou os seus planos acerca de Sodoma e Gomorra a Abraão, o primeiro "profeta" designado assim nas Escrituras (Gn 18.17 e 20.7).

 

seus servos, os profetas. Moisés, o supremo profeta do Antigo Testamento foi chamado de "servo do SENHOR" (Dt 34.5). Profetas subsequentes foram caracterizados pela frase similar: "Meus servos, os profetas" (Jr 7.25; Ez 38.17; cf. Dn 9.10).

 

*          3.8                   quem não profetizará? Da mesma maneira que o rugido do leão evoca o medo, assim também a voz do Senhor compelia os profetas a proclamarem a sua palavra (Dt 18.18; cf. 1Co 9.16).

 

*          3.9                   Fazei ouvir isto. Este mandato está no plural, e, aparentemente, é dirigido aos servos do Senhor, os profetas.

 

Asdode... Egito. Poeticamente, Amós convocou a nobreza pagã para considerar a injustiça que reinava em Samaria. Israel (o reino do norte) deveria ser mais justo, e não menos, que seus vizinhos pagãos; e é irônico que estes pagãos fossem chamados como testemunhas da má conduta de Israel.

 

os montes de Samaria. A cidade de Samaria estava cercada por montes, de onde os espectadores são solicitados a contemplá-la.

 

tumultos. Ou "perturbações" conforme a palavra foi traduzida em 2Cr 15.5. Tais condições eram resultantes do pecado, e eram o contrário de "paz" (no hebraico, shalom).

 

*          3.10                 a violência e a devastação. Os bens mal adquiridos com seu comportamento violento e destrutivo. Os ricos haviam saqueado e pilhado os pobres.

 

*          3.11                 inimigo. A Assíria. O pensamento contido neste versículo reflete a substância da maldição do pacto pela desobediência (Dt 28.52).

 

*          3.12                 o pastor livra... um pedacinho. De acordo com as leis antigas, os pastores deveriam demonstrar sua diligência ao resgatar uma porção de uma ovelha, apanhada por alguma besta fera (cf. Gn 31.39 e nota). A ovelha de Israel só será salva em uma condição mutilada — de fato, a nação seria destruída.

 

parte do leito. Os ricos reclinavam-se preguiçosamente em divãs baixos (como os romanos faziam mais tarde em seus banquetes), desfrutando do luxo que extorquiam dos pobres (6.4).

 

*          3.13                 Ouvi e protestai. O mandamento aqui (no plural) pode ter sido dirigido aos pagãos que tinham sido convocados como testemunhas, ou aos mensageiros do Senhor, que receberam ordens de convocar as testemunhas pagãs (v. 9 nota).

 

*          3.14                 No dia... por causa das suas transgressões. O fraseado aqui usado nos faz relembrar os documentos originais da Aliança (Êx 32.34).

 

altares de Betel. Jeroboão I tinha feito um bezerro de ouro para Israel adorar em Betel, no norte, como alternativa para desestimular a adoração em Jerusalém no sul, e tinha instalado ali um altar (1Rs 12.25-33). Tanto o altar quanto o santuário foram mais tarde destruídos por Josias (2Rs 23.15).

 

pontas do altar. Um fugitivo podia abrigar-se no templo segurando os chifres do altar (1Rs 1.49-51), embora esse privilégio nem sempre tenha sido observado (1Rs 2.28-35). Até esse último recurso para um Israel pecaminoso seria cortado.

 

*          3.15                 a casa de inverno... a casa de verão. A possessão tanto de uma casa de inverno quanto de uma casa de verão era um grande luxo, que somente os reis ou os muito ricos podiam sustentar. O Senhor destruiria essas casas múltiplas e mansões decoradas. A Assíria, o instrumento de julgamento de Deus (Is 10.5,6), era hábil em tal destruição e saque, como as vastas riquezas de Nínive testificam amplamente (Na 2.9).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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