*          7.1 - 8.3                        Esta longa seção contém quatro visões (7.1-3; 7.4-6; 7.7-9; 8.1-3) e uma seção autobiográfica relacionada com a terceira visão (7.10-17). As primeiras duas visões têm esta estrutura: (a) o Senhor dá a visão; (b) Amós intercede; (c) o Senhor se arrepende. A conversação entre o Senhor e seu profeta  é uma parte integral da experiência visionária.

 

*          7.1                  gafanhotos. A palavra hebraica, que ocorre somente aqui e em Na 3.17, denota gafanhotos recém-formados, em grupos.

 

erva serôdia. . . ceifas do rei. Este verso parece indicar que a primeira colheita (as “ceifas do rei”) representava a parte do rei (cf. 5.11; 1 Rs 12.4), enquanto o fazendeiro e sua família dependiam da segunda colheita para sobreviver. A destruição desta segunda colheita pelos gafanhotos colocava a população em risco de passar fome.

 

*          7.2                  comido de toda a erva da terra. A palavra hebraica para erva é geral; toda vegetação foi destruída, não somente as colheitas. Em hebraico, a frase completa faz eco à descrição da praga dos gafanhotos em Ex 10.12,15 (“toda a erva da terra”). O Senhor puniria Israel assim como ele puniu o Egito antes do Êxodo.

 

*          7.3                   se arrependeu. Movido pelo apelo intercessório, o Senhor está querendo mudar sua mente ou arrepender-se, no que diz respeito à punição pretendida (cf. Ex 32.12,14; Jl 2.13; Jn 3.10; Jr 18.8) . Ver nota em Gn 6.6.

 

*          7.4                   chamou o fogo. Ver nota em 1.4; Is 66.15-16.

 

o grande abismo. O “grande abismo” poderia ser o Mar Mediterrâneo, embora a mesma frase seja também usada para as caóticas águas subterrâneas (Gn 7.11, nota) e para o Mar Vermelho, no cruzamento de Israel (Is 51.10). A perspectiva de um fogo que vai devorar mar e terra faz eco com a advertência de julgamento da aliança em Dt 32.22. A linguagem excede o que aconteceu no Novo Testamento, mas sugere de antemão o Último Julgamento (cf. 2 Pe 3.10; Ap 21.1), do qual todos os julgamentos prévios não são senão tipos.

 

*          7.7                   Mostrou-me. Esta e a quarta visão (8.1-3) têm a mesma estrutura: (a)  o Senhor dá visão; (b) o Senhor questiona Amós; (b)  Amós replica; (d) O Senhor explica e julga. Experiências visionárias similarmente estruturadas são registradas em Jr 1.11,12,13-16.

 

um muro levantado a prumo.  Muitos interpretam esta imagem como sendo Israel sendo julgado para ver se correspondia ao padrão de Deus. Outros, seguindo outra análise de palavras, preferem “muro de lata”. O mesmo simbolismo do “muro”, na literatura egípcia, é usado para capacidade militar (cf. “muro de bronze”, Jr 15.20 e “muro de ferro”, Ez 4.3) O uso de uma palavra acádia (assíria) para o metal indica a fonte do poder militar que o Senhor vai usar para julgar Israel.

 

tinha um prumo na mão. Ver nota acima. Muitos interpretam esta frase como uma referência à lei da aliança de Deus, seu padrão para julgamento. Outros traduzem  esta frase como  “com lata em sua mão”, uma provável referência ao poder assírio, antecipando que ele porá “lata”  (i.e. poder assírio) no meio de seu povo (v. 8).

 

*          7.8                   jamais passarei por ele. Não mais o Senhor passará por cima de  suas transgressões (Mq 7.18).

 

*          7.9                   os altos. . . os santuários. Estes altos lugares eram locais de adoração idólatra cananéia (Dt 12.12; 2 Rs 17.10-12). Os santuários eram para adoração idólatra ou sincretista.

 

espada. . . casa de Jeroboão. O próprio Jeroboão poderia não morrer à espada, mas sua casa ou família poderia ser afetada. Embora Jeroboão aparentemente tenha morrido de morte natural (2 Rs 14.29), seu filho Zacarias foi morto (2 Rs 15.10).

 

*          7.10-17                       A seção autobiográfica aparentemente relaciona-se à terceira visão, contando a reação de Amazias às profecias de Amós.

 

*          7.10                 o sacerdote de Betel. Amazias foi provavelmente o sumo sacerdote do templo de Betel. 

 

Amós tem conspirado. As implicações políticas da pregação do profeta são aparentes. Jeremias também foi erradamente considerado um traidor por causa de suas profecias contra Judá (Jr 26.11; 37.11-13; 38.1-6).

 

*          7.11                Jeroboão morrerá à espada. Provavelmente uma alusão à profecia, no versículo 9. Amazias distorce a citação de Amós, para fazer com que Jeroboão se sinta pessoalmente mais ameaçado.

 

*          7.12                ali come teu pão. . . profetiza. Provavelmente isto significa “ganha a tua vida profetizando ali em Judá”. Embora fosse apropriado que um profeta fosse pago por seu trabalho (1 Sm 9.6-8; exc. cf. Mq 3.5,11), Amazias acusa Amós de ser meramente um profeta de aluguel. As ordens de Amazias aqui são um exemplo do pecado de ordenar aos profetas que não profetizem (2.12).

 

*          7.13                 santuário do rei . . .templo do reino. Desde o tempo em que Jeroboão I estabeleceu a idolatria em Betel (3.14 nota), os reis de Israel tinham uma grande influência no culto. Amazias está preocupado com o santuário de seu reino terreno, em vez do santuário do grande Rei, o Senhor. Ironicamente, Amazias é o oficial religioso empenhado em proteger os interesses terrenos  -- a mesma acusação que ele trouxe contra Amós (v.12). Uma futura geração de profetas iria, da mesma maneira, levar à morte Jesus, o maior dos profetas, por causa da preocupação errada de proteger seu próprio reino e templo (Jo 11.48).

 

*          7.14                não sou profeta, nem discípulo de profeta. Amós não era originalmente um profeta, nem um dos chamados “filhos de profeta” (i.e., discípulos de profetas: 1 Rs 20.35; 2 Rs 2.3,5,7,15). Ele não era um profeta profissional pago.

 

boleiro. Ver nota em 1.1.

 

colhedor de sicômoros.  Alguém que tratava a fruta com corte especial, para garantir uma doçura maior, quando  a fruta estava madura. Amós era talentoso em mais de um negócio (1.1).

 

*          7.15                 o Senhor me tirou. . . meu povo Israel. Amós rejeita completamente a acusação de Amazias (7.12) e destaca seu divino chamado para profetizar. O mesmo fraseado é usado para a escolha que o Senhor fez de Davi para rei de Israel (2 Sm 7.8) A alusão do profeta ao chamado de Davi indica que o Senhor tem o direito soberano de escolher tanto reis como profetas -- e que seus profetas têm todo direito de profetizar na “residência oficial do rei” (v. 13).

 

*          7.16                 Não profetizarás. Ver 2.2 e nota; 7.12,13)

 

*          7.17                mulher se prostituirá. Ou sendo violentada na queda da cidade, ou por desespero, depois da perda da família e da riqueza (Dt 28.30)

 

teus filhos e tuas filhas. Filhos e filhas eram freqüentemente punidos junto com os pais pelas transgressões da aliança (Dt 28.32,53; Jr 5.17; Ez 24.21); morte violenta era uma punição típica da aliança (Is 3.25; Jr 39.18).

 

morrerás na terra imunda. O exílio seria extremamente desgostoso para o sacerdote Amazias; vivendo numa terra pagã ele se tornaria ritualmente imundo. ver nota em Lv 11-16.

 

Israel. . . terra. Amós sarcasticamente cita as próprias palavras de Amazias do v. 11, devolvendo-as a ele.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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