*          1.1                   Amós apresenta aqui a si mesmo e à sua profecia, especificando a época em que a palavra de Deus lhe foi dada.

 

Palavras que, em visão, vieram a Amós. As mensagens proféticas são introduzidas com essa fórmula (cf. Jr 1.1). A frase tem um pano-de-fundo alicerçado na aliança (Dt 1.1: "São estas as palavras que Moisés falou a todo o Israel"). Especificamente, Amós, o profeta é o mensageiro do processo jurídico movido por Deus contra uma desobediente nação de Israel.

 

pastores. O termo hebraico provavelmente refere-se a pastores de um tipo especial de ovelhas, conhecidas por seu tipo de lã extremamente fina. O rei de Moabe é identificado como quem possuía tais ovelhas (2Rs 3.4).

 

Tecoa. Essa vila ficava a oito quilômetros ao sul de Belém. Por causa de suas boas terras de pastagem, sustentava a muitos pastores com os seus rebanhos.

 

terremoto. Visto que esse era um evento memorável em uma região sujeita a terremotos, seria relembrado como um ato de juízo divino, conforme se vê em Zc 14.5.

 

*          1.2                   O SENHOR. Ver notas em Êx 3.15.

 

Rugirá. Na qualidade de pastor, Amós conheceria bem o rugido aterrorizante de um leão quando atacava (1Sm 17.34-37). O próprio Senhor ruge de Sião para anunciar o seu julgamento (Jr 25.30; Jl 3.16). Essas palavras de abertura, ameaçando o julgamento, estabelecem o tom para aquilo que vem em seguida.

 

prados... secar-se-á. O julgamento do Senhor afetará a terra inteira, desde os campos de pastagem até o topo do monte Carmelo, rico em pomares e vinhedos (Lv 26.19; Dt 28.23,24).

 

*          1.3—2.16        Essa série de profecias começa com seis nações gentílicas: a Síria, a Filístia, a Fenícia, Edom, Amom e Moabe. E então, dramaticamente, os oráculos voltam-se contra Judá (2.4,5) e Israel (2.6-16).

 

*          1.3                   Por três transgressões... e por quatro. Esse refrão, repetido a cada profecia, é um exemplo de paralelismo que usa números ascendentes para efeito de ênfase (cf. Sl 62.11; Mq 5.5). Esse artifício padrão, na antiga poesia do Oriente Próximo não deve ser entendido literalmente, mas significa "por muitas transgressões".

 

Damasco. Davi derrotou e guarneceu de soldados essa cidade real da Síria (2Sm 8.6). Durante o reinado de Salomão, porém, Damasco se desvencilhou do jugo israelita, tendo Rezom como rei (1Rs 11.23-25).

 

trilhos de ferro. Os trilhos era uma tábua de madeira munida com dentes de ferro ou de basalto, fixados na parte de baixo. Um boi puxava o trilho sobre os grãos, enquanto que aquele que o manuseava ficava de pé sobre o mesmo. Os sírios são acusados de ter tratado Gileade com extrema crueldade (2Rs 13.7).

 

*          1.4                   meterei fogo. Esse refrão, que aparece em cada uma das mensagens, também se acha em Oséias (8.14) e Jeremias (17.27; 21.14; 29.27 e 50.32). O fogo era largamente compreendido no antigo Oriente Próximo como um instrumento de julgamento divino. Com freqüência também era usado na guerra, e era considerado uma maneira pela qual um deus expurgava um povo rebelde qualquer. Essa compreensão pagã também reflete uma verdade revelada nas Escrituras: o verdadeiro Deus, de fato, julgará pelo fogo (2Pe 3.7 nota).

 

Hazael. O rei da Síria (c. de 841 - 801 a.C.), cujo reinado foi predito pelo profeta Eliseu (2Rs 8.13).

 

Castelos. Esses "castelos" parecem ter sido fortalecidos à posição de palácios-cidadelas da nobreza antiga.

 

Ben-Hadade. Esse é um título de trono, como o "Faraó" do Egito. Provavelmente, o terceiro rei com esse nome está em pauta. O primeiro ajudou o rei de Judá, Asa, contra o rei Baasa (1Rs 15.18-20). O segundo, Ben-Hadade II, foi assassinado pelo usurpador Hazael (2Rs 8.14,15). O filho de Hazael, Ben-Hadade III, foi contemporâneo de Jeoacaz, de Israel (2Rs 13.25). Foi ele quem fez o exército de Israel como "o pó, trilhando-os" (2Rs 13.7).

 

*          1.5                   eliminarei. Esse verbo é com freqüência usado para indicar o aniquilamento mediante a guerra (Js 23.4; Is 10.7).

 

o morador. Lit., "aquele que se assenta", provavelmente o rei. A palavra hebraica é usada para indicar Deus sentado ou entronizado como Rei, em Sl 2.4; 22.3 ("entronizado"); 29.10.

 

Biqueate-Áven. Lit., "vale da Iniqüidade". Possivelmente, refere-se à antiga Heliópolis da Síria, atualmente chamada Baalbeque, no vale do Becá do Líbano. Ao que tudo indica era um centro da adoração ao sol.

 

Bete-Éden. Provavelmente era um distrito a cerca de trezentos e vinte quilômetros a nordeste de Damasco (não deve ser confundido com o jardim do Éden, Gn 2.8 nota) e era governado por um rei vassalo sírio. O objetivo do paralelismo entre o Biqueate-Áven e Bete-Éden é indicar que não somente Damasco, mas também seus territórios, serão destruídos.

 

Síria... Quir. O território original dos sírios (9.7), Quir, se tornará o lugar do exílio deles.

 

*          1.6                   Gaza. A cidade mais ao sul das cinco cidades reais dos filisteus, Asquelom, Asdode, Ecrom, Gate e Gaza. Localizada entre o Egito e Canaã, Gaza era um centro comercial natural.

 

em cativeiro todo o povo. Ou seja, um grupo inteiro de exilados (ver também o v. 9). O comércio dos filisteus incluía escravos. Os prisioneiros de guerra usualmente tornavam-se escravos, mas aqui uma população inteira foi vendida à escravidão. A referência aparente é à captura e venda de israelitas durante o reinado de Jeorão (2Cr 21.16,17; Jl 3.3,6).

 

Edom. Esse antigo irmão de Israel (Gn 25.30) recebeu israelitas como escravos da parte dos filisteus. Por causa de seu papel nesse pecado entre irmãos, Gaza, que representa a Filístia como um todo, era agora sentenciada.

 

*          1.8                   Asdode. Uma forte e próspera cidade da Filístia, localizada a vinte e nove quilômetros a nordeste de Gaza.

 

Ascalom. A terceira cidade real da Filístia ficava a meio-caminho entre Gaza e Asdode, na costa do Mediterrâneo.

 

Ecrom. A localização exata dessa cidade real da Filístia é incerta; um número de locais a nordeste de Asdode têm sido sugeridos. Gate, a quinta cidade real, não é mencionada porque ela já havia sido derrotada por Hazael (2Rs 12.17), e, novamente, por Sargão II (722-705 a.C.). A Assíria foi o instrumento primário de julgamento divino contra todas essas cidades, e todas as quatro foram subseqüentemente mencionadas nos anais da Assíria como vassalos de Esar-Hadom (681—669) e Assurbanipal (668—627).

 

*          1.9                   Tiro. Uma das duas principais cidades fenícias (a outra é Sidom) mencionada nas cartas cananéias de Tell-el-Amarna (século XIV a.C.). O nome Tiro significa "pederneira". Tiro foi construída em uma grande rocha no mar, e era considerada virtualmente inexpugnável até o século IV a.C., quando Alexandre o Grande conquistou a cidade construindo um caminho elevado até ela.

 

entregaram todos os cativos. Ver notas no v. 6.

 

não se lembraram da aliança. Essa frase denota a observância das obrigações do pacto e é uma frase padrão nos antigos pactos ou tratados internacionais (cf. Gn 9.15; Êx 2.24; Lv 26.42). Tiro não manteve seus tratados com Israel.

 

de irmãos. No antigo Oriente Próximo, os reis que se compactuavam por tratados chamavam-se "irmãos". Foi por isso que Hirão, de Tiro, chamou Salomão de "meu irmão" (1Rs 9.13; cf. 1Rs 5.12), dentro do contexto das relações de tratado com Davi (2Sm 5.11). Mais tarde, Acabe continuou a relação de amizade com a Fenícia casando-se com Jezabel, filha de Etbaal, o rei de Sidom (1Rs 16.31).

 

*          1.11                 perseguiu o seu irmão à espada. Ver nota no v. 6. Esses eventos do reinado de Jeorão incluem a revolta de Edom e a aliança com os filisteus e os árabes, que atacaram Judá e entraram em Jerusalém, saqueando o palácio real e deportando a família real (2Cr 21.16,17; Ob 10-14).

 

*          1.12                 Temã. Temã foi um neto de Esaú (Gn 36.11,15). O clã que dele descendia deu seu nome à região ao sul de Edom, bem como é uma aldeia a cerca de vinte e quatro quilômetros de Petra. Aqui, está em pauta a região de Temã. Seus habitantes eram famosos por sua sabedoria (Jó 2.11; Jr 49.7).

 

Bozra. Essa era a cidade mais ao norte de Edom, a cerca de cinqüenta e seis quilômetros de Petra. Ao mencionar suas regiões nos extremos norte e sul, Amós designa Edom inteiro à destruição.

 

*          1.13                 filhos de Amom. Os amonitas descendiam de Ben-Ami, que era filho do truque e incesto da filha mais jovem de Ló (Gn 19.34-38). Eles viviam entre Harã e Moabe.

 

rasgaram o ventre às grávidas. Essa atrocidade em  particular também foi praticada por outros, incluindo Hazael, da Síria (2Rs 8.12), Menaém, de Israel (2Rs 15.16) e pela Assíria (Os 13.16). O propósito aparente foi aniquilar descendentes que poderiam tentar reivindicar o território.

 

dilatarem os seus próprios limites. Os reis do antigo Oriente Próximo e Médio orgulhavam-se, tipicamente, de que tinham estendido as fronteiras de suas terras. Ao assim fazerem, imaginavam que estavam efetuando o desejo de seus deuses.

 

*          1.14                 Rabá. Uma forma abreviada da referência inteira: "Rabá dos filhos de Amom" (Dt 3.11; 2Sm 12.26). Sua localização é a moderna cidade de Amã, na Jordânia.

 

turbilhão... tempestade. Nas Escrituras, a figura de uma tempestade violenta e destruidora é, com frequência, usada para indicar o tumulto da batalha, bem como para indicar a ira de Deus, ou, de fato, para ambas as coisas ao mesmo tempo (Sl 83.15; Is 5.28; 17.13; 29.6; 66.15; Jr 4.13; 23.19 e 25.32).

 

ele e os seus príncipes juntamente. De conformidade com a prática assíria regular, um rei vencido, sua casa e seus oficiais seriam levados juntamente para o exílio. Sob Salmaneser III (858—824 a.C.), a Assíria conquistou Amom, tornando esse país um vassalo assírio.

 

*          2.1                   queimou os ossos do rei de Edom. De acordo com a tradição hebraica os ossos do rei moabita, Mesa. Tal queima indicava um desprezo especial, e era concebida como algo que privava o morto de paz no após-vida. Josias queimou os ossos de falsos sacerdotes no altar de Betel (2Rs 23.15,16).

 

*          2.2                   Queriote. Provavelmente, era o nome de uma das grandes cidades dos moabitas, que também era um centro religioso (Jr 48.41). O local exato da mesma é incerto. Alternativamente, a palavra hebraica poderia ser considerada com o sentido de "cidades", conforme os tradutores da Septuaginta (Antigo Testamento Grego) a entenderam.

 

trombeta. Essa trombeta (no hebraico, shophar) era feita de um chifre de carneiro, e transmitia sinais de ordem nas guerras antigas.

 

*          2.3                   Eliminarei. Ver nota em 1.5.

 

*          2.4                   Judá. Estavam concluídos os cinco oráculos contra nações pagãs, e o reino do sul, Judá, agora era ameaçado. O julgamento divino aproximava-se cada vez mais do reino do norte, Israel, onde o próprio Amós profetizava (v. 6).

 

rejeitaram a lei... estatutos. Por terem rejeitado a lei do pacto revelada por Deus, e, portanto, o próprio Deus, eles tinham-se tornado particularmente merecedores do juízo divino (Êx 15.26; Dt 4.39,40). Os privilégios do pacto de Judá implicavam em maior responsabilidade (cf. Lc 12.48).

 

após elas andaram seus pais. A antiga expressão idiomática do Oriente Próximo, "andar após", significa seguir em obediência como um vassalo ou servo. Judá estava seguindo mentiras, servindo de vassalo de deuses falsos ou demônios (Dt 32.17; Rm 6.16; 1Co 10.20).

 

*          2.5                   meterei fogo. Ver nota em 1.4.

 

Jerusalém. Jerusalém significa "cidade da paz". A palavra hebraica para "paz" (shalom) denota não somente a ausência de guerra, mas também prosperidade e bem-estar. Visto que Judá não havia procurado integridade no Senhor, eles veriam a destruição, e não a paz. Essa profecia foi cumprida mais de cento e cinquenta anos mais tarde, quando Nabucodonosor II conquistou Jerusalém e incendiou cada edifício notável, incluindo a casa real (2Rs 25.8-10).

 

*          2.6                   Israel. Começa aqui a acusação do reino do norte — Israel é culpada de injustiça social, imoralidade sexual e abusos religiosos (vs. 6-8).

 

vendem o justo por dinheiro. Temos aqui uma referência ao sistema judicial corrupto. Os juízes dispunham-se a condenar os inocentes mediante o pagamento de um suborno.

 

o necessitado. O Senhor tinha uma preocupação especial com o fim de que os direitos deles sejam protegidos (Êx 23.6; Jr 5.28), mas os pobres estavam sendo vendidos à escravidão, mesmo por dívidas insignificantes (aqui simbolizadas por um par de sandálias). A escravidão indigente em Israel era legal, mas foi cuidadosamente limitada pela lei de Moisés (Êx 21.2; Dt 15.12; 1Pe 2.18 e notas).

 

*          2.7                   coabitam com a mesma jovem. Amós denuncia aqui a paixão sexual descontrolada. Tal conduta era contra a intenção original de Deus (Gn 2.21-24; Mt 19.4-6), além de profanar o santo nome de Deus (Lv 18.24). A lei mosaica proibia a união sexual entre pessoas relacionadas por parentesco próximo de sangue (Lv 18.6-18); e embora a legislação mosaica não mencione essa situação específica (compartilhar de uma prostituta em comum), o princípio básico deveria ainda ser aplicado.

 

*          2.8                   se deitam... sobre roupas. Eles se entregavam ao culto de prostituição da fertilidade, ao lado dos altares, profanando assim o nome do Senhor. Havia muitos altares em Israel, incluindo aqueles de Betel (3.14), Dã (8.14) e Gilgal (Os 12.11). Seus pecados de licenciosidade sexual e idolatria somavam-se ao fato que dormiam sobre roupas tomadas como garantia para empréstimos, por parte dos pobres. Tais vestes não deveriam ser retidas durante a noite (Êx 22.26; Dt 24.12,13).

 

o vinho dos que foram multados. Vinho tomado dos pobres como pagamento por multas injustamente impostas. Talvez a bebedeira acompanhasse a indulgência sexual que acaba de ser mencionada.

 

*          2.9                   eu destruí... o amorreu. Fiel às suas promessas da aliança com Israel (Gn 15.16-21), o Senhor tinha expulsado os cananeus (simplesmente chamados aqui de "amorreus") da Terra Prometida. Ver nota em Gn 10.16.

 

como a dos cedros. Essa descrição relembra o relatório dado pelos doze espias (Nm 13.32,33), mas também a ira de Deus contra tudo que é altivo e orgulhoso (Is 2.12-18).

 

fruto por cima... raízes por baixo. Uma expressão poética que indica destruição completa.

 

*          2.10                 da terra do Egito. Ao lembrar-lhes de sua fidelidade à Aliança (cf. Gn 50.24; Êx 3.8), o Senhor firma sua causa contra a infidelidade de Israel.

 

*          2.11                 suscitei profetas. Soberanamente, o Senhor levantou profetas (Dt 18.15-22), juízes (Jz 2.18), sacerdotes (1Sm 2.35) e reis (2Sm 7.12). Os profetas serviam como mensageiros do processo legal, enviados por Deus para conclamar o povo de Deus à obediência.

 

nazireus. Ver nota em Nm 6.1-21. O Antigo Testamento cita Sansão como um nazireu (Jz 13.4,5). Samuel provavelmente também foi um nazireu (1Sm 1.11, nota).

 

*          2.12                 Mas vós. Em contraste com a fidelidade do Senhor, Israel procurava frustrar os propósitos de Deus, ordenando aos mensageiros de Deus que não profetizassem, e fazendo os nazireus beberem vinho (uma violação de seus votos). Mostravam o seu desprezo tanto pelo Senhor como pela sua lei.

 

*          2.13                 farei oscilar a terra debaixo de vós. O original hebraico deste versículo é difícil de traduzir. Talvez devêssemos traduzi-lo como: "Eu vos pressionarei para baixo". Assim como uma carruagem atola pela pressão de seu conteúdo, e assim torna-se imóvel, assim também Israel será incapaz de fugir (v. 14).

 

*          2.14                 ao ágil, o forte. Um quadro vívido de impotência: os ligeiros dos pés não conseguirão escapar, e os fortes não permanecerão de pé.

 

*          2.15                 arco... pés... cavalo. Todas as unidades do exército falharão perante a ira de Deus.

 

*          2.16                 fugirá nu. Até os mais bravos guerreiros não somente se desfarão de sua armadura e de suas armas, mas também de todo o empecilho, incluindo as vestes, no pânico de sua fuga inútil. Essa fuga despida é uma total humilhação.

 

naquele dia. A frase com freqüência indica o dia do juízo do Senhor (Sf 1.7, nota). Aqui, refere-se ao dia da conquista de Israel pelos assírios, que já se aproximava.

 

*          3.1-15             Deus aciona um processo contra Israel através de seu servo, Amós.

 

*          3.1                   Ouvi a palavra. Esse mandamento solene ocorre de novo em 4.1 e 5.1, e reflete mandamentos para ouvir e obedecer o Senhor, existentes nos documentos do pacto original (Dt 4.1; 5.1; 6.3). Ele também ocorre regularmente nas ações judiciais da Aliança (Jr 2.4; Os 4.1).

 

*          3.2                   somente a vós outros vos escolhi. Em adição ao conhecimento (Gn 4.9), a palavra hebraica para "escolhi" tem uma vasta gama de significados, incluindo o sentido de relações sexuais (Gn 4.1). Aqui o termo denota a escolha soberana da parte de Deus, ou eleição de Israel como o objeto de seu cuidado amoroso (Gn 18.19; cf. Dt 7.7,8).

 

portanto. As graças do pacto do Senhor incluem a punição pelos pecados, precisamente por que ele ama o seu povo demais para permitir que o pecado passe sem disciplina (Pv 3.11,12).

 

*          3.3-6    Amós apresenta uma série de questões para as quais a resposta, em cada caso, é perfeitamente clara. O propósito dessas perguntas é enfatizar que a mensagem de Amós vem da parte de Deus.

 

*          3.3                   Andarão. "Andar junto" com alguém, neste caso, significa concordar com o destino e rota. Implicitamente, o profeta "anda" com o Senhor.

 

*          3.4                   Rugirá. Sendo um caçador silencioso, o leão ruge somente depois que a sorte de sua presa está selada. Assim como há uma razão para o rugido do leão, assim também deve haver uma causa por detrás das declarações do profeta.

 

*          3.5                   armadilha. Ver a referência lateral. Nenhuma ave seria apanhada em uma arapuca sem qualquer isca.

 

*          3.6                   trombeta. Ver nota em 2.2. No mundo antigo, o cerco de uma cidade era uma possibilidade terrível, pois freqüentemente resultava em inanição da população, seguidas de todos os horrores da conquista: estupros, pilhagem, assassinato e incêndios.

 

mal. O Antigo Testamento ensina que o Senhor é o Criador da paz e da calamidade (Is 45.7). Isso não quer dizer que Deus seja o autor do mal, mas antes, que, soberanamente, ele envia desastres ou adversidades sobre os indivíduos e nações, como uma justa punição. As maldições proferidas em Gn 3.14-19 mostram que o Senhor é quem envia tais punições.

 

*          3.7                   O SENHOR... não fará coisa alguma, sem primeiro revelar. O Senhor que age dessa maneira também revela-se e interpreta seus atos aos profetas e através deles. Deus revelou os seus planos acerca de Sodoma e Gomorra a Abraão, o primeiro "profeta" designado assim nas Escrituras (Gn 18.17 e 20.7).

 

seus servos, os profetas. Moisés, o supremo profeta do Antigo Testamento foi chamado de "servo do SENHOR" (Dt 34.5). Profetas subsequentes foram caracterizados pela frase similar: "Meus servos, os profetas" (Jr 7.25; Ez 38.17; cf. Dn 9.10).

 

*          3.8                   quem não profetizará? Da mesma maneira que o rugido do leão evoca o medo, assim também a voz do Senhor compelia os profetas a proclamarem a sua palavra (Dt 18.18; cf. 1Co 9.16).

 

*          3.9                   Fazei ouvir isto. Este mandato está no plural, e, aparentemente, é dirigido aos servos do Senhor, os profetas.

 

Asdode... Egito. Poeticamente, Amós convocou a nobreza pagã para considerar a injustiça que reinava em Samaria. Israel (o reino do norte) deveria ser mais justo, e não menos, que seus vizinhos pagãos; e é irônico que estes pagãos fossem chamados como testemunhas da má conduta de Israel.

 

os montes de Samaria. A cidade de Samaria estava cercada por montes, de onde os espectadores são solicitados a contemplá-la.

 

tumultos. Ou "perturbações" conforme a palavra foi traduzida em 2Cr 15.5. Tais condições eram resultantes do pecado, e eram o contrário de "paz" (no hebraico, shalom).

 

*          3.10                 a violência e a devastação. Os bens mal adquiridos com seu comportamento violento e destrutivo. Os ricos haviam saqueado e pilhado os pobres.

 

*          3.11                 inimigo. A Assíria. O pensamento contido neste versículo reflete a substância da maldição do pacto pela desobediência (Dt 28.52).

 

*          3.12                 o pastor livra... um pedacinho. De acordo com as leis antigas, os pastores deveriam demonstrar sua diligência ao resgatar uma porção de uma ovelha, apanhada por alguma besta fera (cf. Gn 31.39 e nota). A ovelha de Israel só será salva em uma condição mutilada — de fato, a nação seria destruída.

 

parte do leito. Os ricos reclinavam-se preguiçosamente em divãs baixos (como os romanos faziam mais tarde em seus banquetes), desfrutando do luxo que extorquiam dos pobres (6.4).

 

*          3.13                 Ouvi e protestai. O mandamento aqui (no plural) pode ter sido dirigido aos pagãos que tinham sido convocados como testemunhas, ou aos mensageiros do Senhor, que receberam ordens de convocar as testemunhas pagãs (v. 9 nota).

 

*          3.14                 No dia... por causa das suas transgressões. O fraseado aqui usado nos faz relembrar os documentos originais da Aliança (Êx 32.34).

 

altares de Betel. Jeroboão I tinha feito um bezerro de ouro para Israel adorar em Betel, no norte, como alternativa para desestimular a adoração em Jerusalém no sul, e tinha instalado ali um altar (1Rs 12.25-33). Tanto o altar quanto o santuário foram mais tarde destruídos por Josias (2Rs 23.15).

 

pontas do altar. Um fugitivo podia abrigar-se no templo segurando os chifres do altar (1Rs 1.49-51), embora esse privilégio nem sempre tenha sido observado (1Rs 2.28-35). Até esse último recurso para um Israel pecaminoso seria cortado.

 

*          3.15                 a casa de inverno... a casa de verão. A possessão tanto de uma casa de inverno quanto de uma casa de verão era um grande luxo, que somente os reis ou os muito ricos podiam sustentar. O Senhor destruiria essas casas múltiplas e mansões decoradas. A Assíria, o instrumento de julgamento de Deus (Is 10.5,6), era hábil em tal destruição e saque, como as vastas riquezas de Nínive testificam amplamente (Na 2.9).

 

*          4.1-13             Através de seu servo, Amós, Deus iniciou um segundo processo jurídico do pacto, contra Israel.

 

*          4.1                   Ouvi esta palavra. Ver 3.1 e nota.

 

vacas de Basã. As mulheres ricas de Samaria, que tinham sido criadas e cuidadas como o melhor gado de Basã, uma área fértil a leste do rio Jordão (Dt 3.1 nota).

 

*          4.2                   Jurou... pela sua santidade. Essa mesma frase ocorre uma vez mais em outro lugar, no Sl 89.35. Nenhum outro juramento pode ser maior ou mais definitivo (Hb 6.13,14).

 

anzóis. Freqüentemente, os assírios conduziam seus prisioneiros por meio de cordas que estavam presas a argolas ou anzóis postos em seus narizes ou lábios.

 

*          4.3                   e vos lançareis para Harmom. A localização é atualmente desconhecida.

 

*          4.4                   Betel... Gilgal. Esses eram locais importantes na história antiga de Israel; Betel fora um santuário durante o período dos juízes, e Samuel julgava tanto ali como em Gilgal (1Sm 7.16). Eram, igualmente, centros de adoração sincretista durante o período do reino dividido (5.5).

 

de três em três dias. Embora a palavra hebraica traduzida por "dia" aqui signifique um ano (referência lateral), ou mesmo um período não-especificado porém mais longo (Gn 1.5, nota), parece que aqui estão em pauta três dias literais. As observâncias religiosas de Israel ultrapassavam aquilo que a lei requeriam. Embora entusiasmados sobre questões rituais, os israelitas não gozavam de relacionamentos vivos com Deus.

 

*          4.5                   sacrifício... do que é levedado. A lei do pacto deixava claro que não deveriam queimar pão levedado como um sacrifício (Lv 2.11; 6.17; 7.12). Sarcasticamente, Amós os exortou a continuarem em sua desobediência.

 

porque disso gostais. No antigo Oriente Próximo, o termo "amor" tinha um significado especial nos pactos: o "amor" de um vassalo pelo seu soberano impunha obediência (Dt 6.5; cf. Jo 14.15). A desobediência da nação deixava claro que Israel amava os ritos e a idolatria, e não o Senhor.

 

*          4.6-11  Esta seção revisa o que o Senhor fez ao castigar o seu povo, a fim de adverti-los e chamar a atenção deles de volta a ele. A frase enfática "também vos deixei" indica a mudança de assunto. Todos os desastres aqui mencionados foram ameaçados no pacto (Dt 28). Israel deveria ter compreendido isso e se arrependido. Porém, conforme o refrão repete: "Contudo, não vos  convertestes a mim, disse o SENHOR" (4.6,8-11).

 

*          4.6                   vos deixei de dentes limpos. Os dentes deles estavam limpos porque nada tinham para comer. A Aliança tinha ameaçado com fome e carências, como penalidade por causa da desobediência (Dt 28.47,48).

 

*          4.7,8    a chuva. As chuvas de inverno, que caíam entre outubro e fevereiro eram essenciais para que os plantios começassem a crescer. As chuvas da primavera, ou "últimas chuvas", que caíam em março e abril, proviam o crescimento maduro (Jr 5.24). O Senhor havia prometido essas chuvas, se Israel obedecesse seus mandamentos (Lv 26.3,4), mas também havia advertido que ele as reteria, se fosse desobediente (Lv 26.18,19; Dt 28.23,24).

 

*          4.9                   o crestamento e a ferrugem. O Senhor havia ameaçado com essas pragas na lei da Aliança (Dt 28.22; cf. Ag 2.17).

 

gafanhoto. A palavra hebraica que indica esse inseto destruidor provavelmente deriva-se do verbo que significa "cortar" (cf. Jl 1.4; 2.25). Ironicamente, a punição aqui descrita é exatamente o que o Senhor tinha infligido ao Egito (Sl 105.34,35), cujo Faraó rebelara-se contra Deus. A rebelde nação de Israel recebeu a mesma punição, e, tal como Faraó, não se arrependeu.

 

*          4.10                 peste... Egito. O Senhor havia ameaçado a Israel com uma praga em sua Aliança com essa nação (Dt 28.21), juntamente com todas as enfermidades do Egito (Dt 28.21,60,61).

 

matei-os à espada. Essa foi outra maldição do pacto que foi cumprida (Êx 22.24).

 

*          4.11                 subverteu a Sodoma e Gomorra. Frases similares ou idênticas foram usadas em profecias contra a Babilônia (Is 13.19; Jr 50.40) e Edom (Jr 49.18). A devastação de Sodoma e Gomorra, proveu um símbolo do juízo de Deus contra o pecado (Gn 19.24,25; Dt 29.23 nota); aqui Deus promete destruir Israel completamente, da mesma maneira.

 

tição arrebatado da fogueira. Apesar da repetida misericórdia que Deus havia demonstrado pelo seu povo (p.ex., 2Rs 13.3-5; cf. Zc 3.2), eles permaneceram ingratos e sem arrependimento.

 

*          4.12                 Portanto, assim te farei. Ou então: "Porque isso é o que tenho feito a ti". O hebraico é ambíguo. Ou lança uma advertência acerca do futuro, ou cita o passado como uma razão para temer.

 

prepara-te... Deus. Essa frase deriva-se de Êx 19.15-17, onde após três dias de santificação, o povo encontrou o Senhor, no Sinai. Então encontraram com um Deus que estava graciosamente fazendo uma Aliança com eles. Agora, entretanto, eles se encontrariam com um Deus que estava vindo para julgar a desobediência deles à Aliança.

 

*          4.13                 quem forma... declara... faz... pisa... Este versículo tem a forma de um título real ou divino do antigo Oriente Próximo: uma série de títulos ou epítetos usados para descrever os feitos ou poderes de uma divindade ou de um rei. Aqui eles descrevem o grande Rei, o qual é abundantemente capaz de cumprir as maldições com as quais ele originalmente ameaçou no pacto (cf. Is 44.24-28).

 

SENHOR, Deus dos Exércitos. Ver nota em Zc 1.3.

 

*          5.1                   Ouvi esta palavra. Ver 3.1 e nota.

 

lamentação. Como se estivesse de luto por um morto, Amós derrama uma lamentação por Israel. Esse artifício literário é freqüentemente usado nas profecias do Antigo Testamento (p.ex., Jr 7.29; Ez 19.1; 26.17. 27.2 e 32.2).

 

*          5.2                   virgem de Israel. Esse tipo de personificação é usado acera de Israel (cf. Jr 18.13; 2Rs 19.21), bem como de outras nações tais como a Babilônia (Is 47.1) e o Egito (Jr 46.11).

 

Caiu. Esse termo é usado em outras lamentações (p.ex., 2Sm 1.19,25,27; 3.34; Lm 2.21).

 

*          5.3                   mil... dez. Os drásticos reversos militares descritos aqui talvez ecoem a profecia de tais desgraças na Aliança, que o Senhor advertiu que viriam por causa da idolatria (Dt 32.15-18,28-30).

 

*          5.4                   Buscai-me e vivei. O Senhor prometeu sair ao encontro daqueles que buscassem por ele, mesmo no exílio (Dt 4.29; cf. Lm 3.25). Tragicamente, o próprio povo do Senhor não buscou a ele (Is 9.13; Jr 10.21).

 

*          5.5                   Betel... Gilgal. Ver nota em 4.4.

 

Berseba. Esse antigo lugar santo (Gn 21.31-33; 26.23-25; 46.1-5) estava localizado a oitenta quilômetros a sul-sudoeste de Jerusalém. Pessoas do reino do norte iam até ali, em peregrinação (8.14). No século VII a.C., Josias destruiu os lugares altos "de Geba a Berseba", durante as suas reformas (2Rs 23.8).

 

Gilgal... cativa. Essas palavras formam um jogo de palavras aliterativo no hebraico.

 

*          5.6                   fogo. Ver nota em 1.4.

 

casa de José. Efraim e Manassés, as tribos que descendiam de José (Gn 48.15 nota), cujos territórios tribais continham Betel (Efraim) e Gilgal (Manassés). Esses santuários do norte seriam destruídos. Berseba, no reino do sul, escaparia ao fogo do julgamento que varreria o reino do norte.

 

quem o apague. O fogo do julgamento divino não poderia ser apagado (Is 1.31; Jr 4.4; Mt 3.12).

 

*          5.7                   o juízo... a justiça. Essas palavras com freqüência aparecem juntas no Antigo Testamento, como qualidades de vida que o Senhor deseja (v. 24; Is 5.7).

 

*          5.8                   faz... torna... derrama. Ver nota em 4.13. Essa majestosa descrição do Senhor faz um tremendo contraste com o versículo anterior.

 

Sete-estrelo. Um grupo de estrelas na constelação de Taurus, com seis ou sete estrelas bem visíveis a olho nú.

 

Órion. Na mitologia clássica, a constelação de Órion é "o Caçador". No livro de Jó, igualmente, o Sete-estrelo e o Órion são citadas juntas como evidências do poder e da sabedoria incomparáveis de Deus (Jó 9.9; 38.31).

 

*          5.10     na porta. Grande parte dos negócios legais de uma cidade era efetuada em sua porta, uma larga passagem com salas laterais.

 

ao que vos repreende. . . o que fala sinceramente. Temos aqui uma referência àqueles que reprovam a falsidade no tribunal e lá dão testemunhos verídicos. Israel tinha chegado a odiar tais pessoas, presumivelmente porque ameaçavam práticas corruptas e ganho desonesto (2.6 e nota).

 

*          5.11                 casas de pedras lavradas. Essas casas de pedras eram construções caras, em contraste com as casas de tijolos de barro, nas quais vivia a maioria das pessoas (cf. Is 9.10).

 

não habitareis... nem bebereis. A maldição da futilidade (o não desfrutar do fruto do próprio trabalho) tinha caído sobre os cananeus, quando Israel os expulsou de suas cidades (Dt 6.10,11). Agora Israel sofrerá sorte idêntica, de conformidade com as palavras de Dt 25.30 (cf. Is 65.21-23; 1Co 15.58).

 

*          5.12                 Porque sei. Israel precisava perceber que o Senhor sabe o que eles talvez imaginem que ele não saiba (cf. Sl 73.11; Jó 22.13,14).

 

suborno. O termo hebraico pode significar desde um suborno comum (1Sm 12.3) até um resgate por uma vida (Êx 21.30). Aqui pode se tratar do recebimento de um resgate pela vida de um assassino, o que era contrário a lei (Nm 35.31).

 

*          5.13                 tempo mau. Essa frase explica por que os prudentes guardarão silêncio; os tempos serão tão maus que a verdade não será tolerada.

 

*          5.14                 Buscai o bem e não o mal. Quanto a esse pensamento de arrependimento eficaz, ver Is 1.16,17. Em 5.4, eles foram convidados: "Buscai-me". Somente Deus é bom (Mt 19.17).

 

para que vivais. A obediência ao Senhor traria aos israelitas segurança e prosperidade (Dt 28.1-14); mas este versículo indica uma verdade mais profunda: conhecer a Deus é receber a própria vida (Jo 17.3).

 

Deus... estará convosco. Essa é a mais profunda necessidade do povo de Deus, expressa profeticamente no nome de Emanuel ("Deus conosco", Is 7.14; cf. Mt 1.23).

 

como dizeis. Israel alegava presunçosamente que o Senhor estava com eles, apesar da rebeldia deles, simplesmente porque Deus tinha entrado em aliança com eles (cf. Mt 3.9).

 

*          5.15                 na porta o juízo. Ver nota no v. 10.

 

restante de José. O reino do norte, Israel, era dominado pela tribo de Efraim, descendentes de um dos filhos de José (Dt 33.17 nota). Embora Israel fosse relativamente próspero e forte, essa frase antecipa o futuro, depois do castigo divino, quando, graciosamente, ele restauraria um remanescente do povo.

 

*          5.17                 todas as vinhas. As lamentações por causa de Israel ressoarão em todas as partes da nação, visto que cada uma de suas regiões seria punida.

 

passarei pelo meio. O mesmo verbo ocorre em Êx 12.12, onde o Senhor fala de seu iminente julgamento do Egito. Ironicamente, porque Israel tornara-se tão pagão quanto o Egito, Deus agora também "passaria pelo meio" de Israel em julgamento (7.2 nota).

 

*          5.18-27           Esta segunda porção do quinto capítulo trata do dia do Senhor e de sua rejeição a Israel.

 

*          5.18                 o Dia do SENHOR. Em última análise, esse é o grande e terrível "dia do SENHOR", quando ele vier para julgar (cf. Is 2.12; 13.6-13; Ob 15; Sf 1.7,14). Cada julgamento do Antigo Testamento era, igualmente, um "dia do SENHOR", antecipando aquele dia final. Joel descreveu esse dia como dia de terríveis julgamentos e de destruição (Jl 1.15-20; 2.11), embora o mesmo também seria acompanhado por um derramamento redentor do Espírito de Deus (Jl 2.28-32).

 

de trevas, e não de luz. Somente o Senhor tem o poder de fazer o dia ser tão escuro como a noite, tanto literal quanto figuradamente no seu juízo (v. 8).

 

*          5.19                 leão... urso. Amós retrata vividamente a inutilidade de tentar escapar ao juízo divino (Is 24.17,18).

 

*          5.20                 claridade. Além de denotar a luz física, a palavra hebraica para "claridade" é associada com o Senhor (Sl 18.12; Is 4.5) e com os justos (Pv 4.18,19; Is 60.3; 62.1). Na terra não haverá a luz da retidão, e nem o brilho do rosto favorável do Senhor. O julgamento será negro e total, engolfando a terra inteira.

 

*          5.21-24           Quanto a uma condenação similar de rituais e sacrifícios vazios e sem arrependimento, ver Mq 6.6-8 (cf. Mt 5.23,24 e 1Co 13.3).

 

*          5.21                 Aborreço, desprezo. Duas palavras hebraicas combinam-se aqui para exprimir com mais ênfase a atitude do que qualquer uma delas poderia transmitir por si mesma. O resultado dessa combinação poderia ser: "Rejeito com ódio completo".

 

não tenho nenhum prazer. Essa linguagem refere-se a holocaustos. De acordo com a Aliança mosaica, o Senhor declara que se o seu povo fosse desobediente, ele não "aspiraria o aroma agradável" de suas ofertas (Lv 26.31).

 

*          5.24                 o juízo... a justiça. Ver nota no v. 7.

 

ribeiro perene. Os ribeiros ou "wadis" do Oriente Médio são cursos de água que correm sobre leitos pedregosos através dos quais as torrentes se precipitam nas estações chuvosas, mas que se ressecam em outras épocas. O Senhor deseja uma retidão que seja como a dele, isto é, forte e na qual se pode confiar.

 

*          5.25                 Apresentastes-me. Oferendas tinham sido apresentadas ao Senhor durante as peregrinações no deserto (Êx 18.12; Lv 9.8-24). A pergunta enfatiza que tais oferendas não eram de importância primária para o Senhor. Pelo contrário, ele quer adoração em espírito e em verdade, acompanhada pelo verdadeiro arrependimento.

 

*          5.26                 levastes Sicute... Quium. Sicute (ou Sakute) era uma divindade assíria associada ao planeta Saturno, enquanto que Quium (ou Kaiwan) era um termo babilônico para Saturno. Amós refere-se aqui a ídolos associados a divindades astrais, que eram carregados em procissões cúlticas. A Septuaginta (Antigo Testamento Grego) traduz a expressão hebraica "Sicute, vosso rei" como "tabernáculo de Moloque" (as consoantes hebraicas são as mesmas), um texto citado por Estêvão, em At 7.43.

 

que fizestes para vós mesmos. Os ataques do Antigo Testamento contra a idolatria  com freqüência concentram a sua atenção sobre a natureza dos ídolos como artefatos humanos (Is 44.9-20; Jr 10.1-5 e Mq 5.13).

 

*          5.27     para além de Damasco. O banimento para além de Damasco, na Síria, implicava em exílio à Assíria, conforme o público alvo do profeta entenderia bem. O exílio para longe da pátria era uma das maldições originais do pacto (Dt 28.36,64).

 

*          6.1       Sião... monte de Samaria. Sião (Jerusalém) e Samaria eram as capitais de Judá e de Israel, respectivamente. Tal como seus contemporâneos Oséias, Isaías e Miquéias, Amós recebeu profecias dirigidas tanto ao reino do norte quanto ao reino do sul (Os 6.4-11; Mq 1.5).

 

principal das nações. A mesma frase irônica ocorre também em Nm 24.20 (referindo-se a Amaleque). Israel tinha-se tornado uma nação poderosa e próspera, sob Jeroboão II, e poderia imaginar-se a primeira entre as nações.

 

*          6.2                   Calné. A identidade dessa cidade é incerta, mas pode ser a Calno mencionada em Isaías 10.9, que foi conquistada por Sargão II, rei da Assíria, em 710 a.C.

 

grande Hamate. Localizada ao norte de Dã, no rio Orontes, na Síria, foi restaurada ao controle israelita por Jeroboão II (2Rs 14.23-25).

 

Gate. Gate era uma das cinco principais cidades da Filístia (1.6 nota). Uzias, de Judá, tinha recapturado Gate do controle sírio (2Rs 12.17; 2Cr 26.6).

 

sois melhores... será maior o seu território. O contexto histórico e significado exatos deste versículo tem sido debatido. Alguns sugerem que Calné, Hamate e Gate tinham sido conquistadas, e que Israel, portanto, também não deveria esperar escapar à conquista. Outros argumentam que Amós mencionou outras capitais florescentes da região para mostrar que Israel era tão grande quanto eles, talvez dando a entender que o território de Israel não era tão pequeno que os agressores o desconsiderariam e atacariam aquelas outras capitais.

 

*          6.3                   trono da violência. Israel havia entronizado a violência, como a extorsão e o abuso dos pobres, como um meio de vida, ao mesmo tempo em que negava que o dia do juízo estava chegando.

 

*          6.4                   marfim. Um símbolo de riquezas e do luxo (3.15; 1Rs 10.22).

 

cordeiros... bezerros. Cordeiros escolhidos eram guardados em estábulos, onde eram engordados para ocasiões especiais. Tal era o alimento normal dos ricos em Samaria.

 

*          6.5                   como Davi. Uma comparação irônica com os interesses musicais de Davi. Mas diferente dos esforços frívolos deles, Davi compôs muitos salmos para a glória do Senhor (2Sm 23.1).

 

*          6.6                   em taças. Ou seja, em taças grandes ou bacias. A mesma palavra hebraica é usada para as bacias grandes perante o altar, no templo (Nm 7.13; Zc 14.20). A hipérbole usada pelo profeta retrata vividamente os excessos da cidade.

 

José. Ver nota em 5.6.

 

*          6.7                   em cativeiro entre os primeiros. Essa frase é um jogo de palavras no hebraico sobre a frase anterior, "principal das nações" (v. 1). Israel se imaginava a principal das nações, mas estaria entre os primeiros exilados.

 

*          6.8-14             Uma série de pronunciamentos de julgamento segue as acusações divinas dos vs. 1-7.

 

*          6.8                   Jurou... por si mesmo. De maneira semelhante ao que se vê em Gn 22.16; Êx 32.13; Is 45.23, indicando aqui que a sentença judicial era inalterável (Hb 6.13 nota).

 

a soberba de Jacó. Refere-se tanto ao orgulho de Israel como àquilo de que se orgulhava — sua força militar. A palavra traduzida por "castelos" tem o sentido de "palácios fortificados" ou "fortaleza".

 

*          6.9                   Se numa casa ficarem dez homens. O significado parece ser que pequenos remanescentes que esperavam escapar, serão achados e mortos.

 

*          6.10                 um parente chegado... os há de queimar. Lit., "o parente de um homem e seu queimador", provavelmente o mesmo individuo. O temor à epidemia pode ter requerido cremação, em lugar de sepultamento. Ou a queima mencionada pode ser um fogo aceso em respeito aos mortos (Jr 34.5).

 

não menciones o nome do SENHOR. Anteriormente, uma pessoa poderia mencionar ou invocar o nome do Senhor, pedindo ajuda, visto ser ele o Deus do pacto com Israel. Mas no dia do juízo uma pessoa não podia fazer isso, porquanto o Deus da aliança estaria chegando para executar sua sentença (cf. Is 48.1).

 

*          6.11                 ordena. O Senhor estava despertando a Assíria, seu instrumento de juízo, para marchar contra Israel (cf. Is 10.5,6).

casa grande, e a pequena. Ambas as casas grandes dos ricos e as casas pequenas dos pobres serão esmagadas pelo julgamento vindouro. Aqui, como freqüentemente em Hebreus, a palavra para “casa” pode também significar “família”.

 

*          6.12                 Poderão correr cavalos na rocha?   Obviamente não. Ninguém faz correr um cavalo num chão  tão traiçoeiro. Nem também iria alguém lavrar nas rochas. Mas a injustiça de Israel é igualmente absurda. Uma leitura sugerida da segunda pergunta, “lavrar-se-á ela com bois”, requer uma divisão diferente de palavras no hebraico, e não é atestada por nenhuma versão antiga. É melhor tomarmos “rocha” como subentendido, embora não explicitamente declarado, na segunda pergunta.

*          6.13                Lo-Debar. . . Carnaim. Lo-Debar era uma cidade de fronteira em Gileade. Carnaim, uma cidade na planície de Basã, no caminho de Damasco. Ambas foram aparentemente retomadas de Hazael por Jeoás (2 Rs 10.32,33;  13.25), mas mais tarde conquistadas pela Assíria (2 Rs 15.29). Os nomes significam respectivamente “nada” e “um par de chifres”. Um trocadilho é pretendido, pelo qual Amós diz que Israel se alegra na conquista de nada (a conquista de Lo-Debar, que logo será tomada pela Assíria, teve vida curta);  e se gloria em haver tomado “um par de chifres” (simbólicos de força militar no antigo Oriente Próximo), por sua própria força. Suas conquistas deram em nada, e sua força se desvanecerá antes do julgamento do Senhor. 

 

*          6.14                uma nação. A Assíria.

 

Hamá até ao ribeiro de Arabá. As fronteiras norte e sul do reino restaurado por Jeroboão II (2 Rs  14.25).

 

*          7.1 - 8.3                        Esta longa seção contém quatro visões (7.1-3; 7.4-6; 7.7-9; 8.1-3) e uma seção autobiográfica relacionada com a terceira visão (7.10-17). As primeiras duas visões têm esta estrutura: (a) o Senhor dá a visão; (b) Amós intercede; (c) o Senhor se arrepende. A conversação entre o Senhor e seu profeta  é uma parte integral da experiência visionária.

 

*          7.1                  gafanhotos. A palavra hebraica, que ocorre somente aqui e em Na 3.17, denota gafanhotos recém-formados, em grupos.

 

erva serôdia. . . ceifas do rei. Este verso parece indicar que a primeira colheita (as “ceifas do rei”) representava a parte do rei (cf. 5.11; 1 Rs 12.4), enquanto o fazendeiro e sua família dependiam da segunda colheita para sobreviver. A destruição desta segunda colheita pelos gafanhotos colocava a população em risco de passar fome.

 

*          7.2                  comido de toda a erva da terra. A palavra hebraica para erva é geral; toda vegetação foi destruída, não somente as colheitas. Em hebraico, a frase completa faz eco à descrição da praga dos gafanhotos em Ex 10.12,15 (“toda a erva da terra”). O Senhor puniria Israel assim como ele puniu o Egito antes do Êxodo.

 

*          7.3                   se arrependeu. Movido pelo apelo intercessório, o Senhor está querendo mudar sua mente ou arrepender-se, no que diz respeito à punição pretendida (cf. Ex 32.12,14; Jl 2.13; Jn 3.10; Jr 18.8) . Ver nota em Gn 6.6.

 

*          7.4                   chamou o fogo. Ver nota em 1.4; Is 66.15-16.

 

o grande abismo. O “grande abismo” poderia ser o Mar Mediterrâneo, embora a mesma frase seja também usada para as caóticas águas subterrâneas (Gn 7.11, nota) e para o Mar Vermelho, no cruzamento de Israel (Is 51.10). A perspectiva de um fogo que vai devorar mar e terra faz eco com a advertência de julgamento da aliança em Dt 32.22. A linguagem excede o que aconteceu no Novo Testamento, mas sugere de antemão o Último Julgamento (cf. 2 Pe 3.10; Ap 21.1), do qual todos os julgamentos prévios não são senão tipos.

 

*          7.7                   Mostrou-me. Esta e a quarta visão (8.1-3) têm a mesma estrutura: (a)  o Senhor dá visão; (b) o Senhor questiona Amós; (b)  Amós replica; (d) O Senhor explica e julga. Experiências visionárias similarmente estruturadas são registradas em Jr 1.11,12,13-16.

 

um muro levantado a prumo.  Muitos interpretam esta imagem como sendo Israel sendo julgado para ver se correspondia ao padrão de Deus. Outros, seguindo outra análise de palavras, preferem “muro de lata”. O mesmo simbolismo do “muro”, na literatura egípcia, é usado para capacidade militar (cf. “muro de bronze”, Jr 15.20 e “muro de ferro”, Ez 4.3) O uso de uma palavra acádia (assíria) para o metal indica a fonte do poder militar que o Senhor vai usar para julgar Israel.

 

tinha um prumo na mão. Ver nota acima. Muitos interpretam esta frase como uma referência à lei da aliança de Deus, seu padrão para julgamento. Outros traduzem  esta frase como  “com lata em sua mão”, uma provável referência ao poder assírio, antecipando que ele porá “lata”  (i.e. poder assírio) no meio de seu povo (v. 8).

 

*          7.8                   jamais passarei por ele. Não mais o Senhor passará por cima de  suas transgressões (Mq 7.18).

 

*          7.9                   os altos. . . os santuários. Estes altos lugares eram locais de adoração idólatra cananéia (Dt 12.12; 2 Rs 17.10-12). Os santuários eram para adoração idólatra ou sincretista.

 

espada. . . casa de Jeroboão. O próprio Jeroboão poderia não morrer à espada, mas sua casa ou família poderia ser afetada. Embora Jeroboão aparentemente tenha morrido de morte natural (2 Rs 14.29), seu filho Zacarias foi morto (2 Rs 15.10).

 

*          7.10-17                       A seção autobiográfica aparentemente relaciona-se à terceira visão, contando a reação de Amazias às profecias de Amós.

 

*          7.10                 o sacerdote de Betel. Amazias foi provavelmente o sumo sacerdote do templo de Betel. 

 

Amós tem conspirado. As implicações políticas da pregação do profeta são aparentes. Jeremias também foi erradamente considerado um traidor por causa de suas profecias contra Judá (Jr 26.11; 37.11-13; 38.1-6).

 

*          7.11                Jeroboão morrerá à espada. Provavelmente uma alusão à profecia, no versículo 9. Amazias distorce a citação de Amós, para fazer com que Jeroboão se sinta pessoalmente mais ameaçado.

 

*          7.12                ali come teu pão. . . profetiza. Provavelmente isto significa “ganha a tua vida profetizando ali em Judá”. Embora fosse apropriado que um profeta fosse pago por seu trabalho (1 Sm 9.6-8; exc. cf. Mq 3.5,11), Amazias acusa Amós de ser meramente um profeta de aluguel. As ordens de Amazias aqui são um exemplo do pecado de ordenar aos profetas que não profetizem (2.12).

 

*          7.13                 santuário do rei . . .templo do reino. Desde o tempo em que Jeroboão I estabeleceu a idolatria em Betel (3.14 nota), os reis de Israel tinham uma grande influência no culto. Amazias está preocupado com o santuário de seu reino terreno, em vez do santuário do grande Rei, o Senhor. Ironicamente, Amazias é o oficial religioso empenhado em proteger os interesses terrenos  -- a mesma acusação que ele trouxe contra Amós (v.12). Uma futura geração de profetas iria, da mesma maneira, levar à morte Jesus, o maior dos profetas, por causa da preocupação errada de proteger seu próprio reino e templo (Jo 11.48).

 

*          7.14                não sou profeta, nem discípulo de profeta. Amós não era originalmente um profeta, nem um dos chamados “filhos de profeta” (i.e., discípulos de profetas: 1 Rs 20.35; 2 Rs 2.3,5,7,15). Ele não era um profeta profissional pago.

 

boleiro. Ver nota em 1.1.

 

colhedor de sicômoros.  Alguém que tratava a fruta com corte especial, para garantir uma doçura maior, quando  a fruta estava madura. Amós era talentoso em mais de um negócio (1.1).

 

*          7.15                 o Senhor me tirou. . . meu povo Israel. Amós rejeita completamente a acusação de Amazias (7.12) e destaca seu divino chamado para profetizar. O mesmo fraseado é usado para a escolha que o Senhor fez de Davi para rei de Israel (2 Sm 7.8) A alusão do profeta ao chamado de Davi indica que o Senhor tem o direito soberano de escolher tanto reis como profetas -- e que seus profetas têm todo direito de profetizar na “residência oficial do rei” (v. 13).

 

*          7.16                 Não profetizarás. Ver 2.2 e nota; 7.12,13)

 

*          7.17                mulher se prostituirá. Ou sendo violentada na queda da cidade, ou por desespero, depois da perda da família e da riqueza (Dt 28.30)

 

teus filhos e tuas filhas. Filhos e filhas eram freqüentemente punidos junto com os pais pelas transgressões da aliança (Dt 28.32,53; Jr 5.17; Ez 24.21); morte violenta era uma punição típica da aliança (Is 3.25; Jr 39.18).

 

morrerás na terra imunda. O exílio seria extremamente desgostoso para o sacerdote Amazias; vivendo numa terra pagã ele se tornaria ritualmente imundo. ver nota em Lv 11-16.

 

Israel. . . terra. Amós sarcasticamente cita as próprias palavras de Amazias do v. 11, devolvendo-as a ele.

 

*          8.2                  frutos de verão. As palavras hebraicas para “fruto de verão” e “fim” são parecidas, e são inteligentemente trazidas juntas aqui, para fazer efeito. A visão dos frutos de verão indica que “chegou o fim” para Israel.

 

passarei por eles. Ver nota em 7.8.

 

*          8.3                   naquele dia. Ver nota em 5.18.

 

cânticos. . . uivos. O Senhor não mais toleraria o barulho dos cânticos do templo (5.23), que se tornariam em uivos de infortúnio quando o Senhor viesse em julgamento.

 

multiplicar-se-ão os cadáveres. Uma abundância de cadáveres era típica nas cidades derrotadas do antigo Oriente Próximo, especialmente quando vencidas pelos assírios (Na 3.3).

 

*          8.4-14                         Deus acusa Israel de injustiça social, desonestidade comercial e indiferença para com os dias santos.

 

*          8.5                   lua nova. . . sábado. O festival da lua nova era celebrado a cada quarta semana, com ofertas variadas (Nm 28.11-15). O sábado, observado  a cada semana, foi estabelecido nos atos da criação (Ex 20.8-11) e redenção (Dt 5.12 nota) de Deus. O trabalho era proibido nestes dias.

diminuindo o efa. . . balanças. Tais práticas desonestas de negócios eram contra a lei do Senhor, e resultariam no seu julgamento (Lv 19.36; Dt 25.14).

 

*          8.6                   dinheiro. . . sandálias. Ver notas em 2.6.

 

o refugo de trigo. Literalmente, “o trigo recusado”. Os donos das propriedades vendiam até a palha, que caía no chão quando o trigo era peneirado, juntando-a com o trigo e enganando o comprador.

 

*          8.7                   a glória de Jacó. Ver nota em 6.8. Aqui, a frase pode se referir ao próprio Senhor, ou à terra de Israel, que em outros lugares é chamada de “nossa herança. . . a excelência de Jacó” (Sl 47.4)

 

*          8.8                   será agitada e baixará. Todo ano o Nilo subia e transbordava, inundando o campo e deixando ricos depósitos de sedimentos. A imagem é usada aqui para ilustrar uma inundação de julgamento que vem -- o levante da invasão assíria (cf. Is 8.7,8).

 

*          8.9                   naquele dia. Ver nota em 5.8.

 

farei. . . entenebrecerei. Embora tal idolatria fosse estritamente proibida pela aliança (Dt 4.19), Judá e Israel engajaram-se em adoração do sol e da lua (5.26 nota; 2 Rs 23. 5,11). As declarações aqui afirmam que só ele é Deus, e o sol meramente uma de suas criações (Gn 1.16 e notas).

 

a terra. Ou, a terra de Israel, que estava para ser punida. A frase relembra diretamente a praga da escuridão que o Senhor trouxe sobre a terra do Egito (cf. Ex 10.21,22; Sl 105.28) Aqui, novamente, o Senhor está prestes a julgar  Israel com um julgamento similar ao do Egito.

pano de saco. Este tecido  rude era usado como um sinal de lamentação, para indicar que os prazeres da vida não mais importavam ao que lamentava (Gn 37.34; 2 Sm 3.31)

 

calva sobre toda a cabeça. Raspar a cabeça era um sinal de lamentação. Era proibido na aliança (Lv 21.5; Dt 14.1), talvez porque fosse uma prática pagã de desfiguração do  corpo que desgraçava a imagem de Deus (Is 15,2,3; Ez 27.30,31). Ironicamente foi profetizado para Israel e Judá (cf. Is 3.24; Mq 1.16).

 

amarguras. Um termo descrevendo a conseqüência final do pecado (2 Sm 2.26; Pv 5.4).

 

*          8.11                 fome. . . de ouvir a palavra. Esta maldição provém da lei da aliança Dt 32.20; Os 3.4). Assim também, no período dos juízes, quando o pecado era abundante (Jz 21.25) , “a palavra do Senhor era rara” (1 Sm 3.1).

 

*          8.12                 de mar a mar. Uma frase padrão no antigo Oriente Próximo, indicando “os confins da terra”, isto significava literalmente “do Mediterrâneo ao Golfo Pérsico”.

 

*          8.13                 as virgens formosas . . .os jovens. Mesmo os jovens e robustos estarão no fim de suas forças (cf. Is 51.20).

 

sede. O enfoque é sobre a situação física extrema (cf. 4.7,8), embora a sede espiritual possa também estar em vista (v. 11).

 

*          8.14                 juram pelo ídolo. Ver nota do texto. Jurar por um deus, no antigo Oriente Próximo, implicava no reconhecimento e adoração desse deus. Os israelitas tinham ordens de jurar somente pelo Senhor (Dt 6.13; 10.20; cf. Jr  5.7; Sf 1.5).

 

*          9.1- 6              Nas outras quatro visões, Amós era um intercessor ou réu das perguntas do Senhor (7.1 - 8.3 nota; 7.7 nota). Nesta visão, contudo, Amós não tem voz ativa, mas simplesmente registra o que vê.

 

Fere. . . de todos eles. A ordem parece ser para um anjo (cf. 2 Sm 24.16; 2 Rs 19.35) destruir o templo, fazendo-o cair sobre as cabeças daqueles que estão dentro (cf. Jz 16.29,30).

 

*          9.2                   abismo. . . céu. Este par expressa poeticamente a amplitude do domínio de Deus (Sl 139.7-12; Is 7.11).

 

*          9.3                  Carmelo. Ver 1.2 e nota.

 

fundo do mar. Em contraste com a altura do Monte Carmelo. Uma vez que o Monte Carmelo estava próximo à costa de Israel, uma fuga iria levar as pessoas para dentro do mar.

 

serpente. O monstro marinho é talvez o Leviatã de Is 27.1. A soberania de Deus sobre toda a criação é poeticamente afirmada; ninguém pode escapar de sua justiça.

 

*          9.4                   cativeiro. Uma das maldições da aliança para a desobediência.

 

*          9.5,6                Esta seção constitui um título divino curto (4.13 nota), identificando o Senhor como Juiz.

 

*          9.5                  toca. . . derrete. Para expressões semelhantes do surpreendente poder do Senhor, ver Sl 46.6; 104.32; Na 1.5.

 

subirá. . . abaixará. Ver nota em 8.8.

 

*          9.6                   câmaras. Isto poderia ser interpretado como “palácio” ou “templo” (cf. Ap 11.19). A palavra hebraica significa “degraus”  ou “escadas”, como aqueles usados para entrar no templo, particularmente no templo do final dos tempos (Ez 40.6,22,26,31,34).

 

abóbada. Literalmente, “arcos”. Aqui talvez signifique o arco ou arcada do céu (Ez 24.10, nota)

 

O Senhor é o seu nome. Uma exata repetição da frase em 5.8.

 

*          9.7                   como os filhos dos etíopes. Literalmente, “como os filhos dos cusitas”, as tribos de pele escura do sul do Egito (Gn 10.6). A Israel pecadora rejeitou a aliança e não é mais privilegiada do que os etíopes.

 

Egito. . . Caftor. . . Quir. Tornando o êxodo de Israel do Egito poeticamente paralelo (e daí  implicitamente igual) a seus tratamentos com outras nações, Deus diz a Israel que ela não se tornou melhor do que os pagãos.

 

Caftor. Creta.

 

de Quir os siros. Ver nota em 1.5.

 

*          9.8                   reino pecador. Israel.

 

não destruirei de todo. Um remanescente graciosamente escolhido sobreviverá.

 

*          9.9                   sacudirei. . . entre todas as nações. O Senhor espalharia seu povo entre as nações, primeiro por meio da Assíria, que freqüentemente estabelecia  os povos conquistados em diversas partes de seu império.

 

como se sacode trigo. Figurativamente separando o trigo (os fiéis) da palha (os pecadores), a experiência do exílio servirá para purificar a nação de Israel (v. 10).

 

*          9.10                 o mal não nos alcançará. A negação do julgamento, como a negação da culpa, é característica de pecado.

 

*          9.11-15                       Amós conclui com um oráculo da restauração prometida, ordenada como segue: (a)  reconstrução (v. 11); (b) conquista (v. 12); (c)  abundância frutífera (v.13); (d) reconstrução e replantio (v. 14); segurança duradoura (9.15). Amós garante a seus leitores que, uma vez que o julgamento do exílio  tenha passado, a restauração é tão certa quanto a dispersão.

 

*          9.11                 Naquele dia. O dia do Senhor é aqui descrito como o tempo da libertação de Israel (Sf 1.7 nota).

 

tabernáculo. Ver nota de texto. A “tenda” representa a dinastia de Davi que, aos olhos do profeta, era tão boa quanto decaída. Mas o tabernáculo de Davi será reconstruído. Em Jesus, o maior Filho de Davi, a dinastia de Davi foi restabelecida (At 15.16,17).

 

*          9.12                Edom. Embora sujeito a julgamento divino (1.11,12), um remanescente de Edom será trazido sob o reinado redentor do Filho de Davi. Edom, e na realidade todas as nações, serão beneficiadas por ficarem sob o domínio do futuro Rei (Sl 2.8). Em At 15.16,17, Tiago aplica esta passagem a Deus, tomando um povo para si mesmo dentre os gentios, e incluindo-o na igreja.

 

e todas as nações. O acréscimo desta frase sugere que “o remanescente de Edom” representa os redimidos de todas as nações.

 

que são chamadas pelo meu nome. Esta frase nos diz que alguns, não todos, de cada grupo gentio, virão para debaixo do domínio do Filho de Davi. Somente aquelas que levam o nome do Senhor, entre as nações, serão incluídas. A frase (lit., “sobre quem meu nome é chamado”) indica subordinação ao Nome, e algumas vezes é usada a respeito da subordinação de Israel ao senhorio da aliança do Senhor (Dt 28.10; Jr 14.9). Amós prevê que o Senhor tomará posse do remanescente de todas as nações e reinará sobre ele numa relação de aliança  através de seu Rei messiânico (At 15.13-17)

 

*          9.13                 Uma predição de abundância, na realidade mais do que abundância, segue as profecias de desastre e desolação. A culminação da obra redentora do Senhor através do Filho de Davi é retratada em termos de ciclos infindáveis de fecundidade, que nos lembram o Éden, mas o sobrepujam. (cf. Jl 3.18).

 

*          9.14                mudarei a sorte de meu povo. Ou “trarei de volta os cativos”. Uma frase que se repete nas profecias dos julgamentos da aliança (Jr 29.14; Ez 16.53; Os 6.11).

 

reedificarão...habitarão...plantarão...beberão. Estas bênçãos revertem as maldições de futilidade anteriores (5.11, nota).

 

*          9.15                 Plantá-los-ei. O Senhor promete segurança duradoura para seu povo. A aliança de Deus com Davi tinha prometido um reinado eterno (v.11; 2 Sm 7.10). O filho maior de Davi, Jesus Cristo, garantirá as bênçãos permanentes da Israel redimida.

 

dessa terra que lhes dei.  Ver nota em Gn 13.15. A frase relembra a aliança de Deus com Abraão e seus descendentes (Gn 12. 1,7; 13.14-17; 15.18;17.8). A Terra Prometida física não é senão um tipo da vida da Nova Israel em Cristo; aponta para o futuro, para a Jerusalém celestial (Hb 11.13-16; 12.22-24). A promessa da terra da aliança encontra cumprimento final nos novos céus e nova terra (Ap 21.1 - 22.6). 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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