1-60
7 A defesa de Estevão
1-53
7:1 Então, lhe perguntou o sumo sacerdote:
Porventura, é isto assim?
7:2 Estêvão respondeu: Varões irmãos e pais,
ouvi. O Deus da glória apareceu a Abraão, nosso pai, quando estava na
Mesopotâmia, antes de habitar em Harã,
7:3 e lhe disse: Sai da tua terra e da tua
parentela e vem para a terra que eu te mostrarei.
7:4 Então, saiu da terra dos caldeus e foi
habitar em Harã. E dali, com a morte de seu pai, Deus o trouxe para esta terra
em que vós agora habitais.
7:5 Nela, não lhe deu herança, nem sequer o
espaço de um pé; mas prometeu dar-lhe a posse dela e, depois dele, à sua
descendência, não tendo ele filho.
7:6 E falou Deus que a sua descendência seria
peregrina em terra estrangeira, onde seriam escravizados e maltratados por
quatrocentos anos;
7:7 eu, disse Deus, julgarei a nação da qual
forem escravos; e, depois disto, sairão daí e me servirão neste lugar.
7:8 Então, lhe deu a aliança da circuncisão;
assim, nasceu Isaque, e Abraão o circuncidou ao oitavo dia; de Isaque procedeu
Jacó, e deste, os doze patriarcas.
7:9 Os patriarcas, invejosos de José,
venderam-no para o Egito; mas Deus estava com ele
7:10 e livrou-o de todas as suas aflições,
concedendo-lhe também graça e sabedoria perante Faraó, rei do Egito, que o
constituiu governador daquela nação e de toda a casa real.
7:11 Sobreveio, porém, fome em todo o Egito;
e, em Canaã, houve grande tribulação, e nossos pais não achavam mantimentos.
7:12 Mas, tendo ouvido Jacó que no Egito havia
trigo, enviou, pela primeira vez, os nossos pais.
7:13 Na segunda vez, José se fez reconhecer
por seus irmãos, e se tornou conhecida de Faraó a família de José.
7:14 Então, José mandou chamar a Jacó, seu
pai, e toda a sua parentela, isto é, setenta e cinco pessoas.
7:15 Jacó desceu ao Egito, e ali morreu ele e
também nossos pais;
7:16 e foram transportados para Siquém e
postos no sepulcro que Abraão ali comprara a dinheiro aos filhos de Hamor.
7:17 Como, porém, se aproximasse o tempo da
promessa que Deus jurou a Abraão, o povo cresceu e se multiplicou no Egito,
7:18 até que se levantou ali outro rei, que
não conhecia a José.
7:19 Este outro rei tratou com astúcia a nossa
raça e torturou os nossos pais, a ponto de forçá-los a enjeitar seus filhos,
para que não sobrevivessem.
7:20 Por esse tempo, nasceu Moisés, que era
formoso aos olhos de Deus. Por três meses, foi ele mantido na casa de seu pai;
7:21 quando foi exposto, a filha de Faraó o
recolheu e criou como seu próprio filho.
7:22 E Moisés foi educado em toda a ciência
dos egípcios e era poderoso em palavras e obras.
7:23 Quando completou quarenta anos, veio-lhe
a idéia de visitar seus irmãos, os filhos de Israel.
7:24 Vendo um homem tratado injustamente,
tomou-lhe a defesa e vingou o oprimido, matando o egípcio.
7:25 Ora, Moisés cuidava que seus irmãos
entenderiam que Deus os queria salvar por intermédio dele; eles, porém, não
compreenderam.
7:26 No dia seguinte, aproximou-se de uns que
brigavam e procurou reconduzi-los à paz, dizendo: Homens, vós sois irmãos; por
que vos ofendeis uns aos outros?
7:27 Mas o que agredia o próximo o repeliu,
dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz sobre nós?
7:28 Acaso, queres matar-me, como fizeste
ontem ao egípcio?
7:29 A estas palavras Moisés fugiu e tornou-se
peregrino na terra de Midiã, onde lhe nasceram dois filhos.
7:30 Decorridos quarenta anos, apareceu-lhe,
no deserto do monte Sinai, um anjo, por entre as chamas de uma sarça que ardia.
7:31 Moisés, porém, diante daquela visão,
ficou maravilhado e, aproximando-se para observar, ouviu-se a voz do Senhor:
7:32 Eu sou o Deus dos teus pais, o Deus de
Abraão, de Isaque e de Jacó. Moisés, tremendo de medo, não ousava contemplá-la.
7:33 Disse-lhe o Senhor: Tira a sandália dos
pés, porque o lugar em que estás é terra santa.
7:34 Vi, com efeito, o sofrimento do meu povo
no Egito, ouvi o seu gemido e desci para libertá-lo. Vem agora, e eu te enviarei
ao Egito.
7:35 A este Moisés, a quem negaram reconhecer,
dizendo: Quem te constituiu autoridade e juiz? A este enviou Deus como chefe e
libertador, com a assistência do anjo que lhe apareceu na sarça.
7:36 Este os tirou, fazendo prodígios e sinais
na terra do Egito, assim como no mar Vermelho e no deserto, durante quarenta
anos.
7:37 Foi Moisés quem disse aos filhos de
Israel: Deus vos suscitará dentre vossos irmãos um profeta semelhante a mim.
7:38 É este Moisés quem esteve na congregação
no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai e com os nossos pais; o
qual recebeu palavras vivas para no-las transmitir.
7:39 A quem nossos pais não quiseram obedecer;
antes, o repeliram e, no seu coração, voltaram para o Egito,
7:40 dizendo a Arão: Faze-nos deuses que vão
adiante de nós; porque, quanto a este Moisés, que nos tirou da terra do Egito,
não sabemos o que lhe aconteceu.
7:41 Naqueles dias, fizeram um bezerro e
ofereceram sacrifício ao ídolo, alegrando-se com as obras das suas mãos.
7:42 Mas Deus se afastou e os entregou ao
culto da milícia celestial, como está escrito no Livro dos Profetas: Ó casa de
Israel, porventura, me oferecestes vítimas e sacrifícios no deserto, pelo
espaço de quarenta anos,
7:43 e, acaso, não levantastes o tabernáculo
de Moloque e a estrela do deus Renfã, figuras que fizestes para as adorar? Por
isso, vos desterrarei para além da Babilônia.
7:44 O tabernáculo do Testemunho estava entre
nossos pais no deserto, como determinara aquele que disse a Moisés que o
fizesse segundo o modelo que tinha visto.
7:45 O qual também nossos pais, com Josué,
tendo-o recebido, o levaram, quando tomaram posse das nações que Deus expulsou
da presença deles, até aos dias de Davi.
7:46 Este achou graça diante de Deus e lhe
suplicou a faculdade de prover morada para o Deus de Jacó.
7:47 Mas foi Salomão quem lhe edificou a casa.
7:48 Entretanto, não habita o Altíssimo em
casas feitas por mãos humanas; como diz o profeta:
7:49 O céu é o meu trono, e a terra, o estrado
dos meus pés; que casa me edificareis, diz o Senhor, ou qual é o lugar do meu
repouso?
7:50 Não foi, porventura, a minha mão que fez
todas estas coisas?
7:51 Homens de dura cerviz e incircuncisos de
coração e de ouvidos, vós sempre resistis ao Espírito Santo; assim como fizeram
vossos pais, também vós o fazeis.
7:52 Qual dos profetas vossos pais não
perseguiram? Eles mataram os que anteriormente anunciavam a vinda do Justo, do
qual vós agora vos tornastes traidores e assassinos,
7:53 vós que recebestes a lei por ministério
de anjos e não a guardastes.
54-60 A morte de
Estevão
7:54 Ouvindo eles isto, enfureciam-se no seu
coração e rilhavam os dentes contra ele.
7:55 Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo,
fitou os olhos no céu e viu a glória de Deus e Jesus, que estava à sua direita,
7:56 e disse: Eis que vejo os céus abertos e o
Filho do Homem, em pé à destra de Deus.
7:57 Eles, porém, clamando em alta voz, taparam
os ouvidos e, unânimes, arremeteram contra ele.
7:58 E, lançando-o fora da cidade, o
apedrejaram. As testemunhas deixaram suas vestes aos pés de um jovem chamado
Saulo.
7:59 E apedrejavam Estêvão, que invocava e
dizia: Senhor Jesus, recebe o meu espírito!
7:60 Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz:
Senhor, não lhes imputes este pecado! Com estas palavras, adormeceu.
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sergiovalentin