*          1.1 o primeiro livro. O evangelho de Lucas, conforme mostrado pela referência a Teófilo (Lc 1.3).

 

todas as coisas que Jesus começou a fazer e a ensinar. Um resumo adequado do que Lucas registra no evangelho.

 

*          1.2 elevado. Lc 24.50-52 localiza a ascensão perto de Betânia, no lado leste do Jardim das Oliveiras, a leste de Jerusalém.

 

mandamentos...por intermédio do Espírito Santo. Depois da ressurreição, Jesus comunicou a seus apóstolos a realidade de sua ressurreição (Jo 20.21), a verdade de seu chamado como Messias (Lc 24.44-49), a benção do Espírito Santo (Jo 20.22,23) e a realidade do seu corpo físico ressurreto (Lc 24.37-43).

 

que escolhera.  A referência à escolha original que Jesus fez  de seus apóstolos (Lc 6.12-16), um dos quais (Judas) Jesus sabia que se tornaria um traidor.

 

*          1.3 se apresentou... muitas provas incontestáveis. As aparições de Cristo após a ressurreição (Mt 28; Mc 16; Lc 24; Jo 20; 21; 1Co 15.5-7)  foram importantes como uma confirmação inabalável da pessoa e da obra sobrenaturais de Cristo. Era importante que a ressurreição de Jesus fosse vista pelos discípulos (v. 22).

 

quarenta dias. O tempo desde a ressurreição até a ascensão. Depois que Jesus subiu ao céu, os discípulos ficaram dez dias em Jerusalém esperando pelo derramamento prometido do Espírito Santo que ocorreu no Pentecoste, no qüinquagésimo dia após a Páscoa.

 

*          1.4 comendo com eles. Jesus freqüentemente comungava com seus amigos e discípulos em torno de uma  refeição: na alimentação dos cinco mil (Lc 9.16), com publicanos e pecadores (Mc 2.15,16; Lc 5.29), na casa do fariseu (Lc 7.37), na última ceia (Mt 26.21,26) e depois da ressurreição (Lc 24.42; Jo 21.9-15).

 

esperassem a promessa do Pai. O Espírito Santo era dom do Pai e dom de Jesus o Filho (Jo 14.1,26; 15.26).

 

*          1.5 João, na verdade, batizou com água. João Batista batizou grandes multidões de pessoas (Mt 3.5,6,13-15; Mc 1.5,9; Lc 3.7-16,21). O batismo de arrependimento de João nas águas (Mc 1.4) prenunciava o batismo messiânico com o Espírito Santo e com fogo (Lc 3.16). Ver  “O Batismo de Jesus” em  Mc 1.9.

 

não muito depois destes dias. Uns poucos dias se passariam antes do Pentecoste.

 

*          1.6 será este o tempo em que restaures o reino a Israel. Na base daquilo que Jesus disse em Mt 19.28, os discípulos pensavam que ele poderia expulsar os romanos e restaurar o reino físico a Israel.

 

*          1.7 Não vos compete conhecer tempos ou épocas. Os anos ou datas específicas (que alguns, em todos os tempos, tentam predizer) da Segunda Vinda de Cristo (cf. 1Ts 5.2).

 

*          1.8  ao descer sobre vós o Espírito Santo.  Jesus quer dizer que o Espírito Santo mostrará o seu controle sobre eles com manifestações visíveis: o soprar de um vento violento, o aparecimento de línguas de fogo, e o falar em línguas estrangeiras (cap. 2).

 

minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra. O livro de Atos segue esta estratégia. O testemunho de Jerusalém (cap. 2) apresenta, em miniatura, o ministério mundial de Deus: os judeus... de todas as nações (2.5) que ouviram e creram carregaram a mensagem para bem longe. No resto de Atos, o evangelho se espalha a Jerusalém (3.1-8.1), a Judéia e Samaria, a Antioquia da Síria (8.1-12.25) e aos confins da terra (13.1-28.31).

 

*          1.9 foi Jesus elevado às alturas. Ver “A Ascensão de Jesus” em  Lc 24.51.

 

*          1.10 dois varões vestidos de branco. Pessoas descritas como vestidas de branco são comumente seres sobrenaturais ou glorificados: Jesus Cristo (Mt 17.2; Mc 9.3; Ap 1.14); anjos (Mt 28.3; Mc 16.5; Lc 24.4; Jo 20.12) e santos glorificados (Lc 9.30,31; Ap 3.4,5,18; 4.4; 7.14).

 

*          1.11 Varões galileus. Os onze eram da Galiléia; Judas Iscariotes era de Queriote em Judá.

 

do modo. Jesus retornará no seu corpo ressurreto, vindo sobre as nuvens do céu (Mt 24.30; 26.64; Mc 14.62; 1Ts 4.16,17; Ap 1.7). Ver “A Segunda Vinda de Jesus” em 1Ts 4.16.

 

*          1.12 do monte chamado Olival. Uma colina além do Vale de Cedrom, logo a leste da cidade murada de Jerusalém. Os discípulos tinham estado com Jesus no monte perto de Betânia (Lc 24.50).

 

a jornada de um sábado. A partir da cidade, a distância calculada pelos rabinos como sendo cerca de 1100 metros.

 

*          1.13 subiram para o cenáculo onde se reuniam. Provavelmente onde os discípulos tinham estado se escondendo com medo dos judeus. Esta pode ter sido a mesma sala onde eles tinham celebrado a Páscoa e onde Jesus havia instituído a Ceia do Senhor (Mc 14.15), ou uma sala na casa de Maria, a tia de Barnabé (Cl 4.10) onde os cristãos mais tarde se reuniam (12.12). Era provavelmente localizado próximo aos átrios do templo, onde as multidões de judeus visitantes estavam reunidas (2.5-12)

 

Bartolomeu. Também conhecido como Natanael (Jo 1.45; 21.2).

 

Tiago, filho de Alfeu. Também conhecido como Tiago o menor (Mc 15.40).

 

Zelote. Provavelmente referindo-se à antiga participação de Simão no grupo revolucionário dos Zelotes.

 

Judas, filho de Tiago. Também conhecido como Tadeu (Mt 10.3; Mc 3.18).

 

*          1.14 perseveraram...em oração. Jesus estabeleceu um padrão de oração na vida de seus discípulos. Para exemplos de Jesus orando, ver Lc 3.21; 5.16; 6.12; 9.18,28,29; 11.1; 22.32,41; 23.34,46.

 

com as mulheres. Certas mulheres que tinham seguido Jesus, sustentado sua obra e cuidado dele em sua morte (Mt 27.55,56; 28.1; Mc 15.40,41; Lc 8.2,3; 23.49; 24.1; 24.22).

 

Maria, mãe de Jesus. Esta é a última referência, no Novo Testamento, à mãe de Jesus.

 

os irmãos dele. Os meio-irmãos de Jesus, filhos de Maria e José (Mt 13.55; Lc 14.26; Jo 7.3,10).

 

*          1.15 Naqueles dias. Os dez dias entre a ascensão e o Pentecoste (2.1).

 

*          1.16 Irmãos. Os homens são particularmente mencionados aqui, porque Pedro está falando a respeito de substituir Judas Iscariotes, um dos doze, os quais Jesus havia originalmente escolhido como apóstolos (Mt 10.2-4).

 

convinha que se cumprisse a Escritura. Os Salmos 69.25 e 109.8, citados no v. 20 são aplicados por Pedro a Judas Iscariotes que, como um inimigo de Deus, tinha sido deposto de seu apostolado. Agora, “seu cargo” tinha que ser preenchido novamente.

 

o Espírito Santo proferiu... por boca de Davi.  O Espírito Santo inspirou  Davi a compor estas palavras usando seus talentos poéticos.

 

*          1.17 teve parte neste ministério.  Em seu plano, Deus permitiu que Judas, um inimigo do Salvador, servisse por um tempo no ministério dos discípulos.

 

*          1.18 este homem adquiriu um campo. Judas indiretamente comprou o campo quando devolveu aos sacerdotes e anciãos principais que por sua vez compraram um cemitério para estrangeiros chamado “Campo de Sangue”.

 

com o preço. As trinta moedas de prata (Mt 26.15), provavelmente valendo cerca de 120 denários, ou o salário de 120 dias de trabalho (Mt 20.2).

 

precipitando-se. Mateus registra que Judas “enforcou-se” (Mt 27.5). Aparentemente durante, ou logo depois do enforcamento, seu corpo caiu no chão e foi rompido ou decomposto.

 

*          1.21 entre nós. Isto inclui todo o tempo do ministério público de Jesus, desde seu batismo até sua ascensão.

 

*          1.23 propuseram dois. Parece que José e Matias foram escolhidos dentre um número maior de testemunhas (de acordo com o v.15, cerca de 120 pessoas estavam presentes). Nenhum deles é mencionado em nenhum outro lugar das Escrituras.

 

*          1.24 Tu... tens escolhido. Pedro e os discípulos reconheciam que sua responsabilidade e escolha humana de um homem para suceder  a Judas ocorriam dentro dos limites da soberana vontade de Deus.

 

*          1.26 os lançaram em sortes.  Sortes são mencionadas no Antigo Testamento como uma maneira de averiguar a vontade de Deus (Êx 28.30, nota).

 

apóstolos. Ver nota teológica “Os Apóstolos”, índice.

 

*          2.1 dia de Pentecostes. Lit., o “Qüinquagésimo Dia” depois do sábado da semana da Páscoa (Lv 23.4-7, 15-16). O Pentecoste era celebrado no primeiro dia da semana e era uma das três grandes festas anuais de Israel, precedida pela Páscoa (Lv 23.4-8; Nm 28.16-25) e seguida quatro meses mais tarde pela Festa dos Tabernáculos (Lv 23.33-43; Nm 29.12-38; cf. Jo 7.1-44).O Pentecoste é também chamado de “Festa das Semanas” porque era celebrado sete semanas depois da Páscoa (Dt 16.10); de “Festa da Colheita” , porque os primeiros frutos da colheita eram então juntados (Êx 23.16); e de “o dia das primícias” (Nm 28.26).

 

estavam todos reunidos. Todos os apóstolos (1.16) estavam lá, e provavelmente muitos dos 120 antes mencionados (1.15).

 

no mesmo lugar.  Uma expressão idiomática que significa “juntos”.

 

 *         2.2 um som... de um vento impetuoso. Três sinais (vento, fogo e pregação inspirada) da presença  de Deus foram testemunhados  (Êx 3.2; 13.21; 24.17; 40.38; 1Rs 19.11-13). Vento é um símbolo da presença do Espírito Santo (Ez 37.9,13; Jo 3.8), enquanto o fogo é um símbolo de seu poder purificador e julgador (Mt 3.11,12). As línguas eram vários idiomas falados em todas as partes da região mediterrânea oriental, de Roma à Pérsia.

 

 *         2.4 Todos. Todos os 120 (1.15). Ver Joel 2.28, que fala do Espírito de Deus derramado “sobre toda a carne”.

 

cheios do Espírito Santo. Eles estavam sob a direção e influência especiais do Espírito, particularmente evidenciados pelo seu falar em línguas conhecidas (“outras línguas”) que não haviam previamente aprendido (ver 10.46; 19.6). Paulo discute o dom espiritual de línguas em 1Co 12-14. A vinda do Espírito é o cumprimento da promessa de Jesus relatada em 1.5,8 e Lc 24.49, mas isto não quer dizer que o Espírito Santo não estivesse  presente e atuando com o povo de Deus no Antigo Testamento (“Espírito Santo” aparece em Sl 51.11;  Is 63.10,11; “Espírito do Senhor“ em Jz 3.10; 1Sm 10.6; Is 11.2). Ver “O Espírito Santo” em  Jo 14.26.

 

o Espírito lhes concedia que falassem. Em toda a vida cristã, nada é realizado à parte de Deus (Ef 2.10; Fp 2.12,13).

 

 *         2.5 judeus, homens piedosos. Ver 8.2; 22.12; Lc 2.25. Provavelmente a maior parte destes estava visitando Jerusalém para o Pentecoste.

 

 *         2.6,7 A multidão estava maravilhada que galileus de origem rural, com seus sotaques peculiares, pudessem ter aprendido essas línguas estrangeiras.

 

 *         2.8-11 A lista das pessoas de quinze nações começa com o leste (“partos, medos e  elamitas, e os naturais da Mesopotâmia”, onde judeus haviam sido levados cativos para a Assíria e Babilônia). A lista prossegue em direção oeste para Judéia, e daí ao norte para a Ásia Menor (Capadócia, Ponto, Ásia, Frígia e Panfília), daí para o norte da África (Egito, regiões da Líbia nas imediações de Cirene), e então para Roma. Finalmente a lista inclui dois lugares bem separados, Creta e Arábia.

 

 *         2.15 a terceira hora. Considerando as seis da manhã como a primeira hora, faz com que esta seja nove da manhã. Era costume jejuar nos dias de festa pelo menos até a quarta hora. Assim, a embriaguez alegada era muito improvável.

 

 *         2.17-21 A citação é do texto do Antigo Testamento Grego de Joel 2.28-32 (3.1-5). O fato de Pedro usar as palavras “nos últimos dias” (cf. Is 2.2; Os 3.5; Mq 4.1; 1Tm 4.1; 2Tm 3.1; 1Pe 1.20; 1Jo 2.18) torna explícito que Joel está se referindo aos últimos tempos prometidos por Deus. Pedro interpreta as palavras de Joel como referentes à nova aliança, em contraste com os dias antigos da velha aliança (Hb 8.7; 9.1).

 

 *         2.22 Jesus o Nazareno. Este título é usado nos demais lugares por Lucas (6.14; 10.38; 22.8; 26.9; Lc 18.37; 24.19). No sermão, Pedro enfatiza estes importantes fatos sobre Jesus: Sua morte (v.23), sua ressurreição corpórea (vs. 24-32), sua exaltação (v. 33), sua coroação (vs. 34-36) e a vitória na sua segunda vinda (v. 35).

 

aprovado por Deus diante de vós com milagres, prodígios e sinais. Embora ter vindo de Nazaré fosse uma pedra de tropeço (cf. Jo 1.46). Através da confirmação de milagres Deus demonstrou amplamente que Jesus era o Messias.

 

 *         2.23 pelo determinado desígnio e presciência de Deus. Embora homens ímpios, tanto judeus como gentios (4.27,28) tivessem, por sua própria vontade, levado Jesus à morte, suas ações estavam dentro da soberana determinação de Deus (cf. 17.26; 2Cr 25.16; Jr 21.10; Dn 11.36). Deus ordenou a morte de seu filho, mas os executores imediatos levam a culpa por crucificarem Jesus (3.17,18; 4.27,28; 13.27). Deus ordena tanto os meios quanto os fins dos acontecimentos humanos sem violar a liberdade e a responsabilidade humanas. Os judeus não puderam passar sua culpa aos romanos; eles tinham pedido aos romanos para crucificarem Jesus. Pedro ensina que os judeus eram responsáveis (3.15; 4.10; 5.30; 10.39).

 

crucificando-o. Lucas novamente enfatiza como Jesus morreu (Lc 24.39). Arqueólogos descobriram na Palestina os ossos do calcanhar perfurados, de uma vítima de crucificação, do primeiro século a.C.

 

 *         2.25 diz Davi.  No Sl 16, Davi está em primeiro lugar falando de sua própria experiência e sofrimento humano, mas nos versos citados aqui ele está, em última análise, falando sobre Jesus (v.25), o Santo de Deus, cujo corpo não viu corrupção (v.27).

 

 *         2.33 Exaltado... à destra de Deus. O plano de Deus foi além da ressurreição de seu Filho, que deve ser exaltado à posição que ele ocupava com o Pai desde a eternidade (Jo 17. 5).

 

tendo recebido do Pai... Espírito Santo, derramou. A doutrina da Trindade está implícita: Pedro mostrou como o Pai (vs. 32,33) operava na vida, morte, ressurreição e exaltação de Jesus, seu Filho, e o Espírito Santo produzia o milagre de fazer com que seus servos falassem em línguas.

 

 *         2.36 Nesta declaração culminante, Pedro não somente realça que Jesus é o Messias de Deus do Antigo Testamento (3.18,20; 4.26; 5.42; Is 11.1; Lc 4.18-21), mas também que ele é o Senhor exaltado (Rm 10.9; Fp 2.9-11) e o Rei vitorioso (1Co 15.24,25; Ap 19.16).

 

 *         2.38 Arrependei-vos, e... seja batizado. O arrependimento (voltar-se para Deus com tristeza pelo pecado) e o batismo eram partes importantes da mensagem de João Batista (Mt 3.1; Mc 1.4) e de Jesus (Mt 4.17; 11.20; Lc 13.3,5 ) e eram centrais na pregação e no ensino da igreja (Mt 28.18,19). Ver “Batismo” em Rm 6.3.

 

em nome de Jesus Cristo. Um resumo de Mt 28.18,19 (batismo em nome do Pai, Filho e Espírito Santo), mencionando aqui somente o nome de Jesus, uma vez que o sermão de Pedro tinha a ver com Jesus e seu ministério.

 

para remissão dos... pecados. O batismo é um sinal e um selo da limpeza espiritual que o Espírito efetua através do perdão dos pecados (Tt 3.5).

 

o dom do Espírito Santo. O dom da habitação interior da pessoa do Espírito Santo, assim como o dom do perdão (Ef 1.7) e da capacitação para o ministério. É significativo que Pedro não fale aqui sobre o recebimento do dom de línguas. Os dons do perdão e da habitação interior do Espírito Santo são essenciais para produzir o fruto do Espírito na vida dos crentes (Gl 5.22,23), e para exercer os dons que o Espírito escolhe dar em diferentes tempos a diferentes crentes (1Co 12.4-11).

 

*          2.39 Pedro proclama que a salvação através do Messias de Deus é prometida aos judeus, a seus filhos e a todos que ainda estão longe (isto é, os gentios, Ef 2.11-13). Aqui novamente está a mensagem de Atos — o evangelho é para judeus e gentios. Ver “Batismo Infantil” em Gn 17.11.

 

quantos o Senhor, nosso Deus, chamar. A salvação é baseada na escolha e no chamado de Deus (Jo 6.37; Ef 1.4,5).

 

*          2.42 na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações. Este é o resumo dos elementos essenciais necessários no discipulado cristão. Eram elementos que os apóstolos haviam aprendido de sua experiência com Jesus: seu ensinamento a respeito de sua pessoa e obra (Mt 16.18,19; Lc 24.46) e sobre a responsabilidade deles como seus seguidores (Mt 5—7), a comunhão de Cristo com seus discípulos (Jo 13), a Ceia do Senhor — o partir do pão (Mt 26.17-30) e sua vida de oração pelos discípulos e com eles (Mt 6.5-13; Lc 11.1-13; Jo 17).

 

*          2.44 Todos os que creram estavam juntos. Isto demonstra a unidade do Espírito, que Paulo mais tarde advoga (Ef 4.3).

 

*          2.45 Vendiam as suas propriedades. Unificados no Espírito, os crentes estavam sintonizados com as necessidades físicas dos outros, e voluntariamente (4.34; 5.4) contribuíam para suprir aquelas necessidades (4.32, “tudo, porém, lhes era comum”).

 

*          2.46 partiam pão de casa em casa. Isto se refere às refeições diárias comuns, compartilhadas nos lares.

 

*          2.47 acrescentava-lhes o Senhor. A igreja pertence ao Senhor e ele é aquele que soberanamente constrói sua igreja (Mt 16.18; 1Co 3.9).

 

*          3.1 ao templo. Os átrios do templo e, particularmente, a porta chamada “Formosa” (v.2). Esta porta pode ter sido a “Porta de Nicanor”, feita de bronze de Corinto. Sua localização exata é incerta.

 

*          3.3 iam entrar no templo. Como judeus, Pedro e João podiam andar através do átrio das mulheres até o átrio de Israel, mas os não-judeus estariam restritos ao átrio dos gentios.

 

*          3.11 pórtico chamado de Salomão. Um pórtico construído por Herodes o Grande ao longo do lado leste da plataforma do templo. Jesus ensinou aqui  certa ocasião (Jo 10.22).

 

*          3.13 O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. O apelo aos patriarcas era importante nos sermões dos servos de Cristo (7.32; 13.17).

 

*          3.14 negastes o Santo e o Justo. A frase “o Santo”, referindo-se a Deus, aparece várias vezes no Antigo Testamento. A frase “o Santo de Israel” ocorre em Is 1.4 e 5.24 (cf. Lc 1.35). Isaías também fala de Deus como “o Justo” (Is 24.16; cf At 7.52; 22.14). Ao aplicar esta descrição a Jesus, Pedro indica a  deidade  de Cristo.

 

*          3.18 dantes anunciara por boca de todos os profetas. Ver Lc 24.26,27,44-47. Pedro poderia também ter citado passagens como Dt 18.15 (citada no v.22); Is 53; Sl 2; 16.8-11; 22 (cf 1Pe 1.10,11).

 

*          3.19 Arrependei-vos... convertei-vos. O sermão de Pedro ilustra os dois lados do arrependimento isto é, desviar-se do pecado com tristeza e voltar-se para Deus em fé. O chama-do ao arrependimento e à fé é um elemento necessário da pregação apostólica (2.38; 17.30; 20.21).

 

cancelados... pecados. Na ordem do evangelho, arrependimento e fé recebem de Deus perdão e remoção de pecados.

 

*          3.20 tempos de refrigério. A frase, como “a restauração de todas as coisas” (v.21)  parece se referir à segunda vinda do Messias. 

 

*          3.25 dizendo a Abraão: Na tua descendência. Como um clímax, Pedro se refere a outro patriarca e profeta, Abraão, através de quem Deus enviou “a descendência” de Abraão, o Messias (Gl 3.16) para abençoar todos os povos sobre a terra. Como membros da posteridade de Abraão, todos aqueles que pertencem a Cristo são chamados também de “descendência de Abraão” (Rm 4.16; Gl 3.29).

 

*          4.1 os sacerdotes. Diversos sacerdotes, servindo a sua parte determinada dos serviços semanais do templo (Lc 1.8,23) estavam perto das colunas de Salomão e podiam ouvir as declarações de Pedro sobre Jesus o Messias. Alarmados com o que era considerado perigoso pregar contra a autoridade judaica, eles provavelmente alertaram o capitão da guarda do templo. Este capitão era o comandante da força policial do templo e um membro de uma das mais importantes famílias sacerdotais. Os sacerdotes também alertaram os saduceus, que tinham posições proeminentes no Sinédrio, o concílio judaico.

 

*          4.2 anunciarem, em Jesus, a ressurreição dentre os mortos. Os saduceus estavam aflitos porque os apóstolos estavam ensinando o povo acerca da ressurreição (1Co 15.12-20). Os saduceus, diferentemente dos fariseus, não criam na ressurreição do corpo (23.6-8).

 

*          4.3 recolhendo-os ao cárcere... pois já era tarde. Esta atitude era necessária porque os sacrifícios do templo haviam sido concluídos e as portas do templo estavam fechadas; atitudes oficiais teriam que ser tomadas pelo Sinédrio no dia seguinte.

 

*          4.4 A despeito da perseguição, a igreja cresceu de três mil no dia de Pentecoste para cinco mil. A ênfase aqui é nos homens, porque naquele tempo os homens teriam se juntado por si próprios para ouvir a mensagem, e as mulheres teriam estado no átrio das mulheres (cf. Jo 6.10). Em Israel hoje homens e mulheres ficam separados na sua adoração no Muro das Lamentações.

 

*          4.5 autoridades, os anciãos e os escribas. Estes grupos constituíam o conselho religioso judaico, o Sinédrio. Lc 22.66 descreve o corpo de principais sacerdotes e escribas como “a assembléia”. Este corpo incluiria o sumo sacerdote, membros de sua família (v.6), saduceus e fariseus (Mt 27.62), tais como Nicodemos (que é chamado de um dos principais dos judeus e “mestre em Israel”, Jo 3.1,10) e Gamaliel (5.34; 22.3).

 

*          4.6 Os homens listados neste versículo constituíam o que poderia ser chamado de comitê executivo do conselho. Anás, o sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote oficial (Jo 18.13) é aqui chamado de sumo sacerdote. Ele era o poder atrás do cargo e provavelmente ainda considerado como sumo sacerdote por muitos judeus, uma vez que o cargo era vitalício. Os romanos tinham deposto Anás em 15 d.C. João é possivelmente Jônatas, filho de Anás, que foi apontado como sumo sacerdote em 36 d.C., ou Jônatas ben Zaccai, que se tornou presidente da grande sinagoga depois da queda de Jerusalém. Nada é sabido de Alexandre.

 

*          4.7 em nome de quem. A resposta é dada no v.10: “em nome de Jesus Cristo, o Nazareno”. Há freqüente ênfase no nome de Jesus, ou no nome do Senhor (destacando a pessoa e a obra do Senhor) em Atos (2.21,38; 3.16; 4.10,12; 8.16; 9.15,28; 15.26; 16.18).

 

*          4.8 cheio do Espírito Santo. Ver 2.4; Ef 5.18.

 

*          4.11 pedra... rejeitada... pedra angular. Em Atos, a defesa do evangelho freqüentemente inclui referência ao cumprimento das profecias do Antigo Testamento; aqui o Sl 118.22 é citado (também em Mt 21.42; 1Pe 2.7; cf Rm 9.33).

 

*          4.12 nenhum outro nome. Assim como o nome de Jesus tinha sido a única esperança para a cura física do homem coxo de nascença, assim também o nome de Jesus é a única esperança para a cura espiritual da humanidade. Esta exclusiva e total confiança em Jesus para a salvação é o ensinamento claro tanto de Jesus como do Novo Testamento em geral (Jo 14.6; 1Tm 2.5).  Ver nota teológica “Salvação”, índice.

 

*          4.13 incultos. A coragem e o pronto testemunho de Pedro e João são cumprimento da promessa de Cristo aos discípulos em Mt 10.19,20. A coragem e o conhecimento dos iletrados pescadores galileus deixaram atônito o Sinédrio. Notando que estes homens “tinham estado com Jesus”, o conselho sem dúvida lembrou-se de como Jesus também, embora sem treinamento formal, os tinha surpreendido com seus ensinamentos (Lc 2.46,47; Jo 7.15).

 

*          4.19 ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus. O dever da adoração e do testemunho religiosos antecede os direitos do Estado, e o dever de uma consciência cristã perante Deus em proclamar o evangelho é superior aos direitos do Sinédrio. O Estado é um servo, ordenado por Deus para manter a paz e a ordem (Rm 13.1-7). Ver “Os Cristãos e o Governo Civil” em Rm 13.1.

 

*          4.24 levantaram a voz a Deus. Esta atividade era um resultado natural do treinamento dos apóstolos com Jesus e dos hábitos que eles haviam formado (2.42).

 

Tu, soberano Senhor. Um termo usado para expressar o total poder criativo e controle do Senhor sobre sua criação física e sobre os negócios da humanidade (cf. vs. 25.26; Jr 10.12).

 

*          4.25 por boca de Davi... teu servo. Um resumo sucinto de inspiração verbal. Os autores das Escrituras falaram e escreveram sob a direção do Espírito (2Pe 1.21).

 

*          4.27 Herodes e Pôncio Pilatos... gentios... gente de Israel. Os crentes entenderam corretamente que tanto judeus como gentios eram responsáveis pela crucificação de Jesus. Estes eram Herodes Antipas, que era o filho de Herodes o Grande e tetrarca (isto é, autoridade subordinada aos romanos) da Galiléia e Peréia (Lc 3.1; 23.6,7) e Pôncio Pilatos, que foi procurador romano (governador) da Palestina de 26 a 36 d.C. (Lc 3.1; 23.1-24). Os principais sacerdotes e anciãos persuadiram o povo a rejeitar Jesus e pedir por Barrabás (Mt 27.20-26).

 

*          4.28 tua mão e o teu propósito. Uma afirmação clara de que nada, nem mesmo a morte injusta do Filho de  Deus, acontece à parte da vontade e do controle soberanos de Deus. A certeza do plano de Deus para o mundo é estabelecida pelo seu soberano “propósito” e assegurado pela sua  “mão” todo-poderosa. Os primeiros capítulos de Atos ensinam a compatibilidade entre a soberania divina e a responsabilidade humana. Embora os assassinos de Jesus tenham agido de acordo com o que Deus havia determinado, eles eram agentes moralmente responsáveis e eram considerados aqueles que deveriam prestar contas (3.15).

 

*          4.29 Esta oração da comunidade crente ilustra a maneira pela qual a igreja devia ser fortalecida e encorajada pela soberania de Deus. Em face da ameaça de violência física, a igreja afirmava o controle de Deus sobre a situação (v.28) e, encorajada por isto, pedia maior ousadia.

 

Senhor. A palavra grega para Senhor é kyrios, usada na Septuaginta (O Antigo Testamento grego) para traduzir o nome divino Yahweh. É usada no Novo Testamento para referir-se tanto a Deus como a Jesus especificamente (2.36; 7.31).

 

*          4.32-35. Por serem os crentes de “um coração” (v.32), eles estavam conscientes dos necessitados na igreja e conseqüentemente ajudavam vendendo terras e doando o valor para os apóstolos, visando aquelas necessidades. Este ato cristão de contribuir era proporcional à real necessidade. Era voluntário, não obrigatório (5.4).

 

*          4.33 da ressurreição do Senhor Jesus Cristo. A comprovação suprema da salvação completada em Jesus Cristo foi sua ressurreição dentre os mortos. Os apóstolos, como testemunhas principais, tiveram que testificar sobre esse  acontecimento redentivo (1.22). 

 

graça.  Graça em testemunhar e viver.

 

*          4.36 José, a quem...  deram o sobrenome de  Barnabé... levita. No Antigo Testamento, os levitas não tinham terra herdada, como as outras tribos, embora lhes coubessem cidades por sorteio (Js 21). Contudo, já nos tempos do Novo Testamento, um levita como José Barnabé pode bem ter podido possuir terras. Isto provavelmente seria o caso num país fora da Palestina, tal como Chipre. Por outro lado, a terra possuída pode ter pertencido a sua esposa. A introdução de Barnabé aqui coloca fundamentos para referência posterior à significativa influência deste destacado crente na vida das igrejas judias e gentias e na vida de Paulo.

 

*          4.37  como tivesse um campo, vendendo-o. Como “filho da exortação” (v.36), Barnabé apresentou um bom exemplo de um cristão que contribuía para as necessidades de outros (em contraste com o exemplo egoísta de Ananias e Safira, 5.1-11). Barnabé também intercedeu por Paulo (9.27), encorajou a igreja em Antioquia na Síria (11.22), liderou um trabalho missionário no exterior (13.2-3) e continuou no trabalho missionário a despeito de um desentendimento com Paulo (15.37-39).

 

 

*          5.2 reteve parte do preço. Ananias e sua mulher Safira tinham o direito de reter todo o produto da venda de sua terra, uma vez que a terra e o dinheiro eram deles (v.4). O testemunho de toda a igreja estava em risco por causa dos pecados de uns poucos (cf. Lv 10.1,2; Nm 16.23-35; Js 7.19-25; 2Sm 6.1-7).

 

*          5.3 encheu Satanás teu coração. Outro exemplo da  influência de Satanás é vista na vida de Pedro (Mc 8.33). Mais tarde, Pedro alertou os cristãos contra a potencial influência de Satanás sobre eles (1Pe 5.8).

 

mentisses ao Espírito Santo.  No v. 4 Pedro diz a Ananias que ele tinha mentido a Deus. As palavras de Pedro indicam que o Espírito Santo é Deus (v.9).

 

*          5.11 toda a igreja.  Esta é a primeira de mais de vinte ocorrências em Atos da palavra grega ekklesia, usualmente traduzida por “igreja”. Estêvão usa esta palavra para  o que seria no Antigo Testamento a “congregação” do povo (7.38). Na Septuaginta (o Antigo Testamento grego) a assembléia do povo de Deus que pratica a adoração é freqüentemente designada por esta palavra. Na Grécia antiga, a ekklesia era a “assembléia” política dos cidadãos (19.32). O Novo Testamento usa a palavra inicialmente para se referir a um corpo organizado de crentes (8.1; 11.22; 13.1).

 

*          5.13 dos restantes, ninguém ousava ajuntar-se a eles. Nenhum dos crentes insinceros e superficiais ousava se identificar com a igreja. Os padrões de moralidade eram altos.

 

*          5.14 crentes, tanto homens como mulheres. Crentes apresentavam-se e juntavam-se à igreja. Lucas menciona mulheres freqüentemente no Evangelho (Lc 7.28; 8.2,3; 17.35; 23.27,29,49,55) e em Atos (1.14; 8.3,12; 9.2,36; 13.50; 16.1,13,14; 17.4,12,34; 18.2; 21.5).

 

*          5.15 Pedro... sua sombra. Assim como quando o poder curador de Jesus fluiu de suas vestes ao toque da mulher que havia estado sujeita ao fluxo de sangue (Mc 5.27,28), aqui Deus permite que a sombra de Pedro efetue uma cura, assim com ele fez também através de panos e aventais que Paulo tinha usado (19.11, 12).

 

*          5.21 o Sinédrio. O grande concílio religioso em Jerusalém, composto de cerca de setenta homens. Ele incluía saduceus, fariseus, e seus associados. Sob os romanos, o Sinédrio tinha larga autoridade na Palestina. De acordo com antiga tradição judaica, os membros sentavam-se em semicírculo, com dois empregados e três fileiras de estudantes na frente.

 

*          5.28 lançar sobre nós o sangue desse homem. Em 2.23; 3.15,16 e 4.10,11, Pedro e seus companheiros culparam os membros do Sinédrio pela morte de Jesus. O povo tinha ouvido esta acusação.

 

*          5.31 Deus... com a sua destra, o exaltou. Esta declaração seria entendida pelo Sinédrio como uma referência à ressurreição. Tal exaltação por Deus faria este Jesus ressurreto igual a Deus (cf. Jo 5.18; 10.33). 

 

*          5.34 Gamaliel. Um dos mais famosos rabinos de seu tempo, Gamaliel, foi professor de Paulo (22.3) e provavelmente um neto do rabino Hilel, o líder de uma das duas grandes escolas de interpretação legal judáica. Em contraste com a escola de Samai, Gamaliel e a escola de Hilel eram conhecidos por sua indulgente interpretação da lei (Mt 19.3 e nota).

 

*          5.37 Judas, o galileu. O historiador judeu Josefo (Guerras dos Judeus 20.118) fala de um certo galileu que despertou uma revolta porque ele resistia à subserviência e ao pagamento de impostos aos romanos. A revolta falhou mas pode ter assentado a base para o partido dos zelotes. O apóstolo Simão o Zelote (1.13; Mt 10.4 e nota) pode ter sido anteriormente um membro deste grupo.

 

dias do rescenseamento. Não é o censo de Lucas 2.1, que foi ordenado pelo imperador Augusto cerca de 8 a.C. (mas foi atrasado até 5 ou 6 a.C.), mas o censo feito catorze anos mais tarde, em 6 d.C., no tempo do procurador Copônio.

 

*          5.40 açoitaram-nos. Os apóstolos receberam a tradicional “quarentena de açoites menos um” (2Co 11.24 ).

 

*          6.1 viúvas... estavam sendo esquecidas. O Antigo Testamento requeria cuidado pelos pobres e nescessitados (Sl 9.18, nota). Esta solicitude é vista na ação social que acontece em 2.44,45; 4.34-37. Aqui o velho problema da discriminação tinha emergido: as viúvas dos judeus gregos (ou de fala grega) eram consideradas forasteiras pelos judeus nativos e assim não estavam recebendo sua porção na distribuição de alimentos, provavelmente derivada em parte da generosa doação de 4.34-37.

 

*          6.2 os doze. Os doze apóstolos incluindo Matias (1.26). Esta é uma mudança de “os onze” (1.26; 2.14; Lc 24.9,33).

 

discípulos. A primeira das várias vezes em que os crentes são chamados “discípulos” em Atos (p.ex., v.7; 9.1; 11.26; 13.52) Paulo não usa este termo para identificar cristãos.

 

a palavra de Deus. Nesta organização inicial da igreja do Novo Testamento, dois ministérios estão listados: o ministério da palavra e oração (v.4); e o ministério de satisfazer as necessidades físicas do povo, tal como servir a mesa. O verbo grego é diakoneo (“servir”), do qual deriva a palavra “diácono”. Em 6.1 o respectivo substantivo é traduzido por “distribuição”, e no v.4 por “o ministério”. O ofício de diácono, que pode ter tido seu começo aqui, é descrito em 1Tm 3.8-13.

 

*          6.3 irmãos, escolhei... sete homens. Os membros da igreja elegeram os sete, e os apóstolos puseram-nos a parte (ordenaram) pela oração e pela imposição de mãos (v.6).

 

cheios do Espírito e de sabedoria. Os dois requisitos para um ministério de serviço, em todos os tempos, são obediência ao Espírito e ação guiada pela sabedoria.

 

*          6.5 Estêvão... Nicolau. Todos os sete homens tinham nomes gregos, que pode indicar o fato de serem eles judeus da dispersão, embora muitos judeus palestinos também tivessem nomes gregos. Atributos são citados para o primeiro e o último dos sete: para Estêvão (“cheio de fé e do Espírito Santo”) que aparece em 6.8—7.60, e para Nicolau, “prosélito de Antioquia”. Antioquia logo tornou-se um centro de atividade missionária. O ministério posterior de Filipe em Samaria e com o eunuco etíope estão descritos no cap. 8.

 

*          6.8 Estêvão... fazia prodígios e grandes sinais. Filipe, outro dos sete, também fez milagres mais tarde, assim como os apóstolos que os haviam ordenado (8.6).

 

*          6.9 sinagoga... dos Libertos. Composta de judeus libertos da escravidão, que neste caso eram de Cirene, uma cidade bem conhecida do norte da África.

 

Cilícia. Uma província romana da parte sudeste da Ásia Menor sendo Tarso (9.11,30; 11.25), cidade natal de Paulo, uma de suas cidades principais.

 

Ásia. A província romana na parte oeste  da  Turquia atual.

 

*          6.11 blasfêmias contra Moisés e contra Deus. Embora à luz do evangelho ele possa ter começado a expressar preocupação  a respeito da observância vazia dos detalhes técnicos da lei, Estêvão só dizia, como está evidente no cap. 7, que Moisés, como Jesus, e como o próprio Estêvão, foi rejeitado pelo povo (7.35,39). Isto não poderia ser tomado como blasfêmia contra Moisés e Deus.

 

*          6.13 contra o lugar santo e contra a lei. Estêvão não falou contra o templo, mas somente declarou que Deus não estava confinado a um templo terreno, uma vez que o céu era seu lar e seu trono (7.48-50). Estêvão, na realidade, sustentava a lei mosaica e o seu ensino, especialmente naquilo que apontava para o Cristo vindouro (7.37,38).

 

*          6.14 Jesus, o Nazareno, destruirá este lugar. A liderança judaica tinha ouvido a mal interpretada citação de Jesus em Jo 2.19, mas não há evidência de que Estêvão a tivesse conhecido ou usado.

 

*          7.2 O Deus da glória. Este título relembra a divina glória que Deus mostrou a seu povo no tempo de Moisés: a coluna de nuvem (Êx 14.19; 16.10; Sl 105.39), a coluna de fogo (Êx 14.24), a glória do Senhor no monte (Êx 24.15-18; 2Co 3.7), e a glória sobre o tabernáculo (Êx 40.34,35; cf. Jo 1.14).

 

*          7.4 da terra dos caldeus. Babilônia, na Mesopotâmia setentrional (moderno Iraque).

 

*          7.6 quatrocentos anos. Êx 12.40 traz “quatrocentos e trinta anos”, mas Estêvão está falando em números redondos, e pode ter estado seguindo o texto de Gn 15.13 que traz “quatrocentos anos”.

 

*          7.8 aliança da circuncisão. Deus estabeleceu esta aliança com Abraão. Ele era o pai de todo Israel, mas viveu séculos antes da vinda de Moisés. Moisés instituiu os costumes que os adversários de Estêvão tentavam proteger.

 

*          7.14 setenta e cinco pessoas. O texto hebraico de Êx 1.5 traz “setenta”. Mas a tradução grega do Antigo Testamento, em que este sermão está basicamente seguindo, e os fragmentos de Êxodo encontrados entre os manuscritos do Mar Morto  diz “setenta e cinco”. A explicação dos setenta e cinco deve ser encontrada nos cinco descendentes adicionais de José  incluídos na tradução grega  de Gn 46.20, onde dois filhos de Manassés, dois filhos de Efraim, e um neto de Efraim estão incluídos.

 

*          7.16 Siquém... no sepulcro que Abraão ali comprara. Estêvão condensou os eventos relativos às compras dos sepulcros dos patriarcas. Jacó foi enterrado na caverna de Macpela em Hebrom (Gn 50.13); e de acordo com Josefo (Antigüidades 2.199) os irmãos de José  foram enterrados em Hebrom. Os ossos de José, contudo, foram colocados na terra que Jacó havia comprado dos filhos de Emor (Gn 33.19; 50.25; Êx 13.19; Js 24.32). Os ouvintes de Estêvão sabiam que Jacó e seus filhos haviam sido enterrados em dois lugares diferentes (Hebrom e Siquem). A narrativa aqui é altamente condensada.

 

*          7.22 Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios. Êx 2.10 declara que  quando Moisés cresceu, a ama (mãe de Moisés) levou-o para a filha de Faraó e ele “tornou-se seu filho”, entendendo-se que na casa real lhe seria dada uma completa educação egípcia. Dois estudiosos do primeiro século, o historiador Josefo e o filósofo Filo, contam do extensivo aprendizado de Moisés.

 

*          7.38 na congregação no deserto. “Congregação” traduz a palavra grega ekklesia (“igreja”, ver 5.11 nota).

 

o anjo que lhe falava no monte Sinai. Embora Moisés tenha recebido a lei de Deus no Monte Sinai (Êx 20.1,21), os anjos tiveram alguma parte na sua instituição (v. 53; Dt 33.2; Gl 3.19; Hb 2.2). A respeito do Anjo do Senhor, ver nota em Gn 16.7 e Jz 2.1.

 

*          7.44 O tabernáculo do Testemunho. O tabernáculo do Antigo Testamento continha a arca da aliança e as tábuas dos Dez Mandamentos, que eram chamadas de “o Testemunho”. Mais adiante, representando a presença de Deus e seu poder vivificante estava a mesa dos pães consagrados (Êx 37.10-16; Hb 9.2), o candelabro de sete hastes (Êx 37.17-23; cf. Jo 8.12; Ap 1.12-18), e o altar de incenso (Êx 37.25-29), que simbolizavam as orações do povo de Deus subindo para o onipresente Deus (Sl 141.2; Ap 8.3,4).

 

*          7.51 Homens de dura cerviz e incircuncisos de coração e ouvidos. Eles não ouviriam com o coração, e não obedeceriam ao Senhor e nem às Escrituras que Estêvão havia citado. Estas metáforas são figuras do Antigo Testamento que significam teimosia e falta de regeneração espiritual (Êx 32.9; 33.3,5; Dt 9.6; 10.16; 30.6; Jr 4.4).

 

*          7.52 do Justo. Um título usado para o Senhor Todo Poderoso (Is 24.16) e para Jesus Cristo (22.14; 1Jo 2.1).

 

*          7.55 a glória de Deus. O brilho da presença de Deus (Ap 15.8; 21.11,23).

 

que estava à sua direita. Normalmente diz-se que Jesus está assentado à direita de Deus, porque sua obra estava terminada (Rm 8.34; Cl 3.1; Hb 10.12), mas aqui ele está em pé para receber Estêvão ou para defendê-lo. Nesta cena o Filho do Homem é ao mesmo tempo Juiz e Advogado. Ver nota teológica  “O Reino Celestial de Jesus”, índice.

 

*          7.56 Eis que vejo... o Filho do homem. A visão que Estêvão teve do Filho do Homem no céu deve ter recordado vividamente o Sinédrio que, quando eles perguntaram a Jesus,  “És tu o Cristo?”, ele respondeu “Eu sou, e vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso, e vindo com as nuvens do céu” (Mc 14.61,62). Estêvão viu o mesmo Jesus  sentado no céu à mão direita de Deus, comprovando a verdade do que ele estava dizendo, e condenando o Sinédrio.

 

*          7.58 um jovem chamado Saulo. Saulo, mais tarde chamado Paulo, era um fariseu, associado com o Sinédrio (Fp 3.5). Provavelmente ele foi um instigador do julgamento de Estêvão (8.3; 9.1,2). Neste ponto Lucas introduz Saulo, a segunda grande figura deste livro.

 

*          7.60 não lhes imputes este pecado. Comparar com a declaração de Jesus em Lc 23.34.

 

*          8.3 Saulo, porém, assolava a igreja. O verbo grego é enfático, e significa não somente perseguição, mas um esforço para destruir a igreja.

 

*          8.4 dispersos... pregando a palavra. Através da perseguição, a mensagem foi espalhada mais longe e mais rapidamente (11.19). Como disse Tertuliano, “o sangue dos cristãos é a semente da igreja”.

 

*          8.9 Simão. Simão, o mago, é freqüentemente mencionado em antigos escritos fora da Bíblia como sendo o arquinimigo da igreja e um dos líderes da heresia gnóstica. O gnosticismo (nome que vem da palavra grega gnosis,que significa “conhecimento”), ensinava que uma pessoa ganhava a salvação não pelo mérito da morte de Jesus pelos pecadores, mas por conhecimento especial a respeito de Deus. Justino o Mártir (morto cerca de 165 d.C.), ele próprio um samaritano, diz que quase todos os samaritanos consideravam Simão o supremo deus (o “Grande Poder”, v.10). Irineu (morto cerca de 180 d.C.), que escreveu extensivamente sobre os gnósticos, considera Simão como uma das fontes dessas heresias. Embora o Simão do v. 9 possa ter sido outro Simão, os pais da igreja igualam os dois, e o contexto de 8.9-11 (seu caráter e a atitude dos samaritanos a respeito dele) certamente indicam os dois como a mesma pessoa.

 

*          8.15 recebessem o Espírito Santo. Os crentes samaritanos, até este ponto, não haviam recebido a evidência da dinâmica presença interior do Espírito Santo, embora, como crentes, o Espírito Santo estivesse habitando neles (Rm 8.9). Não nos é dito qual  a evidência que o Espírito concedia.

 

*          8.22,23. Pelas suas palavras e ações, Simão comprovou que não cria em Cristo. Ele ainda estava “em fel de amargura” (cf. Dt. 29.18; Hb 12.15) e “laço de iniqüidade’’ (ver Rm 6.16; 8.8). Uma profissão de fé sem arrependimento é inválida.

 

*          8.27 eunuco. A palavra refere-se ou a um oficial emasculado, pertencente à corte real, ou a um alto oficial do governo. A Etiópia bíblica (ou Cuxe) é a remota área sul do Egito, incluindo partes da moderna Eritréia, Etiópia e Sudão.

 

Candace. O título da rainha-mãe, que governava em lugar de seu filho. Acreditava-se que ele era sagrado demais para  ser envolvido em negócios seculares.

 

*          8.28 lendo... Isaías. Se o etíope estivesse lendo a passagem sobre a misericórdia do Senhor para com os eunucos (Is 56.3-5; cf. Dt 23.1), teria sido natural para ele ler também  Is 53 (v. 35, nota).

 

*          8.30 ouviu-o. Nos tempos antigos, as pessoas normalmente liam em voz alta.

 

*          8.35 anunciou-lhe a Jesus. Filipe começou de Is 53 e identificou o servo na passagem como o Servo Sofredor, Jesus. Lucas dá a entender que ele continuou  em outras passagens do Antigo Testamento, para identificar Jesus como o Messias.

 

*          8.40     Azoto.  É  a Asdode do Antigo Testamento (1Sm 5.1), uma das cinco cidades filistéias, cerca de 32 km ao norte de Gaza e 96 km ao sul de Cesaréia, na costa. Filipe pregava o evangelho em todas as cidades ao longo da costa, até chegar a Cesaréia, uma grande cidade que Herodes o Grande tinha reconstruído (perto da torre de Estratão). Tinha um excelente porto que Herodes expandiu para importante tráfego marítimo (21.8), e servia como quartel general para os procuradores romanos tais como Pilatos, Félix (23.33-24.4) e Festo (25.6). Filipe deve ter se radicado em Cesaréia, porque anos depois ele ainda residia lá (21.8).

 

*          9.1 Saulo.  Saulo foi apresentado em 7.58 e é o principal personagem de 9.1-31. Um terceiro breve vislumbre de Saulo é encontrado novamente em 11.25-30, antes que Saulo, que logo mais seria chamado de Paulo, se tornasse o principal personagem nos cap.13-28.

 

respirando ainda ameaças. Embora tivesse ajudado a eliminar Estêvão, Saulo continuava a perseguir a heresia cristã.

 

*          9.2 Caminho. Outros nomes usados em Atos para os cristãos primitivos são: “cristãos” (usado somente em 11.26; 26.28; 1Pe 4.16), “discípulos” (vs.10, 19), “santos” (v.13),  “todos os que invocam o teu nome” (v. 14) e “irmãos” (v. 30). “O Caminho” identifica a causa cristã como composta dos seguidores de Jesus, que é  “o caminho” (Jo 14.6). É usada várias vezes em Atos (19.9,23; 22.4; 24.14,22).

 

 *         9.3 uma luz do céu. Uma luz sobrenatural mais brilhante que o sol (26.13) chamou sua atenção.

 

*          9.4 Saulo, Saulo. A repetição significa um trato íntimo e pessoal (cf. Gn 22.11; 46.2; Êx 3.4; 1Sm 3.10; Lc 10.41; 22.31).

 

me persegues. Perseguir os discípulos de Jesus era perseguir Jesus (Mt 5.10-12; Jo 15.19,20).

 

*          9.7 seus companheiros... ouvindo a voz.  Em 22.9 Paulo diz  que eles “não perceberam o sentido da voz”; a palavra grega pode significar “som” ou “voz”. Os companheiros de Saulo ouviram um som mas não podiam entender o que estava sendo dito.

 

*          9.15 instrumento escolhido... perante os gentios e reis, bem como perante os filhos de Israel. Paulo considerava-se um apóstolo para os gentios (Rm 1.13-14) assim como Pedro o era para os judeus (Gl 2.8), mas Paulo pregava muitas vezes para os judeus, particularmente em suas sinagogas (v. 20; Rm 1.16; 1Co 9.20).

 

*          9.17  Jesus que te apareceu. Saulo não tinha tido um sonho ou uma visão, mas tinha visto o Senhor (cf. Is 6.1,5).

 

fiques cheio do Espírito Santo. Cf. 2.38. Nada é dito a respeito de quaisquer dons sobrenaturais, mas a ênfase recai sobre a poderosa pregação, a respeito de Jesus como o Filho de Deus (v.20).

 

*          9.18  como que umas escamas. Lucas freqüentemente chama atenção para as enfermidades físicas (13.11; 28.3-8). Ver introdução: Autor.

 

*          9.26 Tendo chegado a Jerusalém. De acordo com Gl 1.18,19, Paulo viu somente Pedro e Tiago o irmão do Senhor em Jerusalém. Os outros podem ter tido medo de encontrar-se com ele, ou estavam pregando o evangelho em outras áreas.

 

*          9.35 Sarona. As notícias a respeito da cura do paralítico tiveram dramáticos efeitos; chegaram até a planície de Sarona, que se estende ao norte de Jope em direção à costa, por 72 km.

 

*          9.36 Jope. Um antigo porto de mar (atualmente Jaffa, ao sul de Tel Aviv),  cerca de 60 km a noroeste de Jerusalém, o porto do qual Jonas zarpou (Jn 1.3).

 

Tabita. Significa "Gazada" em aramaico; assim com Dorcas significa "Gazela" em grego.

 

*          9.37 a lavarem. Provavelmente antes da unção com especiarias (cf. Jo 19.40). Em Jerusalém, o corpo de Jesus tinha sido enterrado no dia da morte, mas fora da cidade um período mais longo era permitido (até três dias).

 

*          9.43 um curtidor chamado Simão. Os judeus acreditavam que a curtição de peles era uma profissão imunda, pois envolvia contato com animais mortos (Lv 5.2). Pedro estava disposto a hospedar-se com um curtidor porque a mensagem do evangelho estava começando a romper barreiras entre as pessoas. Isto também antecipa a visão de Pedro em 10.9-23.

 

*          10.1  Cesaréia.  Cesaréia Marítima era um porto no Mediterrâneo, 104 km a noroeste de Jerusalém. Foi reconstruída e melhorada, numa dimensão ambiciosa, por Herodes o Grande.

 

*          10.2 temente a Deus. Um termo que pode indicar que Cornélio era em parte convertido ao judaísmo, um gentio que adorava a Deus mas não era circuncidado (13.16,26).

 

*          10.9     ao eirado... a fim de orar. Pedro provavelmente orava três vezes por dia (cf. 3.1; Dn 6.10); esta era a oração do meio-dia. As casas típicas tinham um teto plano, alcançado por uma escadaria  externa.

 

*          10.10 um êxtase. A consciência de Pedro foi retirada das coisas externas, em preparação para a visão (cf. 22.17).

 

*          10.12  toda sorte de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. Tanto animais limpos quanto imundos (Lv 11).

 

*          10.13 Mata e come. Pedro não estava disposto a violar as leis do Antigo Testamento que proibiam comer animais imundos (v.14).

 

*          10.15 Deus purificou. Através desta ilustração viva, Deus  explicou a Pedro que havia revogado as leis  a respeito da impureza ritual; ver Mc 7.14-19.

 

*          10.16 três vezes. Esta visão foi repetida para impressionar Pedro.

 

*          10.24 No dia imediato. O grupo levou dois dias para viajar 48 km de Jope a Cesaréia.

 

*          10.25 indo Pedro a entrar. Pedro agora estava disposto a entrar na casa de um gentio (v.28).

 

prostrando-se-lhe aos pés, o adorou. Cornélio estava maravilhado com a presença de Pedro; ele havia sido instruído por Deus para mandar buscar o apóstolo.

 

*          10.28 Deus me demonstrou. Ele se refere à visão que tinha tido.

 

*          10.34 Deus não faz acepção. O evangelho é tanto para judeus como para gentios (1.8; Rm 1.16).

 

*          10.36 anunciando-lhes... paz, por meio de Jesus Cristo. A paz da reconciliação com Deus através do sangue de Jesus nossa paz (Ef 2.13,14).

 

Senhor de todos. Jesus é Senhor tanto de judeus quanto de gentios.

 

*          10.44 caiu o Espírito Santo sobre todos. Eles foram ungidos pelo poder do Espírito e estavam louvando a Deus e falando em línguas (v.46).

 

*          10.45 da circuncisão... admiravam-se. Era difícil para judeus rigorosos, que não tinham tido a visão de Pedro, entender que Deus não mostrava favoritismo em sua oferta.

 

*          10.48 em nome de Jesus Cristo. O perdão dos pecados é através do nome de Jesus (v.43).

 

*          11.2  os que eram da circuncisão. Outros crentes judeus criticavam Pedro por aceitar os gentios.

 

*          11.3 comeste com eles. Comer com não-judeus era uma clara violação da lei cerimonial, porque os gentios não seguiam as leis dietéticas do Antigo Testamento (Lv 11), nem as purificações cerimoniais (Mc 7.5).

 

*          11.14 serás salvo, tu e toda a tua casa. A graça salvadora de Deus frequentemente se estende a toda a família, como aparece consistentemente no Antigo Testamento (p.ex., Abraão, Isaque, Jacó e suas famílias) e no Novo (2.38,39; 16.31; Lc 19.9).

 

*          11.17 eu para que pudesse resistir a Deus?  Era a vontade de Deus salvar tanto judeus quanto gentios; sem dúvida alguns daqueles presentes foram lembrados da promessa de Deus a Abraão: “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3; Gl 3.8).

 

*          11.18 arrependimento para vida. O arrependimento bíblico significa tristeza pelo pecado e uma mudança do coração que se volta do pecado em direção a Deus (20.21). Os frutos do arrependimento são as boas obras para as quais Deus nos chama (26.20; Lc 3.8; Ef 2.10).

 

*          11.21 A mão do Senhor. Os homens pregavam, mas as pessoas eram salvas à medida que Deus as chamava para crerem nele (1Co 3.6).

 

*          11.26 chamados cristãos. A palavra “cristão” ocorre três vezes no Novo Testamento: aqui, em 26.28 e em 1Pe 4.16. Significa uma pessoa que pertence a Cristo ou é seguidor dele. O termo pode ter se originado na igreja, ou pode a princípio ter sido um termo depreciatório, usado pelos de fora.

 

*          11.28 todo o mundo. O mundo inteiro, não somente o local.

 

*          12.3 agradável aos judeus... prendendo também a Pedro. O propósito soberano de Deus foi cumprido na vida de seus igualmente dedicados servos: neste tempo, Tiago morreu à espada, enquanto Pedro foi liberto da prisão.

 

E eram os dias dos pães asmos. Com tantos judeus zelosos visitando a cidade para a festa, era um momento oportuno para fazer a prisão.

 

*          12.7 um anjo do Senhor... uma luz iluminou. Um anjo era uma garantia da presença de Deus, e a luz provavelmente lembraria Pedro da glória do Senhor no Antigo Testamento (9.3; Êx 3.2; 13.22; 40.34)

 

*          12.10 portão de ferro que dava para a cidade. A Torre de Antônia tinha uma entrada para os átrios do templo, ao sul, assim como outras entradas para a cidade.

 

*          12.15,16 Os discípulos oravam fervorosamente a Deus (cf. 4.23,24) para proteger e livrar Pedro, mas então não conseguiram crer que o Senhor havia feito o que eles tinham pedido.

 

*          12.15 seu anjo. Eles pensaram que era o guardião angélico pessoal dele (Mt 18.10; Hb 1.14). O conceito popular era que tal guardião poderia assumir a aparência da pessoa humana protegida.

 

*          12.19 justiçadas. De acordo com a lei romana, se um prisioneiro escapava, o guarda era passível de ser punido como o prisioneiro teria sido (cf. 16.27,28).

 

*          12.23 não haver dado glória a Deus. Em seu orgulho, ele aceitou para si próprio o louvor que pertence a Deus.

 

comido de vermes. O historiador judeu Josefo (Antigüidades 19.334-350) registra que Herodes Agripa I sofreu dores no coração junto com dor em seu abdome e morreu depois de cinco dias. Herodes morreu em 44 d.C., o quarto ano de Cláudio César.

 

*          12.25 Barnabé e Saulo, cumprida a sua missão. Esta era a missão de trazer a oferta de Antioquia para aliviar a fome de Jerusalém (11.27-30).

 

João... Marcos. Possivelmente o jovem que fugiu na noite da prisão de Jesus (Mc 14.51,52). Marcos, o escritor do segundo Evangelho (cf. 1Pe 5.13), acompanhou Paulo e Barnabé  a Antioquia, e foi com eles na primeira viagem missionária (13.4) até a Perge da Panfília (13.13).

 

*          13.1 Barnabé. Ver nota em 4.36.

 

Simeão, por sobrenome Níger. Seu sobrenome significa “negro”em latim, e ele pode ter vindo da África. Ele pode ser o mesmo Simão Cireneu (Lc 23.26), cujos filhos Alexandre e Rufo estavam entre os cristãos em Roma (Mc 15.21; cf. Rm 16.13).

 

Lúcio de Cirene. Cirene era a capital da província romana de Cirenaica (na Líbia atual).

 

*          13.3 impondo sobre eles as mãos.  Eles oficialmente colocaram suas mãos sobre Barnabé e Paulo, em reconhecimento do que o Espírito Santo tinha já feito (v.2) e do que iria fazer ao enviá-los ( v.4; cf. 14.23; 1Tm 4.14).

 

*          13.4 Selêucia. O porto de Antioquia, 25 km a oeste de Antioquia.

 

Chipre. Uma ilha na parte leste do Mediterrâneo, habitada principalmente por gregos, mas também por muitos judeus.

 

*          13.5 Chegados a Salamina. Eles navegaram em direção a oeste cerca de 208 km, de Selêucia à costa leste de Chipre. Salamina era a mais importante cidade da ilha; a capital da província era Pafos, 144 km a sudoeste.

 

*          13.6 certo judeu, mágico. A palavra grega magos significa “sábio” (Mt 2.1), “feiticeiro”, “mágico”. A feitiçaria era proibida no judaísmo, mas não era desconhecida. Barjesus (filho de Josué) era realmente um falso profeta.

 

*          13.7 Sérgio Paulo. Possivelmente Lúcio Sérgio Paulo, que tinha sido um oficial no reinado de Cláudio, e então tornou-se procônsul (o oficial chefe numa província senatorial) em Pafos, Chipre (cf. 18.12; 2Co 9.2). Em contraste, a Palestina era uma província imperial e tinha um procurador, que prestava contas diretamente ao imperador.

 

*          13.8 Elimas. Outro nome para Barjesus. Este homem estava na corte do procônsul; ele tentava impedir Sérgio Paulo de crer na mensagem cristã.

 

*          13.9 Saulo... chamado Paulo. “Saulo” era seu nome judeu e “Paulo” seu nome romano, provavelmente remontando a sua vida em Tarso. Lucas usa a ocasião da conversão de um proeminente oficial gentio, Sérgio Paulo, para apresentar o nome familiar do apóstolo dos gentios.

 

*          13.13 dirigiram-se a Perge da Panfília. A cidade de Perge era na Panfília, uma província romana economicamente pobre na costa sul da Ásia Menor (atual Turquia). Perge ficava 8 km para o interior. Foi neste tempo que João Marcos deixou Paulo e Barnabé e voltou para casa.

 

*          13.14 Antioquia da Pisídia. Esta Antioquia estava cerca de 160 km ao norte de Perge e 1.100 m  acima do nível do mar. Ficava na Frígia, mas perto da Pisídia e, para distingui-la da outra Antioquia da Frígia, era popularmente chamada “Antioquia da Pisídia”.

 

*          13.15 leitura da lei e dos profetas. Um culto de adoração na sinagoga incluiria o credo judaico (Dt 6.4), a oração de “Dezoito Bênçãos”, uma leitura da lei e outra dos profetas, uma exposição e aplicação (Lc 4.16-30) e uma bênção de encerramento.

 

*          13.20 cerca de quatrocentos e cinqüenta anos. Cerca de quatrocentos anos, mais os quarenta anos no deserto e o período da conquista de Josué (7.6 nota).

 

*          13.33 Tu és meu Filho, eu, hoje, te gerei.  Isto é, hoje, ao levantar-te dentre os mortos, estou declarando que tu és meu Filho e eu sou teu Pai (Hb 1.5, nota).

 

*          13.34 para que jamais voltasse à corrupção. Isto é, para nunca morrer de novo.

 

*          13.39. A lei conduz o pecador para Cristo (Gl 3.24), pois “um homem não é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Jesus Cristo” (Gl 2.16). Ser justificado é ser declarado justo por Deus (Rm 3.21,22) e portanto receber perdão dos pecados (Ef 1.7). Ver “Justificação e Mérito” em Gl 3.11.

 

*          13.46 a vós outros, em primeiro lugar... a palavra de Deus.  Uma vez que Jesus o Messias veio através dos judeus (Gn 12.3), Paulo é consistente em aplicar o princípio “para os judeus primeiro e também para os gregos” (Rm 1.16). Ele reconhece que o plano de Deus tambem inclui os gentios (Is 49.6), um fato a que estes judeus de Antioquia da Pisídia resistiam.

 

*          13.48 e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna. Deus havia escolhido este povo de antemão e agora, através da convicção e do arrependimento (11.18;  2Tm 2.25 )  trouxe-os à fé em Cristo (Ef 2.8). Lucas usa a voz passiva (“haviam sido destinados”) indicando que Deus é o agente. Somente Deus concede vida eterna (Mt 45.26; Jo 10.28; 17.2). Ver “Eleição e Reprovação” em Rm 9.18.

 

*          13.51 sacudindo... o pó dos pés.  Um sinal judeu de desagrado e separação (Mt 10.14).

 

*          14.1 Em Icônio. Paulo e Barnabé viajaram 128 km em direção a sudoeste, de Antioquia da Pisídia para Icônio, uma antiga cidade frígia. Os gregos fizeram dela uma cidade-estado, e sob o governo de Augusto ela tornou-se uma cidade da província da Galácia.

 

*          14.4 apóstolos. Pela primeira vez em Atos, o tema tem um sentido mais amplo, que inclui Barnabé junto com os apóstolos escolhidos por Jesus (1.24-26; Mt 10.1-4; 2Co 1.1 nota).

 

*          14.5 os... apedrejar. Apedrejamento era a maneira como os judeus executavam a pena de morte por blasfêmia religiosa (7.58,59).

 

*          14.6 Listra e Derbe. Estas duas cidades, junto com Icônio, pertenciam estritamente à província romana da Galácia, embora fizessem parte do subdistrito chamado Licaônia. De 37 a 72 d.C., Icônio esteve linguisticamente e politicamente no lado frígio da fronteira.

 

*          14.8 Listra. Em 6 a.C. Augusto fortificou este povoado e fez dele uma colônia romana da província da Galácia. Ele também povoou a colônia com veteranos do exército romano.

 

*          14.10 Ele saltou e andava. Ver “Milagres” em 1Rs 17.22.

 

*          14.12,13 Uma antiga lenda circulava em Listra que os deuses gregos Zeus e Hermes disfarçaram-se como homens e vieram às colinas rurais da Frígia buscando hospitalidade. Somente um casal os acolheu e, em troca, sua cabana foi transformada num templo com teto de ouro e colunas de mármore. As casas daqueles que rejeitaram os deuses foram destruídas. As pessoas de Listra poderia ter tido isto em mente quando acolheram Barnabé e Paulo e se prepararam  para sacrificar touros.

 

*          14.14 rasgando as suas vestes. Um sinal convencional de tristeza e sofrimento.

 

*          14.15-17 O conteúdo do sermão de Paulo é semelhante ao seu posterior sermão em Atenas (17.22-31). Ambos os sermões são endereçados às multidões pagãs, que não entenderiam citações e explicações das Escrituras do Antigo Testamento. Paulo destacava que o poder criador e providencial de Deus se estendia a todo lugar. Ver “Revelação Geral” em Sl 19.1.

 

*          14.16 permitiu que todos os povos. Ver “Conhecimento e Culpa” em Rm 1.19.

 

*          14.20 Derbe. Uma cidade da fronteira licaônica, na parte sudeste da Galácia, 120 km a sudeste de Derbe.

 

*          15.1 Os relatórios dos contatos diretos de Paulo e Barnabé com os gentios, na primeira viagem missionária, podem ter alcançado a Judéia e Jerusalém através de João Marcos, antes que ele retornasse para casa (13.13). Também, outros de Antioquia podem ter trazido a notícia, durante a  longa estadia de Paulo e Barnabé ali. Isto fez com que os judeus cristãos temessem que sua herança judaica estivesse ameaçada; eles pensavam que os gentios convertidos precisavam ser introduzidos no judaísmo através da circuncisão. Paulo reconhecia que forçar os gentios a serem circuncidados poderia fazê-los pensar que a salvação precisa ser  merecida (cf. Gl 2.15,16). Ele sabia que era preciso opor-se aos judaizantes, para que eles não impedissem a expansão do evangelho aos gentios (1Ts 2.14-16).

 

*          15.6 reuniram os apóstolos e os presbíteros. Os líderes da igreja tomaram a direção do debate, mas o v.12 indica que toda a assembléia estava presente.

 

*          15.13 falou Tiago. Tiago era o meio-irmão de Jesus (Mt 13.55;  Introdução a Tiago: Autor). Ele parece agora ter se tornado um proeminente líder da igreja de Jerusalém (Gl.2.9). Tiago juntou um terceiro testemunho, que os gentios não deviam ser sobrecarregados com a incumbência de observar os detalhes da lei cerimonial dos judeus; seu discurso concentrava-se nas Escrituras do Antigo Testamento e sua aplicação à conversão dos gentios.

 

*          15.19 julgo eu. Tiago encontra apoio nas Escrituras e nos testemunhos de Simão Pedro, Barnabé e Paulo de que Deus quer que os gentios sejam livres da lei cerimonial e das exigências dos judaizantes. Ele propõe que tanto judeus quanto gentios pratiquem a moderação. Os judeus cristãos devem reconhecer que os gentios não devem ficar presos à lei cerimonial judaica. Os crentes gentios devem considerar os escrúpulos dos judeus cristãos, e não ofendê-los comendo comida sacrificada aos ídolos, ou comendo a carne de animais estrangulados, ou sangue (Lv 17.10-14; 19-26).

 

*          15.23 Os irmãos. Os judeus cristãos usavam esta expressão para deixar os gentios cristãos à vontade.

 

*          15.28 ao Espírito Santo e a nós. Eles eram cheios do Espírito (2.1-41; 4.8; 6.5; 9.17; 13.4) e reconheciam o papel do Espírito em seu debate e decisão.

 

*          15.32 Judas e Silas... profetas. Trazer encorajamento e força aos crentes era uma função primária do profeta do Novo Testamento (um porta-voz de Deus).

 

*          15.39 desavença... separar-se. A falta de apoio de Barnabé aos cristãos gentios (Gl 2.13) pode ter também contribuído para a discordância a respeito de Marcos. Embora o restante de Atos não contenha mais nenhum registro de Paulo trabalhando com Barnabé, Paulo menciona Barnabé de uma maneira positiva em 1Co 9.6. O posterior elevado conceito que Paulo tinha de Marcos é evidente em Cl 4.10; Fm 24; 2Tm 4.11.

 

Barnabé, levando consigo a Marcos... Chipre. Barnabé levou seu primo Marcos (Cl 4.10) numa viagem missionária à ilha de Chipre, terra de Barnabé. Isto também forneceria uma oportunidade para Barnabé encorajar (4.36) o jovem.

 

 

*          16.1 um discípulo... Timóteo. Na pequena comunidade judaica de Listra, Paulo encontrou este jovem, que em parte era judeu e em parte grego. Como seu pai, Timóteo havia sido criado como um grego, e assim não tinha sido circuncidado. Sua mãe era judia. Paulo não pensou que estivesse comprometendo os princípios de liberdade dos judeus ao circuncidar Timóteo (v.3).

 

*          16.6 região frígio-gálata. Esta é a parte sul da  província  maior da Galácia. Incluía o distrito da Frígia, a Antioquia da Pisídia e as áreas ao redor.

 

Espírito Santo... Ásia. A província da Ásia, localizada no setor oeste da Ásia Menor, incluía a famosa cidade de Éfeso, para onde Deus queria que Paulo fosse numa data posterior (cap.19). O Espírito Santo é identificado como Espírito de Jesus (v.7) e como Deus (v.10; cf, 2Co 3.17 nota). Estes versículos sugerem a doutrina cristã da Trindade (cf. 2Co 13.14).

 

*          16.7,8  Mísia... Trôade. Paulo e Silas vieram de Derbe e Listra em direção noroeste até Mísia, uma região ao sul do Helesponto. Eles não tinham condições de ir para o norte até Bitínia (na direção do mar Negro) e em vez disso foram a oeste para Trôade, na costa do mar Egeu. Trôade era um porto de mar bem antigo; o local da antiga Tróia ficava 16 km para o interior.

 

*          16.9 Macedônia. A Macedônia era do outro lado do mar Egeu, em relação a Trôade. O Monte Olimpo fica no sul da Macedônia.

 

*          16.10 procuramos. A primeira de várias passagens usando o pronome plural “nós” começa aqui, indicando que o autor estava com Paulo e Silas.

 

*          16.11 Samotrácia. Uma proeminente ilha no norte do mar Egeu, onde as embarcações normalmente paravam. Estava a cerca de meio caminho entre Trôade e Neápolis, o porto que servia Filipos.

 

*          16.12 Filipos. Filipe II da Macedônia, o pai de Alexandre Magno, tinha estabelecido uma grande colônia grega aqui, e dado a ela o nome de Filipos. Os romanos a conquistaram em 167 a.C. e a fizeram parte da província da Macedônia.

 

*          16.13 onde nos pareceu haver um lugar de oração. De acordo com a lei judaica, pelo menos dez homens eram necessários para se formar uma sinagoga. Não havendo um lugar de oração, poderia ser estabelecido ao ar livre, preferivelmente perto de água.

 

mulheres que para ali tinham concorrido.  Elas se reuniam para ler e estudar as Escrituras, e acolhiam bem a assistência de algum professor judeu que chegasse a visitá-las.

 

*          16.14 da cidade de Tiatira. A sudeste de Pérgamo e cerca de 64 km para o interior, Tiatira ficava na Ásia Menor, do outro lado do mar Egeu em relação a Atenas. Tiatira era conhecida pela lã e pelo tingimento. Púrpura era um tingimento dispendioso

 

o Senhor lhe abriu o coração. Iluminação e persuasão divinas são necessárias para que o coração cego pelo pecado responda ao evangelho (Jr 13.23; Jo 6.44,65; Rm 9.16; 1Co 2.14). Este efetivo chamado de Deus  garante que todos os que foram chamados por Deus irão crer (13.48; 2Ts 2.13,14; 2Tm 1.9,10).

 

*          16.15  ser batizada, ela e toda a sua casa.  Através da história da redenção, tem sido freqüente a prática de Deus salvar unidades familiares inteiras ao mesmo tempo (2.38,39; 11.14; 16.31; Gn 17.7-14). Os batismos de famílias em Atos são exemplos marcantes disto (10.47,48; 16.31-33; cf. 1Co 1.16). Tais batismos de casas inteiras  eram aparentemente prática padrão.

 

*          16.16 espírito advinhador. Lit., “um espírito de pitonisa”. O termo originalmente se refere a uma serpente mística que, segundo se acreditava, guardava o templo e o oráculo do  deus grego Apolo em Delfos. Posteriormente, a frase significou  uma pessoa possuída por demônio ou mesmo um ventriloquista. O povo de Filipos deve ter pensado que ela tivesse um demônio que prediz a sorte.

 

*          16.17 Deus Altíssimo. Um judeu entenderia que este fosse Yahweh; um gentio aplicaria este nome a Zeus.

 

*          16.18 nome de Jesus Cristo... retira-te. Seguindo o entendimento comum da expressão “O Deus Altíssimo”, todos perceberiam  que Paulo pretendia expressar o pensamento que Jesus, como deidade, expulsava os demônios.

 

*          16.19 agarrando em Paulo e Silas. Porque Paulo e Silas eram ambos judeus e líderes do grupo missionário, eles foram presos. Seus companheiros eram gentios (Lucas, um gentio da Antioquia da Síria e Timóteo, um meio gentio de Listra) e não foram acusados.

 

*          16.21 propagando costumes... não podemos... praticar... romanos. A acusação era que Paulo e Silas estavam propagando uma religião ilegal e perturbando a paz. A acusação era inflamada por preconceitos culturais e religiosos.

 

*          16.22 açoitá-los. Paulo e Silas eram cidadãos romanos (v.37) e deveriam ter ficado livres de tal tratamento. Mas no clima de agitação isto foi ignorado.

 

*          16.24 no tronco. Eles foram tratados como criminosos.

 

*          16.27 abertas as portas do cárcere. Ver 5.19; 12.10.

 

ia suicidar-se. O carcereiro era passível de punição se os prisioneiros fugissem (12.19).

 

*          16.31 tu e tua casa. Para outros exemplos de salvação de casas inteiras, ver v. 15, nota; 2.38,39; 10.24,48; 1Co 1.16. Quando uma pessoa aceitava uma religião, toda a família estava envolvida (v.34). Ver “A Família Cristã” em Ef 5.22.

 

*          16.33 batizado. Ver “Batismo” em Rm 6.3.

 

*          16.37 romanos. Cidadãos romanos eram isentos de açoitamento e tortura. Se cidadãos romanos fossem julgados numa corte romana, eles tinham o direito de apelar sua causa a Cesar (25.11; 26.32).

 

*          16.40 casa de Lídia.  Os cristãos primitivos freqüentemente se reuniam  em casas particulares (Fm 2).

 

*          16.40 vendo os irmãos.  “Irmãos”  incluiria todos os crentes — Lídia, sua casa, o carcereiro, Lucas e outros.

 

 

*          17.1 Anfípolis e Apolônia... Tessalônica.  Anfípolis ficava 48 km a sudoeste de Filipos, e Apolônia 40 km mais além, na estrada para Tessalônica. Paulo e seus companheiros ansiavam por chegar a Tessalônica, 40 km além de Apolônia. Tessalônica tinha uma população de 200.000 e era a capital provincial da Macedônia.

 

*          17.2 três sábados. As epístolas paulinas sugerem que Paulo ficou em Tessalônica muito mais do que três semanas. De acordo com Fp 4.16, a igreja de Filipos repetidamente lhe mandava ajuda, e a epístola aos Tessalonicenses indica que Paulo tinha podido dar extensa instrução doutrinária aos cristãos tessalonicenses.

 

*          17.7 contra os decretos de César. Uma acusação política tinha sido trazida contra Paulo, que tinha falado sobre o reino espiritual de Deus  (14.22; 19.8; 20.25; 28.23,31). Seus oponentes pareciam ter distorcido a mensagem,  para que significasse oposição política a Roma. Neste tempo, Cláudio Cesar (49-50 d.C.) expulsou os judeus de Roma, por causa  dos distúrbios alegadamente instigados por “Cresto”, uma provável referência a Cristo.

 

*          17.10 Beréia. A atual Verria, 80 km a sudoeste de Tessalônica, no sopé dos Montes Olímpios.

 

*          17.11 examinando as Escrituras todos os dias. Os bereanos comparavam o ensinamento de Paulo com a Palavra escrita de Deus, estabelecendo um bom exemplo para a igreja atavés da história.

 

*          17.16 Atenas. A principal cidade da Grécia, servida pelo porto de Pireu, no mar Egeu. Atenas atingiu seu ápice no século V a.C. sob Péricles (495-429 a.C.) quando o Pártenon e outras magníficas estruturas foram construídas. Os poetas clássicos Ésquilo, Sófocles, Eurípedes e Aristófanes floresceram neste tempo. Embora conquistada pelos romanos em 146 a.C., Atenas continuou a ser um grande centro intelectual e cultural.

 

idolatria dominante. Havia estátuas de deuses e deusas no Pártenon e em outros templos da Acrópole, assim como nos edifícios públicos, comerciais e templos da cidade.

 

*          17.18 epicureus e estóicos. Epícuro (342-270 a.C.) ensinava que o propósito da vida era o prazer e a liberdade da dor, paixões e medos. Por outro lado o cipriota Zenão (340-265 a.C.),  fundador do estoicismo, enfatizava  o viver em harmonia com a natureza, e também o depender da razão e  de outros poderes auto-suficientes. Ambas as escolas destacavam a busca pela paz da mente. Zenão tinha um conceito panteísta de Deus como a “alma do mundo”.

 

tagarela.  Um termo depreciatório significando um catador de sobras ou um camelô de idéias variadas.

 

*          17.19 o Areópago. O nome significa “Colina de Marte”. É uma colina perto da Acrópole onde em tempos antigos um conselho tinha se reunido. O conselho tornou-se o conselho da cidade de Atenas e, nos tempos romanos, era a corte que supervisionava a moral, educação e religião. Nos tempos de Paulo, a corte se reunia no Pórtico Real, na região do mercado, abaixo da Acrópole.

 

*          17.23 AO DEUS DESCONHECIDO.  Possivelmente uma referência ao Altar dos Doze Deuses em Atenas, erigido para assegurar que nenhum deus tivesse ficado fora de sua adoração. Paulo usou este ponto de contato para começar seu discurso sobre o Deus que fez o mundo, que não é esculpido em pedra ou confinado a algum templo, e que controla os tempos e os lugares onde as pessoas vivem.

 

*          17.26 de um só. Ver “A Queda” em Gn 3.6.

 

*          17.28 nele vivemos, e nos movemos, e existimos. Paulo diz que Deus trouxe todas as pessoas à existência e que elas só existem por sua providência. No mundo antigo os três grandes mistérios da filosofia e da ciência eram as questões de vida, movimento e existência. Ver “Revelação Geral” em Sl 19.1.

 

alguns dos vossos poetas. Paulo sabia que os atenienses não conheciam o Antigo Testamento, e ele fez citações de três de seus próprios poetas. Embora suas palavras originalmente se referissem a Zeus, o chefe dos deuses gregos, Paulo aplicou as citações ao Deus vivo do céu. Os poetas são Epimenides (c. 600 a.C.), Cleanto (331-233 a.C.) e Arato (c. 315-240 a.C.).

 

*          17.29 não... semelhante ao ouro, à prata. Ver “A Auto-Existência de Deus” em Sl 90.2.

 

*          17.30 não levou Deus em conta os tempos da ignorância. Isto é, Deus levou em consideração as limitações do conhecimento deles a seu respeito, mas agora Paulo revelou-lhes a verdade a respeito do Deus vivo. Com todos os povos, eles são chamados a se arrependerem de seus pecados.

 

*          17.31 um dia em que há de julgar... por meio de um varão que destinou. O dia do juízo final (Ap 20.12-15). A rejeição pelos atenienses do homem a quem Deus designou resultará em Jesus rejeitá-los definitivamente com toda a justiça, no dia do juízo. Paulo enfatiza que o chamado de Deus ao arrependimento e à fé não é um convite,  mas uma ordem.

 

ressuscitando-o  Ver “A Ressurreição de Jesus” em Lc 24.2.

 

*          18.1 Corinto. Desde 27 a.C., esta cidade tinha sido a capital da província romana da Acaia. Ficava 80 km a sudoeste de Atenas, perto do istmo que junta Ática ao Peloponeso. Corinto foi grande e próspera nos séculos VIII ao VI a.C., mas declinou e foi capturada em 338 a.C. por Felipe II da Macedônia. Em 196 a.C. foi tomada pelos romanos. Eles a saquearam em 146 a.C. em punição por uma revolta, mas foi restaurada por Júlio César como colônia em 44 a.C. Nos tempos do Novo Testamento, Corinto tinha mais de 200.000 habitantes, incluindo gregos, ex-escravos da Itália, veteranos do exército romano, empresários, oficiais do governo, gente do Oriente Próximo, um grande número de judeus e muitos escravos. Corinto era completamente pagã e imoral. A cidade era cheia de templos pagãos e, na parte sul, havia uma alta acrópole com um templo de Afrodite. A partir do século V a.C., a expressão “corintianizar” significava ser sexualmente imoral.

 

 

*          18.2 Áquila, natural do Ponto... Priscila. Ponto ficava na costa norte da Ásia Menor (atual Turquia). Priscila é freqüentemente mencionada antes de seu marido (vs. 18,19,26; Rm 16.3; 2Tm 4.19). Ela pode ter tido superior status social, ou ter sido mais proeminente no negócio de fabricação de tendas que o casal possuía.

 

*          18.6 Sobre a vossa cabeça, o vosso sangue. Eles eram responsáveis por seus próprios pecados.

 

*          18.7 casa de... Justo. A primeira casa da igreja coríntia. Tito Justo era um gentio que aderiu à fé cristã na sinagoga, e cidadão romano. Ele pode ter pertencido a uma das famílias que Julio Cesar enviou para colonizar Corinto. Ele pode ter sido o Gaio de Rm 16.23, que foi batizado por Paulo (1Co 1.14). Gaio pode ter sido um terceiro nome, usado antes de Tício Justo.

 

*          18.8 Crispo, o principal da sinagoga. Como principal da sinagoga, Crispo estava encarregado das disposições físicas para os cultos da sinagoga. Foi este Crispo (e presumivelmente sua casa) que Paulo batizou (1Co 1.14).

 

toda a sua casa.  Ver 16.15 e nota; 16.31-33.

 

*          18.10 tenho muito povo nesta cidade. Jesus promete que os trabalhos de Paulo em Corinto serão frutíferos porque o próprio povo de Deus (aqueles a quem Deus designou para a vida eterna, 13.48) habita naquela cidade. Mesmo que os coríntios eleitos ainda não tivessem crido no evangelho, e alguns ainda nem mesmo tivessem ouvido, eles não obstante eram conhecidos por Deus.

 

*          18.12 Quando... Gálio era procônsul da Acaia. A identificação por Lucas do chefe administrativo desta província senatorial como um procônsul é correta. Uma inscrição encontrada em Delfos, Grécia, identifica Gálio como procônsul em 52 d.C.

 

*          18.13 contrário à lei. Isto é, contrário á lei romana que proíbe a prática de religiões não legalmente reconhecidas por Roma. O judaísmo era legalmente reconhecido e o cristianismo, como um ramo do judaísmo, também era uma religião lícita (religio licita).

 

*          18.18 tomara voto. Embora esta frase pudesse ser aplicada a Áquila, é provavelmente Paulo que está em questão. O voto nazireu requeria rigorosa pureza cerimonial que teria sido impraticável em terras gentias (Nm 6.1-21), portanto este era mais propriamente um voto privado tomado por Paulo como um exercício religioso. Deixava-se o cabelo crescer durante o período do voto, e cortá-lo marcava a conclusão do voto e era talvez uma expressão de gratidão a Deus.

 

*          18.23 ali algum tempo. Presume-se que Paulo esteve em Antioquia por vários meses, mais ou menos do outono de 52 d.C. à primavera de 53 d.C.

 

Galácia e Frígia. Paulo começou sua terceira viagem missionária na parte frígia da Galácia, no sul da Ásia Menor, a área mais próxima ao seu trabalho anterior.

 

*          19.1 regiões mais altas. Quando tinha encerrado seu ministério na Galácia frígia (18.23), Paulo continuou em direção oeste por terra, através da região de Colossos, Laodicéia e Hierápolis (Cl 4.13) no vale de Lico, e finalmente chegou a Éfeso. Aqui ele ministrou por cerca de três anos (vs. 8,10), de 53 d.C. a 56 d.C.

 

Éfeso. Capital da província romana da Ásia, Éfeso tinha sido fundada cerca do século XII a.C. por Jônios de Atenas. Tornou-se uma grande potência comercial, mas sua prosperidade econômica declinou, principalmente porque a erosão invadiu o rio causando aluvião e entupimento do porto. A cidade devia sua riqueza e prestígio ao templo de Ártemis, construído em honra da deusa da fertilidade. A Éfeso dos tempos de Paulo tinha já passado do seu apogeu, mas era ainda um importante centro comercial e religioso.

 

 alguns discípulos. De acordo com o v.7,  “uns doze”.

 

*          19.2 Recebestes... o Espírito Santo. Como seguidores de João Batista, estes crentes não tinham sido instruídos a respeito da vinda do Espírito. Note-se que todas as categorias de pessoas recebiam o batismo do Espirito Santo: judeus, gregos tementes a Deus, samaritanos e gentios.

 

*          19.4 batismo de arrependimento... que vinha depois dele... Jesus. O batismo de arrependimento de João (Mc 1.4; Lc 3.3) era direcionado para o arrependimento de pecados,  aguardando ansiosamente a obra redentora de Jesus.

 

*          19.6 falavam em línguas... profetizavam. A experiência que os gentios de Éfeso tiveram quando receberam o Espírito Santo  é paralela àquela dos judeus (2.4,11), dos samaritanos (8.14-17) e dos gentios tementes a Deus (10.44-46). Este episódio é uma extensão da experiência do Pentecoste para ainda um outro grupo de pessoas (v.2, nota). “Profetizavam”, nesta passagem,  pode ser equivalente a “falar... as grandezas de Deus” (2.11), ou falando e “engrandecendo a Deus” (10.46).

 

*          19.9 escola de Tirano. Nada além é sabido acerca de Tirano. Alguns manuscritos acrescentam “da quinta à décima hora” (das onze da manhã às quatro da tarde). Pode ser que Tirano usasse  a sala nas horas frescas da manhã, e a cedesse a Paulo para o resto do dia.

 

*          19.10 Ásia. A província romana na parte oeste da Ásia Menor. Como resultado deste ensinamento, grupos de crentes foram formados em diversos lugares (Cl 4.13,16; Ap 2; 3).

 

*          19.12  lenços e aventais do seu uso pessoal. Isto é, agasalhos ou aventais de trabalho que Paulo usava  enquanto trabalhava fazendo tendas ou toldos (18.3).

 

aos enfermos. Isto não foi da iniciativa de Paulo; por causa de seu passado religioso pagão, os efésios estavam acostumados a empregar meios supersticiosos (v.19). Deus ajustou sua obra de graça à ignorância deles.

 

*          19.13 espíritos malignos. Nos tempos antigos era prática comum usar nomes mágicos para expulsar maus espíritos. Uns judeus em Éfeso pretendiam  “invocar o nome do Senhor Jesus” sobre aqueles que estavam possessos, tentando imitar o que Paulo fazia (v.12; 16.18).

 

*          19.19 seus livros. Estes eram pergaminhos com os nomes e encantamentos usados em suas mágicas.

 

*          19.23 do Caminho. Ver nota em 9.2.

 

*          19.24 ourives... Demétrio. Uma importante agremiação de ourives tinha se desenvolvido em Éfeso por causa do grande número de peregrinos religiosos. Os peregrinos vinham adorar a deusa Diana (Ártemis em grego) que era retratada por uma famosa estátua em Éfeso como uma deusa da fertilidade com muitos seios. Sua suposta imagem, que tinha alegadamente caído de “Zeus” (v.35) era provavelmente um meteorito que o povo tinha começado a adorar. O templo de Ártemis era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Não só era o objeto de peregrinação religiosa, mas era também um repositório bancário. Fazer santuários e imagens de prata da deusa era um importante negócio.

 

*          19.27 templo da grande deusa, Diana. O templo jônico arcaico de Diana media 67 por 130 m, com 127 colunas de mármore,  tendo cada uma 19 m de altura. As bases inferiores das 36 colunas do lado oeste eram esculpidas com relevos. A estátua da deusa era exposta numa sala interna do templo.

 

*          19.32 assembléia. A palavra grega ekklesia é usada aqui e nos vs. 39 e 41 referindo-se a uma assembléia secular de pessoas (5.11, nota).

 

*          19.37 não são sacrílegos, nem blasfemam contra a nossa deusa. Estas eram acusações comuns de gentios contra judeus e cristãos judeus (Josefo, Antigüidades, 4.207; Contra Ápio, 2.237).

 

*          20.1 partiu para a Macedônia. Paulo subiu a costa da Ásia Menor a partir de Éfeso, ou por estrada ou por navio, provavelmente até Trôade, e então foi de navio até a Macedônia  (cf. 16.8-10) e Filipos (cf. 16.11-40), visitando grupos de crentes pelo caminho. Enquanto na Macedônia, Paulo pode ter estendido seu ministério até o Ilírico (atual Albânia; Rm 15.19).

 

*          20.2 dirigiu-se para a Grécia. Paulo chegou em Corinto, onde passou o inverno de 56-57 d.C. Durante este tempo ele escreveu Romanos (Rm 15.26; 16.23,24).

 

*          20.4 Os companheiros de viagem de Paulo estão relacionados por nome. Podem ter sido representantes da igreja oficial, designados para viajar com Paulo a fim de entregar o dinheiro coletado para ajudar a igreja de Jerusalém (1Co 16.1-4; 2Co 9.1-5). Sópatro pode ser o “Sosípatro” mencionado em Rm 16.21. Aristarco tinha fielmente acompanhado Paulo durante a terceira viagem missionária (19.29) e acompanhou o apóstolo a Roma (27.2), onde compartilhou de seu aprisionamento (Cl 4.10). Secundo não é mencionado em nenhum outro lugar do Novo Testamento. Gaio pode ser diferente do Gaio macedônio mencionado em 19.29. A respeito de Timóteo, ver introdução a 1 Timóteo: Data e Ocasião. Tíquico foi, posteriormente, representante de Paulo a várias igrejas, durante o aprisionamento do apóstolo (Ef 6.21; Cl 4.7-9; 2Tm 4.12). Trófimo acompanhou Paulo a Jerusalém, onde sua presença na cidade levou à prisão do apóstolo (21.29). Ele aparentemente acompanhou Paulo depois que o apóstolo foi solto do primeiro aprisionamento em Roma (2Tm 4.20).

 

*          20.5 esperando-nos. Lucas novamente usa o pronome da primeira pessoa  do plural, indicando que ele viajava com Paulo para Jerusalém.

 

*          20.7 primeiro dia da semana. Domingo.

 

partir o pão. Desde que eles estavam reunidos para adoração no primeiro dia da semana, o dia do Senhor (Ap 1.10), esta celebração incluía a Ceia do Senhor (2.42) e não era apenas uma refeição de confraternização (2.46).

 

Paulo... exortava-os. Este era um culto de pregação e ensinamento de domingo à tarde.

 

*          20.8-12. Lucas registra que Êutico foi “levantado morto”, resultado natural de uma tal queda. A restauração à vida do jovem por Paulo é uma das duas ressurreições de mortos operadas por apóstolos registradas em Atos (9.40; cf. Lc 7.11-17; 8.49-56; Jo 11.1-44).

 

*          20.13 navegamos para Assôs. Paulo percorreu por estrada os 32 km de Trôade a Assôs, enquanto Lucas foi de navio.

 

*          20.15 no dia seguinte... Quios... Samos... Mileto.  Eles navegaram pela costa até Mileto, cerca de 48 km ao sul de Éfeso.

 

*          20.17 presbíteros.  Estes eram os representantes ordenados da congregação de Éfeso, chamados para serem bispos e pastores da igreja de Deus (v.28; cf. 1Tm 3.1-7; Tt 1.5-9).

 

*          20.20 vo-la ensinar publicamente e também de casa em casa. O ensinamento de Paulo durante a estadia de três anos (v. 31)  em Éfeso foi extensivo, incluindo discursos públicos na sinagoga e na escola de Tirano (19.8-10), assim como instrução mais particular nas casas.

 

*          20.21 arrependimento... fé. Ver nota em 3.19. Tanto judeus como gentios devem vir a Deus da mesma maneira — em arrependimento pelo pecado (26.20; Lc 24.47) e fé em Jesus Cristo.

 

*          20.22 constrangido em meu espírito. Provavelmente isto se refere à instigação do Espírito Santo. Tal direção explícita dada pelo Espírito Santo ocorria freqüentemente durante o ministério de Paulo (16.6-10).

 

*          20.25 não vereis mais o meu rosto. A declaração de Paulo era mais baseada em seu próprio julgamento da situação do que na revelação divina. Por causa das contínuas conspirações contra sua vida pelos judeus (v. 3) a revelação divina de que “cadeias e tribulações” esperavam por ele (v.23) e sua própria intenção de enfocar seu futuro ministério no Mediterrâneo ocidental (Rm 15.23-29), Paulo considerava provável que estivesse vendo os presbíteros de Éfeso pela última vez. Contudo, parece que, mais tarde, Paulo conseguiu voltar a Éfeso depois de ser solto da prisão em Roma (1Tm 1.3).

 

*          20.27 todo o desígnio de Deus. A revelação de Deus culminando em seu filho Jesus Cristo. Paulo não suprimiu nenhuma das verdades do evangelho, mas pregou o evangelho completo a judeus e gentios. Ele sempre usava tato e discrição, mas nunca comprometeu as boas novas.

 

*          20.28 com o seu próprio sangue. A expressão é notável pelo modo como reconhece que o sangue de Cristo é o sangue de Deus. Muitos manuscritos antigos têm uma diferente ordem de palavras, dizendo “o sangue de seu próprio”, isto é, de Cristo.

 

*          20.29 não pouparão o rebanho.  Ver “Pastores e Cuidado Pastoral” em 1Pe 5.2.

 

*          20.30 dentre vós mesmos.  A advertência profética de Paulo neste versículo foi cumprida já que a igreja de Éfeso logo foi infestada por falsos mestres, alguns dos quais aparentemente eram líderes da igreja (1Tm 1.3,7,19,20; 6.3-5; Introdução a 2 Timóteo: Dificuldades de Interpretação).

 

*          20.37 o beijavam. A antiga prática do beijo cristão de saudação (Lc 7.45; 1Ts 5,26; 1Pe 5.14) é ainda praticada hoje em algumas culturas.

 

*          21.1 Cós... Rodes... Pátara.  Eles navegaram numa rota direta através das ilhas fora da costa da Ásia Menor, até o porto de Pátara. A pequena ilha de Cós era um estado livre na província da Ásia. Rodes, a capital no extremo norte da ilha de Rodes, era famosa e próspera  no período grego anterior. Pátara, um porto na costa sudoeste da Ásia Menor, foi um importante porto para navios antigos que velejavam pelo Mediterrâneo oriental, fazendo assim com que a Síria, a Palestina e o Egito tivessem contato com a Ásia Menor, a Macedônia e a Acaia.

 

*          21.2 Fenícia.  A Síria controlava a Fenícia no período romano.

 

*          21.3 Tiro.  Este porto, famoso nos tempos do Antigo Testamento, e conquistado por Alexandre Magno, ficava cerca de 660 km a sudoeste de Pátara, uma viagem por mar de cerca de cinco dias.

 

*          21.4 movidos pelo Espírito. Paulo não era desobediente ao Espírito; o Espírito Santo o estava compelindo a ir a Jerusalém (20.22, nota). Foi  através do Espírito que os amigos de Paulo entenderam que logo ele iria sofrer prisão e aflições (20.23) e em resposta a esta revelação eles tentaram persuadir Paulo “que não fosse a Jerusalém” (cf. vs. 11,12).

 

*          21.7 Ptolemaida.  Um porto 40 km ao sul de Tiro, onde os navios desembarcavam sua carga.

 

*          21.8 Cesaréia. Um porto de mar, construído por Herodes o Grande, era a capital provincial da Judéia. Ficava 52 km ao sul de Ptolemaida (10.1, nota).

 

Filipe... um dos sete.  Um dos sete escolhidos para tomar conta da distribuição de comida (6.1-6). Ele havia pregado aos samaritanos, ao eunuco etíope e ao povo ao longo da costa palestina (cap. 8).

 

*          21.10 profeta chamado Ágabo. O mesmo Ágabo que quinze anos antes profetizara  a severa fome na Judéia e nas regiões vizinhas (11.27,28).

 

*          21.11 diz o Espírito Santo. No contexto dos apóstolos no século I, Ágabo, como um profeta, era guiado diretamente pelo Espírito para dar a mensagem inspirada de Deus.

 

*          21.15 subimos para Jerusalém.  O Pentecoste, quinqüagésimo dia após a Páscoa, estava se aproximando depressa (eles haviam passado pelo menos trinta e seis dias viajando de Filipos a Cesaréia, e passaram vários dias em Cesaréia) e Paulo queria estar em Jerusalém para essa festa.

 

*          21.20 zelosos da lei.  Milhares de judeus cristãos em Jerusalém observavam estritamente a lei mosaica. Enquanto muitos destes se ressentiam pelo fato de que aos gentios não era requerido observarem a lei cerimonial de Moisés (v. 25; 15.1-31), a acusação aqui era que Paulo estava encorajando os judeus a, do mesmo modo, abandonarem a lei (v.21). Tais acusações podem ter sido provocadas pelo fato de que o próprio Paulo não seguia a lei cerimonial judaica quando estava em companhia de gentios. Embora Paulo não tivesse objeção quanto aos judeus seguirem seus costumes ancestrais, ele se opôs a qualquer tentativa de fazer com que tal observância fosse, de algum modo, necessária para a salvação (Rm 14.1-8; Gl 5.2-6). Sempre cuidadoso para evitar ofensas desnecessárias, a flexibilidade de Paulo em tais matérias mostra que os interesses do evangelho estavam sempre em primeiro lugar em sua mente (1Co 9.19-23).

 

*          21.24 purifica-te... despesa.  Este era o voto nazireu (Nm 6.1-21) durante o qual o devoto deixava seu cabelo crescer. Quando o período do voto tivesse terminado, ele rapava o cabelo, dedicava-o ao Senhor e o queimava junto com o sacrifício para a oferta pacífica (Nm 6.18). Paulo pagou as despesas para quatro nazireus, foi com eles ao sacerdote para os sacrifícios, e participou dos ritos de purificação. Desta maneira, Paulo publicamente demonstrou que era um judeu cumpridor da lei.

 

*          21.37 Sabes o grego?  O tribuno estava surpreso por ouvir Paulo falar grego; ele tinha pensado que Paulo fosse um judeu insurrecionista do Egito, que três anos antes tinha aparecido lá, alegando ser um profeta (Josefo, Guerras dos Judeus, 2.261-263).

 

*          21.38 sicários.  Lit. “homens de adaga”, nacionalistas judeus militantes.

 

*          21.40 na escada. Provavelmente as escadas que levavam da área do templo à Torre de Antônia (reconstruída por Herodes o Grande e assim chamada por causa de Marco Antonio) na beirada norte da plataforma do templo.

 

língua hebraica. Isto é, aramaico, como era comumente falado pelos judeus na Palestina, embora os sacerdotes e levitas soubessem também o hebraico. O grego era a língua comum do mundo romano e mediterrâneo.

 

*          22.3 Tarso. Uma importante cidade localizada na Cilícia, na costa oriental do Mediterrâneo, a norte de Chipre. Era um notável centro intelectual.

 

*          22.12 Ananias. Uma pessoa apropriada para encontrar Saulo, que era um zeloso fariseu, “um hebreu de hebreus” (Fp 3.5,6). Ser conhecido de Ananias recomendaria Paulo a outros judeus na cidade que, de outra maneira, suspeitariam dele (9.10-19).

 

*          22.16 recebe o batismo. O batismo no Novo Testamento é o sinal exterior de uma limpeza interior. Como tal, é correspondente à circuncisão no Antigo Testamento (Dt 10.16; 30.6; Ez 44.7).

 

*          22.24 sob açoite. O açoite romano era um chicote de tiras de couro carregado com pedaços de metal ou osso; podia aleijar para sempre ou matar. Jesus foi açoitado com tal chicote (Jo 19.1). Haviam batido em Paulo  (2Co 11.24,25), mas ele nunca tinha sido submetido a esta punição específica antes.

 

*          22.25 amarrando. Os soldados ou esticavam os braços de Paulo em torno de um poste para expor suas costas ou amarravam suas mãos e o suspendiam do chão para aplicar  o chicoteamento.

 

*          22.26 romano. Paulo apelou novamente para sua cidadania romana, sabendo que iria ser punido sem julgamento (16.37). A cidadania romana era tida em alta conta, e normalmente concedida somente àqueles de alta posição, ou àqueles que tinham prestado algum serviço valioso ao estado. Era então passada para a família da pessoa.

 

*          23.2 sumo sacerdote, Ananias. Filho de Nebedeu, um homem brutal e violento que governou de 48 a 59 d.C. Este não é o anterior Anás, de Jo 18.13. Ananias foi assassinado no começo da guerra com Roma (66-70 d.C.).

 

*          23.3 parede branqueada! Os túmulos eram frequentemente branqueados para fazê-los mais visíveis (Mt 23.27,28). Paulo deu um epíteto adequado a um oficial corrupto.

 

contra a lei.  De acordo com a lei judaica, Paulo tinha de ser julgado e pronunciado culpado antes de ser punido.

 

*          23.6 saduceus... fariseus.  Estes dois grupos emergiram durante o período entre o Antigo e o Novo Testamento. Eles tinham opiniões políticas e religiosas diferentes. Paulo aproveitou a oportunidade para enfatizar suas diferenças, identificando-se como um fariseu e um crente na ressurreição dos mortos, contra os saduceus que negavam a ressurreição e a existência de anjos e espíritos (Mt 22.23-32).

 

*          23.9 escribas da parte dos fariseus. Estes eram mestres, intérpretes especialistas da lei dos judeus.

 

*          23.16 o filho da irmã de Paulo.  Segundo parece, alguns membros da família de Paulo estavam em Jerusalém.

 

avisou a Paulo. Os prisioneiros recebiam de parentes e amigos que regularmente os visitavam o seu suprimento necessário.

 

*          23.23,24 A infantaria e cavalaria com equipamentos pesados entregaram Paulo com segurança a Félix, o procurador da província imperial da Judéia. Os quartéis oficiais da província ficavam em Cesaréia.

 

*          23.26 governador Félix. Félix tinha sido escravo e, como homem livre, tinha ascendido a uma influente posição no governo romano. Em 52 d.C. o imperador Cláudio enviou-o como governador a Cesaréia. Félix era chamado de “excelentíssimo Félix” (24.2) durante a sua administração de oito anos. O historiador romano Tácito disse que Félix “ocupava a posição de um rei, enquanto tinha a mente de um escravo, saturada com crueldade e lascívia” (História 5.9).

 

*          23.31 Antipátride. Uma cidade construída por Herodes o Grande em honra de seu pai Antipater, cerca de 48 km a noroeste de Jerusalém.

 

*          23.35 pretório de Herodes. A residência oficial construída por Herodes o Grande. Tornou-se um pretório romano ou residência oficial e incluía  celas para prisioneiros (Jo 18.28; Fp 1.13).

 

*          24.1 Tértulo. Como orador, Tértulo era um tipo de advogado, possivelmente um judeu  (ele se refere à lei judaica como “nossa” lei, v.6).

 

*          24.5-7 Tértulo acusava Paulo de ser um encrenqueiro crônico, líder de uma seita religiosa de má reputação, e uma pessoa que ameaçava profanar o templo. Paulo respondeu a estas acusações em sua defesa perante Festo (vs. 10-21).

 

*          24.5 dos nazarenos. Os cristãos eram identificados como seguidores de Jesus de Nazaré. Nazaré pode ter sido um termo de desprezo (Jo 1.46).

 

*          24.14 eu sirvo... Deus. Paulo assegurava a Félix que, como judeu, ele seguia uma religião protegida por Roma. Como seguidor do “Caminho”, Paulo servia “ao Deus de meus pais” e cria na ressurreição dos mortos (Dn 12.1,2; 1Ts 4.13-18; 2Ts 1.8).

 

*          24.21 ressurreição dos mortos. Paulo fez uma declaração crítica que não pertencia à esfera dos interesses políticos romanos, mas à teologia judaica e cristã.

 

*          24.23 conservasse a Paulo... com indulgência. Como  cidadão romano cujo caso ainda estava pendente, a Paulo era dada certa liberdade (28.16).

 

*          24.24 Drusila. Filha de Herodes Agripa I (12.1-23) e irmã de Herodes Agripa II (25.13; 26.3, nota) e de Berenice (25.13 nota), Drusila deixou Azizo, rei de Emesa na Síria, para se casar com Félix. Ela provavelmente morreu junto com seu filho Agripa na erupção do Vesúvio em Pompéia, em 79 d.C.

 

*          24.27 Pórcio Festo. Festo provinha de uma família nobre em Roma. Embora Felix tivesse sido ambicioso e mau, Festo era sábio e honrado.

 

*          25.4 Félix tinha que proteger Paulo enquanto ele estivesse sob custódia romana, e recusou o pedido dos judeus, salvando Paulo da conspiração deles.

 

*          25.11 Apelo para César. Temendo que Festo fosse conceder aos judeus os seus pedidos, Paulo exercitou seu direito, como  cidadão romano, de ser julgado perante César (Nero) em Roma. Nesta época, Nero estava sob a benevolente influência do filósofo estóico Sêneca, e ainda não havia mostrado sua hostilidade ao cristianismo. Paulo podia ter esperança de ser inocentado por César.

 

*          25.13 rei Agripa. Este era Herodes Agripa II, filho de Agripa I e bisneto de Herodes o Grande (26.3 nota).

 

Berenice. Filha mais velha de Herodes Agripa I,  Berenice ficou viúva duas vezes antes de entrar numa relação incestuosa com seu irmão Herodes Agripa II. Apesar do escândalo deste relacionamento, ela era freqüentemente apresentada como a rainha de Herodes em ocasiões oficiais (p. ex., vs. 13,23).

 

*          26.3 versado em todos os costumes e questões... entre os judeus. Como bisneto de Herodes o Grande e filho de Herodes Agripa I, que tinha perseguido a igreja (12.1-23), Herodes Agripa II (27-c.100 d.C.) conhecia intimamente as questões judaicas. Embora influente nas questões religiosas judaicas, pois tinha autoridade política para designar o sumo sacerdote, Agripa II não era popular entre os judeus por causa de sua relação incestuosa com sua irmã Berenice (25.13, nota).

 

*          26.5 vivi fariseu... seita mais severa. Conhecendo o passado de Agripa, Paulo enfatizou  sua dependência no Deus de seus pais (cf. 24-14) e seu vínculo com os fariseus (Fp 3.5,6), para mostrar a legitimidade de seu judaísmo. Paulo argumentou que Deus havia prometido a ressurreição do corpo. Embora esta fosse a crença dos judeus em geral e dos fariseus em particular, estava sendo usado como base das acusações contra ele.

 

*          26.12-14 A experiência de Paulo na estrada de Damasco (9.1-19), foi tão importante que ele a contou duas vezes, uma perante a multidão de judeus em Jerusalém (22.6-16) e  outra vez  diante desta audiência principalmente pagã em Cesaréia.

 

*          26.20  Ver 2.38; 3.19 e nota; 17.20; 20.21; nota teológica “Arrependimento”, índice.

 

*          26.23 Cristo devia padecer... ressurreição dos mortos. Os judeus tinham dificuldade para aceitar a idéia de que o Messias iria sofrer e morrer. Jesus e seus discípulos ensinaram esta doutrina a partir das Escrituras (17.2,3; Lc 24.27; 1Co 15.3,4) e ainda assim os judeus a rejeitaram, prenderam Paulo e queriam matá-lo.

 

*          26.27 Acreditais... nos profetas? Agripa estava diante de um dilema: se dissesse não, iria enraivecer os judeus; se dissesse sim, iria perder o jeito, porque Paulo pediria a ele que cresse no evangelho.

 

*          26.28 Por pouco me persuades a me fazer cristão. O rei estava usando uma tática para retardar, argumentando que um discurso de meia hora era insuficiente para torná-lo um cristão. No século I, “cristão” (cf.11.26) era provavelmente um termo de desprezo (1Pe 4.16).

 

*          27.2 adramitino.  De Adramítio, na costa entre Trôade e Pérgamo.

 

estava de partida. Este capítulo está cheio de termos e direções náuticas, evidência de que o autor era testemunha ocular.

 

conosco Aristarco.  Paulo tinha dois companheiros com ele: Lucas como seu médico (Cl 4.14) e Aristarco (Cl 4.10; Fm 24) de Tessalônica, provavelmente seu atendente.

 

*          27.3 chegamos a Sidom.  Um porto no Mediterrâneo oriental, hoje no Líbano.

 

*          27.4 a proteção de Chipre.  Isto é, logo abaixo do ponto oriental da ilha, para estar protegidos dos ventos ocidentais do verão e do outono.

 

*          27.5 ao longo da Cilícia e Panfília. O navio subiu a costa síria, passou por Antioquia da Síria e depois foi a oeste para Mirra. Mirra era um importante porto de parada para navios graneleiros que navegavam entre Alexandria e Roma.

 

*          27.11,12 O capitão e o proprietário queriam alcançar o porto  de Fênix, maior e mais seguro, a 64 km a oeste, mas ao ir em direção oeste, passado o Cabo Matala, o navio estaria exposto a ventos de noroeste.

 

*          27.17 usaram de todos os meios.  Por causa do perigo de violentas tempestades no Mediterrâneo, antigas embarcações carregavam cordas  para reforçar o casco e, numa emergência, amarravam-nas em volta delas, pelos lados.

 

arriaram os aparelhos. Temendo que pudessem ser arrastados para Sirte (uma região de areias perto das atuais Líbia e Tunísia), os marinheiros arriaram as velas. A descrição em grego pode também significar que eles baixaram a âncora para diminuir a velocidade do navio.

 

*          27.24 deu todos quantos... contigo. Em sua bondade, Deus salvou todos que estavam no navio.

 

*          27.26 a uma ilha. A ilha de Malta, ao sul da Sicília.

 

*          27.34 nenhum de vós perderá nem mesmo um fio de cabelo.  Deus está no controle dos mínimos detalhes da vida (Lc 21.18).

 

*          27.37 no navio duzentas e setenta e seis pessoas. Este número de passageiros numa antiga embarcação marítima não era incomum. Alguns navios desse período podiam carregar consideravelmente mais.

 

*          27.41 Dando... num lugar onde duas correntes se encontravam. Este é o estreito canal na Baía de São Paulo entre Malta e a ilha de Simonetta, onde as correntes criam bancos de areia. Este tipo de detalhe náutico indica que Lucas foi uma testemunha ocular do evento. 

 

*          28.1 Malta.  A antiga Malta (o nome significa “um lugar de refúgio”) foi povoada pelos fenícios que chegaram ali cerca de 1000 a.C. Malta mede 13 por 29 km e está 96 km ao sul da Sicília e 256 km a nordeste de Cirene, no norte da África.

 

*          28.3-5 Por terem sangue frio, as cobras podem tornar-se rígidas e sem movimento no clima frio, e Paulo deve ter pego a serpente junto com os gravetos. Alguns sugerem que a serpente não era venenosa, mas a palavra grega traduzida por “víbora” no v.4, é usada para designar animais perigosos e cobras venenosas, e há pouca razão para duvidar da identificação pelos ilhéus da cobra como sendo venenosa.

 

*          28.6 mudando de parecer.  Existe alguma ironia na reavaliação que os ilhéus fizeram do caráter de Paulo — de um assassino destinado à morte  para o de um deus. Isto relembra os eventos de Listra, onde primeiro o povo aclamou Paulo e Barnabé como deuses, e então apedrejaram Paulo quase até à morte (14.11-20).

 

*          28.7 homem principal... Públio. Otávio Augusto instalou um governador romano em Malta que, de acordo com as inscrições, era o “principal homem sobre toda a municipalidade de Malta”. Isto encaixa bem na descrição que Lucas faz de Públio como sendo “o homem principal da ilha”. Públio mostrou aos visitantes hospitalidade em sua propriedade na ilha.

 

*          28.8 enfermo de disenteria... febre.  A palavra grega sugere repetidos ataques febris. A doença tem sido diagnosticada em tempos modernos como sendo febre de Malta, causada pelo leite das cabras maltesas.

 

*          28.16 morar por sua conta... guardava.  Sob prisão domiciliar, Paulo morava em sua própria casa alugada. Ali ele podia receber seus amigos e ministrar para grupos tais como os judeus romanos.

 

*          28.30,31 De 60 a 62 d.C., Paulo esteve sob prisão domiciliar pregando e ensinando a qualquer um que quisesse ouvir. Seu assunto pode ser resumido como o reino de Deus e Jesus Cristo. No final de Atos, Paulo ainda não tinha sido julgado perante Nero, como o Senhor disse que iria acontecer (27.24). Parece que Paulo esperava ser inocentado e solto (Fp 1.25; 2.24; Fm 22). Isto deve ter ocorrido antes de 64 d.C., quando Nero incendiou Roma e acusou os cristãos desse crime. Quando solto, Paulo parece ter retomado seu ministério, indo até a Grécia (Nicópolis, Tt 3.12; Tessalônica, 2Tm 4.10), Creta (Tt 1.5), e Ásia Menor (Éfeso, 2Tm 1.18; 4.12; Trôade, 2Tm 4.13; Mileto, 2Tm 4.20). Possivelmente ele foi até a Espanha (Rm 15.23,24,28) como o escrito do século I que 1 Clemente parece indicar. Em cerca de 67 d.C. Paulo foi preso novamente por Nero e executado. Em 2Tm 4.6-8, Paulo preve o fim de sua vida.

 

*          28.31 com toda a intrepidez, sem impedimento algum. Para Paulo, Lucas e todos que vieram depois, a mensagem sobre Jesus e o glorioso reino de Deus devia ir em frente em triunfo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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