* 1.1,2 Com respeito às saudações de Paulo, ver nota
em Rm 1.1.
* 1.1 Timóteo. Ver Introdução à 1 Timóteo: Data e Motivo.
* 1.4 fé em Cristo Jesus. Em face de um ensino que circulava em Colosso
questionando se exclusivamente Cristo podia ser suficiente, Paulo lembra os
seus leitores, por meio de sua oração de gratidão, de que o que eles já têm “em
Cristo” é suficiente.
* 1.5 por causa da esperança. Fé, esperança e amor são centrais na
compreensão de Paulo acerca da vida cristã (Rm 5.2-5; 1Co 13.13; Gl 5.5,6; 1Ts
1.3; 5.8; cf. Hb 10.22-24). Ele os trata
como dádivas de Deus ao invés de virtudes produzidas pelos próprios
crentes. Paulo enfatiza a soberania de
Deus na salvação e a segurança dos crentes em seu relacionamento com Cristo (Ef
1.4; 2.8).
* 1.6 em todo o mundo. Ver nota no v. 23.
* 1.7 Epafras. Ver Introdução: Data e Motivo.
* 1.10 para o seu inteiro agrado. Ver “Agradando a Deus” em 1Ts 2.4.
* 1.12-14 Paulo expressa sua gratidão pelo bom começo
dos colossenses (vs. 3-8) e encoraja-os a reconhecer que seu Pai celestial os
resgatou terminantemente do poder das trevas. Eles podem, portanto, ser gratos
pela redenção que desfrutam (2.7; 3.17; 4.2).
* 1.12 que vos fez idôneos. O falso ensino em Colosso resultou na
covardia dos crentes diante dos seres sobrenaturais pagãos, que eram
considerados capazes de desqualificar até mesmo os próprios crentes da vida com
Deus (2.16, 18, 20-23). Isto explica o
uso que Paulo faz aqui do termo “idôneos” — nenhum poder no universo pode
colocar em dúvida as credenciais daqueles que estão “em Cristo” (vs. 2,4).
* 1.13 Ele nos libertou. Esta linguagem lembra a libertação de Israel
da escravidão do Egito primeiro e, depois, do cativeiro na Babilônia. Paulo contempla a humanidade fora de Cristo
como estando irremediavelmente sob o “poder das trevas”, o governo maligno de Satanás (cf. Ef 2.1-3;
6.11). Os crentes são resgatados deste
estado universal (Gl 1.4) e trazidos para permanecer sob o domínio e a proteção
do Filho de Deus. A imagem da luz é
apropriada aqui, pois, em outros lugares, Paulo fala da luz do evangelho
brilhando nas trevas e penetrando na cegueira daqueles que estão perecendo (2Co
3.15; 4.4-6; 6.14; Ef 5.8-14; Fl 2.15; 1Ts 5.5).
do Filho do seu amor. Note a descrição de Jesus nos evangelhos
sinóticos como o Filho amado de Deus (Mt 3.17; 17.5; Mc 1.11; 9.7; Lc 3.22) e a
riqueza, no Antigo Testamento, do contexto em que a designação se origina (Dt
18.15; Sl 2.7; Is 42.1).
* 1.14 a redenção. Em Rm 8.23, Paulo fala de uma redenção do
corpo ainda por acontecer. Aqui, por
redenção entende-se o perdão dos pecados e, este, como já concedido (note o
padrão “outrora...agora” dos vs. 21, 22; cf. 2.13, 17, 20; 3.9, 10). Compare com o que Paulo diz aos coríntios, os
quais enfatizavam excessivamente o “já” da salvação e negligenciavam o que
ainda estava por vir (1Co 4.8-13; cap. 15).
a remissão dos pecados. Ver 2.13 e nota.
* 1.15-20 Paulo irrompe em uma doxologia à grandeza e à
glória de Jesus Cristo. Muitos crêem que
Paulo está fazendo uma adaptação de um hino cristão primitivo. Apontando para a supremacia de Cristo na
criação (vs. 15-17) e na redenção (vs. 18-20), ele aponta o que estava faltando
no falso ensino em Colosso - uma compreensão adequada da pessoa de Cristo. Fazendo isso na forma de um hino, convida os
leitores a adorarem o Filho de Deus.
* 1.15 a imagem do Deus invisível. Para Paulo, a fé na divindade de Cristo (Rm
9.5; Fl 2.6; Tt 2.13) é prática. Sendo
por natureza Deus, Cristo revela o Deus, de outra maneira, invisível (1Tm 1.17;
6.16). O pensamento é encontrado também
em Jo 1.1-18 e em Hb 1.3. Calvino
observa que “devemos ter cuidado em não procurá-lo em nenhum outro lugar, pois,
à parte de Cristo, seja o que for que se oferecer a nós em nome de Deus
sucederá ser um ídolo” (Comentário a Cl 1.15).
o primogênito de toda a criação. Paulo não está dizendo que o Filho foi o
primeiro ser criado (v. 17, nota). No
Antigo Testamento, um filho primogênito seria o principal herdeiro dos bens
deixados (Dt 21.17; cf. Êx 4.22; Sl 89.27).
O termo “primogênito” é empregado com relação a Cristo para afirmar que
ele tem tal honra e dignidade, e não no sentido de filho mais velho em uma
família. Cristo é particularmente amado
por seu Pai (v. 13) e todas as coisas foram criadas nele, por ele e para ele
(vs. 16, 17).
* 1.16 Tudo foi criado por meio dele e para ele. Sendo agente e fim da criação, Cristo é
Senhor de tudo quanto existe, inclusive da hierarquia angélica que os
colossenses pensam deverem aplacar ou reverenciar.
* 1.17 Numa veemente reafirmação da precedência
temporal e da significância universal de Cristo, esse versículo torna explícito
o que estava implícito no v. 16: Cristo existia antes de toda a
criação. Ele é não criado. Também não pode ser dito, como os discípulos
de Ário (c. 250-336 d.C.) afirmaram posteriormente, que “houve um tempo em que
ele não era”. O pensamento de que Jesus
é, em todo o tempo, o sustentador do universo e o seu poder unificador ressoa
em Hb 1.2, 3.
* 1.18 Ele é a cabeça do corpo, da Igreja. Usando esse tema da segunda metade do hino,
Paulo explica a imagem em Ef 1.21-23 e desenvolve suas implicações em Ef 4.15 e
5.23.
Ele é o princípio, o primogênito de
entre os mortos. A ressurreição
de Jesus marca o começo de uma nova criação (3.10, nota; 2Co 5.17). O primeiro a ressuscitar dentre os mortos,
Cristo inaugura a nova era prenunciada pelos profetas do Antigo Testamento (At
2.29-36; 13.32-35) e funda uma nova humanidade em si mesmo para substituir a
velha humanidade em Adão. Sua própria
ressurreição é uma antecipação e uma garantia da ressurreição que todos os seus
irmãos e irmãs obterão (Rm 8.29; 1Co 15.20-28; Hb 1.6; 12.23).
para... primazia. Sem diminuir a glória que o Filho
pré-existente já tinha com o Pai, o Novo Testamento ensina que a ressurreição
de Cristo lhe designa uma nova e mais elevada posição e lhe confere um nome
ainda mais elevado (At 13.33, 34; Rm 1.4; Ef 1.20-23; Fl 2.1-11; Hb 1.4,
5). Em virtude de sua ressurreição
dentre os mortos, Jesus Cristo é Senhor do universo que ele criou, que sempre
sustentou e que, agora, redimiu.
* 1.19 Ver 2.9.
* 1.20 O ponto alto do hino. A queda do gênero humano em pecado trouxe
consigo a corrupção de toda a criação, visível e invisível (Gn 3; Rm 5.12;
8.20; Ef 2.2; 6.12). Através da
encarnação e da morte expiatória de Cristo, a justiça de Deus é satisfeita (Rm
3.21-26), a paz entre Deus e a humanidade é restaurada (2Co 5.17-21), a
glorificação final da ordem criada é assegurada (Rm 8.18-21) e os seres
espirituais rebeldes têm seus poderes limitados (2.15, nota).
* 1.21-23 Tendo considerado o papel majestoso de Cristo
na criação bem como na reconciliação e pacificação do universo, Paulo volta a
comentar acerca dos próprios colossenses.
Outrora inimigos de Deus e alienados da sua vida, agora têm paz com Deus
(Rm 5.1,2).
* 1.21 estranhos... obras malignas. O texto pode ser entendido tanto no sentido
de que a alienação intelectual de Deus tem uma raiz na conduta como de que a
alienação intelectual é expressa por meio da conduta. O objetivo de Paulo é afirmar que intelecto e
vontade cooperam em sua rebelião contra Deus.
* 1.22 A morte de Cristo na carne significa que a
reconciliação realizada por Deus não é mera questão de pacificação universal
dos poderes hostis; ela traz consigo a renovação e a purificação individual
daqueles que apreendem o evangelho e a ele aderem (2.13; Rm 5.6-11; Ef 2.4-10).
* 1.23 permaneceis na fé... não vos deixando afastar
da esperança. A fé salvífica é fé
perseverante e paciente (v. 11), ancorada na esperança (v. 5). Mas, ao contrário do ensino dos adversários,
fé e esperança verdadeiras estão somente em Cristo e em nenhum outro lugar.
Esse relacionamento com Cristo é confirmado pela fé e esperança, não por
disciplinas ascéticas rigorosas.
pregado a toda criatura. Paulo pode falar de uma das condições da
consumação dos séculos, a proclamação mundial do evangelho (v. 6; Mt 24.14; Mc
13.10), como já tendo sido completada.
Paulo recorre aqui a uma hipérbole (resurso literário do exagero como
ênfase). Todavia, dirigindo seu ministério aos centros urbanos do Império
Romano, ele tinha a convicção de estar alcançando o mundo civilizado (At 19.10;
Rm 15.18-25).
* 1.24—2.5 Paulo trouxe à memória dos colossenses a
extensão cósmica do senhorio de Cristo (1.15-20) e o modo como a obra redentora
de Cristo chegara a reorientar suas vidas (1.21,23). Agora ele considera o seu próprio papel no
plano redentor de Deus e o relacionamento que ele espera estabelecer com os
colossenses, a maioria dos quais ainda não conhecia pessoalmente, com o intuito
de persuadi-los da obsessão a que estavam sujeitos pela, entre eles assim
chamada, “filosofia” (2.8).
* 1.24 preencho o que resta. Em vista do contexto dessa passagem, que
enfatiza a plena suficiência de Cristo, bem como em vista do que ele diz em
outros lugares (p.ex., Rm 3.21-26; 2Co 5.17-21), Paulo não está dizendo que a
obra salvífica de Cristo na cruz seja em algum aspecto deficiente. Ao contrário, porque a igreja é chamada a
sofrer por Cristo (2Co 4.7-12; 1Ts 3.2-4), há um requisito de sofrimento
divinamente fixado a ser experimentado pelos cristãos. Paulo também pode ter em vista aqui os
sofrimentos que acompanharão o fim dos tempos (Mt 24.21, 22), um período
inaugurado pela morte e ressurreição de Cristo (Rm 13.11-14; 1Co 7.29). Isso também explica a referência ao sofrimento
de Paulo em prol da igreja (Ef 3.13; 2Tm 2.10).
Como um servo do evangelho, Paulo alegra-se na oportunidade que tem de
participar dos sofrimentos do povo de Deus.
A passagem não dá a entender que a Igreja seja uma encarnação contínua
de Cristo, cujos membros, mediante o sofrimento, adicionam mérito salvífico
além do que Cristo obteve.
* 1.26 mistério. Na religião pagã da época, os “mistérios”
eram compreensões secretas fornecidas (normalmente mediante pagamento de taxa)
a alguns poucos seletos, iniciados. Com
certa ironia, Paulo usa o termo para a
revelação que Deus facultou sem preço algum às nações (v. 27; 2.2; 4.3; Ef 1.9;
3.3, 4, 9; 5.32; 6.19). Em Paulo,
“mistério” refere-se àquilo que outrora estava oculto, mas que agora está sendo
revelado.
oculto. O propósito salvífico de Deus para com os
gentios esteve em grande parte oculto deles antes da vinda de Cristo. As gerações anteriores foram deixadas a
“andar em seus próprios caminhos” (At 14.16; cf. Rm 1.24-32; Ef 2.12). O Antigo Testamento revelou em sombras,
sinais e advertências que Deus viria habitar pessoalmente entre seu povo (v.
27; Ez 36.25-27) e que criaria uma nova humanidade unindo gentios e judeus
através do Messias (Gn 12.3; Zc 9.9, 10; Ef 3.5, 6, notas).
-----------------------------------------------------------------------------
sergiovalentin