*          3.1—4.6  O caminho para a maturidade não é a via de revelações secretas ou de disciplinas auto-punitivas.  Ele consiste em compreender e em viver com base na morte e ressurreição do crente “com Cristo” (3.1).  Os colossenses têm uma noção falsa da realidade celestial, o que, ironicamente, os conduz a esforços infrutíferos no plano terreno.

 

*          3.1  se fostes ressuscitados juntamente com Cristo.  Note as proposições de ação paralelas nessa seção: os crentes morreram com Cristo (v. 3; 2.11, 12, 20) e  foram ressuscitados juntamente com ele (v. 1; 2.12,13); estão com Cristo no céu (v. 3; Ef 2.6) e estarão com ele em sua volta (v. 4); despiram-se "do velho homem” (v. 9) e revestiram-se "do novo homem” (v. 10).  As instruções de Paulo quanto a comportamento vêm somente depois de sua descrição acerca da redenção que Deus outorgou ricamente ao seu povo (2.6,7, nota).  Obediência é uma resposta ao favor de Deus e não um meio de obtê-lo.

 

assentado à direita de Deus.  Um tema crucial e triunfante em o Novo Testamento (At 2.33-35; 5.31; 7.55, 56; Rm 8.34; Ef 1.20; Hb 1.3, 13; 8.1; 10.12; 12.2; 1Pe 3.22; Ap 3.21).

 

*          3.3  oculta juntamente com Cristo, em Deus.  Alguns entendem isso no sentido de que a nova vida do cristão não é óbvia para os outros, estando, assim, “oculta” ou encoberta.  Entretanto, uma comparação com 2.3 mostra que há mais do que isso em consideração.  O crente está inseparavelmente unido com Cristo (Jo 6.51-58, nota; cf. Gl 2.20).  A realidade plena da nova vida ainda não está inteiramente revelada, mas, estando “oculta juntamente com Cristo, em Deus”,  a nova vida é certa em Cristo.  O que Deus graciosamente deu nem homem nem anjo pode tirar (Jo 10.29).

 

*          3.4  Quando Cristo... se manifestar.  Nessa seção (vs. 5-11), a ética tem a expectativa da volta de Cristo como centro.

 

*          3.5  Fazei, pois, morrer.  A primeira de uma série de imperativos relativos à conduta que prosseguem até 4.6.  Embora Paulo rejeite o ascetismo legalista, ele convoca os crentes a se tornarem  na prática aquilo que eles são em princípio: mortos para o pecado e vivos para Deus (Rm 6.1-14).  Há um modo de vida incompatível com a vida em Cristo e Paulo requer um rigoroso afastamento dessa vida antiga.  No v. 5, ele relaciona cinco vícios; quatro dos quais relacionados com sexo, o quinto é a ganância; no v. 8, relaciona outros cinco vícios, todos relacionados com ira e linguagem ofensiva.

 

*          3.7  nessas mesmas coisas andastes vós também.  Isto é, antes de terem sido trazidos “para o reino do Filho” a quem Deus ama (1.13).

 

*          3.10  novo homem.  Em Cristo, o segundo Adão de Deus (1Co 15.20-28, 45-49), a raça humana é reconstituída.  Cada um dos atributos que Paulo registra no v. 12 pode ser relacionado ao caráter de Deus em geral, ou a Cristo especificamente.  Isso demonstra quão literalmente Paulo entendia a idéia de os crentes  revestirem-se da  “imagem” do seu Criador.  Ver “A Imagem de Deus” em Gn 1.27.

 

*          3.11  Esse versículo foi provavelmente escrito visando o exclusivismo dos falsos mestres colossenses.  Entretanto, a unidade intercultural de todos os que pertencem a Cristo é uma idéia a que Paulo recorre sem dificuldade alguma (Gl 3.28; 1Co 7.17-24).

 

bárbaro.  Aqueles que não falavam grego eram considerados não civilizados pelos gregos.

 

cita.  Conforme a reputação, uma classe escrava sem cultura proveniente das tribos ao redor do Mar Negro.  Os citas eram satirizados na comédia grega por causa de seus hábitos rudes e linguajar inculto.  Josefo chamou-os de  “um pouco melhor que bestas feras".

 

escravo, livre.  No corpo de Cristo, distinções de posição social são irrelevantes (1Co 7.17-24).  Ao mesmo tempo, como as intruções específicas de Paulo aos escravos e senhores de escravos em 3.22—4.1 deixam claro,  a unidade em Cristo não infere ou preceitua uma uniformidade de função e de responsabilidade.  O que importa é reconhecer que “Cristo é tudo em todos".  Nas igrejas paulinas, posições sociais diferentes continuaram a existir e não foram submetidas a um processo idêntico de nivelamento.  Ao invés disto, elas tornaram-se oportunidades para expressar o amor de Cristo através das fronteiras sociais tradicionais.

 

*          3.12-14  Esses versículos esboçam  as obrigações que todos os cristãos têm uns para com os outros; 3.18—4.2 definirão oportunidades de serviço no âmbito de relações específicas

 

*          3.12  Revesti-vos.  Paulo antevê os crentes vestindo-se com o caráter do Senhor mesmo.  O “novo homem” do v. 10 não é algo que os crentes devam construir por seu próprio poder.  Suas novas identidades tomam  forma à medida que chegam a conhecer Cristo melhor, visto que ele é a imagem do Deus invisível e aquele em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos (1.15; 2.3).

 

eleitos de Deus, santos e amados.  Opostamente ao medo que os colossenses tinham dos poderes cósmicos, os crentes desfrutam, por direito, de um claro entendimento de que Deus afiança o relacionamento deles consigo (Jo 6.37, 44, 65; 15.16; Ef 1.4, 5; Fp 1.6).  Eles podem saber que foram declarados santos com base em uma justiça que não é própria deles  (Rm 3.21-26; 1Co 1.2, 30) e que Deus os ama verdadeiramente, mesmo apaixonadamente (Jo 3.16; Rm 8.32; Gl 2.20; Tt 3.4; 1Jo 4.9, 10).

 

ternos afetos.  Um relacionamento que envolve emoção e cuidado para com todos cujas vidas encontram-se machucadas e abatidas (Mt 9.36; 14.14; Rm 12.1).

 

bondade.  Prontidão em fazer o bem, mesmo quando possa ser imerecido (Rm 2.4; Tt 3.4).

 

humildade.  Uma atitude de submissão e prestatividade (Mc 10.45; Fp 2.1-11).

 

mansidão.  Ou “brandura” no oferecimento de ajuda, uma abordagem não-coerciva para encorajar mudança na vida de outros (Mt 11.29; 2Co 10.1; Gl 6.1; 2Tm 2.25).

           

longanimidade.   Boa vontade para agir com tolerância diante da fraqueza humana (Rm 2.4; 1Tm 1.16).

 

*          3.13, 14  Ver Ef 4.32—5.2, onde Paulo apresenta claramente o exemplo deixado pelo modelo redentor da obra de Cristo como o fundamento da tolerância, perdão e amor cristão.

 

*          3.15  paz de Cristo.  Em sua prática de amor, perdão e bondade, a comunidade cristã deve ser uma vitrina da reconciliação e paz que Cristo trouxe entre o céu e a terra (1.20-22; 2.14,15) e entre uma humanidade dividida (vs. 11, 13).

 

*          3.16  Habite, ricamente, em vós.  Uma vez que o crente está unido com Cristo (3.3, nota), não somente a “palavra de Cristo", mas Cristo mesmo vive nos corações dos fiéis (Gl 2.20; Ef 3.17; cf. Rm 8.9).  Com a sabedoria de Deus assim presente (3.3; cf. 1Co 1.30), as exigências éticas do amor cristão podem ser vivenciadas em todas as áreas da  vida, incluindo as responsabilidades diárias revistas em 3.18-4.6.

 

instruí-vos e aconselhai-vos.  A primeira metade desse versículo recorda e enfatiza 1.28.  No mútuo ministério dos colossenses, a palavra de Cristo será tão eficaz quanto a presença do próprio apóstolo.

 

salmos, e hinos, e cânticos espirituais.  Na tradução grega do Antigo Testamento, os três substantivos usados nessa frase são freqüentemente sinônimos.  Não é provável que em Colossenses designem três tipos distintos de cântico (Ef 5.19).  Ver nota teológica "A Música na Igreja", índice.

 

*          3.17  E tudo o que fizerdes... fazei-o em nome do Senhor Jesus.  Ver “O Modelo de Deus para o Culto” em 1Cr 16.29.

 

*          3.18, 19 Ver nota em Ef 5.22-32; “A Família Cristã” em Ef 5.22.

 

*          3.20, 21  Ver notas em  Ef 6.1-4.

 

*          3.22—4.1  Essa abordagem em relação a escravo e livre em Colossenses deve-se, provavelmente, ao tema da carta a Filemom.  Onésimo era um escravo fugitivo que Paulo estava enviando de volta com uma carta ao seu proprietário Filemom. Onésimo estava acompanhando Tíquico com a carta aos colossenses (4.7-9), e eles provavelmente levavam consigo também a carta a Filemom (Introdução a Filemom).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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