* 1.1,2 Com respeito às saudações de Paulo, ver nota
em Rm 1.1.
* 1.1 Timóteo. Ver Introdução à 1 Timóteo: Data e Motivo.
* 1.4 fé em Cristo Jesus. Em face de um ensino que circulava em Colosso
questionando se exclusivamente Cristo podia ser suficiente, Paulo lembra os
seus leitores, por meio de sua oração de gratidão, de que o que eles já têm “em
Cristo” é suficiente.
* 1.5 por causa da esperança. Fé, esperança e amor são centrais na
compreensão de Paulo acerca da vida cristã (Rm 5.2-5; 1Co 13.13; Gl 5.5,6; 1Ts
1.3; 5.8; cf. Hb 10.22-24). Ele os trata
como dádivas de Deus ao invés de virtudes produzidas pelos próprios
crentes. Paulo enfatiza a soberania de
Deus na salvação e a segurança dos crentes em seu relacionamento com Cristo (Ef
1.4; 2.8).
* 1.6 em todo o mundo. Ver nota no v. 23.
* 1.7 Epafras. Ver Introdução: Data e Motivo.
* 1.10 para o seu inteiro agrado. Ver “Agradando a Deus” em 1Ts 2.4.
* 1.12-14 Paulo expressa sua gratidão pelo bom começo
dos colossenses (vs. 3-8) e encoraja-os a reconhecer que seu Pai celestial os
resgatou terminantemente do poder das trevas. Eles podem, portanto, ser gratos
pela redenção que desfrutam (2.7; 3.17; 4.2).
* 1.12 que vos fez idôneos. O falso ensino em Colosso resultou na
covardia dos crentes diante dos seres sobrenaturais pagãos, que eram
considerados capazes de desqualificar até mesmo os próprios crentes da vida com
Deus (2.16, 18, 20-23). Isto explica o
uso que Paulo faz aqui do termo “idôneos” — nenhum poder no universo pode
colocar em dúvida as credenciais daqueles que estão “em Cristo” (vs. 2,4).
* 1.13 Ele nos libertou. Esta linguagem lembra a libertação de Israel
da escravidão do Egito primeiro e, depois, do cativeiro na Babilônia. Paulo contempla a humanidade fora de Cristo
como estando irremediavelmente sob o “poder das trevas”, o governo maligno de Satanás (cf. Ef 2.1-3;
6.11). Os crentes são resgatados deste
estado universal (Gl 1.4) e trazidos para permanecer sob o domínio e a proteção
do Filho de Deus. A imagem da luz é
apropriada aqui, pois, em outros lugares, Paulo fala da luz do evangelho
brilhando nas trevas e penetrando na cegueira daqueles que estão perecendo (2Co
3.15; 4.4-6; 6.14; Ef 5.8-14; Fl 2.15; 1Ts 5.5).
do Filho do seu amor. Note a descrição de Jesus nos evangelhos
sinóticos como o Filho amado de Deus (Mt 3.17; 17.5; Mc 1.11; 9.7; Lc 3.22) e a
riqueza, no Antigo Testamento, do contexto em que a designação se origina (Dt
18.15; Sl 2.7; Is 42.1).
* 1.14 a redenção. Em Rm 8.23, Paulo fala de uma redenção do
corpo ainda por acontecer. Aqui, por
redenção entende-se o perdão dos pecados e, este, como já concedido (note o
padrão “outrora...agora” dos vs. 21, 22; cf. 2.13, 17, 20; 3.9, 10). Compare com o que Paulo diz aos coríntios, os
quais enfatizavam excessivamente o “já” da salvação e negligenciavam o que
ainda estava por vir (1Co 4.8-13; cap. 15).
a remissão dos pecados. Ver 2.13 e nota.
* 1.15-20 Paulo irrompe em uma doxologia à grandeza e à
glória de Jesus Cristo. Muitos crêem que
Paulo está fazendo uma adaptação de um hino cristão primitivo. Apontando para a supremacia de Cristo na
criação (vs. 15-17) e na redenção (vs. 18-20), ele aponta o que estava faltando
no falso ensino em Colosso - uma compreensão adequada da pessoa de Cristo. Fazendo isso na forma de um hino, convida os
leitores a adorarem o Filho de Deus.
* 1.15 a imagem do Deus invisível. Para Paulo, a fé na divindade de Cristo (Rm
9.5; Fl 2.6; Tt 2.13) é prática. Sendo
por natureza Deus, Cristo revela o Deus, de outra maneira, invisível (1Tm 1.17;
6.16). O pensamento é encontrado também
em Jo 1.1-18 e em Hb 1.3. Calvino
observa que “devemos ter cuidado em não procurá-lo em nenhum outro lugar, pois,
à parte de Cristo, seja o que for que se oferecer a nós em nome de Deus
sucederá ser um ídolo” (Comentário a Cl 1.15).
o primogênito de toda a criação. Paulo não está dizendo que o Filho foi o
primeiro ser criado (v. 17, nota). No
Antigo Testamento, um filho primogênito seria o principal herdeiro dos bens
deixados (Dt 21.17; cf. Êx 4.22; Sl 89.27).
O termo “primogênito” é empregado com relação a Cristo para afirmar que
ele tem tal honra e dignidade, e não no sentido de filho mais velho em uma
família. Cristo é particularmente amado
por seu Pai (v. 13) e todas as coisas foram criadas nele, por ele e para ele
(vs. 16, 17).
* 1.16 Tudo foi criado por meio dele e para ele. Sendo agente e fim da criação, Cristo é
Senhor de tudo quanto existe, inclusive da hierarquia angélica que os
colossenses pensam deverem aplacar ou reverenciar.
* 1.17 Numa veemente reafirmação da precedência
temporal e da significância universal de Cristo, esse versículo torna explícito
o que estava implícito no v. 16: Cristo existia antes de toda a
criação. Ele é não criado. Também não pode ser dito, como os discípulos
de Ário (c. 250-336 d.C.) afirmaram posteriormente, que “houve um tempo em que
ele não era”. O pensamento de que Jesus
é, em todo o tempo, o sustentador do universo e o seu poder unificador ressoa
em Hb 1.2, 3.
* 1.18 Ele é a cabeça do corpo, da Igreja. Usando esse tema da segunda metade do hino,
Paulo explica a imagem em Ef 1.21-23 e desenvolve suas implicações em Ef 4.15 e
5.23.
Ele é o princípio, o primogênito de
entre os mortos. A ressurreição
de Jesus marca o começo de uma nova criação (3.10, nota; 2Co 5.17). O primeiro a ressuscitar dentre os mortos,
Cristo inaugura a nova era prenunciada pelos profetas do Antigo Testamento (At
2.29-36; 13.32-35) e funda uma nova humanidade em si mesmo para substituir a
velha humanidade em Adão. Sua própria
ressurreição é uma antecipação e uma garantia da ressurreição que todos os seus
irmãos e irmãs obterão (Rm 8.29; 1Co 15.20-28; Hb 1.6; 12.23).
para... primazia. Sem diminuir a glória que o Filho
pré-existente já tinha com o Pai, o Novo Testamento ensina que a ressurreição
de Cristo lhe designa uma nova e mais elevada posição e lhe confere um nome
ainda mais elevado (At 13.33, 34; Rm 1.4; Ef 1.20-23; Fl 2.1-11; Hb 1.4,
5). Em virtude de sua ressurreição
dentre os mortos, Jesus Cristo é Senhor do universo que ele criou, que sempre
sustentou e que, agora, redimiu.
* 1.19 Ver 2.9.
* 1.20 O ponto alto do hino. A queda do gênero humano em pecado trouxe
consigo a corrupção de toda a criação, visível e invisível (Gn 3; Rm 5.12;
8.20; Ef 2.2; 6.12). Através da
encarnação e da morte expiatória de Cristo, a justiça de Deus é satisfeita (Rm
3.21-26), a paz entre Deus e a humanidade é restaurada (2Co 5.17-21), a
glorificação final da ordem criada é assegurada (Rm 8.18-21) e os seres
espirituais rebeldes têm seus poderes limitados (2.15, nota).
* 1.21-23 Tendo considerado o papel majestoso de Cristo
na criação bem como na reconciliação e pacificação do universo, Paulo volta a
comentar acerca dos próprios colossenses.
Outrora inimigos de Deus e alienados da sua vida, agora têm paz com Deus
(Rm 5.1,2).
* 1.21 estranhos... obras malignas. O texto pode ser entendido tanto no sentido
de que a alienação intelectual de Deus tem uma raiz na conduta como de que a
alienação intelectual é expressa por meio da conduta. O objetivo de Paulo é afirmar que intelecto e
vontade cooperam em sua rebelião contra Deus.
* 1.22 A morte de Cristo na carne significa que a
reconciliação realizada por Deus não é mera questão de pacificação universal
dos poderes hostis; ela traz consigo a renovação e a purificação individual
daqueles que apreendem o evangelho e a ele aderem (2.13; Rm 5.6-11; Ef 2.4-10).
* 1.23 permaneceis na fé... não vos deixando afastar
da esperança. A fé salvífica é fé
perseverante e paciente (v. 11), ancorada na esperança (v. 5). Mas, ao contrário do ensino dos adversários,
fé e esperança verdadeiras estão somente em Cristo e em nenhum outro lugar.
Esse relacionamento com Cristo é confirmado pela fé e esperança, não por
disciplinas ascéticas rigorosas.
pregado a toda criatura. Paulo pode falar de uma das condições da
consumação dos séculos, a proclamação mundial do evangelho (v. 6; Mt 24.14; Mc
13.10), como já tendo sido completada.
Paulo recorre aqui a uma hipérbole (resurso literário do exagero como
ênfase). Todavia, dirigindo seu ministério aos centros urbanos do Império
Romano, ele tinha a convicção de estar alcançando o mundo civilizado (At 19.10;
Rm 15.18-25).
* 1.24—2.5 Paulo trouxe à memória dos colossenses a
extensão cósmica do senhorio de Cristo (1.15-20) e o modo como a obra redentora
de Cristo chegara a reorientar suas vidas (1.21,23). Agora ele considera o seu próprio papel no
plano redentor de Deus e o relacionamento que ele espera estabelecer com os
colossenses, a maioria dos quais ainda não conhecia pessoalmente, com o intuito
de persuadi-los da obsessão a que estavam sujeitos pela, entre eles assim
chamada, “filosofia” (2.8).
* 1.24 preencho o que resta. Em vista do contexto dessa passagem, que
enfatiza a plena suficiência de Cristo, bem como em vista do que ele diz em
outros lugares (p.ex., Rm 3.21-26; 2Co 5.17-21), Paulo não está dizendo que a
obra salvífica de Cristo na cruz seja em algum aspecto deficiente. Ao contrário, porque a igreja é chamada a
sofrer por Cristo (2Co 4.7-12; 1Ts 3.2-4), há um requisito de sofrimento
divinamente fixado a ser experimentado pelos cristãos. Paulo também pode ter em vista aqui os
sofrimentos que acompanharão o fim dos tempos (Mt 24.21, 22), um período
inaugurado pela morte e ressurreição de Cristo (Rm 13.11-14; 1Co 7.29). Isso também explica a referência ao
sofrimento de Paulo em prol da igreja (Ef 3.13; 2Tm 2.10). Como um servo do evangelho, Paulo alegra-se
na oportunidade que tem de participar dos sofrimentos do povo de Deus. A passagem não dá a entender que a Igreja
seja uma encarnação contínua de Cristo, cujos membros, mediante o sofrimento,
adicionam mérito salvífico além do que Cristo obteve.
* 1.26 mistério. Na religião pagã da época, os “mistérios”
eram compreensões secretas fornecidas (normalmente mediante pagamento de taxa)
a alguns poucos seletos, iniciados. Com
certa ironia, Paulo usa o termo para a
revelação que Deus facultou sem preço algum às nações (v. 27; 2.2; 4.3; Ef 1.9;
3.3, 4, 9; 5.32; 6.19). Em Paulo,
“mistério” refere-se àquilo que outrora estava oculto, mas que agora está sendo
revelado.
oculto. O propósito salvífico de Deus para com os
gentios esteve em grande parte oculto deles antes da vinda de Cristo. As gerações anteriores foram deixadas a
“andar em seus próprios caminhos” (At 14.16; cf. Rm 1.24-32; Ef 2.12). O Antigo Testamento revelou em sombras,
sinais e advertências que Deus viria habitar pessoalmente entre seu povo (v.
27; Ez 36.25-27) e que criaria uma nova humanidade unindo gentios e judeus
através do Messias (Gn 12.3; Zc 9.9, 10; Ef 3.5, 6, notas).
* 2.1
laodicenses. Ver Introdução: Data
e Motivo. Embora Paulo também não
tivesse visitado essa igreja, esperava que esta carta fosse lida lá (4.16).
* 2.6,7 Um bom exemplo do vocabulário pastoral de
Paulo, no qual o "deve" da vida cristã fundamenta-se sobre o “é” do
ter recebido o dom da vida em Cristo.
Embora Paulo algumas vezes descreva as boas novas de Jesus Cristo como
uma tradição que pode ser recebida, ele não emprega o termo “tradição” para costume humano ou opinião histórica mas
para a “entrega” de uma mensagem divina da parte de Deus (1Co
11.2; 2Ts 3.6). Como o progresso dos
colossenses se dará com base no que já chegaram a conhecer de Cristo, sua
obediência a partir de agora estará baseada em gratidão (3.17) e não em
frustrada e penosa culpa (3.1, nota).
* 2.8 os rudimentos do mundo. Ver Introdução: Dificuldades de
Interpretação.
* 2.9,
10 Uma notável refutação
dos falsos mestres que encorajam a submissão aos “rudimentos” (v. 8) como um
meio de vencer temores de não ser aceitável perante Deus. Conforme esboçado nos versículos seguintes, a
“plenitude” de Deus que os falsos mestres presumem oferecer reside em Cristo e
é obtida somente por meio dele (1.19, 20). Ver “Jesus Cristo, Deus e Homem” em
Jo 1.14.
* 2.11
circuncisão. Imagina-se com
freqüência que Paulo menciona aqui a circuncisão porque os falsos mestres em
Colossos a estivessem recomendando, como estavam os da Galácia. Entretanto, nessa carta não há argumento
algum dirigido contra a circuncisão, como há em Gálatas. É melhor supormos que Paulo introduz o tema
para mostrar que parte do que os falsos mestres prometiam aos colossenses —
poder sobre a carne (v. 23) — já era deles em seu relacionamento com Cristo.
Como
rito de iniciação da antiga aliança, a circuncisão significara a remoção do
pecado, mudança de coração e inclusão na família da fé (Dt 10.16; 30.6; Jr 4.4;
9.25, 26; Ez 44.7, 9). Dramaticamente,
Paulo diz que no batismo dos gentios em Cristo e em seu corpo, os mesmos já
tinham sido circuncidados. Batismo é “a
circuncisão de Cristo” e significa o lavar que remove o pecado, a renovação
pessoal pelo Espírito de Deus e a participação como membro no corpo de Cristo
(cf. v. 13; At 2.38; Rm 6.4; 1Co 12.13; Tt 3.5; 1Pe 3.21). A passagem ressalta de forma especial a
unidade da aliança da graça em ambas as eras, a do Antigo e a do Novo
Testamento: não se espera dos crentes gentios que sigam a forma da antiga
aliança de identificação com Deus e seu povo (At 15). Mas sua fé em Cristo fez deles,
independentemente disso, tão filhos de Abraão como se fossem judeus étnicos
crentes (Rm 2.28, 29; Gl 3.26-29; Fl 3.3).
O batismo não é idêntico à circuncisão mas lhe corresponde em essência
(Rm 4.11) e a substituiu como sinal da aliança.
* 2.13 perdoando todos os nossos delitos. É mais característico de Paulo falar de
justificação do que de perdão e de pecado no singular do que de pecados no
plural (Rm 5.12-21). Seu propósito aqui pode ser enfatizar que Deus não só
venceu o pecado como um poder em geral, mas que ele também eliminou a culpa
proveniente de atos particulares. Ver
“Regeneração: O Novo Nascimento” em Jo 3.3.
* 2.14 cancelado o escrito. A lei é comparada a um certificado de dívida
escrito de próprio punho pelo devedor.
Jesus nasceu “sob a lei", sujeito às suas exigências e maldições
(Gl 4.4). Na cruz, tornou-se “pecado por
nós” (2Co 5.21) e sofreu a maldição da lei contra a injustiça (Gl 3.13). Na execução da sentença de morte sobre Jesus
enquanto ele esteve pregado no madeiro, Paulo vê o cancelamento da sanção de
morte que havia contra transgressores da lei.
O crente não está mais sujeito à ameaça da condenação da lei.
* 2.15 publicamente os expôs. A imagem é a de um general romano vencedor
desfilando com seus inimigos vencidos e humilhados seguindo o seu carro. Uma luta cósmica invisível ocorreu na cruz e
o príncipe deste século foi “expulso” (Jo 12.31), “atirado para a terra” (Ap
12.9) e “preso” (Ap 20.2; ver também Mt 12.29; Lc 10.18). Através da morte de Jesus pelos pecadores,
foi tirado de Satanás o poder que tinha de intimidar e controlar as pessoas
através da ameaça de morte e de eterna separação de Deus (Ez 18; Rm 5.12; 6.23;
Hb 2.14,15). A luta com Satanás e suas
legiões não verá desfecho até o retorno do Senhor em glória (2Co 4.4; Ef
6.10-18; 1Pe 5.8) mas o poder do diabo foi vencido. Como cantava Lutero, “sua ruína é certa”.
Destruída a base de suas constantes acusações, as forças hostis de Satanás
perderam sua superioridade para sempre. Ver “Demônios” em Dt 32.17.
* 2.16,17 Em Colosso, haviam mantido a observância do
sábado e das festas com o propósito de aplacar os poderes sobrenaturais ou
anjos que, segundo acreditavam, guiavam o curso das estrelas, regulavam o
calendário e determinavam o destino humano.
Essa, diz Paulo, é uma forma de escravidão da qual Cristo veio para
libertar os homens e as mulheres.
* 2.18 culto dos anjos. Pode se entender como uma referência a práticas
encontradas entre alguns místicos judeus, cujo objetivo era tomar parte na
adoração dos anjos perante o trono de Deus e chegar à oração extática por meio
de asceticismo e estrita observância da Torá.
Nesse caso, “culto dos anjos” significaria “adoração junto com os
anjos". Essa linha de interpretação
pressupõe que os falsos mestres de fato praticavam um judaísmo mais ou menos
ortodoxo e queriam adorar a Deus. Mas a
idéia que transparece em Colossenses é de que a igreja estava sendo tentada a
adorar não a Deus mas a espíritos intermediários entre Deus e os seres humanos
(Introdução: Dificuldades de Interpretação).
* 2.19 Buscar o favor das criaturas angélicas é
deixar de honrar a Cristo pelo que ele é como a plenitude da divindade (v.
9;1.19); e, em segundo lugar, não usufrurir da totalidade da redenção que foi
conquistada através de sua morte e ressurreição (vs. 10-15; 1.20-22).
cabeça... corpo. Esta linguagem recorda 1.18 e antecipa o modo
como Paulo desenvolve a idéia da vida cristã sob o senhorio de Cristo no
contexto da filiação à Igreja em 3.1—4.6.
* 2.20 rudimentos. Ver Introdução: Dificuldades de Interpretação;
nota teológica “Cristãos no Mundo”, índice.
* 2.23 culto de si mesmo. Deus aceita o culto prestado de acordo com
sua vontade revelada na Escritura, não exercícios religiosos realizados segundo
os ditames do arrogante capricho humano (Mt 15.9). A idéia de que Deus deve ser adorado somente
da maneira que ele mesmo instituiu tem tido uma profunda influência nas igrejas
reformadas.
não têm valor algum. O grego deste versículo é muito difícil. Aparentemente não é dito apenas que as
disciplinas ascéticas a que Paulo se opõe são sem valor mas que são
efetivamente nocivas, estimulando seu próprio tipo de “indulgência da carne”.
Precisamente isso os reformadores — preeminentemente Lutero — denunciaram em
sua crítica aos rituais extra-bíblicos que haviam surgido na igreja medieval.
* 3.1—4.6 O caminho para a maturidade não é a via de
revelações secretas ou de disciplinas auto-punitivas. Ele consiste em compreender e em viver com
base na morte e ressurreição do crente “com Cristo” (3.1). Os colossenses têm uma noção falsa da
realidade celestial, o que, ironicamente, os conduz a esforços infrutíferos no
plano terreno.
* 3.1 se fostes ressuscitados juntamente com
Cristo. Note as proposições
de ação paralelas nessa seção: os crentes morreram com Cristo (v. 3; 2.11, 12,
20) e foram ressuscitados juntamente com
ele (v. 1; 2.12,13); estão com Cristo no céu (v. 3; Ef 2.6) e estarão com ele
em sua volta (v. 4); despiram-se "do velho homem” (v. 9) e revestiram-se "do
novo homem” (v. 10). As instruções de
Paulo quanto a comportamento vêm somente depois de sua descrição acerca da
redenção que Deus outorgou ricamente ao seu povo (2.6,7, nota). Obediência é uma resposta ao favor de Deus e
não um meio de obtê-lo.
assentado à direita de Deus. Um tema crucial e triunfante em o Novo
Testamento (At 2.33-35; 5.31; 7.55, 56; Rm 8.34; Ef 1.20; Hb 1.3, 13; 8.1;
10.12; 12.2; 1Pe 3.22; Ap 3.21).
* 3.3 oculta juntamente com Cristo, em Deus. Alguns entendem isso no sentido de que a nova
vida do cristão não é óbvia para os outros, estando, assim, “oculta” ou
encoberta. Entretanto, uma comparação
com 2.3 mostra que há mais do que isso em consideração. O crente está inseparavelmente unido com
Cristo (Jo 6.51-58, nota; cf. Gl 2.20).
A realidade plena da nova vida ainda não está inteiramente revelada,
mas, estando “oculta juntamente com Cristo, em Deus”, a nova vida é certa em Cristo. O que Deus graciosamente deu nem homem nem
anjo pode tirar (Jo 10.29).
* 3.4 Quando Cristo... se manifestar. Nessa seção (vs. 5-11), a ética tem a
expectativa da volta de Cristo como centro.
* 3.5 Fazei, pois, morrer. A primeira de uma série de imperativos
relativos à conduta que prosseguem até 4.6.
Embora Paulo rejeite o ascetismo legalista, ele convoca os crentes a se
tornarem na prática aquilo que eles são
em princípio: mortos para o pecado e vivos para Deus (Rm 6.1-14). Há um modo de vida incompatível com a vida em
Cristo e Paulo requer um rigoroso afastamento dessa vida antiga. No v. 5, ele relaciona cinco vícios; quatro
dos quais relacionados com sexo, o quinto é a ganância; no v. 8, relaciona
outros cinco vícios, todos relacionados com ira e linguagem ofensiva.
* 3.7 nessas mesmas coisas andastes vós também. Isto é, antes de terem sido trazidos “para o
reino do Filho” a quem Deus ama (1.13).
* 3.10 novo homem. Em Cristo, o segundo Adão de Deus (1Co
15.20-28, 45-49), a raça humana é reconstituída. Cada um dos atributos que Paulo registra no
v. 12 pode ser relacionado ao caráter de Deus em geral, ou a Cristo
especificamente. Isso demonstra quão
literalmente Paulo entendia a idéia de os crentes revestirem-se da “imagem” do seu Criador. Ver “A Imagem de Deus” em Gn 1.27.
* 3.11 Esse versículo foi provavelmente escrito
visando o exclusivismo dos falsos mestres colossenses. Entretanto, a unidade intercultural de todos
os que pertencem a Cristo é uma idéia a que Paulo recorre sem dificuldade
alguma (Gl 3.28; 1Co 7.17-24).
bárbaro. Aqueles que não falavam grego eram
considerados não civilizados pelos gregos.
cita. Conforme a reputação, uma classe escrava sem
cultura proveniente das tribos ao redor do Mar Negro. Os citas eram satirizados na comédia grega
por causa de seus hábitos rudes e linguajar inculto. Josefo chamou-os de “um pouco melhor que bestas feras".
escravo, livre. No corpo de Cristo, distinções de posição
social são irrelevantes (1Co 7.17-24).
Ao mesmo tempo, como as intruções específicas de Paulo aos escravos e senhores
de escravos em 3.22—4.1 deixam claro, a
unidade em Cristo não infere ou preceitua uma uniformidade de função e de
responsabilidade. O que importa é
reconhecer que “Cristo é tudo em todos".
Nas igrejas paulinas, posições sociais diferentes continuaram a existir
e não foram submetidas a um processo idêntico de nivelamento. Ao invés disto, elas tornaram-se
oportunidades para expressar o amor de Cristo através das fronteiras sociais
tradicionais.
* 3.12-14 Esses versículos esboçam as obrigações que todos os cristãos têm uns
para com os outros; 3.18—4.2 definirão oportunidades de serviço no âmbito de
relações específicas
* 3.12 Revesti-vos. Paulo antevê os crentes vestindo-se com o
caráter do Senhor mesmo. O “novo homem”
do v. 10 não é algo que os crentes devam construir por seu próprio poder. Suas novas identidades tomam forma à medida que chegam a conhecer Cristo
melhor, visto que ele é a imagem do Deus invisível e aquele em quem todos os
tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos (1.15; 2.3).
eleitos de Deus, santos e amados. Opostamente ao medo que os colossenses tinham
dos poderes cósmicos, os crentes desfrutam, por direito, de um claro
entendimento de que Deus afiança o relacionamento deles consigo (Jo 6.37, 44,
65; 15.16; Ef 1.4, 5; Fp 1.6). Eles
podem saber que foram declarados santos com base em uma justiça que não é
própria deles (Rm 3.21-26; 1Co 1.2, 30)
e que Deus os ama verdadeiramente, mesmo apaixonadamente (Jo 3.16; Rm 8.32; Gl
2.20; Tt 3.4; 1Jo 4.9, 10).
ternos afetos. Um relacionamento que envolve emoção e
cuidado para com todos cujas vidas encontram-se machucadas e abatidas (Mt 9.36;
14.14; Rm 12.1).
bondade. Prontidão em fazer o bem, mesmo quando possa
ser imerecido (Rm 2.4; Tt 3.4).
humildade. Uma atitude de submissão e prestatividade (Mc
10.45; Fp 2.1-11).
mansidão. Ou “brandura” no oferecimento de ajuda, uma
abordagem não-coerciva para encorajar mudança na vida de outros (Mt 11.29; 2Co
10.1; Gl 6.1; 2Tm 2.25).
longanimidade. Boa vontade para agir com tolerância diante
da fraqueza humana (Rm 2.4; 1Tm 1.16).
* 3.13,
14 Ver Ef 4.32—5.2, onde
Paulo apresenta claramente o exemplo deixado pelo modelo redentor da obra de
Cristo como o fundamento da tolerância, perdão e amor cristão.
* 3.15 paz de Cristo. Em sua prática de amor, perdão e bondade, a
comunidade cristã deve ser uma vitrina da reconciliação e paz que Cristo trouxe
entre o céu e a terra (1.20-22; 2.14,15) e entre uma humanidade dividida (vs.
11, 13).
* 3.16 Habite, ricamente, em vós. Uma vez que o crente está unido com Cristo
(3.3, nota), não somente a “palavra de Cristo", mas Cristo mesmo vive nos
corações dos fiéis (Gl 2.20; Ef 3.17; cf. Rm 8.9). Com a sabedoria de Deus assim presente (3.3; cf.
1Co 1.30), as exigências éticas do amor cristão podem ser vivenciadas em todas
as áreas da vida, incluindo as
responsabilidades diárias revistas em 3.18-4.6.
instruí-vos e aconselhai-vos. A primeira metade desse versículo recorda e
enfatiza 1.28. No mútuo ministério dos
colossenses, a palavra de Cristo será tão eficaz quanto a presença do próprio
apóstolo.
salmos, e hinos, e cânticos
espirituais. Na tradução grega do
Antigo Testamento, os três substantivos usados nessa frase são freqüentemente
sinônimos. Não é provável que em
Colossenses designem três tipos distintos de cântico (Ef 5.19). Ver nota teológica "A Música na
Igreja", índice.
* 3.17 E tudo o que fizerdes... fazei-o em nome do
Senhor Jesus. Ver “O Modelo de Deus
para o Culto” em 1Cr 16.29.
* 3.18,
19 Ver nota em Ef 5.22-32; “A Família Cristã” em Ef 5.22.
* 3.20,
21 Ver notas em Ef 6.1-4.
* 3.22—4.1 Essa abordagem em relação a escravo e livre
em Colossenses deve-se, provavelmente, ao tema da carta a Filemom. Onésimo era um escravo fugitivo que Paulo
estava enviando de volta com uma carta ao seu proprietário Filemom. Onésimo
estava acompanhando Tíquico com a carta aos colossenses (4.7-9), e eles
provavelmente levavam consigo também a carta a Filemom (Introdução a Filemom).
* 4.2-6 Duas outras maneiras nas quais os crentes
podem “pensar nas cousas lá do alto” (3.2) são a oração (Ef 6.18-20, nota) e
falar de sua fé de forma sábia e persuasiva aos de fora a fim de que possam ser
trazidos à plenitude de vida em Cristo.
* 4.7-17 A carta termina com uma visão rápida da
complexa e fluida rede de líderes que mantinham unidas as igrejas de
Paulo. Alguns nomes aparecem também em
Fm 23, 24.
* 4.7 Tíquico. O principal portador das cartas aos
Colossenses, a Filemom e aos Efésios (Ef 6.21, 22). Mencionado pela primeira vez como integrante
da comitiva de Paulo em Atos 20.4.
Tíquico era da província romana da Ásia (na atual Turquia) e parece ter
sido um dos mensageiros da maior confiança de Paulo até o fim de seu ministério
(2Tm 4.12; Tt 3.12).
* 4.9 Onésimo. Ver Introdução a Filemom.
* 4.10 Aristarco. Este judeu de Tessalônica teve notória
participação no tumultuado ministério de Paulo em Éfeso (At 19.29). Ele tinha viajado na companhia de Paulo pela
Grécia (At 20.4) e até Jerusalém e Roma (At 27.2), onde ele agora estava preso
com Paulo.
Marcos. O racha ocorrido mais de uma década antes
entre Paulo e os primos Barnabé e João Marcos (autor do Evangelho de Marcos, At
13.13; 15.37-40) havia cicatrizado (2Tm
4.11; Fm 24). A menção especial que
Paulo faz com relação a Marcos testifica o poder da obra reconciliatória de
Cristo (1.20-22) e a paz que deve reinar dentro do corpo de Cristo (3.15).
* 4.11 Jesus, conhecido por Justo. Desconhecido senão por essa menção.
* 4.12 Epafras. Ver 1.7; Introdução: Data e Motivo.
* 4.13 Hierápolis. Ver Introdução: Data e Motivo.
* 4.14 Lucas.
Esse companheiro de viagem de Paulo em Atos estava com Paulo naquela que
pode ter sido a véspera de sua morte (2Tm 4.11). Como autor do Evangelho de Lucas e de Atos,
ele também era cronista de Paulo. Embora
sua obra mostre que era excepcionalmente letrado, a menção de sua ocupação não
implica que fosse necessariamente um homem de posição social privilegiada, pois
muitos médicos freqüentemente eram escravos.
Demas. Demas abandonou a Paulo durante sua segunda
prisão em Roma (2Tm 4.10). Ele é
mencionado uma outra vez somente (Fm 24).
* 4.15 Ninfa.
Ver referências laterais. Alguns
manuscritos identificam essa pessoa, que hospedou a Igreja de Laodicéia em sua
casa, como sendo uma mulher. Há várias
referências a mulheres (cujo estado civil não é mencionado) como protetoras ou
hospedeiras de igrejas ou, ainda, como obreiras
no ministério (At 12.12; 16.13-15; Rm 16.1, 2, 6, 7, 12, 13; Fp 4.2, 3;
2Jo 1, 5). O modelo para o relacionamento entre homens e mulheres,
particularmente maridos e esposas, apresentado em 3.18 e textos paralelos (1Co
14.33-35; Ef 5.22-33; 1Tm 2.11-15) não era incoerente com a parceria no
ministério que existia entre homens e mulheres na igreja primitiva.
igreja... sua casa. De acordo com as evidências existentes, até a
metade do terceiro século as igrejas não possuíam edificações distintas para o
culto. Até essa época, as igrejas
reunidas em casas eram a norma. Aquelas
pessoas que exerciam um ministério de hospitalidade tendo igrejas em suas casas
eram importantes benfeitores da igreja primitiva (At 12.12; Rm 16.5; 1Co 16.19;
Fm 2) Sobre hospitalidade, ver Rm 12.13; 1Tm 3.2; Tt 1.8; Hb 13.2; 1Pe 4.9.
* 4.16 a dos de Laodicéia. Alguns sugerem que Paulo refere-se à carta
aos Efésios, que não traz destinatário em alguns manuscritos antigos e que pode
ter surgido como uma carta circular (Introdução aos Efésios: Data e Motivo).
Uma vez que Tíquico também é o
portador de Efésios (Ef 6.21, 22), a
conclusão de que a carta aos Efésios e
"a dos de Laodicéia" fossem idênticas faria supor que Colossenses
e Efésios tivessem sido escritas à mesma época e que Tíquico tivesse viajado
primeiro a Laodicéia e depois para Colosso.
Entretanto, parece-nos mais simples supor, com base na forma mais
reflexiva de Efésios, que essa foi escrita algum tempo depois de Colossenses e
que Tíquico, em uma viagem posterior, levou a carta aos Efésios de igreja em
igreja (isso se, de fato, foi uma carta circular). A melhor proposição para a identidade da
carta de Laodicéia é que tratava-se de uma carta distinta que desapareceu.
* 4.17 Arquipo. Se Filemom era o hospedeiro da igreja em
Colosso, a qual havia presenciado o incidente de Onésimo, esse versículo pode
ser uma boa indicação de que Arquipo era o líder espiritual dessa igreja.
* 4.18 de próprio punho. Era hábito de Paulo ditar suas cartas, porém,
escrever, ele mesmo, as últimas frases.
Essas seções conclusivas variavam conforme as circunstâncias. Algumas vezes, continham saudações pessoais
para fortalecer os laços entre ele mesmo e os obreiros e as igrejas a ele
relacionados (vs. 7-17; Rm 16); outras vezes, um resumo do conteúdo da carta
(p.ex., Gl 6.11-17); e, em algumas outras vezes, uma assinatura que garantia a
autenticidade da carta (1Co 16.21; Fm 19).
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sergiovalentin