1 - 8:14

 

1 Cântico dos cânticos de Salomão

 

 1:1 Cântico dos cânticos de Salomão.

 

2-4a Esposa

 

 1:2 Beija-me com os beijos de tua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho.

 

 1:3 Suave é o aroma dos teus ungüentos, como ungüento derramado é o teu nome; por isso, as donzelas te amam.

 

 1:4 Leva-me após ti, apressemo-nos. O rei me introduziu nas suas recâmaras.

 

4b Coro

Em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; não é sem razão que te amam.

 

5-7 Esposa

 

 1:5 Eu estou morena e formosa, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão.

 

 1:6 Não olheis para o eu estar morena, porque o sol me queimou. Os filhos de minha mãe se indignaram contra mim e me puseram por guarda de vinhas; a vinha, porém, que me pertence, não a guardei.

 

 1:7 Dize-me, ó amado de minha alma: onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes repousar pelo meio-dia, para que não ande eu vagando junto ao rebanho dos teus companheiros?

 

8-11 Esposo

 

 1:8 Se tu não o sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sai-te pelas pisadas dos rebanhos e apascenta os teus cabritos junto às tendas dos pastores.

 

 1:9 Às éguas dos carros de Faraó te comparo, ó querida minha.

 

 1:10 Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites, o teu pescoço, com os colares.

 

 1:11 Enfeites de ouro te faremos, com incrustações de prata.

 

12-14 Esposa

 

1:12 Enquanto o rei está assentado à sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume.

 

 1:13 O meu amado é para mim um saquitel de mirra, posto entre os meus seios.

 

 1:14 Como um racimo de flores de hena nas vinhas de En-Gedi, é para mim o meu amado.

 

15 Esposo

 

 1:15 Eis que és formosa, ó querida minha, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas.

 

16-17 Esposa

 

 1:16 Como és formoso, amado meu, como és amável! O nosso leito é de viçosas folhas,

 

 1:17 as traves da nossa casa são de cedro, e os seus caibros, de cipreste.

 

2 Cap. 1

 

 2:1 Eu sou a rosa de Sarom, o lírio dos vales.

 

2 Esposo

 

 2:2 Qual o lírio entre os espinhos, tal é a minha querida entre as donzelas.

 

3-10 Esposa

 

 2:3 Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os jovens; desejo muito a sua sombra e debaixo dela me assento, e o seu fruto é doce ao meu paladar.

 

 2:4 Leva-me à sala do banquete, e o seu estandarte sobre mim é o amor.

 

 2:5 Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, pois desfaleço de amor.

 

 2:6 A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a direita me abrace.

 

 2:7 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira.

 

 2:8 Ouço a voz do meu amado; ei-lo aí galgando os montes, pulando sobre os outeiros.

 

 2:9 O meu amado é semelhante ao gamo ou ao filho da gazela; eis que está detrás da nossa parede, olhando pelas janelas, espreitando pelas grades.

 

 2:10 O meu amado fala e me diz: Levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem.

 

11-14 Esposo

 

 2:11 Porque eis que passou o inverno, cessou a chuva e se foi;

 

 2:12 aparecem as flores na terra, chegou o tempo de cantarem as aves, e a voz da rola ouve-se em nossa terra.

 

 2:13 A figueira começou a dar seus figos, e as vides em flor exalam o seu aroma; levanta-te, querida minha, formosa minha, e vem.

 

 2:14 Pomba minha, que andas pelas fendas dos penhascos, no esconderijo das rochas escarpadas, mostra-me o rosto, faze-me ouvir a tua voz, porque a tua voz é doce, e o teu rosto, amável.

 

15-17 Esposa

 

 2:15 Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos, porque as nossas vinhas estão em flor.

 

 2:16 O meu amado é meu, e eu sou dele; ele apascenta o seu rebanho entre os lírios.

 

 2:17 Antes que refresque o dia e fujam as sombras, volta, amado meu; faze-te semelhante ao gamo ou ao filho das gazelas sobre os montes escabrosos.

 

3 Cap. 1-5

 

 3:1 De noite, no meu leito, busquei o amado de minha alma, busquei-o e não o achei.

 

 3:2 Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade, pelas ruas e pelas praças; buscarei o amado da minha alma. Busquei-o e não o achei.

 

 3:3 Encontraram-me os guardas, que rondavam pela cidade. Então, lhes perguntei: vistes o amado da minha alma?

 

 3:4 Mal os deixei, encontrei logo o amado da minha alma; agarrei-me a ele e não o deixei ir embora, até que o fiz entrar em casa de minha mãe e na recâmara daquela que me concebeu.

 

 3:5 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, pelas gazelas e cervas do campo, que não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira.

 

6-11 Coro

 

 3:6 Que é isso que sobe do deserto, como colunas de fumaça, perfumado de mirra, e de incenso, e de toda sorte de pós aromáticos do mercador?

 

 3:7 É a liteira de Salomão; sessenta valentes estão ao redor dela, dos valentes de Israel.

 

 3:8 Todos sabem manejar a espada e são destros na guerra; cada um leva a espada à cinta, por causa dos temores noturnos.

 

 3:9 O rei Salomão fez para si um palanquim de madeira do Líbano.

 

 3:10 Fez-lhe as colunas de prata, a espalda de ouro, o assento de púrpura, e tudo interiormente ornado com amor pelas filhas de Jerusalém.

 

 3:11 Saí, ó filhas de Sião, e contemplai ao rei Salomão com a coroa com que sua mãe o coroou no dia do seu desposório, no dia do júbilo do seu coração.

 

4 Esposo 1-5

 

 4:1 Como és formosa, querida minha, como és formosa! Os teus olhos são como os das pombas e brilham através do teu véu. Os teus cabelos são como o rebanho de cabras que descem ondeantes do monte de Gileade.

 

 4:2 São os teus dentes como o rebanho das ovelhas recém-tosquiadas, que sobem do lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e nenhuma delas há sem crias.

 

 4:3 Os teus lábios são como um fio de escarlata, e tua boca é formosa; as tuas faces, como romã partida, brilham através do véu.

 

 4:4 O teu pescoço é como a torre de Davi, edificada para arsenal; mil escudos pendem dela, todos broquéis de soldados valorosos.

 

 4:5 Os teus dois seios são como duas crias, gêmeas de uma gazela, que se apascentam entre os lírios.

 

6 Esposa

 

 4:6 Antes que refresque o dia, e fujam as sombras, irei ao monte da mirra e ao outeiro do incenso.

 

7-15 Esposo

 

 4:7 Tu és toda formosa, querida minha, e em ti não há defeito.

 

 4:8 Vem comigo do Líbano, noiva minha, vem comigo do Líbano; olha do cimo do Amana, do cimo do Senir e do Hermom, dos covis dos leões, dos montes dos leopardos.

 

 4:9 Arrebataste-me o coração, minha irmã, noiva minha; arrebataste-me o coração com um só dos teus olhares, com uma só pérola do teu colar.

 

 4:10 Que belo é o teu amor, ó minha irmã, noiva minha! Quanto melhor é o teu amor do que o vinho, e o aroma dos teus ungüentos do que toda sorte de especiarias!

 

 4:11 Os teus lábios, noiva minha, destilam mel. Mel e leite se acham debaixo da tua língua, e a fragrância dos teus vestidos é como a do Líbano.

 

 4:12 Jardim fechado és tu, minha irmã, noiva minha, manancial recluso, fonte selada.

 

 4:13 Os teus renovos são um pomar de romãs, com frutos excelentes: a hena e o nardo;

 

 4:14 o nardo e o açafrão, o cálamo e o cinamomo, com toda a sorte de árvores de incenso, a mirra e o aloés, com todas as principais especiarias.

 

 4:15 És fonte dos jardins, poço das águas vivas, torrentes que correm do Líbano!

 

16 Esposa

 

 4:16 Levanta-te, vento norte, e vem tu, vento sul; assopra no meu jardim, para que se derramem os seus aromas. Ah! Venha o meu amado para o seu jardim e coma os seus frutos excelentes!

 

5 Esposo 1

 

 5:1 Já entrei no meu jardim, minha irmã, noiva minha; colhi a minha mirra com a especiaria, comi o meu favo com o mel, bebi o meu vinho com o leite. Comei e bebei, amigos; bebei fartamente, ó amados.

 

2a Esposa

 5:2 Eu dormia, mas o meu coração velava; eis a voz do meu amado, que está batendo:

2b Esposo

 

Abre-me, minha irmã, querida minha, pomba minha, imaculada minha, porque a minha cabeça está cheia de orvalho, os meus cabelos, das gotas da noite.

 

3-8 Esposa

 

 5:3 Já despi a minha túnica, hei de vesti-la outra vez? Já lavei os pés, tornarei a sujá-los?

 

 5:4 O meu amado meteu a mão por uma fresta, e o meu coração se comoveu por amor dele.

 

 5:5 Levantei-me para abrir ao meu amado; as minhas mãos destilavam mirra, e os meus dedos mirra preciosa sobre a maçaneta do ferrolho.

 

 5:6 Abri ao meu amado, mas já ele se retirara e tinha ido embora; a minha alma se derreteu quando, antes, ele me falou; busquei-o e não o achei; chamei-o, e não me respondeu.

 

 5:7 Encontraram-me os guardas que rondavam pela cidade; espancaram-me e feriram-me; tiraram-me o manto os guardas dos muros.

 

 5:8 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, se encontrardes o meu amado, que lhe direis? Que desfaleço de amor.

 

9 Coro

 

 5:9 Que é o teu amado mais do que outro amado, ó tu, a mais formosa entre as mulheres? Que é o teu amado mais do que outro amado, que tanto nos conjuras?

 

10-16 Esposa

 

 5:10 O meu amado é alvo e rosado, o mais distinguido entre dez mil.

 

 5:11 A sua cabeça é como o ouro mais apurado, os seus cabelos, cachos de palmeira, são pretos como o corvo.

 

 5:12 Os seus olhos são como os das pombas junto às correntes das águas, lavados em leite, postos em engaste.

 

 5:13 As suas faces são como um canteiro de bálsamo, como colinas de ervas aromáticas; os seus lábios são lírios que gotejam mirra preciosa;

 

 5:14 as suas mãos, cilindros de ouro, embutidos de jacintos; o seu ventre, como alvo marfim, coberto de safiras.

 

 5:15 As suas pernas, colunas de mármore, assentadas em bases de ouro puro; o seu aspecto, como o Líbano, esbelto como os cedros.

 

 5:16 O seu falar é muitíssimo doce; sim, ele é totalmente desejável. Tal é o meu amado, tal, o meu esposo, ó filhas de Jerusalém.

 

6 Coro 1

 

 6:1 Para onde foi o teu amado, ó mais formosa entre as mulheres? Que rumo tomou o teu amado? E o buscaremos contigo.

 

2-3 Esposa

 

 6:2 O meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros de bálsamo, para pastorear nos jardins e para colher os lírios.

 

 6:3 Eu sou do meu amado, e o meu amado é meu; ele pastoreia entre os lírios.

 

4-9 Esposo

 

 6:4 Formosa és, querida minha, como Tirza, aprazível como Jerusalém, formidável como um exército com bandeiras.

 

 6:5 Desvia de mim os olhos, porque eles me perturbam. Os teus cabelos descem ondeantes como o rebanho das cabras de Gileade.

 

 6:6 São os teus dentes como o rebanho de ovelhas que sobem do lavadouro, e das quais todas produzem gêmeos, e nenhuma delas há sem crias.

 

 6:7 As tuas faces, como romã partida, brilham através do véu.

 

 6:8 Sessenta são as rainhas, oitenta, as concubinas, e as virgens, sem número.

 

 6:9 Mas uma só é a minha pomba, a minha imaculada, de sua mãe, a única, a predileta daquela que a deu à luz; viram-na as donzelas e lhe chamaram ditosa; viram-na as rainhas e as concubinas e a louvaram.

 

10 Coro

 

 

 6:10 Quem é esta que aparece como a alva do dia, formosa como a lua, pura como o sol, formidável como um exército com bandeiras?

 

11-12 Esposa

 

 6:11 Desci ao jardim das nogueiras, para mirar os renovos do vale, para ver se brotavam as vides, se floresciam as romeiras.

 

 6:12 Não sei como, imaginei-me no carro do meu nobre povo!

 

13a Coro

 

 6:13 Volta, volta, ó sulamita, volta, volta, para que nós te contemplemos.

 

13b Esposa

 

Por que quereis contemplar a sulamita na dança de Maanaim?

 

7 Esposo 1-9

 

 7:1 Que formosos são os teus passos dados de sandálias, ó filha do príncipe! Os meneios dos teus quadris são como colares trabalhados por mãos de artista.

 

 7:2 O teu umbigo é taça redonda, a que não falta bebida; o teu ventre é monte de trigo, cercado de lírios.

 

 7:3 Os teus dois seios, como duas crias, gêmeas de uma gazela.

 

 7:4 O teu pescoço, como torre de marfim; os teus olhos são as piscinas de Hesbom, junto à porta de Bate-Rabim; o teu nariz, como a torre do Líbano, que olha para Damasco.

 

 7:5 A tua cabeça é como o monte Carmelo, a tua cabeleira, como a púrpura; um rei está preso nas tuas tranças.

 

 7:6 Quão formosa e quão aprazível és, ó amor em delícias!

 

 7:7 Esse teu porte é semelhante à palmeira, e os teus seios, a seus cachos.

 

 7:8 Dizia eu: subirei à palmeira, pegarei em seus ramos. Sejam os teus seios como os cachos da vide, e o aroma da tua respiração, como o das maçãs.

 

9b-13 Esposa

 

 7:9 Os teus beijos são como o bom vinho, vinho que se escoa suavemente para o meu amado, deslizando entre seus lábios e dentes.

 

 7:10 Eu sou do meu amado, e ele tem saudades de mim.

 

 7:11 Vem, ó meu amado, saiamos ao campo, passemos as noites nas aldeias.

 

 7:12 Levantemo-nos cedo de manhã para ir às vinhas; vejamos se florescem as vides, se se abre a flor, se já brotam as romeiras; dar-te-ei ali o meu amor.

 

 7:13 As mandrágoras exalam o seu perfume, e às nossas portas há toda sorte de excelentes frutos, novos e velhos; eu tos reservei, ó meu amado.

 

8 Cap. 1-4

 

 8:1 Tomara fosses como meu irmão, que mamou os seios de minha mãe! Quando te encontrasse na rua, beijar-te-ia, e não me desprezariam!

 

 8:2 Levar-te-ia e te introduziria na casa de minha mãe, e tu me ensinarias; eu te daria a beber vinho aromático e mosto das minhas romãs.

 

 8:3 A sua mão esquerda estaria debaixo da minha cabeça, e a sua direita me abraçaria.

 

 8:4 Conjuro-vos, ó filhas de Jerusalém, que não acordeis, nem desperteis o amor, até que este o queira.

 

5a Coro

 

 8:5 Quem é esta que sobe do deserto e vem encostada ao seu amado?

 

5b-7 Esposo

 

Debaixo da macieira te despertei, ali esteve tua mãe com dores; ali esteve com dores aquela que te deu à luz.

 

 8:6 Põe-me como selo sobre o teu coração, como selo sobre o teu braço, porque o amor é forte como a morte, e duro como a sepultura, o ciúme; as suas brasas são brasas de fogo, são veementes labaredas.

 

 8:7 As muitas águas não poderiam apagar o amor, nem os rios, afogá-lo; ainda que alguém desse todos os bens da sua casa pelo amor, seria de todo desprezado.

 

 8:8 Temos uma irmãzinha que ainda não tem seios; que faremos a esta nossa irmã, no dia em que for pedida?

 

8-9 Coro

 

 8:9 Se ela for um muro, edificaremos sobre ele uma torre de prata; se for uma porta, cercá-la-emos com tábuas de cedro.

 

10 Esposa

 

 8:10 Eu sou um muro, e os meus seios, como as suas torres; sendo eu assim, fui tida por digna da confiança do meu amado.

 

11Coro

 

 8:11 Teve Salomão uma vinha em Baal-Hamom; entregou-a a uns guardas, e cada um lhe trazia pelo seu fruto mil peças de prata.

 

12 Esposa

 

 8:12 A vinha que me pertence está ao meu dispor; tu, ó Salomão, terás os mil siclos, e os que guardam o fruto dela, duzentos.

 

13 Esposo

 

 8:13 Ó tu que habitas nos jardins, os companheiros estão atentos para ouvir a tua voz; faze-me, pois, também ouvi-la.

 

14 Esposa

 

 8:14 Vem depressa, amado meu, faze-te semelhante ao gamo ou ao filho da gazela, que saltam sobre os montes aromáticos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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