* 1.1 Ver
Introdução: Autor; Título.
* 1.2-4 Expressões
postas na terceira pessoa em 1.2 e 1.4 ("Beija-me com os beijos da tua
boca... O rei me introduziu") abrem e fecham o parágrafo, que noutras
passagens está na segunda pessoa ("teu nome"... "teu amor").
A jovem oscila entre pensar sobre seu amado ausente e dirigir-se a ele como se
ele estivesse presente.
* 1.4 O
rei me introduziu nas suas recâmaras. Temos aqui a primeira das cinco
ocorrências da palavra "rei" (1.4,12; 3.9,11; 7.5). Aqui no v. 4, há
duas possibilidades: ou o rei é Salomão, que havia tentado, sem sucesso,
conquistar os afetos da jovem, ou ele é o amado a quem ela, romanticamente,
fantasia como o seu rei. Esta última interpretação é a preferida (ver
Introdução: Características e Temas). O parágrafo termina como começou, com a
jovem referindo-se a seu amado ausente na terceira pessoa do singular (vs. 2-4,
nota).
Em ti nos
regozijaremos e nos alegraremos. As
"filhas de Jerusalém" (v. 5) concordam com a jovem em que o amor do
seu amado é melhor do que o vinho (v. 2).
* 1.5,6 A jovem responde à crítica sobre
a cor da sua pele (vs. 5, "eu estou morena") por parte das filhas de
Jerusalém (5.10-16, nota). Ela estava queimada de sol porque os irmãos dela a
tinham posto a trabalhar nas vinhas, e, em consequência, ela não fora capaz de
cuidar apropriadamente de sua "própria vinha" (o corpo dela, v. 6).
tendas de Quedar. As tribos beduínas que residiam na fímbria dos desertos a
leste de Israel, fabricavam suas tendas de pêlos escuros de cabra.
Lugares Mencionados
nos Cantares de Salomão
Desde os picos do Líbano até às ruas de Jerusalém (Ct
4.8; 6.4), a história de amor em Cantares de Salomão desenrola-se em vários
contextos. Os amados referem-se e dirigem-se ao outro, usando várias quadros verbais,
incluindo "a rosa de Sarom" (Ct 2.1), "o lírio dos vales"
(Ct 2.1) e "as vinhas de En-Gedi" (Ct 1.14).
Líbano Senir Damasco
Monte Hermom Monte Carmelo
Sunem Sarom Tirza
Monte Gileade Jerusalém
Hesbom
En-Gedi Quedar
* 1.8 ó
mais formosa entre as mulheres. Em outros lugares, essa forma de tratamento
só foi usada pelas "filhas de Jerusalém" (5.9; 6.1). Se quem fala
aqui são as mesmas "filhas de Jerusalém", cujos olhares críticos são
referidos no v. 6, então a atitude delas parece ter mudado. Mais provavelmente,
porém, as palavras delas aqui são sarcásticas (5.8,9).
* 1.9 Às
éguas dos carros de Faraó. Salomão começou o seu reinado fazendo uma
aliança de casamento com Faraó (1Rs 3.1). Ele também comerciou com cavalos
egípcios (1Rs 10.28), e os carros de combate de Faraó, com seus dois cavalos
tornaram-se muito conhecidos e admirados em Israel. O que é contemplado aqui
teria sido excepcional: uma égua enfeitada entre os garanhões, causando
admiração e excitação.
* 1.11 (Nós)
te faremos. No v. 4, as "filhas de Jerusalém" reverberam os
elogios da jovem a seu amado; aqui, porém, elas respondem semelhantemente aos
elogios dele a ela. O sujeito no plural (nós,
subentendido em português) é contra tomarmos este versículo como uma fala do
amado da jovem a usar uma linguagem própria da corte. O chamado plural de
majestade não era usado na literatura do antigo Oriente Próximo e Médio.
* 1.12 o
rei. O amado da jovem novamente aparece como um rei, conforme é indicado no
versículo seguinte.
à sua mesa. O original hebraico tem aqui uma expressão incomum,
literalmente, "à sua volta". Essa volta não é uma mesa, mas erva e
árvores (vs. 16 e 17). A jovem estava pensando nos tempos em que ela e seu
amado passavam tempos sozinhos nos bosques.
* 1.14 En-Gedi.
Esse oásis luxuriante ficava a meio caminho para quem descia para as praias
ocidentais do mar Morto.
* 1.15 Os
teus olhos são como os das pombas. O ponto da comparação não é declarado.
Talvez esteja em foco a meiguice de seu olhar. A jovem retribui o cumprimento
indiretamente, em 5.12.
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sergiovalentin