* 2.1 a
rosa. O original hebraico indica uma planta da família do bulbo, como um
narciso.
Sarom. A planície que se estendia para o sul, desde o monte
Carmelo, seguindo as costas do mar Mediterrâneo. Neste versículo, a jovem
compara-se, modestamente, a alguma flor silvestre bem conhecida.
* 2.4 sala
do banquete. Literalmente, "sala do vinho". O cenário é ao ar
livre (1.12, nota). A "casa" dos amantes, até essa altura, tinha sido
a floresta (1.16,17). Mas agora eles passam para uma "casa"
diferente, a saber, a vinha do jovem, a sua "casa" do vinho. Essa
expressão continua a linguagem figurada da realeza de 1.4,12 (o pastor é um
rei), e a comparação entre o amor e o vinho aparece em 1.2.
o seu estandarte. Estandartes comumente adornavam salões de banquete reais,
mas esta sala do banquete, ou "casa do vinho" era diferente. Tinha
somente um estandarte, o amor, e esse também era o único "vinho" que
seria consumido durante o banquete.
* 2.5 com
passas... com maçãs. As passas ou "bolos de passas" são associadas,
em outros lugares do Antigo Testamento, com os ritos religiosos, algumas vezes
até em um contexto pagão (2Sm 6.19; Os 3.1). Isso tem feito alguns
comentaristas suporem que os Cânticos de Salomão originaram-se como uma peça
escrita de um rito de fertilidade pagão envolvendo o sexo ritual (cf. Os
4.11-14). Mas os atos de amor no Livro de Cantares não têm uma dimensão
religiosa óbvia. As passas, neste caso, tal como as maçãs, são simples
afrodisíacos. A jovem pediu passas de uvas e maçãs para renovar as suas forças.
* 2.7 Quanto
a comentários sobre este refrão, que também ocorre em 3.5 e 8.4, ver
Introdução: Características e Temas. Aqui o refrão nos faz lembrar que o ato de
amor até aqui foi só imaginado, sem tornar-se real, a despeito da linguagem
vívida.
* 2.8-17 A linguagem figurada do
pastor-amado como uma gazela ou um gamo novo, nas colinas, introduz e conclui
esta seção, outro encontro imaginário entre os dois apaixonados. Após ter-se
dirigido de modo breve às filhas de Jerusalém, no v. 7, a jovem retorna a seus
pensamentos meditativos.
* 2.14 mostra-me
o teu rosto. A troca para a forma feminina do pronome possessivo
"teu", no hebraico, sugere que este versículo e o seguinte devem ser
atribuídos ao pastor, "o amado".
* 2.15 as
raposinhas, que devastam os vinhedos. As raposas são o único elemento
negativo no cenário em tudo o mais ideal, dos vs. 10-15. O imperativo sem
qualquer sujeito específico é como se fosse um passivo ("Que as raposas
sejam apanhadas"), e o versículo inteiro exprime o desejo, da parte dos
apaixonados, que coisa alguma tenha permissão de interferir em seu ato de amor.
* 2.16 ele
apascenta o seu rebanho entre os lírios. Em face do contexto, o mais
provável é que tenhamos aqui uma metáfora para a intimidade do amor. Ver nota
no v. 15 e 6.2.
* 2.17 Antes
que refresque o dia, e fujam as sombras. Tradicionalmente, estas linhas têm
sido interpretadas juntamente com aquilo que se segue, mas elas podem fazer um
melhor sentido se lidas em companhia do v. 16. Os amados estiveram juntos a noite
inteira, e quando o dia irrompe, eles precisavam separar-se. O retorno do jovem
às colinas assinala o fim do trecho que se abriu no v. 8 (ver 2.8-17, nota).
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sergiovalentin