* 3.1 De
noite, no meu leito. A jovem não estava mais com o seu amado, mas sozinha,
no leito dela, imaginando vários encontros com ele. Uma indicação mais
explícita de que ela estava sonhando aparece em 5.2. Não é claro onde o sonho
começa ou termina, mas por certo essa é uma das grandes características do
Livro (Introdução: Características e Temas).
* 3.2-4 Esta busca da jovem pelo seu
amado segue-se ao sonho dela durante a noite, ou é, ela mesma, um de seus
sonhos. A presença dos guardas, a patrulharem as ruas da cidade, indica que era noite, e que temos
aqui, provavelmente, um sonho. O trecho paralelo de 5.2-8 é um sonho (5.2).
Ambos os sonhos têm característica de pesadelo, e aquele no capítulo cinco, é
mais obviamente pesadelo do que este (ver especialmente 5.7).
* 3.4 em
casa de minha mãe. Presumivelmente, esse era o lugar onde a jovem solteira
dormia (v. 1). Em seu sonho, ela trouxe o seu amado para a casa dela.
* 3.5 A segunda ocorrência do refrão
confirma que o ato de amor, neste estágio, era imaginário, e não real. A consumação
permanece no futuro (2.7, nota).
* 3.6-11 Posta entre as duas indicações de que a jovem estava no
leito (3.1; 5.2), esta cena de casamento é melhor tomada como parte do sonho da
jovem. Um pesadelo cede lugar à fantasia. Ela sonha sobre o dia do casamento,
transformado em uma ocasião real, tendo seu amado como rei, o magnificente
Salomão. Não foi essa a primeira vez em que ela o imaginou assim (1.4,12; 2.4).
* 3.8 por
causa dos temores noturnos. Os homens de Salomão formaram um corpo de
guarda-costas, como proteção contra assaltantes, visto que os casamentos eram
celebrados após a chegada da noite. Mas este versículo tem uma referência
dupla. Há também a "noite", introduzida em 3.1, que foi estragada
pelo próprio "temor noturno" da jovem. Esses temores foram banidos,
pelo menos durante algum tempo, pela esplêndida visão de Salomão com seus
homens de guerra (vs. 2-4, nota).
* 3.11 Sião.
Um nome alternativo de Jerusalém (p.ex., Is 40.9).
com a coroa. Não temos aqui uma alusão à coroa do rei, mas o tipo de
coroa usada pelas noivas e pelos noivos, nos casamentos judaicos. Esse costume
foi abandonado pelos judeus em sua tristeza causada pela trágica guerra contra
os romanos e pela perda de Jerusalém (70 d.C.). Há um provérbio rabínico que
diz que "um noivo se assemelha a um rei".
sua mãe. A estrutura da família, refletida em Cantares, parece ser
matriarcal (1.6; 3.4; 6.9; 8.1,2,5). Não há qualquer referência a um pai, e
dentro do relacionamento entre os apaixonados parece haver mutualidade. Não
obstante, há elementos de domínio masculino no Livro de Cantares, notavelmente
o papel desempenhado pelos irmãos da jovem (1.6; 8.8,9) e pelos guardas (5.7).
no dia do seu
desposório. O Salomão verdadeiro teve
muitos casamentos (1Rs 11.3). O dia em vista aqui tem um ideal romântico (vs.
6-11, nota).
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sergiovalentin