* 1.1 Ver
Introdução: Autor; Título.
* 1.2-4 Expressões
postas na terceira pessoa em 1.2 e 1.4 ("Beija-me com os beijos da tua
boca... O rei me introduziu") abrem e fecham o parágrafo, que noutras
passagens está na segunda pessoa ("teu nome"... "teu amor").
A jovem oscila entre pensar sobre seu amado ausente e dirigir-se a ele como se
ele estivesse presente.
* 1.4 O
rei me introduziu nas suas recâmaras. Temos aqui a primeira das cinco
ocorrências da palavra "rei" (1.4,12; 3.9,11; 7.5). Aqui no v. 4, há
duas possibilidades: ou o rei é Salomão, que havia tentado, sem sucesso,
conquistar os afetos da jovem, ou ele é o amado a quem ela, romanticamente,
fantasia como o seu rei. Esta última interpretação é a preferida (ver
Introdução: Características e Temas). O parágrafo termina como começou, com a
jovem referindo-se a seu amado ausente na terceira pessoa do singular (vs. 2-4,
nota).
Em ti nos
regozijaremos e nos alegraremos. As
"filhas de Jerusalém" (v. 5) concordam com a jovem em que o amor do
seu amado é melhor do que o vinho (v. 2).
* 1.5,6 A jovem responde à crítica sobre
a cor da sua pele (vs. 5, "eu estou morena") por parte das filhas de
Jerusalém (5.10-16, nota). Ela estava queimada de sol porque os irmãos dela a
tinham posto a trabalhar nas vinhas, e, em consequência, ela não fora capaz de
cuidar apropriadamente de sua "própria vinha" (o corpo dela, v. 6).
tendas de Quedar. As tribos beduínas que residiam na fímbria dos desertos a
leste de Israel, fabricavam suas tendas de pêlos escuros de cabra.
Lugares Mencionados
nos Cantares de Salomão
Desde os picos do Líbano até às ruas de Jerusalém (Ct
4.8; 6.4), a história de amor em Cantares de Salomão desenrola-se em vários
contextos. Os amados referem-se e dirigem-se ao outro, usando várias quadros verbais,
incluindo "a rosa de Sarom" (Ct 2.1), "o lírio dos vales"
(Ct 2.1) e "as vinhas de En-Gedi" (Ct 1.14).
Líbano Senir Damasco
Monte Hermom Monte Carmelo
Sunem Sarom Tirza
Monte Gileade Jerusalém
Hesbom
En-Gedi Quedar
* 1.8 ó
mais formosa entre as mulheres. Em outros lugares, essa forma de tratamento
só foi usada pelas "filhas de Jerusalém" (5.9; 6.1). Se quem fala
aqui são as mesmas "filhas de Jerusalém", cujos olhares críticos são
referidos no v. 6, então a atitude delas parece ter mudado. Mais provavelmente,
porém, as palavras delas aqui são sarcásticas (5.8,9).
* 1.9 Às
éguas dos carros de Faraó. Salomão começou o seu reinado fazendo uma
aliança de casamento com Faraó (1Rs 3.1). Ele também comerciou com cavalos
egípcios (1Rs 10.28), e os carros de combate de Faraó, com seus dois cavalos
tornaram-se muito conhecidos e admirados em Israel. O que é contemplado aqui
teria sido excepcional: uma égua enfeitada entre os garanhões, causando
admiração e excitação.
* 1.11 (Nós)
te faremos. No v. 4, as "filhas de Jerusalém" reverberam os
elogios da jovem a seu amado; aqui, porém, elas respondem semelhantemente aos
elogios dele a ela. O sujeito no plural (nós,
subentendido em português) é contra tomarmos este versículo como uma fala do
amado da jovem a usar uma linguagem própria da corte. O chamado plural de
majestade não era usado na literatura do antigo Oriente Próximo e Médio.
* 1.12 o
rei. O amado da jovem novamente aparece como um rei, conforme é indicado no
versículo seguinte.
à sua mesa. O original hebraico tem aqui uma expressão incomum,
literalmente, "à sua volta". Essa volta não é uma mesa, mas erva e
árvores (vs. 16 e 17). A jovem estava pensando nos tempos em que ela e seu
amado passavam tempos sozinhos nos bosques.
* 1.14 En-Gedi.
Esse oásis luxuriante ficava a meio caminho para quem descia para as praias
ocidentais do mar Morto.
* 1.15 Os
teus olhos são como os das pombas. O ponto da comparação não é declarado.
Talvez esteja em foco a meiguice de seu olhar. A jovem retribui o cumprimento
indiretamente, em 5.12.
* 2.1 a
rosa. O original hebraico indica uma planta da família do bulbo, como um
narciso.
Sarom. A planície que se estendia para o sul, desde o monte
Carmelo, seguindo as costas do mar Mediterrâneo. Neste versículo, a jovem
compara-se, modestamente, a alguma flor silvestre bem conhecida.
* 2.4 sala
do banquete. Literalmente, "sala do vinho". O cenário é ao ar
livre (1.12, nota). A "casa" dos amantes, até essa altura, tinha sido
a floresta (1.16,17). Mas agora eles passam para uma "casa"
diferente, a saber, a vinha do jovem, a sua "casa" do vinho. Essa
expressão continua a linguagem figurada da realeza de 1.4,12 (o pastor é um
rei), e a comparação entre o amor e o vinho aparece em 1.2.
o seu estandarte. Estandartes comumente adornavam salões de banquete reais,
mas esta sala do banquete, ou "casa do vinho" era diferente. Tinha
somente um estandarte, o amor, e esse também era o único "vinho" que
seria consumido durante o banquete.
* 2.5 com
passas... com maçãs. As passas ou "bolos de passas" são
associadas, em outros lugares do Antigo Testamento, com os ritos religiosos,
algumas vezes até em um contexto pagão (2Sm 6.19; Os 3.1). Isso tem feito
alguns comentaristas suporem que os Cânticos de Salomão originaram-se como uma
peça escrita de um rito de fertilidade pagão envolvendo o sexo ritual (cf. Os
4.11-14). Mas os atos de amor no Livro de Cantares não têm uma dimensão
religiosa óbvia. As passas, neste caso, tal como as maçãs, são simples afrodisíacos.
A jovem pediu passas de uvas e maçãs para renovar as suas forças.
* 2.7 Quanto
a comentários sobre este refrão, que também ocorre em 3.5 e 8.4, ver
Introdução: Características e Temas. Aqui o refrão nos faz lembrar que o ato de
amor até aqui foi só imaginado, sem tornar-se real, a despeito da linguagem
vívida.
* 2.8-17 A linguagem figurada do
pastor-amado como uma gazela ou um gamo novo, nas colinas, introduz e conclui
esta seção, outro encontro imaginário entre os dois apaixonados. Após ter-se
dirigido de modo breve às filhas de Jerusalém, no v. 7, a jovem retorna a seus
pensamentos meditativos.
* 2.14 mostra-me
o teu rosto. A troca para a forma feminina do pronome possessivo
"teu", no hebraico, sugere que este versículo e o seguinte devem ser
atribuídos ao pastor, "o amado".
* 2.15 as
raposinhas, que devastam os vinhedos. As raposas são o único elemento
negativo no cenário em tudo o mais ideal, dos vs. 10-15. O imperativo sem
qualquer sujeito específico é como se fosse um passivo ("Que as raposas
sejam apanhadas"), e o versículo inteiro exprime o desejo, da parte dos
apaixonados, que coisa alguma tenha permissão de interferir em seu ato de amor.
* 2.16 ele
apascenta o seu rebanho entre os lírios. Em face do contexto, o mais
provável é que tenhamos aqui uma metáfora para a intimidade do amor. Ver nota
no v. 15 e 6.2.
* 2.17 Antes
que refresque o dia, e fujam as sombras. Tradicionalmente, estas linhas têm
sido interpretadas juntamente com aquilo que se segue, mas elas podem fazer um
melhor sentido se lidas em companhia do v. 16. Os amados estiveram juntos a
noite inteira, e quando o dia irrompe, eles precisavam separar-se. O retorno do
jovem às colinas assinala o fim do trecho que se abriu no v. 8 (ver 2.8-17,
nota).
* 3.1 De
noite, no meu leito. A jovem não estava mais com o seu amado, mas sozinha,
no leito dela, imaginando vários encontros com ele. Uma indicação mais
explícita de que ela estava sonhando aparece em 5.2. Não é claro onde o sonho
começa ou termina, mas por certo essa é uma das grandes características do
Livro (Introdução: Características e Temas).
* 3.2-4 Esta busca da jovem pelo seu
amado segue-se ao sonho dela durante a noite, ou é, ela mesma, um de seus
sonhos. A presença dos guardas, a patrulharem as ruas da cidade, indica que era noite, e que temos
aqui, provavelmente, um sonho. O trecho paralelo de 5.2-8 é um sonho (5.2).
Ambos os sonhos têm característica de pesadelo, e aquele no capítulo cinco, é
mais obviamente pesadelo do que este (ver especialmente 5.7).
* 3.4 em casa de minha mãe. Presumivelmente,
esse era o lugar onde a jovem solteira dormia (v. 1). Em seu sonho, ela trouxe
o seu amado para a casa dela.
* 3.5 A segunda ocorrência do refrão
confirma que o ato de amor, neste estágio, era imaginário, e não real. A
consumação permanece no futuro (2.7, nota).
* 3.6-11 Posta entre as duas indicações de que a jovem estava no
leito (3.1; 5.2), esta cena de casamento é melhor tomada como parte do sonho da
jovem. Um pesadelo cede lugar à fantasia. Ela sonha sobre o dia do casamento,
transformado em uma ocasião real, tendo seu amado como rei, o magnificente
Salomão. Não foi essa a primeira vez em que ela o imaginou assim (1.4,12; 2.4).
* 3.8 por
causa dos temores noturnos. Os homens de Salomão formaram um corpo de guarda-costas,
como proteção contra assaltantes, visto que os casamentos eram celebrados após
a chegada da noite. Mas este versículo tem uma referência dupla. Há também a
"noite", introduzida em 3.1, que foi estragada pelo próprio
"temor noturno" da jovem. Esses temores foram banidos, pelo menos
durante algum tempo, pela esplêndida visão de Salomão com seus homens de guerra
(vs. 2-4, nota).
* 3.11 Sião.
Um nome alternativo de Jerusalém (p.ex., Is 40.9).
com a coroa. Não temos aqui uma alusão à coroa do rei, mas o tipo de
coroa usada pelas noivas e pelos noivos, nos casamentos judaicos. Esse costume
foi abandonado pelos judeus em sua tristeza causada pela trágica guerra contra
os romanos e pela perda de Jerusalém (70 d.C.). Há um provérbio rabínico que
diz que "um noivo se assemelha a um rei".
sua mãe. A estrutura da família, refletida em Cantares, parece ser
matriarcal (1.6; 3.4; 6.9; 8.1,2,5). Não há qualquer referência a um pai, e
dentro do relacionamento entre os apaixonados parece haver mutualidade. Não
obstante, há elementos de domínio masculino no Livro de Cantares, notavelmente
o papel desempenhado pelos irmãos da jovem (1.6; 8.8,9) e pelos guardas (5.7).
no dia do seu
desposório. O Salomão verdadeiro teve
muitos casamentos (1Rs 11.3). O dia em vista aqui tem um ideal romântico (vs.
6-11, nota).
* 4.1—5.1 Nesta única unidade o homem
elogia a sulamita (4.1-15); ela retruca com um convite (4.16); e ele aceita o
convite (5.1).
* 4.1 monte
de Gileade. Um elevado platô, a leste do rio Jordão.
* 4.4 a
torre de Davi. A localização dessa torre é desconhecida. Não se trata da
atual torre de Davi, do lado de dentro do portão de Jafa, em Jerusalém, visto
que este portão não é mais antigo do que os tempos de Herodes o Grande. O
pescoço da jovem estava adornado com jóias, tal como aquela famosa torre estava
adornada com escudos.
* 4.6 Antes
que refresque o dia. Aproximava-se o tempo
em que os amados deveriam separar-se (2.17, nota).
monte de mirra...
outeiro do incenso. O incenso, tal e qual
a mirra, era uma especiaria aromática importada (cf. Mt 2.11). Apesar da
linguagem exótica, a referência mais provável é à região montanhosa local,
fragrante com inflorescências da primavera (cf. 1.13-17).
* 4.8 Noiva
minha. Essa palavra, ("esposa" no hebraico original), não foi
usada literalmente, mas como um termo de afeto, em antecipação ao casamento
futuro.
Líbano... Amana...
Senir... Hermom. Todos esses locais
estão na região norte mais remota da Palestina. Não devemos imaginar que a
jovem habitava no cume do monte Hermom. Antes, esses nomes locativos eram
símbolos do caráter inacessível da jovem que o namoro deveria vencer.
* 4.9 minha
irmã. Nos idiomas do Oriente Próximo e Médio, "irmã" era comumente usada pelos apaixonados
como termo de carinho. Expressava uma proximidade entre pessoas que não eram
membros de uma mesma família.
* 4.10 do
que o vinho. Volta agora o cumprimento de 1.2.
* 4.12 Jardim
fechado és tu... manancial recluso. Essas são figuras de linguagem da
virgindade.
manancial... fonte. O seu amado anelava por ela como um viajante sedento
anela por águas refrescantes (Pv 5.15-20).
* 4.13,14 Os
teus renovos. A imagem do jardim fechado é desenvolvido mais ainda (v. 12,
nota). As "plantas" aludem aos deleites antecipados do ato de amor.
* 4.15 poço
das águas vivas. Essa linguagem exprime como o jovem gostaria que sua
querida fosse: não mais uma fonte selada (v. 12 e nota). Há um convite
implícito à entrega sexual.
* 4.16 Venha
o meu amado para o seu jardim. A jovem destrancou o "jardim" de
sua virgindade para o seu amado (v. 12, nota).
* 5.1 Já
entrei no meu jardim. O amado aceita o convite de sua amada.
minha irmã, noiva
minha. A natureza inacessível da
jovem fora finalmente vencida (4.8).
Comei e bebei... ó
amados. Aqueles que assim disseram não
são especificados, mas reverberam a linguagem usada pelo pastor nas duas linhas
anteriores ("comi", "bebi"). Comer e beber são, com
frequência, linguagem figurada para o ato do amor. A jovem sonha com o tempo em
que sua relação com seu amado não somente será consumada, mas terá a aprovação
da família e dos amigos.
* 5.2 Eu
dormia... velava. Ver notas em 3.1 e 3.2-4.
* 5.5 mirra
preciosa. A mirra, em seu estado líquido e virgem, exatamente como flui da
árvore, era uma substância rara e preciosa (cf. Êx 30.23). Não é claro, no
original hebraico, se a jovem aplicou a mirra liberalmente a si mesma, antes de
ir à porta, ou se seu amado, desapontado, deixara a mirra sobre a porta, como
sinal de seu amor. A repetição da expressão exata, no v. 13, favorece um pouco
esta última possibilidade.
* 5.6 tinha
ido embora. Neste ponto, o sonho da jovem se transforma em um pesadelo,
quando os seus temores se erguem para assustá-la. Primeiramente, houve o temor
de perder o amado.
* 5.7 Espancaram-me
e feriam-me; tiraram-me o manto. O pesadelo continuava, quando a jovem
agora sonhava que estava sendo atacada (v. 6, nota). A noiva futura tanto anela
pelo amor como teme o amor, e o sonho combina esses anelos e esses temores.
* 5.10-16 Em
reação à desvalorização implícita de seu amado, pelas filhas de Jerusalém (v.
9), a jovem o elogia em termos elaborados. A situação é paralela à de 1.5,6,
onde a jovem respondera a uma crítica implícita de sua cor, pelo mesmo grupo de
mulheres.
* 5.12 Os
seus olhos são como os das pombas. O elogio de 1.15 e 4.1 é devolvido
(1.15, nota). O contraste com "cachos... pretos como o corvo", na
linha anterior, é notável. A descrição feita pela jovem sugere que o amado dela
exibe tanto força quanto ternura.
lavados em leite. Essa figura de linguagem provavelmente refere-se ao
branco dos olhos. A descrição dos olhos, neste versículo, serve de exemplo de
metáfora mista.
* 5.13 gotejam
mirra preciosa. Lit., "gotejando mirra fluente". Ver nota no v.
5.
* 5.14 jacintos.
Não se pode determinar a pedra preciosa exata aqui mencionada. Em Êx 28.20,
o mesmo tipo de pedra é engastada em ouro, no peitoral usado pelo sumo
sacerdote.
* 5.16 Tal
é o meu amado, tal, o meu esposo. O relacionamento entre um homem e uma
mulher em Cantares, é mais amplo do que o ato do amor, embora seja central ao
mesmo. Envolve também o companheirismo.
* 6.1 E
o buscaremos contigo. O animado elogio da jovem ao seu amado parece ter
convencido as filhas de Jerusalém de que ele era digno de ser procurado (cf.
5.9). Mas não fica claro se elas querem encontrá-lo por amor à jovem, ou por
interesse próprio.
* 6.2,3 A linguagem destes dois
versículos foi extraída das duas passagens anteriores que tratam de encontros
imaginários entre a jovem e seu amado (5.1 e 2.16). O mais provável é que ela
suspeitasse dos motivos delas (v. 1, nota), motivo pelo qual na realidade ela
tivesse rejeitado o oferecimento das filhas de Jerusalém para ajudá-la na busca
do amado dela, e tenha voltado a pensar sobre seus momentos de intimidade com
ele.
* 6.4 Tirza.
Essa cidade, que ficava a quase dez quilômetros a nordeste de Siquém, na
Palestina central, ocupava um território de grande beleza natural. Foi a
capital do reino do norte, Israel, por aproximadamente cinquenta anos, após a
morte de Salomão. Continuou sendo um local de intrigas políticas até que foi
destruída no século VII a.C. (1Rs 14.17; 15.21; 16.8-18; 2Rs 15.14-16). A
referência positiva a Tirza, neste lugar, particularmente no paralelo com
Jerusalém, dá apoio ao ponto-de-vista tradicional de que o livro de Cantares
originou-se nos dias de Salomão, antes que a hostilidade entre as tribos do
norte e do sul levasse à divisão em dois reinos distintos.
* 6.5 Gileade.
Ver nota em 4.1.
* 6.8,9 As duas referências a rainhas e
concubinas indicam que os vs. 8 e 9 devem ser analisados como um só verso. Aos
olhos de seu amado, a jovem é mais bela do que todas as mulheres do harém de
Salomão (8.11,12 e notas).
* 6.8 Sessenta...
oitenta. No seu apogeu, o harém de Salomão continha muito mais esposas e
concubinas do que isso (1Rs 11.13), e já há a sugestão de seu crescimento
futuro na expressão "virgens sem número".
concubinas. Uma concubina não era uma parceira de sexo ilícito ou
casual, mas uma esposa de situação secundária (Gn 25.6; 36.12; Jz 20.4).
* 6.9 pomba,
a minha imaculada. Em seus sonhos, a mente da jovem retorna por várias
vezes aos termos de carinho usados por seu amado (5.2).
de sua mãe, a única. O relacionamento íntimo entre a filha e sua mãe
transparece neste livro (3.11, nota), mas não há qualquer sinal de
possessividade por parte da mãe.
* 6.10 Quem
é esta. É a jovem que estava sendo elogiada aqui, provavelmente pelas
rainhas e concubinas (vs. 9).
alva do dia... lua...
sol. A jovem foi aqui descrita
quase como se fosse uma deusa.
formidável como um
exército com bandeiras. A frase é uma
repetição exata da linha final do v. 4. O elogio dado aqui é um eco do elogio
do amado da jovem, e completa a unidade (vs. 4-10).
* 6.12 O original hebraico deste
versículo é difícil. No mínimo, o versículo indica que a jovem continuava
sonhando ou fantasiando, que ela era uma princesa, e de que o seu amado era um
príncipe ou um rei. Ver nota em 3.6-11.
* 6.13 Volta.
Os oradores eram do sexo masculino, conforme é indicado pela resposta da
jovem, aqui: "Por que quereis contemplar a Sulamita...?" Esses
homens, o mais provavelmente é que eles sejam os guardas de 5.7, de quem,
presumivelmente, ela havia fugido. Essa identificação explicaria a sugestão de
sensualidade na chamada deles. Nesse caso, ela continuava sonhando. Uma
qualidade de pesadelo retorna brevemente neste versículo, para então
desaparecer, devido ao aparecimento oportuno do amado da jovem.
sulamita. Essa designação provavelmente refere-se à cidade natal da
jovem, como uma variante do nome "sunamita" (1Rs 1.3,15; 2.17-22).
Maanaim. Ver a nota textual. Maanaim era o nome de uma cidade a
leste do rio Jordão (Gn 32.2). A natureza da "dança de Maanaim" é
desconhecida, mas os verbos "contemplemos" e "contemplar"
sugerem que a honra da jovem teria sido comprometida se ela dançasse, levando
seu amado a intervir, como ele acabou intervindo.
* 7.1 ó
filha do príncipe! "Príncipe",
aqui, é a mesma palavra traduzida como "nobre", em 6.12. Ali a jovem
imaginou ser uma princesa; aqui ela imaginou seu amado chamando-a como tal. Na
vida diária, porém, ela era uma jovem camponesa (1.5,6).
* 7.4 Hesbom.
Essa cidade ficava a leste do rio Jordão, defronte de Jerusalém. Ela foi
capturada pelos israelitas nos tempos de Moisés (Nm 21.25,26). Escavações têm
revelado ali grandes reservatórios, próximos da cidade, talvez as piscinas aqui
mencionadas.
à porta de
Bate-Rabim. Bath Rabbim ("filha
de muitos") provavelmente é o nome de um portão, possivelmente um dos
portões de Hesbom.
a torre do Líbano. A identidade dessa torre é desconhecida. A sua grande
altura, sugerida por "que olha para" Damasco, tem levado alguns
comentadores a pensarem que a referência é às montanhas do Líbano (cf. v. 5).
* 7.5 como
o monte Carmelo. Lit., "como o Carmelo". Há dois lugares no
Antigo Testamento com esse nome. Um deles fica no sul relativamente árido, nas
colinas a oeste do mar Morto (1Sm 15.12). O outro é o famoso monte onde o
profeta Elias confrontou os profetas de Baal (1Rs 18), no norte verdejante. É
provável que a referência aqui seja ao segundo desses lugares, como uma
comparação favorável. O monte Carmelo fica na costa do mar Mediterrâneo, um
tanto a oeste do mar de Quinerete (da Galiléia).
um rei. O homem se imagina um rei, encantado pela beleza de sua
princesa (v. 1; cf. 1.4,12; 6.12).
* 7.8 subirei...
pegarei. Esses são quadros próprios do ato do amor (v. 7; cf. 5.1).
* 7.9-13 Aqui, tal como em 4.16, a mulher
corresponde aos gestos de namoro de seu amado com uma entrega feliz.
* 7.13 mandrágoras.
Essa planta tinha flores púrpura e um fruto alaranjado, parecido com o
tomate, e acreditava-se que era um afrodisíaco (Gn 30.14-16).
às nossas portas. O lugar imaginário de encontros dos apaixonados era ao ar
livre (v. 12); "às nossas portas" significava somente "ali
perto". Note o leitor o uso figurada da "casa", em 1.17.
* 8.1 como
meu irmão. A palavra chave aqui é "como". Naturalmente, ela não
desejava que seu amado fosse seu irmão, mas somente que ela tivesse a liberdade
de beijá-lo em público e ir na companhia dele a qualquer lugar, sem atrair
comentários.
* 8.2 na
casa de minha mãe. Ver nota em 3.4.
e tu me ensinarias. O original hebraico também poderia ser traduzido por
"ela me ensinaria". E o contexto parece requerer essa última
possibilidade de tradução. O homem conduziria a mulher na arte do amor.
* 8.3 Este
versículo é idêntico a 2.6. Em ambos os casos, a jovem estava sonhando estar
nos braços de seu amado.
* 8.4 Ocorrendo
aqui pela terceira e última vez, o refrão aponta para a consumação que ainda
ocorreria (2.7; 3.5; Introdução: Características e Temas).
* 8.5 Quem
é esta que sobe do deserto. Essa frase é uma repetição exata de 3.6, que
introduz a cena de casamento no sonho da jovem (3.6-11, nota). Agora o sonho
cedeu lugar à realidade. O par feliz, casado finalmente, não mais tem que
ocultar seu relacionamento, mas podem andar em público de braços dados
(contrastar o vs. 1 e nota).
encostada ao seu
amado. Esta declaração simples
captura uma pose íntima e típica de um homem e sua mulher.
te despertei. Ou seja, "comecei a cortejar-te". O próprio
texto hebraico não deixa claro se foi a jovem ou o amado dela quem falou aqui,
e nas próximas três linhas. A tradição, conforme é indicado pelos sinais
vocálicos adicionados mais tarde, faz a jovem ter falado. O conteúdo das linhas
sugere que o homem é quem estava falando, pelo menos até o fim do v. 5. Seja
como for, a passagem indica que a consumação tivera lugar, e o casal relembra
como tudo começou.
ali. Presumivelmente, isso não se refere à "macieira",
mas ao lar dos pais dela, do qual se estavam agora aproximando. A jovem tinha
sonhado em trazer para a sua casa o seu amado (3.4; 8.2); e agora ela faz isso,
na realidade.
* 8.6 como
selo. O "selo" era um sinete feito de metal ou de pedra, e usado
pendurado em um colar, sobre o coração, ou como uma faixa para ser usada no
braço (Gn 38.18).
o amor é forte como a
morte. O amor é tão forte como a
mais poderosa e negativa experiência humana. Essa frase assinala o começo de um
breve "hino ao amor", proferido pela noiva.
o ciúme. Em paralelo com o "amor", aqui, o
"ciúme" é um zelo positivo, semelhante ao ciúme de Deus (Êx 20.5; Jo
2.17). Tal como o amor de Deus, o amor aqui celebrado não tolera rivais.
brasas de fogo. Lit., "a chama de Yah", onde "Yah" é
uma forma abreviada do nome divino, Yahweh.
O uso dessa expressão confirma que há uma comparação implícita com o amor
divino.
* 8.8-10 O
clímax dos Cantares de Salomão fora atingido e ultrapassado (ver Introdução:
Características e Temas). Mas ainda havia espaço para algumas lembranças. Nesta
unidade, a mulher relembra quão possessivos e protetores foram seus irmãos,
quando ela ainda era jovem demais para casar-se (1.6).
* 8.8 em
que for pedida. Ou seja, pedida como noiva.
* 8.9 Se
ela for um muro. Isto é, se ela for firme em sua recusa à proposta de
casamento. A reação dos seus irmãos a essa resposta será edificar sobre esse
muro uma torre de prata, isto é, eles confirmarão a recusa dela e a honrarão
por isso.
se for uma porta. Em outras palavras, se ela aceitar a proposta. Então os
seus irmãos a cercariam com "tábuas de cedro", ou seja, lhe recusarão
a permissão de ela casar-se.
* 8.10 Eu
sou um muro, e os meus seios, como as suas torres. A menina afirmou a força
de sua integridade moral, e também a sua maturidade sexual (contrastar o v. 8).
fui tida por digna de
confiança. Um completo bem-estar. No
hebraico original temos aqui a palavra shalom.
Por implicação, os Cantares de Salomão apontam para a relação do casamento
como a situação em que a paz e a realização devem ser achadas.
* 8.11 uma
vinha em Baal-Hamom. Alguns intérpretes têm considerado essa
"vinha" como uma metáfora do harém de Salomão, mas a designação de um
lugar específico sugere outra coisa. A localização de Baal-Hamom é desconhecida.
cada um lhe trazia
pelo seu fruto. Os guardas traziam o
dinheiro apurado com a venda das uvas.
* 8.12 A expressão "a vinha que me
pertence" sugere que este versículo foi dito pela mulher. Aqui, tal como
em 1.8, o uso literal da "vinha" é seguida por um uso metafórico. A
"vinha" da jovem é o corpo dela, com sua beleza natural e rústica.
Ela contentava-se com seu tesouro para compartilhar com aquele a quem ela
amava. Salomão podia guardar a preciosidade dele.
* 8.13 companheiros.
Provavelmente os convidados à cerimônia do casamento.
faze-me, pois, também
ouvi-la. O noivo anela estar com a
sua noiva.
* 8.14 Vem
depressa, amado meu. O desejo era mútuo. Ela o convidou a vir com ela,
usando de uma linguagem que fazia lembrar seus sonhos com o ato do amor (2.8,9;
4.6).
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sergiovalentin