*          1.1                   No ano terceiro. O terceiro ano do reinado de Jeoaquim foi o ano de 605 a.C. Naquele ano, Nabucodonosor derrotou uma coligação entre a Assíria e o Egito, em Carquemis, e assim teve início a ascensão da Babilônia como uma potência internacional. Depois da batalha de Carquemis, Nabucodonosor avançou contra Jeoaquim (2Rs 24.1,2; 2Cr 36.5-7), e levou cativos a alguns judeus, incluindo Daniel. Essa foi a primeira das três invasões de Judá por parte de Nabucodonosor. A segunda ocorreu em 597 a.C. (2Rs 24.10-14); e a terceira delas teve lugar em 587 a.C. (2Rs 25.1-24). No livro de Jeremias, o ataque de Nabucodonosor ocorreu no quarto ano de Jeoaquim, e não no seu terceiro ano (Jr 25.1; 46.2). A diferença de um ano ocorreu por causa da cronologia babilônica, que Daniel, segundo parece, usou, pois o reinado dos reis babilônicos era contado a partir do primeiro dia do ano seguinte, e não da data real da ascensão ao trono.

 

Nabucodonosor, rei da Babilônia. Nabucodonosor conduziu os babilônios à vitória em Carquemis, como príncipe coroado e comandante do exército babilônico. Pouco depois dessa vitória, ele assumiu o trono da Babilônia, quando morreu seu pai, Nabopolassar, (626—605 a.C.). O reinado de Nabucodonosor (605—562 a.C.) é o contexto histórico de grande parte dos livros de Jeremias, Ezequiel e Daniel.

 

*          1.2                   O SENHOR lhe entregou nas mãos. A derrota de Israel pelos babilônios não pode ser explicada simplesmente pela análise de fatores militares e políticos. Deus estava operando nas atividades das nações, e ele usou os babilônios para julgar o seu próprio povo de Israel, por causa das suas transgressões (2Rs 17.15,18-20; 21.12-15; 24.3,4).

 

na casa do tesouro do seu deus. Marduque era a principal divindade do panteão babilônio (cf. Jr 50.2 e as referências laterais.

 

*          1.4       a cultura... dos caldeus. A escrita dos caldeus era feita com caracteres cuneiformes modelados com a ajuda de um estilete sobre a argila mole, que mais tarde era levada ao forno, para torná-la um documento permanente. Os arqueólogos têm encontrado milhares dessas tábuas de argila. Os babilônios adoravam a muitos deuses e a cultura deles era repleta de artes mágicas, feitiçaria e astrologia. A linguagem comum da Babilônia era o aramaico (2.4 e nota).

 

*          1.5                   finas iguarias da mesa real. Jeoaquim mais tarde recebeu tal provisão alimentar, sob o governo do rei babilônio, Evil-Merodaque (2Rs 25.27-30).                                

 

*          1.6                   Daniel, Hananias, Misael e Azarias. Nesses nomes pessoais hebraicos, o componente el significa "Deus", ao passo que yah é uma forma do nome de Deus, "Yahweh" (Sl 50.1, nota). Portanto, Daniel significa "meu juiz é Deus"; Hananias, "Yahweh é gracioso"; Misael, "Quem é o que Deus é?" e Azarias, "Yahweh tem ajudado".

 

*          1.7                   Beltessazar... Sadraque... Mesaque... Abede-Nego. As sugestões quanto aos significados desses nomes incluem: Beltessazar, "que Bel proteja a sua vida"; Sadraque, "o mandamento de Acu" (deus-lua dos sumérios); Mesaque, "quem é o que Acu é?" e Abede-Nego é "servo de Nebo" (uma divindade babilônica). Bel é um outro nome para Marduque, a principal divindade babilônica (cf. 4.8).

 

*          1.8                   não contaminar-se. Não encontra-se explícita a razão para a conclusão de Daniel de que ele e seus amigos se contaminariam por causa da comida do rei. Talvez isso envolvesse a violação das leis dietéticas de Moisés (Lv 11 e 17).

 

*          1.15                 A sua aparência era melhor. A obediência a Deus, por parte de Daniel e seus amigos, e a recusa deles comprometerem a sua fé em um ambiente pagão, foi recompensada com a bênção divina (cf. Dt 8.3 e Mt 4.4).

 

 

*          1.17                 Deus deu o conhecimento e a inteligência. A bênção divina não se limitou ao bem-estar físico, mas incluiu, igualmente, um desenvolvimento intelectual notável durante seus três anos de educação babilônica.

 

visões e sonhos. Tendo em mente o que se segue no livro (caps. 2; 4 e 5), Daniel se destaca de seus companheiros pela sua habilidade de interpretar sonhos e visões, mais ou menos como aconteceu a José, estando ele no paláio de Faraó (Gn 40.8 e 41.16).

 

*          1.18                 Vencido o tempo determinado. Isto é, terminados os três anos mencionados no v. 5.

 

*          1.20                 magos e encantadores. O termo traduzido aqui por “magos” também é usado em Gn 41.8,24 e Êx 7.11. E a palavra aqui traduzida por “encantadores” pode ser encontrada somente aqui e em 2.2, podendo ser traduzida por “feiticeiro” ou “adivinhador”. Sem importar o método usado por esses conselheiros reais para adquirir conhecimento, Daniel e seus amigos foram capazes de demonstrar um discernimento superior sobre as questões nas quais foram interrogados.

 

*          1.21                 até ao primeiro ano do rei Ciro. A Babilônia caiu diante de Ciro em 539 a.C., ou seja 66 anos depois que Daniel fora levado cativo para a Babilônia. Daniel viveu durante o período inteiro do cativeiro babilônico. No primeiro ano de seu governo, Ciro publicou um decreto permitindo que os israelitas voltassem do cativeiro, levando consigo os utensílios do templo que tinham sido tomados por Nabucodonosor (Ed 1.7-11). Essa declaração não quer dizer que Daniel morreu no primeiro ano do reinado de Ciro (10.1).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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