*          1.1                   No ano terceiro. O terceiro ano do reinado de Jeoaquim foi o ano de 605 a.C. Naquele ano, Nabucodonosor derrotou uma coligação entre a Assíria e o Egito, em Carquemis, e assim teve início a ascensão da Babilônia como uma potência internacional. Depois da batalha de Carquemis, Nabucodonosor avançou contra Jeoaquim (2Rs 24.1,2; 2Cr 36.5-7), e levou cativos a alguns judeus, incluindo Daniel. Essa foi a primeira das três invasões de Judá por parte de Nabucodonosor. A segunda ocorreu em 597 a.C. (2Rs 24.10-14); e a terceira delas teve lugar em 587 a.C. (2Rs 25.1-24). No livro de Jeremias, o ataque de Nabucodonosor ocorreu no quarto ano de Jeoaquim, e não no seu terceiro ano (Jr 25.1; 46.2). A diferença de um ano ocorreu por causa da cronologia babilônica, que Daniel, segundo parece, usou, pois o reinado dos reis babilônicos era contado a partir do primeiro dia do ano seguinte, e não da data real da ascensão ao trono.

 

Nabucodonosor, rei da Babilônia. Nabucodonosor conduziu os babilônios à vitória em Carquemis, como príncipe coroado e comandante do exército babilônico. Pouco depois dessa vitória, ele assumiu o trono da Babilônia, quando morreu seu pai, Nabopolassar, (626—605 a.C.). O reinado de Nabucodonosor (605—562 a.C.) é o contexto histórico de grande parte dos livros de Jeremias, Ezequiel e Daniel.

 

*          1.2                   O SENHOR lhe entregou nas mãos. A derrota de Israel pelos babilônios não pode ser explicada simplesmente pela análise de fatores militares e políticos. Deus estava operando nas atividades das nações, e ele usou os babilônios para julgar o seu próprio povo de Israel, por causa das suas transgressões (2Rs 17.15,18-20; 21.12-15; 24.3,4).

 

na casa do tesouro do seu deus. Marduque era a principal divindade do panteão babilônio (cf. Jr 50.2 e as referências laterais.

 

*          1.4       a cultura... dos caldeus. A escrita dos caldeus era feita com caracteres cuneiformes modelados com a ajuda de um estilete sobre a argila mole, que mais tarde era levada ao forno, para torná-la um documento permanente. Os arqueólogos têm encontrado milhares dessas tábuas de argila. Os babilônios adoravam a muitos deuses e a cultura deles era repleta de artes mágicas, feitiçaria e astrologia. A linguagem comum da Babilônia era o aramaico (2.4 e nota).

 

*          1.5                   finas iguarias da mesa real. Jeoaquim mais tarde recebeu tal provisão alimentar, sob o governo do rei babilônio, Evil-Merodaque (2Rs 25.27-30).                                

 

*          1.6                   Daniel, Hananias, Misael e Azarias. Nesses nomes pessoais hebraicos, o componente el significa "Deus", ao passo que yah é uma forma do nome de Deus, "Yahweh" (Sl 50.1, nota). Portanto, Daniel significa "meu juiz é Deus"; Hananias, "Yahweh é gracioso"; Misael, "Quem é o que Deus é?" e Azarias, "Yahweh tem ajudado".

 

*          1.7                   Beltessazar... Sadraque... Mesaque... Abede-Nego. As sugestões quanto aos significados desses nomes incluem: Beltessazar, "que Bel proteja a sua vida"; Sadraque, "o mandamento de Acu" (deus-lua dos sumérios); Mesaque, "quem é o que Acu é?" e Abede-Nego é "servo de Nebo" (uma divindade babilônica). Bel é um outro nome para Marduque, a principal divindade babilônica (cf. 4.8).

 

*          1.8                   não contaminar-se. Não encontra-se explícita a razão para a conclusão de Daniel de que ele e seus amigos se contaminariam por causa da comida do rei. Talvez isso envolvesse a violação das leis dietéticas de Moisés (Lv 11 e 17).

 

*          1.15                 A sua aparência era melhor. A obediência a Deus, por parte de Daniel e seus amigos, e a recusa deles comprometerem a sua fé em um ambiente pagão, foi recompensada com a bênção divina (cf. Dt 8.3 e Mt 4.4).

 

 

*          1.17                 Deus deu o conhecimento e a inteligência. A bênção divina não se limitou ao bem-estar físico, mas incluiu, igualmente, um desenvolvimento intelectual notável durante seus três anos de educação babilônica.

 

visões e sonhos. Tendo em mente o que se segue no livro (caps. 2; 4 e 5), Daniel se destaca de seus companheiros pela sua habilidade de interpretar sonhos e visões, mais ou menos como aconteceu a José, estando ele no paláio de Faraó (Gn 40.8 e 41.16).

 

*          1.18                 Vencido o tempo determinado. Isto é, terminados os três anos mencionados no v. 5.

 

*          1.20                 magos e encantadores. O termo traduzido aqui por “magos” também é usado em Gn 41.8,24 e Êx 7.11. E a palavra aqui traduzida por “encantadores” pode ser encontrada somente aqui e em 2.2, podendo ser traduzida por feiticeiro ou adivinhador. Sem importar o método usado por esses conselheiros reais para adquirir conhecimento, Daniel e seus amigos foram capazes de demonstrar um discernimento superior sobre as questões nas quais foram interrogados.

 

*          1.21                 até ao primeiro ano do rei Ciro. A Babilônia caiu diante de Ciro em 539 a.C., ou seja 66 anos depois que Daniel fora levado cativo para a Babilônia. Daniel viveu durante o período inteiro do cativeiro babilônico. No primeiro ano de seu governo, Ciro publicou um decreto permitindo que os israelitas voltassem do cativeiro, levando consigo os utensílios do templo que tinham sido tomados por Nabucodonosor (Ed 1.7-11). Essa declaração não quer dizer que Daniel morreu no primeiro ano do reinado de Ciro (10.1).

 

*          2.1                   No segundo ano. Visto que o sistema babilônico começou a contar o reinado de Nabucodonosor oficialmente no começo do ano seguinte, o "segundo ano" do reinado de Nabucodonosor poderia significar o fim dos três anos de treinamento de Daniel (1.5). De outra sorte, os eventos aqui historiados teriam acontecido durante o treinamento de Daniel.

 

passou-se-lhe o sono. Era largamente crido, no antigo Oriente Próximo e Médio, que os deuses falavam aos seres humanos por meio de sonhos.

 

*          2.2                   os magos, os encantadores. Ver nota em 1.20.

 

os feiticeiros e os caldeus. Os "feiticeiros" praticavam a adivinhação ou a feitiçaria (Êx 22.18; Dt 18.10; Is 47.9,12; Jr 27.9). "Caldeus", palavra encontrada aqui, provavelmente significa uma classe de adivinhadores e astrólogos, não sendo o nome de um grupo étnico (conforme se vê em 1.4; 3.8; 5.30 e 9.1).

 

*          2.4                   em aramaico. Daqui até o fim do cap. 7 do livro, o texto foi escrito em aramaico, e não em hebraico. Os trechos de Ed 4.8—6.18; 7.12-26 também foram escritos em aramaico. Tem havido muita especulação sobre a razão pela qual esses trechos foram escritos em aramaico, mas não se chegou ainda a nenhuma conclusão comumente aceitável.

 

*          2.5                   saber o sonho. Nabucodonosor formulou um teste para ver se os conselheiros da corte tinham mesmo acesso ao conhecimento oculto, conforme reivindicavam. Se eles não lhe fizessem saber o sonho, então ele não teria confiança na interpretação deles (cf. o v. 9).

 

*          2.11                 difícil. Os magos e encantadores confessaram que não podiam fazer o que o rei lhes solicitara. Somente os deuses têm tais poderes; mas os deuses, segundo eles protestaram, não revelam tais coisas a ninguém (cf. Êx 8.18,19).

 

*          2.18                 pedisssem misericórdia ao Deus do céu. Daniel também percebeu que a sabedoria humana era insuficiente para poder atender à solicitação do monarca (v. 11, nota). Somente a revelação divina poderia prover a resposta.

 

*          2.20                 Ver nota teológica, "A Sabedoria e a Vontade de Deus", índice .

 

*          2.21                 remove reis e estabelece reis. Daniel aludiu aqui ao conteúdo do sonho de Nabucodonosor.

 

*          2.22                 Ele revela o profundo e o escondido. O cap. 28 do livro de Jó é um quadro cuidadosamente traçado da sabedoria que "está encoberta aos olhos de todo vivente" (Jó 28.21) a qual é inacessível sem a ajuda de Deus.

 

*          2.24                 Não mates os sábios da Babilônia. Daniel exortou o rei a mostrar-se misericordioso com os sábios da Babilônia, apesar da incapacidade deles saberem qual o sonho de Nabucodonosor, conforme ficara claramente demonstrado.

 

*          2.28                 há um Deus no céu, o qual revela mistérios. Da mesma forma que José tinha feito no Egito (Gn 40.8; 41.16), assim também Daniel atribuiu a Deus seu conhecimento sobre o sonho de Nabucodonosor. O Deus de Daniel revelara ao jovem Daniel o que a astrologia, a magia e as artes ocultas não tinham podido descobrir.

 

nos últimos dias. Essa expressão parece variar em significado do "tempo do fim", tecnicamente chamada "o eschaton" (Ez 38.16), até, simplesmente o futuro em geral (Gn 49.1; Dt 4.30; 31.29).

 

*          2.32,33            ouro... ferro... barro. Há uma diminuição progressiva no valor dos materiais na imagem, da cabeça para os pés.

 

*          2.34                 pés de ferro e de barro. Alguns intérpretes vêem a mistura de ferro e barro, nos pés da imagem, como representativa de uma segunda fase do quarto reino, diferente das pernas de ferro sólido (cf. os vs. 41-43).

 

*          2.37-40           rei de reis... O quarto reino. Os quatro reinos têm sido geralmente entendidos desde Josefo (século I d.C.) como sendo os impérios da Babilônia, medo-persa, Grécia e Roma. Mas outros os entendem como sendo os reinos da Babilônia, da Média, da Pérsia e da Grécia, uma seqüência em consonância com o ponto de vista crítico segundo o qual o livro foi escrito, depois dos fatos, por uma testemunha viva durante o período da ascendêcia dos gregos, no Oriente Médio. Entretanto, os símbolos dos animais, em Dn 7.4-7, ajustam-se, historicamente, à anterior estrutura de um império combinado medo-persa, deixando a Grécia como o terceiro, e Roma como o quarto reino. Dario apelou à única "lei dos medos e dos persas" (Dn 6.12; cf. 5.28), concorda com a primeira ordem dos quatro impérios mundiais.

 

*          2.43                 misturar-se-ão... mas não se ligarão um ao outro. Os elementos formadores do quarto reino não poderão preservar sua união. Uma interpretação possível da imagem é que o ferro representa a cultura e as leis da Roma imperial, enquanto que o barro representa as tradições políticas e sociais divergentes das suas muitas partes formadoras. O quarto reino, embora poderoso, será temporário.

 

*          2.44                 nos dias destes reis. A interpretação mais natural é que os reis são os governantes das quatro potências mundiais que compõem a imagem que acaba de ser descrita. A outra possibilidade é que eles são uma seqüência de diversos governantes somente do quarto reino.

 

um reino que não será jamais destruído. O reino eterno será o reino de nosso Senhor Jesus Cristo (Is 9.7; Lc 1.33; Hb 1.8; Ap 11.15). Esse reino foi inaugurado e pregado por ocasião do primeiro advento de Cristo (Mc 1.15; Mt 12.28; 24.14), mas que só chegará à sua plenitude por ocasião do segundo advento de Cristo. Ver "O Reino de Deus", índice.

 

*          2.46                 o rei Nabucodonosor... se prostrou rosto em terra perante Daniel. Em uma reversão de papéis, Daniel foi exaltado a uma posição de honra pela intervenção do Senhor em seu favor. Quanto à reação do rei, compare At 14.11 e Ap 22.8.

 

*          2.47                 Deus dos deuses. A declaração de Nabucodonosor não significa, necessariamente, que ele tivesse reconhecido o Deus de Israel como sendo o único Deus. A sua exclamação reconheceu tão-somente que o Deus de Israel é superior aos outros deuses.

 

o Senhor dos reis. Nabucodonosor reconheceu aqui que o Deus de Israel é o Deus supremo sobre os governantes e os reinos humanos. Esse é o tema unificador de Dn 1—6 (Introdução: Características e Temas).

 

*          2.48                 de toda a província da Babilônia. O império da Babilônia estava dividido em províncias. Daniel foi nomeado governante (cf. 3.2) da província onde estava a capital do império. José e Mordecai também foram elevados,  como judeus, ao poder político em uma terra estrangeira. Ver Gn 41.37-44 (José) e Et 8.1,2 (Mordecai).

 

*          3.1                   uma imagem de ouro. Embora as proporções da largura pudessem sugerir um obelisco, e não uma estátua, o monumento é chamado de "imagem". Provavelmente, tratava-se de uma figura em pé sobre um pedestal. Provavelmente, era banhado a ouro, pois a imagem se parecia muito com aquela descrita em Is 40.19; 41.7; Jr 10.3-9.

 

no campo de Dura. Provavelmente a 10 km ao sul da cidade da Babilônia.

 

*          3.2                   sátrapas... oficiais. Não são conhecidas as responsabilidades precisas desses diferentes oficiais. Cinco dos sete termos são de origem persa, o que parece indicar que Daniel não terminou de escrever o relato senão depois do começo do governo persa, que se deu em 539 a.C.

 

*          3.5                   o som da trombeta... do saltério. Dentre os seis vocábulos usados para indicar instrumentos musicais, os três traduzidos aqui por "harpa", "saltério" e "gaita de foles" foram tomados por empréstimo dos gregos. Isso não é de surpreender, visto que a troca internacional de músicos e instrumentos musicais, nas cortes reais, era um costume de longa data. A presença desses três termos gregos não estabelece que a narrativa tivesse sido escrita após o tempo de Alexandre o Grande, conforme tem sido, algumas vezes, argumentado.

 

*          3.6                   lançado na fornalha de fogo ardente. Fornalhas eram usadas na Babilônia para cozer tijolos (Gn 11.3). Mas execuções na fornalha não eram incomuns (Jr 29.22; cf. Heródoto 1.86; 4.69; 2Macabeus 7).

 

*          3.8                   caldeus. Ver 2.2 e nota; aqui, "caldeus" provavelmente indica a questão da nacionalidade. Os informantes tinham preconceitos contra os judeus (v. 12; cf. Et 3.5,6), provavelmente porque tinham inveja da posição privilegiada dos judeus.

 

*          3.12                 Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Ver nota em Dn 1.7. Ou Daniel não estava presente ou foi isentado, por causa de sua elevada posição, de ter que demonstrar a sua lealdade (2.48,49).

 

*          3.15                 quem é o deus. Da perspectiva politeísta de Nabucodonosor, não havia deus capaz de tal livramento. Sem sabê-lo, Nabucodonosor desafiou o poder do Deus de Israel.

 

*          3.17,18            Se... quer livrar-nos... Se não... Estes versículos expressam o tema central deste capítulo. A idéia não é que Deus sempre protegerá o seu povo dos danos físicos (Is 43.1,2). Ele pode fazer isso, e, sem dúvida, é capaz de tanto. A idéia central é que o povo de Deus devia ser obediente a ele, sem importar quais as conseqüências.

 

*          3.25                 um filho dos deuses. Como Nabucodonosor reconheceu a quarta pessoa na fornalha, como um ser divino, não ficou explicado (v. 28, nota). Talvez a aparição miraculosa foi, por si mesma, suficiente para que o rei tivesse chegado a essa conclusão.

 

*          3.26                 Deus Altíssimo. Esse é um título que exprime a autoridade universal de Deus. Tal como no v. 29 em 2.47, tal confissão, nos lábios de um pagão, não era o reconhecimento que o Senhor de Daniel era o único Deus, mas tão-somente que ele era supremo sobre todos os deuses (4.2,17,34). Para um judeu, porém, isso significa que só existe um Deus (4.24-32; 5.18,21; 7.18-27).

 

*          3.28                 anjo. O "Anjo" pode ser identificado com o Anjo do Senhor (Gn 16.7). Nesse caso, teria sido uma manifestação visível do próprio Deus (Êx 3.2). Deus prometeu a sua presença, quando Israel passasse pelo fogo (Is 43.1-3).

 

*          4.1                   O rei Nabucodonosor. Esse incidente final, no livro de Daniel, associado com Nabucodonosor deve ser colocado perto do fim do seu reinado de quarenta e três anos, quando seus projetos de construção estavam terminados e o seu poder estava no auge (cf. vs. 4, 30). Ele representa o mais poderoso reino da terra (vs. 10-12, nota) em oposição ao governo do Deus Altíssimo. Os registros babilônicos de longos períodos de ausência e de atos blasfemos por parte do rei Nabonido (governou entre 556 e 539 a.C.; 5.1, nota) assemelha-se, de algumas maneiras, à narrativa de Daniel sobre Nabucodonosor. Uma outra composição escrita, chamada "Oração de Nabonido", foi descoberta entre os Papiros do Mar Morto, (documentos escondidos antes do ano 70 d.C. por uma comunidade judaica em Qumran e encontrados em 1947). Essa "oração" também é semelhante àquilo que Daniel disse sobre Nabucodonosor. Nabonido foi separado da sociedade por um período de sete anos, tendo sido restaurado com a ajuda de um exilado judeu após a confissão de seus pecados. Entretanto, a sua aflição é descrita como uma forma de enfermidade da pele, e não como um distúrbio mental.

 

*          4.2                   Deus, o Altíssimo. Ver notas em 2.47; 3.26.

 

*          4.3                   Quão grandes. A confissão de Nabucodonosor, neste versículo e nos vs. 34 e 35 comunica o tema central do livro de Daniel, a saber, a absoluta soberania do Deus de Israel.

 

*          4.6,7    Ver notas em 1.20 e 2.2.

 

*          4.8                   Beltessazar. Ver nota em 1.7.

 

o espírito dos deuses. O Espírito Santo era o autor imediato do extraordinário poder de Daniel para conhecer e interpretar segredos (2.19, nota). As palavras de Nabucodonosor concordam com isso, embora ele pudesse estar pensando em um outro deus conhecido por ele, e não no Deus de Daniel.

 

*          4.10-12           Uma árvore. Ver Ez 31 quanto a uma extensa descrição da Assíria que usa a figura de uma árvore. Um simbolismo imaginário é usado tanto com relação a indivíduos justos quanto indivíduos ímpios, e também sobre nações (Sl 1.3; 37.35; 52.8; 92.12; Jr 11.16,17 e 17.8).

 

*          4.11                 a sua altura chegava até ao céu. A palavra "céus" é um vocábulo chave neste capítulo. Embora o reino de Nabucodonosor chegasse em sua altura, da terra ao céu, os céus condenavam o seu orgulho, relembrando-lhe que sua autoridade e até sua sanidade mental eram dádivas de Deus.

 

*          4.13                 vigilante. Um nome usado somente aqui no Antigo Testamento para indicar um anjo.

 

*          4.16                 e lhe seja dado coração de animal. O distúrbio mental mediante o qual uma pessoa se imagina um animal é chamado de "zoantropia" (um nome composto das palavras gregas que significam "animal" e "homem").

 

passem sobre ela sete tempos. Isso significa sete períodos de duração não-especificada (cf. vs. 23 e 25) como estações, anos ou meses.

 

*          4.22                 és tu, ó rei. Com essa declaração, mais ou menos como Natã fizera com Davi (2Sm 12.7), Daniel aplicou o sonho a Nabucodonosor.

 

*          4.25                 a tua morada será com os animais do campo. Com detalhes nítidos, Daniel explicou como a mente de Nabucodonosor entraria em colapso. Ele seria privado de seu trono, e perderia a sua dignidade de ser humano, criado para controlar os animais, e não para imitá-los.

 

o Altíssimo tem domínio. O propósito da humilhação de Nabucodonosor era o de compelí-lo a reconhecer a soberania de Deus.

 

*          4.26                 o teu reino tornará a ser teu. A Nabucodonosor foi prometido que a despeito da severidade e a duração de sua enfermidade, ele recuperaria o trono, quando reconhecesse a soberania de Deus.

 

que o céu domina. Ver referência lateral. Essa é a primeira vez nas Escrituras onde a palavra "céu" é usada como substituição para "Deus" (4.37). Cf. Mt 5.3 com Lc 6.20.

 

*          4.34,35,37       Embora Nabucodonosor confesse a soberania de Deus, ele não confessa a crença que o Deus de Israel é o único Deus. Ver nota teológica, "Deus Reina: A Soberania Divina", índice .

 

*          4.37                 Rei do céu. Esse título ímpar sintetiza o tema do capítulo: o governo divino, exercido do céu (vs. 3,26 e notas).

 

*          5.1                   O rei Belsazar. O nome "Belsazar" significa "Bel protege o rei" (não deve ser confundido com "Beltessazar", o nome babilônico que foi dado a Daniel (1.7, nota). Com base em fontes babilônicas sabemos que Belsazar foi encarregado dos negócios na Babilônia, enquanto seu pai, Nabonido, o último rei da Babilônia, passava extensos períodos de tempo em Tema, na Arábia. Os acontecimentos deste capítulo ocorreram em 539 a.C., o ano em que os babilônios caíram diante dos persas, quarenta e dois anos depois da morte de Nabucodonosor, em 563 a.C.

 

*          5.2                   bebia e apreciava o vinho. Sob a má influência do vinho, Belsazar cometeu um ato de sacrilégio.

 

seu pai. O pai verdadeiro de Belsazar era Nabonido, e não Nabucodonosor. Mas não era incomum que os termos "pai" (vs. 11, 13 e 18) e "filho" (v. 22) fossem usados, respectivamente como equivalentes a "antepassado" (referência lateral) e "descendente".

 

*          5.4                   deram louvores aos deuses. Os utensílios do templo de Jerusalém foram contaminados, não somente por terem sido utilizados para finalidades profanas, mas também por terem sido usados para honrar os deuses falsos da Babilônia.

 

*          5.7                   os encantadores, os caldeus e os feiticeiros. Ver notas em 1.20; 2.2; cf. 2.27 e 4.7.

 

me declarar a sua interpretação. Uma vez mais, um rei requereu a ajuda de Daniel para que compreendesse uma mensagem que Deus endereçara a ele (2.5, nota).

 

terceiro no meu reino. Ou seja, próximo, quanto à autoridade, a Nabonido e Belssazar (5.1, nota). O "terceiro no reino" é a designação oficial de uma alta autoridade, embora não necessariamente a literal terceira autoridade no trono.

 

*          5.10                 A rainha-mãe. Uma das poucas mulheres a terem poder significativo nas cortes reais da antiguidade (cf. 1Rs 15.3; 2Rs 11.1-3; 24.12; Jr 13.18).

 

*          5.11                 o espírito dos deuses santos. Ver nota em 4.8. Não é de surpreender que a rainha-mãe estivesse mais familiarizada com a vida e a proeminência de Daniel do que o estava Belsazar. Daniel andaria na sua nona década de vida em 539 a.C. Ele tinha sido trazido para a Babilônia, sessenta e seis anos antes, quando jovem (605 a.C.; 1.1, nota).

 

*          5.12                 acharam neste Daniel. Essas dádivas divinas podem ser entendidas como a presença do Espírito de Deus em um indivíduo, ou, simplesmente como uma característica espiritual notável desse indivíduo.

 

Beltessazar. Ver nota em 1.7.

 

*          5.16                 serás o terceiro no meu reino. Ver nota no v. 7.

 

*          5.17                 Os teus presentes fiquem contigo. Daniel rejeitou o oferecimento de Belsazar porque tinha consciência de que somente através da misericórdia divina ele seria capaz de responder ao pedido do rei, e ele não queria usar o dom divino, que Deus lhe dera, para efeito de ganho pessoal (cf. Gn 14.23; 1Sm 9.7, nota). Mas por qual razão ele aceitou presentes em ocasião anterior (2.48) e também posteriormente (v. 29)? Alguns intérpretes acreditam que estava aqui evitando a pressão real para que modificasse sua terrível mensagem (Nm 22.18 e Mq 3.5,11).

 

*          5.18                 Nabucodonosor, teu pai. Ver nota no v. 2.

 

*          5.21-28           Ver "Deus Reina: A Soberania Divina", índice.

 

*          5.21                 Deus, o Altíssimo, tem domínio. Essa declaração resume a teologia do livro de Daniel (Introdução: Características e Temas).

 

*          5.22                 que és seu filho. Ver nota no v. 2.

 

ainda que sabias tudo isto. Visto que o rei estava sem desculpa, até mais do que o seu pai, o tempo da misericórdia tinha passado (contrastar um caso diferente em 1Tm 1.13).

 

*          5.24                 Então. A escrita na parede foi a resposta de Deus ao desafio arrogante apresentado pelo orgulho de Belsazar e seu desafio ao Deus que tinha demonstrado sua existência e soberania nos dias de Nabucodonosor.

 

*          5.25                 MENE, MENE, TEQUEL e PARSIM. O aramaico, tal como o hebraico, usualmente era escrito sem as vogais, e essa brevíssima inscrição teria sido ambígua.

 

*          5.26                 MENE. Essa palavra aramaica poderia ser um verbo com o sentido de "contado", ou um substantivo que significa "mina", uma unidade de valor monetário. Daniel leu-a como se fosse verbo, para indicar que a duração do reinado de Belssazar tinha sido determinada por Deus, e estava prestes a terminar (Jr 50.18).

 

*          5.27                 TEQUEL. Esse vocábulo também é um verbo ou um substantivo. Daniel leu-o como um verbo com o sentido de "pesado", significando que Belsazar não estava à altura dos padrões divinos de retidão.

 

*          5.28                 PERES. Se os convidados ao banquete entenderam os três termos como substantivos que indicavam várias unidades de dinheiro (mina, ou sessenta siclos; tequel, um siclo; peres, meio siclo), não é de surpreender que não tenham podido entender a inscrição.

 

medos e aos persas. Ver Introdução: Data e Ocasião.

 

*          5.29                 mandou Belsazar. À semelhança de Nabucodonosor, Belsazar honrou a Daniel (2.48), mas, diferentemente de seu antecessor, ele não honrou o Deus de Daniel (2.46,47).

 

*          5.30                 foi morto Belsazar. Não se sabe como Belsazar foi executado. Entretanto, os historiadores gregos Heródoto e Xenofonte deixaram registrado que a Babilônia foi conquistada de surpresa, pelos persas, enquanto os babilônios se ocupavam da orgia e das danças.

 

*          5.31                 Dario, o medo. Há muito tempo vem sendo alegado que essa e outras referências a Dario, o medo, no livro de Daniel (6.1,6,9,25,28; 9.1 e 11.1) são equívocos históricos. Quanto a esse debate, ver nota em 6.1).

 

com cerca de sessenta e dois anos. É provável que uma mina pesasse sessenta siclos. Isso, com o siclo e os dois meios-siclos (v. 25, nota), resultava em sessenta e dois; visto que essa era a idade de Dario, é possível que ele tivesse sido referido na profecia.

 

*          6.1                   Dario. Ver nota em 5.31. Dario, o medo, não aparece nos informes históricos fora das Escrituras, e também não há intervalo de tempo entre Belsazar e Nabonido (5.1, nota) e a ascensão ao trono de Ciro, da Pérsia. Os estudiosos têm sugerido que "Dario, o medo" pode ter sido: um nome oficial para Ciro, o fundador do império persa (v. 28, nota); um título; ou uma designação de Gobrias, um general que foi infiel a Nabucodonosor e se bandeou para Ciro, posteriormente capturando a cidade da Babilônia. Ciro fez de Gobrias o governador dos territórios que os persas tomaram dos babilônios.

 

*          6.3                   nele havia um espírito excelente. Ver 1.17; 4.8 e 5.12.

 

*          6.5                   lei do seu Deus. Os adversários de Daniel sem querer, afirmaram não somente a sua integridade moral, mas também a natureza visível de sua piedade e dedicação ao Deus de Israel.

 

*          6.7                   concordaram. A inverdade dessa declaração era que Daniel também tinha concordado com a proposta. Esses oficiais mostraram-se hipócritas em sua aparente lealdade a Dario. O esquema deles foi a tentativa de manipular o imperador, visando o próprio desígnio deles.

 

... qualquer deus... e não a ti. A proposta pareceria a Dario como uma proposta mais política do que religiosa, servindo para consolidar a sua autoridade sobre territórios recém-conquistados.

 

*          6.8                   segundo a lei dos medos e dos persas. A imutabilidade da lei desses povos irmãos também é confirmada nos escritos extra-bíblicos. O efeito do decreto era criar um conflito, para Daniel, entre a lealdade a Deus e a obediência ao governo humano.

 

*          6.10                 punha de joelhos. Ficar em pé pode ter sido uma postura regular em oração (1Cr 23.30; Ne 9.2-5), enquanto que a posição de orar de joelhos era reservada para circunstâncias de solenidade específica (1Rs 8.54; Ed 9.5; Sl 95.6; Lc 22.41; At 7.60 e 9.40), por ser um sinal de humildade.

 

como costumava fazer. É evidente que os hábitos de oração de Daniel tinham-se tornado públicos.

 

*          6.13                 dos exilados de Judá. Essa identificação étnica de Daniel talvez indique preconceitos contra os judeus, por parte dos outros oficiais de Dario (3.8).

 

*          6.14                 determinou consigo mesmo livrar a Daniel. Dario percebeu imediatamente que ele havia se tornado uma vítima das intrigas de seus próprios oficiais que queriam que Daniel caísse em uma armadilha. A lealdade de Dario a Daniel permaneceu inabalável.

 

*          6.16                 O teu Deus... que ele te livre. Contra sua própria vontade, Dario foi forçado a submeter-se ao decreto. Não obstante, ele confiava que o Deus de Daniel interviria em favor de seu servo fiel.

 

*          6.17                 selou-a o rei com o seu próprio anel. Anéis de selar e cilindros de selar eram usados pelos assírios, babilônios e persas. O cilindro de selar era pressionado sobre a argila ainda mole, para deixar nela a marca do proprietário do selo. Romper esses selos era uma violação da lei.

 

*          6.22                 O meu Deus enviou o seu anjo. Possivelmente, embora isso não se faça necessário no contexto, temos aqui uma menção ao Anjo do Senhor. Ver nota em 3.28.

 

*          6.23                 o rei... mandou. Dario podia mandar tirar a Daniel da cova, sem violar o decreto, visto que as exigências da lei se tinham cumprido.

 

*          6.26                 um decreto. Cf. 2.47; 3.28,29; 4.2,3,34-37; 5.18-29. Tal como nas narrativas anteriores, Deus exibiu a sua soberania mediante o controle sobre a natureza e a história, sobre os reinos e os reis. O decreto é um testemunho eloqüente ao "Deus vivo" e seu reino indestrutível. Esse é um reconhecimento oficial ao Deus de Daniel, embora não reflita necessariamente a fé salvífica por parte de Dario.

 

*          6.28                 Daniel, pois, prosperou. Embora o governo imperial tenha trocado de mãos, o favor de Deus sustentou a Daniel e deu prosseguimento à sua autoridade.

 

*          7.1                   No primeiro ano de Belsazar. Ver nota em 5.1. A administração de Belsazar, sob Nabonido, pode ter começado ao mesmo tempo em que seu pai subiu ao trono (556 a.C.), ou alguns poucos anos depois. Em ambos os casos as visões dos caps. 7 e 8 aconteceram cronologicamente entre os caps. 4 e 5.

 

*          7.2       mar Grande. O mar é uma figura comum para o tumulto agitado e perigoso de homens e nações pecaminosas (ver o v. 17; cf. Is 17.12,13 e 57.20).

 

*          7.3                   Quatro animais, grandes. Esses quatro "animais" representam quatro reinos (vs. 17,23), correspondendo de perto com os quatro reinos do sonho de Nabucodonosor, no segundo capítulo do livro de Daniel. Quanto à identificação dos quatro reinos, ver nota em Dn 2.37-40 e Introdução: Data e Ocasião.

 

*          7.4                   como leão. O "leão", com "asas de águia", era um símbolo apropriado do império babilônico (cf. Jr 50.44; Ez 17.3,12). Leões alados com rostos humanos eram comuns na arte dos babilônios e eram colocados à entrada de importantes edifícios públicos.

 

foram-lhe arrancadas as asas. Talvez essa seja uma referência à humilhação de Nabucodonosor e à sua restauração à saúde, após um período de sete anos de insanidade (cap.4).

 

*          7.5                   o segundo animal, semelhante a um urso. O reino medo-persa é simbolizado aqui por um animal dotado de um apetite voraz. O lado levantado pode representar a posição superior da Pérsia, e as "três costelas" provavelmente representa as conquistas persas da Lídia (546 a.C.), da Babilônia (539 a.C.) e do Egito (525 a.C.). Ver nota em 8.3.

 

*          7.6                   outro, semelhante a um leopardo. O império grego é simbolizado pelo "leopardo", conhecido pela sua velocidade no ataque. Alexandre o Grande (356—323 a.C.) conquistou o império persa com grande rapidez. Alexandre morreu de repente, com a idade de trinta e três anos, e o império que ele estabeleceu foi dividido em quatro partes (a Macedônia ficou com Cassandro; a Trácia e a Ásia Menor, com Lisímaco; a Síria, com Seleuco; e o Egito, com Ptolomeu).

 

*          7.7       o quarto animal. Esse animal, que não é identificado, representa "Roma", o reino que, finalmente, assimilou as várias divisões do reino grego dividido.

 

tinha dez chifres. Os "dez chifres" simbolizam dez reis ou reinos associados com o império romano (v. 24). Alguns intérpretes têm sugerido que uma segunda fase do quarto reino, um império romano reavivado deve ser esperado, do qual procederão os dez chifres, ou todos ao mesmo tempo, ou um depois do outro (2.44, nota; cf. Ap 13.1-10; 17.3,12).

 

*          7.8                   outro pequeno. Os dez chifres aparecem antes do "pequeno chifre", que arrancará três dos dez, simbolizando outra face do quarto reino. Muitos intérpretes têm sugerido que o "pequeno chifre" representa o "anticristo" (2Ts 2.3,4,8). Essa seria a primeira referência ao anticristo nas Escrituras.

 

*          7.9                   o Ancião de dias se assentou. O título "Ancião de dias" ocorre na Bíblia somente neste capítulo (vs. 13 e 22). Trata-se de uma designação de Deus no seu trono de julgamento.

 

o seu trono... suas rodas. A descrição do trono de Deus assemelha-se ao que Ezequiel viu em sua visão sobre o trono com rodas de Deus (Ez 1.15-28).

 

*          7.11,12            Um contraste é traçado entre a completa destruição do quarto reino e uma certa medida de continuação concedida aos três reinos anteriores, quando seu povo e seus costumes forem absorvidos nos reinos sucessivos.

           

*          7.13                 um como o Filho do homem. O original aramaico para "Filho do homem" significaria "um ser humano", em contraste com os "animais" anteriores. O equivalente é usado para indicar Daniel, em Dn 8.17, e por muitas vezes para indicar o contemporâneo de Daniel, Ezequiel (p.ex., Ez 2.1,3,6). Porém, em contraste com os "animais" que desgovernarão a terra, o Filho do homem governará a terra conforme Deus pretendeu que fosse, antes da queda da humanidade no pecado (Gn 1.26-28; Sl 8.4-6). A expressão "Filho do homem" é usada por sessenta e nove vezes nos evangelhos sinóticos e por doze vezes no evangelho de João para referir-se a Cristo. Esse é o título que Jesus usou com maior frequência para indicar a si mesmo.

 

vinha com as nuvens do céu. Em outras porções do Antigo Testamento, somente Deus Pai aparece entre nuvens (Sl 104.3; Is 19.1). De acordo com esse princípio, o "Filho do homem" é originário do céu e virá por iniciativa divina.

 

*          7.14                 os povos... o servissem. O "Filho do homem" é Cristo, o Messias. Jesus aplicou essa passagem à sua pessoa, e ao fazê-lo, isso levou os líderes religiosos de Israel, em seus dias, a acusá-lo de blasfêmia (Mt 26.64,65; Mc 14.62-64).

 

domínio eterno. Ele recebe a soberania de Deus e exerce o governo simbolizado pela pedra que caiu do céu, dentro do sonho de Nabucodonosor (Dn 2.34,35,44 e 45).

 

*          7.18                 os santos do Altíssimo. Ver os vs. 21, 22, 25, 27. Os "santos" não eram anjos, mas homens e mulheres crentes em Deus, que compartilharão do reino de Cristo (Mt 19.28; 1Co 6.1-3; 1Tm 2.12 e Ap 22.5).

 

*          7.21                 este chifre fazia guerra contra os santos. Daniel nos presta mais algumas informações sobre a hostilidade do pequeno chifre, que talvez seja o anticristo (v. 8), contra o povo de Deus (cf. Ap 13.7).

 

*          7.22                 até que veio o Ancião de dias. Embora o anticristo prevalecerá, durante algum tempo, contra o povo de Deus, no fim, ele cairá sob o julgamento divino (Zc 14.1-4; Ap 13.7-17 e 19.20).

 

*          7.25                 por um tempo, dois tempos e metade dum tempo. A palavra "tempo" é o mesmo vocábulo usado em 4.16 e 4.23, e, tal como ali, pode significar "um ano". Alguns interpretam este versículo como uma indicação da segunda metade da septuagésima semana do nono capítulo (ver 9.27). Outros estudiosos não atribuem uma duração específica à expressão, mas consideram-na um período de tempo que é abreviado por causa da intervenção de Deus.

 

*          7.27                 santos do Altíssimo. Ver nota no v. 18.

 

*          8.1—12.13      Daniel volta a escrever em hebraico nos últimos cinco capítulos. Ele tinha usado o aramaico entre 2.4 e 7.28 (2.4, nota).

 

*          8.1                   No ano terceiro do reinado do rei Belsazar. Ou seja, dois anos após o sonho tido por Daniel, no sétimo capítulo de seu livro (7.1, nota).

 

*          8.2                   pareceu-me estar. Daniel fez uma jornada visionária parecida com a de Ezequiel (Ez 3.10-15).

 

na cidadela de Susã. Nos tempos de Daniel, Susã (ou Susa) era a capital do Elão, a cerca de 360 km a leste da Babilônia. Não fica claro se Elão era uma nação independente, ou aliada à Babilônia ou à Média. Mais tarde, entretanto, na qualidade de uma das três cidades reais, Susã tornou-se o centro diplomático e administrativo do império persa (cf. Ne 1.1 e Et 1.2).

 

rio Ulai. Esse canal, próximo de Susã, ligava dois rios que fluíam para o golfo Pérsico.

 

*          8.3                   um carneiro... o qual tinha dois chifres. De acordo com o v.20, o carneiro e seus dois chifres representavam os reis do império medo-persa.

 

um, mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último. A história do império medo-persa esclarece o simbolismo. Os medos tornaram-se independentes da Assíria depois do ano 612 a.C. Os persas estavam sob o controle dos medos, mas finalmente tornaram-se proeminentes quando Ciro de Ansã derrotou seu suserano medo, em 550 a.C. Ciro (que governou entre 559 e 530 a.C.), chamava a si mesmo de "Rei do Mundo".

 

*          8.4                   dava marradas para o ocidente, e para o norte e para o sul. Ou seja, suas costas estavam voltadas para o oriente, de onde ele tinha vindo (Is 41.2). Ciro primeiramente conquistou a Ásia Menor, e então o norte e o sul da Mesopotâmia. Governantes subseqüentes estenderam o controle medo-persa bem para oriente.

 

se engrandecia. O império persa se tornou maior do que qualquer outro império anterior da história do Oriente Médio.

 

*          8.5                   um bode vinha do ocidente... tinha um chifre notável entre os olhos. De acordo com o v. 21, o bode representava a Grécia, e o grande chifre que ele tinha entre os olhos representava o seu primeiro monarca. Esse simbolismo retrata claramente o império grego de Alexandre o Grande (356—323 a.C.).

 

sobre toda a terra, mas sem tocar no chão. Essas palavras descrevem a notável velocidade e extensão das conquistas de Alexandre (7.6, nota). Em apenas três anos, ele derrotou o poderoso império persa.

 

*          8.8                   O bode se engrandeceu sobremaneira. O império de Alexandre, o Grande, logo ultrapassou o império persa em extensão territorial. Aí por volta de 327 a.C., Alexandre tinha chegado ao atual território do Afeganistão, e então chegou ao rio Indo.

 

na sua força, quebrou-se-lhe o grande chifre. Alexandre morreu na Babilônia, com a idade de 33 anos.

 

em seu lugar saíram quatro chifres notáveis. De acordo com o v. 22, esses chifres são quatro reinos que emergiram do império de Alexandre, mas que eram inferiores ao mesmo quanto à força. Após um período de conflitos internos, quatro dos generais de Alexandre tomaram porções do império grego, como seus próprios reinos. Ver nota em Dn 7.6.

 

*          8.9                   um chifre pequeno. Em consonância com o v. 23 deste capítulo, esse "chifre pequeno" simboliza um governante ímpio que se levantaria de um dos quatro reinos gregos, após um longo intervalo de tempo ("no fim do seu reinado"). As descrições das ações desse governante (vs. 9-14 e 23-25) indicam que esse rei foi Antíoco IV Epifânio, governante do reino selêucida de 175—164 a.C. Esse "chifre pequeno" deve ser distinto daquele outro "chifre pequeno" de Dn 7.8, se esse capítulo refere-se ao período romano, e não ao período grego.

 

para a terra gloriosa. Ou seja, na direção da Palestina.

 

*          8.10                 o exército dos céus. O "exército dos céus" ou as "estrelas" (cf. Jr 33.22) simboliza o povo de Deus (cf. 12.3; Gn 15.5) ou um exército celestial (Is 14.13; ver também 2Macabeus 9.10). O ataque contra o povo de Deus equivale a um ataque contra o próprio céu.

 

a alguns do exército e das estrelas lançou por terra e os pisou. Essa é uma descrição simbólica da severa perseguição do povo de Deus sob Antíoco IV Epifânio, o qual tentou abolir a adoração tradicional deles e seu modo de viver, tentando helenizá-los (11.21-35 e 1Macabeus 1.10-64 quanto a detalhes adicionais; ver também Introdução ao Período Intertestamentário).

 

*          8.11                 até ao príncipe do exército. O "príncipe" deve ser entendido como sendo o próprio Deus (ver o v. 25, onde a designação é "Príncipe dos príncipes"). Antíoco IV adotou o título de Epifânio ("Deus manifestado") e pensava em si mesmo como uma manifestação de Zeus.

 

tirou o sacrifício diário. Ver os vs. 12, 13 e 11.31. Antíoco IV sumariamente proibiu todas as cerimônias e a adoração a Deus no templo de Jerusalém e nas cidades de Judá. 

 

o lugar do seu santuário foi deitado abaixo. Antíoco IV entrou no Santo dos Santos e saqueou os utensílios de prata e de ouro. Ele erigiu um altar ao Zeus do Olimpo sobre o altar de Deus no átrio do templo e ali sacrificou porcos (11.31, nota).

 

*          8.12                 deitou por terra a verdade. Entre as suas transgressões, Antíoco IV destruiu cópias das Escrituras (1Macabeus 1.56,57).

 

e o que fez prosperou. A visão de Daniel retrata o aparente sucesso dos atos ímpios de Antíoco IV, o pequeno chifre.

 

*          8.14                 Até duas mil e trezentas tardes e manhãs. Cf. “a visão da tarde e da manhã”, no v. 26. Mas alguns intérpretes vêem isso simplesmente como uma referência aos sacrifícios vespertinos e matinais como oferendas separadas (cf. Êx 29.38-42). Nessa base, isso representaria 1.150 dias, mas esses sacrifícios em pares eram tradicionalmente considerados como sendo uma única oferenda diária. Outros compreendem a questão como simplesmente uma expressão para indicar 2.300 dias. Visto que as perseguições movidas por Antíoco IV podem ser vinculadas a qualquer um entre vários incidentes ocorridos, a começar em 171 a.C. e terminando com a rededicação do templo, em 164 a.C., é difícil determinar qual compreensão da frase deve ser preferida. A multiplicação do número 23 pode ser simplesmente um símbolo de um período fixo como nos apocalipses extrabíblicos (cf. as "sessenta e nove" — 23 x 3 — semanas, em 9.25,26).

 

e o santuário será purificado. O templo foi purificado e rededicado sob a liderança de Judas Macabeus, em dezembro de 164 a.C. (11.34, nota; cf. Zc 9.13-17).

 

*          8.16                 Gabriel. Esse anjo é mencionado quatro vezes nas Escrituras (aqui e em Dn 9.21; Lc 1.19,26). Esse nome significa "poderoso de Deus" ou "Deus é poderoso".

 

*          8.17                 filho do homem. Ver nota em 7.13. O "forte homem de Deus" estava falando para esse distinto "mortal".

 

tempo do fim. Ver também o v. 19 ("esta visão se refere ao tempo determinado do fim"). Essa expressão não é necessariamente escatológica (referente ao fim da história). Ela ocorre em 11.27,35, em contextos que, claramente, não são escatológicos. Aqui o "fim" pode ser o final das perseguições movidas por Antíoco IV.

 

*          8.19                 tempo da ira. O "tempo da ira" pode referir-se ao período do julgamento divino de Israel, durante a subjugação deles aos babilônios, aos persas e aos gregos.

 

*          8.20                 carneiro. Ver notas nos vs. 3 e 4.

 

*          8.21                 o bode peludo... o chifre grande. Ver notas nos vs. 5 e 8.

 

*          8.22                 levantando-se quatro. Ver nota no v. 8.

 

*          8.23-25           Ver notas nos vs. 9-14. Alguns intérpretes percebem o anticristo nas descrições sobre o "pequeno chifre", neste capítulo. Antíoco IV é visto como um tipo que aponta para uma manifestação posterior do poder de Satanás, na pessoa do anticristo.

 

*          8.25                 o Príncipe dos príncipes. Essa é uma referência a Deus (v. 11, nota).

 

sem esforço de mãos humanas. Antíoco IV morreu de desordens nervosas físicas, em 164 a.C. Quanto à narrativa de sua morte, ver 1Macabeus 6.1-16 e 2Macabeus 9.

 

*          8.26                 preserva a visão. O termo hebraico aqui traduzido por "preservar" pode significar autenticar ou certificar alguma coisa, ou mesmo fechar para manter seu conteúdo confidencial e a salvo. O segundo sentido parece melhor neste contexto (6.17, nota).

 

se refere a dias ainda mui distantes. As conquistas de Alexandre (333—323 a.C.) ocorreram mais de dois séculos depois de Daniel ter recebido as suas visões (cerca de 550 a.C.). As atividades de Antíoco IV ocorreram cerca de um século e meio depois de Alexandre (171—164 a.C.).

 

*          9.1-27  Daniel conta a revelação que recebeu a respeito da profecia de Jeremias acerca dos setenta anos de desolação de Jerusalém (Jr 25.11,12; 29.10). Significativamente, a revelação segue-se à oração de Daniel que confessou a pecaminosidade do povo de Deus e viu justiça na desolação de Jerusalém, e que buscou o favor de Deus visando a restauração da cidade e do seu templo.

 

*          9.1                   No primeiro ano de Dario, filho de Assuero. Ver nota em 6.1. A palavra "Assuero" (não o mesmo indivíduo mencionado em Et 1.1) pode ser um título real, e não um nome pessoal. O primeiro ano de Dario foi 539 a.C.

 

*          9.2                   assolações de Jerusalém, era de setenta anos. Os intérpretes divergem quanto ao começo e o fim do período de setenta anos, ou se isso deve ser entendido como um número arredondado para uma vida humana ou se se trata de exatamente setenta anos. Alguns estudiosos datam o período a partir de 586 a.C. (quando Jerusalém foi destruída por Nabucodonosor), até 516 a.C., quando a restauração do templo foi terminada por Zorobabel (Ed 6.13-18). Outros estudiosos datam o começo do período ao ano do próprio cativeiro de Daniel (605 a.C.; 1.1, nota). o que sugeriria que Daniel reconheceu que o fim dos setenta anos estava iminente.

 

*          9.4-19  A oração de Daniel estava arraigada sobre a compreensão do pacto que envolvia o relacionamento entre o Senhor e o seu povo (bênção pela obediência e maldição pela desobediência, especialmente os vs. 5, 7, 11, 12 e 14; cf. Lv 26.14-45; Dt 28.15-68; 30.1-5). Quanto a uma oração semelhante, ver Ne 9. Esta oração divide-se em quatro partes: (a) adoração (v. 4); (b) confissão de pecado (vs. 5-11); (c) reconhecimento da justiça de Deus em seu julgamento contra o pecado (vs. 11-14); e (d) um apelo pela misericórdia de Deus com base na preocupação pelo seu nome, pelo seu reino e pela sua vontade (vs. 15-19). Esta oração está alicerçada nas promessas de Deus (v. 2), oferecida com base em um espírito de contrição e humildade (v. 3). Esse é um modelo para os elementos apropriados da oração eficaz.

 

*          9.21                 o homem Gabriel. Ver nota em 8.16.

 

*          9.24-27           A interpretação destes versículos é discutida em muitos pontos particulares. Há duas abordagens fundamentais quanto à interpretação das semanas (lit., "setes"): períodos simbólicos de tempo ou períodos literais de tempo. No ponto de vista simbólico os setenta anos de punição (v. 2) foram multiplicados por sete vezes em consonância com as maldições da aliança (Lv 26.18,21,24,28). O livro Jubileus, um livro judaico pertencente ao período entre os Testamentos, também estrutura a história em períodos de 490 anos. Os defensores do ponto de vista literal caem em três categorias. Tal como outras profecias de Daniel, alguns estudiosos interpretam estes versículos como se eles se reportassem aos tempos de Antíoco IV. Outros intérpretes podem ser divididos em dois grupos: (a) aqueles que interpretam a passagem como se o enfoque primário sobre os acontecimentos estivesse associado com o primeiro advento de Cristo e pouco depois (ponto de vista do primeiro advento); (b) aqueles que interpretam a passagem como tendo referência aos acontecimentos associados tanto com o primeiro como com o segundo advento de Cristo, com um intervalo não declarado entre os dois adventos (ponto de vista do segundo advento). Dentro de cada uma dessas categorias, os intérpretes individuais diferem quanto a detalhes.

 

*          9.24                 Setenta semanas. A maioria dos intérpretes vêem as unidades de "setenta semanas" como se representassem 490 anos (9.24-27). Essas chamadas setenta semanas de anos são então divididas em três sub-unidades de 49 anos ("sete semanas"; v. 25); 434 anos ("sessenta e duas semanas", v. 26); e sete anos ("uma semana" v. 27). Os intérpretes diferem somente acerca da pergunta se essas sub-unidades devem ser vistas como uma seqüência contínua ou se há intervalos entre elas.

 

*          9.25                 desde a saída da ordem para restaurar. O termo hebraico aqui traduzido por "ordem" pode significar apenas "palavra". Essa ambiguidade tem dado origem a duas interpretações primárias para o começo das "setenta semanas": (a) alguns intérpretes entendem que se trata de um decreto baixado por Artaxerxes I, no sétimo ano de seu governo, ou seja, 457 a.C. (Ed 7.12-26). 49 anos depois (408 a.C.), as ruas e as muralhas ao redor de Jerusalém tinham sido terminadas (v. 25). (b) Outros estudiosos compreendem as "setenta semanas" como um período que começou em 587 a.C., o tempo da predição de Jeremias (a sua "palavra") de que Jerusalém seria reedificada (Jr 31.38; 32.15,37,44). 49 anos depois seria o ano de 538 a.C., o ano em que Ciro permitiu que os judeus cumprissem a profecia de Jeremias retornando à Palestina (Ed 1.1-4).

 

até ao Ungido. Os defensores da interpretação (a), acima, compreendem o "Ungido" como sendo uma referência a Jesus. Ligando as "sete semanas" (49 anos) e as "sessenta e duas semanas” (434 anos) como uma seqüência contínua resulta em 483 anos, a correrem de 457 a.C. até 27 d.C., ou seja, até aproximadamente o começo dos três anos de ministério público de Cristo. Mas outros intérpretes entendem os 483 anos como se começassem com o "mandamento" de Artaxerxes I, no ano vigésimo de seu reinado (Ne 2.1), ou seja, o ano de 444 a.C., em lugar do sétimo ano de seu governo. (Ed 7.12-26), em 457 a.C. Usando-se o ano lunar de 360 dias (como acontece no calendário judaico), essa aproximação atinge a data da crucificação em 33 d.C. Essa data da crucificação de Jesus é possível, embora não seja indiscutível. Os defensores da interpretação (b), acima, compreendem aqui o "Ungido" como se fosse Ciro, também denominado o "ungido" do Senhor, em Is 45.1). Esse ponto de vista separa as "sete semanas" e as "sessenta e duas semanas". As "sete semanas" se passaram entre a destruição de Jerusalém, em 586 a.C. e o decreto de Ciro, em 538 a.C. E as "sessenta e duas semanas" (434 anos) seria o tempo durante o qual a cidade seria reconstruída, mais ou menos entre 538 a.C. e 70 d.C. (quando Jerusalém foi destruída pelos romanos). De conformidade com esse ponto de vista, um intervalo de tempo se faz mister entre os dois períodos de "semanas".

 

*          9.26                 Depois das sessenta e duas semanas, será morto o Ungido. Muitos intérpretes compreendem que essas palavras se referem à crucificação de Cristo. De acordo com o ponto de vista (b), acima, o "Ungido" deste versículo é o Cristo, ao passo que o "Ungido" do v. 25, é Ciro.

 

o povo de um príncipe. Muitos estudiosos concordam que a ofensiva seria dos exércitos de Tito, que destruíra Jerusalém no ano 70 d.C. Entretanto, alguns que aderem ao ponto de vista sobre o segundo advento (9.24-27 e nota), argumentam que embora os agressores sejam os exércitos comandados por Tito, o "príncipe" mesmo é o anticristo. Essa identificação provê uma transição para a interpretação sobre o segundo advento, que aparece no próximo versículo.

 

*          9.27                 Ele fará firme aliança com muitos, por uma semana. Os defensores do ponto de vista sobre o primeiro advento (9.24-27, nota) compreendem que o "Ungido" "fará firme aliança", ou seja, poria em execução seu ministério público. Entretanto, os defensores do ponto de vista do segundo advento postulam um intervalo de tempo entre os vs. 26 e 27, compreendendo que o "príncipe" faria "firme aliança" com muitos. Além disso, eles interpretam que o "príncipe" será o anticristo, o qual estabelecerá um pacto com o povo judeu, reunido no território de Israel durante um período de "tribulação" (12.1; Mt 24.21; Ap 7.14) de sete anos (a septuagésima "semana").

 

cessar o sacrifício. De acordo com os defensores do ponto de vista do primeiro advento (9.24-27, nota), isso se refere ao término do sistema de sacrifícios do Antigo Testamento, por motivo da morte de Cristo. De conformidade com os defensores do ponto de vista do segundo advento há aqui uma referência à proibição, determinada pelo anticristo, do "sacrifício e da oferta de manjares" (talvez representando a prática religiosa em geral) pelo povo judeu reunido, após três anos e meio (Ap 11.2; 12.6,14) do período da tribulação.

 

o assolador. De acordo com o ponto de vista do primeiro advento (9.24-27, nota) isso descreve a destruição de Jerusalém, ocorrida em 70 a.C. De acordo com o ponto de vista do segundo advento, isso descreve uma catástrofe que atingirá a cidade de Jerusalém em conexão com as atividades do anticristo. Frases similares a "asa das abominações" ocorrem no livro de Daniel 8.13; 11.31; 12.11 (notas), bem como em 1Macabeus 1.54. Dn 8.13 e 1Macabeus 1.54 são claras referências às atividades de Antíoco IV. Jesus referiu-se a essa "abominação" em sua predição de eventos futuros (Mt 24.15 e Mc 13.14).

 

*          10.1—12.13    O profeta revela uma visão final concernente ao reinado futuro de Antíoco IV Epifânio, mas olhando para além do reinado dele para outro que culmina no fim de nossa era.

 

*          10.1                 No terceiro ano de Ciro. Ou seja, em 537 a.C. Ver nota em 1.21. Os exilados repatriados retornaram à terra para reconstruir o templo (Ed 1.1-4; 3.8), mas em breve teriam que cessar, temporariamente, os seus esforços (Ed 4.24).

 

*          10.2                 pranteei. É provável que Daniel tenha pranteado por causa da lastimável condição de Jerusalém (Ne 1.4; Is 61.3,4; 64.8-12; 66.10).

 

*          10.5                 eis um homem vestido de linho. Os vs. 5 e 6 oferecem uma descrição detalhada desse anjo, que talvez seja aquele que falou ao anjo Gabriel (Dn 8.16) , ou o próprio Gabriel (9.21). Sua aparência é muito parecida com a da glória do Senhor (Ez 1.26-28; Ap 1.12-16). Quanto a outras referências aos anjos, ver Jz 13.6; Ez 9.2,3; 10.2; Lc 24.4.

 

*          10.7                 grande temor. Ver Is 6.5 e Lc 5.8.

 

*          10.12   foram ouvidas as tuas palavras. A visão e a revelação que Daniel recebeu vieram como resposta direta à suas orações.

 

*          10.13   Mas o príncipe do reino da Pérsia me resistiu. Esse "príncipe" é um ser espiritual mau e poderoso (cf. Is 24.21; Lc 11.14-26) que afetava o governo imperial da Pérsia.

 

Miguel. "Miguel", em outras passagens das Escrituras, é retratado como comandante dos santos anjos (Jd 9; Ap 12.7; cf. 2Rs 6.15-17). Temos aqui um vislumbre das batalhas espirituais desfechadas nos "lugares celestiais", que afetam os acontecimentos na terra (cf. Ef 6.12; Ap 12.7-9). O poder dos anjos caídos é limitado por Deus, conforme fica claro em outras passagens bíblicas (Jó 1.12 e 2.6).

 

*          10.20   o príncipe dos persas. Ver nota no v. 13.

 

o príncipe da Grécia. Esse anjo afeta os negócios do reino da Grécia (v. 13, nota). Embora tanto a Pérsia quanto a Grécia governassem o povo de Deus, Daniel teria que compreender que o poder desses príncipes era limitado pelo poder de Deus.

 

*          10.21   na escritura da verdade. Essa é uma metáfora que representa o conhecimento de Deus e seu controle sobre a história inteira.

 

a não ser Miguel, vosso príncipe. O interesse de Miguel em proteger a Israel (v. 13, nota; cf. 12.1) corresponde ao interesse do mensageiro, que está diretamente preocupado com os propósitos de Deus.

 

*          11.1                 no primeiro ano de Dario, o medo. Dois anos antes (10.1, nota) o anjo que estava falando com Daniel tinha dado assistência a Miguel (10.13, nota), talvez em conexão com o decreto persa de permitir aos judeus retornarem à sua terra natal.

 

*          11.2—12.4      A revelação que foi dada a Daniel em 11.2—12.4 divide-se em três partes: Dn 11.2-20 retrata a história do Oriente Próximo até o tempo de Antíoco IV Epifânio; Dn 11.21-35 descreve o governo de Antíoco IV; e Dn 11.36—12.4, aparentemente descreve o tempo do anticristo.

 

*          11.2                 ainda três reis. Esses reis foram: Cambises, 529—523 a.C.; Pseudo-Esmerdis (Gaumata), 523—522 a.C.; e Dario I, 522—486 a.C.

 

e o quarto. Xerxes I, 485—464 a.C., conhecido no Antigo Testamento como Assuero.

 

grandes riquezas. Ver Et 1.4.

 

contra o reino da Grécia. Xerxes encetou uma série de campanhas militares contra a Grécia, começando em 480 a.C.

 

*          11.3                 se levantará um rei poderoso. Alexandre, o Grande (336—323 a.C.). Ver notas em 7.6; 8.5,8.

 

*          11.4                 o seu reino será quebrado. Ver notas em Dn 7.6; 8.8.

 

*          11.5                 O rei do Sul. Ptolomeu I Soter, 322—285 a.C.

 

um de seus príncipes. Selêuco I Nicator (312—280 a.C.). Selêuco rompeu com Ptolomeu, tornou-se rei da Babilônia e controlava territórios do rio Indo no leste até à Síria, no ocidente.

 

*          11.6-20           Estes versículos contêm predições detalhadas dos relacionamentos entre o rei do norte (o reino selêucida) e o rei do sul (o reino ptolemaico). Esta seção diz respeito a eventos que envolviam Laodice e Berenice (v. 6-9), a carreira de Antíoco III (vs. 10-19) e o reinado de Selêuco IV (v. 20).

 

*          11.6                 a filha do rei. Berenice, a filha de Ptolomeu II Filadelfo, 285—246 a.C.

 

para estabelecer a concórdia. Temos aqui uma aliança por casamento (cerca de 250 a.C.) entre Antíoco II Teós (261—246 a.C.), da Síria, e Ptolomeu II, do Egito.

 

ele não permancerá, nem o seu braço. Laodice, a ex-esposa de Antíoco II, liderou uma conspiração que resultou na morte, por envenenamento, de Berenice, de Antíoco II e o pequeno filho deles.

 

*          11.7                 de um renovo da linhagem dela. Ptolomeu III Euergetes, 246—221 a.C., irmão de Berenice (v. 6 e nota).

 

entrará na sua fortaleza. Ptolomeu III atacou o reino selêucida, executou Laodice (v. 6, nota) e retornou ao Egito com consideráveis despojos.

 

*          11.8                 o rei do Norte. Selêuco II Calínico (246—226 a.C.) filho de Laodice, liderou uma campanha militar sem sucesso contra o reino ptolemaico, em 240 a.C.

 

*          11.10   Os seus filhos. Selêuco III Cerauno (226—223 a.C.) e Antíoco III, o Grande (223—187 a.C.).

 

farão guerra. Antíoco III começou a lutar contra os Ptolomeus em 219 a.C., e, durante algum tempo, obteve o controle sobre a Palestina e a Síria ocidental.

 

fortaleza. Provavelmente essa fortaleza era Ráfia, uma fortaleza ptolemaica no sul da Palestina, onde uma grande batalha foi travada em 217 a.C.

 

*          11.11   este. O rei do Sul, Ptolomeu IV Filópater (221—203 a.C.).

 

o rei do Norte. Antíoco III. Antíoco sofreu grandes perdas, isto é, mais de catorze mil homens, na batalha de Ráfia, em 217 a.C.

 

*          11.13   o rei do Norte. Em aliança com Filipe V, da Macedônia, Antíoco III organizou um exército ainda maior para invadir o reino ptolemaico. Ptolomeu IV morreu em circunstâncias misteriosas e foi substituído por Ptolomeu V Epifânio (203—181 a.C.), seu filho de quatro anos.

 

*          11.15   tomará cidades fortificadas. A vitória de Antíoco III sobre o general egípcio Scopas, em Sidom, em 198 a.C., assinalou o fim do governo ptolemaico na Palestina.

 

*          11.16   na terra gloriosa. A Palestina. Ver os vs. 41 e 45; 8.9.

 

*          11.17   não vingará, nem será para a sua vantagem. Depois que Cleópatra foi dada em casamento a Ptolomeu V, pelo pai dela, Antíoco III, ela se bandeou para o lado egípcio, buscando a ajuda dos romanos contra a tentativa do pai dela de tomar as cidades costeiras da Ásia Menor que eram controladas pelo Egito.

 

*          11.18   um príncipe. Trata-se do general romano Lúcio Cornélio Scipio, que derrotou Antíoco III em várias batalhas e forçou-o a ceder a Ásia Menor ao controle dos romanos (a paz de Apaméia, 188 a.C.). Nesse tempo, o segundo filho de Antíoco III, que se tornou Antíoco IV Epifânio, foi levado como refém para Roma.

 

*          11.20   em lugar dele. Selêuco IV Filópater, 187—175 a.C. (o filho mais velho de Antíoco III).

 

pela terra mais gloriosa do seu reino. Quanto a um relato da tentativa de Heliodoro em cobrar impostos de Selêuco, ver 2Macabeus 3.7-40.

 

*          11.21   um homem vil. Antíoco IV Epifânio (175—164 a.C.), que não foi o sucessor legítimo de seu irmão, Selêuco IV, visto que Selêuco IV tinha um filho. Ver notas em 8.9-14.

 

*          11.22   também o príncipe da aliança. Talvez tenhamos aqui uma referência ao assassinato, em 171 a.C., do sumo sacerdote Onias III, por apoiadores de Antíoco IV, baseados em Jerusalém (ver 2Macabeus 4.32-43).

 

*          11.25   o rei do Sul. Ptolomeu VI Filómeter, 181—146 a.C., filho de Ptolomeu V e Cleópatra, e sobrinho de Antíoco (v. 17, nota).

 

não prevalecerá. Antíoco IV derrotou Ptolomeu VI em Pelúsio, na fronteira com o Egito (cf. 1Macabeus 1.16-19).

 

*          11.28   tornará para a sua terra... o seu coração será contra a santa aliança. Em reação às intrigas em Jerusalém contra seus apoiadores, Antíoco IV saqueou o templo de Jerusalém quando retornava do Egito para a Antioquia da Síria (cf. 1Macabeus 1.20-28).

 

*          11.29   contra o Sul. Antíoco IV invadiu novamente o Egito em 168 a.C.

 

*          11.30   virão contra ele navios de Quitim. Exércitos romanos, comandados por Caio Popílio Lenas, forçaram Antíoco IV a retirar-se do Egito.

 

se indignará contra a santa aliança. Antíoco IV resolveu exterminar a religião judaica. Ver nota em 8.11.

 

*          11.31   a abominação desoladora. A profanação do templo ocorreu em dezembro de 168 a.C., por ordem de Antíoco IV (cf. 1Macabeus 1.54,59; 2Macabeus 6.2). Ver as notas em 8.11; 9.27 e 12.11).

 

*          11.32   o povo que conhece ao seu Deus. Daniel fala aqui sobre aqueles que se opuseram aos helenizantes e estavam prontos para morrer pela sua fé (1Macabeus 1.60-63).

 

*          11.34   serão ajudados. Provavelmente temos aqui uma referência a Matatias, um sacerdote idoso, e seus cinco filhos: João, Simão, Judas, Eleazar e Jônatas, os quais desfecharam uma batalha de guerrilhas contra a helenização forçada dos judeus. Matatias morreu em 166 a.C. Seus filhos, conhecidos como os Macabeus, levaram avante a luta. A vitória foi obtida por Judas Macabeu, em dezembro de 164 a.C., quando o templo de Jerusalém foi purificado e os sacrifícios diários foram restaurados (1Macabeus 4.36-39).

 

*          11.35   tempo do fim... no tempo determinado. Ver nota em 8.17.

 

*          11.36—12.3    Certos detalhes, em 11.36—12.3, não podem ser harmonizados com os eventos que cercaram a morte de Antíoco IV. Por essa razão, alguns intérpretes entendem que estes versículos descrevem o anticristo, o qual, imitando Antíoco IV, perseguirá o povo de Deus imediatamente antes do segundo advento de Cristo (cf. 12.1-3). Estes verículos descrevem o caráter do anticristo, as suas atividades e o destino do povo de Deus. Essa compreensão exigiria um intervalo de tempo entre os eventos retratados em Dn 11.21-35 e aqueles de Dn 11.36—12.3. Conseqüentemente, outros intérpretes têm entendido os vs. 36-39 como um sumário das políticas religiosas de Antíoco; os vs. 40-45, como uma descrição de como a sua ambição o levaria à sua derrota; e Dn 12.1-3 como uma previsão de sua derrota. A invasão prevista da Terra Santa pode ser apresentada como um paralelo da invasão anterior por parte de Nabucodonosor, usando os nomes das nações da época, poupando os antigos inimigos de Israel (v. 41), e atingindo o seu clímax na derrota prevista do próprio Egito (vs. 42,43; cf. Ez 29). Em seu momento de maior jactância, Antíoco seria destruído no monte Sião, no coração da Terra Santa (vs. 44 e 45). A derrota de Antíoco, em Dn 12.1-3 foi descrita em termos do fim absoluto da história. Visto que as profecias de Dn 11.40—12.3 não foram cumpridas historicamente, é difícil discernir quão literais ou metafóricas elas são, e a interpretação das mesmas forçosamente será especulativa. A interpretação de que está em foco o futuro anticristo será seguida nas notas expositivas restantes.

 

*          11.36   até que se cumpra a indignação. Tal como fora no caso de Antíoco IV Epifânio (8.17, nota; 11.35), o tempo final de perseguição estará sujeito ao controle divino.

 

*          11.40   No tempo do fim. Aqui, o "fim" tem um sentido escatológico e refere-se ao fim da era presente (8.17, nota).

 

*          11.41   terra gloriosa. A Palestina (cf. os vs. 16, 45 e 8.9).

 

*          11.45   seu fim. Ver Jl 3; Zc 14.1-4; 2Ts 2.8; Ap 16.13-16; 19.11-21.

 

*          12.1                 Miguel. Ver nota em 10.13.

 

tempo de angústia. Esse tempo de tribulação sem paralelos identifica-se com a "grande tribulação" predita pelo Senhor Jesus (Mt 24.21; Mc 13.19).

 

será salvo o teu povo. Esse livramento não será, necessariamente, pelo martírio (v. 2), mas pelo poder de Satanás, compreendido como as suas tentativas de destruir a fé do povo durante o tempo futuro de tribulação.

 

*          12.2                 vida eterna... horror eterno. Este versículo é uma clara predição acerca da ressurreição do corpo dos justos e dos ímpios, tendo em vista o julgamento final (Mt 25.46; Jo 5.28,29).

 

*          12.4                 sela o livro. Selar um livro mantinha-o inalterado, enquanto o mesmo esperava seu cumprimento (8.26, nota).

 

*          12.7                 um tempo, dois tempos e metade de um tempo. Ver nota em 7.25.

 

*          12.11   posta a abominação desoladora. Ver a terceira nota em 9.27. As atividades semelhantes de Antíoco IV prefiguravam as atividades do anticristo (8.13).

 

mil duzentos e noventa dias. É obscura a significação desses limites de tempo. Três anos e meio são 1.260 dias de um ano com 360 dias, ou 1.278 dias de um ano de 365 dias.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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