*          1.3-14  Essa extensa frase desenvolve o louvor ao propósito de Deus encontrado em Rm 8.28-30. Louvor é dado ao Pai que elege (vs. 4-6), ao Filho que redime (vs. 7-12) e ao Espírito que sela (vs. 13, 14). Paulo reflete sobre os crentes desde a eternidade, o perdão que recebem no presente e sua herança no futuro.  Faz conhecer a repetição das frases “em Cristo” ou “nele”, empregadas com referência à íntima união estabelecida por Deus entre Cristo e o seu povo.

 

*          1.2 graça...paz. Característica usada sempre nas cartas paulinas

 

*          1.3  nas regiões celestiais. A vitória de Cristo sobre a morte obteve para os crentes vários benefícios pelos quais Paulo bendiz o Pai. Essa locução aparece outras cinco vezes em Efésios, duas das quais em relação direta com o sentido que tem aqui. Cristo ressuscitou dos mortos e está assentado à mão direita do Pai “nos lugares celestiais”, de onde governa todas as coisas para o bem da igreja (v. 22). Além do mais, os crentes também foram ressuscitados e assentados com ele “nos lugares celestiais” (2.6).

 

*          1.4  nos escolheu, nele. Ver “Chamado e Reprovação” em Rm 9.18. Paulo regozija-se por Deus escolher pessoas para com elas se relacionar (Rm 8.29-33; 9.6-26; 11.5, 7, 28; 16.13; Cl 3.12; 1Ts 1.4; 2Ts 2.13; Tt 1.1). Segundo alguns, “nele” significa que Deus previu aqueles que teriam fé em Cristo e os chamou.  Isso acrescenta um pensamento estranho ao texto; além disso, Paulo ensina, em outra passagem, que ninguém vem a estar "em Cristo" sem que tenha sido para isso apurado (1Co 1.26-31).  Paulo diz explicitamente que o fundamento do amor de Deus é o beneplácito da sua vontade ao chamado (vs. 5, 10; cf. Dt 7.7,8), jamais algo que tenhamos feito ou venhamos a fazer (Rm 9.11,16), muito menos por feitos de obras humanas.  “Nele” significa que a escolha de Deus sempre teve como alvo um povo caído em união com o seu Redentor (2Tm 1.9). Ver também 1Pe 1.18-21; Ap 13.8.

 

santos e irrepreensíveis.  Ver 5.27; Cl 1.22.  Deus almeja conduzir completamente os seus apurados da morte espiritual no pecado (2.1-5) para o perdão dos pecados em Cristo (1.7), até, finalmente, à eliminação de todo pecado dentre suas experiências (Rm 8.29, 30).

 

em amor.  Se “em amor” faz parte da oração anterior, essa locução ajuda-nos a explicar a natureza da santidade e da irrepreensibilidade às quais os crentes são chamados; o que está em harmonia com a aplicação da locução em outros versículos (3.17; 4.2,15,16; 5.2).  Se "em amor" pertence ao v. 5, a locução explica em termos somente decisão de Deus, mas como um ato do seu amor por meio de Cristo (Os 11.1).  Essa interpretação é provavelmente melhor. Está em harmonia com 2.4,5.

 

*          1.5  adoção.  Ver Rm 8.14-17, 29; Gl 3.26, 27; “Adoção” em Gl 4.5.

 

*          1.6  A reflexão sobre o excelso amor de Deus conduz a uma efusão de louvor (vs. 12,14) a Deus, que não só tem o poder como a vontade de triunfar sobre todos os obstáculos e trazer os espiritualmente mortos a um relacionamento vivo consigo mesmo (o tema desenvolvido em 2.1-10).

 

graça... gratuitamente no Amado.  A linguagem aqui recorda a de Cl 1.13, mas traz também a idéia do próprio Redentor como objeto do amor com que Deus elege (1Pe 1.18-21; Ap 13.8). A linguagem da graça domina os vs. 6-8.

 

*          1.7  Ver em Cl 1.14; 2.13.

 

redenção.  Esse termo significa libertação, de escravidão ou cativeiro, através do pagamento de um preço ou resgate. Sobre a redenção futura, ver v. 14; 4.30.

 

*          1.9  mistério.  Ver 3.3,5,6,10, e notas; Cl 1.27.

 

*          1.10  na... plenitude dos tempos.  Não se resume a algo futuro simplesmente. Cristo já veio para trazer redenção e adoção (Gl 4.4). Em virtude de sua morte e ressurreição, já tem a primazia sobre a igreja e, ainda que em oculto, já governa o universo (At 2.32-36; Cl 1.15-20). A ênfase, no entanto, recai principalmente sobre o aspecto futuro.  A unidade visível da igreja é uma antecipação do subseqüente governo visível de Cristo sobre todas as coisas.  Essa é a razão porque Paulo enfatiza a unidade dos judeus e gentios na Igreja (vs. 11-14; 2.11-22) e a prática do amor entre os cristãos (4.2,15; 4.32-5.2,21-23). O tema introduzido aqui, nos vs. 9-12, é desenvolvido em 3.2-12.

 

*          1.11-14  Paulo antecipa aqui o que dirá em 3.6 quanto a judeus e gentios serem “co-herdeiros” da promessa em Cristo. Os judeus que haviam crido nos dias de Paulo, “os que de antemão esperamos em Cristo” (v. 12), tornaram-se herdeiros por causa da vontade de Deus. Os gentios que receberam agora a mesma promessa antes feita a Israel — o dom do Espírito Santo — tornaram-se igualmente herdeiros para o louvor da glória de Deus.

 

*          1.11  todas as coisas... sua vontade.  Uma declaração geral sobre o alcance da vontade de Deus.

 

*          1.13  selados. Como a marca indelével feita pelo anel de selar de um rei, o Espírito Santo é uma marca interior que distingue o povo de Deus como propriedade sua.  Ver “Salvação” em At  4.12.

 

o Santo Espírito da promessa.  Conforme Jesus diz em Lc 24.49, o Espírito Santo é a promessa do Pai. Essa promessa é, note-se bem, estendida aos gentios, como também aos judeus, com base na confiança que eles têm em Cristo (Ez 36.26, 27; Jl 2.28; Jo 14-16; At 1.4, 5; 2.33,38,39; Gl 3.14; 4.6).

 

*          1.14  penhor.  O Espírito não é somente uma promessa cumprida por Deus, a de habitar em seu povo, mas também uma garantia de que Deus os conduzirá à herança que é deles para sempre. Como sinal ou primeira prestação da redenção em sua plenitude, o Espírito é uma antecipação da glória da era por vir (Rm 8.18-23).

 

sua propriedade.  O Antigo Testamento ensina que Deus escolheu um povo como sua herança (Dt 32.9; Sl 33.12) e o resgatou da escravidão para que viessem a ser uma propriedade peculiar (Êx 19.5; Dt 7.6).  Pedro concorda com a extraordinária aplicação que Paulo faz dessa idéia aos gentios assim como aos judeus (1Pe 2.9).

 

*          1.15  tendo ouvido. Ver Introdução: Data e Motivo. O ministério de Paulo em Éfeso havia durado mais de dois anos, mas a carta pode ter sido escrita até cinco anos depois. A igreja havia crescido consideravelmente nesse período.  Pode ser que Paulo mencione a fé e o amor de pessoas que conhecia apenas por informação, já que Efésios era originalmente uma carta circular para várias igrejas.

 

*          1.17  sabedoria... revelação.  Ver "Iluminação e Convicção" em 1Co 2.10.

 

*          1.18  para saberdes.  Ver “O Verdadeiro Conhecimento de Deus” em Jr 9.24.

 

*          1.19-23  Esses versos condensam o ensino do Novo Testamento sobre a ressurreição e entronização de Jesus (Cl 1.18, nota).  Fazem, além disso, duas contribuições vitais para o entendimento da ressurreição de Jesus e o status dos crentes.  Primeira, o mesmo poder que ressuscitou Jesus dentre os mortos age também nos crentes (2.4, 5; 3.16,17).  Segunda, Cristo governa, como cabeça, sobre todas as coisas para o bem da Igreja.  Cristo não apenas ocupa o mais elevado posto de domínio sobre o universo como está ali representando os crentes (2.6; Cl 3.3) e governando a favor deles. Os princípios éticos contidos na carta aos Éfesios enfatizam que a autoridade existe para o serviço. O uso soberano que Jesus faz de seu poder e autoridade no interesse do seu povo é o modelo do cristão (4.1, 2, 7-13; 4.32-5.2, 22-23).  Paulo relembra seus leitores gentílicos de que foram duplamente abençoados pelo poder de Cristo: ele os trouxe da morte para a vida (2.1-10) e da exclusão para a admissão no povo de Deus (2.11-22).

 

*          1.20  fazendo-o sentar... nos lugares celestiais.  Ver “A Ascensão de Jesus” em Lc 24.51.

 

*          1.21  acima de todo principado, e potestade.  Ver em 3.10.

 

no presente século... no vindouro.  Ver 1Co 15.24

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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