*          2.1-3  O estado natural de todos os seres humanos é uma espécie de morte espiritual.  Primeiro, essa condição espiritual é universal: tanto gentios (v. 2) como judeus (v. 3) são “por natureza filhos da ira” (v. 3; sobre o conceito de “natureza” em Paulo, ver Rm 1).  Segundo, estão em rebelião contra Deus; note o uso de “andastes” em relação aos gentios no v. 2 e “nós andamos outrora” em referência aos judeus no v. 3. Terceiro, estão sujeitos ao domínio maligno de Satanás (chamado no v. 2 “príncipe da potestade do ar”; cf. Gl 4.3; Cl 1.13).  Quarto, são totalmente incapazes de abandonarem a rebelião contra Deus (Jo 3.3).  Quinto, estão expostos à justa ira de Deus (v. 3; 5.6; Rm 1.18-20).

 

*          2.1  Ele vos deu vida.  Ver “Regeneração: O Novo Nascimento” em Jo 3.3.

 

*          2.4  Mas Deus.  Paulo pinta esse quadro desolador da situação humana para colocar em relevo a resposta graciosa e misericordiosa de Deus ao mesmo.

 

por causa do grande amor com que nos amou.  Deus ama o seu povo por vontade própria.  Paulo rejeita qualquer idéia de mérito, esforço ou capacidade por parte daqueles que chegam à vida (cf. Dt 7.7,8).  A condição de pecadores, irremediável senão por Cristo, descrita por Paulo nos vs. 1-3 é fundamental para a compreensão do que ele ensina sobre a eleição de Deus em 1.4-6 e sobre o dom divino da vida aqui nos vs. 4-10.  Observe o resumo em Rm 8.29,30.

 

*          2.5,6  nos deu vida... nos ressuscitou, e nos fez assentar.  São acontecimentos históricos da vida de Cristo: sua ressurreição dos mortos e entronização à mão direita de Deus. Mas Paulo relaciona-os também ao que tem acontecido aos crentes. Paulo ensina uma união entre Cristo e os que nele crêem (1.3; Cl 3.1-4), de forma que o que é dito do Redentor também pode ser dito dos remidos. O que primeiro tornou-se realidade para Jesus também tornar-se-á, um dia, realidade para os crentes (2Co 4.16): eles serão ressuscitados em glória na sua volta (Rm 8.11; 1Co 15).  Por enquanto, há uma nova mente (4.23, 24; Rm 12.1, 2), uma nova identidade como filhos de Deus (Rm 8.14-17) e uma nova aptidão para viver livre do controle de Satanás (Rm 8.1-4; 2Co 5.17).

 

*          2.7  O fundamento da nossa salvação é o amor e a misericórdia de Deus e o seu propósito é a promoção da sua graça e bondade (3.6, nota).

 

*          2.8  sois salvos.  Salvação é uma ação concluída que tem um efeito presente.  Em suas primeiras cartas, Paulo geralmente refere-se à salvação ou como um acontecimento futuro (Rm 5.9,10) ou como um processo presente (1Co 1.18; 2Co 2.15). Única exceção é Rm 8.24, onde Paulo refere-se à salvação como acontecida no passado mas ainda por ser completada no retorno de Cristo: "Porque, na esperança, fomos salvos”.

 

e isto não vem de vós; é dom de Deus.  Esse parêntesis é relacionado por muitos ao processo inteiro da salvação pela graça através da fé como um dom de Deus.  Outros, todavia, relacionam “isto” especificamente a “fé”.  Pecadores dependem do dom gracioso de Deus para responderem com fé a Cristo desde o momento da conversão.  Paulo torna explícito o que está implícito em outras passagens do Novo Testamento a respeito da fonte última da fé salvadora (At 13.48; Fp 1.29).

 

*          2.9  obras.  A fé somente, não as obras, pode trazer-nos a aceitação junto a Deus.  Boas obras são, contudo, conseqüência e evidência essenciais de vida com Deus (Tt 2.14; 3.8,14; Tg 2.14-26).  Deus nos escolheu para fazer-nos santos filhos e filhas (1.4,5) e ele nos fez para sermos novos portadores de sua imagem (4.24), designados para uma vida em conformidade com o caráter de Deus (4.1-6.20).  Veja também “Antinomismo” em 1Jo 3.7.

 

*          2.10  para que andássemos nelas.  Ver 4.1; 5.2,8,15; note a comparação irônica com 2.2; 4.17.

 

*          2.11  na carne, por mãos humanas.  O oposto dessa circuncisão é a circuncisão espiritual do coração (Dt 10.16; Jr 4.4), aplicada tanto aos gentios como aos judeus (Rm 2.28,29; Fp 3.3; Cl 2.11-13).

 

*          2.12  naquele tempo.  Contraste com “mas agora” do v. 13; ver também 5.8.  Em Rm 9.3-5, Paulo relaciona os privilégios dos judeus.  Aqui, ele relaciona  as desvantagens dos gentios.

 

separados... estranhos às alianças da promessa.  Não eram cidadãos da nação com a qual Deus estava em relacionamento de pacto.  Embora o relacionamento de Deus com Israel contivesse a promessa de abençoar as nações (Gn 12.3), os gentios não tinham consciência alguma dessa esperança.

 

sem Deus no mundo.  Deus revelou-se a toda a humanidade na consciência e na natureza.  Mas os gentios haviam abafado o que da verdade sabiam, voltando-se, em vez disso, para a idolatria (At 17.22-31; Rm 1.18-2.16).

 

*          2.13  em Cristo Jesus... pelo sangue de Cristo.  A aproximação dos gentios a Deus envolve dois aspectos.  O primeiro é experiência que têm da união espiritual com Cristo (vs. 4-10); o segundo é a base histórica dessa experiência na morte sacrificial de Cristo (vs. 14-16; 1.7).

 

longe... aproximados.  Ver v. 17.

 

*          2.14-16  Ver 4.22-24; Cl 3.9-12 e notas.

 

*          2.14  parede da separação que estava no meio.  Refere-se aos átrios do templo em Jerusalém.  Uma parede separava os gentios dos judeus; também havia sinais afixados que excluíam os gentios dos átrios internos onde eram realizados os sacrifícios pelos pecados.

 

*          2.15  aboliu... a lei dos mandamentos.  Cristo ofereceu em seu próprio corpo o sacrifício definitivo, do qual os sacrifícios do templo eram apenas sinal.  As leis cerimoniais do Antigo Testamento que separavam judeus dos gentios não têm mais razão de ser após o seu cumprimento em Cristo.

 

*          2.17,18  Isaías havia profetizado acerca de um dia no qual a paz de Deus seria proclamada aos que estão “longe” e aos que estão “perto” (Is 57.19).  Pelo evangelho de Cristo, o Espírito reúne gentios ("a vós outros que estáveis longe") e judeus ("aos que estavam perto") na presença do Pai, em cumprimento da promessa de Isaías.

 

*          2.19-22  Esses versículos descrevem a reversão das desvantagens dos gentios apresentadas resumidamente nos vs. 11,12 (cf. 3.6). A construção de um novo templo espiritual substitui aquele, agora obsoleto, de Jerusalém.

 

*          2.19  já não sois estrangeiros.  O reino de Deus é agora internacional.  Ver nota teológica “A Igreja”, índice.

 

*          2.20  O fundamento da casa de Deus foi definitivamente posto pelos apóstolos e profetas do Novo Testamento.  A pedra angular é Cristo (1Co 3.10,11).

 

*          2.21,22  cresce... sendo edificados.  A casa de Deus cresce através da inclusão e integração contínua de pessoas como “pedras vivas” (1Pe 2.5). A casa também é um templo porque Deus mesmo vive nesse novo edifício feito de pessoas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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