* 5.1 como filhos amados. Ver nota em Cl 3.12. Um conhecimento sólido
quanto ao amor de Deus e ao lugar de cada um na família de Deus (1.5)
incentivam o sacrifício pessoal necessário para a vida cristã (cf. v. 2).
* 5.3,4 convém... inconvenientes. Banalizar o relacionamento sexual
(“chocarrices”) ou, por outro lado, idolatrá-lo, está em descompasso com a
nossa identidade de “santos”. Uma vez que fomos convocados dentre a raça humana
(1.4-6) para portar a imagem restaurada de Deus (4.24), podemos aceitar os dons
de Deus, inclusive a sexualidade, com ações de graça, e restituí-los ao seu uso
apropriado (Pv 5.18,19; 1Tm 4.1-5; Hb
13.4).
* 5.6 Ainda que o dia da prestação de contas possa
ser negado com “palavras vãs” (cf. 2Pe 3.3, 4), o julgamento de Deus fará a
separação final entre os “filhos da desobediência” (2.2; cf. 5.5) e os filhos
amados de Deus (1.4, 5; 5.1).
* 5.7 participantes com eles. Os cristãos precisam considerar o terrível
destino dos não-cristãos e recusar a juntar-se a eles em sua loucura. Ao
contrário, devem lembrar-se de seu status de participantes com os judeus nas
promessas de Deus em Cristo (3.6).
* 5.8 outrora... porém, agora. Ver
2.11,13. Paulo deseja que os crentes façam mais do que se abster das coisas que
trazem a ira de Deus. Eles devem viver como “filhos da luz” (Cl 1.13 nota). O
resultado da união dos crentes com Cristo, aquele que é “a luz do mundo” (Jo
8.12; 9.5) é que eles também são feitos “luz do mundo” (Mt 5.14).
* 5.13 tudo que se manifesta é luz. Paulo considera
certos pecados tão vergonhosos que só o trazê-los à luz já envergonhará alguns
descrentes ao ponto de se arrependerem. A simples mas contrastante presença dos
cristãos pode expor pecados, como os cristãos também podem condená-los
abertamente. A citação feita por Paulo
consiste provavelmente de um hino cristão primitivo que reflete o conteúdo de
diversas passagens do Antigo Testamento (Is 60.1, p.ex.) e que convoca os
espiritualmente mortos a erguerem-se para receberem a luz de Cristo (cf.
2.1-10).
* 5.18 não vos embriagueis com vinho. Trata-se
de algo mais do que mera probição da embriaguês. Paulo está se referindo provavelmente a uma
forma orgiástica de adoração tal como praticada no culto a Dionísio (Baco), o
deus do vinho. O ritual a Dionísio seguia vários estágios de embriaguês, tidos
como incorporações da divindade nos participantes, inspirando profecia, dança
frenética e música. Tal culto é "dissipação."
enchei-vos do Espírito. Enquanto o selo do Espírito (1.13, 14; 4.30)
é a iniciação na vida cristã e, portanto, não se repete, o encher-se do
Espírito pertence à vida cristã inteira.
Esse encher-se não apenas se repete como deve ser continuamente
buscado. Na passagem paralela em
Colossenses, Paulo diz aos cristãos para deixar a “paz de Cristo” governar seus
corações e permitir que a “palavra de Cristo” habite ricamente neles (Cl
3.15,16). Quem está cheio do Espírito está cheio de Cristo e da sua Palavra (Jo
14.16,26; 16.12-15; 17.17).
* 5.19 entre vós... ao Senhor. Adoração oferece-se a Deus somente. Ao mesmo
tempo, também existe uma audiência humana no culto corporativo na medida em que
as pessoas adoram em conjunto e dirigem-se umas às outras em mútuo benefício
(1Co 14; Hb 10.24).
salmos... hinos e cânticos espirituais. Ver “A
Música na Igreja” em Cl 3.16.
* 5.21 Esse versículo de transição conclui uma série
de expressões que ilustram o resultado do encher-se do Espírito (vs. 19-21
nota). Independentemente da classe
social a que pretençam, todos os cristãos devem moldar sua conduta na sociedade
pela humildade e bondade de Cristo (4.32-5.2; cf. Lc 22.24-27; Jo
13.14-16). Essa submissão “uns aos
outros” é a base para os modelos de
autoridade nos diferentes relacionamentos examinados em 5.22-6.9.
* 5.22-6.9 A partir de Aristóteles (século IV a.C), pelo
menos, a ética grega havia tratado as relações domésticas segundo um modelo
familiar: esposos e esposas, pais e filhos, senhores e escravos. O interesse
era, obviamente, ensinar o cabeça da casa a governar sua família e escravos. Na
abordagem a tais regras, Paulo e Pedro transformam a questão de como esposos,
pais e senhores dominam para, como podem, imitar o amor de Cristo, que conhecem
em suas próprias vidas, em proveito daqueles que estão sob o seu cuidado. Ao mesmo tempo, conforme esposas, filhos e
escravos definem seus papéis em termos de serviço a Cristo, deixam de ser
objetos passivos em uma sociedade que os menospreza para tornarem-se, em vez
disso, ativos cooperadores de Deus em seu plano de trazer unidade à uma geração
dividida por sexo, idade e situação econômica.
* 5.22-32 Jesus dá vida a uma nova comunidade de amor —
a igreja, seu próprio corpo. Seu amor também determina o relacionamento
matrimonial para o seu povo. Paulo ensina que os dois sexos se complementam e
que um homem e uma mulher são iguais perante Deus. Porém, no casamento o homem
tem a liderança. Tal liderança não é absoluta mas dá ao marido a iniciativa no
casamento, à qual a mulher responde. A compreensão de Paulo fundamenta-se na
ordem da criação (1Co 11.8, 9; 1Tm 2.13), considerando as conseqüências ainda
presentes da queda, mesmo entre cristãos (1Tm 2.14). A redenção em Cristo
restaura a intimidade no casamento para a qual homens e mulheres foram criados.
* 5.22 submissas. Uma esposa cristã é chamada à grata aceitação
do cuidado e da liderança por parte de seu marido. Ver nota teológica “A
Família Cristã”, índice.
como ao Senhor. Ver o v. 24.
* 5.23 cabeça da mulher... cabeça da Igreja. Em outras passagens sobre a primazia de
Cristo nessa carta, Paulo fala do modo como Cristo governa o universo e a
igreja (1.22) e serve de fonte para a saúde do corpo e o crescimento em
maturidade (4.14-16).
o salvador.
É especialmente em seu papel de Salvador que Cristo serve de modelo ao marido
(vs. 25-27 e notas).
do corpo. Isto é, a
igreja como o seu corpo — Cristo mesmo habita na igreja (vs. 28-30).
* 5.24 Como, porém, a Igreja... assim também as
mulheres. A sujeição da Igreja a Cristo é uma ordem revelada e
celestial, não uma ordem natural. Os
discípulos de Cristo eram seus amigos, não somente seus servos, e ele morreu
por eles (Jo 15.12-15; cf. Lc 22.25-27).
* 5.25 Maridos, amai. A ênfase nesta passagem não está na
autoridade do marido para governar mas em sua responsabilidade em amar.
como também Cristo amou a Igreja e a si mesmo se entregou por
ela. Em parte alguma do
Novo Testamento o amor de Cristo, de auto-sacrifício, é apresentado de forma
mais direta a uma relação específica como um modelo a ser imitado (cf. v. 2).
* 5.26,27 Paulo resume nesses versículos tudo quanto
implica o compromisso de Cristo em seu relacionamento com a Igreja: ele a
purificou do pecado e a está preparando para um destino glorioso em sua
companhia (ver referência lateral, v. 26). Os maridos são igualmente chamados a
adaptar suas vidas de acordo com as necessidades de suas esposas e
oferecer-lhes os meios para o crescimento e desenvolvimento delas.
* 5.28-32 A união que uma pessoa tem com o seu próprio
corpo é íntima e permanente. O casamento cria uma união semelhante (Gn 2.24).
Cristo uniu a Igreja a si mesmo pelos laços da aliança que cumpriu. Essa união
íntima constitui-se em uma analogia do casamento cristão (ver 2.6 e nota).
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sergiovalentin