* 1.3-14 Essa extensa frase desenvolve o louvor ao
propósito de Deus encontrado em Rm 8.28-30. Louvor é dado ao Pai que elege (vs.
4-6), ao Filho que redime (vs. 7-12) e ao Espírito que sela (vs. 13, 14). Paulo
reflete sobre a eleição dos crentes desde a eternidade, o perdão que recebem no
presente e sua herança no futuro.
Elucidativa é a repetição das frases “em Cristo” ou “nele”, empregadas
com referência à íntima união estabelecida por Deus entre Cristo e o seu povo.
* 1.3 nas regiões celestiais. Essa
locução aparece outras cinco vezes em Efésios, duas das quais em relação direta
com o sentido que tem aqui. Cristo ressuscitou dos mortos e está assentado à
mão direita do Pai “nos lugares celestiais”, de onde governa todas as coisas
para o bem da igreja (v. 22). Além do mais, os crentes também foram
ressuscitados e assentados com ele “nos lugares celestiais” (2.6). A vitória de
Cristo sobre a morte obteve para os crentes vários benefícios pelos quais Paulo
bendiz o Pai.
* 1.4 nos escolheu, nele. Ver
“Eleição e Reprovação” em Rm 9.18. Paulo regozija-se por Deus escolher pessoas
para com elas se relacionar (Rm 8.29-33; 9.6-26; 11.5, 7, 28; 16.13; Cl 3.12;
1Ts 1.4; 2Ts 2.13; Tt 1.1). Segundo alguns, “nele” significa que Deus previu
aqueles que teriam fé em Cristo e os elegeu.
Isso acrescenta um pensamento estranho ao texto; além disso, Paulo
ensina, em outra passagem, que ninguém vem a estar "em Cristo" sem
que tenha sido para isso escolhido (1Co 1.26-31). Paulo diz explicitamente que o fundamento do
amor predestinador de Deus é o beneplácito da sua vontade (vs. 5, 10; cf. Dt
7.7,8), jamais algo que tenhamos feito ou venhamos a fazer (Rm 9.11,16). “Nele” significa que a escolha de Deus sempre
teve como alvo um povo caído em união com o seu Redentor (2Tm 1.9). Ver também
1Pe 1.18-21; Ap 13.8.
santos e irrepreensíveis. Ver 5.27; Cl 1.22. Deus almeja conduzir completamente os seus
eleitos da morte espiritual no pecado (2.1-5) para o perdão dos pecados em
Cristo (1.7), até, finalmente, à eliminação de todo pecado dentre suas
experiências (Rm 8.29, 30).
em amor. Se “em amor” faz parte da oração anterior,
essa locução ajuda-nos a explicar a natureza da santidade e da
irrepreensibilidade às quais os crentes são chamados; o que está em harmonia com a aplicação da locução
em outros versículos (3.17; 4.2,15,16; 5.2).
Se "em amor" pertence ao v. 5, a locução explica predestinação
não em termos somente de uma decisão de Deus mas como um ato do seu amor (Os
11.1). Essa interpretação é
provavelmente melhor. Está em harmonia com 2.4,5.
* 1.5 adoção. Ver Rm 8.14-17, 29; Gl 3.26, 27; “Adoção” em
Gl 4.5.
* 1.6 A reflexão sobre o excelso amor de Deus
conduz a uma efusão de louvor (vs. 12,14) a Deus, que não só tem o poder como a
vontade de triunfar sobre todos os obstáculos e trazer os espiritualmente
mortos a um relacionamento vivo consigo mesmo (o tema é desenvolvido em
2.1-10).
graça... gratuitamente no Amado. A linguagem aqui recorda a de Cl 1.13, mas
traz também a idéia do próprio Redentor como objeto do amor com que Deus elege
(1Pe 1.18-21; Ap 13.8). A linguagem da graça domina os vs. 6-8.
* 1.7 Ver notas em Cl 1.14; 2.13.
redenção. Esse termo significa libertação, de
escravidão ou cativeiro, através do pagamento de um preço ou resgate. Sobre a
redenção futura, ver v. 14; 4.30.
* 1.9 mistério. Ver 3.3,5,6,10, e notas; Cl 1.27.
* 1.10 na... plenitude dos tempos. Não se resume a algo futuro simplesmente.
Cristo já veio para trazer redenção e adoção (Gl 4.4). Em virtude de sua morte
e ressurreição, já tem a primazia sobre a igreja e, ainda que em oculto, já
governa o universo (At 2.32-36; Cl 1.15-20). A ênfase, no entanto, recai
principalmente sobre o aspecto futuro. A
unidade visível da igreja é uma antecipação do subseqüente governo visível de
Cristo sobre todas as coisas. Essa é a
razão porque Paulo enfatiza a unidade dos judeus e gentios na Igreja (vs.
11-14; 2.11-22) e a prática do amor entre os cristãos (4.2,15; 4.32-5.2,21-23).
O tema introduzido aqui, nos vs. 9-12, é desenvolvido em 3.2-12.
* 1.11-14 Paulo antecipa aqui o que dirá em 3.6 quanto
a judeus e gentios serem “co-herdeiros” da promessa em Cristo. Os judeus que
haviam crido nos dias de Paulo, “os que de antemão esperamos em Cristo” (v.
12), tornaram-se herdeiros por causa da vontade de Deus. Os gentios que
receberam agora a mesma promessa antes feita a Israel — o dom do Espírito Santo
— tornaram-se igualmente herdeiros para o louvor da glória de Deus.
* 1.11 todas as coisas... sua vontade. Uma declaração geral sobre o alcance da
vontade de Deus.
* 1.13 selados. Como a marca indelével
feita pelo anel de selar de um rei, o Espírito Santo é uma marca interior que
distingue o povo de Deus como propriedade sua.
Ver “Salvação” em At 4.12.
o Santo Espírito da promessa. Conforme Jesus diz em Lc 24.49, o Espírito
Santo é a promessa do Pai. Essa promessa é, note-se bem, estendida aos gentios,
como também aos judeus, com base na confiança que eles têm em Cristo (Ez 36.26,
27; Jl 2.28; Jo 14-16; At 1.4, 5; 2.33,38,39; Gl 3.14; 4.6).
* 1.14 penhor. O Espírito não é somente uma promessa
cumprida por Deus, a de habitar em seu povo, mas também uma garantia de que
Deus os conduzirá à herança que é deles para sempre. Como sinal ou primeira
prestação da redenção em sua plenitude, o Espírito é uma antecipação da glória
da era por vir (Rm 8.18-23).
sua propriedade. O Antigo Testamento ensina que Deus escolheu
um povo como sua herança (Dt 32.9; Sl 33.12) e o resgatou da escravidão para
que viessem a ser uma propriedade peculiar (Êx 19.5; Dt 7.6). Pedro concorda com a extraordinária aplicação
que Paulo faz dessa idéia aos gentios assim como aos judeus (1Pe 2.9).
* 1.15 tendo ouvido. Ver
Introdução: Data e Motivo. O ministério de Paulo em Éfeso havia durado mais de
dois anos, mas a carta pode ter sido escrita até cinco anos depois. A igreja
havia crescido consideravelmente nesse período.
Pode ser que Paulo mencione a fé e o amor de pessoas que conhecia apenas
por informação, já que Efésios era originalmente uma carta circular para várias
igrejas.
* 1.17 sabedoria... revelação. Ver "Iluminação e Convicção" em 1Co
2.10.
* 1.18 para saberdes. Ver “O Verdadeiro Conhecimento de Deus” em Jr
9.24.
* 1.19-23 Esses versos condensam o ensino do Novo
Testamento sobre a ressurreição e entronização de Jesus (Cl 1.18, nota). Fazem, além disso, duas contribuições vitais
para o entendimento da ressurreição de Jesus e o status dos crentes. Primeira, o mesmo poder que ressuscitou Jesus
dentre os mortos age também nos crentes (2.4, 5; 3.16,17). Segunda, Cristo governa, como cabeça, sobre
todas as coisas para o bem da Igreja.
Cristo não apenas ocupa o mais elevado posto de domínio sobre o universo
como está ali representando os crentes (2.6; Cl 3.3) e governando a favor deles.
Os princípios éticos contidos na carta aos Éfesios enfatizam que a autoridade
existe para o serviço. O uso soberano que Jesus faz de seu poder e autoridade
no interesse do seu povo é o modelo do cristão (4.1, 2, 7-13; 4.32-5.2,
22-23). Paulo relembra seus leitores
gentílicos de que foram duplamente abençoados pelo poder de Cristo: ele os
trouxe da morte para a vida (2.1-10) e da exclusão para a admissão no povo de
Deus (2.11-22).
* 1.20 fazendo-o sentar... nos lugares celestiais. Ver “A Ascensão de Jesus” em Lc 24.51.
* 1.21 acima de todo principado, e potestade. Ver nota em 3.10.
no presente século... no vindouro. Ver 1Co 15.24
* 2.1-3 O estado natural de todos os seres humanos é
uma espécie de morte espiritual.
Primeiro, essa condição espiritual é universal: tanto gentios (v. 2) como
judeus (v. 3) são “por natureza filhos da ira” (v. 3; sobre o conceito de
“natureza” em Paulo, ver Rm 1). Segundo,
estão em rebelião contra Deus; note o uso de “andastes” em relação aos gentios
no v. 2 e “nós andamos outrora” em referência aos judeus no v. 3. Terceiro,
estão sujeitos ao domínio maligno de Satanás (chamado no v. 2 “príncipe da
potestade do ar”; cf. Gl 4.3; Cl 1.13).
Quarto, são totalmente incapazes de abandonarem a rebelião contra Deus
(Jo 3.3). Quinto, estão expostos à justa
ira de Deus (v. 3; 5.6; Rm 1.18-20).
* 2.1 Ele vos deu vida. Ver “Regeneração: O Novo Nascimento” em Jo
3.3.
* 2.4 Mas Deus. Paulo pinta esse quadro desolador da situação
humana para colocar em relevo a resposta graciosa e misericordiosa de Deus ao
mesmo.
por causa do grande amor com que
nos amou. Deus ama o seu povo
por vontade própria. Paulo rejeita
qualquer idéia de mérito, esforço ou capacidade por parte daqueles que chegam à
vida (cf. Dt 7.7,8). A condição de
pecadores, irremediável senão por Cristo, descrita por Paulo nos vs. 1-3 é
fundamental para a compreensão do que ele ensina sobre a eleição de Deus em
1.4-6 e sobre o dom divino da vida aqui nos vs. 4-10. Observe o resumo em Rm 8.29,30.
* 2.5,6 nos deu vida... nos ressuscitou, e nos fez
assentar. São acontecimentos
históricos da vida de Cristo: sua ressurreição dos mortos e entronização à mão
direita de Deus. Mas Paulo relaciona-os também ao que tem acontecido aos
crentes. Paulo ensina uma união entre Cristo e os que nele crêem (1.3; Cl 3.1-4),
de forma que o que é dito do Redentor também pode ser dito dos remidos. O que
primeiro tornou-se realidade para Jesus também tornar-se-á, um dia, realidade
para os crentes (2Co 4.16): eles serão ressuscitados em glória na sua volta (Rm
8.11; 1Co 15). Por enquanto, há uma nova
mente (4.23, 24; Rm 12.1, 2), uma nova identidade como filhos de Deus (Rm
8.14-17) e uma nova aptidão para viver livre do controle de Satanás (Rm 8.1-4;
2Co 5.17).
* 2.7 O fundamento da nossa salvação é o amor e a
misericórdia de Deus e o seu propósito é a promoção da sua graça e bondade
(3.6, nota).
* 2.8 sois salvos. Salvação é uma ação concluída que tem um
efeito presente. Em suas primeiras
cartas, Paulo geralmente refere-se à salvação ou como um acontecimento futuro
(Rm 5.9,10) ou como um processo presente (1Co 1.18; 2Co 2.15). Única exceção é
Rm 8.24, onde Paulo refere-se à salvação como acontecida no passado mas ainda
por ser completada no retorno de Cristo: "Porque, na esperança, fomos
salvos”.
e isto não vem de vós; é dom de
Deus. Esse parêntesis é
relacionado por muitos ao processo inteiro da salvação pela graça através da fé
como um dom de Deus. Outros, todavia,
relacionam “isto” especificamente a “fé”.
Pecadores dependem do dom gracioso de Deus para responderem com fé a
Cristo desde o momento da conversão.
Paulo torna explícito o que está implícito em outras passagens do Novo
Testamento a respeito da fonte última da fé salvadora (At 13.48; Fp 1.29).
* 2.9 obras.
A fé somente, não as obras, pode trazer-nos a aceitação junto a
Deus. Boas obras são, contudo,
conseqüência e evidência essenciais de vida com Deus (Tt 2.14; 3.8,14; Tg
2.14-26). Deus nos escolheu para
fazer-nos santos filhos e filhas (1.4,5) e ele nos fez para sermos novos
portadores de sua imagem (4.24), designados para uma vida em conformidade com o
caráter de Deus (4.1-6.20). Veja também
“Antinomismo” em 1Jo 3.7.
* 2.10 para que andássemos nelas. Ver 4.1; 5.2,8,15; note a comparação irônica
com 2.2; 4.17.
* 2.11 na carne, por mãos humanas. O oposto dessa circuncisão é a circuncisão
espiritual do coração (Dt 10.16; Jr 4.4), aplicada tanto aos gentios como aos
judeus (Rm 2.28,29; Fp 3.3; Cl 2.11-13).
* 2.12 naquele tempo. Contraste com “mas agora” do v. 13; ver
também 5.8. Em Rm 9.3-5, Paulo relaciona
os privilégios dos judeus. Aqui, ele
relaciona as desvantagens dos gentios.
separados... estranhos às alianças
da promessa. Não eram cidadãos da
nação com a qual Deus estava em relacionamento de pacto. Embora o relacionamento de Deus com Israel
contivesse a promessa de abençoar as nações (Gn 12.3), os gentios não tinham
consciência alguma dessa esperança.
sem Deus no mundo. Deus revelou-se a toda a humanidade na
consciência e na natureza. Mas os
gentios haviam abafado o que da verdade sabiam, voltando-se, em vez disso, para
a idolatria (At 17.22-31; Rm 1.18-2.16).
* 2.13 em Cristo Jesus... pelo sangue de Cristo. A aproximação dos gentios a Deus envolve dois
aspectos. O primeiro é experiência que
têm da união espiritual com Cristo (vs. 4-10); o segundo é a base histórica
dessa experiência na morte sacrificial de Cristo (vs. 14-16; 1.7).
longe... aproximados. Ver v. 17.
* 2.14-16 Ver 4.22-24; Cl 3.9-12 e notas.
* 2.14 parede da separação que estava no meio. Refere-se aos átrios do templo em
Jerusalém. Uma parede separava os
gentios dos judeus; também havia sinais afixados que excluíam os gentios dos
átrios internos onde eram realizados os sacrifícios pelos pecados.
* 2.15 aboliu... a lei dos mandamentos. Cristo ofereceu em seu próprio corpo o
sacrifício definitivo, do qual os sacrifícios do templo eram apenas sinal. As leis cerimoniais do Antigo Testamento que
separavam judeus dos gentios não têm mais razão de ser após o seu cumprimento
em Cristo.
* 2.17,18 Isaías havia profetizado acerca de um dia no
qual a paz de Deus seria proclamada aos que estão “longe” e aos que estão
“perto” (Is 57.19). Pelo evangelho de
Cristo, o Espírito reúne gentios ("a vós outros que estáveis longe")
e judeus ("aos que estavam perto") na presença do Pai, em cumprimento
da promessa de Isaías.
* 2.19-22 Esses versículos descrevem a reversão das
desvantagens dos gentios apresentadas resumidamente nos vs. 11,12 (cf. 3.6). A
construção de um novo templo espiritual substitui aquele, agora obsoleto, de
Jerusalém.
* 2.19 já não sois estrangeiros. O reino de Deus é agora internacional. Ver nota teológica “A Igreja”, índice.
* 2.20 O fundamento da casa de Deus foi
definitivamente posto pelos apóstolos e profetas do Novo Testamento. A pedra angular é Cristo (1Co 3.10,11).
* 2.21,22 cresce... sendo edificados. A casa de Deus cresce através da inclusão e
integração contínua de pessoas como “pedras vivas” (1Pe 2.5). A casa também é
um templo porque Deus mesmo vive nesse novo edifício feito de pessoas.
* 3.1 Paulo inicia uma oração para que os seus
leitores gentílicos sejam cheios da presença de Cristo e aptos para apreenderem
a verdade sobre o amor e poder do seu Redentor (vs. 14-21). Paulo faz uma
digressão para explicar a natureza de seu ministério e de sua visão em relação
à união dos judeus e gentios em Cristo (vs. 2.13).
prisioneiro. Paulo está sujeito à prisão domiciliar em
Roma (At 28.16,30).
* 3.3 conforme escrevi há pouco, resumidamente. Ver 1.9, 10.
* 3.5 como, agora, foi revelado. O silêncio do Antigo Testamento sobre o
mistério de Paulo — a união de judeus e gentios na igreja (v. 6) — não foi
absoluto mas relativo. Foi previsto
pelos profetas ("Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assíria, obra de
minhas mãos, e Israel, minha herança." Is 19.25). Se a idéia tivesse sido completamente
desconhecida no Antigo Testamento, Paulo não poderia ter dito, como disse em Rm
4, que o pacto abraâmico compreendia todos os que fossem da fé que teve Abraão,
inclusive os gentios. Paulo disse a
Agripa que a sua proclamação de luz para judeus e gentios, indistintamete, não
ultrapassava o que havia sido prometido por Moisés e os profetas (At 26.22,
23).
* 3.6 que os gentios são co-herdeiros. Embora o Antigo Testamento ofereça vislumbres
ocasionais de uma raça humana unificada, é somente à luz do sacrifício de
Cristo que o plano de Deus se torna claro: em um único e grandioso ato, Deus
removeu a inimizade entre ele mesmo e a humanidade, bem como eliminou as
divisões que fraccionavam a humanidade (2.14-18). Paulo já havia refletido sobre o modo
extraordinário como Deus incluiu os gentios em seu povo: contra as leis da
agricultura, os gentios foram um ramo bravo enxertado em árvore cultivada (Rm
11.11-24).
* 3.8 Observe o desenvolvimento da descrição que
Paulo faz de si mesmo, comparando a progressão entre 1Co 15.9; Ef 3.8 e 1Tm
1.15,16.
* 3.10 principados... nos lugares celestiais. Paulo já mencionou “o príncipe da potestade
do ar” (2.2) e voltará a falar da batalha que os cristãos travam contra os seus
inimigos espirituais no universo (6.10-17). Convém lembrar aqui a recente
controvérsia de Paulo com os falsos mestres em Colossos. Em sua carta àquela
igreja, havia afirmado que Jesus é Senhor de todas as coisas, inclusive do
mundo espiritual, e, ainda, que é somente em Jesus que reconciliam-se os céus e
a terra (Cl 1.15-20; 2.8-23). Em conseqüência, o estabelecimento da paz entre
judeus e gentios na Igreja é um sinal a todos os poderes no universo. Para o apóstolo,
não há divisão mais profunda na raça humana do que a existente entre judeu e
gentio. O fato de que podiam estar unidos um ao outro em Cristo demonstra a
profunda sabedoria de Deus (Is 55.8,9; 1Co 2.6-10) e prova inclusive aos
poderes sobrenaturais que Jesus é Senhor do universo (1.20-23).
* 3.14 me ponho de joelhos. Os judeus normalmente colocavam-se em pé para
orar (Mt 6.5; Lc 18.11,13). Ajoelhar-se
parece ter sido uma expressão de humildade e urgência (Ed 9.5; Lc 22.41; At
7.59,60). Esse versículo retoma a oração que Paulo havia iniciado no v. 1
(nota).
* 3.15 toda família... no céu. Ou, “cada família”. A literatura judaica
intertestamental e rabínica contém referências a famílias de anjos.
* 3.16 homem interior. Essa expressão integra o mais elaborado
vocabulário de Paulo sobre a obra do Espírito Santo dentro dos indivíduos (2Co
5.17). Efésios, em grande parte, trata da identidade corporativa dos cristãos
(p.ex., 4.3-6,12-16). Mas Cristo habita também nos corações das pessoas. O
cristianismo não é uma confissão coletiva à exclusão da experiência individual
nem uma piedade particular sem visão corporativa.
* 3.18 a largura, e o comprimento, e a altura, e a
profundidade. Essas medidas de
espaço lembram a metáfora do templo em 2.21.
Como as “pedras vivas” (1Pe 2.5) são unidas em amor, a habitação de Deus
cresce e é preenchida com o próprio Cristo.
Deus usa o amor entre “todos os santos” — judeus e gentios, sem
distinção — para construir um todo que é maior do que as respectivas
partes. A linguagem espacial exalta o
amor de Cristo para com o seu povo — um amor que é inclusivo, inesgotável e
auto-sacrificial.
* 3.20 o seu poder que opera em nós. Ver
1.19-23; 2.5,6. A primeira parte da carta culmina com a consideração de Paulo
sobre o poder infinito de Deus, que conduz o seu plano gracioso (2.7) e
onisciente (v. 10) para a reconciliação da raça humana.
* 3.21 glória. Paulo dá glórias a Deus pelo poder que Deus
tem dado à igreja.
na Igreja e em Cristo Jesus. Paulo recorre, nessa carta, a diversas
metáforas para descrever o relacionamento mútuo entre a Igreja e Cristo: o
corpo e a cabeça (1.22,23), o reconciliado e o reconciliador (2.14-18; 4.3), e
a noiva e seu noivo (5.22,33).
* 4.1 andeis. Nessa segunda parte da carta, Paulo detalha o
“caminho" ou vida de boas obras, mencionado pela primeira vez em
2.10. Essa figura de linguagem para
conduta moral é comum nas Escrituras.
vocação. Paulo falou acima de uma esperança para a
qual os crentes são chamados (1.18; 4.4); agora, concentra-se sobre a vida para
a qual são chamados. Ele já havia
indicado claramente qual a forma e o significado dessa vida (1.4; 2.10).
* 4.4-6 um.
Essa palavra é repetida sete vezes nos vs. 4-6 — três com referência às
Pessoas da Trindade e quatro com relação a aspectos da salvação.
* 4.7 a cada um de nós. Todos os
cristãos participam da graça da salvação através da fé (2.5,8). Cada cristão
também recebe algum dom da graça em particular para o benefício da igreja
(Paulo fala sobre o dom que recebeu em 3.2,8). Ver nota teológica “Dons e
Ministérios”, índice.
* 4.8 O Sl 68 celebra a marcha triunfante de Deus
do Monte Sinai, no deserto, ao Monte Sião, em Jerusalém, e sua entronização
ali. Para o apóstolo, o conteúdo do salmo prefigura a ascensão vitoriosa de
Cristo aos céus.
cativo o cativeiro. As forças espirituais das trevas foram
derrotadas na cruz (Cl 2.15, nota).
Enquanto o Sl 68.18 descreve o Senhor vitorioso recebendo presentes dos
homens, Paulo apresenta Cristo distribuindo os tributos de sua vitória aos
homens. Paulo pode ter escolhido esse
salmo por causa de sua associação com o Pentecostes. Esse foi o dia em que o Cristo exaltado
derramou o seu Espírito sobre a Igreja (At 2.32,33).
* 4.9 Cristo foi exaltado à posição que hoje ocupa
após o estado de humilhação. Sua encarnação foi seu assumir de uma natureza
humana aqui nas "regiões inferiores da terra"; cf. 1.20-23; Fp
2.1-11. Essa forma de servir é modelo a ser imitado pelos crentes.
* 4.11 apóstolos. No uso estrito do termo, aqueles que haviam
estado com Jesus e testemunhado sua ressurreição (ou recebido uma revelação
especial do Jesus ressurreto) e que haviam sido comissionados por Jesus para
serem fundadores da igreja (At 1.21,22; 1Co 15.1-9). A palavra também foi
empregada em um sentido mais amplo, para pessoas enviadas como representantes
de igrejas particulares (2Co 8.23; Fp 2.25), mas, ao que tudo indica, não são
essas as pessoas que Paulo tem em mente nessa passagem. Ver 2Co 1.1, nota.
profetas. Os profetas do Novo Testamento transmitiam
revelação especial à igreja primitiva. Suas funções incluiam predição,
exortação, encorajamento, advertência e interpretação (At 15.32; 21.9-11; 1Co
14.3). A doutrina dos profetas e apóstolos do Novo Testamento lançaram o
fundamento da Igreja (2.20), e cessaram os aspectos de sua obra relacionados a
essa tarefa ímpar.
evangelistas. Pessoas com dom especial para proclamar o
evangelho (At 21.8; 1Co 1.17).
pastores e mestres. As duas
palavras são empregadas em conjunto para o mesmo grupo de indivíduos que
pastoreiam bem como instruem o rebanho de Deus. Ver “Pastores e Cuidado
Pastoral” em 1Pe 5.2.
* 4.12,13 Não se refere, em primeiro lugar, àqueles
mencionados no v. 11 e que fazem a obra do ministério mas ao povo que equipam.
Mestres eficientes auxiliam cada crente a encontrar seu próprio modo de agir em
benefício do restante da igreja.
* 4.16 corpo.
Paulo recorre à analogia do corpo humano. Os dons não são dados aos
crentes para seu proveito próprio, particular, e ninguém consegue crescer e
chegar à maturidade isoladamente. O
próprio Paulo busca um conhecimento do Filho de Deus que somente atinge a
maturidade quando todos os crentes também o alcançam.
* 4.17-19 O conteúdo dessa passagem corresponde em
muito à critica da cultura gentílica feita em Rm 1. Enquanto a carta aos
Romanos apresenta Deus como aquele que entrega os gentios a uma vida temerária
e devassa (Rm 1.24-31), Efésios apresenta o mesmo desfecho sob a perspectiva da
ação humana: os que se desviaram é que "se entregaram" (v. 19).
Semelhantemente, em Êxodo diz que Deus endurece o coração do Faraó (p.ex., Êx
4.21; 7.3), mas o Faraó também endurece seu próprio coração (Êx 8.15,32; 9.34).
* 4.21 o tendes ouvido. Isto é, a mensagem proclamada a seu respeito.
segundo é a verdade em Jesus. Deus
rompeu o círculo de morte dando-lhes um entendimento acerca de seu Filho e da
obra que ele realizou a favor deles (1.13,15).
* 4.22-24 despojeis... renoveis... revistais. Pertencer
a Cristo na adoção de uma nova vida em repúdio à antiga. A ilustração é o ato
de tirar roupas desgastadas e vestir outras novas.
* 4.25-5.5 Paulo apresenta resumidamente seis maneiras
concretas de como os cristãos “despojam” a velha vida e se “revestem” da vida
em Cristo: é necessário que se voltem da mentira para falar a verdade
(4.25,26); da ira descontrolada para o domínio próprio (4.26,27); do furto para
o trabalho honesto (4.28); da linguagem que destrói para a que edifica
(4.29,30); da amargura para o amor (4.31-5.2); dos desejos sexuais desenfreados
para um reconhecimento agradecido das boas dádivas de Deus (5.3-5). Em cada caso, Paulo oferece uma razão para
passar do velho para o novo.
* 4.27 Uma vez que a unidade entre os crentes, em
seu aspecto prático, demonstra o poder reconciliador de Deus (vs. 1-10;
2.14-16), o diabo tem interesse especial em destruí-la (2.2; 6.11).
* 4.30 não entristeçais. Isto é,
pelo uso destrutivo da linguagem descrita no v. 29. O fato de que o Espírito
Santo possa ser entristecido vem indicar que ele é uma Pessoa e não uma força
impessoal. A idéia não é nova para o
Novo Testamento, como está claro pela citação que Paulo faz do profeta Isaías
(Is 63.10).
* 4.32—5.2 como também Deus... como também Cristo.
Os crentes precisam estender aos outros o perdão e o amor que Deus tem lhes
estendido. Pelo mesmo motivo que Israel, tendo sido resgatado da escravidão do
Egito, deveria ter especial consideração pelos estrangeiros, escravos e os
destituídos em seu meio (Êx 22.21; 23.9; Lv 19.33,34; Dt 5.15). A mesma lógica
está presente no novo mandamento de Jesus: “assim como eu vos amei, que também
vos ameis uns aos outros” (Jo 13.34).
* 5.1 como filhos amados. Ver nota em Cl 3.12. Um conhecimento sólido
quanto ao amor de Deus e ao lugar de cada um na família de Deus (1.5)
incentivam o sacrifício pessoal necessário para a vida cristã (cf. v. 2).
* 5.3,4 convém... inconvenientes. Banalizar o relacionamento sexual
(“chocarrices”) ou, por outro lado, idolatrá-lo, está em descompasso com a
nossa identidade de “santos”. Uma vez que fomos convocados dentre a raça humana
(1.4-6) para portar a imagem restaurada de Deus (4.24), podemos aceitar os dons
de Deus, inclusive a sexualidade, com ações de graça, e restituí-los ao seu uso
apropriado (Pv 5.18,19; 1Tm 4.1-5; Hb
13.4).
* 5.6 Ainda que o dia da prestação de contas possa
ser negado com “palavras vãs” (cf. 2Pe 3.3, 4), o julgamento de Deus fará a
separação final entre os “filhos da desobediência” (2.2; cf. 5.5) e os filhos
amados de Deus (1.4, 5; 5.1).
* 5.7 participantes com eles. Os cristãos precisam considerar o terrível
destino dos não-cristãos e recusar a juntar-se a eles em sua loucura. Ao
contrário, devem lembrar-se de seu status de participantes com os judeus nas
promessas de Deus em Cristo (3.6).
* 5.8 outrora... porém, agora. Ver
2.11,13. Paulo deseja que os crentes façam mais do que se abster das coisas que
trazem a ira de Deus. Eles devem viver como “filhos da luz” (Cl 1.13 nota). O
resultado da união dos crentes com Cristo, aquele que é “a luz do mundo” (Jo
8.12; 9.5) é que eles também são feitos “luz do mundo” (Mt 5.14).
* 5.13 tudo que se manifesta é luz. Paulo
considera certos pecados tão vergonhosos que só o trazê-los à luz já
envergonhará alguns descrentes ao ponto de se arrependerem. A simples mas
contrastante presença dos cristãos pode expor pecados, como os cristãos também
podem condená-los abertamente. A citação
feita por Paulo consiste provavelmente de um hino cristão primitivo que reflete
o conteúdo de diversas passagens do Antigo Testamento (Is 60.1, p.ex.) e que
convoca os espiritualmente mortos a erguerem-se para receberem a luz de Cristo
(cf. 2.1-10).
* 5.18 não vos embriagueis com vinho. Trata-se
de algo mais do que mera probição da embriaguês. Paulo está se referindo provavelmente a uma
forma orgiástica de adoração tal como praticada no culto a Dionísio (Baco), o
deus do vinho. O ritual a Dionísio seguia vários estágios de embriaguês, tidos
como incorporações da divindade nos participantes, inspirando profecia, dança
frenética e música. Tal culto é "dissipação."
enchei-vos do Espírito. Enquanto o selo do Espírito (1.13, 14; 4.30)
é a iniciação na vida cristã e, portanto, não se repete, o encher-se do
Espírito pertence à vida cristã inteira.
Esse encher-se não apenas se repete como deve ser continuamente
buscado. Na passagem paralela em
Colossenses, Paulo diz aos cristãos para deixar a “paz de Cristo” governar seus
corações e permitir que a “palavra de Cristo” habite ricamente neles (Cl
3.15,16). Quem está cheio do Espírito está cheio de Cristo e da sua Palavra (Jo
14.16,26; 16.12-15; 17.17).
* 5.19 entre vós... ao Senhor. Adoração oferece-se a Deus somente. Ao mesmo
tempo, também existe uma audiência humana no culto corporativo na medida em que
as pessoas adoram em conjunto e dirigem-se umas às outras em mútuo benefício
(1Co 14; Hb 10.24).
salmos... hinos e cânticos
espirituais. Ver “A Música na Igreja” em Cl 3.16.
* 5.21 Esse versículo de transição conclui uma série
de expressões que ilustram o resultado do encher-se do Espírito (vs. 19-21
nota). Independentemente da classe
social a que pretençam, todos os cristãos devem moldar sua conduta na sociedade
pela humildade e bondade de Cristo (4.32-5.2; cf. Lc 22.24-27; Jo
13.14-16). Essa submissão “uns aos
outros” é a base para os modelos de
autoridade nos diferentes relacionamentos examinados em 5.22-6.9.
* 5.22-6.9 A partir de Aristóteles (século IV a.C), pelo
menos, a ética grega havia tratado as relações domésticas segundo um modelo
familiar: esposos e esposas, pais e filhos, senhores e escravos. O interesse
era, obviamente, ensinar o cabeça da casa a governar sua família e escravos. Na
abordagem a tais regras, Paulo e Pedro transformam a questão de como esposos,
pais e senhores dominam para, como podem, imitar o amor de Cristo, que conhecem
em suas próprias vidas, em proveito daqueles que estão sob o seu cuidado. Ao mesmo tempo, conforme esposas, filhos e
escravos definem seus papéis em termos de serviço a Cristo, deixam de ser
objetos passivos em uma sociedade que os menospreza para tornarem-se, em vez
disso, ativos cooperadores de Deus em seu plano de trazer unidade à uma geração
dividida por sexo, idade e situação econômica.
* 5.22-32 Jesus dá vida a uma nova comunidade de amor —
a igreja, seu próprio corpo. Seu amor também determina o relacionamento
matrimonial para o seu povo. Paulo ensina que os dois sexos se complementam e
que um homem e uma mulher são iguais perante Deus. Porém, no casamento o homem
tem a liderança. Tal liderança não é absoluta mas dá ao marido a iniciativa no
casamento, à qual a mulher responde. A compreensão de Paulo fundamenta-se na
ordem da criação (1Co 11.8, 9; 1Tm 2.13), considerando as conseqüências ainda presentes
da queda, mesmo entre cristãos (1Tm 2.14). A redenção em Cristo restaura a
intimidade no casamento para a qual homens e mulheres foram criados.
* 5.22 submissas. Uma esposa cristã é chamada à grata aceitação
do cuidado e da liderança por parte de seu marido. Ver nota teológica “A
Família Cristã”, índice.
como ao Senhor. Ver o v.
24.
* 5.23 cabeça da mulher... cabeça da Igreja. Em outras passagens sobre a primazia de
Cristo nessa carta, Paulo fala do modo como Cristo governa o universo e a igreja
(1.22) e serve de fonte para a saúde do corpo e o crescimento em maturidade
(4.14-16).
o salvador. É especialmente em seu papel de Salvador que Cristo serve de modelo ao marido
(vs. 25-27 e notas).
do corpo. Isto é, a igreja como o seu corpo — Cristo
mesmo habita na igreja (vs. 28-30).
* 5.24 Como, porém, a Igreja... assim também as
mulheres. A sujeição da Igreja a Cristo é uma ordem revelada e
celestial, não uma ordem natural. Os
discípulos de Cristo eram seus amigos, não somente seus servos, e ele morreu
por eles (Jo 15.12-15; cf. Lc 22.25-27).
* 5.25 Maridos, amai. A ênfase nesta passagem não está na
autoridade do marido para governar mas em sua responsabilidade em amar.
como também Cristo amou a Igreja e
a si mesmo se entregou por ela.
Em parte alguma do Novo Testamento o amor de Cristo, de auto-sacrifício,
é apresentado de forma mais direta a uma relação específica como um modelo a
ser imitado (cf. v. 2).
* 5.26,27 Paulo resume nesses versículos tudo quanto
implica o compromisso de Cristo em seu relacionamento com a Igreja: ele a
purificou do pecado e a está preparando para um destino glorioso em sua
companhia (ver referência lateral, v. 26). Os maridos são igualmente chamados a
adaptar suas vidas de acordo com as necessidades de suas esposas e
oferecer-lhes os meios para o crescimento e desenvolvimento delas.
* 5.28-32 A união que uma pessoa tem com o seu próprio
corpo é íntima e permanente. O casamento cria uma união semelhante (Gn 2.24).
Cristo uniu a Igreja a si mesmo pelos laços da aliança que cumpriu. Essa união
íntima constitui-se em uma analogia do casamento cristão (ver 2.6 e nota).
* 6.1-3 Os filhos têm como responsabilidade levar
adiante o plano de Cristo de trazer unidade à raça humana — no caso, a unidade
entre as gerações. Para o apóstolo, a
desobediência dos filhos aos pais é um dos aspectos que sujeitam a cultura
gentílica à condenação de Deus (Rm 1.30; 2Tm 3.2).
* 6.2 o primeiro mandamento com promessa. A lei de Deus perdeu o seu poder para
condenar os que estão em Cristo (Cl 2.13,14) e a observância da lei cerimonial
é imprópria após seu cumprimento em Cristo (2.15; Cl 2.16,17). No entanto, "os preceitos mais
importantes da lei" (Mt 23.23) são revelações do caráter de Deus e
formam princípios éticos permanentes. Um deles é que os filhos precisam honrar os
seus pais.
* 6.4 pais.
Inversamente, aos pais é enfatizada a responsabilidade de quem exerce
autoridade.
criai-os. O grego sugere a idéia de nutrir e ajudar a
florescer (cf. 5.29). Aos pais se confia as mentes, sentimentos e corpos destes
tenros portadores da imagem divina. Logo, os filhos não existem para os pais
mas os pais para os filhos — para ajudá-los a desenvolverem-se como pessoas
diante de Deus.
disciplina. Pela qual se forma a vontade.
admoestação. A formação do intelecto através do ensino.
* 6.5-8 Os escravos seguem o exemplo de Cristo pela
submissão obediente (Fp 2.1-11). Todos os crentes são chamados a participar da
humilhação e dos sofrimentos de Cristo neste século para que sejam exaltados e
glorificados com ele no próximo (Rm 8.17). Paulo não está interessado em tornar
maior do que tem de ser o sofrimento de alguém (1Co 7.21). Ele também não faz pensar
que exista um cômodo desvio do sofrimento.
Como os escravos servem a Cristo exaltado e não meramente a um senhor
terreno, eles o fazem na nova realidade inaugurada por Cristo (2Co 5.17). Paulo insiste que, como propriedade de
Cristo, são irrelevantes quaisquer outras classificações de nosso status
pessoal: “Por preço fostes comprados, não vos torneis escravos de homens” (1Co
7.23). Servindo sem murmurações ao seu verdadeiro proprietário celestial, os
escravos podem trabalhar não pelo parâmetro de seu valor de mercado mas por seu
valor para aquele que derramou sua prórpia vida por eles.
* 6.9 de igual modo procedei. Se os senhores podem esperar dos seus
escravos cristãos que os sirvam voluntariamente, os escravos podem esperar de
seus senhores cristãos que sejam tratados da maneira como Cristo trata os seus.
* 6.10-17 O dever cristão de unidade e pureza é
dificultado pela presença de poderes espirituais hostis. A cruz e a ressurreição de Cristo são a
ruína do diabo (Cl 2.15, nota); na
segunda vinda de Cristo, a derrota de Satanás se completará (Rm 16.20). Mas a paz da cruz é experimentada, enquanto
isso, entre lutas espirituais. As forças
das trevas estão derrotadas mas ainda podem causar dano.
* 6.10 sede fortalecidos... na força do seu poder. Paulo
recorre a termos semelhantes em 1.19 para descrever o poder que ressuscitou a
Jesus dentre os mortos. Não somos
encorajados a enfrentar as forças malignas da trevas com nossas próprias forças
mas na força que ressuscitou a Jesus e os crentes com ele (2.4-6; 3.16-19).
* 6.11 Revesti-vos de toda armadura de Deus. O novo
conjunto de roupas (4.22-24, nota) torna-se agora o equipamento de batalha de
um guerreiro (Cl 3.10,12; notas).
ficar firmes. Repete-se três vezes nos vs. 11,13,14
("inabaláveis", no v. 13, é sinônimo). A imagem de "andar"
nos capítulos 4 e 5 (4.1, nota) cede lugar à de um soldado permanecendo firme
na batalha.
* 6.12 Ver 1.21; 2.2; 3.10.
principados... forças espirituais. Todos
esses termos referem-se a seres espirituais poderosos que formam a “potestade
do ar” (2.2) governada por Satanás.
deste mundo tenebroso. Ver 5.8-14.
* 6.13 toda a armadura de Deus. Paulo combina as armas de um soldado romano
de infantaria com algumas representações do Antigo Testamento de Deus, ou do
Messias, como um guerreiro. Formidavelmente, o que é dito de Deus e do Messias
no Antigo Testamento é atribuído aos crentes.
* 6.14 cingindo-vos com a verdade. O cinto de
couro do soldado romano amparava e protegia seu baixo abdômen, prendia a sua
túnica e sustentava a sua espada. Paulo parece ter em mente a confiança que vem
da certeza quanto à veracidade da Palavra de Deus.
couraça da justiça. Os crentes são protegidos pela justiça de
Cristo que lhes é imputada (Rm 4.6-11; Fp 3.9), tendo condição de permanecer
firmes diante das acusações do diabo; a
palavra no grego significa “caluniador” (Rm 8.31-34). Simultaneamente, Paulo vê
os crentes vestindo o caráter justo de Cristo (4.25; 5.9), enquanto seu
crescimento em conformidade com a imagem de Cristo lhes dá confiança para
resistir à tentação.
* 6.15 Calçai os pés. Apesar da
evidente alusão a Is 52.7, Paulo não tem em mente o mensageiro descalço que
leva o evangelho a outros. A imagem aqui é a das fortes sandálias do soldado
romano, que lhe davam estabilidade e proteção na batalha. Ironicamente, a paz
que vem do evangelho também torna uma pessoa preparada para a guerra contra o
mal (2.14,15,17).
* 6.16 escudo da fé. O escudo romano era grande o suficiente para
cobrir o corpo todo; era feito de madeira, coberto de pele de animal fixado com
ferro no topo e na base. Quando mergulhado em água antes da batalha, podia
apagar as flechas incendiárias, às quais se ateva fogo depois de mergulhadas em
piche.
* 6.17 capacete da salvação. Para o apóstolo Paulo, salvação é uma
experiência presente (2.8 e nota) bem como uma esperança futura (1Ts 5.8). A confiança do crente baseia-se em última
instância na fidelidade de Deus em completar o que começou (Fp 1.6).
espada do Espírito, que é a palavra
de Deus. A única arma ofensiva
no arsenal do crente é comparada com a espada romana, curta e desenhada para o
combate corpo a corpo. Ver o uso das Escrituras por Jesus em Mt 4.1-11; Lc 4.1-13.
* 6.18-20 O tema da batalha nessa passagem termina com
uma convocação urgente de oração militante em favor de todos os crentes e em
favor do ministério de Paulo. Ver 1.15-23 sobre a dependência de Paulo da
oração.
* 6.21-24 Tíquico. Ver nota em Cl 4.7, 8. A
ausência de saudações pessoais nessa carta pode ser uma indicação de que foi
escrita como uma carta circular, não para uma igreja em particular. Ver
Introdução: Data e Motivo.
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sergiovalentin