1-26
2
A vaidade das possessões 1-11
2:1 Disse comigo: vamos! Eu te provarei com a
alegria; goza, pois, a felicidade; mas também isso era vaidade.
2:2 Do riso disse: é loucura; e da alegria: de
que serve?
2:3 Resolvi no meu coração dar-me ao vinho,
regendo-me, contudo, pela sabedoria, e entregar-me à loucura, até ver o que
melhor seria que fizessem os filhos dos homens debaixo do céu, durante os
poucos dias da sua vida.
2:4 Empreendi grandes obras; edifiquei para
mim casas; plantei para mim vinhas.
2:5 Fiz jardins e pomares para mim e nestes
plantei árvores frutíferas de toda espécie.
2:6 Fiz para mim açudes, para regar com eles o
bosque em que reverdeciam as árvores.
2:7 Comprei servos e servas e tive servos
nascidos em casa; também possuí bois e ovelhas, mais do que possuíram todos os
que antes de mim viveram em Jerusalém.
2:8 Amontoei também para mim prata e ouro e
tesouros de reis e de províncias; provi-me de cantores e cantoras e das
delícias dos filhos dos homens: mulheres e mulheres.
2:9 Engrandeci-me e sobrepujei a todos os que
viveram antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.
2:10 Tudo quanto desejaram os meus olhos não
lhes neguei, nem privei o coração de alegria alguma, pois eu me alegrava com
todas as minhas fadigas, e isso era a recompensa de todas elas.
2:11 Considerei todas as obras que fizeram as
minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que
tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do
sol.
12-17 A vaidade da sabedoria
2:12 Então, passei a considerar a sabedoria, e
a loucura, e a estultícia. Que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que
outros já fizeram.
2:13 Então, vi que a sabedoria é mais
proveitosa do que a estultícia, quanto a luz traz mais proveito do que as
trevas.
2:14 Os olhos do sábio estão na sua cabeça,
mas o estulto anda em trevas; contudo, entendi que o mesmo lhes sucede a ambos.
2:15 Pelo que disse eu comigo: como acontece
ao estulto, assim me sucede a mim; por que, pois, busquei eu mais a sabedoria?
Então, disse a mim mesmo que também isso era vaidade.
2:16 Pois, tanto do sábio como do estulto, a
memória não durará para sempre; pois, passados alguns dias, tudo cai no
esquecimento. Ah! Morre o sábio, e da mesma sorte, o estulto!
2:17 Pelo que aborreci a vida, pois me foi
penosa a obra que se faz debaixo do sol; sim, tudo é vaidade e correr atrás do
vento.
18-26 A vaidade do trabalho
2:18 Também aborreci todo o meu trabalho, com
que me afadiguei debaixo do sol, visto que o seu ganho eu havia de deixar a
quem viesse depois de mim.
2:19 E quem pode dizer se será sábio ou
estulto? Contudo, ele terá domínio sobre todo o ganho das minhas fadigas e
sabedoria debaixo do sol; também isto é vaidade.
2:20 Então, me empenhei por que o coração se
desesperasse de todo trabalho com que me afadigara debaixo do sol.
2:21 Porque há homem cujo trabalho é feito com
sabedoria, ciência e destreza; contudo, deixará o seu ganho como porção a quem
por ele não se esforçou; também isto é vaidade e grande mal.
2:22 Pois que tem o homem de todo o seu
trabalho e da fadiga do seu coração, em que ele anda trabalhando debaixo do
sol?
2:23 Porque todos os seus dias são dores, e o
seu trabalho, desgosto; até de noite não descansa o seu coração; também isto é
vaidade.
2:24 Nada há melhor para o homem do que comer,
beber e fazer que a sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto, vi também
que isto vem da mão de Deus,
2:25 pois, separado deste, quem pode comer ou
quem pode alegrar-se?
2:26 Porque Deus dá sabedoria, conhecimento e
prazer ao homem que lhe agrada; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte
e amontoe, a fim de dar àquele que agrada a Deus. Também isto é vaidade e
correr atrás do vento.
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sergiovalentin