1
- 12:14
1 Tudo é vaidade 1-3
1:1 Palavra do Pregador, filho de Davi, rei de
Jerusalém:
1:2 Vaidade de vaidades, diz o Pregador;
vaidade de vaidades, tudo é vaidade.
1:3 Que proveito tem o homem de todo o seu
trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?
4-11 A eterna mesmice
1:4 Geração vai e geração vem; mas a terra
permanece para sempre.
1:5 Levanta-se o sol, e põe-se o sol, e volta
ao seu lugar, onde nasce de novo.
1:6 O vento vai para o sul e faz o seu giro
para o norte; volve-se, e revolve-se, na sua carreira, e retorna aos seus
circuitos.
1:7 Todos os rios correm para o mar, e o mar
não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá tornam eles a correr.
1:8 Todas as coisas são canseiras tais, que
ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem se enchem os
ouvidos de ouvir.
1:9 O que foi é o que há de ser; e o que se
fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol.
1:10 Há alguma coisa de que se possa dizer:
Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós.
1:11 Já não há lembrança das coisas que
precederam; e das coisas posteriores também não haverá memória entre os que hão
de vir depois delas.
12-18 A experiência do pregador
1:12 Eu, o Pregador, venho sendo rei de
Israel, em Jerusalém.
1:13 Apliquei o coração a esquadrinhar e a
informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; este enfadonho
trabalho impôs Deus aos filhos dos homens, para nele os afligir.
1:14 Atentei para todas as obras que se fazem
debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento.
1:15 Aquilo que é torto não se pode
endireitar; e o que falta não se pode calcular.
1:16 Disse comigo: eis que me engrandeci e
sobrepujei em sabedoria a todos os que antes de mim existiram em Jerusalém; com
efeito, o meu coração tem tido larga experiência da sabedoria e do
conhecimento.
1:17 Apliquei o coração a conhecer a sabedoria
e a saber o que é loucura e o que é estultícia; e vim a saber que também isto é
correr atrás do vento.
1:18 Porque na muita sabedoria há muito
enfado; e quem aumenta ciência aumenta tristeza.
2
A vaidade das possessões 1-11
2:1 Disse comigo: vamos! Eu te provarei com a
alegria; goza, pois, a felicidade; mas também isso era vaidade.
2:2 Do riso disse: é loucura; e da alegria: de
que serve?
2:3 Resolvi no meu coração dar-me ao vinho,
regendo-me, contudo, pela sabedoria, e entregar-me à loucura, até ver o que
melhor seria que fizessem os filhos dos homens debaixo do céu, durante os
poucos dias da sua vida.
2:4 Empreendi grandes obras; edifiquei para
mim casas; plantei para mim vinhas.
2:5 Fiz jardins e pomares para mim e nestes
plantei árvores frutíferas de toda espécie.
2:6 Fiz para mim açudes, para regar com eles o
bosque em que reverdeciam as árvores.
2:7 Comprei servos e servas e tive servos
nascidos em casa; também possuí bois e ovelhas, mais do que possuíram todos os
que antes de mim viveram em Jerusalém.
2:8 Amontoei também para mim prata e ouro e
tesouros de reis e de províncias; provi-me de cantores e cantoras e das
delícias dos filhos dos homens: mulheres e mulheres.
2:9 Engrandeci-me e sobrepujei a todos os que
viveram antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.
2:10 Tudo quanto desejaram os meus olhos não
lhes neguei, nem privei o coração de alegria alguma, pois eu me alegrava com
todas as minhas fadigas, e isso era a recompensa de todas elas.
2:11 Considerei todas as obras que fizeram as
minhas mãos, como também o trabalho que eu, com fadigas, havia feito; e eis que
tudo era vaidade e correr atrás do vento, e nenhum proveito havia debaixo do
sol.
12-17 A vaidade da sabedoria
2:12 Então, passei a considerar a sabedoria, e
a loucura, e a estultícia. Que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que
outros já fizeram.
2:13 Então, vi que a sabedoria é mais
proveitosa do que a estultícia, quanto a luz traz mais proveito do que as
trevas.
2:14 Os olhos do sábio estão na sua cabeça,
mas o estulto anda em trevas; contudo, entendi que o mesmo lhes sucede a ambos.
2:15 Pelo que disse eu comigo: como acontece
ao estulto, assim me sucede a mim; por que, pois, busquei eu mais a sabedoria?
Então, disse a mim mesmo que também isso era vaidade.
2:16 Pois, tanto do sábio como do estulto, a
memória não durará para sempre; pois, passados alguns dias, tudo cai no
esquecimento. Ah! Morre o sábio, e da mesma sorte, o estulto!
2:17 Pelo que aborreci a vida, pois me foi
penosa a obra que se faz debaixo do sol; sim, tudo é vaidade e correr atrás do
vento.
18-26 A vaidade do trabalho
2:18 Também aborreci todo o meu trabalho, com
que me afadiguei debaixo do sol, visto que o seu ganho eu havia de deixar a
quem viesse depois de mim.
2:19 E quem pode dizer se será sábio ou
estulto? Contudo, ele terá domínio sobre todo o ganho das minhas fadigas e
sabedoria debaixo do sol; também isto é vaidade.
2:20 Então, me empenhei por que o coração se
desesperasse de todo trabalho com que me afadigara debaixo do sol.
2:21 Porque há homem cujo trabalho é feito com
sabedoria, ciência e destreza; contudo, deixará o seu ganho como porção a quem
por ele não se esforçou; também isto é vaidade e grande mal.
2:22 Pois que tem o homem de todo o seu
trabalho e da fadiga do seu coração, em que ele anda trabalhando debaixo do
sol?
2:23 Porque todos os seus dias são dores, e o
seu trabalho, desgosto; até de noite não descansa o seu coração; também isto é vaidade.
2:24 Nada há melhor para o homem do que comer,
beber e fazer que a sua alma goze o bem do seu trabalho. No entanto, vi também
que isto vem da mão de Deus,
2:25 pois, separado deste, quem pode comer ou
quem pode alegrar-se?
2:26 Porque Deus dá sabedoria, conhecimento e
prazer ao homem que lhe agrada; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte
e amontoe, a fim de dar àquele que agrada a Deus. Também isto é vaidade e
correr atrás do vento.
3 Tempo para tudo 1-8
3:1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há
tempo para todo propósito debaixo do céu:
3:2 há tempo de nascer e tempo de morrer;
tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;
3:3 tempo de matar e tempo de curar; tempo de
derribar e tempo de edificar;
3:4 tempo de chorar e tempo de rir; tempo de
prantear e tempo de saltar de alegria;
3:5 tempo de espalhar pedras e tempo de
ajuntar pedras; tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar;
3:6 tempo de buscar e tempo de perder; tempo
de guardar e tempo de deitar fora;
3:7 tempo de rasgar e tempo de coser; tempo de
estar calado e tempo de falar;
3:8 tempo de amar e tempo de aborrecer; tempo
de guerra e tempo de paz.
9-15 O homem não conhece o seu tempo determinado
3:9 Que proveito tem o trabalhador naquilo com
que se afadiga?
3:10 Vi o trabalho que Deus impôs aos filhos
dos homens, para com ele os afligir.
3:11 Tudo fez Deus formoso no seu devido
tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa
descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.
3:12 Sei que nada há melhor para o homem do
que regozijar-se e levar vida regalada;
3:13 e também que é dom de Deus que possa o
homem comer, beber e desfrutar o bem de todo o seu trabalho.
3:14 Sei que tudo quanto Deus faz durará
eternamente; nada se lhe pode acrescentar e nada lhe tirar; e isto faz Deus
para que os homens temam diante dele.
3:15 O que é já foi, e o que há de ser também
já foi; Deus fará renovar-se o que se passou.
16-22 Semelhança aparente na morte entre homens e animais
3:16 Vi ainda debaixo do sol que no lugar do
juízo reinava a maldade e no lugar da justiça, maldade ainda.
3:17 Então, disse comigo: Deus julgará o justo
e o perverso; pois há tempo para todo propósito e para toda obra.
3:18 Disse ainda comigo: é por causa dos
filhos dos homens, para que Deus os prove, e eles vejam que são em si mesmos
como os animais.
3:19 Porque o que sucede aos filhos dos homens
sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro,
todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os
animais; porque tudo é vaidade.
3:20 Todos vão para o mesmo lugar; todos
procedem do pó e ao pó tornarão.
3:21 Quem sabe se o fôlego de vida dos filhos
dos homens se dirige para cima e o dos animais para baixo, para a terra?
3:22 Pelo que vi não haver coisa melhor do que
alegrar-se o homem nas suas obras, porque essa é a sua recompensa; quem o fará
voltar para ver o que será depois dele?
4 As tribulações da vida 1-16
4:1 Vi ainda todas as opressões que se fazem
debaixo do sol: vi as lágrimas dos que foram oprimidos, sem que ninguém os
consolasse; vi a violência na mão dos opressores, sem que ninguém consolasse os
oprimidos.
4:2 Pelo que tenho por mais felizes os que já
morreram, mais do que os que ainda vivem;
4:3 porém mais que uns e outros tenho por
feliz aquele que ainda não nasceu e não viu as más obras que se fazem debaixo
do sol.
4:4 Então, vi que todo trabalho e toda
destreza em obras provêm da inveja do homem contra o seu próximo. Também isto é
vaidade e correr atrás do vento.
4:5 O tolo cruza os braços e come a própria
carne, dizendo:
4:6 Melhor é um punhado de descanso do que
ambas as mãos cheias de trabalho e correr atrás do vento.
4:7 Então, considerei outra vaidade debaixo do
sol,
4:8 isto é, um homem sem ninguém, não tem
filho nem irmã; contudo, não cessa de trabalhar, e seus olhos não se fartam de
riquezas; e não diz: Para quem trabalho eu, se nego à minha alma os bens da
vida? Também isto é vaidade e enfadonho trabalho.
4:9 Melhor é serem dois do que um, porque têm
melhor paga do seu trabalho.
4:10 Porque se caírem, um levanta o
companheiro; ai, porém, do que estiver só; pois, caindo, não haverá quem o
levante.
4:11 Também, se dois dormirem juntos, eles se
aquentarão; mas um só como se aquentará?
4:12 Se alguém quiser prevalecer contra um, os
dois lhe resistirão; o cordão de três dobras não se rebenta com facilidade.
4:13 Melhor é o jovem pobre e sábio do que o
rei velho e insensato, que já não se deixa admoestar,
4:14 ainda que aquele saia do cárcere para
reinar ou nasça pobre no reino deste.
4:15 Vi todos os viventes que andam debaixo do
sol com o jovem sucessor, que ficará em lugar do rei.
4:16 Era sem conta todo o povo que ele
dominava; tampouco os que virão depois se hão de regozijar nele. Na verdade,
que também isto é vaidade e correr atrás do vento.
5 A loucura dos votos precipitados 1-7
5:1 Guarda o pé, quando entrares na Casa de
Deus; chegar-se para ouvir é melhor do que oferecer sacrifícios de tolos, pois
não sabem que fazem mal.
5:2 Não te precipites com a tua boca, nem o
teu coração se apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque Deus
está nos céus, e tu, na terra; portanto, sejam poucas as tuas palavras.
5:3 Porque dos muitos trabalhos vêm os sonhos,
e do muito falar, palavras néscias.
5:4 Quando a Deus fizeres algum voto, não
tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos. Cumpre o voto que fazes.
5:5 Melhor é que não votes do que votes e não
cumpras.
5:6 Não consintas que a tua boca te faça
culpado, nem digas diante do mensageiro de Deus que foi inadvertência; por que
razão se iraria Deus por causa da tua palavra, a ponto de destruir as obras das
tuas mãos?
5:7 Porque, como na multidão dos sonhos há
vaidade, assim também, nas muitas palavras; tu, porém, teme a Deus.
8-20 A vaidade das riquezas
5:8 Se vires em alguma província opressão de
pobres e o roubo em lugar do direito e da justiça, não te maravilhes de
semelhante caso; porque o que está alto tem acima de si outro mais alto que o
explora, e sobre estes há ainda outros mais elevados que também exploram.
5:9 O proveito da terra é para todos; até o
rei se serve do campo.
5:10 Quem ama o dinheiro jamais dele se farta;
e quem ama a abundância nunca se farta da renda; também isto é vaidade.
5:11 Onde os bens se multiplicam, também se
multiplicam os que deles comem; que mais proveito, pois, têm os seus donos do
que os verem com seus olhos?
5:12 Doce é o sono do trabalhador, quer coma
pouco, quer muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir.
5:13 Grave mal vi debaixo do sol: as riquezas
que seus donos guardam para o próprio dano.
5:14 E, se tais riquezas se perdem por
qualquer má aventura, ao filho que gerou nada lhe fica na mão.
5:15 Como saiu do ventre de sua mãe, assim nu
voltará, indo-se como veio; e do seu trabalho nada poderá levar consigo.
5:16 Também isto é grave mal: precisamente
como veio, assim ele vai; e que proveito lhe vem de haver trabalhado para o
vento?
5:17 Nas trevas, comeu em todos os seus dias,
com muito enfado, com enfermidades e indignação.
5:18 Eis o que eu vi: boa e bela coisa é comer
e beber e gozar cada um do bem de todo o seu trabalho, com que se afadigou
debaixo do sol, durante os poucos dias da vida que Deus lhe deu; porque esta é
a sua porção.
5:19 Quanto ao homem a quem Deus conferiu
riquezas e bens e lhe deu poder para deles comer, e receber a sua porção, e
gozar do seu trabalho, isto é dom de Deus.
5:20 Porque não se lembrará muito dos dias da
sua vida, porquanto Deus lhe enche o coração de alegria.
6 Cap. 1-12
6:1 Há um mal que vi debaixo do sol e que pesa
sobre os homens:
6:2 o homem a quem Deus conferiu riquezas,
bens e honra, e nada lhe falta de tudo quanto a sua alma deseja, mas Deus não
lhe concede que disso coma; antes, o estranho o come; também isto é vaidade e
grave aflição.
6:3 Se alguém gerar cem filhos e viver muitos
anos, até avançada idade, e se a sua alma não se fartar do bem, e além disso
não tiver sepultura, digo que um aborto é mais feliz do que ele;
6:4 pois debalde vem o aborto e em trevas se
vai, e de trevas se cobre o seu nome;
6:5 não viu o sol, nada conhece. Todavia, tem
mais descanso do que o outro,
6:6 ainda que aquele vivesse duas vezes mil
anos, mas não gozasse o bem. Porventura, não vão todos para o mesmo lugar?
6:7 Todo trabalho do homem é para a sua boca;
e, contudo, nunca se satisfaz o seu apetite.
6:8 Pois que vantagem tem o sábio sobre o
tolo? Ou o pobre que sabe andar perante os vivos?
6:9 Melhor é a vista dos olhos do que o andar
ocioso da cobiça; também isto é vaidade e correr atrás do vento.
6:10 A tudo quanto há de vir já se lhe deu o
nome, e sabe-se o que é o homem, e que não pode contender com quem é mais forte
do que ele.
6:11 É certo que há muitas coisas que só
aumentam a vaidade, mas que aproveita isto ao homem?
6:12 Pois quem sabe o que é bom para o homem
durante os poucos dias da sua vida de vaidade, os quais gasta como sombra? Quem
pode declarar ao homem o que será depois dele debaixo do sol?
7 Comparadas a sabedoria e a loucura 1-14
7:1 Melhor é a boa fama do que o ungüento
precioso, e o dia da morte, melhor do que o dia do nascimento.
7:2 Melhor é ir à casa onde há luto do que ir
à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os
vivos que o tomem em consideração.
7:3 Melhor é a mágoa do que o riso, porque com
a tristeza do rosto se faz melhor o coração.
7:4 O coração dos sábios está na casa do luto,
mas o dos insensatos, na casa da alegria.
7:5 Melhor é ouvir a repreensão do sábio do
que ouvir a canção do insensato.
7:6 Pois, qual o crepitar dos espinhos debaixo
de uma panela, tal é a risada do insensato; também isto é vaidade.
7:7 Verdadeiramente, a opressão faz endoidecer
até o sábio, e o suborno corrompe o coração.
7:8 Melhor é o fim das coisas do que o seu
princípio; melhor é o paciente do que o arrogante.
7:9 Não te apresses em irar-te, porque a ira
se abriga no íntimo dos insensatos.
7:10 Jamais digas: Por que foram os dias passados
melhores do que estes? Pois não é sábio perguntar assim.
7:11 Boa é a sabedoria, havendo herança, e de
proveito, para os que vêem o sol.
7:12 A sabedoria protege como protege o
dinheiro; mas o proveito da sabedoria é que ela dá vida ao seu possuidor.
7:13 Atenta para as obras de Deus, pois quem
poderá endireitar o que ele torceu?
7:14 No dia da prosperidade, goza do bem; mas,
no dia da adversidade, considera em que Deus fez tanto este como aquele, para
que o homem nada descubra do que há de vir depois dele.
15-22 A moderação em tudo é boa
7:15 Tudo isto vi nos dias da minha vaidade:
há justo que perece na sua justiça, e há perverso que prolonga os seus dias na
sua perversidade.
7:16 Não sejas demasiadamente justo, nem
exageradamente sábio; por que te destruirias a ti mesmo?
7:17 Não sejas demasiadamente perverso, nem
sejas louco; por que morrerias fora do teu tempo?
7:18 Bom é que retenhas isto e também daquilo
não retires a mão; pois quem teme a Deus de tudo isto sai ileso.
7:19 A sabedoria fortalece ao sábio, mais do
que dez poderosos que haja na cidade.
7:20 Não há homem justo sobre a terra que faça
o bem e que não peque.
7:21 Não apliques o coração a todas as
palavras que se dizem, para que não venhas a ouvir o teu servo a amaldiçoar-te,
7:22 pois tu sabes que muitas vezes tu mesmo
tens amaldiçoado a outros.
23-29 Avaliação da mulher enganosa
7:23 Tudo isto experimentei pela sabedoria; e
disse: tornar-me-ei sábio, mas a sabedoria estava longe de mim.
7:24 O que está longe e mui profundo, quem o
achará?
7:25 Apliquei-me a conhecer, e a investigar, e
a buscar a sabedoria e meu juízo de tudo, e a conhecer que a perversidade é
insensatez e a insensatez, loucura.
7:26 Achei coisa mais amarga do que a morte: a
mulher cujo coração são redes e laços e cujas mãos são grilhões; quem for bom
diante de Deus fugirá dela, mas o pecador virá a ser seu prisioneiro.
7:27 Eis o que achei, diz o Pregador,
conferindo uma coisa com outra, para a respeito delas formar o meu juízo,
7:28 juízo que ainda procuro e não o achei:
entre mil homens achei um como esperava, mas entre tantas mulheres não achei
nem sequer uma.
7:29 Eis o que tão-somente achei: que Deus fez
o homem reto, mas ele se meteu em muitas astúcias.
8 A submissão diante do rei 1-9
8:1 Quem é como o sábio? E quem sabe a
interpretação das coisas? A sabedoria do homem faz reluzir o seu rosto, e
muda-se a dureza da sua face.
8:2 Eu te digo: observa o mandamento do rei, e
isso por causa do teu juramento feito a Deus.
8:3 Não te apresses em deixar a presença dele,
nem te obstines em coisa má, porque ele faz o que bem entende.
8:4 Porque a palavra do rei tem autoridade
suprema; e quem lhe dirá: Que fazes?
8:5 Quem guarda o mandamento não experimenta
nenhum mal; e o coração do sábio conhece o tempo e o modo.
8:6 Porque para todo propósito há tempo e
modo; porquanto é grande o mal que pesa sobre o homem.
8:7 Porque este não sabe o que há de suceder;
e, como há de ser, ninguém há que lho declare.
8:8 Não há nenhum homem que tenha domínio
sobre o vento para o reter; nem tampouco tem ele poder sobre o dia da morte;
nem há tréguas nesta peleja; nem tampouco a perversidade livrará aquele que a
ela se entrega.
8:9 Tudo isto vi quando me apliquei a toda
obra que se faz debaixo do sol; há tempo em que um homem tem domínio sobre
outro homem, para arruiná-lo.
10-17 As desigualdades da vida
8:10 Assim também vi os perversos receberem
sepultura e entrarem no repouso, ao passo que os que freqüentavam o lugar santo
foram esquecidos na cidade onde fizeram o bem; também isto é vaidade.
8:11 Visto como se não executa logo a sentença
sobre a má obra, o coração dos filhos dos homens está inteiramente disposto a
praticar o mal.
8:12 Ainda que o pecador faça o mal cem vezes,
e os dias se lhe prolonguem, eu sei com certeza que bem sucede aos que temem a
Deus.
8:13 Mas o perverso não irá bem, nem prolongará
os seus dias; será como a sombra, visto que não teme diante de Deus.
8:14 Ainda há outra vaidade sobre a terra:
justos a quem sucede segundo as obras dos perversos, e perversos a quem sucede
segundo as obras dos justos. Digo que também isto é vaidade.
8:15 Então, exaltei eu a alegria, porquanto
para o homem nenhuma coisa há melhor debaixo do sol do que comer, beber e
alegrar-se; pois isso o acompanhará no seu trabalho nos dias da vida que Deus
lhe dá debaixo do sol.
8:16 Aplicando-me a conhecer a sabedoria e a
ver o trabalho que há sobre a terra -- pois nem de dia nem de noite vê o homem
sono nos seus olhos --,
8:17 então, contemplei toda a obra de Deus e
vi que o homem não pode compreender a obra que se faz debaixo do sol; por mais
que trabalhe o homem para a descobrir, não a entenderá; e, ainda que diga o
sábio que a virá a conhecer, nem por isso a poderá achar.
9 A sorte parece ser a mesma para todos 1-10
9:1 Deveras me apliquei a todas estas coisas
para claramente entender tudo isto: que os justos, e os sábios, e os seus
feitos estão nas mãos de Deus; e, se é amor ou se é ódio que está à sua espera,
não o sabe o homem. Tudo lhe está oculto no futuro.
9:2 Tudo sucede igualmente a todos: o mesmo
sucede ao justo e ao perverso; ao bom, ao puro e ao impuro; tanto ao que
sacrifica como ao que não sacrifica; ao bom como ao pecador; ao que jura como
ao que teme o juramento.
9:3 Este é o mal que há em tudo quanto se faz
debaixo do sol: a todos sucede o mesmo; também o coração dos homens está cheio
de maldade, nele há desvarios enquanto vivem; depois, rumo aos mortos.
9:4 Para aquele que está entre os vivos há
esperança; porque mais vale um cão vivo do que um leão morto.
9:5 Porque os vivos sabem que hão de morrer,
mas os mortos não sabem coisa nenhuma, nem tampouco terão eles recompensa,
porque a sua memória jaz no esquecimento.
9:6 Amor, ódio e inveja para eles já
pereceram; para sempre não têm eles parte em coisa alguma do que se faz debaixo
do sol.
9:7 Vai, pois, come com alegria o teu pão e
bebe gostosamente o teu vinho, pois Deus já de antemão se agrada das tuas
obras.
9:8 Em todo tempo sejam alvas as tuas vestes,
e jamais falte o óleo sobre a tua cabeça.
9:9 Goza a vida com a mulher que amas, todos
os dias de tua vida fugaz, os quais Deus te deu debaixo do sol; porque esta é a
tua porção nesta vida pelo trabalho com que te afadigaste debaixo do sol.
9:10 Tudo quanto te vier à mão para fazer,
faze-o conforme as tuas forças, porque no além, para onde tu vais, não há obra,
nem projetos, nem conhecimento, nem sabedoria alguma.
11-12 Trabalhos sem recompensa
9:11 Vi ainda debaixo do sol que não é dos
ligeiros o prêmio, nem dos valentes, a vitória, nem tampouco dos sábios, o pão,
nem ainda dos prudentes, a riqueza, nem dos inteligentes, o favor; porém tudo
depende do tempo e do acaso.
9:12 Pois o homem não sabe a sua hora. Como os
peixes que se apanham com a rede traiçoeira e como os passarinhos que se
prendem com o laço, assim se enredam também os filhos dos homens no tempo da
calamidade, quando cai de repente sobre eles.
13-18 Exemplo que ilustra esta verdade
9:13 Também vi este exemplo de sabedoria
debaixo do sol, que foi para mim grande.
9:14 Houve uma pequena cidade em que havia
poucos homens; veio contra ela um grande rei, sitiou-a e levantou contra ela
grandes baluartes.
9:15 Encontrou-se nela um homem pobre, porém
sábio, que a livrou pela sua sabedoria; contudo, ninguém se lembrou mais
daquele pobre.
9:16 Então, disse eu: melhor é a sabedoria do
que a força, ainda que a sabedoria do pobre é desprezada, e as suas palavras não
são ouvidas.
9:17 As palavras dos sábios, ouvidas em
silêncio, valem mais do que os gritos de quem governa entre tolos.
9:18 Melhor é a sabedoria do que as armas de
guerra, mas um só pecador destrói muitas coisas boas.
10 A excelência da sabedoria 1-20
10:1 Qual a mosca morta faz o ungüento do
perfumador exalar mau cheiro, assim é para a sabedoria e a honra um pouco de
estultícia.
10:2 O coração do sábio se inclina para o lado
direito, mas o do estulto, para o da esquerda.
10:3 Quando o tolo vai pelo caminho, falta-lhe
o entendimento; e, assim, a todos mostra que é estulto.
10:4 Levantando-se contra ti a indignação do
governador, não deixes o teu lugar, porque o ânimo sereno acalma grandes
ofensores.
10:5 Ainda há um mal que vi debaixo do sol,
erro que procede do governador:
10:6 o tolo posto em grandes alturas, mas os
ricos assentados em lugar baixo.
10:7 Vi servos a cavalo e príncipes andando a
pé como servos sobre a terra.
10:8 Quem abre uma cova nela cairá, e quem
rompe um muro, mordê-lo-á uma cobra.
10:9 Quem arranca pedras será maltratado por
elas, e o que racha lenha expõe-se ao perigo.
10:10 Se o ferro está embotado, e não se lhe
afia o corte, é preciso redobrar a força; mas a sabedoria resolve com bom
êxito.
10:11 Se a cobra morder antes de estar
encantada, não há vantagem no encantador.
10:12 Nas palavras do sábio há favor, mas ao
tolo os seus lábios devoram.
10:13 As primeiras palavras da boca do tolo
são estultícia, e as últimas, loucura perversa.
10:14 O estulto multiplica as palavras, ainda
que o homem não sabe o que sucederá; e quem lhe manifestará o que será depois
dele?
10:15 O trabalho do tolo o fatiga, pois nem
sabe ir à cidade.
10:16 Ai de ti, ó terra cujo rei é criança e
cujos príncipes se banqueteiam já de manhã.
10:17 Ditosa, tu, ó terra cujo rei é filho de
nobres e cujos príncipes se sentam à mesa a seu tempo para refazerem as forças
e não para bebedice.
10:18 Pela muita preguiça desaba o teto, e
pela frouxidão das mãos goteja a casa.
10:19
O festim faz-se para rir, o vinho alegra a vida, e o dinheiro atende a tudo.
10:20 Nem no teu pensamento amaldiçoes o rei,
nem tampouco no mais interior do teu quarto, o rico; porque as aves dos céus
poderiam levar a tua voz, e o que tem asas daria notícia das tuas palavras.
11 O procedimento prudente do sábio 1-8
11:1 Lança o teu pão sobre as águas, porque
depois de muitos dias o acharás.
11:2 Reparte com sete e ainda com oito, porque
não sabes que mal sobrevirá à terra.
11:3 Estando as nuvens cheias, derramam
aguaceiro sobre a terra; caindo a árvore para o sul ou para o norte, no lugar
em que cair, aí ficará.
11:4 Quem somente observa o vento nunca
semeará, e o que olha para as nuvens nunca segará.
11:5 Assim como tu não sabes qual o caminho do
vento, nem como se formam os ossos no ventre da mulher grávida, assim também
não sabes as obras de Deus, que faz todas as coisas.
11:6 Semeia pela manhã a tua semente e à tarde
não repouses a mão, porque não sabes qual prosperará; se esta, se aquela ou se
ambas igualmente serão boas.
11:7 Doce é a luz, e agradável aos olhos, ver
o sol.
11:8 Ainda que o homem viva muitos anos,
regozije-se em todos eles; contudo, deve lembrar-se de que há dias de trevas,
porque serão muitos. Tudo quanto sucede é vaidade.
9-10 A mocidade
11:9 Alegra-te, jovem, na tua juventude, e
recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que
satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas
estas coisas Deus te pedirá contas.
11:10 Afasta, pois, do teu coração o desgosto
e remove da tua carne a dor, porque a juventude e a primavera da vida são
vaidade.
12 A velhice 1-8
12:1 Lembra-te do teu Criador nos dias da tua
mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não
tenho neles prazer;
12:2 antes que se escureçam o sol, a lua e as
estrelas do esplendor da tua vida, e tornem a vir as nuvens depois do
aguaceiro;
12:3 no dia em que tremerem os guardas da
casa, os teus braços, e se curvarem os homens outrora fortes, as tuas pernas, e
cessarem os teus moedores da boca, por já serem poucos, e se escurecerem os
teus olhos nas janelas;
12:4 e os teus lábios, quais portas da rua, se
fecharem; no dia em que não puderes falar em alta voz, te levantares à voz das
aves, e todas as harmonias, filhas da música, te diminuírem;
12:5 como também quando temeres o que é alto,
e te espantares no caminho, e te embranqueceres, como floresce a amendoeira, e
o gafanhoto te for um peso, e te perecer o apetite; porque vais à casa eterna,
e os pranteadores andem rodeando pela praça;
12:6 antes que se rompa o fio de prata, e se
despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a
roda junto ao poço,
12:7 e o pó volte à terra, como o era, e o
espírito volte a Deus, que o deu.
12:8 Vaidade de vaidade, diz o Pregador, tudo
é vaidade.
9-14 Conclusão
12:9 O Pregador, além de sábio, ainda ensinou
ao povo o conhecimento; e, atentando e esquadrinhando, compôs muitos
provérbios.
12:10 Procurou o Pregador achar palavras
agradáveis e escrever com retidão palavras de verdade.
12:11 As palavras dos sábios são como
aguilhões, e como pregos bem fixados as sentenças coligidas, dadas pelo único
Pastor.
12:12 Demais, filho meu, atenta: não há limite
para fazer livros, e o muito estudar é enfado da carne.
12:13 De tudo o que se tem ouvido, a suma é:
Teme a Deus e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo homem.
12:14 Porque Deus há de trazer a juízo todas
as obras, até as que estão escondidas, quer sejam boas, quer sejam más.
-----------------------------------------------------------------------------
sergiovalentin