*          4.1                   os adversários. Embora essa gente tivesse vindo aparentemente com boas intenções, eles foram chamados de "adversários", visto que depois tentaram transtornar o trabalho de restauração. Havia algum motivo político nesse conflito, porquanto somente os que retornassem tinham recebido autorização, da parte de Ciro, para ocuparem-se na construção (1.2-4). Em última análise, porém, o problema era religioso. Os "adversários" eram pessoas de várias origens que tinham sido transplantados para Samaria, a área ao norte de Judá, depois da destruição do reino do norte de Israel, em 722 a.C. (4.9,10, nota). Eles adoravam a muitos deuses e incorporaram a adoração ao Senhor em seu politeísmo (2Rs 17.24-41). A animosidade entre os judeus e os samaritanos que descendiam desses "adversários" forma parte do pano-de-fundo do Novo Testamento (cf. Jo 4.1-42).

 

*          4.3                   nós mesmos, sozinhos, a edificaremos. Essa discriminação não era nem racial e nem política, e, sim, religiosa. Desde os primeiros dias de permanência na Terra Prometida (Jz 3.6) e através de sua história (2Rs 17.7-17), alianças com estrangeiros conduziram os israelitas à idolatria, e, finalmente, ao exílio da Terra Prometida (2Rs 17.18-23). O fracasso dos retornados de se separarem da população indígena tornou-se logo um problema (Ed 9, 10). O mesmo princípio de separação religiosa continua operando sob o Novo Pacto (2Co 6.14 - 7.1).

 

*          4.4                   as gentes da terra. Os "adversários" do v. 1.

 

*          4.5                   alugaram... conselheiros. Talvez esses fossem oficiais persas que se deixaram subornar. Os esforços de obstrução dos adversários causou um adiamento na obra desde os tempos de Ciro (550—530 a.C.) até ao segundo ano de Dario (522—486 a.C.).

 

*          4.6-23              Este material é uma seção separada, que descreve a oposição à reconstrução das muralhas depois de Dario e durante os reinados de Xerxes (486—465 a.C.) e de Artaxerxes I (465—424 a.C.). A narrativa justifica chamar os povos circunvizinhos, no v. 1, de "adversários". Em segundo lugar, mostra que a oposição não era um problema passageiro, mas uma antevisão de uma prolongada oposição ao povo de Deus, na reconstrução da "casa" de Deus — o templo, mas também a cidade e a nação.

 

*          4.6                   Assuero. Ele é o mesmo Xerxes, que sucedeu a Dario e foi o rei da Pérsia entre 486 e 465 a.C.

 

escreveram uma acusação. O sujeito do verbo desta frase não é especificada, mas o contexto mostra que os perturbadores eram uma geração posterior aos "adversários" do v. 1. Coisa alguma é dita acerca da natureza dessa acusação.

 

*          4.7                   Artaxerxes. Artaxerxes I, sucessor de Assuero (Xerxes) e rei da Pérsia de 465 a 424 a.C.

 

lhe escreveram. Ou seja, a Artaxerxes. Não há informação sobre o conteúdo dessa carta, mas considerando o seu contexto, sem dúvida foi um esforço para impedir a reconstrução das muralhas de Jerusalém.

 

em caracteres aramaicos. Essa era a linguagem da diplomacia internacional, no antigo Oriente Próximo e Médio.

 

*          4.8—6.18        Esta seção não foi escrita no hebraico, mas no aramaico, a linguagem dos documentos originais. A correspondência exprime a preocupação de vários oficiais gentílicos sobre o progresso do trabalho dos judeus.

 

*          4.8                   O escrivão. Os escrivães (escribas) eram altos oficiais que escreviam a correspondência oficial e mantinham arquivos para o governo provincial (7.6, nota).

 

*          4.9                   os outros seus companheiros. A oposição não consistia em alguns poucos, mas tinha uma base ampla.

 

*          4.10     Asnapar. Provavelmente Assurbanipal, o último rei bem-sucedido da Assíria (668—627 a.C.), que transplantou vários povos para Samaria. Essa prática começou após a queda de Samaria, em 722 a.C., provavelmente por Sargão II (2Rs 17.24).

 

daquém do Eufrates. A área a oeste do rio Eufrates, incluindo Arã, Fenícia e Palestina.

 

*          4.12     vão restaurando os seus muros. Ver nota em 4.6-23.

 

*          4.14     somos assalariados do rei. Lit., "somos salgados com o sal do palácio". Provavelmente, isso é uma maneira de referir-se à obrigação pactual de um vassalo para com seu senhor (cf. Lv 2.13; Nm 18.19; 2Cr 13.5).

 

*          4.15     no livro das crônicas. Uma alusão aos vários documentos escritos em aramaico, usados na escrita desta seção de Esdras, teriam sido guardados em um arquivo semelhante.

 

cidade foi rebelde... destruída. Ver 2Rs 18.7; 24.1.

 

*          4.16     não terá a posse. Como é óbvio, essa frase importava em um exagero, mas essas palavras tinham por intuito influenciar na decisão de Artaxerxes.

 

*          4.18     foi distintamente lida. Ao rei não foi dado um sumário da carta; ela foi lida para ele palavra por palavra.

 

*          4.20     Sob Davi e Salomão, Israel recebia tributos de outras nações. Agora, embora tivessem retornado à Terra Prometida, o povo de Deus devia submeter-se ao governo dos ímpios (9.9 e nota).

 

*          4.24     Após a seção que trata da oposição à reconstrução das muralhas (vs. 6-23), o autor retorna ao tema dos vs. 1-5, a reconstrução do templo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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