* 7.1 Passadas estas coisas. Cerca de
sessenta anos se tinham passado entre os eventos do fim do cap. 6 e o começo do
cap. 7. A única informação sobre esse período, com base em Esdras e Neemias,
diz respeito à oposição nos dias de Assuero (4.6, nota) — os eventos no livro
de Ester ocorreram durante esse período (Et 1.1).
Artaxerxes. Artaxerxes
I, rei da Pérsia entre 465—424 a.C.
Esdras. A longa introdução de Esdras (vs. 1-10)
assinala a importância dele quanto àquilo que se segue. A primeira informação
dada acerca de Esdras é sobre seus antepassados. A genealogia dele é plena, mas
não completa; a frase "filho de" com freqüência é usada para indicar
"descendente". A linhagem de Esdras remonta a Arão, estabelecendo sua
autoridade sacerdotal em seus atos subsequentes.
* 7.5 subiu da Babilônia. Nem todos
os exilados piedosos tinham retornado com Sesbazar, em 538 a.C. A família de
Esdras não havia retornado. É provável que Esdras não tivesse ainda nascido ao
tempo do primeiro retorno. Ele cresceu na Babilônia, onde vivia a maioria dos exilados.
* 7.6 era escriba versado. No Antigo
Testamento, os escribas com freqüência eram oficiais do governo que escreviam
documentos oficiais (4.8, nota; 2Sm 8.17; 1Rs 4.3), administravam tesouros do
templo (2Rs 12.10,11; 22.3,4,9; Ne 13.13), serviam como emissários da corte
(2Rs 18.18-37) e proviam funções literárias como tomar ditados (Jr 36.32).
Esdras tinha autoridade governamental (v. 25), mas sua mais importante
qualificação era a de mestre na lei de Deus (vs. 10,11,14; Ne 8.1-9).
dada pelo SENHOR. A
"Lei de Moisés" tem origem divina (2Tm 3.16). A referência aqui pode
ser aos primeiros cinco livros da Bíblia.
o rei lhe concedeu tudo quanto lhe
pedira. As ações de pessoas responsáveis remontam à atuação de Deus.
Esdras pediu e Artaxerxes o atendeu, pois Deus favorecia a Esdras.
* 7.7 subiram... alguns dos filhos. Esdras não
subiu sozinho, mas ele liderava uma segunda leva de exilados que retornavam.
no ano sétimo. Isto é,
458 a.C.
* 7.9 chegou a Jerusalém. A viagem
ocorreu durante a primavera, quando haveria muita água ao longo do caminho.
Levou cerca de quatro meses.
a boa mão do seu Deus. O sucesso
é aqui atribuído à providência divina.
* 7.10 Porque. O alvo da vinda de Esdras a
Jerusalém é dado agora. Como ouvinte diligente e praticante da Palavra (Tg
1.22), o alvo de Esdras era ensinar a outros a mesma.
* 7.11-26 Uma cópia de uma carta do rei
Artaxerxes registra a comissão real dada a Esdras para que retornasse a
Jerusalém e pesquisasse o estado espiritual do povo (v. 14), para que provesse
suprimentos para o templo (vs. 15-24) e para que providenciasse a administração
da justiça (vs. 25,26).
* 7.11 carta. A carta (vs. 12-26),
escrita em aramaico (4.7, nota), dava a Esdras a autoridade para efetuar as
reformas registradas nos capítulos que se seguem. A carta pode ter sido escrita
por Esdras e então assinada por Artaxerxes, ou Artaxerxes pode ter tido
conselheiros judeus que ajudaram a compor a carta, conforme alguns dos detalhes
parecem indicar.
* 7.12 rei dos reis. Um título
usado pelos monarcas persas para indicar sua supremacia sobre todos os reis
vassalos. Fica implícito no livro de Esdras (1.1, nota) que Deus é o verdadeiro
Rei dos reis, e esse fato também é declarado explicitamente em outros trechos
das Escrituras (Ap 17.14; 19.16).
escriba. Ver nota no v. 6.
* 7.13 Essa permissão de retornar envolvia todos
quantos quisessem fazê-lo, tal como o fizera o decreto original de Ciro, em
1.3.
* 7.14 para fazeres inquirição. Ao passo
que Ciro comissionara os primeiros a voltarem, para "edificarem" um
templo, Artaxerxes comissionou Esdras a inquirir acerca da condição espiritual
do povo judeu. Seus esforços ajudariam a reconstruir a comunidade do povo de
Deus, a "casa" de Deus" (Nm 12.7).
* 7.15-17 O
conhecimento de Artaxerxes quanto a detalhes do culto dos israelitas indica que
Esdras ou conselheiros judeus escreveram pessoalmente a carta, ou, pelo menos,
ajudaram na escrita da mesma (1.2-4, nota).
* 7.18 a vontade do vosso Deus. A
conformidade à vontade de Deus é um dos grandes temas do resto deste livro.
* 7.20 E tudo mais que for necessário. A
generosidade de Artaxerxes foi idêntica à de Dario (6.9).
* 7.23 para que haveria grande ira. Ver nota
em 1.3.
* 7.25 O papel de Esdras era duplo: exercer
autoridade governamental e ensinar a lei de Deus (7.6, nota).
o povo que está dalém do Eufrates. Essas
palavras apontam para os judeus que tinham retornado a Judá e a Jerusalém.
* 7.26 a lei do teu Deus e a lei do rei. As duas
leis não eram idênticas. A distinção entre a lei religiosa e a lei civil era
mais importante para os judeus no exílio, que viviam sob uma autoridade civil
estrangeira, do que durante a monarquia, quando o estado era da mesma religião
que o povo judeu. A segunda seção aramaica de Esdras termina com este
versículo.
seja condenado. Ao próprio
Esdras não foi dada a autoridade de punir, neste versículo; os
"príncipes" e os "anciãos" é que exerciam essa autoridade,
segundo se vê em 10.8.
* 7.27 moveu o coração do rei. As ações
de Artaxerxes remontavam aos atos soberanos de Deus.
* 7.28 estendeu... sua misericórdia. Aqui,
"misericórdia" é tradução da palavra hebraica hesed, que se
refere à lealdade de Deus ao pacto. A mesma palavra ocorre em 9.9. O favor de
Artaxerxes para com Esdras devia-se à lealdade de Deus para com o seu povo,
segundo a aliança.
para mim. Esta é a
primeira referência a Esdras na primeira pessoa, que marca o começo das
"Memórias" de Esdras (Introdução: Características e Temas).
a boa mão do SENHOR. A
consciência que Esdras tinha do controle providencial de Deus foi uma fonte de
encorajamento para as tarefas que havia à sua frente.
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