* 9.1 Acabadas, pois, estas coisas. Ou seja,
quatro e meio meses após a chegada (7.9; 10.9).
vieram ter comigo os príncipes. Esdras
tinha chegado a fim de ensinar a lei (7.10, nota), e agora alguns dos líderes
vinham a ele dar-lhe notícia de certos pecados. Possivelmente estavam reagindo
ao seu ensino.
não se separaram. A questão
em pauta era a diferença religiosa, e não racial, conforme os versículos
seguintes o indicam (vs. 10-12; 4.3, nota).
dos povos de outras terras. Dos
alistados, somente os amonitas, os moabitas e os egípcios estavam presentes nos
dias de Esdras. Os outros estavam na terra durante a conquista por parte de
Josué, e a menção dos mesmos pode ter levado à mente as proibições originais
contra os casamentos mistos (Êx 34.10-16; Dt 7.1-4).
* 9.2 se misturou a linhagem santa. O problema
não era o casamento misto entre diferentes grupos étnicos, mas a mistura entre
os santificados, mediante a aliança com o Senhor, e aqueles que estavam fora
dessa aliança, e, portanto, imundos (8.28,29, nota; 9.11,12, nota).
os príncipes. Nem todos
os líderes conduziram o povo ao pecado, pois alguns deles procuravam
conduzi-los à reforma.
* 9.3 rasguei as minhas vestes e
o meu manto. Esse ato era uma maneira típica de expressar tristeza (2Sm
13.19).
arranquei os cabelos da cabeça e da
barba. Esse ato era incomum. Alguns anos mais tarde, Neemias
encontraria o mesmo pecado, mas ao invés de puxar seus próprios cabelos, puxou
os cabelos dos culpados (Ne 13.25).
* 9.4 todos os que tremiam das
palavras. Havia um grupo que não se misturara por casamentos mistos,
mas que, temendo ao Senhor, tinham observado a sua lei (cf. Is 66.2).
sacrifício da tarde. Cerca do
meio-dia, um horário tanto de oração quanto de sacrifícios (Sl 141.2).
* 9.5 me pus de joelhos, estendi as
mãos. Ver 1Rs 8.54. O ato de ajoelhar-se exprime humildade diante
do Senhor majestoso (Sl 95.6), e estender as mãos comumente acompanha as
petições (Sl 28.2).
* 9.6 confuso e envergonhado. Antes,
Esdras se envergonhara de pedir proteção para Artaxerxes na viagem de retorno
(8.22). Agora a sua vergonha era de tipo diferente, uma vergonha unida à culpa
que resulta do pecado.
nossas iniqüidades... nossa culpa. Esdras
estava agudamente cônscio do pecado e da culpa do povo perante Deus. Note-se
também a mudança repentina do "meu" para o "nosso". Embora
Esdras não fosse culpado de ter-se casado com alguma mulher pagã, ele se
identificou com o povo em seu pecado, tal como fez o Servo Sofredor de Isaías
(Is 53.12; 2Co 5.21).
* 9.7 Desde os dias de nossos pais. Havia um
senso de solidariedade coletiva e de responsabilidade mútua que atravessava as
gerações.
* 9.8 por breve momento. Estava em
perigo a situação dos que tinham retornado do exílio como recebedores do favor
divino.
a graça da parte do SENHOR... para
nos deixar alguns. A justiça requeria o fim absoluto do povo de Deus,
mas a graça preservou um remanescente. Através desse remanescente o Messias
viria e a redenção seria realizada.
para dar-nos estabilidade. Lit. “para
dar-nos uma estaca”. As tendas eram levantadas por meio de uma
"estaca", que a mantinha de pé (Jz 4.21), ou por meio de um prego que
segura objetos pendurados no mesmo (Is 22.23-25). O Senhor tinha dado a Israel
um lugar em seu templo, como se fora a estaca de uma tenda, e fizera de Esdras
alguém em quem se podia confiar com as cargas.
nos alumiar os olhos. Uma
expressão idiomática que indica aumento de vigor (Sl 13.3).
* 9.9 somos servos. Embora
restaurados à sua terra, o povo de Deus não era politicamente independente,
conforme tinha sido durante a monarquia (4.19-23, nota).
não nos desamparou o nosso Deus. A
promessa de Deus de que não desampararia a nação de Israel era, em seu aspecto
externo e tipológico, condicional (10.5, nota). Se Israel se esquecesse de Deus
e da aliança, desconsiderando a lei, ela perderia as bênçãos e experimentaria
as maldições de Deus (Dt 28.20. 29.24,25; 31.16,17). Mesmo assim, Deus jamais
desampararia totalmente a Israel, por meio de quem o Cristo viria ao mundo. Ver
Lv 26.44,45; Sl 89.30-37; Is 54.7; Rm 11.
os reis da Pérsia.
Especificamente, Ciro (550—530 a.C.), que expediu o decreto do retorno; Dario
(522—486 a.C.), que confirmou o decreto, e Artaxerxes (465—424 a.C.), que
comissionou Esdras para ensinar o povo de Israel.
um muro de segurança em Judá e em
Jerusalém. Essa frase não se refere às muralhas edificadas
posteriormente por Neemias, mas é antes uma figura que representa a proteção
dada aos exilados retornados (note a outra linguagem figurada no v. 8, e que a
muralha de Neemias não foi construída ao redor de todo o território de Judá).
* 9.10 deixamos os teus mandamentos. Deixar os
mandamentos de Deus significa que as maldições do pacto podiam sobrevir ao povo
de Israel a qualquer momento (v. 9, nota sobre "não nos desamparou o nosso
Deus").
* 9.11 ordenaste... dizendo. Moisés
era o profeta que dera inicialmente o mandamento (Dt 7.1-3). As palavras não
são a citação de um texto isolado, mas um resumo da teologia da separação, que
leva em conta numerosos textos, como Lv 18.25; Dt 4.5; 7.3; 18.9; 27.3; 2Rs
21.16. A separação não era étnica ou racial, mas religiosa. Os casamentos
mistos com pessoas de fora da aliança introduziriam uma tentação insuportável
para corromper ou abandonar o culto ao Deus vivo e verdadeiro (cf. Dt 7.3,4; Jz
14.1-4; 1Rs 11.1-4; 2Co 6.14).
* 9.13 menos do que merecem as nossas iniqüidades
... restante que escapou. A restauração fora feita à base da graça divina e da
promessa da aliança com Abraão (Dt 4.25-31). Assim também se dera com a entrada
inicial na Terra Prometida (Dt 9.5).
* 9.14 até não haver restante. Esdras
temia que a quebra atual do pacto poderia resultar em um juízo final. Embora o
juízo divino sobreviesse mais tarde à nação (Lc 20.9-19), mesmo assim haveria
um remanescente segundo a graça (Rm 11.1-5).
* 9.15 A conclusão de Esdras era que mesmo agora o
povo vivia somente por causa da graça de Deus.
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