* 1.1-3 As mesmas
palavras, com diferenças pequenas, encerram 2 Crônicas. Esdras continua a
História da Redenção onde as Crônicas a tinham deixado.
* 1.1 No primeiro ano. 538 a.C.,
o primeiro ano do reinado de Ciro. Ele conquistou a Babilônia em outubro de 539
a.C., e reinou sobre a Pérsia de 550 a 530 a.C.
para que se cumprisse a palavra do
SENHOR. Jeremias havia profetizado setenta anos de cativeiro na
Babilônia (Jr 25.11,12; 29.10; ver Dn 9.2). De 605 a.C., quando os primeiros
cativos foram deportados, até 538 a.C., quando o decreto do retorno foi
expedido, passaram-se sessenta e sete anos. Outras profecias também podem estar
em vista (Jr 16.14,15; 27.22). O Senhor estava soberanamente fazendo cumprir a
palavra falada, mais de meio século antes.
despertou o SENHOR o espírito de
Ciro. Essa frase expressa o tema principal do livro; Deus opera
soberanamente através de agentes humanos responsáveis para realizaram seu plano
de redenção (6.22; 7.27). Nas palavras de Pv 21.1, o Senhor dirigiu o espírito
de Ciro "como ribeiros de águas; segundo o seu querer o inclina".
* 1.2-4 O decreto pode ter sido redigido com a ajuda
de conselheiros judeus.
* 1.2 O SENHOR, Deus dos céus. Um título
que identifica o Senhor como a autoridade e o poder supremos (5.12; 6.9,10;
7.12,21,23; Ne 1.4,5; 2.4,20; Dn 2.18,19,37,44; Jn 1.9).
me deu... me encarregou. O
testemunho de Ciro à soberania de Deus provavelmente para ele foi apenas uma
formalidade, visto que o cilindro de Ciro diz coisas semelhantes quanto a
outros deuses (1.3, nota).
uma casa em Jerusalém. A
"casa" refere-se, em primeiro lugar, ao templo, mas no fim incluirá a
cidade de Deus e o povo de Deus. A reconstrução da "casa" de Deus é
um tema dominante em Esdras e Neemias (Introdução: Características e Temas).
* 1.3 Ciro tratou Israel da mesma maneira que
tratou seus outros povos vassalos. O propósito dele era conseguir o apoio dos
deuses desses povos a seu serviço (note a motivação de Dario, em 6.10, e de
Artaxerxes, em 7.23). O propósito soberano do Senhor, porém, era fazer
continuar o progresso da redenção.
todo o seu povo. A comissão
de Ciro dirigia-se a todo o povo de Israel, e não somente aos líderes,
expressando um tema importante do livro (Introdução: Características e Temas).
O povo de Deus, como um todo, era vital ao cumprimento do plano divino da
redenção.
* 1.4 Todo aquele que restar em alguns lugares. Essa frase
refere-se aos judeus que permaneceram na Babilônia, e, talvez, também a
gentios.
o ajudarão. No êxodo do Egito, os egípcios despediram
Israel para fora do país com muitos presentes (Êx 12.35,36).
* 1.5 A reação foi descrita em
linguagem paralela ao decreto, enfatizando o resultado imediato no povo ao
decreto de Ciro e ao estímulo dado por Deus.
se levantaram os cabeças de
famílias. Esses eram os patriarcas das grandes famílias dos hebreus.
de Judá e de Benjamim. As duas
tribos que tinham sido exiladas pelos babilônios.
os sacerdotes, e os levitas. A
restauração do culto no templo requeria que eles voltassem (8.15-17).
Deus despertou. A mesma
frase no hebraico, como no v. 1 (ver referência lateral). O poder soberano de
Deus gerou o decreto e a reação favorável.
* 1.8 Mitredate. Um oficial
persa.
* Sesbazar. Alguns
estudiosos o identificam com Zorobabel. Todavia, Sesbazar parece ter sido uma
figura um tanto desconhecida, em 5.14-16, ao passo que Zorobabel é bem
conhecido (5.2,3). Provavelmente, Sesbazar fosse o líder oficial, talvez um
persa designado por Ciro, ao passo que Zorobabel era o líder popular.
* 1.9-11 O total dos números nos vs. 9, 10 é
de 2.499, e não 5.400, conforme se lê no v. 11. A razão dessa discrepância não
é conhecida. A dificuldade se combina com o desconhecimento exato do que
significam as "bacias" e as "taças". O surgimento desses
tesouros deve ter encorajado os espíritos do povo de Deus, visto que Jeremias
tinha profetizado que eles seriam preservados e levados de volta a Jerusalém
(Jr 27.22).
* 1.11 Os exilados voltaram a Jerusalém com os
artigos para o templo, de acordo com o decreto de Ciro. O Senhor cumpriu a sua
promessa de que após castigar o seu povo por ter quebrado o pacto, ele o traria
de volta à Terra Prometida (Dt 30.1-5).
* 2.1-70 A
lista dos exilados que retornaram talvez não pareça teologicamente importante,
mas a repetição da mesma lista, com algumas variações, em Ne 7, sugere outra
coisa. Em primeiro lugar, o Senhor conhece pessoalmente o seu povo. O
relacionamento pactual entre o Senhor e o seu povo é um laço de amizade íntima.
Em segundo lugar, pessoas comuns são vitais para a realização do plano divino
da redenção (Introdução: Características e Temas). Não somente os líderes
religiosos e políticos são importantes na reconstrução da casa de Deus, mas também
o é o povo comum. De fato, "o restante do povo" contribuiu mais para
a reconstrução do que fizeram os "cabeças das famílias" ou o
governador (Ne 7.70-72). Em terceiro lugar, a numeração assemelha-se àquelas
que se encontram em Números e em Josué (Nm 1.26; Js 18; 19). Assim como o
Senhor formou a comunidade do pacto depois do êxodo do Egito, assim também ele
a recria, após o retorno da Babilônia.
* 2.2 Zorobabel. Um
descendente de Davi e neto de Jeoaquim; ele foi o líder responsável pelo
lançamento dos alicerces do templo (3.8-10).
Jesua. Ele era o sumo sacerdote na época da
restauração (Ag 1.1; Zc 3.1).
Neemias. Não aquele Neemias que, posteriormente,
supervisionou a reconstrução das muralhas de Jerusalém.
Mordecai. Não o mesmo Mordecai que era primo de
Ester.
* 2.2-35 O primeiro grupo a ser alistado era
composto de leigos. A lista divide-se em duas partes: parte um (vs. 3-20) dá os
nomes de família dos que retornaram; e parte dois (vs. 21-35) alista as suas
cidades. Os leigos são mencionados antes do clero, em consonância com a ênfase,
em Esdras e Neemias, sobre a relevância do povo comum na reconstrução do reino
(2.1-70, nota).
* 2.36-58 Os grupos seguintes estavam
oficialmente associados ao culto no templo: os sacerdotes (vs. 36-39), os
levitas (v. 40), os cantores (v. 41), os porteiros (v. 42), os servidores do
templo ("nethinim", vs. 43-54), e os servos de Salomão (vs.
55-57). Os servos de Salomão provavelmente serviam no templo, visto que são
contados juntamente com os servidores do templo, no v. 58.
* 2.59-63 O grupo final dos que retornaram
compunha-se daqueles que não puderam provar que eram israelitas. Novamente, os
leigos são alistados em primeiro lugar (v. 60), e então os sacerdotes (v. 61).
* 2.62 foram tidos por imundos. Um homem
tinha que descender de Arão a fim de ser um sacerdote (Êx 29.44; Nm 3.3).
* 2.63 coisas sagradas. Somente um
sacerdote ou um membro de sua casa podia comer das porções dos sacrifícios
distribuídas aos sacerdotes (Lv 22.10).
Urim e Tumim. Um
artifício na tomada de decisões (Êx 28.30), necessário nesse caso para
determinar a linhagem desses sacerdotes.
* 2.64 quarenta e dois mil trezentos e sessenta.
Temos aqui o mesmo total que se vê em Ne 7.66. A soma das cifras na lista de
Esdras, porém, é de apenas 29.818, ao passo que a soma da lista, em Ne 7, é de
31.089. Certos grupos podem ter sido contados sem terem sido alistados, ou um
erro pode ter ocorrido em manuscritos copiados.
* 2.66 voluntárias ofertas. O primeiro
templo também foi construído com ofertas voluntárias (1Cr 29.1-9), e não
mediante os dízimos. O princípio das doações voluntárias, acima dos dízimos, e
de acordo com a capacidade de cada um, continua em operação na construção do
reino, sob a Nova Aliança (2Co 8.11).
* 2.70 Este versículo final encerra a seção
ecoando o v. 1. No v. 1 eles "subiram" e "voltaram"; e
neste v. 70 eles "habitaram nas suas cidades". O Senhor tinha feito
voltar o povo da promessa à Terra Prometida.
* 3.1—6.22 O povo reconstruiu o altar, reiniciou os
sacrifícios (3.1-6) e então reconstruiu o próprio templo (3.7—6.22). Impelidos
pelos profetas Ageu e Zacarias (5.1,2), e abençoados por Deus (5.5), eles
obtiveram sucesso, apesar da oposição dos povos que residiam ao redor deles
(cap. 4), bem como do governador do Trans-Eufrates, "daquém do
Eufrates" (5.3—6.12).
* 3.1 o sétimo mês. Este era o
mês de Tisri (setembro-outubro), o mês da Festa dos Tabernáculos (Lv 23.33-44).
O desejo de celebrar essa festa (3.4), sem dúvida proveu o estímulo necessário
para a reconstrução do altar.
* 3.2 holocaustos. Os
holocaustos eram os sacrifícios primários (Lv 1), mas também havia outras
ofertas (v. 5). Os holocaustos eram a base contínua sobre a qual um povo
pecaminoso podia viver na presença de um Deus santo (Êx 29.42), pois
prenunciava o futuro sacrifício de Cristo, como o sacrifício final que leva os
pecadores à presença de Deus (Hb 10.19,20).
como está escrito. A palavra
escrita era um instrumento poderoso usado por Deus para cumprir o seu plano
redentor.
* 3.3 ainda que estavam sob o
terror. Eles tiveram a coragem de erigir o altar e lançar os alicerces do
templo. Mas a coragem deles em breve seria submetida a teste (4.4,5), e o
trabalho pararia (4.24).
* 3.4-6 Não somente foi celebrada a Festa dos
Tabernáculos, mas o sistema sacrifical inteiro foi posto em movimento,
porquanto os sacrifícios eram uma parte da manutenção do relacionamento segundo
a aliança (Hb 9.22). Tão importantes eram os sacrifícios que foram iniciados
antes que o próprio templo terminasse.
* 3.7 Provisões foram feitas para
se começar imediatamente a reconstrução do templo. A linguagem do v. 7 relembra
os materiais reunidos para o templo de Salomão (1Cr 22.2-4; 2Cr 2.8-16).
* 3.8 No segundo ano. 536
a.C.
no segundo mês. Esse era o
mês de Ziv (ou Iyar, abril-maio), a mesma época do ano em que Salomão começara
a construção do templo original (2Cr 3.2).
para a superintenderem. Essa frase
é virtualmente idêntica à linguagem usada acerca do templo de Salomão (1Cr
23.4).
* 3.10 Quando os edificadores lançaram os
alicerces. O foco da narrativa é a reação popular, e não a mecânica da
construção. Se a devolução dos artigos do templo encorajaram os espíritos do
povo (1.9-11, nota), muito mais o fez o lançamento dos alicerces, pois este
confirmou a sua fé em Deus, o qual havia prometido a restauração após o exílio
(Dt 30.1-5). A expressão de louvores deles ecoa com exatidão a dedicação do
templo de Salomão (2Cr 5.13).
* 3.12 Porém muitos... choraram. As
lágrimas dos membros mais idosos da comunidade não eram lágrimas de alegria,
mas de desapontamento, por causa do contraste entre esse pequeno começo (cf. Zc
4.10) e o esplendor do templo de Salomão. Desapontamentos similares seriam,
posteriormente, repreendidos (Ag 2.1-5), mas pelo momento a alegria do Senhor
era a força de muitos.
* 4.1 os adversários. Embora
essa gente tivesse vindo aparentemente com boas intenções, eles foram chamados
de "adversários", visto que depois tentaram transtornar o trabalho de
restauração. Havia algum motivo político nesse conflito, porquanto somente os
que retornassem tinham recebido autorização, da parte de Ciro, para ocuparem-se
na construção (1.2-4). Em última análise, porém, o problema era religioso. Os
"adversários" eram pessoas de várias origens que tinham sido
transplantados para Samaria, a área ao norte de Judá, depois da destruição do
reino do norte de Israel, em 722 a.C. (4.9,10, nota). Eles adoravam a muitos
deuses e incorporaram a adoração ao Senhor em seu politeísmo (2Rs 17.24-41). A
animosidade entre os judeus e os samaritanos que descendiam desses
"adversários" forma parte do pano-de-fundo do Novo Testamento (cf. Jo
4.1-42).
* 4.3 nós mesmos, sozinhos, a
edificaremos. Essa discriminação não era nem racial e nem política, e,
sim, religiosa. Desde os primeiros dias de permanência na Terra Prometida (Jz
3.6) e através de sua história (2Rs 17.7-17), alianças com estrangeiros
conduziram os israelitas à idolatria, e, finalmente, ao exílio da Terra
Prometida (2Rs 17.18-23). O fracasso dos retornados de se separarem da
população indígena tornou-se logo um problema (Ed 9, 10). O mesmo princípio de
separação religiosa continua operando sob o Novo Pacto (2Co 6.14 - 7.1).
* 4.4 as gentes da terra. Os
"adversários" do v. 1.
* 4.5 alugaram... conselheiros. Talvez
esses fossem oficiais persas que se deixaram subornar. Os esforços de obstrução
dos adversários causou um adiamento na obra desde os tempos de Ciro (550—530
a.C.) até ao segundo ano de Dario (522—486 a.C.).
* 4.6-23 Este
material é uma seção separada, que descreve a oposição à reconstrução das
muralhas depois de Dario e durante os reinados de Xerxes (486—465 a.C.) e de
Artaxerxes I (465—424 a.C.). A narrativa justifica chamar os povos
circunvizinhos, no v. 1, de "adversários". Em segundo lugar, mostra
que a oposição não era um problema passageiro, mas uma antevisão de uma
prolongada oposição ao povo de Deus, na reconstrução da "casa" de
Deus — o templo, mas também a cidade e a nação.
* 4.6 Assuero. Ele é o
mesmo Xerxes, que sucedeu a Dario e foi o rei da Pérsia entre 486 e 465 a.C.
escreveram uma acusação. O sujeito
do verbo desta frase não é especificada, mas o contexto mostra que os
perturbadores eram uma geração posterior aos "adversários" do v. 1.
Coisa alguma é dita acerca da natureza dessa acusação.
* 4.7 Artaxerxes. Artaxerxes
I, sucessor de Assuero (Xerxes) e rei da Pérsia de 465 a 424 a.C.
lhe escreveram. Ou seja, a
Artaxerxes. Não há informação sobre o conteúdo dessa carta, mas considerando o
seu contexto, sem dúvida foi um esforço para impedir a reconstrução das
muralhas de Jerusalém.
em caracteres aramaicos. Essa era
a linguagem da diplomacia internacional, no antigo Oriente Próximo e Médio.
* 4.8—6.18 Esta seção não foi escrita no hebraico,
mas no aramaico, a linguagem dos documentos originais. A correspondência
exprime a preocupação de vários oficiais gentílicos sobre o progresso do
trabalho dos judeus.
* 4.8 O escrivão. Os
escrivães (escribas) eram altos oficiais que escreviam a correspondência
oficial e mantinham arquivos para o governo provincial (7.6, nota).
* 4.9 os outros seus companheiros. A oposição
não consistia em alguns poucos, mas tinha uma base ampla.
* 4.10 Asnapar. Provavelmente Assurbanipal,
o último rei bem-sucedido da Assíria (668—627 a.C.), que transplantou vários
povos para Samaria. Essa prática começou após a queda de Samaria, em 722 a.C.,
provavelmente por Sargão II (2Rs 17.24).
daquém do Eufrates. A área a
oeste do rio Eufrates, incluindo Arã, Fenícia e Palestina.
* 4.12 vão restaurando os seus muros. Ver nota
em 4.6-23.
* 4.14 somos assalariados do rei. Lit.,
"somos salgados com o sal do palácio". Provavelmente, isso é uma
maneira de referir-se à obrigação pactual de um vassalo para com seu senhor
(cf. Lv 2.13; Nm 18.19; 2Cr 13.5).
* 4.15 no livro das crônicas. Uma alusão
aos vários documentos escritos em aramaico, usados na escrita desta seção de
Esdras, teriam sido guardados em um arquivo semelhante.
cidade foi rebelde... destruída. Ver 2Rs
18.7; 24.1.
* 4.16 não terá a posse. Como é
óbvio, essa frase importava em um exagero, mas essas palavras tinham por
intuito influenciar na decisão de Artaxerxes.
* 4.18 foi distintamente lida. Ao rei não
foi dado um sumário da carta; ela foi lida para ele palavra por palavra.
* 4.20 Sob Davi e Salomão, Israel recebia tributos
de outras nações. Agora, embora tivessem retornado à Terra Prometida, o povo de
Deus devia submeter-se ao governo dos ímpios (9.9 e nota).
* 4.24 Após a seção que trata da oposição à
reconstrução das muralhas (vs. 6-23), o autor retorna ao tema dos vs. 1-5, a
reconstrução do templo.
* 5.1,2 O ano em que Ageu e Zacarias começaram a
profetizar foi o mesmo ano referido em 4.24, o segundo ano de Dario (Ag 1.1; Zc
1.1). O trabalho no templo não foi reiniciado por causa de um decreto de Dario,
mas por causa da pregação dos profetas de Deus e por causa da resposta
obediente do povo de Deus (Ag 1.14,15).
* 5.1 cujo Espírito estava com
eles. Tanto o povo (Dt 28.10) quanto os profetas (Jr 15.16)
pertenciam a Deus.
* 5.2 os ajudavam. Essa ajuda
tomou a forma de uma pregação corajosa e de um encorajamento constante (como
nos livros de Ageu e Zacarias).
* 5.3,4 Assim que as obras no templo foram
reiniciadas, os oficiais persas da área recomeçaram a sua oposição.
* 5.5 Dessa vez Deus preferiu
intervir, e os oficiais permitiram que o trabalho continuasse até ouvirem
notícias da parte de Dario. Aqui, como em todas as partes dos livros de Esdras
e Neemias, Deus interveio através dos atos do povo (cf. nota em 1.1).
* 5.8 província de Judá. Judá era
uma província do império persa, e não um estado político independente.
a obra se vai fazendo com
diligência. Esse trabalho de reconstrução prosperava graças aos cuidados
de Deus (v. 5), à pregação dos profetas (vs. 1,2) e à liderança de Zorobabel e
Jesua (v. 2).
* 5.9 Quem vos deu ordem. A pergunta
destaca a ausência de independência de Judá.
* 5.11-16 A resposta dos líderes judeus às
perguntas dos oficiais persas (vs. 3,4) é incluída na carta mandada a Dario.
* 5.11
Deus dos céus e da terra. Essa era
uma forma mais completa do título freqüente, "Deus dos céus" (1.2,
nota).
um grande rei de Israel. Salomão
havia construído o templo original nos anos de 966—959 a.C. (1Rs 6.1,38).
* 5.12 ele os entregou nas mãos. Deus
entregara Israel nas mãos de Nabucodonosor a fim de puni-los por terem quebrado
o pacto. Aqueles que confiam em Cristo estão a salvo da justa ira de Deus (1Jo
4.17,18), porque Deus entregou Cristo nas mãos de homens ímpios, e Cristo
sofreu a ira de Deus em favor dos eleitos (Mc 9.31; Lc 9.44; 24.7; Rm 8.32).
o caldeu. Os caldeus
viviam no sul da Mesopotâmia e estabeleceram o império neo-babilônico ao
derrotarem os assírios em 612 a.C. O novo império continuou até ser derrubado
pelos persas, em 539 a.C.
* 5.13 deu ordem. Eis a
resposta, no nível humano, à pergunta feita em 5.3.
* 5.14 Sesbazar. Ver nota em 1.8.
* 5.16 daí para cá, se está edificando. O trabalho
não foi feito de modo contínuo, mas houve uma interrupção de cerca de dezessete
anos (4.24, nota).
* 5.17 que se busque. Esta é a
segunda referência a uma busca nos arquivos, sublinhando o tema do poder dos
documentos escritos (Introdução: Características e Temas). A primeira busca
(4.15) tinha feito parar a construção da muralha. A segunda busca resultaria no
templo ser completado.
*
6.1,2 Dario
respondeu ao pedido de Tatenai. A busca começou nos tesouros da Babilônia, mas
o decreto foi achado em Acmeta (Ecbátana, ver referência lateral), uma cidade a
mais de 480 km a nordeste de Babilônia, sendo, provavelmente, a cidade de onde
Ciro expedira o decreto.
* 6.3-5 Essa cópia do decreto difere um tanto da
versão de 1.2-4. Exemplificando, o nome de Deus ("Senhor") não foi
usado. A cópia em 1.2-4 foi o que os arautos proclamaram aos judeus, enquanto
que essa cópia consiste nas minutas guardadas como um registro oficial.
* 6.3 sua altura, de sessenta
côvados, e a sua largura, de sessenta côvados. Essas
dimensões são maiores que as do templo de Salomão (1Rs 6.2). Essas instruções
podem dar o máximo de tamanho permissível, e não as dimensões planejadas.
* 6.6-12 Tendo achado o decreto de Ciro,
Dario expediu um segundo decreto, a fim de reforçá-lo. Na providência divina, a
oposição de Tatenai e seus associados, acabou beneficiando o projeto (cf. Gn
50.20).
* 6.9 aquilo de que houverem
mister. Em resultado da oposição, foi feita provisão para dar
continuidade aos cultos no templo.
* 6.10 orem pela vida do rei. Ver nota
em 1.3.
* 6.11 todo homem que alterar este decreto. Era
costume proferir uma maldição contra qualquer um que alterasse um documento
oficial (cf. Ap 22.18,19). Em resultado da oposição, ao povo de Deus foi
garantido um apoio irrevogável para a construção do templo.
* 6.13 assim o fizeram pontualmente, segundo
decretara o rei Dario. Dario tinha ordenado que seu decreto fosse cumprido
"com toda a pontualidade" (v. 6.12), e assim aconteceu.
* 6.14 profetizaram... Ageu e Zacarias. A pregação
dos profetas impeliu o povo a começar a trabalhar de novo (5.1,2), até a obra
estar terminada.
Deus... Ciro. No
hebraico uma mesma palavra foi usada para indicar a ordem de Deus e os decretos
dos reis persas. Os decretos soberanos de Deus não negam a responsabilidade
humana, mas antes, confirmam-na. A referência a Artaxerxes pode parecer fora de
lugar, visto que o templo propriamente dito foi terminado antes dele ter-se
tornado rei. Todavia, o templo não foi explicitamente mencionado no texto
aramaico do v. 14, pelo que a referência pode ser a uma previsão do término da
reconstrução da inteira "casa de Deus", incluindo a comunidade e as
muralhas que foram reconstruídas sob a autoridade de Artaxerxes (7.11-26; Ne
2.1,8).
* 6.15 Acabou-se esta casa. A data foi
12 de março de 515 a.C., quatro anos depois do trabalho ter sido reiniciado (Ag
1.5), vinte anos depois que o trabalho fora iniciado (3.8) e quase exatamente
setenta anos depois que o templo de Salomão fora destruído, em 586 a.C.
* 6.16 a dedicação desta Casa de Deus. Com a
dedicação do templo, foi atingido um grande marco. A seção parentética de
4.6-23 já tinha dado uma previsão de tribulações que se aproximavam. A
dedicação das muralhas (Ne 12.27) e as reformas finais (Ne 13) completariam a
restauração da comunidade judaica.
* 6.17 ofereceram.
Comparativamente, o número de oferendas foi pequeno, em comparação com o que
ocorreu nos dias de Salomão (1Rs 8.62,63). A referência a uma oferta pelo
pecado mostra a consciência de pecado e a fé em Deus, que guarda seu amor
segundo a aliança (Dt 7.9).
* 6.18 está escrito no livro de Moisés. O texto
escrito preceituava os deveres no templo e assegurava que esses deveres fossem
cumpridos. A primeira seção em aramaico de Esdras termina neste versículo.
* 7.1 Passadas estas coisas. Cerca de
sessenta anos se tinham passado entre os eventos do fim do cap. 6 e o começo do
cap. 7. A única informação sobre esse período, com base em Esdras e Neemias,
diz respeito à oposição nos dias de Assuero (4.6, nota) — os eventos no livro
de Ester ocorreram durante esse período (Et 1.1).
Artaxerxes. Artaxerxes
I, rei da Pérsia entre 465—424 a.C.
Esdras. A longa introdução de Esdras (vs. 1-10)
assinala a importância dele quanto àquilo que se segue. A primeira informação
dada acerca de Esdras é sobre seus antepassados. A genealogia dele é plena, mas
não completa; a frase "filho de" com freqüência é usada para indicar
"descendente". A linhagem de Esdras remonta a Arão, estabelecendo sua
autoridade sacerdotal em seus atos subsequentes.
* 7.5 subiu da Babilônia. Nem todos
os exilados piedosos tinham retornado com Sesbazar, em 538 a.C. A família de
Esdras não havia retornado. É provável que Esdras não tivesse ainda nascido ao
tempo do primeiro retorno. Ele cresceu na Babilônia, onde vivia a maioria dos
exilados.
* 7.6 era escriba versado. No Antigo
Testamento, os escribas com freqüência eram oficiais do governo que escreviam
documentos oficiais (4.8, nota; 2Sm 8.17; 1Rs 4.3), administravam tesouros do
templo (2Rs 12.10,11; 22.3,4,9; Ne 13.13), serviam como emissários da corte
(2Rs 18.18-37) e proviam funções literárias como tomar ditados (Jr 36.32).
Esdras tinha autoridade governamental (v. 25), mas sua mais importante
qualificação era a de mestre na lei de Deus (vs. 10,11,14; Ne 8.1-9).
dada pelo SENHOR. A
"Lei de Moisés" tem origem divina (2Tm 3.16). A referência aqui pode
ser aos primeiros cinco livros da Bíblia.
o rei lhe concedeu tudo quanto lhe
pedira. As ações de pessoas responsáveis remontam à atuação de Deus.
Esdras pediu e Artaxerxes o atendeu, pois Deus favorecia a Esdras.
* 7.7 subiram... alguns dos filhos. Esdras não
subiu sozinho, mas ele liderava uma segunda leva de exilados que retornavam.
no ano sétimo. Isto é,
458 a.C.
* 7.9 chegou a Jerusalém. A viagem
ocorreu durante a primavera, quando haveria muita água ao longo do caminho.
Levou cerca de quatro meses.
a boa mão do seu Deus. O sucesso
é aqui atribuído à providência divina.
* 7.10 Porque. O alvo da vinda de Esdras a
Jerusalém é dado agora. Como ouvinte diligente e praticante da Palavra (Tg
1.22), o alvo de Esdras era ensinar a outros a mesma.
* 7.11-26 Uma cópia de uma carta do rei
Artaxerxes registra a comissão real dada a Esdras para que retornasse a
Jerusalém e pesquisasse o estado espiritual do povo (v. 14), para que provesse
suprimentos para o templo (vs. 15-24) e para que providenciasse a administração
da justiça (vs. 25,26).
* 7.11 carta. A carta (vs. 12-26),
escrita em aramaico (4.7, nota), dava a Esdras a autoridade para efetuar as
reformas registradas nos capítulos que se seguem. A carta pode ter sido escrita
por Esdras e então assinada por Artaxerxes, ou Artaxerxes pode ter tido
conselheiros judeus que ajudaram a compor a carta, conforme alguns dos detalhes
parecem indicar.
* 7.12 rei dos reis. Um título usado
pelos monarcas persas para indicar sua supremacia sobre todos os reis vassalos.
Fica implícito no livro de Esdras (1.1, nota) que Deus é o verdadeiro Rei dos
reis, e esse fato também é declarado explicitamente em outros trechos das
Escrituras (Ap 17.14; 19.16).
escriba. Ver nota no v. 6.
* 7.13 Essa permissão de retornar envolvia todos
quantos quisessem fazê-lo, tal como o fizera o decreto original de Ciro, em
1.3.
* 7.14 para fazeres inquirição. Ao passo
que Ciro comissionara os primeiros a voltarem, para "edificarem" um
templo, Artaxerxes comissionou Esdras a inquirir acerca da condição espiritual
do povo judeu. Seus esforços ajudariam a reconstruir a comunidade do povo de
Deus, a "casa" de Deus" (Nm 12.7).
* 7.15-17 O
conhecimento de Artaxerxes quanto a detalhes do culto dos israelitas indica que
Esdras ou conselheiros judeus escreveram pessoalmente a carta, ou, pelo menos,
ajudaram na escrita da mesma (1.2-4, nota).
* 7.18 a vontade do vosso Deus. A
conformidade à vontade de Deus é um dos grandes temas do resto deste livro.
* 7.20 E tudo mais que for necessário. A
generosidade de Artaxerxes foi idêntica à de Dario (6.9).
* 7.23 para que haveria grande ira. Ver nota
em 1.3.
* 7.25 O papel de Esdras era duplo: exercer
autoridade governamental e ensinar a lei de Deus (7.6, nota).
o povo que está dalém do Eufrates. Essas
palavras apontam para os judeus que tinham retornado a Judá e a Jerusalém.
* 7.26 a lei do teu Deus e a lei do rei. As duas
leis não eram idênticas. A distinção entre a lei religiosa e a lei civil era
mais importante para os judeus no exílio, que viviam sob uma autoridade civil
estrangeira, do que durante a monarquia, quando o estado era da mesma religião
que o povo judeu. A segunda seção aramaica de Esdras termina com este versículo.
seja condenado. Ao próprio
Esdras não foi dada a autoridade de punir, neste versículo; os
"príncipes" e os "anciãos" é que exerciam essa autoridade,
segundo se vê em 10.8.
* 7.27 moveu o coração do rei. As ações
de Artaxerxes remontavam aos atos soberanos de Deus.
* 7.28 estendeu... sua misericórdia. Aqui,
"misericórdia" é tradução da palavra hebraica hesed, que se
refere à lealdade de Deus ao pacto. A mesma palavra ocorre em 9.9. O favor de
Artaxerxes para com Esdras devia-se à lealdade de Deus para com o seu povo,
segundo a aliança.
para mim. Esta é a
primeira referência a Esdras na primeira pessoa, que marca o começo das
"Memórias" de Esdras (Introdução: Características e Temas).
a boa mão do SENHOR. A
consciência que Esdras tinha do controle providencial de Deus foi uma fonte de
encorajamento para as tarefas que havia à sua frente.
* 8.1-14 Nem todos os exilados retornaram em
resposta ao decreto de Ciro, em 538 a.C. Um segundo grupo, significativamente
menor, retornou com Esdras cerca de oitenta anos após o primeiro retorno.
* 8.15 nenhum dos filhos de Levi. Esdras
queria mais levitas para servirem no templo (v. 17), e, talvez, para ajudarem
nos sacrifícios mencionados no v. 35. Talvez ele também quisesse levitas para
fazerem parte da caravana para a Terra Prometida, tal como tinham feito ao
tempo do Êxodo do Egito, e no primeiro retorno da Babilônia (1.2, nota).
* 8.16 enviei. Esdras selecionou um grupo
de homens influentes para persuadir alguns levitas a retornarem em sua
companhia.
* 8.17 chefe em Casifia. A
localização desse lugar não é certa, mas poderia ser Ctesifonte, no rio Tigre,
ao norte de Babilônia. Visto que antes (Dt 12.5; Jr 7.2,3) e depois "o
lugar" se refere a algum lugar santo, parece que Casifia era o local de um
santuário. Havia um santuário judaico em Elefantina, no Egito, nesse mesmo
tempo. Os levitas estariam concentrados em tal santuário, o que explica por que
Esdras enviou a delegação a Casifia. Ido seria o líder nesse santuário.
* 8.18-20 a boa mão de Deus. Esdras não
se cansava de atribuir o seu sucesso ao controle providencial de Deus (7.6,
nota). Trinta e oito levitas foram persuadidos a retornar, juntamente com três
líderes levíticos importantes e duzentos e vinte servos do templo
("Nethinim"). Tal como o Senhor tinha impelido os espíritos de Ciro
(1.1) e dos primeiros judeus que regressaram (1.5), e de Artaxerxes (7.27),
assim também ele impeliu aqueles levitas a aceitarem a chamada de Esdras.
* 8.21 um jejum. O jejum é um aspecto de
"nos humilharmos" com o propósito de pedir alguma coisa da parte de
Deus (2Cr 20.3).
pedirmos jornada feliz. Segurança
contra os bandidos, entre outros perigos, está aqui em vista (v. 31).
* 8.22 tive vergonha. Esdras
tinha testificado do controle providencial de Deus, não somente diante dos
santos, mas também diante de Artaxerxes. Teria sido incoerente com esse
testemunho solicitar uma escolta militar. Ver nota em Ne 2.7-9 quanto a um
contraste entre Esdras e Neemias quanto a esse ponto.
* 8.23 ele nos atendeu. Não ali
mesmo, por meio de palavras, mas através da jornada inteira, mediante as ações
divinas (vs. 31,32).
* 8.24 doze. Doze sacerdotes e doze
levitas, talvez representando o Israel inteiro (cf. v. 35).
* 8.25 ofereceram o rei. A
contribuição total, alistada no v. 26, é enorme, de tal modo que os críticos
têm duvidado da autenticidade da lista. Todavia, os reis persas eram conhecidos
por suas grandes riquezas e generosidade para com as religiões de povos conquistados.
Também havia famílias judaicas ricas na Babilônia, naquele tempo.
* 8.28
sois santos ao SENHOR. A
santidade é um dos atributos divinos (Lv 19.2), e, por extensão, um atributo de
qualquer pessoa ou de qualquer coisa a ele pertencente, especialmente
sacerdotes (Lv 21.6) levitas (Nm 3.11-13, onde "santificados"
significa dedicados a Deus) e artigos do templo (Êx 30.22-29). A ordem estrita
de Esdras originou-se da ameaça espiritual que o contato com o profano
representava para o santo.
* 8.31 no dia doze. De acordo
com 7.9, a partida deu-se no primeiro dia. A diferença deve-se ao atraso
sofrido a fim de encontrar os levitas necessários.
livrou-nos. Uma vez
mais, Esdras atribuiu seu sucesso ao controle providencial de Deus. O jejum e a
oração para que houvesse uma jornada segura foi respondida com a chegada das
pessoas e das possessões em Jerusalém (vs. 21,32).
* 8.32 repousamos ali três dias. Compare o
descanso similar ao de Neemias, em Ne
2.11 (cf. Js 3.2).
* 8.35 ofereceram holocaustos. Tal como as
provisões tinham sido feitas (7.17), assim também os sacrifícios foram
oferecidos. Isso é um quadro de êxito completo.
* 9.1 Acabadas, pois, estas coisas. Ou seja,
quatro e meio meses após a chegada (7.9; 10.9).
vieram ter comigo os príncipes. Esdras
tinha chegado a fim de ensinar a lei (7.10, nota), e agora alguns dos líderes
vinham a ele dar-lhe notícia de certos pecados. Possivelmente estavam reagindo
ao seu ensino.
não se separaram. A questão
em pauta era a diferença religiosa, e não racial, conforme os versículos
seguintes o indicam (vs. 10-12; 4.3, nota).
dos povos de outras terras. Dos
alistados, somente os amonitas, os moabitas e os egípcios estavam presentes nos
dias de Esdras. Os outros estavam na terra durante a conquista por parte de
Josué, e a menção dos mesmos pode ter levado à mente as proibições originais
contra os casamentos mistos (Êx 34.10-16; Dt 7.1-4).
* 9.2 se misturou a linhagem santa. O problema
não era o casamento misto entre diferentes grupos étnicos, mas a mistura entre
os santificados, mediante a aliança com o Senhor, e aqueles que estavam fora
dessa aliança, e, portanto, imundos (8.28,29, nota; 9.11,12, nota).
os príncipes. Nem todos
os líderes conduziram o povo ao pecado, pois alguns deles procuravam
conduzi-los à reforma.
* 9.3 rasguei as minhas vestes e
o meu manto. Esse ato era uma maneira típica de expressar tristeza (2Sm
13.19).
arranquei os cabelos da cabeça e da
barba. Esse ato era incomum. Alguns anos mais tarde, Neemias encontraria
o mesmo pecado, mas ao invés de puxar seus próprios cabelos, puxou os cabelos
dos culpados (Ne 13.25).
* 9.4 todos os que tremiam das
palavras. Havia um grupo que não se misturara por casamentos mistos,
mas que, temendo ao Senhor, tinham observado a sua lei (cf. Is 66.2).
sacrifício da tarde. Cerca do
meio-dia, um horário tanto de oração quanto de sacrifícios (Sl 141.2).
* 9.5 me pus de joelhos, estendi as
mãos. Ver 1Rs 8.54. O ato de ajoelhar-se exprime humildade diante
do Senhor majestoso (Sl 95.6), e estender as mãos comumente acompanha as
petições (Sl 28.2).
* 9.6 confuso e envergonhado. Antes,
Esdras se envergonhara de pedir proteção para Artaxerxes na viagem de retorno
(8.22). Agora a sua vergonha era de tipo diferente, uma vergonha unida à culpa
que resulta do pecado.
nossas iniqüidades... nossa culpa. Esdras
estava agudamente cônscio do pecado e da culpa do povo perante Deus. Note-se
também a mudança repentina do "meu" para o "nosso". Embora
Esdras não fosse culpado de ter-se casado com alguma mulher pagã, ele se
identificou com o povo em seu pecado, tal como fez o Servo Sofredor de Isaías
(Is 53.12; 2Co 5.21).
* 9.7 Desde os dias de nossos pais. Havia um
senso de solidariedade coletiva e de responsabilidade mútua que atravessava as
gerações.
* 9.8 por breve momento. Estava em
perigo a situação dos que tinham retornado do exílio como recebedores do favor
divino.
a graça da parte do SENHOR... para
nos deixar alguns. A justiça requeria o fim absoluto do povo de Deus,
mas a graça preservou um remanescente. Através desse remanescente o Messias
viria e a redenção seria realizada.
para dar-nos estabilidade. Lit. “para
dar-nos uma estaca”. As tendas eram levantadas por meio de uma
"estaca", que a mantinha de pé (Jz 4.21), ou por meio de um prego que
segura objetos pendurados no mesmo (Is 22.23-25). O Senhor tinha dado a Israel
um lugar em seu templo, como se fora a estaca de uma tenda, e fizera de Esdras
alguém em quem se podia confiar com as cargas.
nos alumiar os olhos. Uma
expressão idiomática que indica aumento de vigor (Sl 13.3).
* 9.9 somos servos. Embora
restaurados à sua terra, o povo de Deus não era politicamente independente,
conforme tinha sido durante a monarquia (4.19-23, nota).
não nos desamparou o nosso Deus. A
promessa de Deus de que não desampararia a nação de Israel era, em seu aspecto
externo e tipológico, condicional (10.5, nota). Se Israel se esquecesse de Deus
e da aliança, desconsiderando a lei, ela perderia as bênçãos e experimentaria
as maldições de Deus (Dt 28.20. 29.24,25; 31.16,17). Mesmo assim, Deus jamais
desampararia totalmente a Israel, por meio de quem o Cristo viria ao mundo. Ver
Lv 26.44,45; Sl 89.30-37; Is 54.7; Rm 11.
os reis da Pérsia.
Especificamente, Ciro (550—530 a.C.), que expediu o decreto do retorno; Dario
(522—486 a.C.), que confirmou o decreto, e Artaxerxes (465—424 a.C.), que
comissionou Esdras para ensinar o povo de Israel.
um muro de segurança em Judá e em
Jerusalém. Essa frase não se refere às muralhas edificadas
posteriormente por Neemias, mas é antes uma figura que representa a proteção
dada aos exilados retornados (note a outra linguagem figurada no v. 8, e que a
muralha de Neemias não foi construída ao redor de todo o território de Judá).
* 9.10 deixamos os teus mandamentos. Deixar os
mandamentos de Deus significa que as maldições do pacto podiam sobrevir ao povo
de Israel a qualquer momento (v. 9, nota sobre "não nos desamparou o nosso
Deus").
* 9.11 ordenaste... dizendo. Moisés
era o profeta que dera inicialmente o mandamento (Dt 7.1-3). As palavras não
são a citação de um texto isolado, mas um resumo da teologia da separação, que
leva em conta numerosos textos, como Lv 18.25; Dt 4.5; 7.3; 18.9; 27.3; 2Rs
21.16. A separação não era étnica ou racial, mas religiosa. Os casamentos
mistos com pessoas de fora da aliança introduziriam uma tentação insuportável
para corromper ou abandonar o culto ao Deus vivo e verdadeiro (cf. Dt 7.3,4; Jz
14.1-4; 1Rs 11.1-4; 2Co 6.14).
* 9.13 menos do que merecem as nossas iniqüidades
... restante que escapou. A restauração fora feita à base da graça divina e da
promessa da aliança com Abraão (Dt 4.25-31). Assim também se dera com a entrada
inicial na Terra Prometida (Dt 9.5).
* 9.14 até não haver restante. Esdras
temia que a quebra atual do pacto poderia resultar em um juízo final. Embora o
juízo divino sobreviesse mais tarde à nação (Lc 20.9-19), mesmo assim haveria
um remanescente segundo a graça (Rm 11.1-5).
* 9.15 A conclusão de Esdras era que mesmo agora o
povo vivia somente por causa da graça de Deus.
* 10.1 Esdras orava... chorando. Outros
líderes tinham marcado o passo para o pecado (9.2). Agora Esdras marcava o
passo para o arrependimento, não exortando o povo a lamentar-se, mas
lamentando-se ele mesmo.
* 10.2 A confissão de Esdras, em 9.13,14 tornou-se
a confissão do povo através de um de seus líderes, Secanias.
ainda há esperança. Secanias
encorajou a Esdras, dizendo-lhe que nem tudo estava perdido.
* 10.3 façamos aliança. Não se
tratava de uma aliança inteiramente nova, mas da renovação da aliança com
Moisés em termos de um juramento (v. 5), de que guardariam a estipulação
referente aos casamentos mistos (Dt 7.3; cf. Jr 34.8-22 quanto a outra
renovação similar do pacto).
despediremos. Não temos
aqui o vocabulário usual dos hebreus quanto ao divórcio, e é usado somente aqui
para se despedir uma esposa. A expressão hebraica no v. 2, "casando com
mulheres", não é a frase usual para indicar casamento, e é usada da mesma
maneira somente em Ne 13, em uma situação análoga. A escolha da linguagem, por
parte do autor, parece indicar que ele não considerava as uniões como
casamentos legítimos, e nem a despedida das mulheres como um divórcio
propriamente dito.
segundo a lei. A lei não
provia explicitamente para essa situação exata. A frase pode indicar o envio
para longe, de uma mulher com seus filhos, algumas provisões (Gn 21.14) e
certos direitos legais (Dt 21.10-14).
* 10.5 Esdras se levantou. Esdras
reagiu bem ao encorajamento de Secanias, e pôs em prática o seu conselho.
e todo o Israel... E eles juraram. A aliança
foi condicional, conforme o indica o juramento feito pelos israelitas, e não
pelo Senhor (9.9, nota; Jr 34.8-22).
* 10.6 na câmara. Localizada
no templo.
não comeu pão, nem bebeu água. Um jejum
total era raro (Dt 9.18). O jejum indica que Esdras não pensava que os exilados
eram imunes às punições próprias do pacto, somente à base de um juramento.
* 10.8 em três dias. Três dias
era tempo suficiente para qualquer um que quisesse viajar até Jerusalém, devido
ao território reduzido de Judá.
seriam totalmente destruídos, e ele
mesmo separado. O não atendimento teria resultado na perda das
propriedades e na excomunhão (7.26).
* 10.9 Judá e Benjamim. Ver nota
em 1.5.
no dia vinte do nono mês. Corria o
mês de dezembro, na estação fria e chuvosa. Jerusalém é mais fria do que a
maior parte do interior do país ao redor, e as chuvas, na região da cidade, se
concentravam mais do que nos climas temperados.
todo o povo. O povo de
Israel como um todo atendeu à proclamação.
tremendo por causa desta coisa. A aflição
de Esdras se havia espalhado entre a população (v. 1, nota).
* 10.11 fazei confissão. Lit.,
"dai graças e louvai". Quando uma pessoa confessa o seu pecado e
confia na misericórdia de Deus, Deus está sendo louvado. O Salmo 103
"bendiz" a Deus, confessando quem Deus é e o que ele tem feito.
fazei o que é do seu agrado. A
confissão deve resultar no arrependimento (v. 6, nota).
separai-vos. Ver nota
em 9.11,12.
* 10.12 Respondeu toda a congregação. Não
somente todos os homens se tinham reunido e expressado sua aflição (v. 9), mas
também concordaram com Esdras quanto ao pecado e à culpa deles.
* 10.13 Porém. Não se tratava de uma tentativa de
escapar da responsabilidade de se arrepender, mas de uma expressão de
preocupação genuína de que o arrependimento fosse posto em prática.
* 10.15 se opuseram.
Provavelmente opuseram-se ao adiamento, embora a oposição pode ter sido à
despedida das mulheres estrangeiras.
* 10.18-44 Com base nessa lista dos culpados de
terem contraído casamentos mistos, é evidente que o indivíduo que tivesse
pecado não poderia encontrar abrigo na comunidade mais lata (Dt 29.19-21). Mas
para aqueles que se valem dos sacrifícios providos por Deus, sempre haverá
perdão (v. 19).
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