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- 10:3
1 O banquete de Assuero 1-9
10-22 Vasti a rainha, recusa assistir ao banquete
1:1 Nos dias de Assuero, o Assuero que reinou,
desde a Índia até à Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias,
1:2 naqueles dias, assentando-se o rei Assuero
no trono do seu reino, que está na cidadela de Susã,
1:3 no terceiro ano de seu reinado, deu um
banquete a todos os seus príncipes e seus servos, no qual se representou o
escol da Pérsia e Média, e os nobres e príncipes das províncias estavam perante
ele.
1:4 Então, mostrou as riquezas da glória do
seu reino e o esplendor da sua excelente grandeza, por muitos dias, por cento e
oitenta dias.
1:5 Passados esses dias, deu o rei um banquete
a todo o povo que se achava na cidadela de Susã, tanto para os maiores como
para os menores, por sete dias, no pátio do jardim do palácio real.
1:6 Havia tecido branco, linho fino e estofas
de púrpura atados com cordões de linho e de púrpura a argolas de prata e a
colunas de alabastro. A armação dos leitos era de ouro e de prata, sobre um
pavimento de pórfiro, de mármore, de alabastro e de pedras preciosas.
1:7 Dava-se-lhes de beber em vasos de ouro,
vasos de várias espécies, e havia muito vinho real, graças à generosidade do
rei.
1:8 Bebiam sem constrangimento, como estava
prescrito, pois o rei havia ordenado a todos os oficiais da sua casa que
fizessem segundo a vontade de cada um.
1:9 Também a rainha Vasti deu um banquete às
mulheres na casa real do rei Assuero.
10-22 Vasti a rainha, recusa assistir ao banquete
1:10 Ao sétimo dia, estando já o coração do
rei alegre do vinho, mandou a Meumã, Bizta, Harbona, Bigtá, Abagta, Zetar e
Carcas, os sete eunucos que serviam na presença do rei Assuero,
1:11 que introduzissem à presença do rei a
rainha Vasti, com a coroa real, para mostrar aos povos e aos príncipes a
formosura dela, pois era em extremo formosa.
1:12 Porém a rainha Vasti recusou vir por
intermédio dos eunucos, segundo a palavra do rei; pelo que o rei muito se
enfureceu e se inflamou de ira.
1:13 Então, o rei consultou os sábios que
entendiam dos tempos (porque assim se tratavam os interesses do rei na presença
de todos os que sabiam a lei e o direito;
1:14 e os mais chegados a ele eram: Carsena,
Setar, Admata, Társis, Meres, Marsena e Memucã, os sete príncipes dos persas e
dos medos, que se avistavam pessoalmente com o rei e se assentavam como
principais no reino)
1:15 sobre o que se devia fazer, segundo a
lei, à rainha Vasti, por não haver ela cumprido o mandado do rei Assuero, por
intermédio dos eunucos.
1:16 Então, disse Memucã na presença do rei e
dos príncipes: A rainha Vasti não somente ofendeu ao rei, mas também a todos os
príncipes e a todos os povos que há em todas as províncias do rei Assuero.
1:17 Porque a notícia do que fez a rainha
chegará a todas as mulheres, de modo que desprezarão a seu marido, quando
ouvirem dizer: Mandou o rei Assuero que introduzissem à sua presença a rainha
Vasti, porém ela não foi.
1:18 Hoje mesmo, as princesas da Pérsia e da
Média, ao ouvirem o que fez a rainha, dirão o mesmo a todos os príncipes do
rei; e haverá daí muito desprezo e indignação.
1:19 Se bem parecer ao rei, promulgue de sua
parte um edito real, e que se inscreva nas leis dos persas e dos medos e não se
revogue, que Vasti não entre jamais na presença do rei Assuero; e o rei dê o
reino dela a outra que seja melhor do que ela.
1:20 Quando for ouvido o mandado, que o rei
decretar em todo o seu reino, vasto que é, todas as mulheres darão honra a seu
marido, tanto ao mais importante como ao menos importante.
1:21 O conselho pareceu bem tanto ao rei como
aos príncipes; e fez o rei segundo a palavra de Memucã.
1:22 Então, enviou cartas a todas as
províncias do rei, a cada província segundo o seu modo de escrever e a cada
povo segundo a sua língua: que cada homem fosse senhor em sua casa, e que se
falasse a língua do seu povo.
2 Ester feita rainha 1-20
21-23 Mordecai descobre uma conspiração
2:1 Passadas estas coisas, e apaziguado
já o furor do rei Assuero, lembrou-se de Vasti, e do que ela fizera, e do que
se tinha decretado contra ela.
2:2 Então, disseram os jovens do rei, que lhe
serviam: Tragam-se moças para o rei, virgens de boa aparência e formosura.
2:3 Ponha o rei comissários em todas as
províncias do seu reino, que reúnam todas as moças virgens, de boa aparência e
formosura, na cidadela de Susã, na casa das mulheres, sob as vistas de Hegai,
eunuco do rei, guarda das mulheres, e dêem-se-lhes os seus ungüentos.
2:4 A moça que cair no agrado do rei, essa
reine em lugar de Vasti. Com isto concordou o rei, e assim se fez.
2:5 Ora, na cidadela de Susã havia certo homem
judeu, benjamita, chamado Mordecai, filho de Jair, filho de Simei, filho de
Quis,
2:6 que fora transportado de Jerusalém com os
exilados que foram deportados com Jeconias, rei de Judá, a quem Nabucodonosor,
rei da Babilônia, havia transportado.
2:7 Ele criara a Hadassa, que é Ester, filha
de seu tio, a qual não tinha pai nem mãe; e era jovem bela, de boa aparência e
formosura. Tendo-lhe morrido o pai e a mãe, Mordecai a tomara por filha.
2:8 Em se divulgando, pois, o mandado do rei e
a sua lei, ao serem ajuntadas muitas moças na cidadela de Susã, sob as vistas
de Hegai, levaram também Ester à casa do rei, sob os cuidados de Hegai, guarda
das mulheres.
2:9 A moça lhe pareceu formosa e alcançou
favor perante ele; pelo que se apressou em dar-lhe os ungüentos e os devidos
alimentos, como também sete jovens escolhidas da casa do rei; e a fez passar
com as suas jovens para os melhores aposentos da casa das mulheres.
2:10 Ester não havia declarado o seu povo nem
a sua linhagem, pois Mordecai lhe ordenara que o não declarasse.
2:11 Passeava Mordecai todos os dias diante do
átrio da casa das mulheres, para se informar de como passava Ester e do que lhe
sucederia.
2:12
Em chegando o prazo de cada moça vir ao rei Assuero, depois de tratada segundo
as prescrições para as mulheres, por doze meses (porque assim se cumpriam os
dias de seu embelezamento, seis meses com óleo de mirra e seis meses com
especiarias e com os perfumes e ungüentos em uso entre as mulheres),
2:13 então, é que vinha a jovem ao rei; a ela
se dava o que desejasse para levar consigo da casa das mulheres para a casa do
rei.
2:14 À tarde, entrava e, pela manhã, tornava à
segunda casa das mulheres, sob as vistas de Saasgaz, eunuco do rei, guarda das
concubinas; não tornava mais ao rei, salvo se o rei a desejasse, e ela fosse
chamada pelo nome.
2:15 Ester, filha de Abiail, tio de Mordecai,
que a tomara por filha, quando lhe chegou a vez de ir ao rei, nada pediu além
do que disse Hegai, eunuco do rei, guarda das mulheres. E Ester alcançou favor
de todos quantos a viam.
2:16 Assim, foi levada Ester ao rei Assuero, à
casa real, no décimo mês, que é o mês de tebete, no sétimo ano do seu reinado.
2:17 O rei amou a Ester mais do que a todas as
mulheres, e ela alcançou perante ele favor e benevolência mais do que todas as
virgens; o rei pôs-lhe na cabeça a coroa real e a fez rainha em lugar de Vasti.
2:18 Então, o rei deu um grande banquete a
todos os seus príncipes e aos seus servos; era o banquete de Ester; concedeu
alívio às províncias e fez presentes segundo a generosidade real.
2:19 Quando, pela segunda vez, se reuniram as
virgens, Mordecai estava assentado à porta do rei.
2:20 Ester não havia declarado ainda a sua
linhagem e o seu povo, como Mordecai lhe ordenara; porque Ester cumpria o
mandado de Mordecai como quando a criava.
21-23 Mordecai descobre uma conspiração
2:21 Naqueles dias, estando Mordecai sentado à
porta do rei, dois eunucos do rei, dos guardas da porta, Bigtã e Teres,
sobremodo se indignaram e tramaram atentar contra o rei Assuero.
2:22 Veio isso ao conhecimento de Mordecai,
que o revelou à rainha Ester, e Ester o disse ao rei, em nome de Mordecai.
2:23 Investigou-se o caso, e era fato; e ambos
foram pendurados numa forca. Isso foi escrito no Livro das Crônicas, perante o
rei.
3 Mordecai odiado por Hamã 1-6
7-11 Hamã pretende matar todos os judeus
12-15 O rei decreta a morte dos judeus
3:1 Depois destas coisas, o rei Assuero
engrandeceu a Hamã, filho de Hamedata, agagita, e o exaltou, e lhe pôs o trono
acima de todos os príncipes que estavam com ele.
3:2 Todos os servos do rei, que estavam à
porta do rei, se inclinavam e se prostravam perante Hamã; porque assim tinha
ordenado o rei a respeito dele. Mordecai, porém, não se inclinava, nem se
prostrava.
3:3 Então, os servos do rei, que estavam à
porta do rei, disseram a Mordecai: Por que transgrides as ordens do rei?
3:4 Sucedeu, pois, que, dizendo-lhe eles isto,
dia após dia, e não lhes dando ele ouvidos, o fizeram saber a Hamã, para ver se
as palavras de Mordecai se manteriam de pé, porque ele lhes tinha declarado que
era judeu.
3:5 Vendo, pois, Hamã que Mordecai não se
inclinava, nem se prostrava diante dele, encheu-se de furor.
3:6 Porém teve como pouco, nos seus
propósitos, o atentar apenas contra Mordecai, porque lhe haviam declarado de
que povo era Mordecai; por isso, procurou Hamã destruir todos os judeus, povo
de Mordecai, que havia em todo o reino de Assuero.
7-11 Hamã pretende matar todos os judeus
3:7 No primeiro mês, que é o mês de nisã, no
ano duodécimo do rei Assuero, se lançou o Pur, isto é, sortes, perante Hamã,
dia a dia, mês a mês, até ao duodécimo, que é o mês de adar.
3:8 Então, disse Hamã ao rei Assuero: Existe
espalhado, disperso entre os povos em todas as províncias do teu reino, um povo
cujas leis são diferentes das leis de todos os povos e que não cumpre as do
rei; pelo que não convém ao rei tolerá-lo.
3:9 Se bem parecer ao rei, decrete-se que
sejam mortos, e, nas próprias mãos dos que executarem a obra, eu pesarei dez
mil talentos de prata para que entrem nos tesouros do rei.
3:10 Então, o rei tirou da mão o seu anel,
deu-o a Hamã, filho de Hamedata, agagita, adversário dos judeus,
3:11 e lhe disse: Essa prata seja tua, como
também esse povo, para fazeres dele o que melhor for de teu agrado.
12-15 O rei decreta a morte dos judeus
3:12 Chamaram, pois, os secretários do rei, no
dia treze do primeiro mês, e, segundo ordenou Hamã, tudo se escreveu aos
sátrapas do rei, aos governadores de todas as províncias e aos príncipes de
cada povo; a cada província no seu próprio modo de escrever e a cada povo na
sua própria língua. Em nome do rei Assuero se escreveu, e com o anel do rei se
selou.
3:13 Enviaram-se as cartas, por intermédio dos
correios, a todas as províncias do rei, para que se destruíssem, matassem e
aniquilassem de vez a todos os judeus, moços e velhos, crianças e mulheres, em
um só dia, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de adar, e que lhes
saqueassem os bens.
3:14 Tais cartas encerravam o traslado do
decreto para que se proclamasse a lei em cada província; esse traslado foi
enviado a todos os povos para que se preparassem para aquele dia.
3:15 Os correios, pois, impelidos pela ordem
do rei, partiram incontinenti, e a lei se proclamou na cidadela de Susã; o rei
e Hamã se assentaram a beber, mas a cidade de Susã estava perplexa.
4 Ester promete interceder pelo seu povo 1-17
4:1 Quando soube Mordecai tudo quanto se havia
passado, rasgou as suas vestes, e se cobriu de pano de saco e de cinza, e,
saindo pela cidade, clamou com grande e amargo clamor;
4:2 e chegou até à porta do rei; porque
ninguém vestido de pano de saco podia entrar pelas portas do rei.
4:3 Em todas as províncias aonde chegava a
palavra do rei e a sua lei, havia entre os judeus grande luto, com jejum, e
choro, e lamentação; e muitos se deitavam em pano de saco e em cinza.
4:4 Então, vieram as servas de Ester e os
eunucos e fizeram-na saber, com o que a rainha muito se doeu; e mandou roupas
para vestir a Mordecai e tirar-lhe o pano de saco; porém ele não as aceitou.
4:5 Então, Ester chamou a Hataque, um dos
eunucos do rei, que este lhe dera para a servir, e lhe ordenou que fosse a
Mordecai para saber que era aquilo e o seu motivo.
4:6 Saiu, pois, Hataque à praça da cidade para
encontrar-se com Mordecai à porta do rei.
4:7 Mordecai lhe fez saber tudo quanto lhe
tinha sucedido; como também a quantia certa da prata que Hamã prometera pagar
aos tesouros do rei pelo aniquilamento dos judeus.
4:8 Também lhe deu o traslado do decreto
escrito que se publicara em Susã para os destruir, para que o mostrasse a Ester
e a fizesse saber, a fim de que fosse ter com o rei, e lhe pedisse
misericórdia, e, na sua presença, lhe suplicasse pelo povo dela.
4:9 Tornou, pois, Hataque e fez saber a Ester
as palavras de Mordecai.
4:10 Então, respondeu Ester a Hataque e
mandou-lhe dizer a Mordecai:
4:11 Todos os servos do rei e o povo das
províncias do rei sabem que, para qualquer homem ou mulher que, sem ser
chamado, entrar no pátio interior para avistar-se com o rei, não há senão uma
sentença, a de morte, salvo se o rei estender para ele o cetro de ouro, para
que viva; e eu, nestes trinta dias, não fui chamada para entrar ao rei.
4:12 Fizeram saber a Mordecai as palavras de
Ester.
4:13 Então, lhes disse Mordecai que
respondessem a Ester: Não imagines que, por estares na casa do rei, só tu
escaparás entre todos os judeus.
4:14 Porque, se de todo te calares agora, de
outra parte se levantará para os judeus socorro e livramento, mas tu e a casa
de teu pai perecereis; e quem sabe se para conjuntura como esta é que foste
elevada a rainha?
4:15 Então, disse Ester que respondessem a
Mordecai:
4:16 Vai, ajunta a todos os judeus que se
acharem em Susã, e jejuai por mim, e não comais, nem bebais por três dias, nem
de noite nem de dia; eu e as minhas servas também jejuaremos. Depois, irei ter
com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci.
4:17 Então, se foi Mordecai e tudo fez segundo
Ester lhe havia ordenado.
5 Ester convida ao rei e Hamã para um banquete 1-14
5:1 Ao terceiro dia, Ester se aprontou com
seus trajes reais e se pôs no pátio interior da casa do rei, defronte da
residência do rei; o rei estava assentado no seu trono real fronteiro à porta
da residência.
5:2 Quando o rei viu a rainha Ester parada no
pátio, alcançou ela favor perante ele; estendeu o rei para Ester o cetro de
ouro que tinha na mão; Ester se chegou e tocou a ponta do cetro.
5:3 Então, lhe disse o rei: Que é o que tens,
rainha Ester, ou qual é a tua petição? Até metade do reino se te dará.
5:4 Respondeu Ester: Se bem te parecer, venha
o rei e Hamã, hoje, ao banquete que eu preparei ao rei.
5:5 Então, disse o rei: Fazei apressar a Hamã,
para que atendamos ao que Ester deseja. Vindo, pois, o rei e Hamã ao banquete
que Ester havia preparado,
5:6 disse o rei a Ester, no banquete do vinho:
Qual é a tua petição? E se te dará. Que desejas? Cumprir-se-á, ainda que seja
metade do reino.
5:7 Então, respondeu Ester e disse: Minha
petição e desejo são o seguinte:
5:8 se achei favor perante o rei, e se bem
parecer ao rei conceder-me a petição e cumprir o meu desejo, venha o rei com
Hamã ao banquete que lhes hei de preparar amanhã, e, então, farei segundo o rei
me concede.
5:9 Então, saiu Hamã, naquele dia, alegre e de
bom ânimo; quando viu, porém, Mordecai à porta do rei e que não se levantara,
nem se movera diante dele, então, se encheu de furor contra Mordecai.
5:10 Hamã, porém, se conteve e foi para casa;
e mandou vir os seus amigos e a Zeres, sua mulher.
5:11 Contou-lhes Hamã a glória das suas
riquezas e a multidão de seus filhos, e tudo em que o rei o tinha engrandecido,
e como o tinha exaltado sobre os príncipes e servos do rei.
5:12 Disse mais Hamã: A própria rainha Ester a
ninguém fez vir com o rei ao banquete que tinha preparado, senão a mim; e
também para amanhã estou convidado por ela, juntamente com o rei.
5:13 Porém tudo isto não me satisfaz, enquanto
vir o judeu Mordecai assentado à porta do rei.
5:14 Então, lhe disse Zeres, sua mulher, e
todos os seus amigos: Faça-se uma forca de cinqüenta côvados de altura, e, pela
manhã, dize ao rei que nela enforquem Mordecai; então, entra alegre com o rei
ao banquete. A sugestão foi bem aceita por Hamã, que mandou levantar a forca.
6 Hamã forçada a honrar Mordecai 1-14
6:1 Naquela noite, o rei não pôde dormir;
então, mandou trazer o Livro dos Feitos Memoráveis, e nele se leu diante do
rei.
6:2 Achou-se escrito que Mordecai é quem havia
denunciado a Bigtã e a Teres, os dois eunucos do rei, guardas da porta, que
tinham procurado matar o rei Assuero.
6:3 Então, disse o rei: Que honras e
distinções se deram a Mordecai por isso? Nada lhe foi conferido, responderam os
servos do rei que o serviam.
6:4 Perguntou o rei: Quem está no pátio? Ora,
Hamã tinha entrado no pátio exterior da casa do rei, para dizer ao rei que se
enforcasse a Mordecai na forca que ele, Hamã, lhe tinha preparado.
6:5 Os servos do rei lhe disseram: Hamã está
no pátio. Disse o rei que entrasse.
6:6 Entrou Hamã. O rei lhe disse: Que se fará
ao homem a quem o rei deseja honrar? Então, Hamã disse consigo mesmo: De quem
se agradaria o rei mais do que de mim para honrá-lo?
6:7 E respondeu ao rei: Quanto ao homem a quem
agrada ao rei honrá-lo,
6:8 tragam-se as vestes reais, que o rei
costuma usar, e o cavalo em que o rei costuma andar montado, e tenha na cabeça
a coroa real;
6:9 entreguem-se as vestes e o cavalo às mãos
dos mais nobres príncipes do rei, e vistam delas aquele a quem o rei deseja
honrar; levem-no a cavalo pela praça da cidade e diante dele apregoem: Assim se
faz ao homem a quem o rei deseja honrar.
6:10 Então, disse o rei a Hamã: Apressa-te,
toma as vestes e o cavalo, como disseste, e faze assim para com o judeu
Mordecai, que está assentado à porta do rei; e não omitas coisa nenhuma de tudo
quanto disseste.
6:11 Hamã tomou as vestes e o cavalo, vestiu a
Mordecai, e o levou a cavalo pela praça da cidade, e apregoou diante dele:
Assim se faz ao homem a quem o rei deseja honrar.
6:12 Depois disto, Mordecai voltou para a
porta do rei; porém Hamã se retirou correndo para casa, angustiado e de cabeça
coberta.
6:13 Contou Hamã a Zeres, sua mulher, e a
todos os seus amigos tudo quanto lhe tinha sucedido. Então, os seus sábios e
Zeres, sua mulher, lhe disseram: Se Mordecai, perante o qual já começaste a
cair, é da descendência dos judeus, não prevalecerás contra ele; antes,
certamente, cairás diante dele.
6:14 Falavam estes ainda com ele quando
chegaram os eunucos do rei e apressadamente levaram Hamã ao banquete que Ester
preparara.
7 Ester denuncia a Hamã, que é enforcado 1-10
7:1 Veio, pois, o rei com Hamã, para beber com
a rainha Ester.
7:2 No segundo dia, durante o banquete do
vinho, disse o rei a Ester: Qual é a tua petição, rainha Ester? E se te dará.
Que desejas? Cumprir-se-á ainda que seja metade do reino.
7:3 Então, respondeu a rainha Ester e disse:
Se perante ti, ó rei, achei favor, e se bem parecer ao rei, dê-se-me por minha
petição a minha vida, e, pelo meu desejo, a vida do meu povo.
7:4 Porque fomos vendidos, eu e o meu povo,
para nos destruírem, matarem e aniquilarem de vez; se ainda como servos e como
servas nos tivessem vendido, calar-me-ia, porque o inimigo não merece que eu
moleste o rei.
7:5 Então, falou o rei Assuero e disse à
rainha Ester: Quem é esse e onde está esse cujo coração o instigou a fazer
assim?
7:6 Respondeu Ester: O adversário e inimigo é
este mau Hamã. Então, Hamã se perturbou perante o rei e a rainha.
7:7 O rei, no seu furor, se levantou do
banquete do vinho e passou para o jardim do palácio; Hamã, porém, ficou para
rogar por sua vida à rainha Ester, pois viu que o mal contra ele já estava
determinado pelo rei.
7:8 Tornando o rei do jardim do palácio à casa
do banquete do vinho, Hamã tinha caído sobre o divã em que se achava Ester.
Então, disse o rei: Acaso, teria ele querido forçar a rainha perante mim, na
minha casa? Tendo o rei dito estas palavras, cobriram o rosto de Hamã.
7:9 Então, disse Harbona, um dos eunucos que
serviam o rei: Eis que existe junto à casa de Hamã a forca de cinqüenta côvados
de altura que ele preparou para Mordecai, que falara em defesa do rei. Então,
disse o rei: Enforcai-o nela.
7:10 Enforcaram, pois, Hamã na forca que ele
tinha preparado para Mordecai. Então, o furor do rei se aplacou.
8 Os judeus são autorizados a resistir 1-17
8:1 Naquele mesmo dia, deu o rei Assuero à
rainha Ester a casa de Hamã, inimigo dos judeus; e Mordecai veio perante o rei,
porque Ester lhe fez saber que era seu parente.
8:2 Tirou o rei o seu anel, que tinha tomado a
Hamã, e o deu a Mordecai. E Ester pôs a Mordecai por superintendente da casa de
Hamã.
8:3 Falou mais Ester perante o rei e se lhe
lançou aos pés; e, com lágrimas, lhe implorou que revogasse a maldade de Hamã,
o agagita, e a trama que havia empreendido contra os judeus.
8:4 Estendeu o rei para Ester o cetro de ouro.
Então, ela se levantou, pôs-se de pé diante do rei
8:5 e lhe disse: Se bem parecer ao rei, se eu
achei favor perante ele, se esta coisa é reta diante do rei, e se nisto lhe
agrado, escreva-se que se revoguem os decretos concebidos por Hamã, filho de
Hamedata, o agagita, os quais ele escreveu para aniquilar os judeus que há em
todas as províncias do rei.
8:6 Pois como poderei ver o mal que sobrevirá
ao meu povo? E como poderei ver a destruição da minha parentela?
8:7 Então, disse o rei Assuero à rainha Ester
e ao judeu Mordecai: Eis que dei a Ester a casa de Hamã, e a ele penduraram
numa forca, porquanto intentara matar os judeus.
8:8 Escrevei, pois, aos judeus, como bem vos
parecer, em nome do rei, e selai-o com o anel do rei; porque os decretos feitos
em nome do rei e que com o seu anel se selam não se podem revogar.
8:9 Então, foram chamados, sem detença, os
secretários do rei, aos vinte e três dias do mês de sivã, que é o terceiro mês.
E, segundo tudo quanto ordenou Mordecai, se escreveu um edito para os judeus,
para os sátrapas, para os governadores e para os príncipes das províncias que
se estendem da Índia à Etiópia, cento e vinte e sete províncias, a cada uma no
seu próprio modo de escrever, e a cada povo na sua própria língua; e também aos
judeus segundo o seu próprio modo de escrever e a sua própria língua.
8:10 Escreveu-se em nome do rei Assuero, e se
selou com o anel do rei; as cartas foram enviadas por intermédio de correios montados
em ginetes criados na coudelaria do rei.
8:11 Nelas, o rei concedia aos judeus de cada
cidade que se reunissem e se dispusessem para defender a sua vida, para
destruir, matar e aniquilar de vez toda e qualquer força armada do povo da
província que viessem contra eles, crianças e mulheres, e que se saqueassem os
seus bens,
8:12 num mesmo dia, em todas as províncias do
rei Assuero, no dia treze do duodécimo mês, que é o mês de adar.
8:13 A carta, que determinava a proclamação do
edito em todas as províncias, foi enviada a todos os povos, para que os judeus
se preparassem para aquele dia, para se vingarem dos seus inimigos.
8:14 Os correios, montados em ginetes que se
usavam no serviço do rei, saíram incontinenti, impelidos pela ordem do rei; e o
edito foi publicado na cidadela de Susã.
8:15 Então, Mordecai saiu da presença do rei
com veste real azul-celeste e branco, como também com grande coroa de ouro e
manto de linho fino e púrpura; e a cidade de Susã exultou e se alegrou.
8:16 Para os judeus houve felicidade, alegria,
regozijo e honra.
8:17 Também em toda província e em toda cidade
aonde chegava a palavra do rei e a sua ordem, havia entre os judeus alegria e
regozijo, banquetes e festas; e muitos, dos povos da terra, se fizeram judeus,
porque o temor dos judeus tinha caído sobre eles.
9 Os judeus matam aos seus inimigos 1-15
16-32 A Festa de Purim
9:1 No dia treze do duodécimo mês, que é o mês
de adar, quando chegou a palavra do rei e a sua ordem para se executar, no dia
em que os inimigos dos judeus contavam assenhorear-se deles, sucedeu o
contrário, pois os judeus é que se assenhorearam dos que os odiavam;
9:2 porque os judeus, nas suas cidades, em
todas as províncias do rei Assuero, se ajuntaram para dar cabo daqueles que
lhes procuravam o mal; e ninguém podia resistir-lhes, porque o terror que
inspiravam caiu sobre todos aqueles povos.
9:3 Todos os príncipes das províncias, e os
sátrapas, e os governadores, e os oficiais do rei auxiliavam os judeus, porque
tinha caído sobre eles o temor de Mordecai.
9:4 Porque Mordecai era grande na casa do rei,
e a sua fama crescia por todas as províncias; pois ele se ia tornando mais e
mais poderoso.
9:5 Feriram, pois, os judeus a todos os seus
inimigos, a golpes de espada, com matança e destruição; e fizeram dos seus
inimigos o que bem quiseram.
9:6 Na cidadela de Susã, os judeus mataram e
destruíram a quinhentos homens,
9:7 como também a Parsandata, a Dalfom, a
Aspata,
9:8 a Porata, a Adalia, a Aridata,
9:9 a Farmasta, a Arisai, a Aridai e a
Vaizata,
9:10 que eram os dez filhos de Hamã, filho de
Hamedata, o inimigo dos judeus; porém no despojo não tocaram.
9:11 No mesmo dia, foi comunicado ao rei o
número dos mortos na cidadela de Susã.
9:12 Disse o rei à rainha Ester: Na cidadela
de Susã, mataram e destruíram os judeus a quinhentos homens e os dez filhos de
Hamã; nas mais províncias do rei, que terão eles feito? Qual é, pois, a tua
petição? E se te dará. Ou que é que desejas ainda? E se cumprirá.
9:13 Então, disse Ester: Se bem parecer ao
rei, conceda-se aos judeus que se acham em Susã que também façam, amanhã,
segundo o edito de hoje e dependurem em forca os cadáveres dos dez filhos de
Hamã.
9:14 Então, disse o rei que assim se fizesse; publicou-se
o edito em Susã, e dependuraram os cadáveres dos dez filhos de Hamã.
9:15 Reuniram-se os judeus que se achavam em
Susã também no dia catorze do mês de adar, e mataram, em Susã, a trezentos
homens; porém no despojo não tocaram.
9:16 Também os demais judeus que se achavam
nas províncias do rei se reuniram, e se dispuseram para defender a vida, e
tiveram sossego dos seus inimigos; e mataram a setenta e cinco mil dos que os
odiavam; porém no despojo não tocaram.
9:17 Sucedeu isto no dia treze do mês de adar;
no dia catorze, descansaram e o fizeram dia de banquetes e de alegria.
9:18 Os judeus, porém, que se achavam em Susã
se ajuntaram nos dias treze e catorze do mesmo; e descansaram no dia quinze e o
fizeram dia de banquetes e de alegria.
9:19
Também os judeus das vilas que habitavam nas aldeias abertas fizeram do dia
catorze do mês de adar dia de alegria e de banquetes e dia de festa e de
mandarem porções dos banquetes uns aos outros.
9:20 Mordecai escreveu estas coisas e enviou
cartas a todos os judeus que se achavam em todas as províncias do rei Assuero,
aos de perto e aos de longe,
9:21 ordenando-lhes que comemorassem o dia
catorze do mês de adar e o dia quinze do mesmo, todos os anos,
9:22 como os dias em que os judeus tiveram sossego
dos seus inimigos, e o mês que se lhes mudou de tristeza em alegria, e de luto
em dia de festa; para que os fizessem dias de banquetes e de alegria, e de
mandarem porções dos banquetes uns aos outros, e dádivas aos pobres.
9:23 Assim, os judeus aceitaram como costume o
que, naquele tempo, haviam feito pela primeira vez, segundo Mordecai lhes
prescrevera;
9:24 porque Hamã, filho de Hamedata, o
agagita, inimigo de todos os judeus, tinha intentado destruir os judeus; e
tinha lançado o Pur, isto é, sortes, para os assolar e destruir.
9:25 Mas, tendo Ester ido perante o rei,
ordenou ele por cartas que o seu mau intento, que assentara contra os judeus,
recaísse contra a própria cabeça dele, pelo que enforcaram a ele e a seus
filhos.
9:26 Por isso, àqueles dias chamam Purim, do
nome Pur. Daí, por causa de todas as palavras daquela carta, e do que
testemunharam, e do que lhes havia sucedido,
9:27 determinaram os judeus e tomaram sobre
si, sobre a sua descendência e sobre todos os que se chegassem a eles que não
se deixaria de comemorar estes dois dias segundo o que se escrevera deles e
segundo o seu tempo marcado, todos os anos;
9:28 e que estes dias seriam lembrados e
comemorados geração após geração, por todas as famílias, em todas as províncias
e em todas as cidades, e que estes dias de Purim jamais caducariam entre os
judeus, e que a memória deles jamais se extinguiria entre os seus descendentes.
9:29 Então, a rainha Ester, filha de Abiail, e
o judeu Mordecai escreveram, com toda a autoridade, segunda vez, para confirmar
a carta de Purim.
9:30 Expediram cartas a todos os judeus, às
cento e vinte e sete províncias do reino de Assuero, com palavras amigáveis e
sinceras,
9:31 para confirmar estes dias de Purim nos
seus tempos determinados, como o judeu Mordecai e a rainha Ester lhes tinham
estabelecido, e como eles mesmos já o tinham estabelecido sobre si e sobre a
sua descendência, acerca do jejum e do seu lamento.
9:32 E o mandado de Ester estabeleceu estas
particularidades de Purim; e se escreveu no livro.
10 O renome de Mordecai 1-3
10:1 Depois disto, o rei Assuero impôs tributo
sobre a terra e sobre as terras do mar.
10:2 Quanto aos mais atos do seu poder e do
seu valor e ao relatório completo da grandeza de Mordecai, a quem o rei
exaltou, porventura, não estão escritos no Livro da História dos Reis da Média
e da Pérsia?
10:3 Pois o judeu Mordecai foi o segundo
depois do rei Assuero, e grande para com os judeus, e estimado pela multidão de
seus irmãos, tendo procurado o bem-estar do seu povo e trabalhado pela
prosperidade de todo o povo da sua raça.
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sergiovalentin